quinta-feira, 23 de março de 2017

GRAVIDEZ PRECOCE [Trabalhos Feitos Navegante]

GRAVIDEZ PRECOCE


RESUMO



O objetivo desta pesquisa vem a se esclarecer a gravidez precoce está se tornando cada vez mais comum na sociedade pois os adolescentes estão iniciando a vida sexual mais cedo.pois há também problemas emocionais, sociais, entre outros Uma jovem de 14 anos, por exemplo, não está preparada para cuidar de um bebê, muito menos de uma família.O prazer momentâneo que os jovens sentem durante a relação sexual transforma-se em uma situação desconfortável quando descobrem a gravidez.Com isso, entramos em outra polêmica, o de mães solteiras, por serem muito jovens os rapazes e as moças não assumem um compromisso sério e na maioria dos casos quando surge a gravidez um dos dois abandona a relação sem se importar com as consequências. Por isso o número de mães jovens e solteiras vem crescendo consideravelmente. A mãe adolescente tem maior morbidade e mortalidade por complicações da gravidez, parto e puerpério. A taxa de mortalidade é duas vezes maior que entre gestantes adultas.

A mãe adolescente também apresenta com maior frequência, sintomas depressivos no pós-parto. As complicações psicossociais relacionadas à gravidez na adolescência são, em geral, mais importantes que as complicações físicas. A interrupção dos estudos, e suas consequências futuras como: empregos menos remunerados, dependência financeira dos pais ou do companheiro por mais tempo, é importante fato a ser levado em consideração, inclusive pelo médico que está fazendo o pré-natal. Essa interrupção, em geral, acontece em adolescentes com história prévia de mau desempenho escolar
Em pesquisa, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgou dados sobre gravidez na adolescência e comentou fatores que contribuem para estes números expressivos. O alto índice está na faixa etária entre 15 e 19 anos, com mais de 400 mil casos registrados.

É importante que quando diagnosticada a gravidez a adolescente comece o pré-natal, receba o apoio da família, em especial dos pais, tenha auxílio de um profissional da área de psicologia para trabalhar o emocional dessa adolescente. Dessa forma, ela terá uma gravidez tranqüila, terá perspectivas mais positivas em relação a ser mãe, pois muitas entram em depressão por achar que a gravidez significa o fim de sua vida e de sua liberdade


Palavras Chaves: Gravidez, Mãe, bebé



OBJECTIVOS DA PESQUISA



OBJECTIVO GERAL:

Compreender o processo de construção do projeto de pesquisa da disciplina de Metodologia cientifica . Com a disponibilidade de informações, no contexto social, dos problemas gerados pela gravidez precoce .


OBJECTIVOS ESPECÍFICOS:

Conhecer as causas da gravidez precoce entre adolescentes (12 a 15 Anos)
Identificar as Dificuldades econômicas e Familiar.



INTRODUÇÃO


Falar da adolescência resulta uma questão apaixonante quanto complicada e delicada. Como momento de transição importante entre a infância e a juventude conserva aspectos pertencente a um e a outro estágio no desenvolvimento humano; ainda não têm uso de razão, mas também não se carece dela, sói se dizer, e nisso radica uma das maiores dificuldades para a uma educação e orientação correctas. Requer-se assim, tacto pedagógico bem como conhecimentos profundos sobre as qualidades e problemas normais pelos que atraviesa, que implica saber sobre as particularidades fisiológicas, psicológicas proprias da etapa.

Por vezes observa-se que uma criança com determinados valores e características da sua personalidade muda grandemente na etapa adoslescente e que mais tarde volta a mudar numa espécie de recuperaçaõ de certo jeito que parecía já perdido. Tem a ver com adolescencia e são questões necessárias de ser sabidas por pais e professores. Nesse sentido é tão decisiva a adolescência que de ser manejada sem os cuidados correspondentes poderia resultar fatalmente influente para a formação futura e para os relacionamentos da pessoa com familiares e com colegas e outros componentes do meio social.

O presente estudo, representa um esforço mais da síntese e reflexão em torno de diversos problemas no seio dos adolescentes, com gravidez indesejada que dão origem assim a desistência por parte de muitos alunos no decorrer do ano lectivo, bem como a morte pela prática do aborto, assim como mortes pós e pré – parto.

Alguns estudos mostram que em Angola as relações sexuais iniciam entre 11 e 12 anos de idade, fazendo com que muitos adolescentes engravidem antes de atingir a idade adulta. Uma sexualidade muito alta com 75% de adolescentes sexualmente activos, alta frequência de gravidez na adolescência dos 14 – 17 anos de idade, 37% das raparigas já tinham engravidado e 17% dos rapazes tinham consciência de ter engravidado uma rapariga. Alta incidência de abortos de risco, 50% das adolescentes grávidas abortou e 79% desses abortos foram provocados ou induzidos (FNUAP, 2002).

Uma das razões do casamento precoce entre adolescentes tem sido a gravidez indesejada. O casamento precoce aliado à gravidez traz como consequência a interrupção dos estudos na adolescente. Traz também um afastamento do mundo dos jovens, já que as responsabilidades duma casa, duma criança, aliadas às dificuldades financeiras acabam por dificultar o envolvimento com os antigos grupos de jovens e transformam os adolescentes, inevitável e bruscamente num semi-adulto.

As jovens que assumem a gravidez sozinhas enfrentam ainda mais dificuldades de carácter financeiro e psicológico, para além das responsabilidades duma nova vida intra-uterina numa etapa em que o seu próprio organismo não está totalmente desenvolvido. Como resultante desta situação, surge, muitas vezes o abandono do filho, a entrega para adopção ou a alguém da família.




CAPÍTULO I GRAVIDEZ PRECOCE. CIÊNCIA E CONSCIÊNCIA DO PROBLEMA

1. SEXUALIDADE E ADOLESCÊNCIA

A adolescência é um período no que se experimentam importantes mudanças a nível biológico, psicológico e social. Durante esta etapa é comum o aumento do interesse pelo sexo e o início das primeiras relações sexuais. Para que esta primeira relação possa se considerar saudável, deve cumprir alguns requisitos: a) prevista com antecipação; b) desejada por ambos membros do casal; c) com protecção ante riscos de embaraços não desejados e de doenças de transmissão sexual (DTS), e d) desfrutada, resultando gratificante para os dois (Mitchel y Wellings, 1998). Estes autores pediram a um grupo de jovens de 16 a 29 anos que lhes relataram sua primeira experiência sexual. Grande parte deles reconheceu que sua primeira relação foi totalmente inesperada. Em esta línha, (Loewensteim e Frustenberg 1991) estimaram que em uma amostra de mil pessoas, 65% não tinha previsto sua primeira relação sexual. Esta circunstância, que se dá também entre os adolescentes espanhóis (López, 1995), faz muito improvável a adopção de medidas protectoras.

Segundo o último informe sobre a epidemia do SIDA (ONUSIDA, 2002), quase a metade das novas infecções se dão em jovens entre os 15 e os 24 anos. Para poder realizar intervenções preventivas eficazes, é preciso conhecer as variáveis que originam e mantêm as condutas de risco dos adolescentes.

Em continuação se descrevem os principais aspectos que caracterizam as relações sexuais na adolescência, como a idade de inicio, o tipo de relações, o número de companheiros sexuais, ou os conhecimentos sobre os riscos associados.

Como média, o primeiro contacto sexual dá-se em torno dos 16 anos (Bimbela e Cruz, 1997; Cerwonka, Isabell e Hansem, 2000; INJUVE, 2000). Embora que as meninas alcançam antes a maturidade sexual, geralmente são os rapazes quem se iniciam primeiro. (Weinberg, Lottes e Aveline 1998) encontram médias muito similares em raparigas e rapazes europeus, sendo as primeiras a idade média 17,3 anos e 17,7 nos homens.

A literatura científica observa como principais condutas sexuais na adolescência:

a) Masturbação: tanto a auto estimulação, como a masturbação do casal são práticas muito estendidas entre os adolescentes. Entre jovens estudantes se têm observado taxas que chegam a 95 %, e cerca da metade se masturbam com uma frequência de uma ou mais vezes por semana. Dois terços dos rapazes a praticam frequentemente, frente a tão-somente um terço das mulheres (Mc Cabe e Cummins, 1998; Weinberg, Lottes e Aveline, 1998).

b) Sexo oral: os estudos com adolescentes indicam que mais da metade dos sujeitos têm tido alguma prática de sexo oral, chegando a 76 % nos homens e 66 % nas mulheres (Murphy et all., 1998). Outras investigações, não obstante, mostram que as raparigas praticam o sexo oral com mais frequência que os rapazes (Mc Cabe e Cummins, 1998).

c) Coito vaginal: entre 68 e 83 % dos jovens manifestam ter mantido relações sexuais com penetração vaginal (Mc Cabe e Cummins, 1998). Outros estudos indicam que entre raparigas e rapazes sexualmente activos, 100 % há tido alguma relação com penetração vaginal (Murphy et al. 1998).

d) Coito anal: esta prática, uma das que carrega maior risco de transmissão do vírus de imunodeficiência humana (VIH), tem uma frequência muito variável em função dos estudos. (Murphy et al. 1998) encontraram que 11 % dos adolescentes iniciados sexualmente havia realizado este tipo de relação. Distinguindo entre sexos, (Weinberg, Lottes e Aveline 1998) assinalam que entre 8 e 12 % dos rapazes haviam mantido relações com penetração anal, sendo algo mais frequente tal prática nas mulheres, entre 11 e 15 %. Outros estudos referem percentagens superiores, até 25 % em mulheres adolescentes (Mc Farland, 1999).

1.2.1. CAUSAS DA GRAVIDEZ PRECOCE

A gravidez na adolescência é multicausal e sua etiologia está relacionada a urna série de aspectos que podem ser agrupados em:

Factores Biológicos, que envolvem desde a idade da menarca até o aumento do número de adolescentes na população geral. Sabe-se que as adolescentes engravidam mais e mais a cada dia e em idades cada vez mais precoces. Observa-se que a idade em que ocorre a menarca tem se adiantado em torno de quatro meses por década no nosso século. De modo geral se admite que a idade de ocorrência da menarca tenha urna distribuição gaussiana e o desvio-padrão é aproximadamente 1 ano na maioria das populações, consequentemente, 95% da sua ocorrência se encontra nos limites de 11,0 a 15,0 anos de idade.

Sendo a menarca, em última análise, a resposta orgânica que reflecte a inteiração dos vários segmentos do eixo neuroendócrino feminino, quanto mais precocemente ocorrer, mais exposta estará a adolescente á gestação. É nas classes económicas mais desfavorecidas onde há maior abandono e promiscuidade, maior desinformação, menor acesso á contracepção, está a grande incidência da gestação na adolescência.

O contexto familiar tem relação directa com a época em que se inicia a actividade sexual. Assim sendo, adolescentes que iniciam vida sexual precocemente ou engravidam nesse período, geralmente vêm de famílias cujas mães também iniciaram vida sexual precocemente ou engravidaram durante a adolescência. De qualquer modo, quanto mais jovens e imaturos os pais, maiores as possibilidades de desajustes e desagregação familiar. O relacionamento entre irmãos também está associado com a actividade sexual: experiências sexuais mais cedo são observadas naqueles adolescentes em cuja família os irmãos mais velhos têm vida sexual activa.

As atitudes individuais são condicionadas tanto pela família quanto pela sociedade. A sociedade tem passado por profundas mudanças em sua estrutura, inclusive aceitando melhor a sexualidade na adolescência, sexo antes do casamento e também a gravidez na adolescência. Portanto tabus, inibições e estigmas estão diminuindo e a actividade sexual e gravidez aumentando (Hechtman, 1989, Block et al., 1981; Lima et al, 1985; Almeida & Fernandes, 1998; McCabe & Cummins, 1998; Medrado & Lyra, 1999).

Por outro lado, dependendo do contexto social em que está inserida a adolescente, a gravidez pode ser encarada como evento normal, não problemático, aceite dentro de suas normas e costumes (Necchi, 1998).

A identificação com a postura da religião adoptada se relaciona com o comportamento sexual. Alguns trabalhos mostram que a religião tem participação importante como preditora de atitudes sexuais. Adolescentes que têm actividade religiosa apresentam um sistema de valores que os encoraja a desenvolverem comportamento sexual responsável (Glass, 1972; Werner-Wilson, 1998). No nosso meio, nos últimos anos as novas religiões evangélicas têm florescido, e são de modo geral, bastante rígidas no que diz respeito á prática sexual pré-marital. Alguns profissionais de saúde que trabalham com adolescentes têm a impressão de que as adolescentes que frequentam essas igrejas iniciam a prática sexual mais tardiamente, porém, não há pesquisas comprovando essas impressões (De Souza e Silvério, 2002).

Numa sociedade massificadora e coercitiva, muitos adolescentes, influenciados por um comportamento sexual mais liberado, são levados a assumir sua sexualidade precocemente. A influência do grupo de amigos e o "bombardeio" de informações e imagens da mídia produzem uma aceleração do ingresso no mundo adulto, quando não têm preparação física nem psíquica para isso.

Instabilidade emocional, carência afectiva, invulnerabilidade e fragilidade de uma menina ainda em formação, omissão dos pais, falta de informações e fantasias adolescentes como as de "engravidar para prender o namorado" ou mostrar aos pais que já é adulta, são alguns dos motivos que determinam uma gravidez precoce (Banks, 2000)

1.3. REPERCUSSÕES DA GRAVIDEZ PRECOCE NA ADOLESCÊNCIA

Os primeiros dos riscos a ter em conta estão referidos a mãe adolescente. Existem relatos de que complicações obstétricas ocorrem em maior proporção nas adolescentes, principalmente nas de faixa etária mais baixa. Há constatações que vão desde anemia, ganho de peso insuficiente, hipertensão, infecção urinária, DST, desproporção céfalo-pélvica, até complicações puerperais (Rubio et al, 1981; Sismondi, et al, 1984; Black & Deblassie, 1985; Stevens-Simon & White, 1991; Zhang & Chan, 1991). Porém, devemos ter o cuidado de nos lembrar que esses achados se relacionam também com os cuidados pré-natais e desde que haja adequado acompanhamento pré-natal, não há maior risco de complicações obstétricas quando se compararam mulheres adultas e adolescentes de mesmo nível socioeconómico (Felice et al, 1981; McAnarney & Thiede, 1981).

Outro ponto doloroso dessa questão é a morte da mãe decorrente de complicações da gravidez, parto e puerpério; sendo que na adolescência, em estudo realizado no nosso meio, verificou-se ser esta a sexta causa de morte (Siqueira & Tanaka, 1986).

No tocante á educação, a interrupção, temporária ou definitiva, no processo de educação formal, acarretará prejuízo na qualidade de vida e nas oportunidades futuras. Não é raro que aconteça com a conivência do agrupamento familiar e social a adolescente se afasta da escola, frente a gravidez indesejada, quer por vergonha, quer por medo da reacção de seus pares (McGoldrich, 1985; Aliaga et al, 1985; Fernadéz et al., 1998; Souza, 1999).

As repercussões nutricionais serão tanto maiores quanto mais próxima da menarca acontecer a gestação, já que nesse período o processo de crescimento ainda está ocorrendo. O crescimento materno pode sofrer interferências por que há urna demanda extra requisitada para o crescimento fetal (American Dietetic Association, 1989).

A inundação hormonal da gestação promoverá consolidação precoce das epifíses naquelas adolescentes que engravidaram antes de ter completado seu crescimento biológico, podendo ter portanto, prejuízo na estatura final. Lembramos ainda que na adolescência há necessidades maiores de calorias, vitaminas e minerais e estas necessidades somam-se aquelas exigidas para o crescimento do feto e para a lactação.

Dada sua imaturidade e labilidade emocional podem ocorrer importantes alterações psicológicas, gerando extrema dificuldade em adaptar-se á sua nova condição, exacerbando sentimentos que já estavam presentes antes da gravidez, como ansiedade, depressão e hostilidade. As taxas de suicídio nas adolescentes grávidas são mais elevadas em comparação com ás não grávidas (Foster & Miller, 1980), principalmente nas jovens grávidas solteiras (Cabrera, 1995).

1.3.1 RISCOS PARA A SAÚDE

Um dos problemas mais comuns na gravidez precoce é a anemia, que faz com que a gestante fique mais vulnerável a infecções e pré-eclampsia. Existem ainda os factores psicológicos e sociais envolvidos. Um filho interfere muito na vida da mulher.

O adolescente, em geral, não está preparado para tantas mudanças na área escolar e nos hábitos diários. A liberdade tão desejada é de uma certa forma ameaçada.

Muitas jovens acabam recorrendo ao aborto, aumentando ainda mais os riscos a sua saúde. Em 1998, mais de 50 mil adolescentes foram atendidas em hospitais públicos de Brasil para a realização de curetagem após aborto. A gravidez na adolescência pode até ser uma opção pessoal e representar uma boa experiência, mas geralmente a jovem não está preparada emocionalmente, fisicamente e nem financeiramente para assumir a maternidade (ABN, 2004).

Mesmo sendo bem menos do que a mulher, o pai adolescente também sofre as consequências de uma gravidez precoce. Se o pai reconhece a criança, ele se vê obrigado a assumir novas responsabilidades e, em muitos casos, acaba abandonando os estudos para trabalhar, ressalta a médica. Já se não assume o filho, gera consequências para a criança.

Uma das prioridades seria reforçar a importância da responsabilidade paterna. Nesse sentido, está capacitando profissionais de saúde para oferecerem informações sobre os métodos contraceptivos combinados - associação do preservativo com algum outro método anticoncepcional. A ideia é fazer com que o homem participe da escolha do melhor contraceptivo para o casal. É preciso mudar a cultura de que a gravidez é exclusivamente feminina e só cabe à mulher a responsabilidade pelo filho.

São vários os motivos apontados para a alta incidência de gravidez entre adolescentes. Os principais são a iniciação sexual cada vez mais cedo, dificuldade de acesso aos métodos anticoncepcionais, desagregação familiar, falsas expectativas e falta de informação.

A dificuldade de uma adolescente se impor na relação é outro agravante. Na maioria dos casos, elas não usam pílulas anticoncepcionais, pois não possuem parceiro fixo. É comum as jovens não terem coragem de exigir que o parceiro use a camisinha.

A gravidez precoce é consequência de problemas sociais e é fundamental que os gestores de saúde trabalhem para enfrentar esse problema e intervir, de alguma forma, para que os adolescentes não cheguem a essa situação. É uma questão de promoção da saúde. Paralelamente ao trabalho de prevenção deve buscar-se alertar os pais sobre a importância do pré-natal para garantir a segurança da mãe e do bebé. No caso dos adolescentes, uma boa assistência durante os nove meses de gestação torna-se ainda mais importante para evitar problemas relacionados à gravidez e ao parto.

Em contraposição com o enfoque "de risco" emerge o "enfoque sociocultural" argumentando que o enfoque de risco `pressupõe que a gravidez na adolescência é indesejável e trazem consequências morais, psicológicas e sociais negativas, desconsiderando a particularidade dos sujeitos que a estão vivenciando, apontando subliminarmente para uma visão negativa do exercício da sexualidade na adolescência.

Para (Stern e Garcia, 1999) As práticas sexuais precoces só se tornam arriscadas quando ocorrem de modo desprotegido e desinformado, alertando para o facto de que a queda das taxas de fecundidade entre as mulheres adultas nas últimas décadas, acreditando que seja decorrência da política de planeamento familiar dos anos 70’, dá maior evidencia ao fenómeno da gravidez na adolescência.

1.4. CONSIDERAÇÕES CIENTÍFICAS NA VOLTA DA GRAVIDEZ PRECOCE.

A gravidez na adolescência é representada socialmente como uma experiência a ser evitada nesse momento evolutivo, sendo as ideias e sentimentos ancorados nos valores culturais de uma sociedade tradicional que privilegia o equilíbrio e a conformidade às normas instituídas. Assim, como comportamento desviante, objectiva-se no senso comum reafirmando sua natureza estereotipada e seu carácter ideológico. Ressaltamos que os resultados são restritos a um pequeno número de adolescentes que não vivenciaram a gravidez precoce, tão pouco a maternidade e a paternidade até esse momento, o que sugere uma maior adesão aos princípios e sistemas simbólicos e que também sustentam as diferenças entre os géneros numa tentativa de manutenção de equilíbrio e bem estar sociais.

1.4.1. CONSIDERAÇÕES DA PSICOLOGIA

A adolescência constitui uma fase de conquista da sexualidade. Pensamos ser esta uma conquista importante, que vai sendo amadurecida e que é tanto mais madura quando constitui um veículo de aprofundamento do conhecimento do outro, do próprio e da relação.
Com efeito, assiste-se a uma descoberta desenfreada da sexualidade que constitui uma mera passagem ao acto, do qual resultam muitas vezes uma gravidez precoce.

Sabemos que a relação sexual entre dois namorados ocorre quando menos se planeia ou espera, mas a atitude preventiva pode estar sempre presente. É necessário evitar que um terceiro ser surja numa altura indevida.

Muitas vezes a gravidez na adolescência ocorre porque não há abertura na relação para se falar nos métodos anticoncepcionais, depois surge a gravidez, a vergonha, a desistência, a fuga a uma vida adolescente... e muitas vezes a depressão.

São, na maior parte das vezes, raparigas com problemas de auto-estima que se deixam arrastar por situações onde fantasiam que estão a ser amadas, sem tomarem as devidas precauções.

Penso que, cada vez mais, surge nos jovens a ideia de que "careta" não é quem não tem relações, mas sim quem as tem sem precaução. Como não se trata de uma questão de desconhecimento, há muitos factores de ordem psicológica que interferem.

Mas, para todas as situações é possível uma alternativa saudável. No desenvolvimento da personalidade, entre os multíplices factores, joga um papel muito importante a mudança profunda que experimentam na juventude dois elementos: o sexual e o sentimental. Dita mudança se realiza de maneira diferente na rapariga e no rapaz.

Na menina, a sentimentalidade ultrapassa ao começo as energias sexuais; a inclusão do sexual se realiza em forma constante desde o princípio da idade juvenil em diante; já aos 18 anos, é muito mais madura que o rapaz porque ela é capaz de um maior domínio de si e de dirigir as situações a medida que se apresentam, mais deve ter sempre presente que se sua sentimentalidade chega a ser cativada, deixa de julgar objectivamente e cede com certa facilidade a seus impulsos.

Pelo que se sabe, o mero impulso sexual é uma necessidade biológica que representa ao instinto e está condicionada por modificações químicas no interior do organismo. Esta é a natureza do impulso sexual, nada mais; mas também não nada menos.

Num começo o jovem muitas vezes busca satisfazer o impulso sexual consigo mesmo; isso lhe leva à masturbação. Mais tarde, o jovem fixa sua atenção noutras pessoas de diferente sexo, polarizando progressivamente seu desejo sexual. Finalmente, o jovem dirige sua atenção em uma forma selectiva sobre uma pessoa determinada e a escolhe definitivamente.

1.4.2. CONSIDERAÇÕES DA PEDAGOGIA

O debate sobre a gravidez na adolescência provoca ou não a evasão escolar é um tanto quanto repetitivo, entretanto, questionamos se a baixa escolaridade e a evasão seriam causa ou efeito deste fenómeno.

Para enfrentar a discussão da relação entre a gravidez na adolescência e a evasão escolar e estabelecermos as directrizes para este trabalho consideramos os dados levantados por investigações apontam que a incidência da gestação foi decrescendo e a incidência de evasão manteve-se estável: em 1999 foram informadas pelos directores das unidades escolares 114 gravidezes para 25 casos de evasão; em 2000 foram 108 gestações para 19 evasões e em 2001 registrou-se 82 casos de gravidezes para 21 casos de abandono da escola em decorrência de gravidez (Trindade et. all, 2003).

Diante de tudo o que foi exposto, estes números sugerem muitos desafios para as políticas públicas, de um modo geral, assim como aquelas estreitamente relacionadas ao adolescente, como saúde, educação e assistência social.

A inserção profissional num Projecto de Extensão Universitária permitiria sugerir algumas medidas importantes para, pelo menos, diminuir a apartheid social da juventude de nosso país, especialmente daquelas meninas que acidental e/ou conscientemente engravidaram:

Capacitar profissionais afectos a questão da adolescência para actuarem nas unidades escolares e de saúde que facilite o acesso aos direitos previstos na legislação vigente, como: assistência pré-natal, amamentação (conforme salienta as campanhas oficiais), aulas de apoio para que a performance da aluna não seja prejudicada, garantindo, inclusive a disponibilidade da matéria que está sendo dada na grade curricular (Ibíd.).

1.4.3. CONSIDERAÇÕES DEMOGRÁFICAS

Um estudo demográfico relativo à gravidez precoce em São Paulo acusa que de 1982 para cá, enquanto a população cresceu 42,5%, a taxa de gravidez dos 10 aos 19 anos aumentou 391%. Entre os óbitos neonatais, essa era a faixa etária de 30% das mães. Os dados são da Sociedade Brasileira de Pediatria e alertam para um dos problemas mais graves na área de saúde do adolescente: a gravidez precoce. Hoje, o parto é a principal causa de internação de meninas entre 10 e 14 anos e o principal procedimento médico. Em 1999, 26% deles foram de adolescentes (SBP, 2000).

Segundo os médicos, as consequências do exercício irresponsável da sexualidade costumam estar relacionadas a abortos, abandono de bebés, casamentos forçados e proliferação de doenças sexualmente transmissíveis, como a sífilis e o SIDA.

Em todas as conferências mundiais sobre população, enfatizou-se a contribuição importante da educação para resolver os problemas ligados ao crescimento demográfico e suas consequências. E não apenas a educação tomada no sentido amplo, incluindo as actividades extra-escolares e o ensino propriamente dito, mas referências foram também centradas sobre o papel da educação em matéria de população e, particularmente, da educação sexual (Werebe, 1998).

Dessa forma, a sexualidade, como uma instância constitutiva do humano, deverá atravessar as práticas quotidianas do professor na escola, não para controlar ou reprimir suas manifestações, mas para possibilitar ao adolescente a construção de sua própria identidade, e por isso também, de sua própria sexualidade.

Existe a ideia de que o embaraço adolescente é um fenómeno que se está incrementando. A maioria das investigações refere em sua justificação tal preocupação, que mais do que um argumento se tenha convertido num discurso decorrente.

Não obstante, os dados demográficos mostram que o incremento dos embaraços adolescentes é uma ideia enganosa. São o grande crescimento, em termos relativos e absolutos, da coorte de adolescentes e a forte diminuição da fecundidade das mulheres maiores nos últimos 15 ou 20 anos, o que se traduz tanto na maior visibilidade dos embaraços das adolescentes como em ou facto de que, ainda a taxas de fecundidade menores, sejam muito grandes o número e a proporção de filhos nascidos destes.

Outro aspecto que cremos tenha sido mal interpretado é a associação que se estabelece entre o embaraço adolescente e o rápido crescimento da população, que parte do reconhecimento de que as taxas de fecundidade das mulheres menores de 20 anos se têm mantido relativamente elevadas, apesar das campanhas de controle natal promovidas pelo Estado.

A análise demográfica tenha mostrado que os embaraços antecipados se associam com um maior número de filhos ao longo da vida reprodutiva e com espaços inter genésicos mais curtos, em comparação com os de mulheres que postergam sua maternidade. Desta maneira, se coloca que a fecundidade que se apresenta a antecipada idade contribui de modo ostensivo a gerar um crescimento acelerado da população (Stern & García, 2002).

1.4.4. CONSIDERAÇÕES SOCIOLÓGICAS

Cada sociedade estrutura e lega, de geração em geração, um modelo de comportamento e uma aprendizagem sexual, aprovando ou reprovando valores e comportamentos. Algumas dessas gerações introduzem mudanças, e o menino experimenta sobre essa base. No mundo actual, não obstante, a globalização das comunicações e a crescente estandardização das condutas faz com que os valores e os objectos sexuais se estejam universalizando.

Não obstante, muitos povos conservam costumes que marcam a seus membros na aprendizagem sexual. O fazer, tanto como o não fazer, educa. Mostrar o próprio corpo nu comunica uma mensagem e oculta-lo tem outro significado. O permitir aos meninos que toquem de uma forma natural seus genitais educa em uma direcção, e os proibir, noutra. Em qualquer caso, o resultado destas influências e interacções com as experiências pessoais, através da infância e posterior adolescência, estruturarão o comportamento sexual adulto, que será sempre personalizado.

Num contexto familiar e social o menino fará sua aprendizagem da identidade sexual e os papéis masculino e feminino. Estes se adquirem fundamentalmente no lar, com os pares, professores e outras pessoas que actuam como modeladores e reforçadores. Em outra esfera, o menino adoptará comportamentos, acções que levam ao descobrimento do prazer: as autoestimulatorias ou masturbatórias, e as hetero ou homo-estimulatorias. Intentará adquirir suas próprias acções e as irá construindo para toda a vida. Mais falta a etapa onde porá em jogo todo o aprendido, e que consiste em descobrir o amar e ser amado, a intimidade e a capacidade de comunicação nas relações interpessoais.

Um diálogo aberto e livre de tabus entre pais e filhos é fundamental para evitar enfermidades e embaraços não desejados.

Actualmente se tem visto um grande incremento nas relações pré-matrimoniais em ambos sexos, embora que o aumento mais significativo tenha sido manifestado nas mulheres.

Actualmente, muitos jovens têm relações sexuais a muito antecipada idade, que pode ser um intento para conseguir relações sentimentais profundas. Muitos se sentem pressionados a iniciar sua vida sexual por muitos factores: família, amizades, sociedade, etc.

Embora que em geral, se pode afirmar que os jovens não são tão promíscuos como qualquer se pode imaginar; tendem a estabelecer relações sexuais significativas e respeita-las por meio da fidelidade.

1.4.5. CONSIDERAÇÕES FILOSÓFICAS

No homem, a união sexual não deve ser considerada meramente como a simples satisfação da necessidade biológica, pois o homo sapiens não é uma criatura simples; seu apetite sexual não é de nenhum modo similar a sua necessidade de alimento ou água. O jovem tem em realidade poderosos impulsos físicos, mais é capaz de domina-los e envereda-los, mais, para se encarregar com êxito destas forças necessita compreende-las.

Um elemento primordial de um novo enfoque do embaraço adolescente é sua preocupação por conceber o fenómeno como um feito eminentemente social, é dizer, que se constrói a partir da intersubjetividade. Sem deixar de reconhecer a importância das implicações na saúde e nos processos demográficos (que não se deixam de lado mas se incluem e se reinterpretam em uma perspectiva mais ampla), se desenvolve além do que aos indivíduos corresponde na construção subjectiva do fenómeno, na interpretação que fazem dele e que finalmente é o que determina sua acção, pouco compreensível em ocasiões para alguns investigadores e agentes das instituições de serviço.

Outro elemento relevante em esta redefinição do fenómeno é o facto de vê-lo em forma dinâmica, é dizer como um processo descontextualizado. Já não falamos aqui genericamente do "embaraço adolescente" como único e universal, mas de suas manifestações num entorno e significado cultural determinados. Com isso se renuncia às pretensões de generalização e se opta por buscar a particularidade do fenómeno nos diversos contextos sócio -culturais e como parte de um processo social mais geral.

Neste último sentido, é importante chamar a atenção sobre a necessidade de situar também o problema do embaraço adolescente no contexto de mudança cultural de longa duração que tem lugar em nossas sociedades em relação com um conjunto de crenças.




CONCLUSÃO

A gravidez na adolescência é multicausal: Factores Biológicos, relativos á precocidade da menarca; familiares, relativos a tradições familiares, exemplos e inexperiência, figuram nas causas fundamentais.

Tentativas de suicídio, abandono da escola, prostituição e riscos para a saúde física e mental, são repercussões negativas da gravidez precoce. Preocupações e considerações, psicológicas, pedagógicas, demográficas, sociológicas e filosóficas aparecem como resultado de investigações científicas recentes, aspectos que em termos gerais são constatados no caso da população adolescente objecto do trabalho que se apresenta

Confirmam-se no caso de Benguela os factores etiológicos conducentes à gravidez precoce na adolescência, bem como as repercussões negativas deste fenómeno social mundial.

O apoio dos pais, a compreensão social de vizinhos, amigos e professores resulta essencial uma vez consumado o facto.

A totalidade das raparigas que ficaram grávidas manifesta se sentir arrependidas e aconselham positivamente a outras para não caírem no mesmo erro.




BIBLIOGRAFIA



Artigo Atenção à Gravidez na Adolescência publicado como Dicas no. 74, em 1996, de autoria de Veronika Paulics e auxiliar de pesquisa Fábio maleronka Ferron/ www.federativo. Bndes.gov.br

Artigo Gravidez Precoce do site Saúde de Vida On Line/ www.saudevidaonline.com.br
Artigo Projeto da Pesquisa- Metodologia Científica.

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Brasil. Estatuto da Criança e do adolescente. 5° Ed. São Paulo: Saraiva 1995.

FREITAS, Elizabete. Gravidez na Adolescência. Campinas: Atual 1990.

LAKATOS, Maria Eva. MARCONI, Maria de Andrade. METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTIFICO /4 ed. São Paulo. Revista e Ampliada. Atlas, 1992. MARTINS, Celso. Gravidez na Adolescência, Copyright, 2005.

A Educação na Comunidade Primitiva [Trabalhos Feitos Navegante]

A Educação na Comunidade Primitiva 

INTRODUÇÃO


Para entender a educação na comunidade primitiva, é preciso entender como era a "sociedade" nesse período.

Em primeiro lugar, é importante dizer que a comunidade primitiva tinha uma coletividade pequena, era assentada sobre a propriedade comum da terra, na qual os indivíduos eram livres e com direitos iguais. Tudo o que era produzido (em comum) era dividido entre todos e imediatamente consumido. A pequena produção, ou seja, a produção apenas do que era necessário, se deu devido ao pequeno desenvolvimento dos instrumentos de trabalho e impediu a acumulação de bens.

A divisão do trabalho, por sua vez, se dava com as diferenças entre os sexos, porém não existia a "inferioridade" por parte das mulheres.

Na comunidade primitiva, a igualdade entre homens e mulheres estava presente. O mesmo acontecia com as crianças. Até os sete anos de idade, elas acompanhavam os adultos em todos os seus trabalhos e recebiam como recompensa a sua porção de alimentos como qualquer outro membro da comunidade. A partir dos sete anos já deviam começar a viver as suas próprias expensas.

A sua educação não estava ligada a ninguém em especial, e sim à vigilância difusa do ambiente. A criança adquiria a sua PRIMEIRA educação sem que ninguém a dirigisse expressamente. Quando necessário, os adultos explicavam às crianças como elas deveriam comportar-se diante algumas circunstâncias.







A EDUCAÇÃO NA COMUNIDADE PRIMITIVA


Na comunidade primitiva temos uma pequena colectividade assentada sobre a propriedade comum da terra e unida por laços de sangue. Seus membros eram indivíduos livres, com direitos iguais, que ajustaram as suas vidas às resoluções de um conselho formado democraticamente por todos os adultos, homens e mulheres, da tribo. O que era produzido em comum era repartido com todos, e imediatamente consumido. O pequeno desenvolvimento dos instrumentos de trabalho impedia que se produzissem mais do que o necessário para a vida quotidiana e, portanto, a acumulação de bens.

Na comunidade primitiva, as mulheres estavam em pé de igualdade com os homens, e o mesmo acontecia com as crianças. A sua educação não estava confiada a ninguém em especial, e sim à vigilância difusa do ambiente. As convivências diárias que essas crianças mantinham com os adultos as introduziam nas crenças e práticas que o seu grupo social tinha por melhores. A criança adquiria sua primeira educação sem que ninguém a dirigisse expressamente.


É importante dizer que, nessas comunidades, o ensino era para a vida e por meio da vida, ou seja, para poder aprender, era preciso praticar (exemplo: para aprender a manejar o arco, era preciso caçar).

"(...) a educação na comunidade primitiva era uma função espontânea da sociedade em conjunto, da mesma forma que a linguagem e a moral". (PONCE, A. Educação e luta de classes, pp. 19).

Para concluir o período de uma sociedade sem classes, podemos afirmar que os fins educativos identificam-se com os interesses do grupo e se realizam igualitariamente em todos os seus membros, de forma espontânea (não existia nenhuma instituição responsável pelo ensino) e integral (cada membro da comunidade incorporava - mais ou menos-bem tudo o que era possível receber e elaborar na tribo). Porém, a sociedade muda, surgindo então as classes. E com elas, uma série de coisas sofrem mudanças. E com a educação não é diferente.

A EDUCAÇÃO PRIMITIVA E O SURGIMENTO DE UM MODELO ESCOLAR

A educação primitiva baseava-se na transmissão oral dos costumes, hábitos e tradições, através de um método de ensino natural, que acontecia em meio às atividades cotidianas, com o envolvimento de toda a comunidade. Era uma educação pragmática, voltada para o aprendizado de atividades, habilidades e comportamentos necessários à sobrevivência da criança e do jovem, sendo única e igual para todos. sendo a da criança e do jovem.. A escola era a aldeia, tal quais certas tribos indígenas brasileiras que ainda hoje, conservam o método de educação primitiva, muitas ainda, na condição de ágrafas. Para Brandão (2007, p. 18-19), baseado na citação de Durkheim, o modelo de educação tribal é baseado numa educação difusa, sendo administrada por todos os elementos do clã, de tal forma que:

“Todos os agentes desta educação de aldeia criam de parte a parte as situações que, direta ou indiretamente, forçam iniciativas de aprendizagem e treinamento. Elas existem misturadas com a vida em momentos de trabalho, de lazer, de camaradagem ou de amor.”

Segundo Aranha (2006, p. 34): “De maneira geral as sociedades tribais são predominantemente míticas e de tradição oral”.

Conforme a autora as primeiras comunidades que desenvolveram sistemas de educação, se basearam, inicialmente, na tradição, perpetuando valores e comportamentos através das gerações, principalmente nas sociedades ágrafas, marcando um processo de transmissão oral.

Maria Lúcia Aranha (2006, p. 35), comenta que em tais sociedades primitivas: “Os mitos e os ritos são transmitidos oralmente, e a tradição se impõe por meio da crença, permitindo a coesão do grupo e a repetição dos comportamentos considerados desejáveis”.

Nas sociedades primitivas, a educação compunha um tradicionalismo pedagógico, através de diferentes tendências religiosas. A educação primitiva era integrada a vida cotidiana, através de um ensino prático e informal, praticado por toda a comunidade.
Tais características me lembram a educação indígena, nas tribos brasileiras. Há uma comunidade em Itatiba, onde realizei as orientações do mestrado. Nela há quem estude formalmente, na universidade, porém muitos permanecem num sistema primitivo, liderado pelos anciões da tribo.

FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO – PERÍODO PRIMITIVO

·         Não existia educação na forma de escolas;
·         Objetivo era ajustar a criança ao seu ambiente físico e social, através da aquisição das experiências;
·         Chefes de família eram os primeiros professores e em seguida os sacerdotes.

   
A evolução do hominídeo para o homem apresenta as seguintes fases:

·         Australopithecus (de 5 milhões a 1 milhão de anos atrás), caçador, que lasca a pedra, constrói abrigos;
·         Pitecanthropus (de 2 milhões a 200 mil anos atrás), com um cérebro pouco desenvolvido, que vive da colheita e da caça, se alimenta de modo misto, pule a pedra nas duas faces, é um pronto-artesão e conhece o fogo, mas vive imerso numa condição de fragilidade e de medo;
·         Homem de Neanderthal (de 200 mil a 40 mil anos atrás), que aperfeiçoa as armas e desenvolve um culto dos mortos, criando até um gosto estético (visível nas pinturas), que deve transmitir o seu ainda simples saber técnico;
·         Homo sapiens, que já tem características atuais: possui a linguagem, elabora múltiplas técnicas, educa os seus “filhotes”, vive da caça, é nômade, é “artista” (arte naturalista e animalista), está impregnado de cultura mágica, dotado de cultos e crenças, e vive dentro da “mentalidade primitiva” marcada pela participação mística dos seres e pelo raciocínio concreto, ligado a conceitos-imagens e pré-lógico, intuitivo e não-argumentativo.

    A educação dos jovens, nesta fase, torna-se o instrumento central para a sobrevivência do grupo e a atividade fundamental para realizar a transmissão e o desenvolvimento da cultura. No filhote dos animais superiores já existe uma disposição para acolher esta transmissão, fixada biologicamente e marcada pelo jogo-imitação. Todos os filhotes brincam com os adultos e nessa relação se realiza um adestramento, se aprendem técnicas de defesa e de ataque, de controle do território, de ritualização dos instintos. Isso ocorre – e num nível enormemente mais complexo – também com o homem primitivo, que através da imitação, ensina ou aprende o uso das armas, a caça e a colheita, o uso da linguagem, o culto dos mortos, as técnicas de transformação e domínio do meio ambiente.

    Depois desta fase, entra-se (cerca de 8 ou 10 mil anos atrás) na época do Neolítico, na qual se assiste a uma verdadeira e própria revolução cultural. Nascem, as primeiras civilizações agrícolas: os grupos humanos se tornam sedentários, cultivam os campos e criam animais, aperfeiçoam e enriquecem as técnicas (para fabricar vasos, para tecer, para arar), cria-se uma divisão do trabalho cada vez mais nítida entre homem e mulher e um domínio sobre a mulher por parte do homem, depois de uma fase que exalta a feminilidade no culto da Grande Mãe (findo com o advento do treinamento, visto como “conquista masculina”).

"O ensino era para a vida e por meio da vida."

As crianças se educavam tomando parte nas funções da coletividade. Elas nunca eram castigadas durante o seu aprendizado.

“Deixam-nas crescer com todas as suas qualidades e defeitos.” 

Apesar de entregues ao seu próprio desenvolvimento, nem por isso as crianças deixavam de se converter em adultos, de acordo com a vontade impessoal do ambiente. BILDUNG

São adultos tão idênticos uns aos outros que ainda se encontravam ligados à comunidade por um verdadeiro “cordão umbilical”. MARX

Estamos tão acostumados a identificar a Escola com a Educação, e esta com a noção individualista de um educador e um educando, que nos custa um pouco reconhecer que a educação na comunidade primitiva era uma função espontânea da sociedade em conjunto, da mesma forma que a linguagem e a moral. PONCE


Não havia nada,absolutamente nada, superior aos interesses e às necessidades da tribo. Era esse o ideal pedagógico que o grupo considerava fundamental para a sua própria existência.Os fins dessa educação primitiva derivam da estrutura homogênea do ambiente social, identificam-se com os interesses comuns do grupo, e se realizam igualitariamente em todos os seus membros, de modo espontâneo e integral: espontâneo na medida em que não existia nenhuma instituição destinada a inculcá-los, integral no sentido que cada membro da tribo incorporava mais ou menos bem tudo o que na referida comunidade era possível receber e elaborar. Era conceito da educação, porém, era adequado para a comunidade primitiva, mas deixou de sê-lo à medida que esta foi lentamente se transformando numa sociedade dividida em classes.

A divisão da sociedade em “administradores” e “executores” não teria levado à formação das classes, tal como hoje conhecemos, se outro processo paralelo não tivesse ocorrido ao mesmo tempo. As modificações introduzidas na técnica aumentaram de tal modo o poder do trabalho humano que a comunidade, a partir desse momento, começou a produzir mais do que o necessário para o seu próprio sustento.

"Com o aumento do seu rendimento, o trabalho do homem adquiriu certo valor."

O trabalho escravo aumentou o excedente de produtos, produtos esses que os “administradores” comerciavam. As coisas continuaram assim até que as funções dos “organizadores” passaram a ser hereditárias, e a propriedade comum da tribo passou a constituir propriedade privada das famílias que a administravam e defendiam. Donas dos produtos, a partir desse momento as família dirigente passaram também a ser donas dos homens.

E com o desaparecimento desses interesses comuns a todos os membros iguais de um grupo e a sua substituição por interesses distintos, pouco a pouco antagônicos, o processo educativo, que ate então era único, sofreu uma partição: a desigualdade entre os “organizadores”- cada vez mais exploradores- e os “executores” – cada vez mais explorados – trouxe,necessariamente, a desigualdade das educações respectivas.

Cada “organizador” educava os seus parentes para o desempenho do seu cargo, e predispunha o resto da comunidade para que os elegessem. Com o passar do tempo, essa eleição se fez desnecessária: os “organizadores” passaram a designar aqueles que deveriam sucedê-los e, desse modo, as funções de direção passaram a ser patrimônio de um pequeno grupo que defendia ciumentamente os seus segredos. Para os que nada tinham, cabia o saber do vulgo; para os afortunados, o saber da iniciação.

Começa a haver uma hierarquia em função da idade, acompanhada de uma submissão autoritária que exclui o antigo tratamento benévolo demonstrado para com a infância, ao mesmo tempo em que surgem as reprimendas e os castigos. Já não sendo possível confiar a educação das crianças à orientação espontânea do seu meio ambiente. A educação sistemática, organizada e violenta, surge no momento em que a educação perde o seu primitivo caráter homogêneo e integral.

Uma vez constituídas as classes sociais, passa a ser um dogma pedagógico a sua conservação, e quanto mais a educação conserva o status quo, mais ela é julgada adequada. Já nem tudo o que a educação inculca nos educandos tem por finalidade o bem comum, a não ser na medida em que “esse bem comum” pode ser uma premissa necessária para manter e reforçar as classes dominantes. Para estas, a riqueza e o saber; para as outras, o trabalho e a ignorância.

Acompanhando as transformações experimentadas pela propriedade, a situação social da mulher também sofreu modificações de vulto. Ela agora passou a ocupar-se tão somente com funções domésticas que deixaram de ser sociais. A mulher, da comunidade primitiva, quando, juntamente com o homem, desempenhava funções uteis à comunidade, gozava dos mesmos direitos que este; mas perdeu essa igualdade e passou à servidão no momento em que ficou afastada do trabalho social produtivo, para cuidar apenas do seu esposo e dos seus filhos. A sua educação, ao mesmo tempo, passou a ser uma educação pouco superior à de uma criança.
Ela agora passou a ocupar-se tão somente com funções domésticas que deixaram de ser sociais. A mulher, da comunidade primitiva, quando, juntamente com o homem, desempenhava funções uteis à comunidade, gozava dos mesmos direitos que este; mas perdeu essa igualdade e passou à servidão no momento em que ficou afastada do trabalho social produtivo, para cuidar apenas do seu esposo e dos seus filhos. A sua educação, ao mesmo tempo, passou a ser uma educação pouco superior à de uma criança.

Mas ainda estava faltando uma instituição que não só defendesse a nova forma privada de adquirir riquezas, em oposição às tradições comunistas da tribo, como também que legitimasse e perpetuasse a nascente divisão em classes e o “direito” de a classe proprietária explorar e dominar os que nada possuíam: o Estado.




CONCLUSÃO



  A revolução neolítica é também uma revolução educativa: fixa uma divisão educativa paralela à divisão do trabalho (entre homem e mulher, entre especialistas do sagrado e da defesa e grupos de produtores); fixa o papel - chave da família na reprodução das infra-estruturas culturais: papel sexual, papéis sociais, competências elementares, introjeção da autoridade; produz o incremento dos locais de aprendizagem e de adestramento específicos (nas diversas oficinas artesanais ou algo semelhante; nos campos; no adestramento; nos rituais; na arte) que, embora ocorram sempre por imitação e segundo processos de participação ativa no exercício de uma atividade, tendem depois a especializar-se, dando vida a momentos ou locais cada vez mais específicos para a aprendizagem. Depois, são a linguagem e as técnicas (linguagem mágica e técnicas pragmáticas) que regulam – de maneira cada vez mais separada – os modelos de educação.

Portanto, vemos que a educação sofreu transformações devido ao surgimento de classes e que ainda haverá muitas mudanças nos próximos períodos.




BIBLIOGRAFIA




PONCE, A. Educação e luta de classe. São Paulo: Cortez Editora e Autores Associados, 1981. (Capítulo I)