Paulo Freire – Um educador com um ponto de vista bem definido
Paulo Freire – Um educador com um ponto de vista bem definido
O seu modo de perceber o ser humano e a educação, tornou possível visualizar uma transformação da realidade opressiva que o povo brasileiro encontra até os dias de hoje. Diante desta questão ele considerou necessário identificar qual o seu ponto de vista ao observar e falar, saber seu ponto de vista é educar com consciência, e permite uma relação dialética na construção de um saber, porque quanto mais o sujeito pensa, mais ele transforma o seu fazer. Como educador coerente ele nunca escondeu qual era o seu:
“O meu ponto de vista é o dos “condenados da Terra”, o dos excluídos.” (Freire, 1970, p. 14)
Sua reflexão sobre a realidade levou-o a perceber a existência de sujeitos na sociedade que não conseguem existir como seres humanos, e que não podem exercer nenhuma forma de poder, seu destino é apenas se submeter ao poder dos outros. A partir disto realizou a descrição dos sujeitos que definiu como oprimidos, para isto, levou em conta o contexto social que estão inseridos e como ocorre a formação da identidade individual e coletiva dentro desta realidade opressora. Estes sujeitos vivem um comportamento repetitivo de opressão, portanto, de desrespeito contínuo com o seu corpo e agressões verbais que o retiram a condição de ser mais. Esta experiência degradante produz uma contradição dentro do oprimido, ele admira o seu opressor, a sua forma de agir e de se comportar, tornando justificável a sua superioridade. Esta não é a única conseqüência desta relação sádica, ao ser incapaz de dirigir suas frustrações para o opressor, e de poder usar a mesma força à qual é submetido, ele agride seus semelhantes, tornando o grupo ainda mais instável e incapaz de perceber a importância de respeitar o outro para fortalecer o grupo, e todos juntos mudarem sua condição de subordinados. Ele constatou que a partir desta relação contínua, os sujeitos oprimidos se tornam divididos dentro deles, e também fragmentam o grupo no qual estão inseridos, enfraquecendo sua possibilidade de luta política.
Referência bibliográfica:
FREIRE, Paulo (1970). Pedagogia do Oprimido. 47ª Ed Rio de Janeiro: Paz e terra, 2008.