A política cambial como ferramenta macroeconomica
A POLÍTICA CAMBIAL COMO
FERRAMENTA ECONÔMICA
A política cambial exerce
grande influência sobre a política aduaneira (exportações e importações) de um
país. Os principais componentes da política cambial de qualquer país são os
instrumentos cambiais, uma vez que sua utilização é de competência exclusiva do
governo federal, na medida em que o poder decisório sobre sua utilização foge
da alçada e da competência dos governos estaduais ou municipais.
POLÍTICA CAMBIAL E
MERCADO CAMBIAL
Política cambial é baseada na administração das taxas de câmbio e no
controle das operações cambiais, variáveis relacionadas às transações
econômicas de um determinado país com o exterior, ou seja, é o conjunto de
medidas e ações do governo que influem no comportamento do mercado de câmbio e
da taxa de câmbio.
Mercado de Câmbio é o ambiente (físico ou virtual, pois as trocas de moeda
podem ser feitas também por meio eletrônico, sem a presença física dos
participantes) onde se realiza as operações de câmbio entre os agentes autorizados
pelo BACEN - Banco Central do Brasil (bancos, corretoras, distribuidoras,
agências de turismo etc.) e entre esses e seus clientes.
MERCADOS DE CÂMBIO
O Mercado de Câmbio pode ser Flutuante ou Paralelo. Flutuante, quando as operações são caracterizadas por financeiras. Paralelo, quando pessoas físicas ou jurídicas utilizam este mercado, sendo que não tem a necessidade aparecer.
Posição
de câmbio: de todo o banco poder
realizar quantas operações de compra e venda de câmbio que ele desejar, não
significa que não exista um sistema rígido de controle destas operações.
Deve-se
considerar que o mesmo existindo a negociação em outras moedas conversíveis, o
banco deverá fazer uma conversão para o dólar americano. Assim é possível o
BACEN, fiscalizar e conferir o que os bancos realizaram durante o dia.
Os dois
principais parâmetros de taxa utilizados no mercado, para emprestar e tomar
emprestado recursos junto às instituições financeiras são:
a) Libor:
de juros oferecidos pelo mercado de Londres (em prazo diferenciado).
b) Prime:
de juros oferecidos pelos bancos americanos dos clientes.
Algumas
finalidades que fazem parte do mercado financeiro:
- exploração de patentes,
marcas ou propaganda.
- fornecimento de
tecnologia industrial, cooperação técnico industrial,
- serviços técnicos
especializados,
- outros: assinaturas de
jornais e revistas, aluguel de fitas e discos gravados, etc.
TAXA DE CÂMBIO
O preço de uma unidade monetária de uma moeda em unidades monetárias de outra
moeda é denominado Taxa de Câmbio, que pode ser definida em termos diretos (ao
incerto) ou em termos indiretos (ao certo).
Termos diretos: quando exprime o preço de uma unidade monetária estrangeira em
unidades monetárias de moeda nacional. Exemplo: a taxa de câmbio US$/EURO está
definida de forma direta para os habitantes da zona Euro; ou está definida de
forma indireta para os habitantes dos EUA).
Termos indiretos: quando exprime o preço de uma unidade monetária de moeda
nacional em unidades monetárias de moeda estrangeira (exemplo: taxa de câmbio
EURO/US$ está definida em termos indiretos para os habitantes da zona Irou,
pois exprime o preço de 1 unidade monetária nacional, o irou, em unidades
monetárias de moeda estrangeira, o dólar).
A taxa de câmbio reflete, assim, o custo de uma moeda em relação a outra,
dividindo-se em taxa de venda e taxa de compra. Pensando sempre do ponto de
vista do banco (ou outro agente autorizado a operar pelo Banco Central - BC),
a taxa de venda é o preço que o banco cobra para vender a moeda estrangeira (a
um importador, por exemplo), enquanto a taxa de compra reflete o preço que o
banco aceita pagar pela moeda estrangeira que lhe é ofertada (por um
exportador, por exemplo).
O câmbio é uma das variáveis mais importantes da macroeconomia,
sobretudo no que se refere ao comércio internacional. Quando se deseja
negociar ativos de um país para outro, quase invariavelmente temos de mudar a
unidade de conta do valor desses ativos – da moeda doméstica para a moeda
estrangeira. Nesse sentido, pode-se definir a taxa de câmbio de um país como o
número de unidades de moeda de um país necessário para se comprar uma unidade
de moeda de outro país. Em outras palavras, é o preço de uma moeda em termos de
outra.
TIPOS DE TAXA DE CÂMBIO
a) Única e
fixa: a moeda nacional tem uma única taxa de troca
com o dólar e com cada uma das moedas vinculadas ao dólar. O país mantém o
mesmo poder de paridade sendo a taxa determinada pelo governo (que também pode
efetuar reajustes). Uma vantagem dessa taxa é permitir a integração dos
mercados internacionais em uma rede de mercados e uma desvantagem é o
artificialismo do sistema para economias inflacionárias com desequilíbrio no
balanço de pagamentos. O Banco Central-BC é obrigado a honrar o valor da moeda:
um aumento na compra de dólares, pressão para queda no valor da moeda local, o
BC usa as reservas de US$, vendendo a moeda e reduzindo a pressão.
b) Única e
flutuante: há um único valor em relação ao dólar, mas a
taxa flutua conforme a oferta e procura no mercado de divisas. Se ocorrer muita
procura por dólar, sua cotação aumenta e a moeda local se desvaloriza. Se o
movimento é no sentido de venda de dólares, sua cotação cai e a moeda nacional
se valoriza. Sua principal vantagem é que o valor de todas as moedas é
estabelecido a um preço que busca o equilíbrio do mercado de divisas. O BC só
intervém se considerar as oscilações exageradas.
c) Múltipla
e fixa: quando variam conforme o tipo de transação
ou conforme o produto que está sendo importado ou exportado;
d) Múltipla
e flutuante: a taxa flutua como em C,
mas também varia de acordo com o tipo de transação ou produto, como em B;
VARIÁVEIS IMPORTANTES NA
POLÍTICA CAMBIAL
Sigilo: alteração cambial significativa deve ser
precedida de sigilo (quanto maior melhor). É decisão de GOVERNO onde
LEGISLATIVO e SOCIEDADE não participam. O sucesso, em condições normais, requer
processo decisório rápido e sigiloso. Deve ser implementado considerando-se
conseqüências e soluções alternativas. O circulo dos que participam da decisão
deve ser restrito: Chefe de Governo, direção do Banco Central - BC, altos
servidores de Ministérios e pouco mais;
Expectativas: em casos excepcionais, o
mercado pode antecipar e identificar sinais de mudança cambial futura;
FMI: requer consulta prévia se países membros desejam variações iguais ou
superiores a 10%. Objetivo: prevenir desvalorizações competitivas. As políticas
cambiais de alguns países (com status de grande economia) são de conhecimento
prévio do FMI;
Desvalorização:
a) Eleva
custo de Importações;
b) Estimula
X;
c) Incentiva
entrada de capitais externos;
d) Reduz
empréstimos externos. Deve ser acompanhada de medidas que restrinjam procura
interna
e) e
estimulem Exportações-X para conter efeito inflacionário;
Valorização: pode provocar:
a) estabilização
de preços;
b) elevação
da oferta interna;
c) redução
em: custo das M; entrada de capital externo; Exportações.
Uma justificativa para sua utilização é quando a economia apresenta sucessivos
superávites no SBP e boas reservas de divisas. Pode causar piora no SBP e estimular
maior desemprego. (alguns destes itens ocorreram na economia brasileira no
período 1995-98, época da sobrevalorização cambial (do R$)).
CARACTERÍSTICAS DOS
INSTRUMENTOS CAMBIAIS
Extremamente
poderoso: as alterações cambiais podem gerar efeitos
consideráveis na economia interna do país e, também, nos países com os quais
mantém relações comerciais;
Forte
conteúdo emocional: como a taxa de câmbio
reproduz a cotação de uma moeda em relação às moedas de outros países, qualquer
desvalorização tende a ser considerada, pelo menos em certos círculos, uma
espécie de derrota nacional. Para o país que desvaloriza, isto pode conduzir a
uma perda de confiança na sua moeda. Como decorrências: alta de preços; piora
na distribuição de renda e outras múltiplas conseqüências;
Menor
freqüência de utilização: comparado a outros
instrumentos de política econômica;
LIMITAÇÕES DOS INSTRUMENTOS
CAMBIAIS
I. Há
resistência maior à adoção de desvalorização cambial do que a uma valorização.
II. Deve ser adotado em último recurso após falha dos demais destinados ao
mesmo objetivo
III. Muitos não consideram alteração cambial um instrumento regular de
política econômica, dado os múltiplos efeitos(até imprevistos) diretos e
indiretos decorrentes.
IV. Alguns grupos de interesse (e segmentos populacionais) são contrários ao
seu uso. O uso deve se dar no momento apropriado
ATUAÇÃO DO BACEN
O BACEN compra ou vende dólares por meio de um grupo de 17 bancos autorizados a
fazer negócios no mercado em nome do BACEN. Esses bancos fazem um leilão e
fecham as transações com os investidores interessados.
Os dólares comprados pelo BACEN são depositados nas reservas internacionais do
país. O BACEN pode comprar dólares para evitar a valorização excessiva do Real
(R$);
Ao fazer qualquer tipo de operação no mercado de câmbio, o BACEN é obrigado a
informar isso ao público, no mesmo dia, por meio de comunicado publicado no
SISBACEN (sistema de comunicação utilizado entre BACEN e demais bancos).
MOTIVOS PARA O GOVERNO
COMPRAR (OU VENDER) DÓLARES
Forçar
alta na cotação: embora o BACEN negue que
haja intenção de interferir no comportamento do mercado, as compras de dólares
favorecem uma elevação na cotação da moeda dos EUA, ou contribuem para que não
caia abaixo de um patamar desejado;
Forçar
queda na cotação: situação em que o BACEN
entra no mercado de divisas vendendo dólares para, na medida em que causa uma
oferta adicional de dólares no mercado de cambio, provocar uma queda na cotação
da moeda americana no mercado interno;
Reforço
de reservas: desde 2003, o BACEN tem sinalizado
a intenção de reforçar suas reservas em moeda estrangeira, aumentando as
compras.
OPERAÇÕES DE CÂMBIO
São operações de moeda, caso a moeda fosse universal, não havia necessidade de
efetuar operações de câmbio. Existem duas espécies fundamentais:
- manual: troca imediata da
moeda nacional por estrangeira, atende as pessoas que se deslocam para o
estrangeiro.
- escriturais: operações
mais numerosas, envolvendo importâncias maiores, destinadas à exportação e
importação.
O controle de câmbio encontra-se, atualmente sob controle oficial, cumprindo ao
BACEN não só autorizá-las, como também fixar as respectivas taxas.
Bancos comerciais: para realizar operações de câmbio, todo interessado,
deverá procurar um banco autorizado a operar no mercado de câmbio.
Bancos autorizados: instituições interessada deve-se enquadrar dentro dos
critérios exigidos pelo BACEN em: termos de capital mínimo, corpo
administrativo com reconhecida capacidade técnica em operações de câmbio,
compradores e vendedores de moeda estrangeira, profissionais qualificados, etc.
O sistema cambial brasileiro ele era estritamente fechado, taxa estabelecida
pelo BACEN, nenhuma operação poderia ser realizada fora dos parâmetros
divulgados, após o Plano Collor, foi substituído por um mecanismo mais
flexível, denominado segmento de taxas livres ou comerciais, obrigando aos
bancos uma postura mais profissional, com maior autonomia junto ao mercado.
O BACEN passou a ser somente banco participante, com direito de estar presente
ou não no mercado. Atualmente, a taxa de câmbio é determinada pelo próprio
mercado, passando a ser formada pela lei da oferta e procura.
Sisbacen
(sistema integrado de registro ou operações de câmbio): sistema de tele
processamento on line, integrando toda a rede bancária, corretoras e outras
instituições credenciadas. Consiste em um banco de dados onde são armazenadas
informações relevantes às operações de câmbio, incluindo as condições de
contratação e liquidação.
Siscomex (sistema integrado de comércio exterior): é o controle das operações de câmbio, foram racionalizadas, necessitando-se modernizar as operações cambiais, criando assim o Siscomex, que iniciou com a implantação da emissão do registro de exportação e a licença de importação, o Siscomex é a nova sistemática do comércio exterior brasileiro, que integra as atividades da SCE, SRF e do BACEN.
Siscomex (sistema integrado de comércio exterior): é o controle das operações de câmbio, foram racionalizadas, necessitando-se modernizar as operações cambiais, criando assim o Siscomex, que iniciou com a implantação da emissão do registro de exportação e a licença de importação, o Siscomex é a nova sistemática do comércio exterior brasileiro, que integra as atividades da SCE, SRF e do BACEN.
ROLAGEM DA DÍVIDA CAMBIAL
A renegociação de novas datas para pagamento de compromissos com credores
externos, de outros países é chamada de Rolagem da dívida cambial. Por ser
dívida externa, a renegociação terá sempre uma correlação com a taxa de cambio
vigente entre a moeda nacional e o dólar, moeda padrão nas negociações
internacionais.
Ocorre um
embate natural entre mercado e Banco Central próximo às datas de vencimento da
divida publica que esta atrelada ao cambio. Nestas ocasiões, a tendência é a
elevação na cotação do dólar em relação à moeda nacional, por três motivos:
I. Ocorre
maior procura por dólares-US$ para quitar os débitos o que pressiona a moeda,
elevando assim a cotação do dólar-US$ em relação ao real-R$;
II. Paralelamente à dívida cambial do governo, também há a dívida externa de
bancos e empresas, que contribuem para elevar a demanda por divisas;
III. Na
proximidade do vencimento de dívida atrelada ao dólar, o mercado se antecipa
comprando divisas, num movimento especulativo que eleva a cotação do dólar.
Após vencimento, especuladores vendem dólares, obtendo volume maior de reais.
O governo pode, para evitar turbulência no mercado, negociar com credores uma
extensão no prazo de pagamento da dívida externa. É a rolagem da dívida
externa. A tendência do BACEN é tentar antecipar as rolagens das dívidas, como
forma de diminuir a tensão de mercado às vésperas do vencimento. Concretizada a
rolagem, a tendência é estabilização do US$ e, em alguns casos, até a queda em
relação à moeda nacional.
Quando o BACEN não rola os papéis (títulos) da dívida pública em dólar, resta
quitar a dívida. Isto acontece quando o mercado recusa os novos papéis
oferecidos pelo governo, salvo taxas de juros consideradas muito elevadas pela
autoridade monetária. Como a dívida é paga tendo como base o Ptax (preço médio
diário do dólar medido pelo BACEN), os credores podem tentar pressionar a
cotação da moeda para aumentar seus ganhos.
Nesse caso,
os principais detentores dos papéis podem forçar a cotação da moeda com a
intenção de lucrar mais com a operação, pois a liquidação desse tipo de papel é
feita em reais com base no preço médio do dólar, o Ptax.
Um exemplo a respeito que pode ser citado é de quando o BACEN em operações
realizadas no final de novembro de 2002, colocou papéis com vencimento em abril
e julho de 2003, com taxas entre 29% e 32% e, para vencimento em janeiro de 2005
com taxa média de 25,6%. No início de outubro de 2002, o mercado chegava a
pedir taxas superiores a 50%. (as eleições presidenciais realizadas em
outubro/novembro daquele ano-primeiro e segundo turnos, podem ter contribuído
para essas oscilações). Em 2002, a partir de maio, o mercado financeiro ficou
mais turbulento, gerando crescentes dificuldades para o BACEN substituir os
papéis cambiais que iam vencendo. Em outubro de 2002, após eleições
presidenciais, o BACEN pôde rolar um lote vencido de dívida cambial.
A menor aversão ao risco que o mercado internacional demonstra nesse momento
contribui para favorecer o câmbio e o governo em suas rolagens.
DESVALORIZAÇÃO CAMBIAL
As desvalorizações cambiais provocam instantaneamente uma inflação importada: a
alta dos preços das matérias primas e dos produtos intermediários do exterior
necessários à produção nacional aumenta os custos de produção. As empresas mais
atingidas tentam, a fim de manter sua margem, repassar parte da alta dos custos
aos preços, elevando assim os custos de produção de outras empresas: dessa
forma, a inflação se estende ao conjunto da economia. A inflação elimina parte
dos ganhos de competitividade-preço associados com a desvalorização, o que
reduz ainda mais as chances de se ver o déficit externo rapidamente corrigido.
As empresas ficam tanto mais estimuladas a fazer o repasse dos custos aos
preços quanto mais puderem esperar uma próxima desvalorização que restabeleça
de modo instantâneo a competitividade internacional dos seus preços de venda. O
país pode se ver preso a um círculo vicioso:
desvalorização>,
inflação>>, déficit>>>, desvalorização>>>>..., etc.
Na seqüência de uma desvalorização cambial, os volumes de importações e de
exportações não se adaptam instantaneamente. A prazo muito curto, os volumes de
troca pouco se alteram. Como os preços das importações aumentam e os das exportações
diminuem (deterioração das relações de troca), as receitas de exportação
regridem (contração) e a fatura das importações se expande: o déficit do SBP
torna-se acentuado, em vez de atenuado, pela desvalorização. Há necessidade de
um período de tempo para que a modificação do preço relativo dos produtos
nacionais e estrangeiros afete sensivelmente os volumes de troca, contribuindo
assim para limitar o déficit. Esse fenômeno é conhecido como "curva em
J": durante o primeiro ano depois da desvalorização, o saldo se deteriora;
em seguida vai melhorando de forma progressiva, mas podem-se esperar dois a
três anos até que retorne ao equilíbrio (o período de tempo pode oscilar, em
função de diversas variáveis conjunturais e/ou estruturais, internas e/ou externas).
Assim, mesmo quando a desvalorização contribui para corrigir o déficit externo,
o processo pode ser longo.
No restabelecimento do equilíbrio das contas externas (e da inflação
associada), se faz necessário à adoção de uma política rigorosa que possa
corrigir de maneira duradoura tanto a inflação quanto o déficit externo, a
partir da adoção de um conjunto de instrumentos tais como: redução dos gastos
públicos, alta das taxas de juro, contenção da emissão de moeda. Mas é necessário,
além disso, que a política tenha credibilidade, de tal forma que os
especuladores fiquem conscientes de que o governo está verdadeiramente
determinado a suportar a austeridade-e é politicamente capaz de fazê-lo-
durante todo o tempo necessário à concretização de sua política.
CORREÇÃO DAS CONTAS
EXTERNAS POR MEIO DAS TAXAS DE JUROS
Adotando um aumento na taxas de juro o governo pode obter equilíbrio das contas
externas-eliminação do déficit do SBP.
Com a Taxa de juros mais elevadas acaba-se estimulando a entrada de capitais
externos, o que pode contribuir para o equilíbrio da conta de capitais/balanço
de capitais, que se apresentava deficitário ou até mesmo produzir um excedente
no balanço de capitais que permita compensar um déficit no balanço de
transações correntes (SBP c/c).
Esta estratégia não vale para longo prazo. O que acontece é que as entradas de
capitais atraídos por taxas de juros elevadas constituem uma forma de empréstimos
tomada ao exterior. Por isso, elas envolvem, nos anos seguintes, pagamentos ao
exterior dos juros; do principal (o capital tomado).
Portanto, toda entrada de divisas é, cedo ou tarde, compensada por uma saída de
divisas. Em termos imediatos, o SBP c/c é mais reduzido pelo serviço da dívida
(o pagamento anual de juros). Torna-se então forçoso gerar, a longo prazo,
outros recursos em divisas: superávit no SBP c/c; ou entradas a longo prazo de
capitais não-emprestados (investimentos diretos do exterior dentro do país:
instalação e desenvolvimento de atividades produtivas, participação no capital
de empresas nacionais).
Dessa forma, a longo prazo, o equilíbrio das transações correntes constitui uma
real restrição que não pode ser indefinidamente contornada por novos
empréstimos do exterior. Indefinidamente, está claro que não; mas por muito
tempo, às vezes...!
A economia de um grande país industrial pode adiar por um bom tempo o efeito de
uma restrição, na medida em que o pagamento dos empréstimos antigos (saídas de
capital) possa ser compensado pela tomada de novos empréstimos do resto do
mundo. Longos períodos de endividamento podem transcorrer antes de ser
questionada a capacidade de pagamento do país nos mercados financeiros
internacionais. Como o horizonte da política econômica é, na maioria das vezes,
o curto ou médio prazo, o recurso ao aumento dos juros para favorecer
empréstimos no exterior e momentaneamente reduzir o déficit pode constituir um
instrumento de política econômica pertinente. Um governo pode muito bem
sentir-se tentado a transferir aos futuros governantes o ônus de reequilibrar
as contas, desde que a ocorrência desse ajuste inevitável permaneça bem
longínqua.
PORQUE AS EMPRESAS SE
FORTALECEM EXPORTANDO
- As exportações
permitem diluição de riscos em diferentes mercados
- Permite uma melhora do
fluxo de caixa além de proporcionarem estabilidade das receitas
operacionais
- Reduz inadimplência
(ou eliminam) e, nas vendas internas geram financiamento indireto dos
impostos.
- Eleva
produtividade industrial
- Transforma o mundo em
mercado potencial
- Desempenha fator de
reciprocidade positivo nas negociações bancárias, além de abrir
oportunidades para a importação de tecnologia oculta sem custo.
- Desenvolvem cultura e
mentalidade sobre qualidade e cumprimento de prazos promove integração
interdepartamental
VALORIZAÇÃO DO DÓLAR X
DESVALORIZAÇÃO DO REAL
No ano de 2001 a valorização do dólar foi quase de 30%, isto foi positiva para
a balança comercial. Quando a cotação do dólar sobe, aumenta a receita em reais
dos exportadores. Com isso, muitas empresas passam a preferir vender seus
produtos no exterior em vez de comercializar os mesmos bens no mercado interno.
Esta valorização deu um fôlego extra às cidades do interior movimentadas por
exportações de produtos agro-industriais. O cambio favorável e produção cada
vez mais profissionalizada fizeram com que a receita das vendas externas
crescesse 28% em 2001. O montante estimado do crescimento, R$ 18,7 bilhões,
contribuiu para reativa indústria, comércio e serviços em municípios que
viveram momentos difíceis na década de 90.
Essa injeção de capital impulsionou o consumo de bens duráveis, como carros e
tratores, num ritmo que não acontecia a uma década em todo o interior do
Brasil. O varejo é o primeiro a se beneficiar da renda maior dos produtores: a
inadimplência, de 1,14% em julho/01 no interior do estado de São Paulo é menor
que a de 2,4% na Grande São Paulo.
Alheia às manchetes sobre crise na Argentina, queda de faturamento, aumento do
desemprego e da inflação, pelo interior do Brasil houve crescimento. Produtos
como soja, fumo, calçados, açúcar, carnes, suco concentrado de laranja, estão
por trás desse crescimento. Não se trata de uma febre perdulária de consumo:
quem está trocando de carro ou de trator é porque não o fazia há muito tempo. A
recuperação tem um lado perverso: as empresas passam a se modernizar, comprando
máquinas que acabam substituindo a mão-de-obra. Em determinados segmentos o
emprego diminui. Em outros, pela vitalidade da economia, surgem novas
oportunidades de trabalho.
PRESSÃO SOBRE O CAMBIO
A alta acumulada do dólar de 31% em janeiro-julho de 2001 é uma taxa
expressiva, suficiente para ameaçar os parâmetros de controle da inflação e
dificultar a vida das empresas endividadas em moeda estrangeira.
A intervenção do governo no mercado cambial tem as seguintes características:
a) Atuação direta
no mercado à vista: o BACEN vende ou compra dólares diretamente dos bancos.
Se quiserem derrubar as cotações, a autoridade monetária vende moeda, que sai
das reservas. Se o objetivo é deter uma queda forte do dólar, o BACEN compra
dólares, aumentando as reservas.
b) Leilão de
títulos cambiais: é uma das formas indiretas de aliviar a pressão sobre o
câmbio, destinada a atender a demanda por proteção cambial-Hedge, por parte de
empresas e tesourarias de bancos. Se há uma oferta maior de títulos cambiais,
as instituições tendem a demandar menos dólares. Os títulos cambiais são
corrigidos pelo dólar, oferecendo ainda um rendimento prefixado.
c) Mercados
futuros: nesse mercado, um investidor- que pode ser o BACEN- assume o
compromisso de comprar ou vender certa quantidade de determinado bem, por um
preço predeterminado, numa data futura, para outro investidor. Esses contratos
são negociados na BM&F, onde os investidores fazem o ajuste diário do que
um deve ao outro. No momento, esta possibilidade é vetada pelo acordo do
governo com o FMI. A atuação no mercado futuro se dá por meio dos derivativos.
d) Opções: há
opções de compra e venda. Na opção de compra, o investidor adquire o direito de
comprar um bem-o dólar, nesse caso-por um preço determinado de outro
investidor, que pode ser o BACEN. Para isso, é preciso pagar um valor
antecipado, o prêmio. Na opção de venda, o investidor adquire o direito de
vender o bem por um preço determinado. A atuação ocorre via derivativos.
SWAPS CAMBIAIS
São instrumentos que os investidores usam para proteção contra as oscilações do
cambio. O contrato garante ao investidor remuneração dos recursos emprestados
ao governo de acordo com a variação cambial do período da compra até o seu
vencimento mais uma taxa de juros prefixada (copom)
A redução na oferta de swaps afeta o dólar? Se o governo diminui a rolagem,
reduzindo a oferta dos swaps cambiais, o investidor passa a ter os contratos
futuros de dólar como única opção para garantir o patrimônio em moeda
estrangeira. O aumento da demanda do dólar futuro afeta também o dólar (a
vista), elevando a cotação.
ALTERNATIVAS PARA O GOVERNO
CONTER A LATA DO DÓLAR
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Medidas
tradicionais
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Resultados esperados
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1. Alta dos juros: subir os juros básicos da economia (SELIC)
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Para
atrair recursos externos (US$) ao mercado, em busca de maior rentabilidade.
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2. Intervenção: aumentar a intervenção direta no
mercado, com maior venda de dólares à vista (papel moeda) e títulos cambiais.
|
Uma oferta maior tenderia a baixar a cotação da moeda americana
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3. Elevar compulsório: elevar a alíquota do recolhimento
do compulsório (dinheiro retido pelo Banco Central) sobre os depósitos à
vista (em setembro/2001 = 45%)
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Para diminuir a disponibilidade dos bancos para aplicar na moeda
norte-americana
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4. Recorrer ao FMI: obter novos empréstimos ou sacar
parcelas já acertadas;
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Para reforçar as reservas cambiais do governo
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5. Estimular exportação: adotar medidas de estímulo:
reduzir impostos s/ vendas para exterior;
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Com a meta de contribuir na expansão do fluxo de recursos para o país
|
PORQUE O DÓLAR SOBE DE
COTAÇÃO
a) Como
acontece com qualquer mercadoria, o dólar sobe quando aumenta a procura e a
oferta se demonstra insuficiente.
b) Quem tem
dólares só se dispõe a vendê-los a um preço cada vez mais elevado
c) As instituições
financeiras também podem pressionar o BACEN a entrar no mercado com a intenção
de fazê-lo vender títulos cambiais
d) Como os
títulos cambiais pagam juros prefixados, além da variação cambial, são boas
formas de investimento.
COMO FUNCIONA A INTERVENÇÃO
DO BANCO CENTRAL
I. Uma das
formas do BACEN intervir no mercado para tentar segurar o dólar é via
realização de leilões de títulos cambiais.
II. Esses papéis pagam a variação do preço da moeda dos EUA e juros para os
investidores que os adquirem.
III. Os bancos e empresas compram títulos cambiais como forma de se
protegerem das oscilações do dólar.
IV. Há um limite para o BACEN realizar esses leilões, pois eles aumentam a
dívida pública.
COMO FUNCIONA O MERCADO DE
CÂMBIO
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QUEM
COMPRA
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QUEM
VENDE
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1-EMPRESAS E BANCOS
Para saldar compromissos e também para se protegerem das oscilações da
moeda até o vencimento de dívidas futuras
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1-EMPRESAS
Quando recebem capital da matriz e precisam fazer a conversão para
operar em reais; para "limpar" o balanço, por motivos estratégicos.
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2-ESPECULADORES
Compram a fim de lucrar na alta. Podem realizar operações várias
vezes no dia. Compram na baixa e vendem
na alta
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2-ESPECULADORES
Quando estão com dólares e acham que a cotação está boa, mas que
deverá cair, vendem para lucrar.
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3-PESSOA FÍSICA
Para reserva (tipo demanda de precaução ou forma de investimento);
pagar despesas feitas no exterior: viagens, compras, etc.;
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3-PESSOA FÍSICA
Quando possui sobra de viagem e quer trocar; se tem dólares guardados
como aplicação e acha a cotação boa para venda;
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4-BANCOS
Normalmente tem a maior reserva de dólares
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PROCEDIMENTOS
I. Ligam
para as corretoras de câmbio para verem as diferentes taxas praticadas pelas
instituições financeiras no momento
II. As corretoras ficam em contato direto com as mesas de operações de
diversos bancos
III. Depois de pegarem as taxas, as corretoras as passam para os clientes,
que decidem ou não fechar o negócio.
IV. Se a procura pelo US$ cresce quando negociado a um determinado preço a
tendência é um aumento dos valores pedidos. Assim, o US$ sobe.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Para um
país que deseja impor controle sobre as variações cambiais e preservar o
direito de continuar emitindo sua própria moeda, a política cambial oferece a
possibilidade de o governo influenciar no comportamento do mercado de câmbio e
da taxa de câmbio. Desse modo promove ajustes de preços relativos por meio da
taxa cambial, utilizando os instrumentos cambiais como ferramentas para
criar/manter uma política econômica interna robusta. A preservação de
instrumentos clássicos de defesa contra possíveis investidas do mercado,
torna-se fundamental para que isso ocorra. O cumprimento de todas essas regras
pode conduzir a economia à estabilidade.
Diante
desta constatação, pode-se sugerir que, ao escolher um determinado regime
(política cambial a ser seguida), seja ele qual for, torna-se crucial o empenho
das autoridades no sentido de criar condições que visem a sua manutenção. Do
contrário, o colapso do sistema adotado torna-se apenas uma questão de tempo.





