sábado, 14 de janeiro de 2017

CARACTERÍSTICAS DO DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA

ÍNDICE
INTRODUÇÃO.. 1
CARACTERÍSTICAS DO DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA.. 2
6 meses. 2
7 Meses. 2
8 Meses. 2
9 Meses. 2
10 meses. 2
Características e actividade de estimulação. 3
CONCLUSÃO.. 4
BIBLIOGRAFIA.. 5







INTRODUÇÃO
Desenvolvimento humano é um processo de crescimento e mudança a nível físico, do comportamento, cognitivo e emocional ao longo da vida. Em cada fase surgem características específicas. As linhas orientadoras de desenvolvimento aplicam-se a grande parte das crianças em cada fase de desenvolvimento. No entanto, cada criança é um indivíduo e pode atingir estas fases de desenvolvimento mais cedo ou mais tarde do que outras crianças da mesma idade, sem se falar, propriamente, de problemáticas.
O conceito de criança e infância é uma noção mutável ao longo da história. Várias sociedades possuem sua ideia do que vem a ser criança. Este conhecimento depende de factores como: classe social, religiosidade, cultura e educação. As crianças desde bebés necessitam ter uma rotina bem planejada, estruturada e organizada para o seu melhor desenvolvimento por lhe proporcionado conforto, segurança, maior facilidade de organização, espaço temporal, e a liberta do sentimento de estresse que uma rotina desestruturada pode causar a criança.





CARACTERÍSTICAS DO DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA
6 meses
Aos seis meses, os bebés aprendem os brinquedos com as mãos e passam-nos de uma mão para outras sentam-se apoiados.
7 Meses
O bebé com sete meses de idade gosta de sentar-se mais também de estar deitado de costas.
Levanta as pernas e ________ os pés, e leva-os a boca e morde-os, com o seu primeiro dente.
8 Meses
Com 8 meses o bebé gosta de pôr-se de braços atiram e agitam juntamente coisas. Procuram o brinquedo que atirou para sorri com alegria ao ver o seu retrato no espelho.
9 Meses
Bebé com 9 meses gosta de mover-se Olá e por vezes gatinhar apanha coisas colocar objectos   uns sobre outros, diz blá blá e faz meiguices são Prazeres desta idade
10 meses
Aos 10 meses o bebé gostar de actividade motora violento depois sentado brinca inclina-se toda para  diante e reergue-se de novo.



Actividade de estimulação
Idade
Características de desenvolvimento
Actividade de estimulação
6 meses
Já há aumento corporal, já senta, já engatinha, quando lhe chamam já olha, já interagi com a mãe e irmãs, já ri, já chora quando a fralda está molhada.
Gosta de ouvir músicas suaves, gosta de brinquedos que gritam, gosta de ver coisas coloridas.
7 meses
Já se levanta, já senta, já fala papa e mamã, já conhece a família de casa, já interage com os irmãos, já quero brincar com os brinquedos já sabe quando lhe tratam mal, já ri quando é bem tratado.
Gosta de fazer barulho com os brinquedos, gosta de banhar e gosta de ser embalado
8 meses
Já se vira bem, já fica em pé, já percebe que está sozinho, já sente a ausência dos pais, já sorri grande alegria ao ver o retrato no espelho, ao ver a mãe.
Gosta de comer, gosta de brincar.
9 meses
Anda, já pula, já se move bem, fala bla-bla, faz meiguice, já se junta a outras crianças, já fica triste, já sorri quando lhe fazem uma brincadeira.
Gosta de actividades motoras, gosta de dançar e participar.
10 meses
Já anda pelas paredes, já há aumento da altura, já chama papa e mamã, já conhece os irmãos, já faz gripinhas, sorri por qualquer coisa, quando gritam com ele ficam triste.
Gosta de bater noutras coisas






CONCLUSÃO
Concluindo, a criança conquista através da percepção todo o universo que a cerca, sente necessidade de explorar o espaço, porque é o momento em que o desenvolvimento da habilidade “andar” está no auge e a fala atinge uma verdadeira importância. Neste estágio o termo projectivo está relacionado ao funcionamento mental que está florescendo na criança. E um período em que se utilizam actos motores para auxiliar a exteriorização do pensamento.
Porém, as instituições de ensino infantil precisam ser um espaço aconchegante e seguro proporcionando à criança uma infância mais voltada para o agora e não pensando nela como “adultos em miniaturas”.
Toda criança precisa ser estimulada em seu desenvolvimento, no sentido da aquisição de habilidades motoras, mentais e sociais básicas, como engatinhar, sorrir, piscar os olhos, andar, reconhecer cores e sons, entre outras.






BIBLIOGRAFIA

·         Manual de Apoio de Curso de Vigilante de Infância

CURRÍCULO (ÉTICA, DIVERSIDADE DE GÉNERO, CULTURA)

RESUMO 

Esta pesquisa aborda sobre o currículo na ética, diversidade de género e cultura através de conteúdos que despertem a prática reflexiva para a construção social e moral, juntamente com os demais conteúdos didácticos leccionados no âmbito escolar. Diante das dificuldades que professores encontram em todos os níveis escolares, de ensinarem valores éticos, moral, diversidade de género e cultura, isto devido à crescente desestruturação social e moral da actualidade, surgiu a necessidade de realizar esta pesquisa, objectivando apresentar a importância destes ensino na sala de aula como um conteúdo capaz de auxiliar além do aprendizado intelectual, também na formação moral e valores dos alunos, e assim procurar-se novos caminhos e estratégias que possam atender as necessidades dos educadores frente a este desafio. O desenvolver deste trabalho é com base nas teorias e opiniões de autores da área educacional, para solidificar assim, os pensamentos sobre esta temática exposta.
Palavras-chave: Valores Éticos, Moral, Transversalidade, Ensino e Aprendizagem.

INTRODUÇÃO

A visão de conjunto dos componentes curriculares do ensino obrigatório parte do âmbito legal, passando pelas finalidades do sistema educacional, definidas com o objectivo de definir as unidades de tempo do currículo (ciclos) e as áreas nas quais esse currículo está organizado. A escola moderna está muito acostumada com a ideia de que deve se ocupar da transmissão/ assimilação/ construção do conhecimento. Isso é verdade, na medida em que a especificidade da escola é o trato com o conhecimento escolar. No entanto, o conhecimento é apenas uma das facetas da cultura construída e reconstruída no ambiente escolar.
Ainda que a ênfase dos currículos escolares tenda a recair constantemente sobre os conteúdos escolares, esses conteúdos fazem parte de um padrão cultural influenciado pelo currículo oculto. A escolha de um determinado padrão cultural na selecção de conteúdos para um dado currículo expressa uma valorização desse padrão em detrimento de outros.
Todo currículo é um processo de selecção, de decisões acerca do que será e do que não será legitimado pela escola. A existência um conjunto de culturas negadas pelo currículo cria nos alunos pertencentes a essas culturas um sentimento de alijamento do que é socialmente aceito.





CURRÍCULO (ÉTICA, DIVERSIDADE DE GÉNERO, CULTURA)

Conceitos sobre o currículo

Na Educação, o currículo não se esgota em si mesmo, deixando antever um fenómeno inacabado e sempre dinâmico. É no sentido da análise, da relevância do seu âmbito, que a seguir se desenvolvem algumas perspectivas.
As primeiras definições de currículo apontam para um conceito que corresponde “a um plano de estudos, ou a um programa, muito estruturado e organizado na base de objectivos, conteúdos e actividades e de acordo com a natureza das disciplinas”, o que demonstra uma noção restrita de currículo, mas ainda recorrente nas concepções de muitos docentes.
A palavra currículo, de origem latina, regressou à nossa linguística por mediação anglo-saxónica, vem do latim curriculum, significa «pista de corrida». Podemos dizer que no curso dessa «corrida», o currículo, acabamos por nos tornar quem somos.
Nas discussões quotidianas, quando pensamos em currículo, pensamos apenas em conhecimento esquecendo-nos que o conhecimento que constitui o currículo está inextricável central e vitalmente envolvido naquilo que somos, naquilo que nos tornamos: na nossa identidade e na nossa subjectividade.
O currículo e as várias acepções que comporta abriram novo espaço de debate, proporcionando aos professores e investigadores de educação uma nova tomada de consciência, de complexidade e de multiplicidade das situações.

Características do Currículo

Na verdade, o currículo não pode entender-se como algo predeterminado, isto é, como um “produto” a ser disponibilizado segundo regras e normas específicas. Uma vez que se trata de um processo que resulta das múltiplas relações que se estabelecem entre diferentes actores, em contextos diversos, é um processo complexo, não sendo por isso possível predeterminá-lo à partida. Daí a importância que o conceito de currículo como projecto tem vindo a assumir nos tempos mais recentes. É neste sentido que afirma-se que o currículo:
Um projecto, cujo processo de construção e desenvolvimento é interactivo, que implica unidade, continuidade e interdependência entre o que se decide a nível do plano normativo, ou oficial, e ao nível do plano real, ou do processo de ensino-aprendizagem. Mais ainda, o currículo é uma prática pedagógica que resulta na interacção e confluência de várias estruturas (políticas, administrativas, económicas, culturais, sociais, escolares) na base das quais existem interesses concretos e responsabilidades partilhadas.
Também, Beane (1998) identifica no fenómeno curricular algumas características, sendo elas:
(1) centradas em contexto com significado para a informação e para as destrezas dos alunos;
(2) tomadas de decisão a nível político no âmbito curricular;
(3) confronto de uma variedade de perspectivas sobre temas e objectivos que reconheçam a diversidade e a ambiguidade.

Teoria Curricular

Uma teoria é fundamentada em decisões baseadas em pressupostos epistemológicos encerrando em si ambiguidades e conotações. A função da teoria curricular é descrever, explicar e compreender os fenómenos curriculares para a orientação das actividades resultantes da prática e sua melhoria. A teoria curricular, tal como qualquer teoria, tem origem no pensamento, na curiosidade, na actividade e nos problemas humanos.
Ao percorrer as diferentes e diversas teorias do currículo, o essencial é perceber que a questão que serve de pano de fundo a qualquer teoria do currículo é a de saber que conhecimento deve ser ensinado qual o conhecimento ou saber que é considerado importante, válido ou essencial para merecer ser considerado parte do currículo.
A teoria técnica é, ainda hoje, a teoria que tem maior influência e tradição nos estudos curriculares. Os modelos tradicionais do currículo restringem-se à actividade técnica de como fazer o currículo, isto é, a desenvolver técnicas estabelecendo-se na relação teórica/prática uma hierarquia.
Face a este processo organizativo, estamos perante uma lógica burocrática do desenvolvimento curricular com predomínio na mentalidade técnica ligada a especialistas curriculares que salvaguardam a legitimidade normativa da construção do currículo.
A esta teoria estão associadas três concepções de currículo propostas por Gimeno que Pacheco (2001) descreve: uma como súmula das exigências académicas, outra como base de experiências e a última como tecnologia e eficiência.
A visão global da teoria prática centra os problemas curriculares no âmbito de uma solução prática dado que o currículo é um conjunto de factos que buscam aplicação num método deliberativo.
Para Zabalza (2000), o desenvolvimento da ideia curricular apresenta princípios básicos, designadamente:
(1) Principio da realidade – dar lugar à programação curricular feita na escola de acordo com a realidade da mesma;
(2) Princípio da racionalidade – o currículo desenvolvido de forma empenhada por parte do docente de forma a promover experiências significativas por parte do aluno;
(3) Princípio da sociabilidade – o currículo fundamenta-se na medição da diversidade privilegiando a integração social dos alunos;
(4) Princípio da publicidade – o currículo torna as intenções, as acções convertendo a educação em algo público, comunicável e controlável;
(5) Princípio da intencionalidade – para que o currículo seja desejado analisando-se dados e adoptam-se decisões no sentido de corresponder às propostas anunciadas;
(6) Princípio da organização ou sistematicidade – baseado na congruência entre componentes do currículo de modo a que este funcione como um todo integrado;
(7) Princípio da selectividade – o currículo é um processo de selecção que deve corresponder a critérios de valor, oportunidade, congruência e funcionalidade situacional;
(8) Princípio da decisionalidade.
Na temática curricular centram-se questões diversas e com frequência participam nela pessoas com características profissionais também diferentes (Zabalza, 2000). Como tal, esta temática é diferenciada, pelo autor, em pelo menos cinco níveis:
1º nível – a cultura vigente. Centra-se no debate da relação escola/cultura. De acordo com a selecção dos conteúdos formativos que são úteis na actualidade assim o currículo os deve incluir. Contudo, o problema reside no equilíbrio do peso da cultura escolar, como algo imposto de fora, e o peso das necessidades internas individuais de cada indivíduo;
2º nível – preparação da cultura para ser ensinada. A cultura na escola tem um sentido diferente da cultura considerada em abstracto;
3º nível – técnicas de desenho instrutivo das propostas curriculares anteriores;
4º nível – melhoria e fundamentação das práticas formativas. O desenho curricular levado a cabo forma parte substantiva do currículo como acção:
5º nível – componente axiológica do currículo. Este nível é caracterizado pela transversalidade dado que quando se fala de currículo escolar não se exige conhecimentos técnicos para desenhar os processos e capacidade política para os implementar:
A ideia fundamental dos valores é a de assumirem cada vez mais uma importância fulcral na educação. O currículo escolar transcende o mundo dos conhecimentos a transmitir, as destrezas a desenvolver e os modos de conduta a reforçar. O conteúdo dos valores só pode ser parcialmente transmitido de forma explícita.  

A ética

Priorizar e intensificar o ensino da Ética como um tema transversal na sala de aula, melhor dizendo, no sistema de ensino esclarece a importância da ética e da moral dentro das actividades de ensino, que se buscará estudar melhores métodos e orientações para a efectivação deste trabalho. a ética é  um conteúdo capaz de auxiliar na formação do indivíduo como ser social, para isto será necessário como atitude inicial, rever os actuais currículos escolares que regem nossa educação, e buscar de forma mais relevante abrir espaço para que o ensino de valores e moral, através do ensino transversal da ética, possa aparecer com mais intensidade, saindo do diálogo, do abstracto para a prática de ensino e aprendizagem. 
Neste aspecto é notório que o sistema educacional angolano entende que ensinar ética e seus conceitos de valores, moral, civilidade, carácter, entre outros, podem, somados aos demais conteúdos didácticos escolares, produzir efeitos positivamente para a Educação do povo, e de qualquer outra nação, no sentido da formação intelectual, social e moral do indivíduo.
Este é, portanto um desafio para as escolas actuais, assim como para educadores e gestores que estão à frente do processo de ensino e aprendizagem, sendo assim inserir o ensino da ética no currículo escolar é confrontar directamente com os princípios e regras que regulam os diversos comportamentos dos indivíduos, sabendo-se que estes comportamentos são reflexos do meio social e resultado das relações interpessoais, cada ser humano posiciona-se diante de um conjunto de valores que não foram criados por ele isoladamente, mas no contexto das relações com outros seres humanos.
Trazer ética para o espaço escolar significa enfrentar o desafio de instalar, no processo de ensino e aprendizagem que se realiza em cada uma das áreas de conhecimentos, uma constante atitude crítica, de reconhecimento dos limites e possibilidades do sujeito e das circunstâncias, de problematizarão das acções e dos valores e regras que os norteiam.
Contudo, mesmo com a existência destes desafios, não se deve permitir que a falta de estímulo ou o medo de enfrentar algo novo, torne-se um empecilho para que este ensino aconteça na sala de aula de forma real e eficaz, tornando-se algo concreto na vida dos aprendizes. O ensino da ética e sua grande contribuição para a escola, como formadora de indivíduos demonstra a importância desta disciplina como uma actividade indispensável e justificável.

Diversidade de género

Ao pensarmos no conceito de género cabe esclarecer duas características principais:
1) O género só tem sentido se pensado em termos relacionais, ou seja, só é possível conceber o feminino em relação ao masculino, e vice-versa;
2) A construção do género é cultural, só tendo sentido quando relacionada ao contexto sócio-cultural no qual se manifesta.
É necessário esclarecer que a família e a escola têm um papel fundamental na luta contra o preconceito e a reprodução de desigualdades na sociedade. Precisamos ter um olhar atento para as questões da diversidade sexual e das construções de género para que possamos interferir nos processos de preconceito e de discriminação. Entender que existem corpos marcados por diferenças biológicas, mas que também, são marcados pela socialização. Desde que nascemos somos ensinados a ser meninos ou meninas, conforme a decoração do quarto, as cores das roupas, os brinquedos e as brincadeiras.
Tudo isso constitui modos de pensar e de agir correspondente a cada género. É importante que os professores e professoras estimulem outras formas de constituição de identidade nas crianças e adolescentes e não só, que não venha somente ao encontro do que é esperado em termos de papéis de género. Podemos estimular nos meninos que sejam carinhosos, gentis, curtam balé e dança. As meninas, podem ser motivadas a gostar de carros e de futebol, sem que isso interfira na sua vivência da sexualidade, por exemplo. Se quisermos educar para um mundo mais justo, é preciso que atentemos para não educar meninos e meninas de uma forma radicalmente distinta. Quando as crianças adentram as escolas, elas já passaram por uma socialização inicial da construção dos géneros na família.
Entretanto, a escola deve estar atenta para não permitir a reprodução do preconceito contra as mulheres e contra todos aqueles que fogem a masculinidade hegemónica. Se o género é construído por relações sociais, pela família, pela escola, pelos processos de socialização e pela média, podemos partir do pressuposto de que ele também pode ser reconstruído, desconstruído, questionado, modificado em busca de uma igualdade social entre homens e mulheres, do ponto de vista do acesso à direitos sociais, políticos e civis. Qual é a responsabilidade da escola nesse caso? Como educar meninos e meninas para a equidade de género? Na constituição deste texto mostra-se que o género tem uma história voltada para processos de socialização e aprendizado.

A cultura

A inclusão da temática parte do princípio de que não é possível fazer com que membros de uma minoria cultural sejam incluídos nos conteúdos e práticas dos currículos escolares se a cultura escolar, de forma geral, não tratar através de uma discussão profunda o currículo multicultural incluindo nele a questão da diversidade. Para tanto, é necessário colocar em prática uma cultura escolar diferente do modelo dominante, com engajamento de professores, pais, alunos, administradores e demais agentes que confeccionam os materiais escolares.
É necessário compreender que a cultura escolar deve ter um sentido a mais do que ser simplesmente uma discussão de conteúdos na elaboração do currículo escolar. O currículo real trata de todas as práticas quotidianas vivenciadas em sala de aula e se torna claro através daquilo que os alunos aprendem ou deixam de aprender, enquanto que o currículo documentado serve apenas para se reflectir os objectivos e planos que se possam formular para determinado período.
Materiais pedagógicos utilizados por professores e alunos são os artistas que apresentam a maneira como determinada cultura se apresenta aos mesmos. Neste contexto, é importante ficar atento à maneira como os conteúdos, os exemplos e as ilustrações são apresentados, pois se corre o risco de serem demasiadamente etnocêntricos e desvalorizadores de experiências culturais de outros grupos.
A cultura transmitida pela escola cai em mentes que já possuem outros significados prévios. A escola deve trabalhar, portanto, ressaltando a força de um currículo extra-escolar, que servirá para que os educadores exerçam o papel de mediadores fazendo com que a perspectiva multicultural seja retratada a partir de coordenadas mais amplas do que as do currículo escolar.
 Existe, no entanto, um empecilho a ser enfrentado ao se aplicar no currículo a questão da diversidade cultural: fazer com que não se torne uma ameaça à preservação da própria identidade seja da cultura dominante ou das minorias segregadas. Logo, a junção de diversas culturas deve levar em consideração as condições sociais e económicas concretas de cada sociedade.
 Coloca-se como estratégia, quatro pontos fundamentais para obtenção de sucesso na elaboração de um currículo que contemple a diversidade cultural: 1) formação de professores; 2) planeamento de currículos; 3) desenvolvimento de materiais apropriados e, 4) a análise e revisão crítica das práticas vigentes.



CONCLUSÃO

Os modelos curriculares técnicos sempre buscaram definir parâmetros científicos através dos quais se deveria realizar a selecção e a organização dos conteúdos e dos procedimentos escolares. Embora alguns parâmetros científicos existam, eles não são neutros e desinteressados. Ao contrário, embutem em si uma compreensão política do mundo e são, também eles, negociados pelas comunidades que os definem. Assim, os professores partilham crenças e atitudes que direccionam a selecção dos conteúdos e dos procedimentos escolares. Tais crenças e atitudes originam-se no processo histórico do qual participam esses atores. Em síntese, ao propor determinada organização curricular, a sociedade está realizando uma selecção histórica, problemática que reflecte, em alguma medida, a distribuição de poder que se dá em seu interior.




BIBLIOGRAFIA

APPLE, Michael. Ideologia e Currículo. São Paulo: Brasiliense, 1982.
BEANE, James. A. Integração Curricular: a concepção do núcleo da educação democrática. Lisboa: Didática Editora, 1997.
SILVA, Carlos Manuel Ribeiro da: Desenvolvimento Curricular e Construção do Conhecimento Profissional. Vol. II, Brasil 2011.
ZABALZA, Miguel. Como educar em valores na escola. Revista Pátio Pedagógica. Ano 4, nº 13, mai/jul. 2000.



ÍNDICE



CULTURA E ETNIA, HÁBITOS E COSTUME DA PROVÍNCIA DO CUNENE

INTRODUÇÃO

O presente trabalho insere-se na investigação científica sobre a cultura e etnia – hábitos e costume na província do Cunene, da disciplina de Língua Portuguesa, orientado pelo Camarada Professor Faustino Kariqui, no ano lectivo de 2016. Sendo assim é evidente que se saiba que a cultura  é o complexo que inclui o conhecimento, a arte, as crenças, a lei, a moral, os costumes e todos os hábitos e aptidões adquiridos pelo ser humano não somente em família, como também por fazer parte de uma sociedade da qual é membro. O conceito etnia deriva do grego ethnos, cujo significado é povo. A etnia representa a consciência de um grupo de pessoas que se diferencia dos outros. Esta diferenciação ocorre em função de aspectos culturais, históricos, linguísticos, raciais, artísticos e religiosos. Costume são Práticas habituais ou modos de proceder. Hábitos são comportamentos que alguém aprende e repete frequentemente.






CULTURA E ETNIA, HÁBITOS E COSTUME DA PROVÍNCIA DO CUNENE

Cunene é uma província no sul de Angola, com uma área de 87.342 km² e com uma população estimada de 700 mil habitantes. A sua capital é Ondjiva  (antiga Vila Pereira d’Eça), dista a 1424 km de Luanda e a 415 km do Lubango.
A província compreende os municípios de Cahama,  Cuanhama,  Curoca,  Cuvelai,  Namacunde e Ombadja. É nesta província que o Rio Cunene ganha o seu nome.
A população cabindese, na sua grande maioria, é constituída por agro-pastores, ou seja, grupos étnicos que vivem essencialmente do seu gado bovino, mas complementarmente por uma (limitada) agricultura de subsistência. Em virtude da escassez do pasto, as manadas são criadas e mantidas num regime de transumância que implica migrações regulares.
O grosso da população faz parte de diferentes grupos do povo Ovambo, entre os quais os Kwanyama (Cuanhama) se destacam pelo seu peso demográfico. Pequenas minorias da população pertencem a diferentes outras etnias. Os Hinga são considerados como inserindo-se na categoria Nyaneka-Nkhumbi e têm um modo de vida semelhante ao dos Ovambo. Grupos dispersos de Chokwe distinguem-se pelo facto de serem exclusivamente agricultores, e grupos residuais de Khoisan continuam a sobreviver pela caça e recoleção. Com a excepção destes últimos, todas as etnias são bantu.
Ondjiva, a única cidade da província, está a sair lentamente de um longo período de estagnação. A sua actividade concentra-se nos sectores do comércio e dos serviços. Ela é desde os tempos coloniais sede de uma diocese católica. Desde 2009 é também sede de um pólo da Universidade Mandume de Lubango.
Na província existe um parque nacional que, em princípio, seria de interesse turístico, mas que até hoje pouco serve para este objectivo, devido às perturbações pós-coloniais.

Cultura e etnia

A província do Cunene conta com uma população de 965.288 habitantes (dados de 2014), e contrariamente à maioria da população de Angola, os povos desta província não são de origem Bantu.
Existem 4 grupos étnicos:
  • Koysan (nómadas que vivem da recolha de frutos silvestres e da caça)
  • Ovambos (que se subdividem em Kwanyamas, Cuamatos e Muvales)
  • Nyanecas Humbes
  • Hereros (que se subdividem em Mucahones e Mutuas)
Povos do Sul de Angola. Humbe, Cunene. Foto de Cavaleiro Torre.
A língua mais falada no Cunene é o Kwanyama.
A sua população dedica-se sobretudo à agricultura de subsistência, à pesca artesanal e à pecuária.  
Milho, massango, massambala e feijão são os principais cereais.
O ferro e o cobre são os minerais mais abundantes.
A província próspera actualmente graças à sua situação sobre a principal rota comercial entre Namíbia e Angola.

Hábitos e costumes

A cultura dos mushimbas resiste à civilização do penteado de uma trança, chamada "ndombi” para os rapazes, que simboliza o estado solteiro.
Segundo o ritual, o rapaz depois de ter sido circuncidado começa a criar cabelo até fazer trança. Esta trança é desfeita quando estiver prestes a contrair o matrimónio.
Para tal, a tradição atribui uma importância essencial ao costume do penteado, embora haja grande variedade de formas e de estilos, cultivo dos cabelos e dos penteados.
Em geral, seguem os qualificativos de género (cortes e penteados infantis, femininos e masculinos), idade (segundo ritos de passagem da infância, puberdade, vida adulta) e de acordo com determinado papel social, em que desempenha uma função identitária.
Os meninos Chimba ou Muhimba, tradicionalmente aos 9 ou 14 anos, utilizam trança única que, em geral, é desfeita por um especialista assim que atingem 20 e 25 anos, altura em que ela é repartida em duas tranças (semelhante aos chifres dos gados).
O cabelo do adolescente é untado pelo seu pai com manteiga e bosta de boi no ritual de passagem, indicando-lhe em voz alta que agora está apto para “tomar uma mulher”.
Porém, na chegada desse período, seu cabelo é raspado e seis meses depois, aproximadamente, é-lhe feito outro penteado “pequena trunfa”, no qual se aplica uma unção com manteiga e folhas aromáticas. Recebe adornos e colares e fica, por fim, recluso por três dias, para possibilitar a passagem à vida adulta.
Segundo o soba grande da etnia Mushimba no Curoca, Baptista Kamukuva, actualmente existe tendência da aculturação da comunidade, uma vez que hoje se verifica o uso de tecidos por parte de alguns jovens, bem como os doentes já recorrem às unidades hospitalares em construção de betão, ao contrário da anterior prática em que os doentes eram acamados por baixo de árvores e os enfermeiros se dirigiam ao encontro deles para o tratamento.
Por outro lado, disse, os jovens que vão trabalhar nas cidades acabam por “se render” a outros modelos de civilização.

Cerimónia de circuncisão

Outro ritual para o sexo masculino prende-se com a festa da circuncisão, considerada tradição fundamental, pois o respeito social, a consideração a um homem e até o futuro casamento dele dependem. Essencialmente, a circuncisão dos meninos pode ser levada a cabo a partir dos sete meses de idade até cerca de 12anos, mas nunca depois dos 18, pois aquele que não se submeter à prática é considerado marginal.
As características principais da cerimónia de circuncisão dos Muhimba decorrem ainda hoje numa festa de final de ano. Colocam-se sobre pedras chamadas Coluo, nas quais se faz reverência aos antepassados. Diz-se na ocasião que a circuncisão será feita fora da aldeia (é um tabu fazê-la nas cercarias de dentro).
A criança é então levada para fora e faz-se um pequeno corte ao redor da pele que cobre a glande do pênis (o prepúcio), deixando-a descoberta.

Casamento

A relação matrimonial da tribo Mushimba é do estilo polígamo, podendo ter três ou mais esposas, dependendo da situação financeira do esposo, na qual quem negocia a primeira noiva é o pai do rapaz, que pode muito bem ser uma criança de 5 anos, e a medida que a menina vai crescendo é sensibilizada de que já está comprometida até o dia em que assume o papel de esposa. Já na segunda ou terceira mulher, quem deve negociar a escolha é a primeira esposa.
O filho não deve negar a oferta do pai, pois segundo os hábitos e costumes o noivo nunca mais poderá vir a se casar.
Outro mito tem a ver com o tratamento entre esposo (a) ou filhos, pois pelos costumes não se pode chamar o nome do primeiro filho, bem como a mulher também não pode tratar o marido pelo seu nome, mas são chamados apenas pelos adjectivos (o pai chama filho e a mulher chama marido) e se chamar pelo nome tem um significado ofensivo.
Quanto à fidelidade conjugal, os mushimbas preservam ainda a cultura antiga, na qual quando um amigo visita outro o dono da casa cede uma das suas esposas ao visitante para lhe fazer companhia durante a noite; um gesto que se espera ser retribuído.
Os costumes indicam que os homens das etnias mushimbas não devem entrar em sua própria casa depois das 19 horas. O homem é obrigado a passar a noite na casa de um amigo ou familiar e na manhã do dia seguinte quando for para casa tem de anunciar a chegada para dar espaço de manobra ao amante.

Ritos de óbito

Falando do ritual de morte, a tradição dos mushimbas indica que quando morre o chefe de família tem que se matar vinte ou mais cabeças de gado bovino, dependendo da situação económica, cuja carne não é consumida, mas sim levada até ao cemitério e posta ao ar livre, enquanto os chifres são colocados em volta de um tronco de árvore, símbolo de alguém que foi rico e possuidor de gado. Esta carne é posteriormente furtada pelos povos Vátuas (considerada a tribo dos pobres e que não pode ser sepultado neste cemitério).
Em caso da morte de um filho do sexo masculino procede-se da mesma forma, só que a transladação do corpo é feita pelos tios mais velhos, que invocam aos antecessores ao entrar no cemitério, com uma palavra-chave: “Ontueya”, que significa “chegamos e estamos a trazer o filho de alguém que morreu”.
Depois, são retiradas folhas de uma árvore (omufiaity), como sinal de permissão para entrar no local para realização do funeral, um acto que se for violado origina inflamação dos membros inferiores das pessoas.
Já na morte de uma mulher não se deve proceder o ritual da matança de gado, mesmo que ela possua gado. O boi não é considerado dela, mas sim da família.



CONCLUSÃO

Depois da pesquisa feita chegou-se a conclusão de que a província do cunene preserva os seus hábitos e costumes de acordo as suas etnias e culturas. O tipo humano dos mushimbas revela traços que provam a sua interligação com os povos Cushiticos, através de algumas notórias características, nomeadamente a coloração da pele, influência linguística, traços faciais finos, hábitos de vida e de comportamento, e grande semelhança de costumes e tradições.




BIBLIOGRAFIA






ÍNDICE