quinta-feira, 23 de março de 2017

Gestão - A Liderança [Trabalhos Feitos Navegante]

Gestão - A Liderança

INTRODUÇÃO


Devido à sua importância, a liderança assumiu um papel preponderante nos tempos modernos.

O papel central que assume numa organização, se mal adequado, pode condicionar o bom funcionamento dessa mesma organização, influenciando a eficiência e a eficácia dos grupos de indivíduos e as próprias organizações, onde podemos encontrar, hospitais, escolas, forças de segurança e empresas.

Pode-se encontrar inúmeras definições do que é a liderança, e em quase todas é condição que a liderança é um fenómeno de grupo em que existe um sistema de influências entre ambas as partes.

Também a situação dos líderes é inicialmente abordada como capacidades inatas do próprio líder que marcavam a sua actividade como tal, evoluindo para aquilo que actualmente encara a liderança como um processo dinâmico, que é adaptável às novas situações e essas mesmas situações influenciam comportamentos.

Pode-se afirmar que a liderança assume um papel de extrema importância no desenvolvimento de uma organização, principalmente naquele que será o factor mais importante, o alcançar dos objectivos definidos pela organização.



DEFINIÇÃO DE LIDERANÇA

O termo de liderança pode ser definido como um processo de influenciar os outros de modo a conseguir que eles façam o que o líder quer que seja feito. Por outras palavras é a actividade de exercer a direcção de uma equipa, implementando os planos, motivando as pessoas.

O exercício de Liderança deve:

1.         Mostrar o exemplo
2.         Motivar a equipa
3.         Premiar o mérito
4.         Considerar a penalização de falhas

De acordo com Jesuíno (1987), tal como em muitos outros países também em Portugal, a liderança tem com antecedentes a arte de comando, captável através do auxílio de elementos biográficos de personagens consideradas líderes. De grande tradição na literatura de natureza política e militar, a liderança é algo que se centra na pessoa do líder mestre na arte de liderar cuja biografia serve de inspiração e fornece sugestões em termos de cultivar a arte.

Embora as concepções sejam muitas e contraditórias, o que provoca algum incómodo a quem estuda o fenómeno, alguns autores (Cunha, 2011), acreditam que o estudo e reflexão de todas as vertentes são uma mais-valia na compreensão do tema liderança.

A HISTÓRIA DA LIDERANÇA

A história da liderança é antiga. Nasceu na região da Mesopotâmia. Foi a região onde provavelmente começou a História, por volta de 4.000 a.C, era uma rica região da Ásia Menor, localizada nas planícies férteis banhadas pelos rios Tigre e Eufrates, os quais lançam suas águas no golfo Pérsico (SANTANA, 2008).

A Mesopotâmia corresponde em grande parte ao atual território da República do Iraque. Começara ali os vestígios da liderança, a necessidade de se viver em conjunto, em sociedade, surgiu lideres para que este projecto fosse seguido. O conceito de liderança ressalta de forma surpreendente, a capacidade de alguns indivíduos comoverem, inspirarem e mobilizarem massas populares, de forma a caminharem juntos na busca do mesmo objectivo. Independentemente de seus objetivos, os grandes líderes deixam sua marca pessoal nos anais da História ( MAURIZ,2008).

De entre os feitos desta civilização destacam-se a invenção da escrita cuneiforme (a mais antiga forma registada para representar sons da língua, em vez dos próprios objetos). A linha histórica da humanidade demonstra que as transformações a as evoluções acontecem desde que o homem desenvolveu os conhecimentos e habilidades necessárias para trabalhar o meio físico, simplificá-lo e transformá-lo segundo suas carências. Por ser criativo, ele inventou as roupas, os abrigos, os instrumentos, as ferramentas, a linguagem e outros dispositivos que, somados a estes, aceleraram os processos de mudança, desencadearam o progresso e o surgimento das organizações. Na maior parte do curso da História, a liderança foi exercida pela autoridade de direito divino. O dever dos seguidores era submeter-se e obedecer. A grande revolução dos tempos modernos foi à revolução da igualdade. A idéia de que todos os indivíduos podem ser iguais perante a lei solapou as velhas estruturas de autoridade, hierarquia e respeito. (SANTANA, 2008).

Tudo isto nos leva a crer que a mudança é um fenómeno que vem acompanhando o homem desde os seus primórdios. Por isso, as mudanças já não nos surpreendem, o que nos causa espanto são a velocidade e a profundidade com que elas acontecem, e em sintonia com as mudanças, esta o líder capaz de se adequar as mudanças e preparar seu grupo para um novo estágio.

Platão em "A República", ao narrar o duelo verbal entre Sócrates e Trasímaco, cerca de 250 anos antes de Cristo, afirma:

(...) “nenhum chefe, em qualquer lugar de comando, na medida em que é chefe, examina ou prescreve o que é vantajoso a ele mesmo, mas o que o é para seu subordinado, para o qual exerce a sua profissão, e é tendo esse homem em atenção, e o que lhe é vantajoso e conveniente, que diz o que diz e faz tudo quanto faz” (MAURIZ, 2008) [grifos do autor]

Hitler só surgiu porque o povo alemão estava humilhado e esfomeado pelas condições de rendição impostas na Primeira Guerra Mundial. Ele não foi o primeiro a pensar que o povo alemão deveria se rebelar contra as condições do pós-guerra. Não sendo ele o primeiro a criar e a pensar numa dita superioridade da raça ariana. Hitler subiu ao poder como um líder que catalisou algumas idéias e se tornou um ditador pelo medo com o auxílio de sua polícia política, a Gestapo. Suas ações são recriminadas pela história( MAURIZ, 2008).

TEORIAS DE LIDERANÇA

• Teoria dos traços da personalidade (anos 20 – 40)

Segundo a teoria dos traços da personalidade a liderança é o resultado de uma determinada combinação de características pessoais, como a capacidade de relacionamento com os outros, inteligência, espírito de iniciativa, capacidade de expressão, empreendedores, capacidade física.

Esta teoria afirma que as conjugações dos traços da personalidade adaptam-se às situações que possam surgir de forma a conseguir atingir os objectivos.

• Teoria comportamentalista (anos 40 – 60)

A incapacidade da teoria dos traços de definir correctamente o fenómeno da liderança levou a que surgissem outras teorias neste caso baseadas no comportamento, em que determinados comportamentos distinguem os líderes e os não líderes.

Distingue-se duas categorias de comportamento, o comportamento orientado para as pessoas e o comportamento orientado para a tarefa, como existia a dificuldade de avaliar o melhor perfil para a liderança o objecto de avaliação deslocou-se dos traços da personalidade para aquilo que o líder executa.

Nesta abordagem foram efectuados diversos estudos, a Universidade de Ohio executou uma série de estudos sobre o comportamento de diversos líderes em várias organizações na tentativa de estudar o comportamento destes líderes em determinadas situações para que os liderados exerçam esforços na concretização dos objectivos propostos. A grelha de gestão de Blake e Mouton baseada numa matriz que avalia preocupação com as pessoas e preocupação com a produção.


Likert, desenvolveu os seus estudos sobre liderança, e propõe quatro tipos de liderança:

Ø  Autocrático-coercivo: o líder decide o que há a para fazer, quem, como e quando deve ser feito. O processo de decisão está totalmente centralizado na cúpula da hierarquia. Este tipo de liderança encontra-se em empresas industriais que utilizam mão-de-obra intensiva e tecnologia rudimentar, por exemplo, algumas empresas da construção civil.

Ø  Autocrático-benevolente: o líder toma decisões, mas os subordinados têm alguma liberdade e flexibilidade no desempenho da tarefa. O processo de decisão está ainda centralizado na cúpula, mas existe já alguma delegação de autoridade, principalmente para atividades mais simples. Será o exemplo de linhas de montagem.

Ø  Consultivo (laissez-faire): o líder consulta os subordinados antes de estabelecer objetivos e tomar decisões. Normalmente é utilizado em instituições financeiras, empresas de serviços.

Ø  Participativo: Existe um envolvimento total dos colaboradores na definição de objetivos e nas decisões. Likert recomenda este estilo, sendo o menos aplicado na realidade, podemos encontrar este estilo em empresas tecnologicamente evoluídas com pessoal altamente especializado.

•Abordagem contingencial (anos 60 -80)

Estas teorias partem do pressuposto de que o comportamento mais indicado para um líder depende das situações concretas em que o mesmo se encontra. A teoria da contingência da liderança de Fiedler, é uma das que tem mais aceitação, segundo Fiedler (1996) não existe nenhum estilo de liderança que possa ser considerado o mais eficaz em qualquer situação, seja ela qual for.

São três os fatores que determinam se uma dada situação é favorável ou desfavorável ao líder.

- A relação líder / subordinado, o grau de aceitação do líder pelos subordinados;
- A estrutura da tarefa, se os objetivos estão bem definidos ou não;
- A posição de poder do líder, determinada fundamentalmente pela autoridade formal e pelo grau da influência sobre as recompensas, punições.

Também a teoria situacional de Hersery e Blanchard (1963) tem grande aceitação, de forma muito resumida, esta baseia-se na ideia de que o estilo de liderança mais eficaz varia de acordo com a maturidade dos subordinados e com as características da situação.

A maturidade divide-se em maturidade no trabalho e maturidade psicológica. A teoria dos caminhos para os objetivos é o mais sofisticado e abrangente dos modelos contingenciais na sua essência alude a quatro comportamentos de liderança que podem influenciar a satisfação e desempenho dos subordinados.

TIPOS E ESTILOS

O aspecto da liderança está presente na humanidade desde os primórdios. Grandes líderes deixaram marcas positivas ou negativas no mundo e na história em vários momentos, através da atuação à frente de grandes impérios e nações da antiguidade, dirigindo grandes batalhas e guerras devastadoras ou, por outro lado, promovendo o desenvolvimento humano, a justiça, a paz e a esperança.

No mundo contemporâneo, não é diferente. Vimos, por exemplo, nos séculos mais recentes, pessoas comuns que se tornaram grandes ícones da humanidade pela intensidade e inteligência na arte de liderar grupos e multidões em torno de um objetivo. Adolf Hitler e o Nazismo, Nelson Mandela e o Apartheid, Papa João Paulo II, Princesa Diana, Ernesto Che Guevara e os brasileiros Getúlio Vargas e Luiz Inácio Lula da Silva são grandes exemplos de liderança impactante.

Mas, vamos analisar quatro estilos de liderança e três tipos de líderes, para que você possa realizar uma reflexão profunda de como tem atuado perante os seus liderados (ou mesmo se você pretende ser futuramente um grande líder, e talvez já esteja sendo um). Primeiro vamos analisar os estilos de liderança:

Liderança Autocrática: é um estilo de liderança em que o líder é focado apenas nas tarefas, e suas decisões costumam ser tomadas isoladamente, sem a participação dos colaboradores. É também chamada de Liderança Diretiva ou Liderança Autoritária.

Liderança Democrática: é um estilo de liderança voltada para a participação das pessoas nos processos decisórios. Também chamada de Liderança Participativa ou Liderança Consultiva.

Liderança Liberal: é um estilo de liderança que deixa as pessoas à vontade para realizar as tarefas e projetos por acreditar que a equipe já é madura o suficiente e não precisa de supervisão constante. Pode acarretar em uma liderança negligente e fraca, onde o líder deixa passar falhas e erros sem perceber e, consequentemente, sem corrigi-los.

Liderança Paternalista: esta linha de liderança é muito perigosa, porque a relação entre o líder e os liderados é algo similar à relação de pai para filho. As relações interpessoais são muito fortes, e isso pode até ser muito confortável para os liderados, mas pode trazer sérios riscos à estabilidade e ao desempenho da empresa num sentido mais corporativo, visto que em uma relação profissional o equilíbrio deve sempre prevalecer.

Passamos agora a considerar três tipos distintos de líderes:

Líder Técnico: é o tipo de líder em que as pessoas depositam grande confiança e segurança devido a ele ser muito bom no que faz e ter um alto nível de conhecimento técnico e científico nos assuntos do dia a dia do trabalho. É o tipo de pessoa que sabe os caminhos para executar os processos e atingir metas e objetivos que foram planejados. Na hora dos momentos mais complicados, chame-o que ele resolve.

Líder Carismático: é o tipo de pessoa que consolida uma liderança no grupo por estar sempre colocando um semblante de alegria e bom humor nos demais membros da equipe, na hora certa, no lugar certo, nas pessoas certas, e por deixar o ambiente mais leve. Todos (ou quase todos) na empresa têm apreço por ele. Não precisa ter um cargo da alta hierarquia. Pode ser um porteiro, um motorista, um digitador, um cozinheiro ou qualquer outro cargo sem necessariamente ser da alta corte da empresa. Este tipo de líder possui grande influência, mesmo que a empresa como um todo não perceba, mas ele traz um ambiente agradável que faz as pessoas trabalharem com mais entusiasmo e mais descontraídas, gerando assim resultados mais elevados.

Líder Motivador: é o tipo de líder que consegue estimular os colegas a seguir em frente na busca pelos resultados almejados pela empresa. Pode ser qualquer pessoa da organização. Quando as coisas estão desandando, ele consegue atrair a atenção dos colegas e levar uma mensagem positiva e de confiança que o trabalho vai dar certo, mesmo em momentos tempestuosos. Nunca deixa "a peteca cair" e isso é um fator muito importante em tempos de crise. Além disto, muitas vezes, consegue "achar uma brecha, uma saída" para os problemas, pois costuma ser muito perspicaz.

CARACTERÍSTICA DE UM LÍDER

Muitas são as qualidades que definem ao líder

Nesta lição vamos falar sobre aquelas que podemos considerar básicas (são necessárias para que exista um autêntico líder), enquanto que na lição seguinte analisaremos outras complementares (contribuem a realçar a figura do líder).

O líder deve possuir todas estas qualidades básicas, logicamente umas mais que outras, mas todas elas devem estar presentes.

A ausência de alguma delas dificulta para exercer uma autêntica liderança.

Como qualidades básicas mencionamos:

Visionário: o líder se caracteriza pela sua visão em longo prazo, por se adiantar aos acontecimentos, por antecipar os problemas e detectar oportunidades muito antes que os demais.

O líder não se conforma com o que tem, é uma pessoa inconformista, criativa, que gosta ir à frente.

Pessoa de acção: o líder não só marca uns objetivos exigentes senão que luta de forma denodada por alcançá-los, sem render-se, com enorme persistência, o que no final das contas constitui a chave do sucesso.

O líder não se contenta com sonhar, o líder quer resultados.

Brilhante: o líder destaca sobre o resto da equipe, bem por sua inteligência, bem por seu espírito combativo, bem por a claridade de seus planejamentos, etc., ou provavelmente por uma combinação de tudo o anterior.

Coragem: o líder não se derruba ante as dificuldades, as metas que propõe são difíceis (embora impossíveis), temos que salvar muitos obstáculos, tendo que convencer a muita gente, mas o líder não se desanima, está tão convencido da importância das mesmas que lutará por elas, superando aqueles obstáculos que vão surgindo.

O líder defende com determinação suas convicções.

Contagia entusiasmo: o líder consegue entusiasmar a sua equipe; eles percebem que as metas que persegui o líder são positivas tanto para a empresa como para os empregados.

O futuro que oferece o líder é tão sugestivo que vale a pena lutar por isso.

Esta é uma das características fundamentais do líder, o saber contagiar seu entusiasmo, o conseguir que a equipe lhe siga, que comparta seus objetivos.

Sem uma equipe que lhe acompanhe, uma pessoa com as demais características seria um lobo solitário, mas nunca um líder (a liderança vai sempre unida a uma equipe).

Grande comunicador: outra qualidade que caracteriza ao líder são seus dotes de bom comunicador, habilidade que permite “vender” sua visão, dar a conhecer seus planos de maneira sugestiva.

Convincente: o líder é persuasivo, sabe apresentar seus argumentos de forma que consegue ganhar o apoio da organização.

Grande negociador: o líder é muito hábil negociando. A luta por seus objetivos exige negociar continuamente, tanto dentro da empresa, como com clientes, provedores, entidades financeiras, acionistas, etc.

O líder demonstra uma habilidade especial para ir avançando no longo caminho de conseguir seus objetivos.

Capacidade de mando: o líder deve basear sua liderança na arte da convicção, mas também tem que ser capaz de utilizar sua autoridade quando seja necessário.

O líder é uma pessoa compressiva, mas nunca deve ser uma pessoa branda (os subordinados lhe perderiam respeito).

O líder não pode abusar do “eu ordeno e mando”, pois assim resulta impossível motivar a uma equipe em base de autoridade, mas deve ser capaz de aplicar sua autoridade sem tremer em aquelas ocasiões que o requeram.

Exigente: com seus empregados, mas também, e muito especialmente, consigo mesmo. A luta por algumas metas difíceis requere um nível de excelência no trabalho que somente se consegue com um alto nível de exigência.

Se o líder fora exigente com seus empregados mas não consigo mesmo não seria um líder, seria um déspota que colocaria toda a organização em sua contra.

Carismático: se além do mais das características anteriores, o líder é uma pessoa carismática, nos encontraríamos ante um líder completo.

O carisma é uma habilidade natural para seduzir e atrair as pessoas, é autêntico magnetismo pessoal. O carisma permite ganhar-se a equipe, que se sente atraída por seu líder.

No entanto, temos que marcar que é perfeitamente possível um líder sem carisma.

Para uma empresa é preferível ter um líder sem carisma com um alto sentido da honestidade, que um líder carismático que utilize a organização em seu próprio benefício.

Honestidade: uns elevados valores éticos são fundamentais para que a liderança se mantenha no tempo e não se trate de uma simples “moda” passageira.

A equipe tem que ter confiança plena em seu líder, tem que estar absolutamente convencido que o líder vai atuar honestamente e não os vai a deixar na rua.

Se os subordinados detectam que o líder não joga limpo e que só lhe preocupa seus próprios interesses, perderão sua confiança nele, processo que uma vez iniciado é muito difícil de parar.

Cumpridor: o líder tem que ser uma pessoa de palavra: o que promete e cumpre.

É a única forma de que a equipe tenha confiança cega nele.

Coerente: o líder tem que viver aquilo que predica.

Se ele exige dedicação, ele tem que ser o primeiro: se fala de austeridade, ele tem que dar exemplo; se pede lealdade, ele tem que ir à frente.

O líder predica principalmente com o exemplo: não pode exigir algo a seus subordinados que ele não cumpre.

Além disso, a mensagem do líder deve ser coerente no tempo.

Não pode pensar hoje de uma maneira e amanha de outra radicalmente distinta: confundiria a sua equipe.

Isto não implica que não possa ir evoluindo em seus planejamentos.


COMO SER UM LÍDER

Um líder actua basicamente definindo os objectivos, elaborando a estratégia para que os mesmos sejam atingidos, comunicando à equipe e cuidando para que as metas sejam alcançadas nos prazos estabelecidos. Contudo, hoje, as exigências do mercado em relação a um líder são muito maiores. Possuir credibilidade, junto a seus seguidores, é um factor de alta relevância e muito difícil de ser conquistado. Sendo assim, a liderança contemporânea deve ser baseada pela influência e não mais somente pela autoridade como antes acontecia.

Cleber Andriotti Castro, consultor em Gestão de Pessoas e sócio da Andriotti & Castro Consultoria, apresenta sete passos para você se tornar um líder melhor e conquistar definitivamente a confiança e respeito de sua equipe. Confira:

1. Escute seus colaboradores

Essa técnica é positiva por duas razões. Primeiro, porque eles muito provavelmente contribuirão com ideias, sugestões e críticas que lhe permitirão adquirir um ponto de vista diferente do seu. Talvez melhor. Segundo, porque certamente, ao serem ouvidos, sentir-se-ão valorizados e parte integrante de uma equipe. Um bom líder precisa compreender que só é possível alcançar o sucesso por meio do engajamento de seus seguidores.

2. Meça o desempenho

Tão importante quanto buscar motivar a todos é mensurar o desempenho, identificando e apontando os pontos fortes e fracos de cada um. Essa avaliação serve tanto para o líder quanto para o liderado saberem quais têm sido os resultados apresentados, balizando seu desenvolvimento futuro.

3. Compreenda que cada pessoa é única

Achar que os colaboradores devem se adaptar ao estilo do líder é um erro muito comum. O líder eficaz é aquele que conhece os pontos fortes e fracos de cada membro de seu time. Assim, aloca-os nas funções que melhor desempenham e cuida para que desenvolvam seus pontos fracos. Exercer um estilo de liderança para cada pessoa também faz com que as motivações individuais sejam estimuladas e que, assim, sejam maiores as chances de se extrair da equipe o que ela tem de melhor.

4. Entenda o papel do líder

O líder é aquele que consegue extrair o melhor de cada indivíduo, de forma que sua equipe como um todo produza o máximo. Ele está lá para motivar, ensinar e colaborar, fornecendo condições que permitam que seus liderados atinjam os resultados esperados. Por isso, o líder deve compreender que ele não chegou onde está para ser servido, e sim para servir. Ele precisa fazer de seu trabalho um instrumento a ser utilizado pelos seguidores, a fim de que esses consigam realizar suas funções da melhor forma possível. Se um funcionário atinge suas metas, consequentemente, um líder também atinge os seus objectivos.

5. Desenvolva sua capacidade de suportar pressão

Liderar é suportar, muitas vezes, altas cargas de pressão. Aquele que sucumbe às dificuldades inerentes à função não está preparado para conduzir uma equipe. O líder é sempre o último a “apagar a luz”. Aquele que garante que todos estão bem. Para isso, uma alta dose de equilíbrio emocional é imprescindível. Busque equilibrar a vida pessoal com a profissional, além de conhecer importantes técnicas de gestão e liderança, para estar preparado para suportar as demandas do cargo. É preciso desenvolver autocontrole, rapidez para se confrontar com o inesperado, grande poder de decisão e pensamento estratégico.

6. Motive

Muitos dos líderes actuais, imprudentemente, não se preocupam em estimular o comprometimento em seus subordinados. Isso deveria ser feito através da iniciativa do líder em incitar a visão empresarial, objectivos e confiança em seus liderados. Existem diversas técnicas para despertar a motivação de sua equipe. A principal, e mais eficaz delas, sem dúvida, é o elogio. Pratique-o, com frequência, logo após os acertos dos colaboradores. O efeito é imediatamente associado à acção positiva, estimulando a sua repetição. Também busque refletir se você trata seus seguidores da mesma forma como gostaria de seu tratado por seu superior. Um profissional motivado é um seguidor engajado.

7. Recicle-se e esteja antenado

Uma tendência natural das pessoas é a acomodação. Com o passar dos anos, a experiência cresce e muitos podem se considerar líderes completos, mesmo não o sendo. Isso pode ser fatal. A área de Gestão de Pessoas está em constante evolução, e estar atualizado com as técnicas e ferramentas mais modernas para gerir sua equipe é fundamental para que o alcance dos resultados esperados. Além disso, um líder precisa ser visionário. Imaginar o futuro, fundamentado em tendências, é uma maneira de se observar o modo como o mundo se transforma e, como essas novas configurações mundiais podem refletir em pontos positivos para o trabalho da equipe e para as atividades da organização.




CONCLUSÃO


Procurou-se com este trabalho elencar uma perspetiva dos estudos sobre a liderança, dando relevo aos modelos teóricos que mais contribuiram para o estudo da liderança. Na temática da tentativa de definir a liderança, conclui-se que são inúmeras as definições e não são consensuais na abordagem do conceito, também na análise da vária literatura existente, a distinção liderança e gestão, onde acaba uma e começa a outra não é consensual a sua fronteira.

Com uma grande produção de artigos sobre a matéria, pode-se afirmar que apesar de ser dificil quantificar, a verdade e que existe influencia nas organizações por parte do líder.
Sendo a liderança um processo de influência sobre outros e de ser influenciado por outros, conclui-se que para completar uma triade não pode ficar de fora a abordagem à situação que envolve o processo de liderança, ou seja, o processo implica líderes, liderados e as situações envolventes.

Seria importante destacar que apesar de inúmeras teorias e propostas de diversos autores elencamos o referido por Cunha (2011) que não líderes eficazes sem colaboradores eficazes e que o processo depende da sintonia entre ambos.



REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA


ASSAD, Alessandra. Atreva-se a mudar: como praticar a melhor gestão de pessoas e processos. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2007

AVIS, Warren. Atreva-se a ser o líder (os sucessos do segredo empresarial). São Paulo: Maltese, 1989

BLANCHARD, Kenneth, JOHNSON, Spencer. Gerente minute. São Paulo: Record, 2009

CAMPANHÃ, Josué. Líder do amanhã: formando a nova geração de líderes de sua organização. São Paulo: Hagnos, 2008

CARNWGIE, Dale. Descúbrase como líder. Buenos Aires: Debolsillo, 2008

COVEY, Stephen R. Os 7 hábitos das pessoas muito eficazes. São Paulo: Nova Cultura, 1989

CUSINS, Peter. Gerente de sucesso: liderança e eficácia. São Paulo: Clio, 2003

DOLAN, Simon L, SOTO PINEDA, Eduardo. Os 10 mandamentos para gestão de pessoas. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2008

GIL, Edson. A nova gerência: a estratégia ao alcance de todos. Rio de Janeiro: Alta Books, 2003

GOLEMAN, Daniel, BOYATZIS, Richard, MCKEE, Annie. El líder resonante crea más. Buenos Aires: Debolsillo, 2010

HUNTER, James C. O monge e o executivo: uma história sobre a essência da liderança. Rio de Janeiro: Sextante, 2007. James C. Como se tornar um líder servidor. Rio de Janeiro: Sextante, 2006

KHOURY, Karim. Liderança é uma questão de atitude. São Paulo: Senac São Paulo, 2009

O’ DONNELL, Ken. O espírito do líder: lições para tempos turbulentos. São Paulo: Integrare, 2009

TAFFINDER, Paul. Curso intensivo de liderança: como desenvoler suas habilidades e se tornar um líder verdadeiramente eficaz. São Paulo: Clio, 2010

GRAVIDEZ PRECOCE [Trabalhos Feitos Navegante]

GRAVIDEZ PRECOCE


RESUMO



O objetivo desta pesquisa vem a se esclarecer a gravidez precoce está se tornando cada vez mais comum na sociedade pois os adolescentes estão iniciando a vida sexual mais cedo.pois há também problemas emocionais, sociais, entre outros Uma jovem de 14 anos, por exemplo, não está preparada para cuidar de um bebê, muito menos de uma família.O prazer momentâneo que os jovens sentem durante a relação sexual transforma-se em uma situação desconfortável quando descobrem a gravidez.Com isso, entramos em outra polêmica, o de mães solteiras, por serem muito jovens os rapazes e as moças não assumem um compromisso sério e na maioria dos casos quando surge a gravidez um dos dois abandona a relação sem se importar com as consequências. Por isso o número de mães jovens e solteiras vem crescendo consideravelmente. A mãe adolescente tem maior morbidade e mortalidade por complicações da gravidez, parto e puerpério. A taxa de mortalidade é duas vezes maior que entre gestantes adultas.

A mãe adolescente também apresenta com maior frequência, sintomas depressivos no pós-parto. As complicações psicossociais relacionadas à gravidez na adolescência são, em geral, mais importantes que as complicações físicas. A interrupção dos estudos, e suas consequências futuras como: empregos menos remunerados, dependência financeira dos pais ou do companheiro por mais tempo, é importante fato a ser levado em consideração, inclusive pelo médico que está fazendo o pré-natal. Essa interrupção, em geral, acontece em adolescentes com história prévia de mau desempenho escolar
Em pesquisa, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgou dados sobre gravidez na adolescência e comentou fatores que contribuem para estes números expressivos. O alto índice está na faixa etária entre 15 e 19 anos, com mais de 400 mil casos registrados.

É importante que quando diagnosticada a gravidez a adolescente comece o pré-natal, receba o apoio da família, em especial dos pais, tenha auxílio de um profissional da área de psicologia para trabalhar o emocional dessa adolescente. Dessa forma, ela terá uma gravidez tranqüila, terá perspectivas mais positivas em relação a ser mãe, pois muitas entram em depressão por achar que a gravidez significa o fim de sua vida e de sua liberdade


Palavras Chaves: Gravidez, Mãe, bebé



OBJECTIVOS DA PESQUISA



OBJECTIVO GERAL:

Compreender o processo de construção do projeto de pesquisa da disciplina de Metodologia cientifica . Com a disponibilidade de informações, no contexto social, dos problemas gerados pela gravidez precoce .


OBJECTIVOS ESPECÍFICOS:

Conhecer as causas da gravidez precoce entre adolescentes (12 a 15 Anos)
Identificar as Dificuldades econômicas e Familiar.



INTRODUÇÃO


Falar da adolescência resulta uma questão apaixonante quanto complicada e delicada. Como momento de transição importante entre a infância e a juventude conserva aspectos pertencente a um e a outro estágio no desenvolvimento humano; ainda não têm uso de razão, mas também não se carece dela, sói se dizer, e nisso radica uma das maiores dificuldades para a uma educação e orientação correctas. Requer-se assim, tacto pedagógico bem como conhecimentos profundos sobre as qualidades e problemas normais pelos que atraviesa, que implica saber sobre as particularidades fisiológicas, psicológicas proprias da etapa.

Por vezes observa-se que uma criança com determinados valores e características da sua personalidade muda grandemente na etapa adoslescente e que mais tarde volta a mudar numa espécie de recuperaçaõ de certo jeito que parecía já perdido. Tem a ver com adolescencia e são questões necessárias de ser sabidas por pais e professores. Nesse sentido é tão decisiva a adolescência que de ser manejada sem os cuidados correspondentes poderia resultar fatalmente influente para a formação futura e para os relacionamentos da pessoa com familiares e com colegas e outros componentes do meio social.

O presente estudo, representa um esforço mais da síntese e reflexão em torno de diversos problemas no seio dos adolescentes, com gravidez indesejada que dão origem assim a desistência por parte de muitos alunos no decorrer do ano lectivo, bem como a morte pela prática do aborto, assim como mortes pós e pré – parto.

Alguns estudos mostram que em Angola as relações sexuais iniciam entre 11 e 12 anos de idade, fazendo com que muitos adolescentes engravidem antes de atingir a idade adulta. Uma sexualidade muito alta com 75% de adolescentes sexualmente activos, alta frequência de gravidez na adolescência dos 14 – 17 anos de idade, 37% das raparigas já tinham engravidado e 17% dos rapazes tinham consciência de ter engravidado uma rapariga. Alta incidência de abortos de risco, 50% das adolescentes grávidas abortou e 79% desses abortos foram provocados ou induzidos (FNUAP, 2002).

Uma das razões do casamento precoce entre adolescentes tem sido a gravidez indesejada. O casamento precoce aliado à gravidez traz como consequência a interrupção dos estudos na adolescente. Traz também um afastamento do mundo dos jovens, já que as responsabilidades duma casa, duma criança, aliadas às dificuldades financeiras acabam por dificultar o envolvimento com os antigos grupos de jovens e transformam os adolescentes, inevitável e bruscamente num semi-adulto.

As jovens que assumem a gravidez sozinhas enfrentam ainda mais dificuldades de carácter financeiro e psicológico, para além das responsabilidades duma nova vida intra-uterina numa etapa em que o seu próprio organismo não está totalmente desenvolvido. Como resultante desta situação, surge, muitas vezes o abandono do filho, a entrega para adopção ou a alguém da família.




CAPÍTULO I GRAVIDEZ PRECOCE. CIÊNCIA E CONSCIÊNCIA DO PROBLEMA

1. SEXUALIDADE E ADOLESCÊNCIA

A adolescência é um período no que se experimentam importantes mudanças a nível biológico, psicológico e social. Durante esta etapa é comum o aumento do interesse pelo sexo e o início das primeiras relações sexuais. Para que esta primeira relação possa se considerar saudável, deve cumprir alguns requisitos: a) prevista com antecipação; b) desejada por ambos membros do casal; c) com protecção ante riscos de embaraços não desejados e de doenças de transmissão sexual (DTS), e d) desfrutada, resultando gratificante para os dois (Mitchel y Wellings, 1998). Estes autores pediram a um grupo de jovens de 16 a 29 anos que lhes relataram sua primeira experiência sexual. Grande parte deles reconheceu que sua primeira relação foi totalmente inesperada. Em esta línha, (Loewensteim e Frustenberg 1991) estimaram que em uma amostra de mil pessoas, 65% não tinha previsto sua primeira relação sexual. Esta circunstância, que se dá também entre os adolescentes espanhóis (López, 1995), faz muito improvável a adopção de medidas protectoras.

Segundo o último informe sobre a epidemia do SIDA (ONUSIDA, 2002), quase a metade das novas infecções se dão em jovens entre os 15 e os 24 anos. Para poder realizar intervenções preventivas eficazes, é preciso conhecer as variáveis que originam e mantêm as condutas de risco dos adolescentes.

Em continuação se descrevem os principais aspectos que caracterizam as relações sexuais na adolescência, como a idade de inicio, o tipo de relações, o número de companheiros sexuais, ou os conhecimentos sobre os riscos associados.

Como média, o primeiro contacto sexual dá-se em torno dos 16 anos (Bimbela e Cruz, 1997; Cerwonka, Isabell e Hansem, 2000; INJUVE, 2000). Embora que as meninas alcançam antes a maturidade sexual, geralmente são os rapazes quem se iniciam primeiro. (Weinberg, Lottes e Aveline 1998) encontram médias muito similares em raparigas e rapazes europeus, sendo as primeiras a idade média 17,3 anos e 17,7 nos homens.

A literatura científica observa como principais condutas sexuais na adolescência:

a) Masturbação: tanto a auto estimulação, como a masturbação do casal são práticas muito estendidas entre os adolescentes. Entre jovens estudantes se têm observado taxas que chegam a 95 %, e cerca da metade se masturbam com uma frequência de uma ou mais vezes por semana. Dois terços dos rapazes a praticam frequentemente, frente a tão-somente um terço das mulheres (Mc Cabe e Cummins, 1998; Weinberg, Lottes e Aveline, 1998).

b) Sexo oral: os estudos com adolescentes indicam que mais da metade dos sujeitos têm tido alguma prática de sexo oral, chegando a 76 % nos homens e 66 % nas mulheres (Murphy et all., 1998). Outras investigações, não obstante, mostram que as raparigas praticam o sexo oral com mais frequência que os rapazes (Mc Cabe e Cummins, 1998).

c) Coito vaginal: entre 68 e 83 % dos jovens manifestam ter mantido relações sexuais com penetração vaginal (Mc Cabe e Cummins, 1998). Outros estudos indicam que entre raparigas e rapazes sexualmente activos, 100 % há tido alguma relação com penetração vaginal (Murphy et al. 1998).

d) Coito anal: esta prática, uma das que carrega maior risco de transmissão do vírus de imunodeficiência humana (VIH), tem uma frequência muito variável em função dos estudos. (Murphy et al. 1998) encontraram que 11 % dos adolescentes iniciados sexualmente havia realizado este tipo de relação. Distinguindo entre sexos, (Weinberg, Lottes e Aveline 1998) assinalam que entre 8 e 12 % dos rapazes haviam mantido relações com penetração anal, sendo algo mais frequente tal prática nas mulheres, entre 11 e 15 %. Outros estudos referem percentagens superiores, até 25 % em mulheres adolescentes (Mc Farland, 1999).

1.2.1. CAUSAS DA GRAVIDEZ PRECOCE

A gravidez na adolescência é multicausal e sua etiologia está relacionada a urna série de aspectos que podem ser agrupados em:

Factores Biológicos, que envolvem desde a idade da menarca até o aumento do número de adolescentes na população geral. Sabe-se que as adolescentes engravidam mais e mais a cada dia e em idades cada vez mais precoces. Observa-se que a idade em que ocorre a menarca tem se adiantado em torno de quatro meses por década no nosso século. De modo geral se admite que a idade de ocorrência da menarca tenha urna distribuição gaussiana e o desvio-padrão é aproximadamente 1 ano na maioria das populações, consequentemente, 95% da sua ocorrência se encontra nos limites de 11,0 a 15,0 anos de idade.

Sendo a menarca, em última análise, a resposta orgânica que reflecte a inteiração dos vários segmentos do eixo neuroendócrino feminino, quanto mais precocemente ocorrer, mais exposta estará a adolescente á gestação. É nas classes económicas mais desfavorecidas onde há maior abandono e promiscuidade, maior desinformação, menor acesso á contracepção, está a grande incidência da gestação na adolescência.

O contexto familiar tem relação directa com a época em que se inicia a actividade sexual. Assim sendo, adolescentes que iniciam vida sexual precocemente ou engravidam nesse período, geralmente vêm de famílias cujas mães também iniciaram vida sexual precocemente ou engravidaram durante a adolescência. De qualquer modo, quanto mais jovens e imaturos os pais, maiores as possibilidades de desajustes e desagregação familiar. O relacionamento entre irmãos também está associado com a actividade sexual: experiências sexuais mais cedo são observadas naqueles adolescentes em cuja família os irmãos mais velhos têm vida sexual activa.

As atitudes individuais são condicionadas tanto pela família quanto pela sociedade. A sociedade tem passado por profundas mudanças em sua estrutura, inclusive aceitando melhor a sexualidade na adolescência, sexo antes do casamento e também a gravidez na adolescência. Portanto tabus, inibições e estigmas estão diminuindo e a actividade sexual e gravidez aumentando (Hechtman, 1989, Block et al., 1981; Lima et al, 1985; Almeida & Fernandes, 1998; McCabe & Cummins, 1998; Medrado & Lyra, 1999).

Por outro lado, dependendo do contexto social em que está inserida a adolescente, a gravidez pode ser encarada como evento normal, não problemático, aceite dentro de suas normas e costumes (Necchi, 1998).

A identificação com a postura da religião adoptada se relaciona com o comportamento sexual. Alguns trabalhos mostram que a religião tem participação importante como preditora de atitudes sexuais. Adolescentes que têm actividade religiosa apresentam um sistema de valores que os encoraja a desenvolverem comportamento sexual responsável (Glass, 1972; Werner-Wilson, 1998). No nosso meio, nos últimos anos as novas religiões evangélicas têm florescido, e são de modo geral, bastante rígidas no que diz respeito á prática sexual pré-marital. Alguns profissionais de saúde que trabalham com adolescentes têm a impressão de que as adolescentes que frequentam essas igrejas iniciam a prática sexual mais tardiamente, porém, não há pesquisas comprovando essas impressões (De Souza e Silvério, 2002).

Numa sociedade massificadora e coercitiva, muitos adolescentes, influenciados por um comportamento sexual mais liberado, são levados a assumir sua sexualidade precocemente. A influência do grupo de amigos e o "bombardeio" de informações e imagens da mídia produzem uma aceleração do ingresso no mundo adulto, quando não têm preparação física nem psíquica para isso.

Instabilidade emocional, carência afectiva, invulnerabilidade e fragilidade de uma menina ainda em formação, omissão dos pais, falta de informações e fantasias adolescentes como as de "engravidar para prender o namorado" ou mostrar aos pais que já é adulta, são alguns dos motivos que determinam uma gravidez precoce (Banks, 2000)

1.3. REPERCUSSÕES DA GRAVIDEZ PRECOCE NA ADOLESCÊNCIA

Os primeiros dos riscos a ter em conta estão referidos a mãe adolescente. Existem relatos de que complicações obstétricas ocorrem em maior proporção nas adolescentes, principalmente nas de faixa etária mais baixa. Há constatações que vão desde anemia, ganho de peso insuficiente, hipertensão, infecção urinária, DST, desproporção céfalo-pélvica, até complicações puerperais (Rubio et al, 1981; Sismondi, et al, 1984; Black & Deblassie, 1985; Stevens-Simon & White, 1991; Zhang & Chan, 1991). Porém, devemos ter o cuidado de nos lembrar que esses achados se relacionam também com os cuidados pré-natais e desde que haja adequado acompanhamento pré-natal, não há maior risco de complicações obstétricas quando se compararam mulheres adultas e adolescentes de mesmo nível socioeconómico (Felice et al, 1981; McAnarney & Thiede, 1981).

Outro ponto doloroso dessa questão é a morte da mãe decorrente de complicações da gravidez, parto e puerpério; sendo que na adolescência, em estudo realizado no nosso meio, verificou-se ser esta a sexta causa de morte (Siqueira & Tanaka, 1986).

No tocante á educação, a interrupção, temporária ou definitiva, no processo de educação formal, acarretará prejuízo na qualidade de vida e nas oportunidades futuras. Não é raro que aconteça com a conivência do agrupamento familiar e social a adolescente se afasta da escola, frente a gravidez indesejada, quer por vergonha, quer por medo da reacção de seus pares (McGoldrich, 1985; Aliaga et al, 1985; Fernadéz et al., 1998; Souza, 1999).

As repercussões nutricionais serão tanto maiores quanto mais próxima da menarca acontecer a gestação, já que nesse período o processo de crescimento ainda está ocorrendo. O crescimento materno pode sofrer interferências por que há urna demanda extra requisitada para o crescimento fetal (American Dietetic Association, 1989).

A inundação hormonal da gestação promoverá consolidação precoce das epifíses naquelas adolescentes que engravidaram antes de ter completado seu crescimento biológico, podendo ter portanto, prejuízo na estatura final. Lembramos ainda que na adolescência há necessidades maiores de calorias, vitaminas e minerais e estas necessidades somam-se aquelas exigidas para o crescimento do feto e para a lactação.

Dada sua imaturidade e labilidade emocional podem ocorrer importantes alterações psicológicas, gerando extrema dificuldade em adaptar-se á sua nova condição, exacerbando sentimentos que já estavam presentes antes da gravidez, como ansiedade, depressão e hostilidade. As taxas de suicídio nas adolescentes grávidas são mais elevadas em comparação com ás não grávidas (Foster & Miller, 1980), principalmente nas jovens grávidas solteiras (Cabrera, 1995).

1.3.1 RISCOS PARA A SAÚDE

Um dos problemas mais comuns na gravidez precoce é a anemia, que faz com que a gestante fique mais vulnerável a infecções e pré-eclampsia. Existem ainda os factores psicológicos e sociais envolvidos. Um filho interfere muito na vida da mulher.

O adolescente, em geral, não está preparado para tantas mudanças na área escolar e nos hábitos diários. A liberdade tão desejada é de uma certa forma ameaçada.

Muitas jovens acabam recorrendo ao aborto, aumentando ainda mais os riscos a sua saúde. Em 1998, mais de 50 mil adolescentes foram atendidas em hospitais públicos de Brasil para a realização de curetagem após aborto. A gravidez na adolescência pode até ser uma opção pessoal e representar uma boa experiência, mas geralmente a jovem não está preparada emocionalmente, fisicamente e nem financeiramente para assumir a maternidade (ABN, 2004).

Mesmo sendo bem menos do que a mulher, o pai adolescente também sofre as consequências de uma gravidez precoce. Se o pai reconhece a criança, ele se vê obrigado a assumir novas responsabilidades e, em muitos casos, acaba abandonando os estudos para trabalhar, ressalta a médica. Já se não assume o filho, gera consequências para a criança.

Uma das prioridades seria reforçar a importância da responsabilidade paterna. Nesse sentido, está capacitando profissionais de saúde para oferecerem informações sobre os métodos contraceptivos combinados - associação do preservativo com algum outro método anticoncepcional. A ideia é fazer com que o homem participe da escolha do melhor contraceptivo para o casal. É preciso mudar a cultura de que a gravidez é exclusivamente feminina e só cabe à mulher a responsabilidade pelo filho.

São vários os motivos apontados para a alta incidência de gravidez entre adolescentes. Os principais são a iniciação sexual cada vez mais cedo, dificuldade de acesso aos métodos anticoncepcionais, desagregação familiar, falsas expectativas e falta de informação.

A dificuldade de uma adolescente se impor na relação é outro agravante. Na maioria dos casos, elas não usam pílulas anticoncepcionais, pois não possuem parceiro fixo. É comum as jovens não terem coragem de exigir que o parceiro use a camisinha.

A gravidez precoce é consequência de problemas sociais e é fundamental que os gestores de saúde trabalhem para enfrentar esse problema e intervir, de alguma forma, para que os adolescentes não cheguem a essa situação. É uma questão de promoção da saúde. Paralelamente ao trabalho de prevenção deve buscar-se alertar os pais sobre a importância do pré-natal para garantir a segurança da mãe e do bebé. No caso dos adolescentes, uma boa assistência durante os nove meses de gestação torna-se ainda mais importante para evitar problemas relacionados à gravidez e ao parto.

Em contraposição com o enfoque "de risco" emerge o "enfoque sociocultural" argumentando que o enfoque de risco `pressupõe que a gravidez na adolescência é indesejável e trazem consequências morais, psicológicas e sociais negativas, desconsiderando a particularidade dos sujeitos que a estão vivenciando, apontando subliminarmente para uma visão negativa do exercício da sexualidade na adolescência.

Para (Stern e Garcia, 1999) As práticas sexuais precoces só se tornam arriscadas quando ocorrem de modo desprotegido e desinformado, alertando para o facto de que a queda das taxas de fecundidade entre as mulheres adultas nas últimas décadas, acreditando que seja decorrência da política de planeamento familiar dos anos 70’, dá maior evidencia ao fenómeno da gravidez na adolescência.

1.4. CONSIDERAÇÕES CIENTÍFICAS NA VOLTA DA GRAVIDEZ PRECOCE.

A gravidez na adolescência é representada socialmente como uma experiência a ser evitada nesse momento evolutivo, sendo as ideias e sentimentos ancorados nos valores culturais de uma sociedade tradicional que privilegia o equilíbrio e a conformidade às normas instituídas. Assim, como comportamento desviante, objectiva-se no senso comum reafirmando sua natureza estereotipada e seu carácter ideológico. Ressaltamos que os resultados são restritos a um pequeno número de adolescentes que não vivenciaram a gravidez precoce, tão pouco a maternidade e a paternidade até esse momento, o que sugere uma maior adesão aos princípios e sistemas simbólicos e que também sustentam as diferenças entre os géneros numa tentativa de manutenção de equilíbrio e bem estar sociais.

1.4.1. CONSIDERAÇÕES DA PSICOLOGIA

A adolescência constitui uma fase de conquista da sexualidade. Pensamos ser esta uma conquista importante, que vai sendo amadurecida e que é tanto mais madura quando constitui um veículo de aprofundamento do conhecimento do outro, do próprio e da relação.
Com efeito, assiste-se a uma descoberta desenfreada da sexualidade que constitui uma mera passagem ao acto, do qual resultam muitas vezes uma gravidez precoce.

Sabemos que a relação sexual entre dois namorados ocorre quando menos se planeia ou espera, mas a atitude preventiva pode estar sempre presente. É necessário evitar que um terceiro ser surja numa altura indevida.

Muitas vezes a gravidez na adolescência ocorre porque não há abertura na relação para se falar nos métodos anticoncepcionais, depois surge a gravidez, a vergonha, a desistência, a fuga a uma vida adolescente... e muitas vezes a depressão.

São, na maior parte das vezes, raparigas com problemas de auto-estima que se deixam arrastar por situações onde fantasiam que estão a ser amadas, sem tomarem as devidas precauções.

Penso que, cada vez mais, surge nos jovens a ideia de que "careta" não é quem não tem relações, mas sim quem as tem sem precaução. Como não se trata de uma questão de desconhecimento, há muitos factores de ordem psicológica que interferem.

Mas, para todas as situações é possível uma alternativa saudável. No desenvolvimento da personalidade, entre os multíplices factores, joga um papel muito importante a mudança profunda que experimentam na juventude dois elementos: o sexual e o sentimental. Dita mudança se realiza de maneira diferente na rapariga e no rapaz.

Na menina, a sentimentalidade ultrapassa ao começo as energias sexuais; a inclusão do sexual se realiza em forma constante desde o princípio da idade juvenil em diante; já aos 18 anos, é muito mais madura que o rapaz porque ela é capaz de um maior domínio de si e de dirigir as situações a medida que se apresentam, mais deve ter sempre presente que se sua sentimentalidade chega a ser cativada, deixa de julgar objectivamente e cede com certa facilidade a seus impulsos.

Pelo que se sabe, o mero impulso sexual é uma necessidade biológica que representa ao instinto e está condicionada por modificações químicas no interior do organismo. Esta é a natureza do impulso sexual, nada mais; mas também não nada menos.

Num começo o jovem muitas vezes busca satisfazer o impulso sexual consigo mesmo; isso lhe leva à masturbação. Mais tarde, o jovem fixa sua atenção noutras pessoas de diferente sexo, polarizando progressivamente seu desejo sexual. Finalmente, o jovem dirige sua atenção em uma forma selectiva sobre uma pessoa determinada e a escolhe definitivamente.

1.4.2. CONSIDERAÇÕES DA PEDAGOGIA

O debate sobre a gravidez na adolescência provoca ou não a evasão escolar é um tanto quanto repetitivo, entretanto, questionamos se a baixa escolaridade e a evasão seriam causa ou efeito deste fenómeno.

Para enfrentar a discussão da relação entre a gravidez na adolescência e a evasão escolar e estabelecermos as directrizes para este trabalho consideramos os dados levantados por investigações apontam que a incidência da gestação foi decrescendo e a incidência de evasão manteve-se estável: em 1999 foram informadas pelos directores das unidades escolares 114 gravidezes para 25 casos de evasão; em 2000 foram 108 gestações para 19 evasões e em 2001 registrou-se 82 casos de gravidezes para 21 casos de abandono da escola em decorrência de gravidez (Trindade et. all, 2003).

Diante de tudo o que foi exposto, estes números sugerem muitos desafios para as políticas públicas, de um modo geral, assim como aquelas estreitamente relacionadas ao adolescente, como saúde, educação e assistência social.

A inserção profissional num Projecto de Extensão Universitária permitiria sugerir algumas medidas importantes para, pelo menos, diminuir a apartheid social da juventude de nosso país, especialmente daquelas meninas que acidental e/ou conscientemente engravidaram:

Capacitar profissionais afectos a questão da adolescência para actuarem nas unidades escolares e de saúde que facilite o acesso aos direitos previstos na legislação vigente, como: assistência pré-natal, amamentação (conforme salienta as campanhas oficiais), aulas de apoio para que a performance da aluna não seja prejudicada, garantindo, inclusive a disponibilidade da matéria que está sendo dada na grade curricular (Ibíd.).

1.4.3. CONSIDERAÇÕES DEMOGRÁFICAS

Um estudo demográfico relativo à gravidez precoce em São Paulo acusa que de 1982 para cá, enquanto a população cresceu 42,5%, a taxa de gravidez dos 10 aos 19 anos aumentou 391%. Entre os óbitos neonatais, essa era a faixa etária de 30% das mães. Os dados são da Sociedade Brasileira de Pediatria e alertam para um dos problemas mais graves na área de saúde do adolescente: a gravidez precoce. Hoje, o parto é a principal causa de internação de meninas entre 10 e 14 anos e o principal procedimento médico. Em 1999, 26% deles foram de adolescentes (SBP, 2000).

Segundo os médicos, as consequências do exercício irresponsável da sexualidade costumam estar relacionadas a abortos, abandono de bebés, casamentos forçados e proliferação de doenças sexualmente transmissíveis, como a sífilis e o SIDA.

Em todas as conferências mundiais sobre população, enfatizou-se a contribuição importante da educação para resolver os problemas ligados ao crescimento demográfico e suas consequências. E não apenas a educação tomada no sentido amplo, incluindo as actividades extra-escolares e o ensino propriamente dito, mas referências foram também centradas sobre o papel da educação em matéria de população e, particularmente, da educação sexual (Werebe, 1998).

Dessa forma, a sexualidade, como uma instância constitutiva do humano, deverá atravessar as práticas quotidianas do professor na escola, não para controlar ou reprimir suas manifestações, mas para possibilitar ao adolescente a construção de sua própria identidade, e por isso também, de sua própria sexualidade.

Existe a ideia de que o embaraço adolescente é um fenómeno que se está incrementando. A maioria das investigações refere em sua justificação tal preocupação, que mais do que um argumento se tenha convertido num discurso decorrente.

Não obstante, os dados demográficos mostram que o incremento dos embaraços adolescentes é uma ideia enganosa. São o grande crescimento, em termos relativos e absolutos, da coorte de adolescentes e a forte diminuição da fecundidade das mulheres maiores nos últimos 15 ou 20 anos, o que se traduz tanto na maior visibilidade dos embaraços das adolescentes como em ou facto de que, ainda a taxas de fecundidade menores, sejam muito grandes o número e a proporção de filhos nascidos destes.

Outro aspecto que cremos tenha sido mal interpretado é a associação que se estabelece entre o embaraço adolescente e o rápido crescimento da população, que parte do reconhecimento de que as taxas de fecundidade das mulheres menores de 20 anos se têm mantido relativamente elevadas, apesar das campanhas de controle natal promovidas pelo Estado.

A análise demográfica tenha mostrado que os embaraços antecipados se associam com um maior número de filhos ao longo da vida reprodutiva e com espaços inter genésicos mais curtos, em comparação com os de mulheres que postergam sua maternidade. Desta maneira, se coloca que a fecundidade que se apresenta a antecipada idade contribui de modo ostensivo a gerar um crescimento acelerado da população (Stern & García, 2002).

1.4.4. CONSIDERAÇÕES SOCIOLÓGICAS

Cada sociedade estrutura e lega, de geração em geração, um modelo de comportamento e uma aprendizagem sexual, aprovando ou reprovando valores e comportamentos. Algumas dessas gerações introduzem mudanças, e o menino experimenta sobre essa base. No mundo actual, não obstante, a globalização das comunicações e a crescente estandardização das condutas faz com que os valores e os objectos sexuais se estejam universalizando.

Não obstante, muitos povos conservam costumes que marcam a seus membros na aprendizagem sexual. O fazer, tanto como o não fazer, educa. Mostrar o próprio corpo nu comunica uma mensagem e oculta-lo tem outro significado. O permitir aos meninos que toquem de uma forma natural seus genitais educa em uma direcção, e os proibir, noutra. Em qualquer caso, o resultado destas influências e interacções com as experiências pessoais, através da infância e posterior adolescência, estruturarão o comportamento sexual adulto, que será sempre personalizado.

Num contexto familiar e social o menino fará sua aprendizagem da identidade sexual e os papéis masculino e feminino. Estes se adquirem fundamentalmente no lar, com os pares, professores e outras pessoas que actuam como modeladores e reforçadores. Em outra esfera, o menino adoptará comportamentos, acções que levam ao descobrimento do prazer: as autoestimulatorias ou masturbatórias, e as hetero ou homo-estimulatorias. Intentará adquirir suas próprias acções e as irá construindo para toda a vida. Mais falta a etapa onde porá em jogo todo o aprendido, e que consiste em descobrir o amar e ser amado, a intimidade e a capacidade de comunicação nas relações interpessoais.

Um diálogo aberto e livre de tabus entre pais e filhos é fundamental para evitar enfermidades e embaraços não desejados.

Actualmente se tem visto um grande incremento nas relações pré-matrimoniais em ambos sexos, embora que o aumento mais significativo tenha sido manifestado nas mulheres.

Actualmente, muitos jovens têm relações sexuais a muito antecipada idade, que pode ser um intento para conseguir relações sentimentais profundas. Muitos se sentem pressionados a iniciar sua vida sexual por muitos factores: família, amizades, sociedade, etc.

Embora que em geral, se pode afirmar que os jovens não são tão promíscuos como qualquer se pode imaginar; tendem a estabelecer relações sexuais significativas e respeita-las por meio da fidelidade.

1.4.5. CONSIDERAÇÕES FILOSÓFICAS

No homem, a união sexual não deve ser considerada meramente como a simples satisfação da necessidade biológica, pois o homo sapiens não é uma criatura simples; seu apetite sexual não é de nenhum modo similar a sua necessidade de alimento ou água. O jovem tem em realidade poderosos impulsos físicos, mais é capaz de domina-los e envereda-los, mais, para se encarregar com êxito destas forças necessita compreende-las.

Um elemento primordial de um novo enfoque do embaraço adolescente é sua preocupação por conceber o fenómeno como um feito eminentemente social, é dizer, que se constrói a partir da intersubjetividade. Sem deixar de reconhecer a importância das implicações na saúde e nos processos demográficos (que não se deixam de lado mas se incluem e se reinterpretam em uma perspectiva mais ampla), se desenvolve além do que aos indivíduos corresponde na construção subjectiva do fenómeno, na interpretação que fazem dele e que finalmente é o que determina sua acção, pouco compreensível em ocasiões para alguns investigadores e agentes das instituições de serviço.

Outro elemento relevante em esta redefinição do fenómeno é o facto de vê-lo em forma dinâmica, é dizer como um processo descontextualizado. Já não falamos aqui genericamente do "embaraço adolescente" como único e universal, mas de suas manifestações num entorno e significado cultural determinados. Com isso se renuncia às pretensões de generalização e se opta por buscar a particularidade do fenómeno nos diversos contextos sócio -culturais e como parte de um processo social mais geral.

Neste último sentido, é importante chamar a atenção sobre a necessidade de situar também o problema do embaraço adolescente no contexto de mudança cultural de longa duração que tem lugar em nossas sociedades em relação com um conjunto de crenças.




CONCLUSÃO

A gravidez na adolescência é multicausal: Factores Biológicos, relativos á precocidade da menarca; familiares, relativos a tradições familiares, exemplos e inexperiência, figuram nas causas fundamentais.

Tentativas de suicídio, abandono da escola, prostituição e riscos para a saúde física e mental, são repercussões negativas da gravidez precoce. Preocupações e considerações, psicológicas, pedagógicas, demográficas, sociológicas e filosóficas aparecem como resultado de investigações científicas recentes, aspectos que em termos gerais são constatados no caso da população adolescente objecto do trabalho que se apresenta

Confirmam-se no caso de Benguela os factores etiológicos conducentes à gravidez precoce na adolescência, bem como as repercussões negativas deste fenómeno social mundial.

O apoio dos pais, a compreensão social de vizinhos, amigos e professores resulta essencial uma vez consumado o facto.

A totalidade das raparigas que ficaram grávidas manifesta se sentir arrependidas e aconselham positivamente a outras para não caírem no mesmo erro.




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