sábado, 14 de janeiro de 2017

CULTURA E ETNIA, HÁBITOS E COSTUME DA PROVÍNCIA DO CUNENE

INTRODUÇÃO

O presente trabalho insere-se na investigação científica sobre a cultura e etnia – hábitos e costume na província do Cunene, da disciplina de Língua Portuguesa, orientado pelo Camarada Professor Faustino Kariqui, no ano lectivo de 2016. Sendo assim é evidente que se saiba que a cultura  é o complexo que inclui o conhecimento, a arte, as crenças, a lei, a moral, os costumes e todos os hábitos e aptidões adquiridos pelo ser humano não somente em família, como também por fazer parte de uma sociedade da qual é membro. O conceito etnia deriva do grego ethnos, cujo significado é povo. A etnia representa a consciência de um grupo de pessoas que se diferencia dos outros. Esta diferenciação ocorre em função de aspectos culturais, históricos, linguísticos, raciais, artísticos e religiosos. Costume são Práticas habituais ou modos de proceder. Hábitos são comportamentos que alguém aprende e repete frequentemente.






CULTURA E ETNIA, HÁBITOS E COSTUME DA PROVÍNCIA DO CUNENE

Cunene é uma província no sul de Angola, com uma área de 87.342 km² e com uma população estimada de 700 mil habitantes. A sua capital é Ondjiva  (antiga Vila Pereira d’Eça), dista a 1424 km de Luanda e a 415 km do Lubango.
A província compreende os municípios de Cahama,  Cuanhama,  Curoca,  Cuvelai,  Namacunde e Ombadja. É nesta província que o Rio Cunene ganha o seu nome.
A população cabindese, na sua grande maioria, é constituída por agro-pastores, ou seja, grupos étnicos que vivem essencialmente do seu gado bovino, mas complementarmente por uma (limitada) agricultura de subsistência. Em virtude da escassez do pasto, as manadas são criadas e mantidas num regime de transumância que implica migrações regulares.
O grosso da população faz parte de diferentes grupos do povo Ovambo, entre os quais os Kwanyama (Cuanhama) se destacam pelo seu peso demográfico. Pequenas minorias da população pertencem a diferentes outras etnias. Os Hinga são considerados como inserindo-se na categoria Nyaneka-Nkhumbi e têm um modo de vida semelhante ao dos Ovambo. Grupos dispersos de Chokwe distinguem-se pelo facto de serem exclusivamente agricultores, e grupos residuais de Khoisan continuam a sobreviver pela caça e recoleção. Com a excepção destes últimos, todas as etnias são bantu.
Ondjiva, a única cidade da província, está a sair lentamente de um longo período de estagnação. A sua actividade concentra-se nos sectores do comércio e dos serviços. Ela é desde os tempos coloniais sede de uma diocese católica. Desde 2009 é também sede de um pólo da Universidade Mandume de Lubango.
Na província existe um parque nacional que, em princípio, seria de interesse turístico, mas que até hoje pouco serve para este objectivo, devido às perturbações pós-coloniais.

Cultura e etnia

A província do Cunene conta com uma população de 965.288 habitantes (dados de 2014), e contrariamente à maioria da população de Angola, os povos desta província não são de origem Bantu.
Existem 4 grupos étnicos:
  • Koysan (nómadas que vivem da recolha de frutos silvestres e da caça)
  • Ovambos (que se subdividem em Kwanyamas, Cuamatos e Muvales)
  • Nyanecas Humbes
  • Hereros (que se subdividem em Mucahones e Mutuas)
Povos do Sul de Angola. Humbe, Cunene. Foto de Cavaleiro Torre.
A língua mais falada no Cunene é o Kwanyama.
A sua população dedica-se sobretudo à agricultura de subsistência, à pesca artesanal e à pecuária.  
Milho, massango, massambala e feijão são os principais cereais.
O ferro e o cobre são os minerais mais abundantes.
A província próspera actualmente graças à sua situação sobre a principal rota comercial entre Namíbia e Angola.

Hábitos e costumes

A cultura dos mushimbas resiste à civilização do penteado de uma trança, chamada "ndombi” para os rapazes, que simboliza o estado solteiro.
Segundo o ritual, o rapaz depois de ter sido circuncidado começa a criar cabelo até fazer trança. Esta trança é desfeita quando estiver prestes a contrair o matrimónio.
Para tal, a tradição atribui uma importância essencial ao costume do penteado, embora haja grande variedade de formas e de estilos, cultivo dos cabelos e dos penteados.
Em geral, seguem os qualificativos de género (cortes e penteados infantis, femininos e masculinos), idade (segundo ritos de passagem da infância, puberdade, vida adulta) e de acordo com determinado papel social, em que desempenha uma função identitária.
Os meninos Chimba ou Muhimba, tradicionalmente aos 9 ou 14 anos, utilizam trança única que, em geral, é desfeita por um especialista assim que atingem 20 e 25 anos, altura em que ela é repartida em duas tranças (semelhante aos chifres dos gados).
O cabelo do adolescente é untado pelo seu pai com manteiga e bosta de boi no ritual de passagem, indicando-lhe em voz alta que agora está apto para “tomar uma mulher”.
Porém, na chegada desse período, seu cabelo é raspado e seis meses depois, aproximadamente, é-lhe feito outro penteado “pequena trunfa”, no qual se aplica uma unção com manteiga e folhas aromáticas. Recebe adornos e colares e fica, por fim, recluso por três dias, para possibilitar a passagem à vida adulta.
Segundo o soba grande da etnia Mushimba no Curoca, Baptista Kamukuva, actualmente existe tendência da aculturação da comunidade, uma vez que hoje se verifica o uso de tecidos por parte de alguns jovens, bem como os doentes já recorrem às unidades hospitalares em construção de betão, ao contrário da anterior prática em que os doentes eram acamados por baixo de árvores e os enfermeiros se dirigiam ao encontro deles para o tratamento.
Por outro lado, disse, os jovens que vão trabalhar nas cidades acabam por “se render” a outros modelos de civilização.

Cerimónia de circuncisão

Outro ritual para o sexo masculino prende-se com a festa da circuncisão, considerada tradição fundamental, pois o respeito social, a consideração a um homem e até o futuro casamento dele dependem. Essencialmente, a circuncisão dos meninos pode ser levada a cabo a partir dos sete meses de idade até cerca de 12anos, mas nunca depois dos 18, pois aquele que não se submeter à prática é considerado marginal.
As características principais da cerimónia de circuncisão dos Muhimba decorrem ainda hoje numa festa de final de ano. Colocam-se sobre pedras chamadas Coluo, nas quais se faz reverência aos antepassados. Diz-se na ocasião que a circuncisão será feita fora da aldeia (é um tabu fazê-la nas cercarias de dentro).
A criança é então levada para fora e faz-se um pequeno corte ao redor da pele que cobre a glande do pênis (o prepúcio), deixando-a descoberta.

Casamento

A relação matrimonial da tribo Mushimba é do estilo polígamo, podendo ter três ou mais esposas, dependendo da situação financeira do esposo, na qual quem negocia a primeira noiva é o pai do rapaz, que pode muito bem ser uma criança de 5 anos, e a medida que a menina vai crescendo é sensibilizada de que já está comprometida até o dia em que assume o papel de esposa. Já na segunda ou terceira mulher, quem deve negociar a escolha é a primeira esposa.
O filho não deve negar a oferta do pai, pois segundo os hábitos e costumes o noivo nunca mais poderá vir a se casar.
Outro mito tem a ver com o tratamento entre esposo (a) ou filhos, pois pelos costumes não se pode chamar o nome do primeiro filho, bem como a mulher também não pode tratar o marido pelo seu nome, mas são chamados apenas pelos adjectivos (o pai chama filho e a mulher chama marido) e se chamar pelo nome tem um significado ofensivo.
Quanto à fidelidade conjugal, os mushimbas preservam ainda a cultura antiga, na qual quando um amigo visita outro o dono da casa cede uma das suas esposas ao visitante para lhe fazer companhia durante a noite; um gesto que se espera ser retribuído.
Os costumes indicam que os homens das etnias mushimbas não devem entrar em sua própria casa depois das 19 horas. O homem é obrigado a passar a noite na casa de um amigo ou familiar e na manhã do dia seguinte quando for para casa tem de anunciar a chegada para dar espaço de manobra ao amante.

Ritos de óbito

Falando do ritual de morte, a tradição dos mushimbas indica que quando morre o chefe de família tem que se matar vinte ou mais cabeças de gado bovino, dependendo da situação económica, cuja carne não é consumida, mas sim levada até ao cemitério e posta ao ar livre, enquanto os chifres são colocados em volta de um tronco de árvore, símbolo de alguém que foi rico e possuidor de gado. Esta carne é posteriormente furtada pelos povos Vátuas (considerada a tribo dos pobres e que não pode ser sepultado neste cemitério).
Em caso da morte de um filho do sexo masculino procede-se da mesma forma, só que a transladação do corpo é feita pelos tios mais velhos, que invocam aos antecessores ao entrar no cemitério, com uma palavra-chave: “Ontueya”, que significa “chegamos e estamos a trazer o filho de alguém que morreu”.
Depois, são retiradas folhas de uma árvore (omufiaity), como sinal de permissão para entrar no local para realização do funeral, um acto que se for violado origina inflamação dos membros inferiores das pessoas.
Já na morte de uma mulher não se deve proceder o ritual da matança de gado, mesmo que ela possua gado. O boi não é considerado dela, mas sim da família.



CONCLUSÃO

Depois da pesquisa feita chegou-se a conclusão de que a província do cunene preserva os seus hábitos e costumes de acordo as suas etnias e culturas. O tipo humano dos mushimbas revela traços que provam a sua interligação com os povos Cushiticos, através de algumas notórias características, nomeadamente a coloração da pele, influência linguística, traços faciais finos, hábitos de vida e de comportamento, e grande semelhança de costumes e tradições.




BIBLIOGRAFIA






ÍNDICE



cultura de Angola

INTRODUÇÃO

O ser humano é naturalmente um ser cultural, religioso, comunicativo, livre e está aberto ao diálogo.  Durante a sua vivência, vai assimilando experiências e conhecimentos e vai aprimorando o seu repertório cultural. Para melhor nos colocarmos dentro do conhecimento de um determinado povo, precisamos conhecer, antes de mais, a sua cultura. Neste contexto diz-se que ao tratar do conceito de cultura, a sociologia se ocupa em entender os aspectos aprendidos que o ser humano, em contacto social,  adquire ao longo de sua convivência. Esses aspectos, compartilhados entre os indivíduos que fazem parte deste grupo de convívio específico, reflectem especificamente a realidade social desses sujeitos.





A CULTURA ANGOLANA

História

A história de Angola remonta ao período do paleolítico. Os vestígios de presença humana encontrados em algumas regiões, nomeadamente em Luanda, Congo e Namibe, comprovam que o território angolano é habitado desde a pré-história. 

Nos primeiros 500 anos da era actual, as migrações de povos eram frequentes. Os povos instalaram-se e cruzaram-se pelo país. As lutas sucederam-se pela conquista de terras. Os portugueses, sob o comando de Diogo Cão, no reinado de D. João II, chegaram ao Zaire em 1484. Iniciaram, então, a conquista desta região de África, incluindo Angola.
A história enche-se de marcos importantes até à actualidade, com a colonização, a independência, obtida em 1975, e a guerra civil, que apenas teve fim em 2002, a assinalarem períodos chave da evolução do país.

Cultura

A cultura Angolana é influenciada por diversas etnias que moldaram o país. Portugal iniciou a ocupação na região de Luanda e mais tarde também em Benguela no início dos séculos XVI, mantendo o controlo da região até 1975. Devido a isso, ambos os países compartilham vários aspectos culturais, como a língua e a principal religião. No entanto, a cultura angolana é em grande parte de origem bantu que foi misturada com a cultura portuguesa, prevalecendo também influencias de diversas comunidades étnicas com seus próprios traços culturais, tradições e línguas nativas ou dialectos onde se incluem os Ovimbundu, Ambundu, Bakongo, Côkwe e outras.
A riqueza cultural de Angola manifesta-se em diferentes áreas. No artesanato, destaca-se a variedade de materiais utilizados. Através de estatuetas em madeira, instrumentos musicais, máscaras para danças rituais, objectos de uso comum, ricamente ornamentados, pinturas a óleo e areia, é comprovada a qualidade artística angolana, patente em museus, galerias de arte e feiras. Associado às festas tradicionais promovidas por etnias locais está também um grande valor cultural.
A música anuncia a riqueza artística de Angola, com os ritmos do kizomba, semba, rebita, cabetula e os novos estilos, como o zouk e kuduro, a animar as noites africanas. As danças tradicionais assumem, paralelamente, particular relevância, a par da gastronomia rica e variada. A literatura angolana tem origem no século XIX, com uma função marcadamente “intervencionista e panfletária de uma imprensa feita pelos nativos da terra” (Angola Digital). A literatura reflecte a riqueza cultural do país.
Em 1935, o romance “O segredo da morta”, de António Assis Júnior, atinge uma notoriedade significativa, assinalando um ano de viragem. No decorrer das décadas seguintes outras obras e autores se afirmam, contribuindo para a diversidade temática. Em Portugal, escritores como José Eduardo Agualusa fazem parte da moderna literatura de origem angolana. Outros nomes, como Ondjaki, integram a nova geração de escritores do país.

O POVO OUVIMBUNDO

Os Ovimbundos ocupam uma grande área no centro ocidental do país e estendem-se desde o litoral até às regiões montanhosas de Benguela.
O grupo linguístico Mbundo compreende 15 grupos principais: os mais significativos em número de habitantes dão os Bieno e os Bailundo.
Embora as tradições Ovimbundu digam que este povo veio do nordeste, alguns especialistas crêem que provavelmente vieram do sudoeste do Congo.
Entre 1500 e 1700,  o povo de Ovimbundu emigrou do norte e do este de Angola para a Meseta de Benguela.
Eles não consolidaram os seus reinos nem seus reis afirmaram sua soberania em cima da Meseta, até ao século 18, quando surgiram 22 reinos. Treze dos reinos, incluso Bié, Bailundu, e Ciyaka surgiram como entidades poderosas e os Ovimbundu adquiriram reputação de serem os comerciantes mais exigentes do interior de Angola.
Depois que os portugueses conquistaram a maioria dos estados de Ovimbundu, em finais do século 19, as autoridades coloniais portuguesas prenderam os reis de Ovimbundu directa ou indirectamente. 
Os Ovimbundos ocupam o planalto central de Angola e a faixa costeira adjacente, uma região que compreende as províncias do Huambo, Bié e Benguela.
São um povo que, até à fixação dos portugueses em Benguela, vivia da agricultura de subsistência, da caça e de alguma criação de gado bovino e de pequenos animais. Durante algum tempo, uma vertente importante teve o comércio das caravanas entre o Leste da Angola de hoje e os portugueses de Benguela. Este comércio entrou em colapso quando, no início do século XX, o sistema colonial português lhes exigia o pagamento de impostos os Ovimbundos viraram-se sistematicamente para a agricultura de produtos comercializáveis, principalmente o milho
No decorrer do século XX, e em especial no período da "ocupação efectiva" de Angola, implementada a partir de meados dos anos 1920, a maioria dos Ovimbundu tornou-se cristã, aderindo quer à Igreja Católica, quer a igrejas protestantes, principalmente à Igreja Evangélica Congregacional de Angola (IECA), promovida por missionários norte-americanos. Esta cristianização teve, entre outras, duas consequências incisivas. Uma, a constituição, em todo o Planalto Central, de aldeias católicas, protestantes e não-cristãs separadas. A outra, um grau relativamente alto de alfabetização e escolarização, e por conseguinte também do conhecimento do português, entre os Ovimbundos, com destaque para os protestantes
Em simultâneo houve dois processos de certo modo interligados. Por um lado, formou-se lentamente uma identidade social (um sentido de pertença) abrangendo todos os Ovimbundu, e não apenas subgrupos como p.ex. os M'Balundu ou os M'BienoPor outro lado, verificou-se uma "umbundização" cultural, inclusive linguística, de alguns povos vizinhos que tinham tido (e em certa medida mantiveram) características algo distintas dos Ovimbundu

Objectivo

Alcançada a paz, uma parte dos Ovimbundu refugiados nas cidades regressou para as suas terras de origem, enquanto a outra parte, possivelmente mais da metade, preferiu ficar nas áreas urbanas. No Planalto Central, regista-se a reconstrução, ainda em curso, das cidades do Huambo e Kuito, e a recomposição, algumas vezes em moldes diferentes. Ao mesmo tempo, a forte presença dos Ovimbundu nas cidades fora da sua região, facto novo na história de Angola, confere-lhes uma projecção nova, a nível nacional.

Tradição dos povos ovimbundu

Na tradição dos Ovimbundu os o nascimento de bebés gémeos constitui alegria para a família e ao mesmo tempo uma preocupação.
Quando nascem gémeos , ao contrários de outros bebés, estes são saudados com insultos.
São chamados por nomes abusivos, por exemplo: " Ove a Ngulu, ove ambua" que significa em português (tu porco, tu cão) e outras palavras depreciativas pelas quais são tratados.
A mãe e os gémeos depois de os umbigos caírem, são levados para fora de casa, envoltos em barro, a mãe é arrastada no lodo passando com ela em volta da casa num alarido de insultos assobios e ao som de chifre de boi ou cabrito, com uma balaio cheio canjica não desfarelada na cabeça ( ombulungu), que vai sendo consumida á medida que se vai arrastando a mãe no lodo.

Esta festa dura quase a manhã toda.

De seguida os umbigos são enterrados junto ao cruzamento dos caminhos, as roupas que serviram a parturiente são deitadas fora ou num rio. Quem faz isto é o curandeiro que acompanhou a parturiente e os bebés.

Grupos etnolinguísticos

O grupo étnico dos Ovimbundu é, actualmente, formado por vários subgrupos: Va-Mbalundu, Va-Vihe, Va-Wambu, Va-Ngalangi, Va-Kimbulu, Va-Ndulu, Va-Kingolo, Va-Kalukembe, Va-Sambu, Va-Ekekete, Va-Kakonda, Va-Kitatu, Va-Sele, Va-Mbui, Va-Hanya, Va-Nganda, Va-Cikuma, Va-Ndombe e Va-Lumbu). Estes subgrupos vivem na regiãoque compreende o Huambo (zona de solo fértil e onde se podem cultivar cereais, horticultura, e com boas condições para o gado, especialmente bovino); a Huila, sobretudo nos municípios de Caconda, Caluquembe e na própria cidade do Lubango, cuja população é maioritariamente Ovimbundu; o Bié, igualmente uma zona fértil e de clima saudável; Benguela, com terrenos muito férteis e onde existem minérios de cobre, ferro, enxofre, sulfato de sal, etc., e numa parte do Cuanza Sul, Moxico e Kuando-Kubango. Por fim, resta-nos apenas acrescentar que os futuros estudos a efectuar, quer ao nível da linguística, quer da arqueologia, quer ainda da tradição oral, poderão aportar outros dados importantes para o conhecimento da origem dos Ovimbundu
Os defensores da segunda hipótese afirmam que os Ovimbundu são uma síntese de vários grupos étnicos angolanos. E, consequentemente, não têm um carácter homogéneo. Estão à vista os aproveitamentos políticos que se podem fazer desta interpretação, uma vez que se pretende, com este ponto de vista, provar que os Ovimbundu não são um grupo étnico unitário, e muito menos têm uma especificidade cultural e etnolinguística própria.
Os estudiosos, defensores desta hipótese, apegando-se a aspectos linguísticos, afirmam que os Ovimbundu seriam descendentes dos Bakongo, uma vez que, segundo eles, a língua Umbundu é uma síntese do Bantu-Kongo e do Bantu-Lunda. Na verdade, esta hipótese possui uma certa evidência científica, pois os Ovimbundu pela posição que ocupam no planalto central teriam ligações com os Ambundu da Baixa de Kassanji; com os Cokwe e os Lunda.
E mesmo a sua grande versatilidade, a sua impressionante capacidade de adaptação aos diversos habitat, poderiam ser explicados a partir desta simbiose, ou seja, desta miscigenação que não se cingiu apenas a aspectos linguísticos e biológicos, mas também à adopção de saberes, técnicas, formas colectivas de luta contra a adversidade da natureza. Esta hipótese, a mais aceite pelos vários historiadores, viria a levar um rude golpe, criando assim várias dúvidas com a descoberta da estação arqueológica de Caninguiri (kaniñili).

A visita  a locais Sagrados ( Akokoto e Etambo)


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Imagens da entrada para os Akokoto

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Sekulo fala sobre Akokoto

As Pedras de Kandumbo onde se encontram um dos Akokoto. No local sagrado encontra-se os corpos dos antepassados. O povo ovimbundu venera muito os seus antepassados. Construindo assim pequenas casotas a que se chamam Etambo e os Akotoko.
A entrada para o Akokoto
Para os Ovimbundu quando uma pessoa morre o seu espirito permanece como manifestações efectivas de poder, personalidade e conhecimento dessa pessoa na sociedade, assim sendo os espíritos têm uma influência poderosa sobre os vivos. Por isso deve-se cuidar bem dos seus túmulos. Para se visitar estes locais os visitantes devem ungir os pulsos e só tornozelos com óleo de Palma e elimbui. Esta acção é que dá acesso e permissão a entrada do local.
Devem ser acompanhados por um guia. Este é uma pessoa indicada pela Corte da Ombala, geralmente é o soba que toma a dianteira. Mas para visitar um Etambo (local onde se encontram as caveiras dos antepassados) o ritual é mais complicado deve-se seguir os seguintes passos:
1.      Repete-se o caso da junção dos pulsos e dos tornozelos com óleo de palma e elimbui;
2.      Deposita-se uma quantia monetária no balaio;
3.      Entrega-se a autoridade uma garrafa de aguardente e um galo; E só assim se tem acesso ao Etambo

Ritual da chuva

A dança da chuva é um tipo de dança ritual que é habitualmente executada em certas comunidades com a finalidade de propiciar chuvas para a colheita.
Quando não chove na devida altura (nda Kuli ocitenya) os velhos da comunidade ficam preocupados, porque as plantações secam, tais como o milho e o feijão principal dieta  dos ovimbundos.
Assim os velhos (sa Sekulo) decidem ir ao túmulo dos antepassados aos Akokoto para a realização do ritual.
O local é limpo para a ocasião  a comida é preparada pela Nassoma (mulher do soba). A comida é constituida por canjica de milho  e são sacrificados alguns animais (cabras e galinhas);
As bebidas tradicionais como Kachipembe, chissangua(ocimbmbo);
A comida e a bebida são oferecidos aos espiritos, tocam os batuques e as pessoas comem e bebem. Se os espiritos dos chefes receberem as oferendas, choverá no mesmo dia. Se não chover, significa que os espiritos não estão satisfeitos com a cerimónia e tem de ser feita outra vez segundo o soba Kavinganji

Ritual de nascimento de Bebés Gémeos

O nascimento de bebés gémeos, constitui alegria para a família e ao mesmo tempo uma preocupação.  Quando nascem gémeos, ao contrários de outros bebés, estes são saudados com insultos. São chamados por nomes abusivos, por exemplo: " Ove a Ngulu, ove ambua" que significa em português (tu  porco, tu cão) e outras palavras depreciativas pelas quais são tratados.
 A mãe e os gémeos  depois de os umbigos caírem, são levados para fora de casa, envoltos em barro, a mãe é arrastada no lodo passando com ela em volta da casa num alarido de insultos assobios e ao som de chifre de boi ou cabrito, com uma balaio cheio canjica não desfarelada na cabeça ( ombulungu), que vai sendo consumida á medida que se vai arrastando a mãe no lodo.
Esta festa dura quase a manha toda. De seguida os umbigos são enterrados junto ao cruzamento dos caminhos, as roupas que serviram a parturiente são deitadas fora ou num rio. Quem faz isto é o curandeiro que acompanhou a parturiente e os bebés.

 Atribuição de nomes aos Bebés

Recebem o nome de animais selvagens  mais temidos na fauna Angolana tais como:
 Se forem dois rapazes
1º nascido = JAMBA ( ELEFANTE)
2º nascido = HOSSI (LEÃO)
Se forem um menino e uma menina
1º o menino =JAMBA
2ª a menima = NGUEVE ( HIPOPOTÁMO)
O tratamento dos bebés
Devem ser considerados  por igualdade de direitos. As roupas devem ser da mesma cor e tecido para evitar aborrecimentos entre eles.

A circuncisão

A iniciação de jovens para a vida cultural e social na tradição ovimbundu começa com a circuncisão (evamba), que na língua nacional umbundu significa mutilação da pele que envolve a cabeça do órgão genital masculino, cientificamente conhecida por prepúcio, considerada como parte inútil. Depois do acto de corte, antes de sarar a ferida, o jovem circuncidado permanece num acampamento com outros jovens também circuncidados e toma o nome de otchindanda.

A morte de um bebé

Se falecer um deles não se deve Chorar. A mãe e o bebé vivo são escondidos  ao máximo, até terminar o óbito e em sua substituição cria-se uma estátua antropomórfica de pequenas dimensões que deverá trajar a mesma roupa que o vivo e que deverá sempre ser levada pela mãe.

A dança

O povo ovimbundu aprecia muito a música acompanhada de dança diversificada de acordo ás circunstâncias dos rituais, pois através da música e da dança ele manifesta os seus sentimentos afectivos que podem ser de alegria ou tristeza. O dançarino é uma figura pública dominadora da arte da dança e por isso tem um lugar de referência na sociedade.
Pode ser homem ou mulher. Ele/ela dançam em público em festas tradicionais como a entronização, de iniciação a puberdade, na morte de um Rei entre outras.
A dança dos mais velhos – Olundongo
Executa-se durante o dia. Os executantes vestem-se de panos amarrados com cintos e usam o batuque. Esta dança usa-se tradicionalmente na entronização, em óbitos, despedidas de lutos das dançarinas, dos caçadores, circuncisores e soberanos.
Onyaca - Modalidade da dança tradicional, executada pelas mulheres. Geralmente usa-se na despedida de luto de quem em vida também usava tal dança.
Okatita - Dança tradicional usada pelos ambos os sexos, em momentos de diversão.

A Alimentação 

A base de alimentação do povo ovimbundu é o pirão feito de farinha de milho e por vezes de mandioca O pirão é acompanhado de diversos condimentos tais como: Feijão, feijão frade, folhas de mandioqueira, folhas de abóbera, folhas de  pepino, folhas de batata doce, bringeiras, quiabos, peixe salgado, carne de caça, ratos, gafanhotos.
Normalmente este povo come logo de manha, um prato substancial de pirão, batata doce ou canjica. A noite come um prato de pirão. No intervalo destas duas refeições come fruta e bebe Quissangua. 

CONCLUSÃO

Este tema foi bastante interessante pois conhecemos melhor alguns ritos e costumes da cultura do povo ovimbundo. Portanto este círculo cultural, além de caracterizar uma distribuição geográfica, considera ainda a história do desenvolvimento cultural e estuda a estratificação dos elementos existentes. Nisso diverge do conceito, mais moderno, de área cultural, que considera territorialmente a existência dos elementos culturais em face de semelhança de cultura material e de condições geográficas do povo ovimbundo.





BIBLIOGRAFIA

Augusto da Silva: O Povo Ovimbundo. Escola: Ngola Kiluanje, Angola, 2012.



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