método de educação libertadora de Paulo Freire
MÉTODO DE EDUCAÇÃO LIBERTADORA
O Método Paulo
Freire não se
detém na mera alfabetização tradicional, baseada principalmente no uso da
cartilha, que ele rejeita categoricamente no aprendizado da leitura e da
escrita. O educador defende e incentiva o posicionamento do adulto não
alfabetizado no meio social e político em que ele vive, ou seja, no seu
contexto real.
Desta
forma, acredita o mestre, é possível acordar a consciência do aluno para que
ele seja capaz de exercer seu papel de cidadão e se habilitar a revolucionar a
sociedade. Assim, o letrado pode transcender a simples esfera do conhecimento
de regras, métodos e linguagens, e ser então inserido na esfera sócio-econômica
e política da qual fora excluído.
O
domínio das letras e das palavras é um instrumento para que o adulto
alfabetizado elabore suaconsciência política,
conquistando um ponto de vista integral do saber e do universo que habita. O
ideal de Paulo Freire brotou
justamente do ambiente no qual ele foi criado; nascido no Recife, ele conhecia
bem a realidade do Nordeste do país, e foi durante os anos 50 que ele elaborou
seu método.
Nesta
época a região nordestina abrigava um número elevado de analfabetos, pelo menos
metade de seus moradores, uma consequência direta do período colonial e de um
contexto de repressão, tirania, restrições e carências ilimitadas. Sua
metodologia é, portanto, fruto de muito tempo de
gestação e meditações de Paulo Freire no âmbito da pedagogia. Ele se preocupava
particularmente com os adultos que habitavam as áreas socialmente excluídas,
tanto nas cidades quanto no campo, em Pernambuco.
Na metodologia de Freire o mestre se posiciona ao lado de seus
aprendizes para que juntos possam organizar as atividades desenvolvidas nas
classes, todas baseadas no debate de temáticas sócio-políticas, inerentes ao
contexto vivenciado por eles. Assim, seu método não age apenas no circuito
educativo, mas também na economia, na política e nas demais esferas da vida em
sociedade.
Sua criação, conhecida como método de educação libertadora, passa por três estágios.
O primeiro é o da investigação, durante o qual mestre e aprendiz discutem
vocábulos e questões que têm maior importância na existência do aluno, no
interior do grupo no qual ele vive.
A segunda etapa é a da tematização – este é o instante de
conscientização em relação ao mundo, por meio da avaliação dos sentidos sociais
assumidos por temáticas e palavras. O terceiro momento é o da problematização,
quando o professor provoca e motiva seus estudantes a transcenderem o ponto de
vista mítico e desprovido de críticas do universo que ele habita, para que possam
atingir a fundamental tomada de consciência.
O educador aconselha que sua corrente pedagógica seja praticada em cinco
fases. Primeiro, uma avaliação das condições linguísticas dos alunos, sempre
com a aceitação da linguagem de cada um; segundo, a seleção de determinados
vocábulos, conforme sua importância fonética, o nível de dificuldades e seu
papel sócio-cultural e político para o grupo em questão; no terceiro momento
privilegia-se a elaboração de contextos vivenciais típicos da comunidade
abordada, para que os alunos aprendam a analisar criticamente as questões
levantadas no contexto em que vivem.
A quarta etapa se resume à elaboração de fichas que atuam como roteiros
para as discussões, sem que elas necessariamente sejam adotadas enquanto
preceitos inflexíveis; a quinta fase consiste, enfim, na produção de cartões
com palavras que deverão ser decompostas em grupos fonéticos congruentes com os
vocábulos criadores.