quinta-feira, 27 de julho de 2017

Internet

INTRODUÇÃO
Actualmente, a famosa e poderosa Internet, é nada mais nada menos do que um aglomerado de milhões e milhões de computadores, interligados pelo protocolo TC/IP (o famoso IP adress), que ao mesmo tempo permite o acesso e a transferência de dados.
Hoje em dia, ela tem uma grande variedade de recursos e serviços, não podendo se esquecer dos documentos interligados por meio de ligações da Word Wide Web (WWW), e a infra-estrutura para suportar os grandes correios electrónicos, e serviços como comunicação instantânea e compartilhamento de arquivos.
O presente trabalho tem como objectivo principal falar sobre a internet, sabendo como surgiu, os tipos de redes, efeitos e consequências, vantagens e desvantagens. Para a efectuação deste trabalho utilizou-se a pesquisa exploratória em Manuel básico de Informática no título que dizia os aspectos básicos sobre o tema em síntese.






INTERNET
Definição
A Internet é uma rede mundial que interliga milhões de computadores em todo o mundo, de vários tipos e tamanhos, marcas e modelos e com diferentes sistemas operacionais. Portanto, dizendo de modo simples, é uma forma fácil e barata de fazer com que computadores distantes possam se comunicar. 
Apesar de ter uma história relativamente curta, a Internet se revela como um grande factor de comunicação, integração social, armazenamento de informações de todos os tipos e globalização de produtos.
Assim, a Internet é formada por computadores comuns e por outros, especiais, os servidores, máquinas de alta capacidade, com grande poder de processamento e conexões velozes, controladas por universidades, empresas e órgãos do governo. 
COMO SURGIU
Sem dúvidas a internet tem revolucionado o mundo dos computadores e da comunicação como nenhuma outra invenção foi capaz de fazer. A história da internet se inicia no ano de 1962, onde o comunismo fazia grande oposição e força aos Estados Unidos, assim os americanos resolveram criar uma rede de comunicação militar que fosse forte o bastante para resistir a um ataque nuclear. O conceito desta ideia revolucionária se baseava em um sistema descentralizado, o qual permitia que a rede funcionasse mesmo com a destruição de um ou mais máquinas.
Um dos principais criadores e desenvolvedores da Internet foi Paul Baran, o qual teve a ideia de criar uma rede com a forma de uma gigantesca tela, sendo que analisando o sistema centralizado que tinha grande vulnerabilidade, pois com a destruição de seu núcleo, a comunicação seria impossível, assim optou pela rede híbidra de arquiteturas em estrela com malhas, fazendo com que a informação trafegasse de forma dinâmica.
O mecanismo utilizado era o seguinte, os “dados” se deslocariam na rede de forma dinâmica “buscando” o caminho que esteja menos sobrecarregado, onde os mesmos “esperam” caso todos os caminhos estejam sobrecarregados, sendo esta a tecnologia denominada de “Packet Switching”.
Foi em agosto de 1969 que a denominada ARPANET (Advance Research Projects Agency) entrou em actividade militar, com a finalidade de ligar quatro universidades para aumentar a comunicação entre a força dos EUA. A rede ARPANET foi a grande responsável pela internet que temos actualmente, pois a mesma contava com algumas características fundamentais que a rede de hoje também possui, como: protocolos básicos, comunicação entre as máquinas de forma descentralizada, e um ou mais “nós” na rede poderiam ser removidos sem danificar o seu funcionamento.
Foi no início da década de 70 que outras universidade e demais departamentos de defesa obtiveram permissão para se conectar à rede, isto é, a ARPANET. No entanto, para a surpresa de todos, no fim da década de 70 a ARPANET já tinha se expandido rapidamente, a qual forçou a troca de protocolo para o protocolo TCP/IP.
Foi somente na década de 80 que passou a ser utilizado o termo internet e que se tornou um meio de comunicação, sendo que visando facilitar a vida dos usuários da rede e pesquisadores para o compartilhamento de pesquisas, logo foi desenvolvida a World Wide Web, que à principio não contava com muitas imagens, mas sim com muitos textos.
Em 1992 foi criado o primeiro navegador de internet, o Mosaic, que dispunha de interface mais amigável e disponibilizava navegação por links e de imagens. E assim a internet foi se desenvolvendo e se aprimorando, e o resultado é este sucesso mundial com presença de empresas e milhares de usuários activos diariamente.
TIPOS DE REDES DE INTERNET
No contexto da informática, uma rede consiste em diversos processadores que estão interligados e compartilham recursos entre si. Antes, essas redes existiam principalmente dentro de escritórios (rede local), mas com o passar do tempo a necessidade de trocar informações entre esses módulos de processamento aumentou, dando vez a diversos outros tipos de rede. Entenda o que significam alguns dos principais tipos de redes de computadores.
LAN – Rede Local
As chamadas Local Area Networks, ou Redes Locais, interligam computadores presentes dentro de um mesmo espaço físico. Isso pode acontecer dentro de uma empresa, de uma escola ou dentro da sua própria casa, sendo possível a troca de informações e recursos entre os dispositivos participantes.


MAN – Rede Metropolitana
Imaginemos, por exemplo, que uma empresa possui dois escritórios em uma mesma cidade e deseja que os computadores permaneçam interligados. Para isso existe a Metropolitan Area Network, ou Rede Metropolitana, que conecta diversas Redes Locais dentro de algumas dezenas de quilómetros. 
WAN – Rede de Longa Distância
A Wide Area Network, ou Rede de Longa Distância, vai um pouco além da MAN e consegue abranger uma área maior, como um país ou até mesmo um continente. 
WLAN – Rede Local Sem Fio
Para quem quer acabar com os cabos, a WLAN, ou Rede Local Sem Fio, pode ser uma opção. Esse tipo de rede conecta-se à internet e é bastante usado tanto em ambientes residenciais quanto em empresas e em lugares públicos. 
WMAN – Rede Metropolitana Sem Fio
Esta é a versão sem fio da MAN, com um alcance de dezenas de quilómetros, sendo possível conectar redes de escritórios de uma mesma empresa ou de campus de universidades. 
WWAN – Rede de Longa Distância Sem Fio
Com um alcance ainda maior, a WWAN, ou Rede de Longa Distância Sem Fio, alcança diversas partes do mundo. Justamente por isso, a WWAN está mais sujeita a ruídos. 
SAN – Rede de Área de Armazenamento
As SANs, ou Redes de Área de Armazenamento, são utilizadas para fazer a comunicação de um servidor e outros computadores, ficando restritas a isso.
PAN – Rede de Área Pessoal
As redes do tipo PAN, ou Redes de Área Pessoal, são usadas para que dispositivos se comuniquem dentro de uma distância bastante limitada. Um exemplo disso são as redes Bluetooth e UWB.
EFEITOS DO USO DA INTERNET
O modo como lidamos com a informação na Internet e com a possibilidade de acesso rápido a diversos conteúdos influencia o modo do homem pensar. Mais do que isso, muda o nosso funcionamento biológico padrão. Seguindo o curso natural da evolução, nossos cérebros estão nos preparando para funcionarmos como ciborgues.
Não é papo de ficção científica: as mudanças que a tecnologia causa no funcionamento da mente e do corpo humano são estudadas a sério por pesquisadores de áreas como antropologia e psiquiatria. Alguns acham que a Internet nos faz pensar mais rápido e de modo não-linear; outros, mais pessimistas, dizem que a tecnologia está nos tornando viciados em estímulos e incapazes de processar grandes blocos de informação, e recomendam mais calma.
CONSEQUÊNCIAS
A Internet veio para revolucionar a forma de pensar da nossa sociedade. Porém, à medida que essa necessidade pelo uso da internet se torna algo incontrolável, acabamos por nos tornar cada vez mais dependentes dela, e ficamos alienados com a mesma. Essa alienação provocada pela Internet, é talvez o principal malefício.
Como é do nosso conhecimento, são os jovens os principais usuários da internet. Estes são os grandes responsáveis pela ampla globalização e utilização desse meio de comunicação na sociedade. Eles acarretam diversos problemas e consequências que a mesma nos traz para a nossa vida pessoal e social.
Crimes, vícios, alienação: a internet é traiçoeira nas nossas vidas. É preciso que saibamos utilizá-la, na hora exacta e de maneira exacta, pois podemos acabar por ficar dependentes desta tanto quanto um alcoólico depende do álcool ou até mesmo um drogado que não vive sem as drogas. O problema é grave. É preciso que tenhamos consciência dos males que a internet nos causa, em todos os sentidos possíveis, e possamos utilizá-la como algo essencial, mas nunca indispensável para a nossa vida.
VANTAGENS E DESVANTAGENS

Vantagens

Cultura do conhecimento

Poderíamos chamar simplesmente de democratização da educação. A educação é milenar, mas nunca foi muito democrática. A razão para isso, entre outras, poderia estar na dificuldade da comunicação do conhecimento.
A internet resolve isso. Está claro que vivemos a cultura do conhecimento. Governos e educadores precisam urgentemente tirar proveito da internet para construir um modelo educacional mais amplo.

Conveniência

Uma das grandes vantagens da internet é a conveniência. É rápido, fácil e está ali a poucos cliques. Posso em poucos minutos ir ao banco, fazer uma compra, pagar uma conta, emitir um documento, conversar com várias pessoas, pesquisar aquela receita, entre outras coisas. As pessoas compartilham nas redes sociais aquilo que gostam, interagem com outras pessoas e cria um ambiente, ainda que virtual, de convivência saudável com uma quantidade de pessoas muito grande.

Inclusão social

Acesso ao conhecimento, conveniência na obtenção de serviços, pesquisas, entre outras. Pela natureza gratuita da maioria dos conteúdos, a internet proporciona uma inclusão social e digital sem precedentes. Esta inclusão também coloca pessoas em contacto com outras e de uma forma muito intuitiva as pessoas acabam aprendendo coisas novas o tempo todo.

Eliminação de fronteiras

Posso ir ao Louvre em Paris, pesquisar uma informação na Agência de Inteligência Americana, dar uma olhadinha nas ruas de Tóquio pelo Google Street View, ver os vídeos produzidos em Jerusalém, entre outros. Nunca tivemos esta liberdade e facilidade de locomoção pelo globo, embora virtual.
Geração de oportunidades
Antigamente as grandes corporações, governos e os sistemas controlavam a comunicação, os negócios e boa parte da cultura. Mas a internet deu voz as pessoas e com uma conta em uma rede social, um blog ou um canal do Youtube, muitas pessoas desconhecidas estão fazendo valer suas ideias, realizando negócios, promovendo cultura e conhecimento e gerando renda para muitas pessoas. Ganhar dinheiro com a internet é uma das grandes oportunidades que pessoas comuns tem. Este blog é um belo exemplo.

Desvantagens

Privacidade

Mas nem tudo é vantagem na internet. Há um lado ruim que também precisa ser considerado. A privacidade é uma delas. Na internet muitas pessoas ficam expostas e com isto acabam sendo vítimas de golpes, roubos entre outros crimes. Muitos reclamam de falta de privacidade nas redes sociais, entre outros. São novos tempos e novas posturas precisam ser tomadas.
Cuidado ao expor na internet: fotos, vídeos e informações pessoais como endereços, números de telefones, entre outros. Isto inclui as redes sociais.

Anonimato e a ilegalidade

Muitos se escondem atrás de um suposto anonimato para cometer crimes e fraldes dos mais diversos tipos. Há muita ilegalidade, pequenas fraudes são cometidas a todo momento e acções como essas mostram um lado ruim da internet. Já vimos casos em que grandes sites foram alvos da justiça e até um bloqueio do serviço de mensagens Whatsapp em 2016. Tudo isso mostra que pessoas usam a internet para praticar crimes, proferir ofensas e outras actividades ilegais, usando a ideia do anonimato.

Abordagem superficial

Outra desvantagem da internet é a abordagem muitas vezes superficiais dos assuntos apresentados. Isto não chega a ser um problema tão sério como os mostrados anteriormente, mas sempre deixa um buraco. É diferente a abordagem encontrada na web com a abordagem de um livro por exemplo. Este último tem começo, meio e fim. Na internet as vezes as coisas ficam no ar.
Perda do foco
Outro aspecto que precisa ser considerado é que a internet é também uma forma de entretenimento ao mesmo tempo em que ela é uma ferramenta de trabalho ou de estudos, por exemplo. Desta forma é muito fácil perder o foco do trabalho ou dos estudos com as inúmeras atracções que estão a um clique de distância. Manter o foco enquanto se usa a internet tem sido um grande desafio para muitas pessoas e infelizmente muitos não conseguem se concentrar naquilo que deveria.

Custos e dificuldades de acesso

Para finalizar, a maior desvantagem da internet pode ser mesmo a dificuldade que muitos têm para conseguir acessá-la. Ainda é muito caro e a qualidade deixa muito a desejar. Em algumas regiões é difícil conseguir conexão de banda larga e quando conseguem são caras e as vezes ruim.
FORMAS DE CONEXÃO À INTERNET
Basicamente existem três formas de acesso à internet:
Acesso discado: Acesso através da linha telefónica convencional (também chamado de acesso via Dial-Up), produzindo uma velocidade de acesso muito baixa e um custo elevado.
Acesso banda larga (ADSL): Acesso através de modernos equipamentos (modens) utilizando o cabo do telefone e não a linha em si, isto proporciona uma velocidade de acesso muito boa e um custo baixo.
Acesso por Rede Privada ou Corporativa: Acesso realizado através de uma rede já existente (intranet).



CONCLUSÃO
Com base no que foi referenciado acima, vimos que a internet é a invenção tecnológica mais avançada e que mais benefícios traz à nossa sociedade actual. É o veículo de comunicação mais rápido e que transforma o mundo numa aldeia global. É também na internet que o mundo actual dispõe de mais tempo gasto, quer no plano de trabalho quer nas actividades de lazer.
É na Internet que localizamos qualquer parte do globo à distância dum “click”, ou uma foto, uma música, um filme, ou qualquer coisa que a nossa imaginação possa criar e ou pensar. Com ajuda da internet conseguimos também saber o que se passa no mundo em tempo real e comunicar da mesma forma, num curto espaço de tempo. Na internet há muita informação de todas as partes do mundo, disponível a partir de casa, ou de um local público, onde possamos aceder à Internet.
A Internet pode ser comparada a um centro cultural, no qual há espaço para todo o tipo de coisas: lazer, cultura, trabalho, educação, informação, política, humor, etc. Como não podia deixar de ser, este monstro tecnológico, não nos traz só benefícios, é também um veículo de uma série de malefícios, que nos podem causar transtorno nas mais diversificadas maneiras.




REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

_______________ Noções básicas de internet. Disponível em: https://primat2009.files.wordpress.com/2010/02/nocoes-basicas-de-internet.pdf. Acesso aos 26 de Junho de 2017





sexta-feira, 7 de julho de 2017

IMPORTÂNCIA DA INFORMÁTICA NA GESTÃO BANCÁRIA E SEGUROS

INTRODUÇÃO
Em teoria, se poderia dizer que o processo de bancário e seguros, pode ser configurado pela assimetria da informação, que supõe a gestão da informação como condição para um acordo contratual economicamente eficaz. Ciente desta condição, as organizações bancárias administram a informação através de sistemas que objectivam facilitar a decisão dos gestores no processo de negociação para concessão de crédito. Deficiências na gestão da informação podem influenciar negativamente esse processo, contribuindo para a ineficiência económica dos recursos disponibilizados.
O presente estudo objectiva analisar a qualidade da gestão da informação, identificando o grau de deficiência nos sistemas de informação, pela perspectiva dos gerentes de negócio que actuam como negociadores de uma organização bancária e seguros. Estudos como este podem contribuir para o aprimoramento dos sistemas de informação no segmento bancário e seguros, favorecendo a eficiência económica dos recursos disponibilizados à sociedade em que actua e colaborar com novos estudos sobre o tema. 



IMPORTÂNCIA DA INFORMÁTICA NA GESTÃO BANCÁRIA E SEGUROS
Gestão da informação no contexto bancário
Considerando o contexto organizacional, o valor da informação é reconhecido por quem a demanda e, com ela, obtém ganhos. Porém, a problemática não se encontra localizada na informação em si, mas em sua utilidade, que é estabelecida por seu significado, obtido através das relações entre as diferentes informações. Neste processo, a gestão da informação é fundamental para sua valorização e identificação de sentido.
As organizações bancárias podem tirar proveito desse aspecto, utilizando bons sistemas de informação que possibilitam a gestão de riscos nas negociações para concessão de crédito, por exemplo. Uma gestão da informação eficaz estabelece a ordem e configura o sentido na tomada de decisão no processo de negociação.
Os sistemas de informação caracterizam-se como um conjunto de elementos que interagem, formando um todo, orientado para determinados fins, em permanente relação de interdependência com o ambiente externo. Em outras palavras, são conjuntos de procedimentos que visam captar informações sobre o que acontece na organização e em suas relações, apresentando-as segundo uma dada ordem, definida por um modelo objectivo, muitas vezes em forma de relatórios (BIO, 1985).
A gestão da informação através de sistemas pode, também, caracterizar-se como um conjunto de componentes inter-relacionados que visam colectar, recuperar, processar, armazenar e distribuir informações com a finalidade de facilitar o planejamento, o controle, a coordenação, a análise e o processo decisório em empresas e outras organizações (LAUDON; LAUDON, 2004).
Historicamente, a gestão da informação acontecia através de métodos de análise e projectos de sistemas que enfocavam dados e processos. Dessa ênfase inicial em algoritmos, programas e processos, as metodologias de desenvolvimento migraram para uma abordagem centrada nos dados. Posteriormente, as preocupações dos analistas e dos usuários foram passando dos dados operacionais para as informações agregadas envolvidas no processo de tomada de decisão. Assim, a gestão da informação evoluiu para se tornar um apoio na tomada de decisão em situações de negociação.
Enquanto área de conhecimento, a gestão da informação é constituída por duas vertentes, a saber: (1) sistemas de processamento de transacções e (2) sistemas de suporte à decisão. Os sistemas de processamento de transacções, ou sistemas operacionais, têm como principal objectivo registrar operações e fatos relevantes das áreas de negócio. A ênfase nesses sistemas é a validação dos dados, visando à maior qualidade e depuração das bases de dados. Já os sistemas de suporte à decisão, denominados também sistemas de gestão da informação, são desenvolvidos para apoiar os gestores de negócio no processo decisório, disponibilizando informações para que a tomada de decisão seja eficiente. Estes sistemas podem ser identificados em quatro categorias (TORRES, 1995), apresentadas na sequência.
• Sistemas Transaccionais: também reconhecidos como sistemas operacionais, sua principal função é de registrar, actualizar e recuperar transacções, ou seja, informações sobre ocorrências de qualquer natureza que envolvam a operação da organização e a produção de relatórios analíticos e sintéticos.
• Sistemas de Informações Gerenciais: também conhecidos como sistemas de gestão da informação, destinam-se a alimentar processos de tomada de decisão inerentes ao processo de planejamento, ao controle, à formulação, ao acompanhamento de políticas e à interpretação de resultados que requeiram informações adequadas. Sistemas de Informações Gerenciais bem estruturados são aqueles que se preocupam essencialmente com a geração de informações para o processo gerencial, em geral, orientada para necessidades funcionais bem-estabelecidas, cuidando de funções como fornecer informações aos níveis gerenciais das organizações. Esta geração de informações pode ser considerada eficaz quando produzir informações realmente necessárias, em tempo hábil e confiável, atendendo aos requisitos operacionais e de tomada de decisões (BIO, 1985).
• Sistemas de Suporte a Decisões (SSD) ou Sistemas de Apoio a Decisões (SAD): são todos e quaisquer tipos de recursos computacionais que possam servir de instrumento de auxílio nos processos de tomada de decisões. Esta categoria de recursos inclui desde sistemas de análise e projecções estatísticas de séries de dados até complexos modelos simuladores da realidade estudada, passando por recursos mais simples, como as planilhas electrónicas, utilizadas para avaliar possibilidades diversas a respeito dessa realidade. Os sistemas SSD e SAD servem para tratar situações que envolvam processos decisórios não completamente estruturados, dos quais se conhece apenas parte das relações de causa e efeito, que são utilizados como base complementar para o tomador de decisões.
• Sistemas de Suporte a Executivos (ESS - Executive Support Systems): referem-se aos recursos destinados aos executivos, que propiciam acesso às bases de informação de forma livre e flexível, com ferramentas poderosas capazes de produzir relatórios, consultas, gráficos e imagens, com base na estrutura de informações transaccionais, utilizando comandos simples. Assim, num ambiente desse tipo, um executivo pode, por meio de um microcomputador com recursos gráficos, operar de forma interactiva com a base de dados, obtendo informações consolidadas ou analíticas para o período desejado e na forma desejada, sem que para isso necessite de suporte dos técnicos em processamento de dados.
Na esteira dos referidos sistemas emergem os Sistemas de Mineração de Dados. Em algumas situações, a quantidade de informações disponíveis pode ser muito grande, o que dificulta a acção de análise; em outras, a capacidade de análise pode não ser suficiente para distinguir quais são as informações, ou suas combinações, que realmente são importantes.
Para Singh (2001), a capacidade de colectar e armazenar ultrapassou nosso limite no que se refere à possibilidade de analisar, resumir e extrair conhecimento dos dados disponíveis em determinados sistemas. Nessa linha, o autor sugere que as empresas estejam preparadas para lidar com a avalanche de informações em que se baseiam para tomar decisões estratégicas nos negócios. Esta constatação vem provocando crescente interesse em Sistemas de Mineração de Dados, que realizam um processo de extracção de informações significativas de bancos de dados extensos, para análise.
Na busca por padrões de comportamento, que podem estar implícitos nos dados armazenados, eles permitem extrair informações que até então seriam desconhecidas, mas que oferecem importantes interpretações da realidade, facilitando a tomada de decisões.
Os Sistemas de Mineração de Dados dependem da construção de um banco de dados (depósito de dados) que são extraídos de um ou de vários sistemas operacionais, e que foram seleccionados e depurados para o processamento de consultas. Com base nos dados contidos nesse banco de dados são realizadas simulações que procuram informações importantes, com a interacção de um analista que conhece bem os sistemas de origem das informações, podendo ser úteis na construção do conhecimento, um objectivo tão procurado por todas as organizações.
As diversas classificações dos sistemas informatizados caracterizam-se basicamente em sistemas operacionais. Estes utilizam bancos de dados para registrar operações realizadas e sistemas de gestão da informação que procuram utilizar todas as informações disponíveis nas organizações para produzir relatórios, ou seja, mais informações que auxiliem na interpretação da realidade e no processo decisório. Com base nos sistemas operacionais, podem ser utilizados os Sistemas de Mineração de Dados, que podem ser considerados uma evolução dos sistemas de gestão da informação, os quais permitem que informações armazenadas auxiliem melhor os gestores na tomada de decisões.
Os sistemas, seja o operacional ou o de gestão da informação, possuem dados como componente básico. Segundo Setzer (1999), os dados podem ser definidos como a matéria-prima a ser utilizada na produção de informações. São sinais que não foram processados, correlacionados, integrados, avaliados ou interpretados de qualquer forma, e constituem uma abstracção formal a ser representada e transformada por um sistema. Ou, ainda, definidos como uma sequência de signos quantificados ou quantificáveis. Representam fatos, textos, gráficos, imagens estáticas e sons, entre outros, e são colectados com o uso de procedimentos técnicos. Para Davenport (1998), os dados são elementos brutos, sem significado, desvinculados da realidade. Porém, esses dados - signos - sistematizados adquirem sentido e possibilitam a configuração da informação.
Neste sentido, os dados são a 'matéria-prima' da informação, que carecem de sentido para a tomada de decisão. A informação é uma abstracção informal de um dado, ou conjunto de dados, que lhe(s) dá, dependendo da interpretação de quem a utiliza, um significado (SETZER, 1999). O que é armazenado não é a informação, mas sua expressão em forma de dados.
Para sua utilização, os dados passam por algum tipo de processamento que os transforma em informação para que possam ser usados. Este processo de transformação envolve a aplicação de procedimentos como: formatação, tradução, fusão e impressão, entre outros. A maior parte deste processo pode realizada pelo sistema de informática. O sistema não processa informações, apenas dados.
A gestão da informação, através de sistema, tem como principal característica o fornecimento de informações, oriundas da transformação dos dados que armazena e organiza. Com informações, surge a possibilidade de configuração de texto, que dá sentido à formulação de hipóteses, permitindo uma pesquisa que a aceite ou não, o que levaria o gestor a uma tomada de decisão, como conceder ou não o crédito, por exemplo. A informação é um instrumento vital no processo decisório. Sua qualidade terá influência directa na eficácia das decisões tomadas. É um conjunto de dados significativos e úteis aos seres humanos em processos como o de tomada de decisões (LAUDON; LAUDON, 2004).
Se fossem representados por hierarquia, na base se encontrariam os dados, nível mais básico, no extremo superior se encontraria o conhecimento, enquanto no meio estaria a informação. Com a base de dados constituída, eles são transformados em informações que, analisadas e avaliadas, cumprindo os critérios de confiabilidade, relevância e importância, resultariam em conhecimento (DAVENPORT, 1998). O conhecimento é um conjunto de ferramentas conceituais e categorias usadas pelos seres humanos para criar, coleccionar, armazenar e compartilhar a informação (LANDON; LANDON, op. cit.). Este é, segundo Setzer (1999), obtido em um processo de transformação realizado por meio de avaliação de dados e informações, onde os insumos provenientes das diversas fontes são analisados e combinados, na síntese de um produto final, o conhecimento.
É com conhecimento que os tomadores de decisões podem actuar de forma mais eficiente na situação-problema. O conhecimento é entendido como uma abstracção pessoal sobre algo que foi experimentado, vivenciado. Sendo assim, pode-se pensar que, embora a geração de conhecimento não dependa de sistemas informatizados, bons sistemas de gestão da informação podem permitir, além de uma eficiente tomada de decisões, sua construção.
Setzer (1999, s.p.) considera que "dados são puramente sintácticos, enquanto informação contém, necessariamente, semântica, e o conhecimento é uma abstracção interior relacionada a alguma coisa existente no mundo real e do qual temos uma experiência directa". O conhecimento não é estático; ele se modifica mediante a interacção com o ambiente, sendo construído num processo reconhecido como aprendizado. As informações estruturadas como sistema estabelecem sentido e conhecimento potencial, utilizável na tomada de decisões frente às questões-problema no processo de negociação. É o tema que se abordará no próximo ponto.
ASSIMETRIA DE INFORMAÇÃO
Como destacado anteriormente, a informação é uma variável importante no processo de negociação, tanto em termos de extensão como em sua qualidade/relevância. Deste modo, a assimetria da informação levará a possíveis consequências observadas por Akerlof (1970), que fez um estudo sobre o mercado de automóveis usados. Este estudo reconhece a existência da assimetria das informações e suas possíveis consequências. Em uma negociação, cada parte pode possuir níveis diferentes de informação, o que as afectará de forma positiva ou negativa, permitindo ganhos maiores para alguns e menores para outros.
Nesta perspectiva, Stiglitz (2000) argumenta em uma análise do mercado financeiro que o problema económico fundamental é a informação. Este problema advém da falta de informação entre as partes envolvidas ou, mesmo, de não possuírem informação completa sobre todos os factores contidos no negócio a ser realizado. Sobre as consequências da existência de assimetria da informação, pode-se destacar o problema de selecção adversa e o risco moral.
Akerlof (1970) apresenta o conceito de selecção adversa, destacando que ela surge antes do acordo estabelecido no processo de negociação, com a assimetria da informação. Quando uma das partes envolvidas possui informações sobre o que estão a negociar que a outra parte não possui, emerge a possibilidade de selecção adversa. Em seu estudo, Akerlof parte do princípio de que os compradores de automóveis usados não sabem se os produtos à venda são bons ou ruins, por isso eles se dispõem a pagar um valor que se situa na média de mercado. Enquanto isso, os vendedores, que geralmente conhecem bem mais os produtos que estão vendendo, tendem a cobrar um valor mais alto por produtos que consideram ter mais qualidade do que os outros. Nesse caso, a selecção adversa pode ocorrer à medida que o comprador, tendo a opção de comprar ou não, decide com base nas limitadas informações que possui. Em outras palavras, o comprador se disporia a pagar o valor médio dos automóveis, à medida que ignora os atributos que valorizam o automóvel, atributos esses que ele não valoriza, uma vez que somente o vendedor os conhece (MACAGNAN, 2007a).
Relacionando o problema de selecção adversa e mercado financeiro, Mishkin (2000) argumenta que nas transacções de concessão de crédito poderiam existir mais tomadores com risco de crédito elevado, pois estes seriam os mais propensos a buscar empréstimos. Como decorrência da assimetria da informação, a quantidade de crédito disponível tenderia a diminuir devido ao medo dos agentes bancários, sujeitos à selecção adversa por não conseguirem distinguir os bons dos maus pagadores. Em uma análise inversa, a oferta de crédito dos agentes bancários também poderia estar sujeita à selecção adversa dos tomadores de crédito devido à falta de informações sobre o crédito que disponibilizam. Os tomadores de crédito tenderiam a buscar o crédito apenas pelas informações disponíveis, procurando, por exemplo, por taxas de juros que estariam na média de mercado, sem levar em consideração os demais aspectos relacionados, como credibilidade da empresa financiadora, condições de pagamento e taxas de cadastro do cliente, entre outras.
O risco moral é outro problema que pode surgir devido à assimetria de informações. Se a selecção adversa é um problema que antecede a possibilidade de um acordo, o risco moral ocorre depois de assinado o contracto. Conforme Arrow (1963), o problema do risco moral refere-se ao fato de o contratante estar sujeito ao comportamento do contratado, sobre o qual não possui informações suficientes que possibilitem o controle total de seu comportamento. É um problema relacionado ao comportamento de uma das partes envolvidas, que não pode ser totalmente previsto e pode ocorrer após a efectivação do contracto.
No mercado financeiro, os agentes de crédito também estão sujeitos ao risco moral. Segundo Mishkin (op. cit.), em uma operação de concessão de crédito o risco moral também pode ocorrer, por exemplo, quando o tomador desvia o crédito concedido para outras actividades de alto risco, que oferecem maiores retornos ao investimento, mas podem comprometer o pagamento da dívida. Nesta situação, após a efectivação da concessão do crédito, quando o tomador de crédito possui certo grau de autonomia em suas acções, poderá se apresentar o problema do risco moral. Isso ocorre na medida em que os agentes de crédito se encontrem com dificuldades de prever e monitorar as acções do tomador.
A problemática da assimetria das informações, estudada por Jensen e Meckling (1976), destaca a relação entre o principal e o agente. Esta relação de agência ocorre quando uma ou mais pessoas, o principal, conferem a outra pessoa, o agente, a prerrogativa de prestar algum serviço para elas. Ocorre que, com as informações iniciais, nem sempre é possível saber se o agente actuará em benefício dos melhores interesses do principal. Este pode, por exemplo, adoptar um comportamento diferenciado do previsto, seja por incompetência, negligência ou, até mesmo, má-fé. Com a assimetria da informação, não há possibilidade de previsibilidade sobre o comportamento do agente, impedindo o principal de dirigir com sucesso sua conduta, por dificuldades de monitoramento.
Como destaca Macagnan (2007a), a assimetria das informações, a selecção adversa, o risco moral e o problema de agência estão interligados. O problema de agência está baseado em três fundamentos: assimetria das informações, conflito de interesses e disposição distinta para assumir o risco. No momento em que se estabelece o contracto é que o principal estaria exposto ao problema de risco moral por parte do agente. Quanto maior a autonomia e a quantidade de informações que o agente possui, assim como o conhecimento especializado para actuar nas tarefas a que for designado, maiores são as possibilidades de surgir o risco moral. Jensen e Meckling (1976) destacam que o controle e a supervisão do comportamento do agente podem servir para minimizar os custos de agência, assim como estabelecer incentivos, como forma de garantir que o agente se comporte segundo os interesses do principal.
Sob outra perspectiva, a assimetria das informações poderia dar lugar à diferenciação do que está sendo negociado através da sinalização de informações. Spence (1973) introduz o conceito fazendo uma análise do mercado de empregos, oportunidade em que o empregador tem dificuldades na selecção de candidatos para o preenchimento das vagas disponíveis. Neste caso, o empregador se valeria da informação indicativa do nível educacional, representativo de qualidades que geram maior produtividade, como sinal para se diferenciar dos demais candidatos. Esta sinalização torna mais efectiva e confiável a relação entre o candidato e o empregador, fazendo com que ele se sinta mais seguro sobre sua decisão de contratação. A sinalização poderia, assim, contribuir para a diminuição dos problemas ocasionados pela assimetria das informações. Com esta mesma lógica encontram-se os bancos, que identificam informações para decidir sobre a concessão de crédito que sinalizem a capacidade de pagamento do cliente, por exemplo.
Spence (1973) enfatiza a diferença entre informar e sinalizar. Informar estaria na ordem da apresentação de um dado. Como exemplo, no caso do mercado de empregos, o sexo do candidato, enquanto que o grau de instrução pode ser considerado um sinal importante. A sinalização deve indicar uma diferença relevante nas opções disponíveis. Esta diferenciação ocorre quando o agente detém uma característica ou qualidade diferenciada e consegue transmiti-la com credibilidade. No mercado financeiro, o tomador de crédito que sinalizar de forma eficiente poderá obter vantagens adicionais no processo de negociação. Um histórico que informe a capacidade de pagamento ou a rentabilidade efectiva do negócio, por exemplo, é sinalizador que poderá diferenciar e favorecer a concessão para obtenção de melhores condições de crédito por parte dos bancos.
Já para os bancos, a sinalização pode ser utilizada para transmitir informações que diferenciam seu produto dos concorrentes. Na concessão de crédito, além das taxas de juros praticadas, pode ser interessante, por exemplo, transmitir sinais sobre benefícios adicionados, como facilidade de acesso e credibilidade dos produtos e serviços que a instituição disponibiliza. Nesta perspectiva, a sinalização reduziria a assimetria da informação, favorecendo o comportamento das partes envolvidas, para um eficiente acordo estabelecido no processo de negociação.



CONCLUSÃO
Na Gestão Bancária e Seguros não poderia ser diferente, toda empresa necessita ser informatizada para se manter no mercado de trabalho e acompanhar as tecnologias, o computador veio para inovar e facilitar a vida das empresas.
Actualmente nenhuma empresa pode ficar sem o auxílio da informática, é através dela, que tudo é resolvido. O mundo está informatizado, a informática talvez seja a área que mais influenciou o curso do século XX. Se hoje vivemos na Era da Informação, isto se deve ao avanço tecnológico na transmissão de dados e às novas facilidades de comunicação, ambos impensáveis sem a evolução dos computadores.
O fruto maior da informática em nossa sociedade é o de manter as pessoas devidamente informadas, através de uma melhor comunicação, possibilitando assim, que elas decidam pelos seus rumos e os de nossa civilização. Existe informática em quase tudo que fazemos e em quase todos os produtos que consumimos. É muito difícil pensar em mudanças, em transformações, inovações em uma empresa sem que em alguma parte do processo a informática não esteja envolvida.




BIBLIOGRAFIA

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A HISTORIOGRAFIA LIBÉRICA E ROMÂNICO

INTRODUÇÃO

A Historiografia do século XIX, é diferenciada por quatro (4) correntes ou tendências historiográficas distintas como o Romantismo ou corrente Romântica na primeira metade; Positivismo ou corrente Positivista; Historicismo ou corrente Historicista e o Marxismo ou Materialismo histórico na segunda metade. Esta historiografia mergulha as suas raízes nas transformações económicas, sociais e políticas ocorridas entre 1789 e 1848.
Neste período, decorre o processo final da destituição do sistema feudal e a estruturação do poder burguês que tem como termo a passagem do absolutismo ao liberalismo. Portanto, o liberalismo no campo político vai defender a igualdade e liberdade aos direitos do Homem perante a lei, a soberania do povo e a divisão dos poderes opondo-se ao absolutismo. No plano económico, o liberalismo vai defender a liberdade da iniciativa económica, livre circulação da riqueza e o valor do trabalho humano.
Com base nesta explanação, neste trabalho poderemos falar sobre a historiografia libérica e românico, que sobre a qual consta os detalhes da era já vivenciada pelos seus autores.









A HISTORIOGRAFIA LIBÉRICA E ROMÂNICO

Conceito

A historiografia pode ser definida como o conjunto de obras concernentes a um assunto histórico, como por exemplo a produção histórica de uma época. Quando se diz historiografia moçambicana refere-se as obras escritas sobre a história de Angola, por autores nacionais ou estrangeiros.
A historiografia inclui tudo quanto foi escrito para proporcionar informações sobre o passado humano como testemunho. Integram esta literatura os relatos autobiográficos e memoristas desde que sejam referentes a aspectos da vida social mais amplos do que os estritamente pessoais. A história oral também ocupa um lugar, tanto quando este conceito designa as tradições históricas transmitidas oralmente, nos povos sem escrita, como quando se refere ao registo escrito ou por gravação de depoimentos orais de autores ou testemunhas de acontecimentos históricos.
No sentido mais amplo a história da historiografia não se reduz ao estudo das principais obras históricas de cada época ou civilização, compreende também trabalhos de metodologia, publicação de documentos, ensino de história e apreciação de obras literárias de teor histórico. A história da historiografia está também ligada a história das ideias, pois os historiadores estão sempre ligados às correntes de pensamento do seu tempo.

Historiografia judaica

A historiografia judaica baseia-se na Bíblia, velho Testamento. A Bíblia é uma grandiosa obra que pela natureza e variedade de géneros literários nela contidos constitui literatura nacional do povo judaico e portanto importante fonte de informação da história judaica e dos povos com quem os judeus estavam em contacto.

A importância da Bíblia na historiografia judaica

Escrita e conservada pelos sacerdotes, a Bíblia constituiu para os judeus um instrumento de unidade, que era posta em causa pelo contacto com outros povos, a que os judeus eram sujeitos por ser um povo nómada.
Existiam duas formas de poder entre os judeus: o poder espiritual, dos sacerdotes, e o poder temporal, dos reis, sempre em aliança ou em rivalidade ou em luta. O desentendimento entre estes dois poderes resultava do facto de os sacerdotes pretenderem a unidade do povo judaico, recusando, por isso o contacto com outros povos, enquanto os reis priorizavam o alargamento do território, integrando as populações vencidas o que significava a admissão no mesmo panteão nacional dos deuses dos vencidos.
A Bíblia funcionou portanto como instrumento dos objectivos da classe sacerdotal, conservando um carácter exclusivista de defesa da tradição judaica e de ataque a tudo o que lhe fosse estranho. Baseada na bíblia, a historiografia judaica teve como principal característica a incapacidade de aceder a uma concepção universalista do homem, ou seja a limitação do homem ao homem judeu. Assim, para os judeus, a história da humanidade passava a confundir-se com a história judaica contada na Bíblia. Os outros povos apenas eram referenciados na medida em que tivessem algum relacionamento com os judeus.
Como livro sagrado dos católicos, protestantes e cristãos ortodoxos, a Bíblia teve uma credibilidade quase universal e até ao século XIX constituiu a única fonte de história dos judeus e dos povos do médio oriente, com quem estiveram em contacto. Só no século XIX, com a decifração dos escritos egípcios e sumérios surgiu uma alternativa para as fontes da história judaica. A Bíblia passaria a ocupar um lugar secundário como fonte histórica.

A HISTORIOGRAFIA GRECO-ROMANA

Historiografia Grega: Os Primórdios da Cientificação da História

A história nasceu na Grécia” é frequente ouvir-se dizer. Bem para nós que falamos na aula anterior de História sem fazer referencia a Grécia pode parecer algo estranho. Mas existe uma explicação para esta aparente confusão.
Na Grécia também existiu a abordagem mítica e teocrática da evolução da humanidade como no oriente antigo. Dos vários mitos destacou-se o mito das cinco idades que considerava que a humanidade tinha passado por cinco etapas de evolução nomeadamente a idade do ouro da prata, do bronze, dos heróis e do ferro. Entre estas, a etapa do ouro era a melhor porque nela não havia preocupações, sofrimento, velhice, etc.
Entretanto, de acordo com o conceito de ciência não podemos ainda falar nesta altura de uma ciência histórica. A cientificação da história só terá início na Grécia Clássica. É o que nos leva a falar do surgimento da história na Grécia. Este logro dos gregos tem explicação no facto de a Grécia desse tempo ter conseguido avançar em muitas áreas de desenvolvimento social, a partir do século V a.n.e. Nesse século vivia-se na Grécia, uma sociedade democrática, fruto de cerca de três séculos de reformas, iniciadas por Dracon e que atingiram o seu pico no reinado de Péricles.
Na democracia ateniense o poder era exercido pela Bule, assembleia, que reunia quarenta vezes por ano e exprimia directamente, não através de deputados, a vontade nacional. Decidia sobre a guerra ou a paz, as finanças, votava leis e decretos, julgava certos crimes, etc. cada pessoa podia tomar a palavra, propor uma decisão ou emenda. Os magistrados não eram mais do que servidores do povo. A justiça estava igualmente nas mãos do povo. A origem nobre do indivíduo já não era condição para se ocupar de questões importantes da vida do país. O importante agora era a competência e a capacidade individual.
Portanto a Atenas do século V destaca-se dos restantes estados da época pois pode conceber e aplicar os princípios de igualdade perante a lei, da liberdade individual e da fraternidade, embora com algumas reservas, principalmente ligadas com o alcance das referidas reformas democráticas. Este contexto, de abertura da vida nacional a todos os cidadãos, levou a Grécia antiga a se destacar em vários domínios da vida incluindo o do pensamento. É assim que o pensamento grego da época revelava já uma maturidade que se reflectia no desenvolvimento de varias ciências entre as quais a história.
Na obra “História” Heródoto tentou para além de escrever sobre os gregos, falar dos bárbaros, reconstituir os factos e apresentar a razão deles. A ele também se deve uma abordagem universalista dos homens pois, como cidadão oriundo da nobreza, Heródoto teve facilidades de viajar e escrever sobre varias regiões (Egipto, Mesopotâmia, etc.) incutindo desse modo uma visão mais global do Homem e do universo. Era a passagem da historiografia gentílica a historiográfica ecuménica (universal).
Numa das passagens do livro de Heródoto “Historias” pode se ler: “Eis a exposição do inquérito empreendido por Heródoto de Thouriori para impedir que as acções cometidas pelos homens se apague da memória com o tempo e que grandes e admiráveis factos, levados a cabo tanto do lado dos gregos como do lado dos bárbaros, cessem de ser nomeados, finalmente e sobretudo, o que foi causa de entrarem em guerra uns contra os outros. Até aqui, falei segundo a minha observação, reflexão e informação; mas a partir de agoira passarei a referir a tradição egípcia, tal como a ouvi; acresce ainda um pouco do que vi. O meu dever é referir a tradição mas de modo algum sou obrigado a acreditar nela”.
A história de Heródoto é feita com base em testemunhos fidedignos, ou seja dignos de crédito. Assim, ele preferiu servir-se da tradição oral, mas sempre aquela prestada por protagonistas ou testemunhas dos acontecimentos, bem como o seu testemunho ocular.
No caminho de Heródoto esteve também Tucídides, cujo grande contributo para a História foi o início do questionamento das fontes, procurando apurar a sua veracidade e credibilidade. Foi o que ele fez na sua obra “História da Guerra do Peloponeso” que escreveu servindo-se do seu próprio testemunho de participante. Tucídides revelou-se superior a Heródoto na inteligência crítica, na arte e na solidez do saber. As ideias de Tucídides sobre a História estão bem expressas na seguinte afirmação contida no seu livro História da Guerra do Peloponeso: “Só falo como testemunha ocular, ou depois duma crítica das minhas informações, tão completa quanto possível. Outros historiadores deram corpo à história como foram os casos de Xenofonte, Plutarco, Eforo, etc.
Observando os trabalhos de Heródoto e Tucidides verificamos que os gregos começam a caminhar para a cientificação da história. A sua história tem um objecto de estudo, uma metodologia própria e um objectivo bem definido. Senão vejamos.
·         Estuda-se, o passado e o presente dos homens ou simplesmente o homem;
·         Alarga-se a noção de fonte histórica que para além da tradição oral passa a considerar testemunhos oculares;
·         Cria-se uma metodologia que integra a recolha de dados através da observação e da informação, a reflexão, análise crítica e a comparação das fontes e finalmente a síntese.
·         A sua finalidade é sobretudo a verdade histórica pelo que defende a objectividade e neutralidade de análise.
Portanto na Grécia clássica temos uma historia humanista (seu objecto de estudo é o homem), científica (inicia-se nesse caminho), auto reveladora (procura a projecção do presente no futuro, ensinar aos homens o seu passado e a relação entre o passado e o presente, para revelar o sentido da acção humana) e pragmática, porque tenta tirar do ocorrido uma lição aproveitável para o futuro.
Embora dando notáveis passos a nível da história os gregos revelaram ainda algumas insuficiências. Os historiadores gregos viram-se confrontados e até encurralados pela contradição entre o ideal de história universal baseada em fontes fidedignas e a incapacidade de falar de regiões relativamente afastadas pois o nível de desenvolvimento dos transportes não os permitia ir para longe e são praticamente inexistentes informações sobre essas regiões. Deste modo eles vem-se condenados a ter que fazer a história que negam, a história de alguns povos, de algumas regiões, a história regional e não a universal que defendem.
Por outro lado as fontes orais e os testemunhos oculares não permitiam abarcar períodos de tempo relativamente longos mantendo a fidelidade numa história que busca de facto a verdade, pelo que ficam também a este nível limitados.

A HISTORIOGRAFIA ROMANA

A constituição do império romano incluiu entre outros processos a conquista de vários estados na Europa, Ásia e norte de África. Ora, este facto sugere uma miscelânea de povos, costumes, formas de vida, etc. num só estado que é o império romano. Desta situação resulta em Roma um desenvolvimento social, do qual se inclui o âmbito do pensamento, bastante influenciado pelas outras civilizações.
Temos assim que a nível da história os romanos recorrem, a princípio, à língua e aos moldes de outros povos, em particular os gregos que, como dissemos atrás tinham avançado bastante neste campo. Os romanos não copiaram mecanicamente dos gregos, procuraram dar forma própria, moldaram os ensinamentos gregos atribuindo-lhes forma própria. Deste processo resultou a produção de uma história tipicamente romana, assente na íntima relação com o passado.
Outro elemento historiográfico exclusivamente romano é o carácter político ou seja a prática da historiografia feita pelos homens políticos, em estreita relação com a política prática que conduz a historiografia política, orientada para fins políticos e não encarada como conhecimento. Portanto a história é em geral, para os romanos, uma exaltação da cidade e do império, adquirindo um carácter nacional e patriótico. É uma história apologética e pragmática. O predomínio, entre as produções historiográficas da Roma antiga, dos anais (anotações dos principais acontecimentos políticos) demonstra bem o seu carácter nacional.

Os Principais Historiadores Romanos

Políbio – é um historiador de origem grega que viveu, como prisioneiro, em Roma e lá produziu quase toda a sua obra histórica e, naturalmente, sobre o império romano. Foi o responsável pela transmissão das tendências racionalistas da historiografia grega a Roma, sendo por isso contrário a história “oficial” defendida por muitos historiadores romanos com destaque para Tito Lívio que por vezes recorria a mitologia para sustentar as suas ideias.
Polibio aplicou à história o modelo de ciclo, conduzindo à concepção segundo a qual a história é o conhecimento do geral, daquilo que se repete, que obedece a leis e por isso susceptível de previsão.
Tito Lívio – diferentemente de Polibio, esteve mais virado para o passado, tido, pelos romanos, como fonte de virtudes nacionais. Foi um intelectual ao serviço da política imperial, cuja preocupação maior foi elevar bem alto o rei e o império romanos não hesitando quando a defesa passasse pela deturpação da verdade, ou impusesse o recurso à mitologia.
Tácito – Politico e homem das letras, foi autor de uma importante obra histórica com o senão de ter misturado, por vezes, indevidamente a história com o género literário. O seu maior defeito terá sido fazer uma comparação unilateral dos romanos com os bárbaros, os bretões e os germanos revelando-se percursor da teoria do “bom selvagem”, ao apresentar uns como os de costumes mais puros e outros mais corruptos.



CONCLUSÃO

Pese embora esta Historiografia tem a França como cenário principal ou palco, estas transformações repercutem amplamente através duma Europa marcada pelos mesmos problemas e envolvida por idênticos fluxos e refluxos do movimento liberal. Há que ter em conta que a identidade dos problemas europeus não se afirma apenas ao nível da evolução social e política, mas também estava-se já em plena Revolução Industrial gerada pela máquina a vapor.
Do ponto de vista político, pôs-se termo o absolutismo, passando a França a ser governada por uma monarquia constitucional, legitimada pela soberania popular. O poder legislativo fora confiado a uma assembleia legislativa constituída por deputados eleitos e o poder judicial fora confiado a Juízes igualmente eleitos, pondo-se em prática a teoria e ideologia de Montesquieu, a da separação de poderes. Socialmente foi assegurada a igualdade dos cidadãos perante a lei, a igualdade religiosa e a liberdade de culto.
Todavia, com excepção da abolição dos direitos feudais que beneficiou particularmente os camponeses pobres, as outras conquistas da revolução nunca lhes beneficiou tendo continuado na miséria e a passar de fome.






BIBLIOGRAFIA

História da 10ª, 11ª, 12ª Classe: Historiografia do século XIX. Moçambique.





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