sexta-feira, 22 de julho de 2016

ÉTICA, ESTADO E DIREITO

INTRODUÇÃO

O presente trabalho insere-se na pesquisa científica sobre a ética, estado e direito e também sobre a ética ambiental e ecológica. No sentido de melhor percepção sobre o tema viu-se a necessidade de interligar o tema “ética, estado e direito” devido as abordagens que colidem no sentido de melhor claridade adequado ao tema. Concernente ao subtema ética ambiental e ecologia fez-se abordagem segundo o Filósofo Hegel que por sua vez abordou assuntos que interagem directamente com o mesmo. Isto implica que os assuntos tratados me colocou na perspectiva de chegar aos objectivos pretendidos e ter ênfase na interpretação do mesmo.



ÉTICA, ESTADO E DIREITO

A vivência em sociedade surgiu devido às necessidades de sobrevivência humanas. Para além disso, os homens só podem ser felizes vivendo em sociedade.
A cidade faz parte do Homem, porque ele é um ser de natureza social. O insocial ou está muito acima do Homem (Deus) ou muito abaixo (animais). O Homem é diferente dos animais que também vivem num determinado sítio em comunidade, porque é capaz de comunicar muito mais do que apenas a dor e o prazer. Só ele tem o sentido do que é justo e do que é injusto, do que é bom e do que é mau.
A sociedade está na base da família e do indivíduo, porque as pessoas só se constroem e se tornam autónomas na relação com os outros. As pessoas só surgem dentro da própria comunidade. O homem é um animal político, porque é da sua natureza viver em sociedade. O que distingue a sociabilidade humana da sociabilidade animal é a linguagem, esta permite a identificação do bem e do mal, do justo e do injusto.
A sociedade e a política tem como função aplicar a ética, portanto é óbvio que é essencial que respeitem os valores éticos, visto que se isto não acontecer não será possível as pessoas serem felizes. Eles permitem aos indivíduos realizar-se e viver como pessoa
O Direito é o conjunto de regras, normas ou leis que regulam a convivência social dentro do Estado; ele é, em suma, o ordenamento jurídico do Estado. E a sua existência justifica-se pela sua finalidade: dirimir e tentar resolver pacificamente os conflitos entre os indivíduos e os grupos sociais e promover o bem comum da sociedade. As normas jurídicas têm de possuir as seguintes características, que as diferem das normas sociais: racionalidade, reciprocidade, universalidade, publicidade, validade e coercibilidade.
O Estado de Direito é inseparável dos regimes democráticos: os únicos que respeitam o homem, a pessoa humana e os seus direitos fundamentais.
A política é a ciência (porque exige o uso da inteligência e de um método, exige conhecimento) e a arte (porque requer sensibilidade e imaginação) da governação e direcção dos Estados. Tem um carácter profundamente realista: o regime político (mais desejável) é aquele que, procurando servir a totalidade das áreas relacionadas com o ser humano e todo o homem, melhor se adapte, aqui e agora, às realidades de um povo ou de uma comunidade. A política deve ser parte integrante da realidade do dia-a-dia.
Por isso ela exige necessariamente uma reflexão filosófica, uma ética, visto que apenas ela pode indicar os princípios racionalmente válidos e universalizáveis susceptíveis de fundamentar a razão humana. Inclusive os filósofos gregos não distinguiam ética de política.
É a política que cria o Direito e este deve ser justo: por isso exigimos regimes políticos legítimos, eticamente fundamentados e orientados. Apenas os regimes democráticos, e mais especificamente os regimes democráticos participativos, preenchem esta condição. A democracia é o governo do povo, pelo povo e para o povo.
O Estado para Hegel[1] é um todo ético organizado, isto é, o verdadeiro, porque é a unidade da vontade universal e da subjectiva. É, como entende o referido autor, a substância ética por excelência, significando com isso que Estado e a constituição são os representantes da liberdade concreta, efectiva.
O direito estatal externo repousa sobre relações entre Estados autónomos. Contudo, o Estado para Hegel é o que é em-si e para-si e, portanto, tem a efectividade de sua universalidade ou totalidade plena. Esta totalidade refere-se à união do espírito objectivo e o espírito subjectivo em que o indivíduo tem sua realidade e objectividade moral sendo parte do todo ético. Dessa forma, o indivíduo tem uma relação jurídica para com o Estado, isto é, tem um tribunal acima de si que realiza o direito enquanto liberdade. Mas as relações entre estados, diz Hegel, não são da mesma natureza que as dos indivíduos em sua vida privada e o Estado: sendo cada Estado uma totalidade em-si e para-si, sua vontade reside na particularidade para a qual se volta (substância ética, o povo). Daí que, não havendo nada acima do Estado, a relação entre os Estados se dá na forma do contrato e do respeito mútuo. Um Estado precisa ser reconhecido por outro para que tenha sua legitimidade absoluta.
Verifica-se que tal consideração sobre o Estado mostra-o, em sua individualidade, no estado de natureza. Isto nos leva a compreender que se não há acordo entre as vontades particulares dos Estados em meio a uma disputa, esta só pode ser resolvida com a guerra. A guerra, para Hegel, é legítima, pois além de ser considerada transitória (porque contém em si a possibilidade da paz), ela também é válida para a saúde moral dos povos, renovando a vaidade dos bens e coisas temporais.
Assim, fica de certo modo evidenciada a pouca simpatia do filósofo pela criação de um Estado mundial. Para que isto fosse possível, seria necessário que houvesse um acordo unânime entre todos os Estados de tal forma que prevalecesse a vontade universal, o que, segundo Hegel, dificilmente ocorrerá porque as considerações desta organização sempre repousariam sobre uma forma de contingência, isto é, sobre princípios de uma vontade particular.

A ÉTICA AMBIENTAL E ECOLOGIA

A ecologia surgiu, no campo das ciências humanas, como uma área voltada para o estudo das relações entre os seres vivos e com ela a noção de ecossistema justamente quando se colocou a necessidade de não ver os seres vivos de modo isolado, mas de perceber as interacções que ocorrem nas trocas de energia e matéria, entre o meio e os seres vivos, formando ciclos e fluxos contínuos.
Aplicada a visão transformadora da educação em situações de crise, a ecologia aponta para a busca de compreensão das causas que geram o desequilíbrio nas relações entre os seres vivos, incluindo os comportamentos destrutivos dos humanos. Enquanto fundamento para uma acção educativa, essa compreensão ajuda a identificar alguns pontos onde o espaço habitado com os demais seres vivos foi desviado do equilíbrio do todo, justamente por conseguir estudar estas relações sob a visão holística. A visão ecológica, portanto, é de suma importância no estudo da educação ambiental, pois permite rever a nossa atitude sob a visão da ética que são os valores que orientam as nossas acções pessoais e colectivas, aquilo que julgamos certo e errado, o que valorizamos ou desprezamos em nós mesmos e na natureza.
Podemos ainda pesquisar, conhecer e analisar, nos inspirando em muitos exemplos de outras culturas diferentes da nossa mente, que criaram e ainda preservam modelos ecológicos de compartilhamento do espaço ambiental em perfeito equilíbrio. Numa visão mais abrangente, podemos afirmar que ética e ecologia são inseparáveis. Há sociedades, por exemplo, onde a natureza é alvo de uma reciprocidade, onde os sentimentos, afectos e gestos humanos se dirigem aos demais seres vivos, vegetais, minerais e outros componentes da natureza.
Dentro da proposta da Educação Ambiental, quando damos ênfase à Ecologia, estamos ressaltando o fato de que cabe a espécie humana a responsabilidade pela preservação ou destruição da vida no nosso planeta.  Educação Ambiental, Ecologia e Ética juntas representam uma tendência na mudança de valores e comportamentos que são pontos fundamentais para enfrentar o caos ambiental, fruto de uma espécie de patologia maligna colectiva que contaminou a consciência humana. Aliás, que seja no mínimo amenizada já que não pode ser revertida.

CONCLUSÃO

Se pensarmos em um Estado Ético, perceberemos que a Ética pode, e deve, ser universal. Toda e qualquer acção que não interfira na Autonomia ou na Felicidade Objectiva de terceiros é uma acção ética ou neutra, e toda acção que cause prejuízo directo sobre a Autonomia e a Felicidade Objectiva de terceiros é, desde já, antiética. Por isso, não existe Ética de grupo A e Ética de grupo B, existe tão-somente a Ética, que pode ou não ir de encontro à moral desses grupos.
As questões éticas e de valores humanos tornaram-se fundamentais para a política e para a gestão do desenvolvimento sustentável. Fundado na responsabilidade para com a colectividade humana e num sentido de solidariedade amplo, ele considera as relações de nossa espécie com as demais espécies vivas e com o ambiente que nos cerca.
A ética ambiental se traduz em normas e leis, que constituem pactos e compromissos a serem cumpridos por todos, para evitar que os conflitos e disputas sejam resolvidos de forma violenta. Leis são elaboradas, divulgadas, cumpridas, implantadas, revistas periodicamente. É relevante que sejam respeitados os pactos, acertos, compromissos e promessas firmados, e que se exerça a ética no cumprimento da legislação. Para tanto, quanto mais inclusivo for o processo de elaboração das normas e quanto mais representativos forem os atores envolvidos, maior será a sua legitimidade. Os procedimentos para a elaboração das normas e leis precisam ser transparentes e abertos.





BIBLIOGRAFIA

CABRAL, João Francisco Pereira. "SOBRE O ESTADO - FILOSOFIA DO DIREITO DE HEGEL."; Brasil E  scola. Disponível em <http://brasilescola.uol.com.br/filosofia/sobre-estado-filosofia-direito-hegel.htm>. Acesso em 20 de Julho de 2016.



ÍNDICE





[1] Georg Wilhelm Friedrich Hegel foi um filósofo alemão. É unanimemente considerado um dos mais importantes e influentes filósofos da história.

Povos Ovimbundos

Introdução
O ser humano é naturalmente um ser cultural, religioso, comunicativo, livre e está aberto ao diálogo. Durante a sua vivência, vai assimilando experiências e conhecimentos e vai aprimorando o seu repertório cultural. Para melhor nos adentrarmos no conhecimento de um determinado povo, precisamos conhecer, antes de mais, a sua cultura. 

Povos Ovimbundos

Os Ovimbundo ocupam uma grande área no centro ocidental do país e estendem-se desde o litoral até às regiões montanhosas de Bengela.

O grupo linguístico Mbundo compreende 15 grupos principais: os mais significativos em número de habitantes dão os Bieno e os Bailundo. Embora as tradições Ovimbundu digam que este povo veio do nordeste, alguns especialistas creêm que provavelmente vieram do sudoeste do Congo. 

Destinguem-se, pelo menos, 18 grupos ovimbundu diferentes: Bailundos (va-mbalundu), Biés (va-vihé), Uambos (va-wambu), Galanguis (va-ngalangui), Quibulos (va-kimbulu), Adulos (va-ndulu), Quingolos (va-kingolo), Kalukembes (va-kaluquembe), Sambos (va-sambu)(va-ekekete), Cacondas (va-kakonda), Quitatos (va-kitatu), Seles (va-sele), Ambuis (va-mbui), Hanhas (va-hanha), Gandas (va-nganda), Chicumas (va-chikuma), Dombes (va-dombe) y Lumbos (va-lumbu).

Entre 1500 e 1700, o povo de Ovimbundu emigrou do norte e do este de Angola para a Meseta de Benguela. Eles não consolidaram osseus reinos nem seus reis afirmaram sua soberania em cima da Meseta, até ao século 18, quando surgiram 22 reinos. Treze dos reinos, incluso Bié, Bailundu, e Ciyaka surgiram como entidades poderosas e os Ovimbundu adquiriram reputação de serem os comerciantes mais exigentes do interior de Angola.

Depois que os portugueses conquistaram a maioria dos estados de Ovimbundu, em finais do século 19, as autoridades coloniais portuguesas prenderam os reis de Ovimbundu directa ou indirectamente.  

Depois de um século de uma certa estabilidade, a história Umbundu é marcada por uma série de guerras conhecidas por "as guerras dos Nanos". Estas guerras começaram em 1803 e duraram quase um século. As mais importantes aconteceram em 1848 quando os Huambo (um grupo Ovimbundu) tentou dominar politicamente os demais.

A agricultura é a fonte fundamental dos recursos económicos deste povo.
Ritos e costumes do Povo ovimbundu

O povo ovimbundu tem uma certa veneração pelos seus antepassados, daqueles que durante a sua vida terrena praticaram o bem e com galardão, merecem juntar-se ao coro dos seus antepassados (va sekulo).
É a estes a quem se devem construir  pequenas casotas que se chamam "atambo" no quintal da nossa casa, ou num dos quartos que fica privado apenas para o efeitoe, também  é a eles que se devem recorrer nos momentos de alegria, de tristeza , de calamidades naturais e de qualquer infortúnio na vida. 
Para tal recorrem alguns ritos e constumes,
  • Ritual a ao local sagrado (Akokoto ou Etambo)
  • Ritual da chuva
  • Ritual do nascimento de bébes gémeos
Costumes
  • A alimentação
  • A dança

 Breves sobre o reino do bailundo
O município do Bailundo que também é conhecido como terra do Rei Ekuikui, possui uma extensão de sete mil e 65 quilómetros quadrados e uma população estimada em 237 mil habitantes distribuídos em 70 povoações e 568 bairros e aldeias que conformam as suas cinco comunas (Henque, Lunje, Bimbe, Luvemba e a sede municipal).

O seu reino, fundado pelo rei Katiavala no século XV, antes designava-se Halavala. Pelo mesmo passaram, até ao momento, 35 soberanos, entre eles Katiavala I e II, Ekuikui I, II e III, Numa I, II e III, Hundungulo I e II, Tchissende I, II e III, Tchissende I e II, Numa I e II, Mutu Ya Kevela (vicerei), Jahulo I e II. Augusto Katchitiopololo (Ekuikui IV) é o seu actual Rei.

A visita  a locais Sagrados ( Akokoto e Etambo)

Imagens da entrada para os Akokoto
Sekulo fala sobre Akokoto

As Pedras de Kandumbo onde se encontram um dos Akokoto. No local sagrado encontra-se os corpos dos antepassados . O povo ovimbundu venera muito os seus antepassados. Construindo assim pequenas casotas a que se chamam Etambo e os Akotoko.

A entrada para o Akokoto 

Para os Ovimbundu quando uma pessoa morre o seu espirito permanece como manifestações efectivas de poder, personalidade e conhecimento dessa pessoa na sociedade, assim sendo os espíritos têm uma influência poderosa sobre os vivos. Por isso deve-se cuidar bem dos seus túmulos. Para se visitar estes locais os visitantes devem ungir os pulsos e só tornozelos com óleo de Palma e elimbui. Esta acção é que dá acesso e permissão a entrada do local.

Devem ser acompanhados por um guia. Este é uma pessoa indicada pela Corte da Ombala, geralmente é o soba que toma a dianteira. Mas para visitar um Etambo (local onde se encontram as caveiras dos antepassados) o ritual é mais complicado deve-se seguir os seguintes passos:
1.      Repete-se o caso da junção dos pulsos e dos tornozelos com óleo de palma e elimbui;
2.      Deposita-se uma quantia monetária no balaio;
3.      Entrega-se a autoridade uma garrafa de aguardente e um galo; E só assim se tem acesso ao Etambo

Ritual da chuva

dança da chuva é um tipo de dança ritual que é habitualmente executada em certas comunidades com a finalidade de propiciar chuvas para a colheita.

Quando não chove na devida altura (nda Kuli ocitenya) os velhos da comunidade ficam preocupados, porque as plantações secam, tais como o milho e o feijão principal dieta  dos ovimbundos.

Assim os velhos (sa Sekulo) decidem ir ao túmulo dos antepassados aos Akokoto para a realização do ritual.

O local é limpo para a ocasião  a comida é preparada pela Nassoma (mulher do soba). A comida é constituida por canjica de milho  e são sacrificados alguns animais (cabras e galinhas);

As bebidas tradicionais como Kachipembe, chissangua(ocimbmbo);

A comida e a bebida são oferecidos aos espiritos, tocam os batuques e as pessoas comem e bebem. Se os espiritos dos chefes receberem as oferendas, choverá no mesmo dia. Se não chover, significa que os espiritos não estão satisfeitos com a cerimónia e tem de ser feita outra vez segundo o soba Kavinganji

Ritual de nascimento de Bebés Gémeos

O nascimento de bebés gémeos , constitui alegria para a família e ao mesmo tempo uma preocupação.  Quando nascem gémeos , ao contrários de outros bebés, estes são saudados com insultos. São chamados por nomes abusivos, por exemplo: " Ove a Ngulu, ove ambua" que significa em português (tu  porco, tu cão) e outras palavras depreciativas pelas quais são tratados.

 A mãe e os gémeos  depois de os umbigos caírem, são levados para fora de casa, envoltos em barro, a mãe é arrastada no lodo passando com ela em volta da casa num alarido de insultos assobios e ao som de chifre de boi ou cabrito, com uma balaio cheio canjica não desfarelada na cabeça ( ombulungu), que vai sendo consumida á medida que se vai arrastando a mãe no lodo.

Esta festa dura quase a manha toda. De seguida os umbigos são enterrados junto ao cruzamento dos caminhos, as roupas que serviram a parturiente são deitadas fora ou num rio. Quem faz isto é o curandeiro que acompanhou a parturiente e os bebés.

 Atribuição de nomes aos Bebés

Recebem o nome de animais selvagens  mais temidos na fauna Angolana tais como:

 Se forem dois rapazes
1º nascido = JAMBA ( ELEFANTE)
2º nascido = HOSSI (LEÃO)

Se forem um menino e uma menina
1º o menino =JAMBA
2ª a menima = NGUEVE ( HIPOPOTÁMO)

O tratamento dos bebés

Devem ser considerados  por igualdade de direitos. As roupas devem ser da mesma cor e tecido para evitar aborrecimentos entre eles.

 A morte de um bebé

Se falecer um deles não se deve Chorar. A mãe e o bebé vivo são escondidos  ao máximo, até terminar o óbito e em sua substituição cria-se uma estatua antropomórfica de pequenas dimensões que deverá trajar a mesma roupa que o vivo e que deverá sempre ser levada pela mãe. 


A dança

O povo ovimbundu aprecia muito a música acompanhada de dança diversificada de acordo ás circunstâncias dos rituais, pois através da música e da dança ele manifesta os seus sentimentos afectivos que podem ser de alegria ou tristeza.

 O dançarino é uma figura pública dominadora da arte da dança e por isso tem um lugar de referência na sociedade.

Pode ser homem ou mulher. Ele/ela dançam em público em festas tradicionais como a entronização, de iniciação a puberdade, na morte de um Rei entre outras

 A dança dos mais velhos - Olundongo

Executa-se durante o dia. Os executantes vestem-se de panos amarrados com cintos e usam o batuque

Esta dança usa-se tradicionalmente na entronização, em obitos,, despedidas de lutos das dançarinas, dos caçadores, circuncisores e soberanos.

Onyaca - Modalidade da dança tradicional,executada pelas mulheres. Geralmente usa-se na despedida de luto de quem em vida também usava tal dança

Okatita - Dança tradicional usada pelos ambos os sexos, em momentos de diversão

A Alimentação 

A base de alimentação do povo ovimbundu é o pirão feito de farinha de milho e por vezes de mandioca O pirão é acompanhado de diversos condimentos tais como:

Feijão, feijão frade, folhas de mandioqueira, folhas de abóbera,, folhas de  pepino, folhas de batata doce, bringeiras, quiabos, peixe salgado, carne de caça, ratos , gafanhotos.

Normalmente este povo come logo de manha, um prato substancial de pirão, batata doce ou canjica
A noite come um prato de pirão. No intervalo destas duas refeições come fruta e bebe Quissangua.
Curiosidades de alguns nomes em Umbundu

EYALA [eyala lyambata tchalwa] – A lixeira ‘recolhe’ e suporta tudo.
HENDA [enda lakulu okakuka, enda l’omãla okateñgela] - O segredo está em que o mais velho conhece o que mete medo – tchikola – e “não toca”. Quem tem medo obedece e não pratica o mal!
ALEI – É o nome dado ao responsável das chaves na casa real.
KALUNDUNGU [vokulula kwolondungu hamo vokupepa kwatcho. Vilula, polê p’otchimanda vipwapo] – A pessoa não pode ser 100% boa para todos. É boa para uns; para outros passa por mau. E assim vai construindo a sua família. – “K’umboto k’undjali” – Nalguns males da família, fazer ouvidos de mercador. Os bons e os maus todos são teus familiares.
 KAMWENHO [ndilya k’omwenho kandanda kumwe; kupañgela wavisya] – Coma parte da tua riqueza e guarde outra, porque não se sabe o dia de amanhã.
KAPIÑGALA – É o herdeiro de tudo o que é dos mais velhos, desde o feitiço até aos bens. Tal como o sobrinho, filho da irmã, é herdeiro de tudo o que é do tio, assim o filho.
KASSINDA – É o nome dado àquele ou àquela que vem depois dos gêmeos ou gêmeas.
KATCHISAPA [kakuli lu katyapulamo upindi] – É um ramo ao longo do caminho que batendo a todos pode ser sinal de união. Ele pode identificar todos e cada um. Fulano? – passou; e fulano? – Também passou! Conhece a todos.
KATITO [Katito oko kove. Tchinene tchamãle. Okwandimba kenha (=nãlanãlako), ukwambambi kakusoywilako] – Fique sempre feliz com o que tens, antes que te chamem de invejoso.
KATULO [lyanga otulo, hokalyange ovisokasoka] – Durma antes e pense depois, porque, de contrário, o sono não vem.
KAVINIAMA [ovilongwa havyangeko kavinyama] – Não me acusem do que não fiz. Se estás sem culpa, tranquiliza-te; esteja seguro.
KAYENGENGA [kayengenga walunga okukupuka] – Aquele que sente preguiça de fazer alguma coisa é porque está quase para deixar. Sê flexível, porque o rijo acaba por partir.
LIKILIKI [likiliki wandele la põlo] – Tudo passa depressa, acalma-te; quando mais agitação à volta de alguma coisa, menos duração tem tal coisa! – É o mesmo sentido de: “yisika enene, yalaka okutwika” .
LUKAMBA [lukamba l’ohele kakwete] – Não teme nada, pode ir procurar esposa mesmo fora da sua família. São coisas que na tradição africana não se fazem! Mas ele é o soldado do rei que procura e conserva os anseios do chefe quer em tempo de guaerra quer em tempo de paz e não se importa em que condições forem.
MOMA [apa walila omoma hapoko yukumomela] – O mal não vem todo no mesmo dia. O mal que fazemos hoje terá “recompensa” no futuro!
NDANDULA [kwenda ombela owiñgi uvandjako; kwenda ondambi, umosi lika ovandjako. Ndandulako] – Para onde foi a chuva todos olham. Onde foi uma pessoa, só o seu ente querido é que acompanha; para onde foi a senhora (a bela) só o marido acompanha.
NDEMBELE [ndembele kandjila k’otchindele, ondjomba yiwa k’owiñgi] – Tudo é melhor em conjunto; nunca faças nada sòzinho.
NDINGAWA [kasolawa, omo nda uyeveyo kavulala kikolo] – Aquele que faz bem aos outros, quando lhe acontece também alguma coisa todos se admiram [todos se riem dele]. – “Uyeveyo” é peça de sopro do fogo para moldar o ferro. Porém, está sempre amarrado: apesar do bem que faz, permanece amarrado.
NDJAMBA [yakutulika, eteke yukutulula, k’ilu kwalinga otchipãla] – Quando se tem alguém num lugar de chefia, está-se seguro, mas tudo pode acabar de repente! – “Nda okasi pawa pavi pakupayola. Nda otyañgela ndjamba, malanga upitakapo okalumbange] – Se és chefe, respeita os subordinados; nunca se sabe quando tudo pode mudar. Quando se é jovem, é preciso respeitar os mais velhos; é que o velho já foi jovem, mas tu ainda estás para ser velho. A ironia da história poderá um dia castigar-te! NDJOLELA [kateke weya, uyolela wanda]. A visita fique o mais breve possível, porque de contrário já aborrece, desagrada.
NGEVE [ngeve yusi katala] – Quando o hipopótamo passa o dia estendido na praia, está para morrer! A pessoa que está para morrer, despede-se através de muitos sinais.
NHIMAWA [onhima yiwa kaimoli omõla] – Quem quer não tem! Quem tem esbanja! Quem pode não faz; o pobre é que tem mais filhos.
SAFEKA - É nativo: nunca mudou.
SANDULA – Esbanjador. – “Pessela” – [wapessela kanola – wanhelisa kasandiliya] – Quem perdeu não procura: se te morreu o pai ou a mãe, o irmão ou o filho, onde irás procurá-lo? Não tem substituição!
SIMBU (=TCHOKOSIMBU) [tchosimbu, okwiya tchalinga tchokaliye] – Se alguém te deve, não te zangues com ele; quando vier pagar, ficará tudo novo. – “Kanhangulu waloyela kumosi la kanhongo” – Dois acontecimentos juntos: um bom e outro mau!
SIMWILA [hokandjupe tchange, ñgasi (ale) likalyange] – Uma viúva que cuida dos filhos sòzinha, não lhe peças mais emprestado (sobretudo sem lhe pagar).
SUKWAPANGA (=SUKWAKWETCHE) [Sukwakwetche, imbandì vilipende okusakula] – Se Deus não te “chamou”, vivo ou morto, fica. Tudo é segundo a Sua vontade. – “Tchakupanga, tchukupa v’evanda” – No meio de tanta gente morre apenas um!
TCHAKUSOLA [tchakusola kwama k’omunga] – Mesmo conhecido, é preciso ser convidado! [Se é verdade que sou o dono (da festa) porquê não sou notificado?]
TCHAMB’OUSA [ame tchamb’ousa: otchivimbi tchitalamela mwele; tchalela tchitalamela enhanga] – Quando alguém morre, esperam-se os parentes para o enterro, mesmo que estejam longe!
TCHAMILE [uti wamile hawo lokuloluka; epata lyalwile halyo lokukunduka] – A árvore de fruta seca com o tempo; eram muitos irmãos, agora ficou apenas um.
THIKOLA [tchikola hokatchikwate] – Uma coisa admirável não deves tocar, faz mal. Uma acção má e perigosa nunca se deve repetir.
TCHIKOMO [tchatchotcho tchikokusumba] – Diz-se do que mete medo!
TCHILOMBO [p’otchilombo tch’olongende, kayolokele osalapo] – “P’otchilombo” é o lugar de hospedagem. O sentido do provérbio: em tudo é preciso dinamismo. É preciso actualizar-se sempre. Siga o que os outros fazem em conjunto desde que seja para o bem.
TCHINGWETA [yanda kayiyelula k’ekondjo; yatehã olwi yasiñga ovava] – Pessoa gorda simboliza o bem-estar!
TCHINOFILA [umba te watchilya] – A causa pela qual se morre tem de ser do nosso inteiro conhecimento e/ou pleno consentimento.
TCHINONHALE [tchinonhale katchukutundi; tchinosole katchukusole] – Muitas vezes acontece que se espera ou se deseja o mal ou a morte de alguém por ser mau e nada lhe acontece; pelo contrário, a quem estimamos é que em tão pouco tempo algo de pior lhe pode acontecer!
TCHIPUMA [tchipuma etemo tchiyunda, tchipopya omanu tchikeya] – O que se capina com a enxada torna a crescer; o que as pessoas dizem há-de acontecer! É preciso tomá-lo a sério!
TCHISINGI [tchisingi kakulihile omõla wombwale; omõla wa soma, osuke ale owasi, vosi valipundukamo] – O tronco (no caminho) não conhece pessoa boa e delicada; não conhece o filho do rei, rico ou pobre; todos tropeçam nele. TCHITENDE [tchitende opanga etchi tchivi ndañgo watanga omo watopa. Walunguka kapangi etchi tchivi] – Uma pessoa parva – minus habens – faz coisas descabidas, mesmo que tenha estudado; a pessoa dotada não faz coisas sem sentido. TCHITULA – É alguém que nasceu numa aldeia nova.
TCHITUMBA [tchukwihã so la nhoho, wamale kakutchihã, hati okwete ale] – É delicato ter barriga grande; quem não sabe pensa que já comeu. –“V’omela nda mwasahuluka, lyola; mahako ñgo, walaka okuvisya”! - Se tens apetite, come. Quando te obrigam a comer, então estás quase a morrer…Trata-se de uma pessoa doente!
TCHIVINDA [okutela utale l’uteke, volundila utale] – Ao guarda se responsabiliza tudo o que falta. Tu que andas de noite podes ser responsabilizado de tudo o que acontece no oculto.
TCHIYO [nda wamõla kahañgu, katchiyo hokawinesi; kahañgu nda kepo, katchiyo kove iya okupopela – nda okwela ukayi, hokaling’heti ndakwela ukayi wotchili; ovindja vyahe handi kuvi] – Mais vale ser fiel ao que já nos pertence, porque da novidade nos poderemos arrepender tarde demais.
TCHUKULYA [yakulila kayukupopela tchiñgii] – Antes de ires ao julgamento, dê primeiro uma dádiva – paga! Assim, por o juíz estar comprometido contigo, não te condenará em tribunal.
VIHEMBA - É um nome dado a quem durante a gravidez e o parto provocou muitos problemas de saúde; foram precisos muitos medicamentos para a mãe ou mesmo o pai.
VISSOKA [ovissoka-soka vyovutima] – O coração pensa em tudo e às vezes sem razão. 



Retirado do: http://culturaangolanaetniaovimbundo.blogspot.com/p/artigos-informativos.html 

quinta-feira, 23 de junho de 2016

JOGO INFANTIL BOLA AO TÚNEL

INTRODUÇÃO
Os estudos e pesquisas realizadas para a organização deste material didáctico fazem parte de algumas experiências práticas vivenciadas em aulas de recreação e lazer, animação e entretenimento, através dos jogos e brincadeiras e ainda de outros programas de aprendizagem, como a animação sócio-cultural, que constituem os currículos recreativos.
É oportuno lembrar e analisar os conceitos e discussões sobre a brincadeira, a qual deve ser levada muita a sério no desenvolvimento das crianças, adolescentes e adultos, pois o ato de brincar vai oportunizar as pessoas uma vivência pura e simples da sua essência lúdica, possibilitando um aumento da auto estima, um auto conhecimento de suas responsabilidades e valores, uma troca de informações e experiências corporais e culturais, através das actividades de socialização, e ainda do enriquecimento de suas próprias capacidades, através do estímulo à iniciativa, da melhoria nos processos de comunicação e principalmente da opção por acções que estimulem a criatividade, que é certamente uma característica e um objectivo fundamental da recreação, seja através do uso de uma brincadeira ou de um jogo, dentre as suas diversas formas de realização.




JOGO INFANTIL BOLA AO TÚNEL
As crianças e a recreactividade
No inicio da vida escolar é um pouco difícil adaptar a criançada a nova rotina. Tudo é novo para elas, o ambiente, as pessoas, o facto de ter que acordar cedo ou não ter mais o cochilo da tarde, mas adapta-las a esse novo mundo pode não ser tão complicado assim quando relacionamos nossos objectivos com os seus interesses.
Crianças gostam de brincar, e na fase escolar esse desejo se intensifica. Por isso as actividades recreativas para educação infantil se fazem necessárias neste período, elas têm uma importância significativa na formação e desenvolvimento integral das crianças. As brincadeiras recreativas para educação infantil devem ter como objectivo desenvolver habilidades e capacidades das crianças nestes primeiros anos de vida, sendo assim nada melhor que fazer isso da forma que elas mais gostam, brincando.
As crianças já conseguem interagir com grupos e é nesse período que elas desenvolvem sua identidade e vínculos afectivos com o mundo. No seu desenvolvimento as crianças tendem a imitar gestos e atitudes de quem os cerca, é importante que as brincadeiras ajudem-nas a criar seus traços específicos.
Os jogos e brincadeiras recreativas dirigidas a estes pequenos devem desenvolver habilidades específicas como coordenação motora, orientação espacial, ritmo, equilíbrio, organização temporal e desenvolver a linguagem como forma de comunicação. Portanto, para um melhor desempenho, as actividades lúdicas para educação infantil podem prever algumas regras mais definidas. Abaixo, deixarei algumas dicas de actividades de recreação educacional que tornarão o aprendizado e desenvolvimento dos pequenos mais divertidos.
O JOGO
Número de jogadores: De 15 a 25 alunos (variável)
Área de jogo: Quadra ou na sala de aula.
Característica: Jogo de Apanhar a Bola.
Material Necessário: Duas ou Três Bolas de Borracha.
Áreas Trabalhadas: Coordenação motora, organização e atenção.


Disposição Básica dos Participantes:
Divididos em duas ou três filas com números iguais de participantes, os jogadores deverão ficar organizados para o deslocamento da bola por entre as pernas.
Faixa-etária: De 7 aos 11 anos
Objectivos:
· Estruturar movimentos que requeiram coordenação geral;
· Equilibrar-se em diferentes situações, com ou sem deslocamento;
· Melhorar o desempenho na execução de actividades que requeiram agilidade, velocidade e flexibilidade.
Variação: Com o mesmo material, fazer duas colunas dar a bola para o primeiro e assim vai passando, pode ser por cima da cabeça, das pernas e de lado o ultimo irá ser o primeiro, assim sucessivamente.
Regras:
Ao sinal do coordenador da actividade, o primeiro competidor deverá passar a bola para trás por entre as pernas para o companheiro que estiver atrás. Quando a bola chegar ao último da fila ele deverá correr para a frente da fila e recomeçar o processo. Ser
Modo de jogo
Os participantes estarão dispostos em fila com as pernas abertas, formando um túnel.
O último aluno receberá uma bola, e ao sinal, ele a jogará por dentro do túnel até o início da fila. Os outros alunos poderão ajudar empurrando a bola com os pés. Quando a bola chegar lá na frente, o jogador que for o primeiro da fila corre até o final dela e joga a bola dentro do túnel novamente e assim por diante. O jogo termina quando o primeiro aluno chegar novamente ao início da fila. Será vencedora a fila que acabar o jogo primeiro.
O educador
O educador pode usar sua criatividade para criar variantes para essa actividade, bem como adequar as regras conforme a idade das crianças participantes.
   


CONCLUSÃO
É urgente e fundamental reflectir, que o conceito de criança não está vinculado apenas à idade cronológica, mas aos conhecimentos, experiências e necessidades que transformam todos os seres humanos, independentes da idade que possui em uma criança, que pode fazer do acto de brincar, do recrear-se e do uso correcto do seu tempo de lazer, um trampolim para uma vida de melhor qualidade e boa convivência consigo mesmo e com as pessoas que estão inseridas em seu meio. Então as educadoras de infância devem ter o domínio dos jogos para que tenha êxito no momento de ensinamento das crianças.



BIBLIOGRAFIA
BRANDÃO, Heliano. O livro dos jogos e das brincadeiras para todas as idades. Belo Horizonte: Ed. Leitura, 1997.