quarta-feira, 15 de março de 2017

HISTORICISMO, MATERIALISMO HISTÓRICO

INTRODUÇÃO
As orientações epistemológicas que consideram a história como a verdadeira ciência do homem e que a interpretação dos fenómenos sociais por assinalar-se  o encadeamento dos fenómenos sociais no tempo bem como a respectiva singularidade. Neste sentido, consideram como tarefa da ciência a contemplação do processo histórico, tudo tendendo a reduzir à filosofia da história.
Em sentido amplo, o qualificativo, originário do alemão Historismus, é dado a correntes do pensamento, segundo as quais é a história que faz o homem e não o homem que faz a história. Baseia-se no modelo romântico inaugurado por Herder e Schelling, para os quais o universo deixou de ser um sistema e passou a ser entendido como história, numa passagem do cosmológico para o antropocêntrico. De certa maneira, é o exacto contrário do conservadorismo, gerando uma fuga para a frente, através do evolucionismo e do progressismo.
Com base nesta introdução, o presente trabalho nos remete nos colóquios históricos do tema historicismo e materialismo histórico.






HISTORICISMO, MATERIALISMO HISTÓRICO
HISTORICISMO
Historicismo é uma nova concepção de ciência social e do conhecimento social. Frequentemente a percepção que se tem do debate na ciência social é do confronto entre positivismo e o marxismo, que são duas correntes importantes, mas é um erro ignorar a existência de uma terceira corrente, que é o historicismo.
Esta é uma corrente específica, que não é idêntica nem ao positivismo, nem ao marxismo, embora possa se articular entre ambas. Encontramos formas de ciências sociais que são de vertente, ao mesmo tempo, positivista e historicista, como é o caso de Max Weber, e vamos encontrar também um marxismo historicista.
O historicismo é também uma das correntes mais importantes na teoria do conhecimento social, na ciência social, na sociologia do conhecimento em particular, posto que Karl Mannheim é o fundador da sociologia do conhecimento como disciplina científica, sendo ele próprio um representante do historicismo.
O historicismo parte de três hipóteses fundamentais:
I. qualquer fenómeno social, cultural ou político é histórico e só pode ser compreendido dentro da história;
II. existe uma diferença fundamental entre os fatos históricos ou sociais e os fatos naturais;
III. tanto o objecto quanto o sujeito da pesquisa estão imerso no processo histórico. Ou seja, ninguém está de fora da história, estamos todos dentro dela.
Quando o historicismo surgiu, fim do século XVIII e começo do XIX, ele tinha um carácter conservador. Tinha como objectivo defender as instituições económicas, sociais e políticas da sociedade tradicional, dizendo que essas instituições eram produtos do processo histórico e que a tentativa de aboli-las seria anti-histórica e que os levaria ao caos.
Devido a isso o historicismo, conservador, condena as revoluções e também o capitalismo. Ambos, novos e opostos os instituições acima citadas. Assim sendo contrários ao desenvolvimento histórico, segundo o historicismo conservador, e que poderia conduzir a catástrofe.
Esse primeiro historicismo tem forma conservadora, voltada para o passado e para a justificação de instituições - como as económicas, sociais e políticas.
Porém ele também traz consigo a visão histórica, tanto que a ciência histórica moderna começa com o historicismo alemão e é nesse momento em que aparecem os primeiros grandes historiadores.
Em um primeiro momento a objectividade não incomoda muito os cientistas sociais. Somente no fim do século XIX ela começa a ser vista como um problema. Nesse momento alguns historiadores colocam esses problemas - da objectividade - principalmente Droysen, que foi um dos primeiros a colocar a perspectiva relativista em um de seus textos.
Para Droysen a ciência histórica não poderia ser completamente objectiva ele coloca um nome nisso "objectividade de eunucos". Ele considerava que o historiador verdadeiro não é neutro.
"Eu não aspiro atingir nada mais, nada menos, do que a verdade relativa ao meu ponto de vista, tal com ele resulta de minha pátria, de minhas convicções políticas e religiosas e do meu estudo sério."
Porém esse método só leva a resultados parciais e unilaterais. "Devemos ter a coragem de reconhecer esta limitação e nos consolarmos com o fato de que o limitado e o particular são mais ricos do que o comum e geral."
É nessa época em que as antigas instituições e os valores tradicionais começam a mudar. O estilo capitalista-industrial e científico técnico surgem como valores novos. E é nesse momento de transição que o historicismo perde seu conservadorismo e se torna mais relativista.
Outro representante é WilhelmDilthey. Uma de suas primeiras contribuições foi o empenho na distinção entre as ciências naturais e sociais.
Para ele nas ciências sociais a pessoa está estudando a si mesma - "Em certa medida, é o homem como ser cultural que estuda sua própria cultura" (LÖWY) - existe afinidade entre o sujeito e o objecto estudado. Enquanto nas ciências naturais o individuo estuda um objecto a ele exterior.
Ele chega a conclusão de que as ciências sociais tem prazo de validade, ou seja, tem "validez historicamente limitada" (LÖWY).
"A história do mundo, como um tribunal do mundo, revela cada sistema teórico como relativo, passageiro, transitório, apesar de sua vã pretensão à validez objectiva. A história é um imenso campo de ruínas, de tradições religiosas, de afirmações metafísicas, de sistemas teóricos, de obras científicas, e cada um desses sistemas exclui o outro, nenhum consegue se provar definitivamente." Ele chama isso de " a anarquia dos sistemas teóricos".
Dilthey considera que cada visão de mundo, teorias, obras científicas tem um valor de conhecimento, mas esse valor é historicamente condicionado, limitado e relativo; ou seja, todo conhecimento sobre a sociedade, sobre a história é relativo a uma situação histórica determinada. Cada um é verdadeiro, mas também é unilateral (só toma uma dimensão da realidade).
Dilthey se dá conta de que as ciências sociais possuem uma profunda contradição. Por um lado, ela aspira ao conhecimento objectivo, válido; mas por outro lado, cada obra é vinculada a uma visão de mundo, uma visão limitada, unilateral; impondo, assim, certos limites ao conhecimento.
Dilthey percebeu o perigo do relativismo total, porque ele conduz ao ceticismo; ou seja, já que todo mundo tem uma parte da verdade (cada pessoa possui a sua verdade e a sua mentira) faz-se uma mistura e com isso se chega a verdade. Dilthey se recusa a este ceticismo, mas também não tem uma resposta para o problema.
 Simmel foi o principal aluno de Dilthey, que fez críticas ao positivismo. Entre elas a de que a ciência pode ser representada tal qual ela é, o que para ele não é verdade pois a ciência é um produto social.
 Entretanto a sua busca para resolver o relativismo foi a de que pegar todos os pontos de vista, os unir e fazer uma síntese.
Simmel tem uma desvantagem grande em relação a Dilthey, para ele a solução para o relativismo é exactamente os diversos pontos de vista, ou seja, o cepticismo, o conhecimento parcial e subjectivo.
 Porém existem duas críticas a cerca do ecletismo:
* a razão que Max Weber põe: "as soluções intermediária não são em nada mais objectivas que as soluções extremas [...], não há razão alguma para considerar a solução intermediária, eclética, que faz a média entre os extremos, como mais objectiva que as soluções extremas."
* e a outra que em soluções intermediárias as possibilidades são infinitas. Dessa forma voltamos ao ponto de partida em que existirão diversas visões cada uma delas dizendo que é objectiva e verdadeira.
Karl Mannheim é um pensador húngaro, de cultura alemã, que foi muito influenciado por Lukács. Lukács foi ministro da Cultura e nomeou Karl Mannheim catédrático de filosofia da universidade. Essa nomeação só durou três meses, quando a contra-revolução triunfou e eles tiveram que fugir. Com isso, Lukács foi para Viena e Mannheim foi para a Alemanha. Mannheim foi aluno de Simmel. 
 Em seus primeiros artigos, Mannheim cita dois conceitos importantes:
1. Conceito de Standortsgebundenheit
2. Conceito de Seinsgebundenheit
Ambos os conceitos são traduzidos erradamente como "determinação social"; numa melhor tradução quer dizer "dependência em relação à posição social". Deste modo, ele quis dizer que toda a forma de pensamento ou de conhecimento está vinculada ou depende de uma posição social determinada, ou de um ser social determinado.
Mannheim dá um avanço enorme ao historicismo que é o conceito de classe, que até então não aparecia. Ele afirma que o conhecimento não é só historicamente relativo, mas é também socialmente relativo, em relação a certos interesses, a certas posições, a certas condições do ser social, particularmente das classes sociais.
Mannheim afirma o relativismo como um caminho necessário para chegar a qualquer teoria social do conhecimento. Ele busca o máximo de relativização, para depois colher todos os pontos de vista e tentar fazer uma síntese. 
Partindo de Marx Lukács, Mannheim vai formular o conceito de ideologia total, que é uma certa estrutura de consciência ou um certo estilo de pensamento, socialmente condicionado.
Essa ideologia total, ou visão total de mundo ou estrutura da consciência, ou estilo de pensamento, tudo isso determina o processo de conhecimento, porque determina a problemática, a orientação da pesquisa, a análise e a teoria. Porém há muitas contradições em Mannheim, para ele essa ideologia total não é só fonte de ignorância, obscuridade, cegueira, falsificação, mas é também fonte de conhecimento, de lucidez.
A fórmula de Mannheim é que o dever do intelectual não é só o de se transformar em porta-voz de tal ou qual classe social, mas de tomar consciência de sua própria missão, de sua "predestinação a tornar-se o advogado dos interesses espirituais do conjunto da sociedade". No entanto, não fica claro quem são esses intelectuais, o que gera inúmeras polémicas contra esta tese.
Tanto o positivismo, quanto o historicismo, como o marxismo, partem da hipótese de que existe uma realidade social, uma realidade histórica; só que para o historicismo e o marxismo, existe uma relação dialéctica entre o sujeito e o objecto do conhecimento, não existe uma separação total como no positivismo.
A distinção entre ciências naturais e ciências sociais é fundamental, mas não é absoluta. Entre as ciências naturais e as ciências sociais, há um terreno intermediário, não se pode fazer um corte entre ciências naturais e ciências sociais, mas a distinção existe. 
No campo científico natural existe todo um espaço que é politicamente, ideologicamente e socialmente condicionado. Neste sentido, falar em ciência neutra é uma ilusão. Toda e qualquer observação de fatos não é desprovida de valores, e a própria escolha do objecto de pesquisa depende de preferências pessoais do pesquisador. Pesquisas científicas são financiadas por pessoas ou instituições com interesses políticos.
A fragilidade do historicismo e do historicismo relativista é de não perceber a relação entre essa limitação histórica do conhecimento e as classes sociais; o problema de classes está ausente no historicismo relativista de Droysen e quando ele aparece, no caso de Mannheim, aparece de maneira muito discutível.

MATERIALISMO HISTÓRICO

O materialismo histórico é uma abordagem metodológica ao estudo da sociedade, da economia e da história que foi pela primeira vez elaborada por Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895), apesar de eles próprios nunca tenham empregado essa expressão. O materialismo histórico procura as causas de desenvolvimentos e mudanças na sociedade humana nos meios pelos quais os seres humanos produzem colectivamente as necessidades da vida. As classes sociais e a relação entre elas, além das estruturas políticas e formas de pensar de uma dada sociedade, seriam fundamentadas em sua actividade económica.O materialismo histórico na qualidade de sistema explanatório foi expandido e refinado por milhares de estudos académicos desde a morte de Marx.

Ideias Centrais

De acordo com a tese do materialismo histórico defende-se que a evolução histórica, desde as sociedades mais remotas até a actual, se dá pelos confrontos entre diferentes classes sociais decorrentes da "exploração do homem pelo homem". A teoria serve também como forma essencial para explicar as relações entre sujeitos. Assim, como exemplos apontados por Marx, temos durante o feudalismo os servos que teriam sido oprimidos pelos senhores, enquanto que no capitalismo seria a classe operária pela burguesia.
Esta teoria de evolucionismo histórico fundamentava o pensamento Marxista que conduziu à implementação dos regimes comunistas pela "Revolução", ou seja, a rebelião das classes operárias contra os capitalistas.
O materialismo histórico como propulsor\impulsionador da evolução histórica foi posto em causa quer pelos pensadores liberais, que levaram ao desenvolvimento das Democracias do Norte da Europa, Reino Unido e América do Norte, quer pelos pensadores corporativistas que levaram ao desenvolvimento dos regimes autoritários de Itália, Portugal e Espanha.
No capítulo III da obra "Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico", Friederich Engels afirma:

"A concepção materialista da história parte da tese de que a produção, e com ela a troca dos produtos, é a base de toda a ordem social; de que em todas as sociedades que desfilam pela história, a distribuição dos produtos, e juntamente com ela a divisão social dos homens em classes ou camadas, é determinada pelo que a sociedade produz e como produz o pelo modo de trocar os seus produtos."

Fundamentos

O materialismo histórico, pensamento desenvolvido pelo estudioso Karl Marx, fundamenta-se, inicialmente, na observação da realidade a partir da análise das estruturas e superstruturas que circundam um determinado modo de produção. Isto significa dizer que a história está, e sempre esteve, ligada ao mundo dos homens enquanto produtores de suas condições concretas de vida e, portanto, tem sua base fincada nas raízes do mundo material, organizado por todos aqueles que compõem a sociedade. Os modos de produção são históricos e devem ser interpretados como uma maneira que os homens encontraram, em suas relações, para se desenvolver e dar continuidade à espécie. Segundo Marx:
O fato de Marx estar ligado a essa percepção material da vida e, por conseguinte, vinculado ao entendimento das relações humanas a partir dessa lógica da realidade que se faz presente no quotidiano das pessoas, nos dá a possibilidade para compreendermos que o pensamento marxista se estrutura, principalmente, por meio da inversão do pensamento Hegeliano. O propósito de uma história pautada no materialismo aparece como uma oposição ao idealismo. A realidade dos povos, segundo Marx, não pode ser explanada a partir de um parâmetro que entenda as ideias como um factor que figurem em primeiro plano, uma vez que estas somente encontram o seu valor enquanto fornecedoras dos alicerces que sustentam a imensa estrutura económica, que nada mais é do que o próprio mundo material, o mundo real.
As ideias seriam, então, o reflexo da imagem construída pela classe social dominante. O poder que ela exerce sobre as pessoas está directamente relacionado com a edificação ideológica que esta “elite” constrói dentro das mentes de seus dominados, fornecendo sua visão de mundo. É dessa forma que a ideologia permeia a consciência de todos, transformando-os em objectos de uso e de exploração. Assim sendo, Marx acredita que a manutenção da estrutura económica se dá mediante essa inversão da realidade, que se encontra no direito, na religião, e nas mais diversas formas de controlo.
Segundo Marx, a sucessão de um modo de produção por outro ocorre devido a inadequação desse mesmo modo de produção e suas forças produtivas. Exemplo: no final da Idade Média, quando houve o desenvolvimento do comércio, as relações servis começaram a desempenhar um papel de entrave ao desenvolvimento das forças produtivas, provocando assim uma implosão dentro do sistema e originando outro novo: o capitalismo. Compreende-se, então, que o capitalismo nasceu a partir das contradições do sistema feudal, e que a burguesia (classe dirigente), ao criar a sua oposição, o operariado, engendrou também o seu futuro extermínio, cavando a sua própria cova.
 
CONCLUSÃO
Desse modo, vemos que o historicismo de Marx e Engels, ou o chamado historicismo marxista, presente no materialismo histórico se contrapõe a categorias meta-históricas, metafísicas, abstractas de mundo, de homem, de sociedade. Trata-se, ao invés, de uma constituição totalmente empírica, produzida empiricamente e empiricamente verificável. Como teoria, traz sempre uma sistematização conceitual em respostas aos problemas concretos surgidos na vida dos homens, que, na sua condição de sobrevivência e na sua própria constituição possui o trabalho, a sua prática histórico-social, como algo imprescindível e fundamental. Em sua concepção materialista histórica, a dialéctica era um instrumento que servia para revelar e para descrever, criticamente, as contradições da sociedade capitalistas de todos os fenómenos da sociedade contemporânea e apontar os caminhos para a sua superação.




BIBLIOGRAFIA
LÖWY, Michael. Ideologias e Ciência Social: Elementos para uma Analise Marxista. São Paulo, 7ª edição, 1991
ENGELS, Friedrich. Introdução. In: MARX, Karl. As lutas de classes na França (1848-1850). São Paulo: Global, 1986.


segunda-feira, 13 de março de 2017

POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA, POLUIÇÃO HÍDRICA, POLUIÇÃO DO SOLO CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS

INTRODUÇÃO

A poluição é definida como a degradação da qualidade ambiental que direta ou indiretamente prejudiquem a saúde, segurança e o bem-estar da população, que criem condições adversas às atividades sociais e econômicas, que afetem desfavoravelmente a biota, as condições estéticas ou sanitárias do ambiente ou que lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões estabelecidos. Com base nesta explanação, o presente trabalho dirige-nos a falar sobre a poluição atmosférica, poluição hídrica, poluição do solo, bem como as suas causas e consequências.






POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA, POLUIÇÃO HÍDRICA, POLUIÇÃO DO SOLO CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS


Poluição atmosférica

A poluição atmosférica é consequência, em maior parte, da ação humana, no sentido de introduzir produtos químicos e/ou tóxicos no ambiente.
A queima de combustíveis fósseis – e não só ela - propicia a liberação de monóxido de carbono, que corresponde a aproximadamente 45% dos poluentes liberados em grandes metrópoles. Inodoro e incolor, o CO tem capacidade de se ligar à hemoglobina sanguínea, podendo provocar asfixia.
Dióxido de nitrogênio, dióxido de enxofre, ácido nítrico, ácido sulfúrico e hidrocarbonetos são outros poluentes que contribuem para esse tipo de poluição. Irritação de mucosas e vias respiratórias, cânceres, alteração da água e solo, corrosões de construções e monumentos, inversão térmica, efeito de estufa e destruição da camada de ozônio são algumas consequências da ação desses. Partículas, como as de sílica e amianto podem ser cancerígenas, além de causar fibroses e enfisemas pulmonares.
Considerando que, em qualquer tipo de ambiente, indivíduos que o constituem possuem relações de dependência, o fim de uma população, por exemplo, pode causar drásticas consequências a toda comunidade. Como, obviamente, nossa espécie é uma delas, não devemos nos esquecer que podemos ser os principais prejudicados.
Apesar de várias iniciativas governamentais e não governamentais, impactos ambientais de diversas magnitudes vêm ocorrendo e podem se agravar em razão desse problema. O velho paradigma de que não há desenvolvimento sem que haja agressões bruscas ao meio ambiente é o principal responsável por esta questão.
Há menos de cinco décadas, o discurso dos ambientalistas era tido como exagero ou ponto de vista radical e infundado. Entretanto, é fato que, por exemplo, os teores de gás carbônico na atmosférica aumentam anualmente em torno de 0,5%, a temperatura média da superfície de nosso planeta aumentou cerca de 5° C desde a época da Revolução Industrial e camadas inteiras e gigantescas de gelo das regiões polares são derretidas em velocidade assustadora como consequência da poluição do ar.
Assim, é importante rever nossas atitudes individuais e cobrar de nossos representantes e superiores atitudes referentes à qualidade do ar. O uso de filtros em chaminés de indústrias, investimento no transporte coletivo e em ciclovias a fim de reduzir o número de automóveis nas cidades, criar sistemas de carona entre os colegas, evitar queimadas, reduzir ou não fazer o consumo de carne (o esterco, a fermentação gástrica e intestinal dos ruminantes e o desmatamento para criar pastos são extremamente impactantes), reutilização de materiais, uso de energias menos ou não poluentes e não adquirir produtos que contém CFC’s (estes têm capacidade de destruir a camada de ozônio) são algumas medidas que podem ser adotadas.

Poluição hídrica

A poluição hídrica, causada pela atuação indevida das práticas humanas, pode gerar impactos sobre as espécies e provocar a escassez desse recurso natural.
A poluição hídrica corresponde ao processo de poluição, contaminação ou deposição de rejeitos na água dos rios, lagos, córregos, nascentes, além de mares e oceanos. Trata-se de um problema socio ambiental de elevada gravidade, pois, embora a água seja um recurso natural renovável, ela pode tornar-se cada vez mais escassa, haja vista que apenas a água potável é própria para o consumo.
A principal causa da poluição das águas é o desenvolvimento desenfreado das atividades econômicas, sobretudo nas cidades, com o aumento da deposição indevida de rejeitos advindos do sistema de esgoto e saneamento. Outra causa também apontada é o destino incorreto do lixo por parte da população, que atira objetos nos cursos d'água por pura falta de conscientização ambiental.
Há de se levar em consideração que, em uma bacia hidrográfica, tudo o que é gerado em sua área de abrangência é escoado para o leito do seu rio correspondente. Dessa forma, o aumento da poluição no espaço das cidades gera uma maior carga de poluentes para o leito dos rios que cortam essas áreas urbanas. No campo, o mesmo procedimento acontece, quando o uso indiscriminado de agrotóxicos faz com que os recursos hídricos sejam contaminados, uma vez que essa carga toda de compostos químicos acaba se destinando ao lençol freático ou ao curso d'água mais próximo.
Com o desenvolvimento das sociedades e a intensificação do processo de industrialização, além da introdução de novas técnicas de plantio no campo, cada vez mais as reservas hídricas encontram-se poluídas, o que gera uma maior escassez de lugares que podem ser aproveitados para a utilização da água para consumo e outras funções.
Nos mares e também nos oceanos, também há muita poluição, gerada tanto pelo destino indevido do lixo em práticas turísticas e de lazer nos ambientes litorâneos quanto, em alguns casos, pelo derramamento de petróleo, que é de difícil controlo.
As consequências da poluição das águas são diversas. A primeira, como já dissemos, é a perda dos recursos hídricos para consumo. Além disso, vale lembrar que esses locais são o habitat de várias espécies, algumas delas em risco de extinção.
Outro efeito da poluição hídrica é a ocorrência de um fenômeno chamado de eutrofização da água. Esse processo consiste na presença excessiva de nutrientes oriundos de produtos químicos que contaminam os rios, provocando a proliferação desenfreada de algas e cianobactérias, que impedem a entrada de luz nos ambientes fluviais e reduzem a disponibilidade de oxigênio na água, o que pode gerar a morte de incontáveis espécies.
Para combater a poluição das águas, é preciso intensificar as campanhas de conscientização ambiental, promover medidas de controlo e fiscalização, além de se realizar o correto manejo dos resíduos sólidos e o tratamento da água. É necessário, pois, que sejam adotadas medidas sustentáveis, sobretudo no sentido de garantir esse e outros recursos naturais para as gerações futuras.

Poluição do Solo

O solo é a camada superficial da crosta terrestre, sendo de fundamental importância para a vida de várias espécies. No entanto, as atividades humanas têm provocado a poluição do solo, fato extremamente prejudicial para todos nós.
A produção exagerada de lixo é uma das principais responsáveis pela poluição do solo. Durante o processo de decomposição de restos de alimentos, ocorre a produção de gases e de chorume, que é um líquido extremamente poluente e com forte odor. O chorume infiltra o solo, causando a sua contaminação, além de atingir o lençol freático (água subterrânea).
A utilização de agrotóxicos, pesticidas e fertilizantes químicos nas atividades agrícolas também contamina o solo. Esses produtos químicos são prejudiciais às formas de vida microbiológica presentes no solo, alterando de forma drástica sua composição. O solo contaminado acaba afetando as plantações e as áreas de pastagens. Sendo assim, os vegetais absorvem essas substâncias, que são ingeridas pelos humanos e por outros animais.
Assim como a agricultura, a mineração também contribui para a poluição do solo. Essa atividade, através de escavações e aberturas de imensas crateras, altera de forma significativa a estrutura natural do solo, e o uso de substâncias químicas agrava esse desastre ambiental.
Entre as possíveis medidas para combater a poluição do solo estão: a redução da produção do lixo, destino e tratamento adequado do lixo, reciclagem, saneamento ambiental, métodos agrícolas que possam substituir os agrotóxicos, entre outros. 
É importante ressaltar que a responsabilidade pela preservação do solo é de todos nós. Portanto, faça a sua parte.



CONCLUSÃO

Na elaboração deste trabalho foi possível a melhor percepção de cada um dos subtítulos como a poluição atmosférica sendo aquela que afeta as condições do ar que respiramos. Estes gases podem causar diversos danos à saúde humana como doenças respiratórias e alergias que são especialmente graves para crianças e idosos. A poluição dos corpos hídricos (rios, lagos, etc.) é talvez a mais comum de todas as poluições. E finalmente a poluição do solo todo resíduo que é despejado no solo sem cuidado algum (o que não é o caso de aterros sanitários, por exemplo) caracteriza um tipo de poluição.



BIBLIOGRAFIA

ARAGUAIA, Mariana. "Poluição da atmosfera"; Brasil Escola. Disponível em <http://brasilescola.uol.com.br/biologia/poluicao-atmosferica.htm>. Acesso em 13 de marco de 2017.
PENA, Rodolfo F. Alves. Geografia ambiental” Mundo Educação. Disponível em: http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/geografia/poluicao-das-aguas.htm. Acesso aos 13 de Março de 2017.
Escola Kids, Poluição do Solo. Disponível em: http://escolakids.uol.com.br/poluicao-do-solo.htm. Acesso aos 13 de Março de 2017.




sexta-feira, 10 de março de 2017

as condições sociais do Sequele

INTRODUÇÃO

O presente relato é fruto do observatório social, realizado no mercado do Sequele Município de Cacuaco. O mesmo começou as 8 horas e 30 minutos com término as 12 e 30 minutos, supervisionado pela orientadora Vicência.
O mesmo teve como objectivo observar as condições sociais do referido mercado, antes da nossa entrada no local de observação tivemos uma concentração onde a orientadora estrui-nos como deveríamos actuar.
Após as instruções fomos a administração onde tivemos algumas informações, sobre alcalização delimitações do mesmo, o ano da sua fundação e o seu funcionamento




SITUÇÕES ENCONTRADAS

De acordo com as característica da área infraestrutura, e equipamentos sociais água saneamento básico e segurança, observamos que nos últimos anos problemas de venda de produtos nos locais improprio no nosso País , tem  constituído preocupação crescente na administrações municipais e angolanas , assim tem se relizado eventos sobre o tema que tem vindo a ser realizado a nível nacional que enfatiza as emergências ,  visando a reinserção dos vendedores no mercados municipais .



CONCLUSÃO

Feita a observação, o mercado é formado pessoas que estão ligadas a uma a uma administração que coordena a mesma com a comissão dos vendedores, que devem velar pelas as condições do mercado.
Da analise individual durante observatório no interior do mercado, foi possível constatar que existe alguns problemas sociais no que concerne ao saneamento básico, Falta de contotores para o deposito do lixo  , depósitos de resíduos sólidos ,áreas para frutaria , talhos e peixaria .
Propostas de soluções parra redução de alguns problemas sociais que foram encontrados através da observação social, de forma a melhorar o bom funcionamento do mercado.
Como assistente social devo servir  de elo de ligação ou estabelecer a ponte entre o mercado  e administração de maneira a melhor o serviço de policiamento, sensibilizar a população de forma a não fazer vendas anárquicas    e saber conservar os bens públicos e privados .


OBS: Todos direitos reservados


psicanálise

INTRODUÇÃO

No presente trabalho abordaremos sobre a psicanálise, em que posteriormente a Psicanálise é um campo clínico e de investigação teórica da psique humana independente da Psicologia, que tem origem na Medicina, desenvolvido por Sigmund Freud, médico que se formou em 1881, trabalhou no Hospital Geral de Viena e teve contacto com o neurologista francês Jean Martin Charcot, que lhe mostrou o uso da hipnose.




PSICANÁLISE

A Psicanálise foi criada pelo neurologista austríaco Sigmund Freud, com o objectivo de tratar desequilíbrios psíquicos. Este corpo teórico foi responsável pela descoberta do inconsciente – antes já desbravado, porém em outro sentido, por Leibniz e Hegel -, e a partir de então passou a abordar este território desconhecido, na tentativa de mapeá-lo e de compreender seus mecanismos, originalmente conferindo-lhe uma realidade no plano psíquico. Esta disciplina visa também analisar o comportamento humano, decifrar a organização da mente e curar doenças carentes de causas orgânicas.
Freud foi inspirado pelo trabalho do fisiologista Josef Breuer, por seus trabalhos iniciais com a hipnose, que marcaram profundamente os métodos do psicanalista, embora mais tarde ele abandone essa terapêutica e a substitua pela livre associação. Ele também incorporou à sua teoria conhecimentos absorvidos de alguns filósofos, principalmente de Platão e Schopenhauer. Freud interessou-se desde o início por distúrbios emocionais que na época eram conhecidos como ‘histeria’, e empenhou-se para, através da Psicanálise, encontrar a cura para estes desajustes mentais. Desde então ele passou a utilizar a arte da cura pela fala, descobrindo assim o reino onde os desejos e as fantasias sexuais se perdem na mente humana, reprimidos, esquecidos, até emergirem na consciência sob a forma de sintomas indesejáveis, por uma razão qualquer – o Inconsciente.
Freud organiza em seu corpo teórico dados já conhecidos na época, como a ideia de que a mente era dividida em três partes, as funções que lhe cabiam, as personalidades que nasciam de cada categoria e a catarse. Essa espécie de sincretismo científico deu origem a inúmeras concepções novas, como a sublimação, a perversão, o narcisismo, a transferência, entre outras, algumas delas bem populares em nossos dias, pois estes conceitos propiciaram o surgimento da Psicologia Clínica e da Psiquiatria modernas. Para a Psicanálise, o sexo está no centro do comportamento humano. Ele motiva sua realização pessoal e, por outro lado, seus distúrbios emocionais mais profundos; reina absoluto no inconsciente. Freud, em plena era vitoriana, tornou-se polémico, e sua teoria não foi aceita facilmente. Com o tempo, porém, seu pensamento tornou possível a entrada do tema sexual em ambientes antes inacessíveis a esta ordem de debates.
A teoria psicanalítica está sintetizada essencialmente em três publicações: Interpretação dos Sonhos, de 1900; Psicopatologia da Vida Quotidiana”, que contém os primeiros princípios da Psicanálise; e “Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade”, na qual estão os esboços básicos desta doutrina. No atendimento clínico, o paciente, em repouso, é estimulado a verbalizar tudo que brota em sua mente – sonhos, desejos, fantasias, expectativas, bem como as lembranças da infância. Cabe ao psicanalista ouvir e interferir apenas quando julgar necessário, assim que perceber uma ocasião de ajudar o analisando a trazer para a consciência seus desejos reprimidos, deduzidos a partir da livre associação. No geral, o analista deve se manter imparcial.
Para Freud toda perturbação de ordem emocional tem sua fonte em vivências sexuais marcantes, que por se revelarem perturbadoras, são reprimidas no Inconsciente. Esta energia contida, a libido, se expressa a partir dos sintomas, na tentativa de se defender e de se preservar, este é o caminho que ela encontra para se comunicar com o exterior. Através da livre associação e da interpretação dos sonhos do paciente, o psicanalista revela a existência deste instinto sexual. Essa transferência de conteúdo para o consciente, que provoca uma intensa desopressão emocional, traz a cura do analisando. A mente, dividida em Id, Ego e Superego, revela-se uma caixinha de surpresas nas mãos de Freud. No Id, governado pelo ‘princípio do prazer’, estão os desejos materiais e carnais, os impulsos reprodutores, de preservação da vida.
No Ego, ou Eu, regido pelo ‘princípio da realidade’, está a consciência, pequeno ponto na vastidão do inconsciente, que busca mediar e equilibrar as relações entre o Id e o Superego; ele precisa saciar o Id sem violar as leis do Superego. Assim, o Ego tem que se equilibrar constantemente em uma corda bamba, tentando não se deixar dominar nem pelos desejos insaciáveis do Id, nem pelas exigências extremas do Superego, lutando igualmente para não se deixar aniquilar pelas conveniências do mundo exterior. Por esse motivo, segundo Freud, o homem vive dividido entre estes dois princípios, o do Prazer e o da Realidade, em plena angústia existencial. O Superego é a sentinela da mente, sempre vigilante e atenta a qualquer desvio moral. Ele também age inconscientemente, censurando impulsos aqui, desejos ali, especialmente o que for de natureza sexual. O Superego se expressa indirectamente, através da moral e da educação.
Segundo a Psicanálise, o Inconsciente não é o subconsciente – nível mais passivo da consciência, seu estágio não-reflexivo, mas que a qualquer momento pode se tornar consciente – e só se revela através dos elementos que o estruturam, tais como actos falhos – eles se expressam nas pessoas sãs, reflectindo o conflito entre consciente, subconsciente e inconsciente; são as famosas ‘traições da memória’ -, sonhos, chistes e sintomas. Freud também elaborou as fases do desenvolvimento sexual, cada uma delas correspondente ao órgão que é estimulado pelo prazer e o objecto que provoca esta excitação.
Na fase oral, o desejo está situado na boca, na deglutição dos alimentos e no seio da mãe, durante a amamentação. Na fase anal, o prazer vem da excreção das fezes, das brincadeiras envolvendo massas, tintas, barro, tudo que provoque sujeira. Na fase genital ou fálica, o desejo e o prazer se direccionam para os órgãos genitais, bem como para pontos do corpo que excitam esta parte do organismo. Nesse momento, os meninos elegem a mãe como objecto de seu desejo – constituindo o Complexo de Édipo, relação incestuosa que gera também uma rivalidade com o pai -, enquanto para as garotas o pai se torna o alvo do desejo – Complexo de Electra.
Outros pontos importantes da Psicanálise são os conceitos de perversão – ocorre quando o Ego sucumbe às pressões do Id, escapa do controle do Superego e não consegue se sublimar, e pode assim atingir uma dimensão social ou colectiva, como, por exemplo, o Nazismo -, e de Narcisismo – o indivíduo se apaixona por sua própria imagem, cultivando durante muito tempo uma auto-estima exagerada.



DEFINIÇÃO

De acordo com Sigmund Freud, psicanálise é o nome de (1) um procedimento para a investigação de processos mentais que são quase inacessíveis por qualquer outro modo, (2) um método (baseado nessa investigação) para o tratamento de distúrbios neuróticos, e (3) uma colecção de informações psicológicas obtidas ao longo dessas linhas, e que gradualmente se acumulou numa "nova" disciplina científica. A essa definição elaborada pelo próprio Freud pode ser acrescentada um tratamento possível da psicose e perversão, considerando o desenvolvimento dessa técnica.
Ainda segundo o seu criador, a psicanálise cresceu num campo muitíssimo restrito. No início, tinha apenas um único objectivo — o de compreender algo da natureza daquilo que era conhecido como doenças nervosas ‘funcionais’, com vistas a superar a impotência que até então caracterizara seu tratamento médico. Em sua opinião, os neurologistas daquele período haviam sido instruídos a terem um elevado respeito por fatos químico - físicos e patológico - anatómicos e não sabiam o que fazer do factor psíquico e não podiam entendê-lo. Deixavam-no aos filósofos, aos místicos e — aos charlatães; e consideravam não científico ter qualquer coisa a ver com ele.
Os primórdios da psicanálise datam de 1882 quando Freud, médico recém formado, trabalhou na clínica psiquiátrica de Theodor Meynert, e mais tarde, em 1885, com o médico francês Charcot, no Hospital Salpêtrière  (Paris, França).  Sigmund Freud, um médico interessado em achar um tratamento efectivo para pacientes com sintomas neuróticos ou histéricos. Ao escutar seus pacientes, Freud acreditava que seus problemas se originaram da não-aceitação cultural; ou seja, seus desejos eram reprimidos, relegados ao inconsciente. Notou também que muitos desses desejos se tratavam de fantasias de natureza sexual. O método básico da psicanálise é o manejo da transferência e da resistência em análise. O analisado, numa postura relaxada, é solicitado a dizer tudo o que lhe vem à mente (método de associação livre). Suas aspirações, angústias,  sonhos e fantasias são de especial interesse na escuta, como também todas as experiências vividas são trabalhadas em análise. Escutando o analisado, o analista tenta manter uma atitude empática de neutralidade. Uma postura de não - julgamento, visando a criar um ambiente seguro.
A originalidade do conceito de inconsciente introduzido por Freud deve-se à proposição de uma realidade psíquica, característica dos processos inconscientes. Por outro lado, analisando-se o contexto da época observa-se que sua proposição estabeleceu um diálogo crítico à proposições Wilhelm Wundt  (1832 — 1920) da psicologia com a ciência que tem como objecto a consciência entendida na perspectiva neurológica (da época) ou seja opondo-se aos estados de coma e alienação mental.
Muitos colocam a questão de como observar o inconsciente. Se a Freud se deve o mérito do termo "inconsciente", pode-se perguntar como foi possível a ele, Freud, ter tido acesso a seu inconsciente para poder ter tido a oportunidade de verificar seu mecanismo, já que não é justamente o inconsciente que dá as coordenadas da acção do homem na sua vida diária.
Não é possível abordar directamente o inconsciente (Ics.), o conhecemos somente por suas formações: actos falhossonhoschistes e sintomas diversos expressos no corpo. Nas suas conferências na Clark University (publicadas como Cinco lições de psicanálise) nos recomenda a interpretação como o meio mais simples e a base mais sólida de conhecer o inconsciente.
Outro ponto a ser levado em conta sobre o inconsciente é que ele introduz na dimensão da consciência uma opacidade. Isto indica um modelo no qual a consciência aparece, não como instituidora de significatividade, mas sim como receptora de toda significação desde o inconsciente. Pode-se prever que a mente inconsciente é um outro "eu", e essa é a grande ideia de que temos no inconsciente uma outra personalidade actuante, em conjuntura com a nossa consciência, mas com liberdade de associação e acção.
O modelo psicanalítico da mente considera que a actividade mental é baseada no papel central do inconsciente dinâmico. O contacto com a realidade teórica da psicanálise põe em evidência uma multiplicidade de abordagens, com diferentes níveis de abstracção, conceituações conflitantes e linguagens distintas. Mas isso deve ser entendido em um contexto histórico-cultural e em relação às próprias características do modelo psicanalítico da mente.

CORRENTES, DISSENSÕES E CRÍTICAS

Diversas dissidências da matriz freudiana foram sendo verificadas ao longo do século XX, tendo a psicanálise encontrado seu apogeu nos anos 50 e 60.
As principais dissensões que passou o criador da psicanálise foram C. G. Jung e Alfred Adler, que participavam da expansão da psicanálise no começo do século XX. C. G. Jung, inclusive, foi o primeiro presidente do Instituto Internacional de Psicanálise (IPA), antes de sua renúncia ao cargo e a seguidor das ideias de Freud. Outras dissidências importantes foram Otto RankErich Fromm e Wilhelm Reich. No entanto, a partir da teoria psicanalítica de Freud, fundou-se uma tradição de pesquisas envolvendo a psicoterapia, o inconsciente e o desenvolvimento da práxis clínica, com uma abordagem puramente psicológica.
Desenvolvimentos como a psicoterapia humanista/existencialpsicoterapia reichiana, dentre diversas e tantas terapias existentes, foram, sem dúvida, influenciadas pela tradição psicanalítica, embora tenham conferido uma visão particular para os conteúdos da psicologia clínica.
O método de interpretar os pacientes e buscar a cura de enfermidades físicas e mentais através de um diálogo sistemático/metodológico com os pacientes foi uma inovação trazida por Freud desenvolvido a partir de suas observações e experiência de tratamento através da hipnose. Até então, os avanços na área da psicoterapia eram obsoletas e tinham um apelo pela sugestão ou pela terapia com banhos, sangrias e outros métodos antigos no combate às doenças mentais.
Sua contribuição para a MedicinaPsicologia, e outras áreas do conhecimento humano (arteliteraturasociologiaantropologia, entre outras) é inegável[carece de fontes]. O verdadeiro choque moral provocado pelas ideias de Freud serviu para que a humanidade rompesse, ou pelo menos repensasse muito de seus tabus e preconceitos na compreensão da sexualidade, e atingisse um maior grau de refinamento e profundidade na busca das verdades psíquicas do ser humano.
Na actualidade, a Psicanálise já não se limita à prática e tem uma amplitude maior de pesquisa, centrada em outros temas e cenários, desenvolvendo-se como uma ciência psicológica autónoma. Hoje fica muito difícil afirmar se a Psicanálise é uma disciplina da Psicologia ou uma Psicologia própria.
Após Freud, muitos outros psicanalistas contribuíram para o desenvolvimento e importância da psicanálise. Entre alguns, podemos citar Melanie KleinWinnicottBion e André Green. No entanto, a principal virada no seio da psicanálise, que conciliou ao mesmo tempo a inovação e a proposta de um "retorno a Freud" veio com o psicanalista francês Jacques Lacan. A partir daí outros importantes autores surgiram e convivem em nosso tempo, como Françoise DoltoSerge AndréJ-D Nasio e Jacques-Alain Miller.
Uma das recentes tendências é a criação da neuropsicanálise segundo Soussumi tendo como antecedentes a fundação do grupo de estudos de neurociência e psicanálise no Instituto de Psicanálise em 1994 com a participação de Arnold Pfefer, e o neurocientista da Universidade de Columbia como James Schwartz, que a partir de 1996, fica sobre a coordenação de Mark Solms, psicanalista inglês com formação em neurociência, que vinha trabalhando em Londres e publicando trabalhos sobre o assunto desde a década de 1980 que juntamente com Pfeffer, em Londres, Julho de 2000 , organizam o I Congresso Internacional de Neuro-Psicanálise, onde é criada a Sociedade Internacional de Neuro-Psicanálise.
Destaca-se ainda nesse ínterim a publicação do artigo intitulado Biology and the future of psychoanalysis: a new intellectual framework for psychiatry (em português, “A biologia e o futuro da psicanálise: uma nova estrutura intelectual para a psiquiatria”) do neurocientista Eric Kandel, em 1999 . Segundo Kandel, a neurociência poderia fornecer fundamentos empíricos e conceituais mais sólidos à psicanálise. Um ano após a publicação do referido texto, em 2000, Kandel recebe o prémio Nobel de medicina por suas contribuições à neurobiologia, introduzindo o conceito de plasticidade neural.


CONCLUSÃO

Então conclui-se que em linguagem comum, o termo "psicanálise" é muitas vezes usado como sinónimo de "psicoterapia" ou mesmo de "psicologia". Em linguagem mais própria, no entanto, psicologia refere-se à ciência que estuda o comportamento e os processos mentais, psicoterapia ao uso clínico do conhecimento obtido por ela, ou seja, ao trabalho terapêutico baseado no corpo teórico da psicologia como um todo, e psicanálise refere-se à forma de psicoterapia baseada nas teorias oriundas do trabalho de Sigmund Freud; psicanálise é, assim, um termo mais específico, sendo uma entre muitas outras formas de psicoterapia.




BIBLIOGRAFIA

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Ferreira Netto, G. A. Wim Wenders : psicanálise e cinema. SP, Editora: Unimarco, 2001, ISBN 85-860-2233-0