terça-feira, 17 de outubro de 2017

PRÓ-REFORMA AGRÁRIA

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EXTENSÃO E SOCIOLOGIA RURAL
2017



PRÓ-REFORMA AGRÁRIA




Nome: Calimir Eduarto Santos da Silva
Danilo De Santi Bizinotto
Felipe Augusto Menezes de Melo
Lucas Bento
João Paulo Pereira Duarte
João Pedro Cassemiro de Oliveira
João Vitor Mendes
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO............................................................................4
REFORMA AGRÁRIA E INCRA.....................................................5
Pronera.................................................................................... 6
Pnae.......................................................................................7
Paa.........................................................................................7
HISTÓRIA DA REFORMA AGRÁRIA.............................................8
ESTATUTO DA TERRA...............................................................9
FUNÇÃO SOCIAL DA TERRA.....................................................11
TRÊS FASES DA REFORMA.......................................................11
CADASTRAMENTO (Como funciona)........................................11
POR QUE A REFORMA É NECESSÁRIA......................................13
Áreas degradadas...................................................................13
Barreiras contra a reforma......................................................13
Bancada ruralista....................................................................14
MST........................................................................................16
MST e Reforma agrária são sinônimos?...................................16
PESQUISA COM ASSENTADOS.................................................18
É UMA QUESTÃO DE MERITOCRACIA?....................................20
EXÔDO RURAL (Logística reversa)...........................................21
CAMINHOS PARA OS ASSENTADOS.........................................21
Cooperativismo.......................................................................22
Produtos de importação..........................................................22
LETRA: FUNERAL DE UM LAVRADOR.......................................23
REFERÊNCIAS..........................................................................25

SUMÁRIO – IMAGENS
IMAGEM 1 (I.1)......................................................................13
IMAGEM 2 (I.2).......................................................................13
IMAGEM 3 (I.3).......................................................................14
IMAGEM 4 (I.4).......................................................................16
IMAGEM 5 (I.5).......................................................................16










INTRODUÇÃO
 Art. 184. Compete à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social, mediante prévia e justa indenização em títulos da dívida agrária, com cláusula de preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até vinte anos, a partir do segundo ano de sua emissão, e cuja utilização será definida em lei.
 CAPÍTULO III
DA POLÍTICA AGRÍCOLA E FUNDIÁRIA E DA REFORMA AGRÁRIA

Este trabalho a seguir surge como apontamento à necessidade da reforma agrária, logo apresentará os benefícios e anseios da mudança no cenário nacional. A reforma exige socialmente e politicamente um trabalho árduo de todas as partes envolvidas, num processo longo e com distintas etapas.
Com isso, é rasa uma discussão acerca apenas da realização da reforma, que já existe em boa parte do país, ou não. Exige um aprofundamento sobre o sistema latifundiário presente no país, bem como a população que espera pelo seu lote de terra, uma vez que a desapropriação e a redistribuição são apenas a ponta do iceberg, de uma reforma pulsante e contemporânea no Brasil.
A realidade atual é preocupante, cerca de 45% da área agricultável do país está nas mãos de menos de 1% dos proprietários rurais, e por vezes grandes partes dessas imensas áreas não cumprem sua função social, prevista no estatuto da terra, e devido a essa constância no cenário agrícola brasileiro, além da necessidade de inserir novamente os trabalhadores rurais no campo, para produzirem e se manterem, é que a reforma agrária surge como necessidade urgente.
O Brasil passa por momentos de mudanças seja no sistema político, bem como no educacional, e essa toada deve ser contínua e mais abrangente, não se deve parar a luta pelo o que é direito de todo brasileiro, não se exige nada mais do que se existe na lei, não se pode deixar de lado a discussão e nas mãos apenas dos mais interessados, sejam os movimentos criados pela reforma, ou os grandes latifundiários, que por vezes são os detentores do poder em nosso país.
Portanto, é importante a discussão, e a pró-reforma agrária, mesmo que por sorteio, é o que norteia-nos no trabalho a seguir e expressa um pouco a nossa opinião acerca do assunto, e com argumentos concretos, lutando sempre contra o uso de violência e invasões, apenas apresentando informações e refutando outras.



REFORMA AGRÁRIA E INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária)
A reforma agrária é o conjunto de medidas para promover a melhor distribuição da terra mediante modificações no regime de posse e uso, a fim de atender aos princípios de justiça socialdesenvolvimento rural sustentável e aumento de produção (Estatuto da Terra - Lei nº 4504/64).

OBJETIVOS
Desconcentração e democratização da estrutura fundiária, Produção de alimentos básicos, Geração de ocupação e renda, Interiorização dos serviços públicos básicos, Redução da migração campo-cidade, Promoção da cidadania e da justiça social, Diversificação do comércio e dos serviços no meio rural, Democratização das estruturas de poder.

O Incra é órgão federal responsável por executar a reforma agrária. Criado em nove de julho de 1970 pelo Decreto Lei nº 1.110, portanto em funcionamento há 47 anos, atua em todo o país através das 30 superintendências, com sua sede em Brasília (DF).

O que o Incra busca com a reforma agrária atualmente desenvolvida no país é a implantação de um modelo de assentamento rural baseado na viabilidade econômica, na sustentabilidade ambiental e no desenvolvimento territorial. Para tanto, o Incra adota instrumentos fundiários adequados a cada público e a cada região e a está realizando uma adequação institucional e normativa para a intervenção rápida e eficiente dos instrumentos agrários.
A reforma agrária implica também no forte envolvimento dos governos estaduais e prefeituras.
Atendendo às diretrizes estabelecidas no II Programa Nacional de Reforma Agrária, implantado em 2003, a reforma agrária é parte de um projeto nacional de desenvolvimento, massivo e de qualidade, geradora de trabalho e produtora de alimentos.
Em relação aos beneficiários, a atuação do Incra no campo é norteada pela promoção da igualdade de gênero, além do direito à educação, à cultura e à seguridade social nas áreas reformadas. 
O trabalho do Incra contribui para dotar o Estado dos instrumentos necessários para gerir o território nacional.
                                                                       Texto retirado do site oficial do INCRA



Antes de iniciar qualquer argumentação, a seguir será exposto alguns números importantes em relação a reforma agrária, disponíveis no site oficial do INCRA, esses dados irão nortear o trabalho a seguir, servindo de fundação para as opiniões que serão expressas por todo esse trabalho, mostrando apenas com números a dimensão da reforma agrária e quão benéfica a mesma é em nosso Brasil.
1.346.798
famílias assentadas desde o início do Programa Nacional de Reforma Agrária

973.610
de famílias vivem, atualmente em assentamentos e áreas reformadas 

9.369
assentamentos criados
 
88.444.692
hectares de área reformada

Portanto, mesmo em meio a diversas dificuldades e barreiras (que serão discutidas) a reforma agrária atrela justiça social, qualidade de vida, meio ambiente e produção para os brasileiros.
Além desses números o INCRA possui programas específicos voltados para as famílias assentadas da reforma agrária, abaixo alguns dos principais que auxiliam os beneficiários
PRONERA
O Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera) propõe e apoia projetos de educação voltados para o desenvolvimento das áreas de reforma agrária.
 Público Alvo
São jovens e adultos dos projetos de assentamento criados e reconhecidos pelo Incra, quilombolas e trabalhadores acampados cadastrados na autarquia, e beneficiários do Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNFC).

A atuação do Pronera se dá através de parcerias do Incra com movimentos sociais e sindicais de trabalhadores e trabalhadoras rurais; constituições públicas de ensino, instituições comunitárias de ensino sem fins lucrativos e governos estaduais e municipais

PNAE – (Parceria com os assentados na produção e distribuição de alimentos produzidos em terras assentadas)

O Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) oferece alimentação escolar e ações de educação alimentar e nutricional a estudantes de todas as etapas da educação básica pública. O governo federal repassa, a estados, municípios e escolas federais, valores financeiros de caráter suplementar efetuados em 10 parcelas mensais (de fevereiro a novembro) para a cobertura de 200 dias letivos, conforme o número de matriculados em cada rede de ensino.

PAA

Criado em 2003, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) é uma ação do Governo Federal para colaborar com o enfrentamento da fome e da pobreza no Brasil e, ao mesmo tempo, fortalecer a agricultura familiar. Para isso, o programa utiliza mecanismos de comercialização que favorecem a aquisição direta de produtos de agricultores familiares ou de suas organizações, estimulando os processos de agregação de valor à produção. 
Como funciona
Parte dos alimentos é adquirida pelo governo diretamente dos agricultores familiares, assentados da reforma agrária, comunidades indígenas e demais povos e comunidades tradicionais, para a formação de estoques estratégicos e distribuição à população em maior vulnerabilidade social.














HISTÓRIA DA REFORMA AGRÁRIA
O problema fundiário do país remonta a 1530, com a criação das capitanias hereditárias e do sistema de sesmarias - grandes glebas distribuídas pela Coroa portuguesa a quem se dispusesse a cultivá-las dando em troca um sexto da produção. Aí nascia o latifúndio.

Em 1822, com a Independência do País, agravou-se o quadro: a troca de donos das terras se deu sob a lei do mais forte, em meio a grande violência. Os conflitos não envolviam trabalhadores rurais (praticamente todos eram escravos), mas proprietários e grileiros apoiados por bandos armados. Só em 1850 o Império tentou ordenar o campo ao editar a Lei das Terras. Contudo, um dos dispositivos (a proibição de ocupar áreas públicas e a determinação de que para adquir terras só mediante pagamento em dinheiro) reforçou o poder dos latifundiários ao tornar ilegais as posses de pequenos produtores.

A instauração da República, em 1889, um ano e meio após a libertação dos escravos, tampouco melhorou o perfil da distribuição de terras. O poder político continuou nas mãos dos latifundiários, os temidos coronéis do interior. Apenas no final dos anos 50 e início dos anos 60, com a industrialização do País, a questão fundiária começou a ser debatida pela sociedade, que se urbanizava rapidamente.

Surgiram no Nordeste as Ligas Camponesas e o Governo Federal criou a Superintendência de Reforma Agrária (Supra). Ambas foram duramente combatidas pelo establishment, dentro do quadro que resultou no golpe militar de 1964. Contraditoriamente, logo no início, o regime militar deu o primeiro passo para a realização da reforma agrária no País. O Estatuto da Terra é editado (
Lei nº 4.504, de 1964) e são criados o Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (Ibra) e o Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário (Inda), em substituição à Supra. 

Em 4 de novembro de 1966, o Decreto nº 59.456 instituiu o primeiro Plano Nacional de Reforma Agrária, que não saiu do papel. Em 9 de julho de 1970, o Decreto nº 1.110 criou o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), resultado da fusão do Ibra com o Inda.

À época da criação do Incra, mais do que reforma agrária, o governo incentivou a colonização da Amazônia. Levas de migrantes de vários estados do Brasil foram levados a ocupar as margens da estrada Transamazônica e empresas de variados ramos receberam incentivos fiscais para grandes projetos agropecuários. A experiência não foi bem sucedida. 


A redemocratização, em 1984, trouxe de volta o tema da reforma agrária. O Decreto nº 97.766, de 10 de outubro de 1985, instituiu novo Plano Nacional de Reforma Agrária, com a meta utópica de destinar 43 milhões de hectares para o assentamento de 1,4 milhão de famílias até 1989. Criou-se para isso o Ministério Extraordinário para o Desenvolvimento e a Reforma Agrária (Mirad), mas quatro anos depois os números alcançados eram modestos perante a meta: 82.689 famílias assentadas em pouco menos de 4,5 milhões de hectares.

Esses números refletiam o intenso debate político e ideológico em torno da reforma agrária na Assembléia Nacional Constituinte. Do embate, resultaram a extinção do Incra, em 1987, e a do próprio Mirad, em 1989. A responsabilidade pela reforma agrária passou para o Ministério da Agricultura. Em 29 de março de 1989, o Congresso Nacional recriou o Incra, rejeitando o decreto-lei que o extinguira, mas a falta de respaldo político e a pobreza orçamentária mantiveram a reforma agrária quase paralisada.

A questão foi, então, vinculada diretamente à Presidência da República com a criação, em 29 de abril de 1996, do Ministério Extraordinário de Política Fundiária, ao qual imediatamente se incorporou o Incra.

Em 14 de janeiro de 2000, o Decreto nº 3.338 criou o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), órgão ao qual o Incra está vinculado hoje.
                                                                                   Texto retirado do site oficial do INCRA

ESTATUTO DA TERRA

Para tanto, duas situações fundiárias foram definidas como impróprias, devendo ser extirpadas do campo: o minifúndio e o latifúndio. O primeiro, compreendido como “o imóvel rural de área e possibilidades inferiores às da propriedade familiar” pelo art. 4º, IV, da Lei, é combatido por representar situação que inviabiliza a plena realização do homem do campo, e ser contraproducente à sociedade. O minifúndio não torna possível o sustento próprio e familiar, impactando nas condições materiais de alimentação, saúde, educação, lazer e outras necessidades, inviabiliza a acumulação de riqueza e, portanto, o investimento em melhores tecnologias produtivas, como também não agrega à produção de alimentos para a população ou tributos para o estado. Esta modalidade deve ser extinta, garantindo melhores condições ao trabalhador rural, adequando sua propriedade ao tamanho da propriedade familiar (BORGES, 1998).
Já o latifúndio, alvo prioritário da política de reforma agrária, é aquele, com tamanho igual ou superior ao módulo de propriedade rural, mantido “inexplorado, explorado incorretamente, ou que tem extensão incompatível com a justa distribuição da terra” (BORGES, 1998, p. 35). Podem ser latifúndios por extensão, quando ultrapassar seiscentas vezes o módulo rural, ou por exploração, quando atingindo o tamanho mínimo do módulo rural, seja inexplorado ou inadequadamente explorado.
A aquisição de terras para reforma agrária poderia ocorrer pelas formas tradicionais previstas no direito civil – compra e venda, doação, arrecadação de bens vagos, herança ou legado – através da reversão de posse de terras públicas indevidamente ocupadas ou exploradas por terceiros, ou ainda pela desapropriação por interesse social.
                                                                 Trecho retirado do site jus.com.br
O estatuto da terra possui diversos aspectos positivos, dentre eles:
·         O respeito à indenização de desapropriações de terra;
·         A funcionalização, onde o minifúndio e o latifúndio são duas situações fundiárias consideradas impróprias;
·         A utilização apropriada da terra pelo proprietário, de maneira que o usufruto das condições econômicas favorecesse os seus trabalhadores e, respectivamente, a família dos mesmos;
·         Que os recursos naturais da terra fossem utilizados de maneira apropriada;
·         Manutenção dos níveis satisfatórios de produtividade;
·         Assegurar a legalidade nas relações trabalhistas entre os que cultivam e os donos de terra.
Retirado do site Planalto.gov.br

 










FUNÇÃO SOCIAL DA TERRA
A terra possui uma função social básica, e a mesma é exercida quando o imóvel rural atende as exigências vigentes na lei, com critérios e graus distintos estabelecidos na própria lei. Isto é, aproveitamento racional e adequado da terra, utilização consciente dos recursos naturais presentes na mesma e preservação destes mesmos recursos, entre outros. Quando não cumpridos o estado exerce o direito e o dever de agir conforme previsto na lei, com multas ou até mesmo retirada da posse.
TRÊS FASES DA REFORMA AGRÁRIA
A reforma agrária para ser bem sucedida e completa, exige que três etapas sejam cumpridas, todas importante no processo, e são as seguintes:
Desapropriação da terra; Redistribuição dos lotes; e assistência técnica e extensão rural aos assentados.
Se algum desses pontos não forem realizados ou houver falhas a reforma não estará em sua plenitude.
COMO FUNCIONA O CADASTRAMENTO (Informações retiradas do site do INCRA)
O Incra recebe inscrições, cadastra e seleciona candidatos a beneficiários do Programa Nacional de Reforma Agrária. 
A inscrição pode ser feita em qualquer unidade do Incra, bastando apresentar documentos de identificação do interessado e do seu cônjuge ou parceiro, quando houver. O Incra também realiza inscrições em campo.

DOCUMENTOS NECESSÁRIOS PARA INSCRIÇÃO:

 - Carteira de Identidade ou Carteira de Trabalho (CTPS);
- CPF – Cadastro de Pessoa Física;
- Certidão de Casamento Civil (ou certidão de união estável);
- Atestado de óbito do cônjuge, se viúvo.
 QUEM PODE SE INSCREVER:
Os agricultores e agricultoras adultos ou emancipados (se com idade entre 16 e 18 anos) que sejam:
- sem terra;
- posseiro, assalariado, parceiro ou arrendatário;
- aquele cuja propriedade não seja maior que 01 módulo rural do município.

O Incra checa todos os dados dos candidatos, pesquisando banco de dados da Receita Federal, Polícia Civil, INSS, junta comercial, secretarias de segurança pública e prefeituras, entre outros. 

CLASSIFICAÇÃO

As famílias selecionadas passam por um processo de classificação assim que surgirem vagas em imóveis recém adquiridos pelo Incra.
Entre os critérios para classificação das famílias cadastradas, estão:
Tamanho da família; força de trabalho da família; idade do candidato; tempo de atividade agrícola; moradia no imóvel desapropriado;  moradia no município; tempo de residência no imóvel e a renda anual familiar.
As tabelas de pontuação para a sistemática de classificação utilizada pelo Incra podem ser consultadas no anexo II da Norma de Execução do Incra nº 45/2005

                                    















POR QUE A REORMA AGRÁRIA É NECESSÁRIA
Área degradadas e/ou abandonadas
Vivemos em uma sociedade capitalista e desigual, isso não é novidade alguma, e essa realidade se expande ao campo, no que se refere à desigualdade na distribuição de terra no país. O Brasil possui em seu território cerca de 62 milhões de hectares que possui alguma atividade agrícola, e 45% do total dessa área está nas mãos de grandes latifundiários que não representam nem 1% do total de proprietários de terra no Brasil.
Além dessa triste realidade se é considerável as áreas degradadas encontradas nesses latifúndios, isto é em má utilização, ou abandonadas ou mesmo em processo de erosão, prova disso são as recentes afirmações de especialistas acerca do potencial agropecuário dessas áreas, sem haver necessidade de mais desmatamento. Também é preocupante, no ponto de vista do tema abordado nesse trabalho, áreas de difícil recuperação sem exercer sua função social como previsto na lei, defronte à espera de milhares de famílias que sonham em ter seu pedaço de chão para produzir e viver.  
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BARREIRAS CONTRA A REFORMA
A reforma agrária existe, já são milhões de pessoas diretas e indiretamente beneficiadas pela reforma no Brasil, porém sabe-se que o país ainda é um grande latifúndio, e antes de pontuar e apontar culpados pela implantação e manutenção da tão importante reforma, temos que entender que se a reforma não chegou ao seu ápice naquilo que concerne de sua originalidade, é graças ao próprio governo, não um específico, mas sim desde que se iniciou as atividades reformistas, isso se deve a práticas corruptas durante o processo, bem como a falta de continuidade na assistência ao assentado e a exposta falta de planejamento, pois é notável que não se trata apenas de retirar do grande e dar ao pequeno, abrange todo um estudo e planejamento para que a reforma seja em sua plenitude. Contudo, vale ressaltar de bons projetos existentes, além de dezenas de milhares de famílias que hoje possuem uma vida mais digna através da reforma.

Bancada Ruralista : Outro ponto diferente, mas totalmente inserido nesse contexto político é a chamada “bancada ruralista”, a mesma que beneficiou o atual presidente Michel Temer contra a acusação de corrupção no caso JBS, em troca de ‘favores’ maléficos, principalmente à legislação ambiental e a terras indígenas por sua vez, benéfica aos mesmos. Outra ‘conquista’ desse grupo, são leis que ferem o direito dos assentados, conseguiram junto ao congresso que após dez anos, se o assentado desejar pode vender seu lote, lembrando que anteriormente o mesmo só podia ser passado de geração para geração, com isso os grandes fazendeiros conseguem recuperar ou comprar as terras desses produtores que por muitas vezes não tem condições de mantê-las, graças aos próprios governantes (explicitado acima e durante o trabalho), ou seja é um ciclo vicioso, complexo e criminoso (imagem 2)
Portanto, hoje quem possui o poder de modificar esse panorama da reforma agrária, são os menos interessados nessa idéia, cerca de 222 deputados num total de 513, logo o Brasil se encontra nas mãos de governantes, onde muito deles são latifundiários, o que gera no mínimo dúvidas constantes daqueles que lutam pela reforma.

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10 ANOS DEPOIS A TERRA VOLTA AOS GRANDES FAZENDEIROS (EM MUITOS CASOS OS PRÓPRIOS POLÍTICOS QUE SANCIONARAM A LEI)
 
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Como expresso anteriormente, a imagem (página anterior), nada mais é que um ciclo que ocorre em alguns casos, na primeira imagem a direita os grandes latifúndios (em grandes partes de pastagens) de proprietários que são políticos, para se ter uma idéia, em estudos do ano de 2012 de Alceu Luis Castilho, em seu artigo intitulado de Partido da Terra, políticos eleitos municipais, estaduais e federais possuíam cerca de dois (2) milhões de hectares em nosso território.
Com a reforma agrária, parte dessas imensas áreas são distribuídas aos assentados, representado pela imagem abaixo. Contudo, em alguns casos, devido artigo modificado no estatuto da terra depois de dez anos o proprietário pode negociar sua terra (imagem à esquerda).
E com isso, devido à dificuldade de permanência de alguns sitiantes, os grandes fazendeiros, por vezes políticos adquirem esses pedaços de terras para aumentar seus latifúndios (imagem acima).


















MST
O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) é um dos mais importantes movimentos sociais do Brasil, tendo como foco as questões do trabalhador do campo, principalmente no tocante à luta pela reforma agrária brasileira. Como se sabe, no Brasil prevaleceu historicamente uma desigualdade do acesso a terra, consequência direta de uma organização social patrimonialista e patriarcalista ao longo de séculos, predominando o grande latifúndio como sinônimo de poder. Desta forma, dada a concentração fundiária, as camadas menos favorecidas como escravos, ex-escravos ou homens livres de classes menos abastadas teriam maiores dificuldades à posse da terra.
Conforme Bernardo M. Fernandes em seu livro A formação do MST no Brasil (2000), o MST nasceu da ocupação da terra e tem nesta ação seu instrumento de luta contra a concentração fundiária e o próprio Estado. Segundo este autor, pelo fato da não realização da reforma agrária, por meio das ocupações, os sem–terra intensificam a luta, impondo ao governo a realização de uma política de assentamentos rurais.
                                                                                     Trecho retirado do site Brasil Escola

MST E REFORMA AGRARIA SÃO SINÔNIMOS?
Mesmo sabendo da sua legalidade e da sua extrema importância, relatadas em suas lutas e pelos números alcançados, é necessário fazer uma certa distinção entre o movimento e a reforma agrária em si, que existe a centenas de anos e em todo o mundo.

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Ao se ouvir a sigla “MST”, logo se pensa em reforma agrária, não é por menos, pois esse movimento intitulado de “sem terra”, surgiu nos anos 80 com a finalidade principal da luta e conquista da reforma agrária no Brasil. O movimento baseia-se em alguns pensamentos desde o marxismo até a teologia da prosperidade, portanto a idéia de reforma agrária é apenas a ponta do iceberg de uma utópica sociedade comunista defendida pelos integrantes do MST, apesar da importância do mesmo na busca pelos direitos dos trabalhadores, e sua legalidade é clara, a democracia é a base da sua luta.
Por outro lado, a reforma agrária em si, é necessária e deve ser inserida, pelo menos na teoria, da forma mais justa e pacífica possível, seja em uma sociedade socialista, capitalista entre outras. A sua importância e necessidade não se discutem, e devido a isso é fundamental saber separar o ‘movimento Sem-terra’ da própria reforma agrária. Uma pessoa pode ser a favor da reforma e radicalmente contra invasões de terras e ocupações das mesmas. O radicalismo empregado e defendido pelos responsáveis do movimento, muito disso devido à recíproca violência recebida, não representam o conceito e o cerne original do que é a reforma agrária.
A separação, por conseguinte traduz a imagem que existe hoje de que o MST trata-se da reforma, logo se há violência e ocupações do movimento, aquele que não está inserido nessa realidade ou é imperito ao assunto, credita os acontecimentos causados pelo MST a tal da “reforma agrária”. Esse trabalho vem nortear em relação a favor da Reforma e alheio ao movimento, que sim possui uma ideologia ampla porem refutável.

                                                         “Reforma agrária, sim!
                                                         Direito a uma casa, sim!
                                                   Invasão, Jamais!”
Vitorio Furussho











PESQUISA COM OS ASSENTADOS
Não se baseando apenas em pensamentos e opiniões sobre a reforma agrária e seus respectivos benefícios e malefícios, é interessante expor na prática como funciona e como anda a reforma no Brasil, para tanto é necessário mostrar alguns números que expressam de forma clara a necessidade contínua da reforma ou não em nosso território.
Serão expostos alguns dados coletados pela PQRA, através do governo federal, com o intuito de conhecer quem são, como vivem e o que produzem para não só sobreviver mais viver no sentido mais belo da palavra. Foi usada da liberdade, para citar apenas as informações que no conceito dos autores deste trabalho, seria relevante vide a extensa pesquisa de campo realizada no ano de 2010, onde foram coletadas opiniões dos próprios assentados.
A PQRA abrangeu todas as 804.867 famílias assentadas entre 1985 e 2008, mediante a aplicação de 16.153 entrevistas, distribuídas em 1.164 assentamentos por todo o Brasil, sob rigorosa técnica estatística.
Apresentação da pesquisa de Avaliação da Qualidade dos Assentamentos, Produção e Renda (2010) em assentamentos de todo o país. (FONTE: PQRA)
A pergunta foi: “Em relação às condições gerais de produção, comercialização e renda, qual sua avaliação sobre o tamanho do seu lote?”

Esses percentuais representam a opinião dos assentados em relação ao tamanho dos lotes, muitos dos que são contrários a reforma, alegam que haveria pequenas terras que não gerariam lucro ou renda aos posseiros, contudo se é realizado um estudo bem aprofundado acerca do tamanho e qualidade da terra para que se possa viver da mesma. Os próprios posseiros alegam isso, tendo em vista que mais de 82% afirmaram que o tamanho da área cedida é no mínimo razoável à ótima, e apenas 13% consideram o tamanho do lote ruim ou péssimo.
MELHORIA APÓS ASSENTAMENTO
Outra informação muito importante, se não a mais importante, fora em relação à percepção de melhoria de vida após o assentamento, com os seguintes fatores questionados: Moradia, alimentação, educação, renda e saúde.
A pergunta realizada para os assentados foi: “Comparando as condições de vida de sua família em relação à situação anterior ao assentamento, qual sua avaliação?
As porcentagens expostas referem-se a quanto % dos assentados acham que a condição de vida melhorou após o assentamento nesses fatores acima, portanto 73% dos assentados acreditam que em relação à moradia houve melhora e isso acontece com alimentação, educação e principalmente renda com 65%, 63% e 63% respectivamente. O que nos norteiam na qualidade de vida de forma geral, princípios básicos de sobrevivência obtiveram números acima da média, portanto satisfatórios. Apenas a saúde ficou abaixo da média (47%), esse resultado se deve principalmente pela distância que os lotes se encontram de postos de saúde e hospitais, além das estradas em péssimas condições encontradas na zona rural, porém ainda assim quase metade dos assentados, opinaram a favor da melhora também na saúde (47%).
OUTROS PONTOS IMPORTANTES
Além da apresentação dos gráficos anteriores outros pontos são importantes para citação segundo ainda os mesmos estudos do INCRA (PQRA) bens e equipamentos essenciais como celular, veículos, fogão a gás, computador, liquidificador e embarcações aumentaram em relação após o assentamento dessas famílias, o que culmina em uma melhor qualidade de vida para os mesmos.
E em relação à energia elétrica mais de 76% a possuem, e cerca de 78% tem acesso a água suficiente para consumo e produção, portanto não é um dado sobre ter ou não água disponível e sim sobre a mesma ser suficiente em todos os âmbitos seja domestico ou produtivo, logo o valor de 78% é bem satisfatório, tendo como base a situação hídrica do país.
É UMA QUESTÃO DE MERITOCRACIA?
O mais simples leigo pode imaginar que não se pode tirar a terra de uma pessoa mesmo com indenização a mesma, e doar a outra, na teoria seria uma injustiça, contudo ao longo da história tupiniquim sabe-se que os mais agraciados desde a monarquia, passando pela ditadura e até os dias atuais são os que mais já possuem. Terras foram doadas nos tempos da coroa às pessoas ligadas ao rei, e na ditadura a mesma coisa acontecia em relação ao alto escalão e isso passou de geração em geração, então a questão de meritocracia fica em segundo plano, tendo em vista que foram desde os escravos, depois os imigrantes e por fim até hoje os trabalhadores, esses os mais pobres, que levaram e levam o país ao patamar que se encontra hoje num panorama agrícola, e por muitas vezes, quase na sua totalidade, trabalhavam sem receber nada ou apenas em troca de comida ou um lugar para dormir, e muitos desses se foram sem ter a oportunidade de terem seu espaço no território nacional, não tiveram a oportunidade de produzirem seu próprio alimento. Nesse contexto de um país mais justo e igualitário a reforma agrária vem corrigir uma injustiça histórica, obviamente não foi e não é fácil sua implantação, visto as diversas irregularidades e corrupção presente nesse processo, porém a necessidade da reforma é indiscutível se realmente acreditamos que um “País rico, é um país sem pobreza”. 




EXÔDO RURAL – LOGÍSTICA REVERSA (MENOS PESSOAS NA CIDADE, MENOS DESEMPREGO, MAIS PRODUÇÃO)
VOLTA AO CAMPO
Outro aspecto positivo da reforma é a logística reversa do Êxodo Rural, ou seja, a volta das pessoas ao campo, à zona rural. O Êxodo Rural refere-se ao deslocamento ou migração das pessoas do campo para o meio urbano (cidade), a fim de encontrar condições melhores de vida. E isso se deu principalmente após a industrialização e o crescimento urbano, o desenvolvimento tecnológico também tirou o homem do campo, visto a troca da mão de obra por máquinas.
Mesmo parecendo um processo comum e até benéfico, por imaginar que nas cidades as pessoas teriam melhores condições de vida e de renda, não é bem assim na prática, a saída em excesso das pessoas oriundas do campo para a cidade acarreta alguns problemas sociais importantes, dentre eles pode-se citar o desemprego, devido à densidade e falta de preparo e profissionalização do homem do campo; crescimento de favelas, pois aqueles que vêm para a cidade muitas vezes com pouco ou sem dinheiro, não encontram serviço em curto espaço de tempo, em conseqüência a isso, não encontram moradias, e uma das vias de escape acaba sendo as favelas das grandes cidades; e também a marginalização, quando essas pessoas se encontram sem perspectiva alguma acabam entrando em uma vida de atividades ilícitas como prostituição de crianças e adultas, tráfico de drogas entre outras.
Portanto, nessa perspectiva o êxodo rural é prejudicial em todos os âmbitos sociais e governamentais, principalmente nos dias atuais onde a densidade populacional cresce a cada dia, e a reforma agrária vem contrária a isso, visto que traz o homem de volta ao campo, além de diminuir a densidade populacional nas cidades, diminuindo diversos fatores negativos que possam existir, dá aos assentados uma nova perspectiva de vida, melhorando sua renda, dando uma moradia digna, um trabalho, oportunidade de crescimento, além de fomentar a produção agropecuária em nosso país, gerando renda aos cofres públicos, que por sua vez voltarão em serviços aos cidadãos. Nesse panorama a reforma agrária surge novamente como essencial, e estimula um ciclo de crescimento e qualidade de vida.
CAMINHOS PARA OS ASSENTADOS
Muitas dúvidas são geradas, principalmente por aqueles que são contrários à reforma agrária, acerca da continuidade após o assentamento, algumas pessoas não possuem conhecimento ou condições de se manterem sem benefícios do governo, no entanto, isso não se trata de um problema da reforma agrária e sim de todo o processo discutido já acima.
Para isso, surgem caminhos interessantes e pouco explorados, com o intuito de emancipar os assentados, afim de que se sustentem e gerem renda. Dois casos serão discutidos a seguir, sendo eles o Cooperativismo e o foco em produtos em falta, no caso os importados pelo país.
COOPERATIVISMO
Em qualquer área do meio social, sabe-se que um não é tão forte como um todo, isto é uma pessoa pode não ter tanto poder assim, porém quando se junta a outras, estes se tornam mais fortes, e é nesse contexto que o cooperativismo surge com grande potencial.
Muitos produtores quando produzem em seus pequenos lotes acabam não tendo força nem mesmo compradores para seus respectivos produtos, esse cenário pode mudar uma vez que vários outros produtores (assentados) se unam a uma idéia, podendo aqui citar inúmeras como suinocultura, avicultura, fruticultura, que não exigem um grande espaço e sim alto investimento, esse já existente inserido pelo próprio governo.
Desta forma a criação de cooperativas é um mecanismo interessante, com suporte jurídico e administrativo há uma melhora na questão de produção e comércio, que conseqüentemente fomenta uma estabilidade produtiva e social, fazendo com que o assentado tenha mais segurança, no que tange sua produção e qualidade de vida, prova disso foi à criação da CONCRAB – Confederação das Cooperativas de Reforma Agrária do Brasil.
PRODUTOS DE IMPORTAÇÃO COMO SAÍDA PARA OS ASSENTADOS
O outro ponto citado é o foco em produtos que atualmente o Brasil não produz ou produz em baixa escala, e que podem vir a serem produzidos em coletividade pelos assentados. Já dissemos acima que dinheiro não é problema principal nesse caso.
Produtos de produção conhecidas no país como feijão, arroz, trigo, banana são bastante importados e poderiam ser um norte na produção pelos assentados, ou mesmo outros produtos não tão conhecidos, mas que poderiam fomentar a produção desses sitiantes, como frutas exóticas, além de serviços como a secagem de ameixas, as quais são produzidas no Brasil, mas saem do território nacional para serem secadas e posteriormente são vendidas em nosso país, seria interessante que todo esse processo pudesse ser realizado por produtores brasileiros gerando emprego e renda.
Obviamente todos esses aspectos são de implantação demorada, controvérsias e de grande labuta, mas é um caminho que pode emergir diante da dificuldade de fazer com que o assentado permaneça no campo com uma qualidade de vida sustentável.

MÚSICA: Funeral de um lavrador (CHICO BUARQUE)
Esta cova em que estás com palmos medida
É a conta menor que tiraste em vida
É a conta menor que tiraste em vida

É de bom tamanho nem largo nem fundo
É a parte que te cabe deste latifúndio
É a parte que te cabe deste latifúndio

Não é cova grande, é cova medida
É a terra que querias ver dividida
É a terra que querias ver dividida

É uma cova grande pra teu pouco defunto
Mas estarás mais ancho que estavas no mundo
estarás mais ancho que estavas no mundo

É uma cova grande pra teu defunto parco
Porém mais que no mundo te sentirás largo
Porém mais que no mundo te sentirás largo

É uma cova grande pra tua carne pouca
Mas a terra dada, não se abre a boca
É a conta menor que tiraste em vida
É a parte que te cabe deste latifúndio
É a terra que querias ver dividida
Estarás mais ancho que estavas no mundo
Mas a terra dada, não se abre a boca.
“A Busca Pela Educação Agrária Têm Raízes Amargas; Mas os Seus Frutos São Doces”.
Raimundo N.C. Moraes


A luta pelo pedaço de terra é árdua e longa, mas necessária, o Brasil anseia por uma reforma, pelo bem do povo brasileiro e por uma questão de justiça social.



















REFERÊNCIAS


. Planalto.gov.br
. Jus.com.br
. Brasilescola.com.br
. incra.gov.br
. mst.org.br
. marx21.com
. folha.uol.com.br
. iepec.com
. reschmidt.blogspot.com.br

. mundoeducacao.bol.uol.com.br

HISTÓRIA DA BÍBLIA E AS ATUALIZAÇÕES CONTEMPORÂNEAS

Israel Izidoro Pacifico[1]
Resenha
Introdução
O mundo atual e marcado por mudanças bruscas de hábitos devido as inovações tecnológicas e os meios de comunicações em alta velocidade, onde as dimensões das historicidade bíblica não fica de fora, pois as exposições dos relatos bíblicos são apresentados das mais variadas formas, havendo até o fato inovador de se usar como tema de novela histórias inteiras relatadas pela Bíblia Sagrada.
 Na perspectiva de incentivar para que se levante um olhar profundo sobre as verdades bíblicas, apresento esta resenha do artigo: (HISTÓRIA DA LEITURA E HISTÓRIA DA RECEPÇÃO DA BÍBLIA, de Antonio Paulo Benatte), que acredito trazer uma grande contribuição a respeito das significações da leitura bíblica.

A leitura da bíblia

Este importante artigo trata com muita sabedoria a questão da Bíblia, e da história de sua leitura e recepção, onde o autor faz análises sobre o caminho de um texto e suas interpretações ao longo de sua trajetória, partindo de uma idéia de uma aliança particularmente produtiva que pode ser construída entre a história da leitura e a história de sua recepção.
Alguns críticos literários são citados pelo autor como: Robert Darnton, Judith Kovacs e Christopher Rowland, que abordam questões como: O que os leitores pensam ser o significado da Bíblia, trazendo um raciocínio muito importante ao afirmar que a recepção da bíblia não pressupõe necessariamente sua leitura.
Citando como exemplo os cristões analfabetos, que ao ouvirem a leitura bíblica são impactados. Afirmando ainda ser a Bíblia um livro sempre contemporâneo, não entre outras coisas; por suas palavras de sabedoria e por sua metafísica, e sim sem dúvida, por sua possibilidade praticamente infinita de atualização.
O autor fala sobre o fato de a Bíblia ser considerado um livre clássico do ponto de vista laico, citando o escritor “Jorge Luis Borges”, e sua definição de clássico como: (Um livro que as gerações dos homens, urgidos por razões diversas, lêem com prévio fervor e com uma misteriosa lealdade).
Ao falar da teoria literária o autor aponta a Bíblia como o arquétipo do texto canônico, se apoiando na definição de Frank Kermode, pois em sua posição quanto texto canônico ele afirma que: (No processo de sua transmissão cultural, um texto ou um livro adquire sua identidade e sua diferença em relação a si mesmo, gerando novos modos de ver coisas velhas, e novas coisas que nunca vimos antes).
O autor citando Gadamer, fala sobre a importância de se focar o significado do texto acumulados ao longo do tempo, pois tal acumulo constitui seu principal objetivo, e deve ser considerado seu crescimento e transmição histórica e interpretações através das quais ele chegou a nós, estando a compreensão do texto condicionada a compreensão de sua própria história.
Apoiando- se no escrito de L. Alexander Milton onde tal escritor coloca a Bíblia como uma portadora de cultura, e com a capacidade de ter efeito mais abrangente que a própria teologia admite, além de em um campo mais vasto dos estudos bíblicos, a história da recepção se uma disciplina inclusiva concededora de relevância tanto à leitura e interpretação tradicionais.

O autor caminha sempre sobre o solo da historicidade dos textos bíblicos. Falando das abordagens socioculturais ou contextualistas no âmbito da história da leitura, sugerindo ser a bíblia, uma obra aberta com significados extremamente instáveis, não tendo um sentido fixo e determinável.
 Como tal, segundo o autor gera letigios de interpretações que culminam na ruptura da própria comunidade interpretativa, estando o conflito de interpretações em torno do real significado da Bíblia. Porem com isso se constitui assim um rico e vasto material para a investigação histórica.
Segundo o autor parece ser mais plausível: poder encontrar conflitos e tensões entre formas padronizadas de interpretação num mesmo grupo de leitores, mas em suma precisa-se compreender o processo pelo qual os textos escritos fazem sentido para aqueles que deles se apropriam ou os recebem nas mais diversas e variadas circunstâncias.
E notável como o autor expõe que nenhum outro livro, em toda a história humana, tenha sido objeto de tanto controle sobre a interpretação quanto a Bíblia, colocando porem a Bíblia em um patamar de perigo por sua riqueza polissêmica capaz gerar tanto leituras conservadoras e reacionárias quanto reformistas e revolucionárias da ordem social.
O autor afirma ser a recepção da bíblia, sempre um ato criador e o consumo cultural do texto representa um novo momento da produção, porem tendo um limite a que se dirá dele, mas sim deve se seguir uma dialogia tende por formas padronizadas niveladas por uma consciência dos mesmos códigos culturais, o que gerara a uma comunidade de interpretação.
 O autor trata da questão da leitura religiosa, e sua separação entre o sagrado e o profano, inclusive na dimensão das experiências, sendo levada em conta a variação histórica e de cultural.
Finalizando o autor fala das lógicas e dinâmicas da recepção, as quais formam tradições históricas particulares apreensíveis e compreensíveis enquanto singularidades no tempo e no espaço e fala também que dependendo de como a Bíblia for lida poderá traçar parâmetros de entendimento para uma ampla compreensão da história da recepção da Bíblia.

Considerações pessoais

Acredito que as maneiras de se expor às verdades bíblicas, as praticas de sua leitura e as abrangências da sua compreensão e significação, tendem a ser cada dia ampliada, porem o cuidado para não se banalizar as verdades bíblicas e faz-se eminente.
Referencias bibliográfica
Benatte, Antonio Paulo. Disponível em: https://www.metodista.br/revistas/revistas-ims/index.php/oracula/article/view/5893/4765 . Ultimo acesso em 16 de Outubro de 2017.
Almeida, João Ferreira de. Bíblia Sagrada - Revista e corrigida. Ed. 1995: São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2004. 1564p.
[1] Pastor, Teólogo e Psicopedagogo Institucional


Leia mais em: http://www.webartigos.com/artigos/historia-da-biblia-e-as-atualizacoes-contemporaneas/153993#ixzz4vltor03H

CUIDADORES ESPIRITUAIS

Israel Izidoro Pacifico[1]

Ministério Pastoral

Introdução

Este trabalho visa, num primeiro momento, falar sobre as pistas que a temática do cuidado pastoral pode oferecer em resposta à pergunta: “quem é o ser humano”, esclarecendo sobre a dimensão que a ação pastoral deve alcançar, bem como em que esta ação pastoral deve se focar, propondo algumas respostas para a indagação sobre a identidade humana.
Num segundo momento pretende-se avaliar expondo e analisando os aspectos em que a temática do cuidado pastoral no Antigo Testamento e no Novo Testamento é convergentes e/ou divergentes; e, apresentar alguns registros bíblicos que apóiam tais divergência ou convergência estabelecendo  assim um quadro geral da evolução do tema, do Antigo Testamento para o Novo Testamento.
Focando como esta evolução da visão da temática pastoral contribuiu para vocação como chamado para servir, devido à amplitude de tal chamado estar contido no “ide” de Jesus, que ampliou o pastoreio de Deus através de uma ação pastoral que é oferecida através da ação do evangelho, a toda criatura.
 Por último pretende-se estabelecer a relação entre “cuidado pastoral” e “carisma pastoral”, tendo como horizonte à vida do ser humano no mundo, abordando como se da tal ação, entendendo a importância desta ação estar ligada ao carisma pastoral para uma melhor esfera de alcance, numa perspectiva de busca do bem estar da vida humana.
Todas estas perspectivas envolvendo a temática pastoral, por fim será englobada, pretendendo com isso o despertar da vocação pastoral e o chamado para servir, esclarecendo a importância desta vocação como fator de promoção de vida, dignidade e consciência da necessidade de ser; Humano.
1) As pistas que a temática do cuidado pastoral pode oferecer em resposta à pergunta: “quem é o ser humano”.
Com um olhar de que o ministério pastoral não abrange só o aconselhamento, mas a dimensão humana em um todo, temos a partir daí uma primeira pista da resposta à pergunta intrigante “quem é o ser humano”, pois em uma atitude pastoral e como igreja atuante na comunidade, a ação pastoral deve estar focada na vida, pois este humano tem uma “vida diferenciada”, que precisa ser orientada para um discernimento de sua identidade interior.
A temática do cuidado pastoral envolve prioritariamente o cuidado da vida. E ao ter como base o paradigma bíblico baseado na ação de Deus na história de Israel e no ministério de Jesus, o qual revela Deus como pastor cuidador e interessado com o bem estar do ser humano nos leva a uma outra resposta a respeito da identidade humana; de que o ser humano é “uma criatura criada e amada por Deus”.
Outro ponto importante que podemos analisar na temática do cuidado pastoral, e o de que o ser humano é como um ser em busca da sua identidade, mesmo detendo muitas informações que lhe traz certo nível de conhecimento, enfrenta problemas não pela falta deste conhecimento e sim de orientação, pois se encontra confuso, colocando o ser humano na categoria de “um ser em constante crescimento”.
Pensamentos a respeito da identidade humana foram concebidos em todas a linhas de pensar. Quem é o ser humano é a pergunta marcante, pois se quer saber a verdade sobre nos mesmo. Visões de evolução de espécies, pesquisas no campo cientifico como a do “genoma” tentam clarear o entendimento desta identidade. Mas no que tange a temática da ação pastoral, pode-se entender esta identidade tendo origem em Deus.
 Daí a importância da vocação do pastor diante deste ser humano que busca sua identidade, e precisa se sentir digno da vida que esta vivendo, não sendo como uma máquina, e nem vitima de uma sociedade que este; “diz valer quanto pesa”, mas levando a compreender a sua posição no cosmo como um ser em constante busca de ser; “Humano”.
2) Exposições e analise dos aspectos em que a temática do cuidado pastoral no Antigo Testamento e no Novo Testamento são convergentes e/ou divergentes; e, se há registros que denotam uma evolução do tema do Antigo Testamento para o Novo Testamento.
Iniciando com o ponto em que é detectado o cuidado pastoral no Antigo Testamento o qual estava vinculado à imagem do Deus Pastor e cuidador, que mantinha um relacionamento com seu povo intermediado através de uma aliança, onde cuidado pastoral acontecia no cotidiano das pessoas, podemos perfeitamente perceber ser este um ponto bem convergente com a visão da ação pastoral no Novo Testamento.
Visto que o cotidiano era o ambiente central da ação pastoral no novo testamento, onde a caminhada de Jesus com seus discípulos, era carregada de cuidados pastoral os quais ele exercia, quer seja os assistindo nos momentos de fome como na multiplicação do pão (Mateus 15.36,37), ou em momentos de enfermidade na família a exemplo da cura da sogra de Pedro (Mateus 8.14) ou valorizando a vida a exemplo do caso da mulher pega em pleno ato de adultério (João 8. 3 a 11).
Se por um lado no Antigo Testamento, Deus estava onde às pessoas estavam, pois em sua condição de nômade o povo era peregrino e caminhava de um lado para o outro motivado pela sobrevivência, assinalando por este ponto uma divergência da temática da ação pastoral em relação ao Novo Testamento, visto que neste o povo não era, mas nômade, porem seus lideres religiosos que também era tido tipo pastores, apascentavam a si mesmo, sendo está realidade remediada somente pela ação pastoral de Jesus o messias e pastor, o qual muitos não reconheceram.
 O aspecto no Novo Testamento do pastoreio ligado à ação de guiar e ter compaixão diverge um pouco do Antigo Testamento no sentido de que em quanto num a presença de Deus era confirmada por uma aliança basicamente de cuidado, no outro as ações como conduzir, orientar para a unidade e apregoar a amizade de Deus pela humanidade, mostra um sentido, mas amplo da ação de Deus como pastor, pois estende tal ação para esfera de “toda a humanidade”.
Este aspecto de “toda a humanidade” merece ser mais bem explorado, pois assinala uma grande diferença na esfera de alcance do pastorado no Novo Testamento em relação ao Antigo, pois neste há a visão de um Deus pastor que exprimia um cuidado que abrangia basicamente a nação de Israel.
 A respeito desta nação Disse Deus: (E dize-lhes: Assim diz o Senhor DEUS: No dia em que escolhi a Israel, levantei a minha mão para a descendência da casa de Jacó, e me dei a conhecer a eles na terra do Egito, e levantei a minha mão para eles, dizendo: Eu sou o SENHOR vosso Deus. Ezequiel 20.5. Bíblia Sagrada). Ficando bem compreensível que, basicamente só a nação de Israel como povo, gozava da ação de um Deus pastor em sua caminhada.
Já no Novo Testamento, através da manifestação de Jesus vemos o alargamento desta ação pastoral de Deus, visto que o alcance foi ampliado para esfera de toda a humanidade, como se pode entender pela declaração feita por ocasião da apresentação de Jesus: (Luz para iluminar as nações, E para glória de teu povo Israel. Lucas 2. 32. Bíblia Sagrada), revelando assim o pastoreio de Deus através de Jesus o messias, que passaria a abranger não só a nação de Israel, mas todas as nações.
Tal visão de pastoreio também se confirma na seguinte ordem do ide do Senhor Jesus: (E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Marcos 16.15. Bíblia Sagrada), onde fica bem claro que o evangelho é para toda criatura que crê, sendo assim a ação pastoral de Deus também é.
3) A relação entre “cuidado pastoral” e “carisma pastoral”, tendo como horizonte a vida do ser humano no mundo.
Podemos ter um entendimento de que a relação entre o cuidado pastoral e o carisma pastoral e uma relação de “complementaridade”, visto que tendo como horizonte à vida do ser humano, a ação pastoral deve se revestir de todas as ferramentas e meios para que este “humano” que esta adiante em seu horizonte seja alcançado em toda amplitude por tal ação.
Neste ponto entra o carisma, pois sendo por definição (força divina conferida a uma pessoa, mas em vista da necessidade ou utilidade da comunidade religiosa, ou ainda atribuição a outrem de qualidades especiais de liderança, derivadas de sanção divina. Dicionário Aurélio), subentende-se que o carisma pastoral apresenta-se como uma força propulsora capaz de maximizar a ação pastoral para um resultado mais amplo.
Este fato se dá através manifestação do fenômeno da ação pastoral, em que o carisma pastoral se encontra presente, o capacitando e revestindo de uma completude, que torna tal ação uma força promotora de valorização humana e geradora de vida, capaz de remediar os danos causados na esfera social e humana presentes na sociedade moderna.
Rupturas dos direitos humanos que podem ser identificados como um novo apartaite social, os quais assombram o mundo moderno, e que se apresenta com a embalagem da globalização, serão melhores remediados com uma ação pastoral carismática. Males como desemprego, violência pode-se amenizado e até extinguidos em uma boa proporção, diante de uma ação pastoral em tal qualidade.
A ação pastoral deve ter como prioridade promover um mundo mais humano, através da preparação das pessoas, para que estas se tornem mais preparadas para a nova realidade humana, onde a luta pelo bem estar na vida tornou-se cada vez mais difícil.
O cuidado pastoral precisa assumir uma forma profética, pois diante toda as dificuldade humana o cuidado pastoral precisa apresentar uma resposta, laçando mão da visão humanista que luta por uma igualdade entre todos os seres humanos, para tanto o cuidado pastoral deve apropriar-se não só o principio social, mas também o principio bíblico.
Absorvendo a reação humanista que pensa o ser humano com igualdade, o cuidado pastoral terá o desafio de promover esta igualdade tendo como base os exemplo bíblico tanto Novo quanto do Antigo testamento e principalmente deste, onde segundo o que já abordamos a uma amplitude da ação pastoral na visão de se alcançar “todo o mundo habitado” com o evangelho.
O carisma pastoral apropria-se de todos os elementos que envolvem a temática pastoral, entendendo o termo pastor como uma expressão que denota caminho, condução e guia; e colocando o seu olhar sobre Deus que nos deu lição de como ter o nobre objetivo de  cuidar e preservar a vida, entendendo porem que se algo prejudica esta vida, não estar dentro do projeto de Deus.
Quando desempenhado por um carisma pastoral, o cuidado pastoral terá em vista tratar o ser humano em suas mais complexas dimensões, vendo o como parte do grande rebanho de Deus que hora pode estar perdido ou para se perder, necessitando por isso de ser envolvido com cuidado, pois pode estar confuso em seu caminhar.
Pode-se concluir que na relação cuidado pastoral e carisma há uma relação em que o englobamento das duas dimensões gera um pastoreio mais bem alinhado com o paradigma bíblico, orientando no caminho gerando confiança, persuadindo a uma conversão, incentivando ao perdão e a reabilitação e gerando encontro de determinadas circunstâncias favoráveis a vida, as quais gera a evolução no sentido do bem estar Humano.
Tendo como base a vida que Cristo deixou para os primeiros discípulos, o cuidado pastoral e carisma  pastoral, deve ser ferramentas sempre usadas juntas, uma complementando a outra, no objetivo de se prestar serviço em prol do mundo , apregoando a graça de Deus por meio de Cristo tendo como grande meta tratar a vida em Cristo contribuindo assim para que ela seja mais “Humana”.
Referências bibliográficas
Almeida, João Ferreira de. Bíblia Sagrada - Revista e corrigida. Ed. 1995: São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2004. 1564p.
Barbosa ,Cerlândia Aguiar.  Vocação: O chamado para servir. Disponível em:http://www.metodistavilaisabel.org.br/docs/Vocacao_o_Chamado_para_servir.pdf. Último acesso em 16 de outubro de 2017.
[1] Pastor, Teóogo e Psicopedagogo Institucional


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ESPIRITUALIDADE INCLUSIVA PARA O CRISTIANISMO

Israel Izidoro Pacifico[1]
Ministério Pastoral

Introdução

Este trabalho visa abordar o significado da espiritualidade inclusiva para o cristianismo, levando em conta que tal espiritualidade deve ser vivida no corpo e incorporando em si os valores do Reino. Por fim analisar como os elementos dos ministérios essenciais e dos ministérios prioritários podem evitar o uso centralizador e, por tanto, excludente do poder no ministério pastoral.
O significado da espiritualidade inclusiva para o cristianismo
Pode-se entender a espiritualidade inclusiva para o cristianismo como sendo uma espiritualidade que inclui e não exclui, a qual deve ser vivenciada por pessoas que estão cheias do Espírito de Cristo a qual traz à tona a metáfora do Corpo de Cristo, voltando-se para a missão, no sentido da vida com base nos valores básicos do Reino.
Acontecendo no dia a dia do cristão, pelas formas de se remeter a alguém ao lado e também encarnar as coisas de Deus e vivenciar o espírito de Deus sendo uma espiritualidade de vivencia, tendo como resultado o grande objetivo de encontrar Deus no outro e gerando atitudes concretas de olhar o ser humano como Deus olha.
Faz novas todas as coisas, cria novos céus e nova terra e ordena o caos, voltando para a ampliação dos horizontes das pessoas sendo uma espiritualidade encarnada que trabalha no objetivo de gerar vida e esperança, revitalizando a noção de propriedade fazendo com que haja o entendimento da partilha e da comunidade.
Como uma espiritualidade endereçada para a vida deve promover a vida e estar em harmonia com a grande necessidade principal de cada ser humano, de ser “gente” e, portanto herdeiros das misericórdias de Deus.
Análise de como os elementos dos ministérios essenciais e dos ministérios prioritários podem evitar o uso centralizador e, por tanto, excludente do poder no ministério pastoral.
Num olhar sobre ministérios essenciais, pode-se entender que a prática da administração dos sacramentos consiste na nobre tarefa de orientar as pessoas sobre a importância da participação nos sacramentos que e o meio de estarmos em  comunhão como meios de graça, onde se revive  à memória o grande amor de Deus pela humanidade expresso pela ação de Deus, sendo o batismo e santa ceia os  dois sacramentos vivenciados no mundo protestante onde num há inserção da pessoa na comunidade cristã e o outro possibilita o acolhimento desta pessoa na comunidade.
proclamação da palavra e um ministério que tem um foco orientador, tendo uma área de atuação que vai alem do púlpito, pois se vincula à dimensão pública do pastoreio, sendo capaz de alcançar os sentimentos e as emoções das pessoas pelo seu poder de unir a razão e fé, sendo estas parceiras da proclamação da Palavra, as quais articuladas pelos paradigmas do Reino de Deus estimula e ate mesmo promovem o consolo, desafio e envio.
No que se diz respeito aos ministérios prioritários, o elemento da animação ou encorajamento, pode ser entendido como um grande gerador de organização para o exercício da vocação pastoral, trazendo a tona o entendimento da relação igreja sociedade, fazendo entender a realidade de tal relação e incentivado a busca de transformações tanto sociais quanto espirituais.
 Ministério como o profético que se inspira na denúncia dos caminhos de injustiças e de suma importância dentro do reino de Deus. Evidentemente faz se necessário um entendimento do que seja justiça, pela ótica bíblica entendendo tal justiça dentro das esferas de ação na sociedade, pois o vinculo entre igreja e sociedade é de suma importância, por ser capaz de produzir um parâmetro conceitual de missão.
Análise todos estes esses elementos, pode-se entender que estes têm o poder de reclamar a unidade no corpo de Cristo e gerar o cumprimento da mesma. E quando em operação é capaz de identificar o valor de cada pessoa no Reino de Deus, pois segundo a bíblia; há variedade de dons ou ministérios, mas o Espírito e o mesmo (I Coríntios 12.4).
Por fim o ministério pastoral e o poder completam um circulo ministerial, onde cada membro do corpo de Cristo tem sua importância e seu espaço de ação fazendo com que não haja um poder ministerial centrado em uma só pessoa bem como impede a exclusão de quem quer que seja dentre os que se colocam ao serviço no reino de Deus.
Referências bibliográficas
Almeida, João Ferreira de. Bíblia Sagrada - Revista e corrigida. Ed. 1995: São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2004. 1564p.
Barbosa ,Cerlândia Aguiar.  Vocação: O chamado para servir. Disponível em: http://www.metodistavilaisabel.org.br/docs/Vocacao_o_Chamado_para_servir.pdf. Último acesso em 16 de outubro de 2017.
[1] Pastor, Teólogo e Psicopedagogo Institucional


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O RITMO DE UMA VIDA, APRENDENDO A CONVIVER COM O PARKINSON

Doença de Parkinson, ouvi essa palavra pela primeira vez quando tinha 37 anos, um médico aqui da cidade que moro, moro no interior de MT, se chama Vera, cidade pequena e tranqüila. Mas afinal de contas o que é esse tal Mal de Parkinson? Bom fui pra casa com o conselho do médico de procurar um médico Neurologista, que fosse particular que pelo SUS ia demorar e era necessário pressa. Então vamos saber o que é o Mal de Parkinson, primeiro descobri que não se falava mais Mal de Parkinson e sim Doença de Parkinson. Pronto procurei na internet e não gostei nada do que encontrei, a Doença de Parkinson era uma doença causada pelo envelhecimento das células chamadas de Dopamina, mas como disse envelhecimento, portanto era uma doença predominante em pessoas idosas, de 55, 60 anos em diante. Então porque eu estava com aquela doença, estava com 37 anos, mais chocante são os sintomas. Os sintomas varia de pessoa para pessoa.
Fui ao médico particular, na cidade próxima chamada Sinop, uma cidade maior com mais recursos, marquei consulta com um médico de boa fama chamada Sinop Doutor Paulo Tarso, me pediu uma ressonância magnética e uma ultra cenografia, de posse dos resultados não agüentei e  abri, os exames diziam que no meu cérebro não tinha nada, fiquei muito feliz, afinal o médico se enganou, já que os exames não deu nada nãoa era preciso voltar ao médico. Decidi não ir mais ao médico, mas meu esposo achou melhor voltar no retorno, então ta, voltei ao médico, qual foi aminha surpresa, quando o médico disse que ia entrar com a medicação. Mas doutor os exames não deu nada, eu não estou doente. Pra minha surpresa ele disse que os exames eram para descartar outra doença ou um câncer, que a Doença de Parkinson não dá em exames de laboratório, sendo feito através de exames clínicos, se os medicamentos fizessem efeito então se confirmaria eu estava com a Doença de Parkinson.
Sai do consultório médico arrasada, comecei a chorar e liguei para meu esposo para contar que eu estava doente, isso confirmou quando tomei o medicamento e os sintomas que eu demonstrava até o momento pararam.Os sintomas da Doença de Parkinson são muitas, mas cada individuo desenvolve de uma forma, conheço um senhor que tem apenar os tremores, mas nada. Comigo aconteceu diferente.
O primeiro sintoma que senti foi em 2010, uma dor que atravessava de um ombro ao outro, isso acontece na casa de um dos meus cunhados, além da dor inexplicável, também estava muito irritada, algo incomum pra mim, já que sou muito calma, também estava com o colesterol alto, comecei a fazer caminhada, começo do ano de  2011, percebi que o meu braço esquerdo não fazia o movimento natural de vai e vem, brinquei com umas amigas que o braço estava rebelde, pois não queria me obedecer, passado mais algum tempo, não me lembro quanto, comecei a ter dificuldade em realizar movimentos com o braço esquerdo, pensei estar com problemas nos nervos, enfim começaram os tremores, pensei só pode ser os nervos, passou algum tempo, assistindo um programa de televisão num domingo e o tema abordado era Doenças Degenerativas do Cérebro, mais especificamente Esclerose Múltipla, Pensei será que tenho essa doença? Somente depois disso que procurei o médico que deu o diagnóstico de Doença de Parkinson.
Como foi dito cada pessoa desenvolve o Parkinson de um jeito, parece que eu peguei o pacote completo, o único sintoma que não tenho ainda é a depressão. Tenho tremores, equilíbrio ruim, as vezes babo, tenho dores a minha rigidez é fenomenal, tomo dois medicamentos no momento Prolopa 200/100 e Sifrol 1 mg quatro vezes ao dia, se acontecer de faltar os remédios por apenas um dia fico petrificada, peguei a doença com o pacote completo, como se não bastasse tenho Artrose, um Erna de disco lombar. Imaginem as dores que eu sinto, pois não posso me dar ao luxo de ficar sem fazer a minha caminhada, isso mesmo continuo com minha caminhada mesmo depois de sete anos.
Isso mesmo estou com a Doença de Parkinson há sete anos e continuo firme, é uma luta diária, as vezes penso que não vale a pena lutar contra uma  doença que não tem cura, que fica pior a cada dia, mas ai Deus me dá coragem e me ergo novamente. Estou relatando um pouco da minha vida para compartilhar algo que tem me ajudado, fazendo com que eu tenha uma qualidade de vida um pouco melhor. Em primeiro lugar acreditar em Deus e em Jesus Cristo, eles é que me dão força para continuar em pé, segundo tomar os medicamentos corretamente, terceiro fazer exercícios físicos diariamente, caminhada, aqueles aparelhos de academia nas praças indicados para os idoso e o quarto erguer a cabeça tomar  conta da situação e mostrar que quem manda no seu corpo é você e não o Parkinson, andar nas ruas se os outros estão reparando que você está meio estranho com cara de gente maluca, pois quem tem Parkinson com o passar dos anos fica com o rosto petrificado, ouvi uma brincadeira que quem tem Parkinson não precisa fazer botox, nem que você está caminhando de forma estranha. O que realmente vale a pena é você lutar para viver bem o maior quantidade de tempo possível. Isso não é fácil, mas não há outra alternativa. Portanto companheiros Parkinsonianos essa é a minha vida um dia após o outro, mas de cabeça erguida e com Deus no coração.


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