sexta-feira, 22 de julho de 2016

Povos Ovimbundos

Introdução
O ser humano é naturalmente um ser cultural, religioso, comunicativo, livre e está aberto ao diálogo. Durante a sua vivência, vai assimilando experiências e conhecimentos e vai aprimorando o seu repertório cultural. Para melhor nos adentrarmos no conhecimento de um determinado povo, precisamos conhecer, antes de mais, a sua cultura. 

Povos Ovimbundos

Os Ovimbundo ocupam uma grande área no centro ocidental do país e estendem-se desde o litoral até às regiões montanhosas de Bengela.

O grupo linguístico Mbundo compreende 15 grupos principais: os mais significativos em número de habitantes dão os Bieno e os Bailundo. Embora as tradições Ovimbundu digam que este povo veio do nordeste, alguns especialistas creêm que provavelmente vieram do sudoeste do Congo. 

Destinguem-se, pelo menos, 18 grupos ovimbundu diferentes: Bailundos (va-mbalundu), Biés (va-vihé), Uambos (va-wambu), Galanguis (va-ngalangui), Quibulos (va-kimbulu), Adulos (va-ndulu), Quingolos (va-kingolo), Kalukembes (va-kaluquembe), Sambos (va-sambu)(va-ekekete), Cacondas (va-kakonda), Quitatos (va-kitatu), Seles (va-sele), Ambuis (va-mbui), Hanhas (va-hanha), Gandas (va-nganda), Chicumas (va-chikuma), Dombes (va-dombe) y Lumbos (va-lumbu).

Entre 1500 e 1700, o povo de Ovimbundu emigrou do norte e do este de Angola para a Meseta de Benguela. Eles não consolidaram osseus reinos nem seus reis afirmaram sua soberania em cima da Meseta, até ao século 18, quando surgiram 22 reinos. Treze dos reinos, incluso Bié, Bailundu, e Ciyaka surgiram como entidades poderosas e os Ovimbundu adquiriram reputação de serem os comerciantes mais exigentes do interior de Angola.

Depois que os portugueses conquistaram a maioria dos estados de Ovimbundu, em finais do século 19, as autoridades coloniais portuguesas prenderam os reis de Ovimbundu directa ou indirectamente.  

Depois de um século de uma certa estabilidade, a história Umbundu é marcada por uma série de guerras conhecidas por "as guerras dos Nanos". Estas guerras começaram em 1803 e duraram quase um século. As mais importantes aconteceram em 1848 quando os Huambo (um grupo Ovimbundu) tentou dominar politicamente os demais.

A agricultura é a fonte fundamental dos recursos económicos deste povo.
Ritos e costumes do Povo ovimbundu

O povo ovimbundu tem uma certa veneração pelos seus antepassados, daqueles que durante a sua vida terrena praticaram o bem e com galardão, merecem juntar-se ao coro dos seus antepassados (va sekulo).
É a estes a quem se devem construir  pequenas casotas que se chamam "atambo" no quintal da nossa casa, ou num dos quartos que fica privado apenas para o efeitoe, também  é a eles que se devem recorrer nos momentos de alegria, de tristeza , de calamidades naturais e de qualquer infortúnio na vida. 
Para tal recorrem alguns ritos e constumes,
  • Ritual a ao local sagrado (Akokoto ou Etambo)
  • Ritual da chuva
  • Ritual do nascimento de bébes gémeos
Costumes
  • A alimentação
  • A dança

 Breves sobre o reino do bailundo
O município do Bailundo que também é conhecido como terra do Rei Ekuikui, possui uma extensão de sete mil e 65 quilómetros quadrados e uma população estimada em 237 mil habitantes distribuídos em 70 povoações e 568 bairros e aldeias que conformam as suas cinco comunas (Henque, Lunje, Bimbe, Luvemba e a sede municipal).

O seu reino, fundado pelo rei Katiavala no século XV, antes designava-se Halavala. Pelo mesmo passaram, até ao momento, 35 soberanos, entre eles Katiavala I e II, Ekuikui I, II e III, Numa I, II e III, Hundungulo I e II, Tchissende I, II e III, Tchissende I e II, Numa I e II, Mutu Ya Kevela (vicerei), Jahulo I e II. Augusto Katchitiopololo (Ekuikui IV) é o seu actual Rei.

A visita  a locais Sagrados ( Akokoto e Etambo)

Imagens da entrada para os Akokoto
Sekulo fala sobre Akokoto

As Pedras de Kandumbo onde se encontram um dos Akokoto. No local sagrado encontra-se os corpos dos antepassados . O povo ovimbundu venera muito os seus antepassados. Construindo assim pequenas casotas a que se chamam Etambo e os Akotoko.

A entrada para o Akokoto 

Para os Ovimbundu quando uma pessoa morre o seu espirito permanece como manifestações efectivas de poder, personalidade e conhecimento dessa pessoa na sociedade, assim sendo os espíritos têm uma influência poderosa sobre os vivos. Por isso deve-se cuidar bem dos seus túmulos. Para se visitar estes locais os visitantes devem ungir os pulsos e só tornozelos com óleo de Palma e elimbui. Esta acção é que dá acesso e permissão a entrada do local.

Devem ser acompanhados por um guia. Este é uma pessoa indicada pela Corte da Ombala, geralmente é o soba que toma a dianteira. Mas para visitar um Etambo (local onde se encontram as caveiras dos antepassados) o ritual é mais complicado deve-se seguir os seguintes passos:
1.      Repete-se o caso da junção dos pulsos e dos tornozelos com óleo de palma e elimbui;
2.      Deposita-se uma quantia monetária no balaio;
3.      Entrega-se a autoridade uma garrafa de aguardente e um galo; E só assim se tem acesso ao Etambo

Ritual da chuva

dança da chuva é um tipo de dança ritual que é habitualmente executada em certas comunidades com a finalidade de propiciar chuvas para a colheita.

Quando não chove na devida altura (nda Kuli ocitenya) os velhos da comunidade ficam preocupados, porque as plantações secam, tais como o milho e o feijão principal dieta  dos ovimbundos.

Assim os velhos (sa Sekulo) decidem ir ao túmulo dos antepassados aos Akokoto para a realização do ritual.

O local é limpo para a ocasião  a comida é preparada pela Nassoma (mulher do soba). A comida é constituida por canjica de milho  e são sacrificados alguns animais (cabras e galinhas);

As bebidas tradicionais como Kachipembe, chissangua(ocimbmbo);

A comida e a bebida são oferecidos aos espiritos, tocam os batuques e as pessoas comem e bebem. Se os espiritos dos chefes receberem as oferendas, choverá no mesmo dia. Se não chover, significa que os espiritos não estão satisfeitos com a cerimónia e tem de ser feita outra vez segundo o soba Kavinganji

Ritual de nascimento de Bebés Gémeos

O nascimento de bebés gémeos , constitui alegria para a família e ao mesmo tempo uma preocupação.  Quando nascem gémeos , ao contrários de outros bebés, estes são saudados com insultos. São chamados por nomes abusivos, por exemplo: " Ove a Ngulu, ove ambua" que significa em português (tu  porco, tu cão) e outras palavras depreciativas pelas quais são tratados.

 A mãe e os gémeos  depois de os umbigos caírem, são levados para fora de casa, envoltos em barro, a mãe é arrastada no lodo passando com ela em volta da casa num alarido de insultos assobios e ao som de chifre de boi ou cabrito, com uma balaio cheio canjica não desfarelada na cabeça ( ombulungu), que vai sendo consumida á medida que se vai arrastando a mãe no lodo.

Esta festa dura quase a manha toda. De seguida os umbigos são enterrados junto ao cruzamento dos caminhos, as roupas que serviram a parturiente são deitadas fora ou num rio. Quem faz isto é o curandeiro que acompanhou a parturiente e os bebés.

 Atribuição de nomes aos Bebés

Recebem o nome de animais selvagens  mais temidos na fauna Angolana tais como:

 Se forem dois rapazes
1º nascido = JAMBA ( ELEFANTE)
2º nascido = HOSSI (LEÃO)

Se forem um menino e uma menina
1º o menino =JAMBA
2ª a menima = NGUEVE ( HIPOPOTÁMO)

O tratamento dos bebés

Devem ser considerados  por igualdade de direitos. As roupas devem ser da mesma cor e tecido para evitar aborrecimentos entre eles.

 A morte de um bebé

Se falecer um deles não se deve Chorar. A mãe e o bebé vivo são escondidos  ao máximo, até terminar o óbito e em sua substituição cria-se uma estatua antropomórfica de pequenas dimensões que deverá trajar a mesma roupa que o vivo e que deverá sempre ser levada pela mãe. 


A dança

O povo ovimbundu aprecia muito a música acompanhada de dança diversificada de acordo ás circunstâncias dos rituais, pois através da música e da dança ele manifesta os seus sentimentos afectivos que podem ser de alegria ou tristeza.

 O dançarino é uma figura pública dominadora da arte da dança e por isso tem um lugar de referência na sociedade.

Pode ser homem ou mulher. Ele/ela dançam em público em festas tradicionais como a entronização, de iniciação a puberdade, na morte de um Rei entre outras

 A dança dos mais velhos - Olundongo

Executa-se durante o dia. Os executantes vestem-se de panos amarrados com cintos e usam o batuque

Esta dança usa-se tradicionalmente na entronização, em obitos,, despedidas de lutos das dançarinas, dos caçadores, circuncisores e soberanos.

Onyaca - Modalidade da dança tradicional,executada pelas mulheres. Geralmente usa-se na despedida de luto de quem em vida também usava tal dança

Okatita - Dança tradicional usada pelos ambos os sexos, em momentos de diversão

A Alimentação 

A base de alimentação do povo ovimbundu é o pirão feito de farinha de milho e por vezes de mandioca O pirão é acompanhado de diversos condimentos tais como:

Feijão, feijão frade, folhas de mandioqueira, folhas de abóbera,, folhas de  pepino, folhas de batata doce, bringeiras, quiabos, peixe salgado, carne de caça, ratos , gafanhotos.

Normalmente este povo come logo de manha, um prato substancial de pirão, batata doce ou canjica
A noite come um prato de pirão. No intervalo destas duas refeições come fruta e bebe Quissangua.
Curiosidades de alguns nomes em Umbundu

EYALA [eyala lyambata tchalwa] – A lixeira ‘recolhe’ e suporta tudo.
HENDA [enda lakulu okakuka, enda l’omãla okateñgela] - O segredo está em que o mais velho conhece o que mete medo – tchikola – e “não toca”. Quem tem medo obedece e não pratica o mal!
ALEI – É o nome dado ao responsável das chaves na casa real.
KALUNDUNGU [vokulula kwolondungu hamo vokupepa kwatcho. Vilula, polê p’otchimanda vipwapo] – A pessoa não pode ser 100% boa para todos. É boa para uns; para outros passa por mau. E assim vai construindo a sua família. – “K’umboto k’undjali” – Nalguns males da família, fazer ouvidos de mercador. Os bons e os maus todos são teus familiares.
 KAMWENHO [ndilya k’omwenho kandanda kumwe; kupañgela wavisya] – Coma parte da tua riqueza e guarde outra, porque não se sabe o dia de amanhã.
KAPIÑGALA – É o herdeiro de tudo o que é dos mais velhos, desde o feitiço até aos bens. Tal como o sobrinho, filho da irmã, é herdeiro de tudo o que é do tio, assim o filho.
KASSINDA – É o nome dado àquele ou àquela que vem depois dos gêmeos ou gêmeas.
KATCHISAPA [kakuli lu katyapulamo upindi] – É um ramo ao longo do caminho que batendo a todos pode ser sinal de união. Ele pode identificar todos e cada um. Fulano? – passou; e fulano? – Também passou! Conhece a todos.
KATITO [Katito oko kove. Tchinene tchamãle. Okwandimba kenha (=nãlanãlako), ukwambambi kakusoywilako] – Fique sempre feliz com o que tens, antes que te chamem de invejoso.
KATULO [lyanga otulo, hokalyange ovisokasoka] – Durma antes e pense depois, porque, de contrário, o sono não vem.
KAVINIAMA [ovilongwa havyangeko kavinyama] – Não me acusem do que não fiz. Se estás sem culpa, tranquiliza-te; esteja seguro.
KAYENGENGA [kayengenga walunga okukupuka] – Aquele que sente preguiça de fazer alguma coisa é porque está quase para deixar. Sê flexível, porque o rijo acaba por partir.
LIKILIKI [likiliki wandele la põlo] – Tudo passa depressa, acalma-te; quando mais agitação à volta de alguma coisa, menos duração tem tal coisa! – É o mesmo sentido de: “yisika enene, yalaka okutwika” .
LUKAMBA [lukamba l’ohele kakwete] – Não teme nada, pode ir procurar esposa mesmo fora da sua família. São coisas que na tradição africana não se fazem! Mas ele é o soldado do rei que procura e conserva os anseios do chefe quer em tempo de guaerra quer em tempo de paz e não se importa em que condições forem.
MOMA [apa walila omoma hapoko yukumomela] – O mal não vem todo no mesmo dia. O mal que fazemos hoje terá “recompensa” no futuro!
NDANDULA [kwenda ombela owiñgi uvandjako; kwenda ondambi, umosi lika ovandjako. Ndandulako] – Para onde foi a chuva todos olham. Onde foi uma pessoa, só o seu ente querido é que acompanha; para onde foi a senhora (a bela) só o marido acompanha.
NDEMBELE [ndembele kandjila k’otchindele, ondjomba yiwa k’owiñgi] – Tudo é melhor em conjunto; nunca faças nada sòzinho.
NDINGAWA [kasolawa, omo nda uyeveyo kavulala kikolo] – Aquele que faz bem aos outros, quando lhe acontece também alguma coisa todos se admiram [todos se riem dele]. – “Uyeveyo” é peça de sopro do fogo para moldar o ferro. Porém, está sempre amarrado: apesar do bem que faz, permanece amarrado.
NDJAMBA [yakutulika, eteke yukutulula, k’ilu kwalinga otchipãla] – Quando se tem alguém num lugar de chefia, está-se seguro, mas tudo pode acabar de repente! – “Nda okasi pawa pavi pakupayola. Nda otyañgela ndjamba, malanga upitakapo okalumbange] – Se és chefe, respeita os subordinados; nunca se sabe quando tudo pode mudar. Quando se é jovem, é preciso respeitar os mais velhos; é que o velho já foi jovem, mas tu ainda estás para ser velho. A ironia da história poderá um dia castigar-te! NDJOLELA [kateke weya, uyolela wanda]. A visita fique o mais breve possível, porque de contrário já aborrece, desagrada.
NGEVE [ngeve yusi katala] – Quando o hipopótamo passa o dia estendido na praia, está para morrer! A pessoa que está para morrer, despede-se através de muitos sinais.
NHIMAWA [onhima yiwa kaimoli omõla] – Quem quer não tem! Quem tem esbanja! Quem pode não faz; o pobre é que tem mais filhos.
SAFEKA - É nativo: nunca mudou.
SANDULA – Esbanjador. – “Pessela” – [wapessela kanola – wanhelisa kasandiliya] – Quem perdeu não procura: se te morreu o pai ou a mãe, o irmão ou o filho, onde irás procurá-lo? Não tem substituição!
SIMBU (=TCHOKOSIMBU) [tchosimbu, okwiya tchalinga tchokaliye] – Se alguém te deve, não te zangues com ele; quando vier pagar, ficará tudo novo. – “Kanhangulu waloyela kumosi la kanhongo” – Dois acontecimentos juntos: um bom e outro mau!
SIMWILA [hokandjupe tchange, ñgasi (ale) likalyange] – Uma viúva que cuida dos filhos sòzinha, não lhe peças mais emprestado (sobretudo sem lhe pagar).
SUKWAPANGA (=SUKWAKWETCHE) [Sukwakwetche, imbandì vilipende okusakula] – Se Deus não te “chamou”, vivo ou morto, fica. Tudo é segundo a Sua vontade. – “Tchakupanga, tchukupa v’evanda” – No meio de tanta gente morre apenas um!
TCHAKUSOLA [tchakusola kwama k’omunga] – Mesmo conhecido, é preciso ser convidado! [Se é verdade que sou o dono (da festa) porquê não sou notificado?]
TCHAMB’OUSA [ame tchamb’ousa: otchivimbi tchitalamela mwele; tchalela tchitalamela enhanga] – Quando alguém morre, esperam-se os parentes para o enterro, mesmo que estejam longe!
TCHAMILE [uti wamile hawo lokuloluka; epata lyalwile halyo lokukunduka] – A árvore de fruta seca com o tempo; eram muitos irmãos, agora ficou apenas um.
THIKOLA [tchikola hokatchikwate] – Uma coisa admirável não deves tocar, faz mal. Uma acção má e perigosa nunca se deve repetir.
TCHIKOMO [tchatchotcho tchikokusumba] – Diz-se do que mete medo!
TCHILOMBO [p’otchilombo tch’olongende, kayolokele osalapo] – “P’otchilombo” é o lugar de hospedagem. O sentido do provérbio: em tudo é preciso dinamismo. É preciso actualizar-se sempre. Siga o que os outros fazem em conjunto desde que seja para o bem.
TCHINGWETA [yanda kayiyelula k’ekondjo; yatehã olwi yasiñga ovava] – Pessoa gorda simboliza o bem-estar!
TCHINOFILA [umba te watchilya] – A causa pela qual se morre tem de ser do nosso inteiro conhecimento e/ou pleno consentimento.
TCHINONHALE [tchinonhale katchukutundi; tchinosole katchukusole] – Muitas vezes acontece que se espera ou se deseja o mal ou a morte de alguém por ser mau e nada lhe acontece; pelo contrário, a quem estimamos é que em tão pouco tempo algo de pior lhe pode acontecer!
TCHIPUMA [tchipuma etemo tchiyunda, tchipopya omanu tchikeya] – O que se capina com a enxada torna a crescer; o que as pessoas dizem há-de acontecer! É preciso tomá-lo a sério!
TCHISINGI [tchisingi kakulihile omõla wombwale; omõla wa soma, osuke ale owasi, vosi valipundukamo] – O tronco (no caminho) não conhece pessoa boa e delicada; não conhece o filho do rei, rico ou pobre; todos tropeçam nele. TCHITENDE [tchitende opanga etchi tchivi ndañgo watanga omo watopa. Walunguka kapangi etchi tchivi] – Uma pessoa parva – minus habens – faz coisas descabidas, mesmo que tenha estudado; a pessoa dotada não faz coisas sem sentido. TCHITULA – É alguém que nasceu numa aldeia nova.
TCHITUMBA [tchukwihã so la nhoho, wamale kakutchihã, hati okwete ale] – É delicato ter barriga grande; quem não sabe pensa que já comeu. –“V’omela nda mwasahuluka, lyola; mahako ñgo, walaka okuvisya”! - Se tens apetite, come. Quando te obrigam a comer, então estás quase a morrer…Trata-se de uma pessoa doente!
TCHIVINDA [okutela utale l’uteke, volundila utale] – Ao guarda se responsabiliza tudo o que falta. Tu que andas de noite podes ser responsabilizado de tudo o que acontece no oculto.
TCHIYO [nda wamõla kahañgu, katchiyo hokawinesi; kahañgu nda kepo, katchiyo kove iya okupopela – nda okwela ukayi, hokaling’heti ndakwela ukayi wotchili; ovindja vyahe handi kuvi] – Mais vale ser fiel ao que já nos pertence, porque da novidade nos poderemos arrepender tarde demais.
TCHUKULYA [yakulila kayukupopela tchiñgii] – Antes de ires ao julgamento, dê primeiro uma dádiva – paga! Assim, por o juíz estar comprometido contigo, não te condenará em tribunal.
VIHEMBA - É um nome dado a quem durante a gravidez e o parto provocou muitos problemas de saúde; foram precisos muitos medicamentos para a mãe ou mesmo o pai.
VISSOKA [ovissoka-soka vyovutima] – O coração pensa em tudo e às vezes sem razão. 



Retirado do: http://culturaangolanaetniaovimbundo.blogspot.com/p/artigos-informativos.html 

quinta-feira, 23 de junho de 2016

JOGO INFANTIL BOLA AO TÚNEL

INTRODUÇÃO
Os estudos e pesquisas realizadas para a organização deste material didáctico fazem parte de algumas experiências práticas vivenciadas em aulas de recreação e lazer, animação e entretenimento, através dos jogos e brincadeiras e ainda de outros programas de aprendizagem, como a animação sócio-cultural, que constituem os currículos recreativos.
É oportuno lembrar e analisar os conceitos e discussões sobre a brincadeira, a qual deve ser levada muita a sério no desenvolvimento das crianças, adolescentes e adultos, pois o ato de brincar vai oportunizar as pessoas uma vivência pura e simples da sua essência lúdica, possibilitando um aumento da auto estima, um auto conhecimento de suas responsabilidades e valores, uma troca de informações e experiências corporais e culturais, através das actividades de socialização, e ainda do enriquecimento de suas próprias capacidades, através do estímulo à iniciativa, da melhoria nos processos de comunicação e principalmente da opção por acções que estimulem a criatividade, que é certamente uma característica e um objectivo fundamental da recreação, seja através do uso de uma brincadeira ou de um jogo, dentre as suas diversas formas de realização.




JOGO INFANTIL BOLA AO TÚNEL
As crianças e a recreactividade
No inicio da vida escolar é um pouco difícil adaptar a criançada a nova rotina. Tudo é novo para elas, o ambiente, as pessoas, o facto de ter que acordar cedo ou não ter mais o cochilo da tarde, mas adapta-las a esse novo mundo pode não ser tão complicado assim quando relacionamos nossos objectivos com os seus interesses.
Crianças gostam de brincar, e na fase escolar esse desejo se intensifica. Por isso as actividades recreativas para educação infantil se fazem necessárias neste período, elas têm uma importância significativa na formação e desenvolvimento integral das crianças. As brincadeiras recreativas para educação infantil devem ter como objectivo desenvolver habilidades e capacidades das crianças nestes primeiros anos de vida, sendo assim nada melhor que fazer isso da forma que elas mais gostam, brincando.
As crianças já conseguem interagir com grupos e é nesse período que elas desenvolvem sua identidade e vínculos afectivos com o mundo. No seu desenvolvimento as crianças tendem a imitar gestos e atitudes de quem os cerca, é importante que as brincadeiras ajudem-nas a criar seus traços específicos.
Os jogos e brincadeiras recreativas dirigidas a estes pequenos devem desenvolver habilidades específicas como coordenação motora, orientação espacial, ritmo, equilíbrio, organização temporal e desenvolver a linguagem como forma de comunicação. Portanto, para um melhor desempenho, as actividades lúdicas para educação infantil podem prever algumas regras mais definidas. Abaixo, deixarei algumas dicas de actividades de recreação educacional que tornarão o aprendizado e desenvolvimento dos pequenos mais divertidos.
O JOGO
Número de jogadores: De 15 a 25 alunos (variável)
Área de jogo: Quadra ou na sala de aula.
Característica: Jogo de Apanhar a Bola.
Material Necessário: Duas ou Três Bolas de Borracha.
Áreas Trabalhadas: Coordenação motora, organização e atenção.


Disposição Básica dos Participantes:
Divididos em duas ou três filas com números iguais de participantes, os jogadores deverão ficar organizados para o deslocamento da bola por entre as pernas.
Faixa-etária: De 7 aos 11 anos
Objectivos:
· Estruturar movimentos que requeiram coordenação geral;
· Equilibrar-se em diferentes situações, com ou sem deslocamento;
· Melhorar o desempenho na execução de actividades que requeiram agilidade, velocidade e flexibilidade.
Variação: Com o mesmo material, fazer duas colunas dar a bola para o primeiro e assim vai passando, pode ser por cima da cabeça, das pernas e de lado o ultimo irá ser o primeiro, assim sucessivamente.
Regras:
Ao sinal do coordenador da actividade, o primeiro competidor deverá passar a bola para trás por entre as pernas para o companheiro que estiver atrás. Quando a bola chegar ao último da fila ele deverá correr para a frente da fila e recomeçar o processo. Ser
Modo de jogo
Os participantes estarão dispostos em fila com as pernas abertas, formando um túnel.
O último aluno receberá uma bola, e ao sinal, ele a jogará por dentro do túnel até o início da fila. Os outros alunos poderão ajudar empurrando a bola com os pés. Quando a bola chegar lá na frente, o jogador que for o primeiro da fila corre até o final dela e joga a bola dentro do túnel novamente e assim por diante. O jogo termina quando o primeiro aluno chegar novamente ao início da fila. Será vencedora a fila que acabar o jogo primeiro.
O educador
O educador pode usar sua criatividade para criar variantes para essa actividade, bem como adequar as regras conforme a idade das crianças participantes.
   


CONCLUSÃO
É urgente e fundamental reflectir, que o conceito de criança não está vinculado apenas à idade cronológica, mas aos conhecimentos, experiências e necessidades que transformam todos os seres humanos, independentes da idade que possui em uma criança, que pode fazer do acto de brincar, do recrear-se e do uso correcto do seu tempo de lazer, um trampolim para uma vida de melhor qualidade e boa convivência consigo mesmo e com as pessoas que estão inseridas em seu meio. Então as educadoras de infância devem ter o domínio dos jogos para que tenha êxito no momento de ensinamento das crianças.



BIBLIOGRAFIA
BRANDÃO, Heliano. O livro dos jogos e das brincadeiras para todas as idades. Belo Horizonte: Ed. Leitura, 1997.


sexta-feira, 3 de junho de 2016

a auto estima

INTRODUÇÃO

A melhor percepção para auto-estima é a saúde emocional e mental através da valorização pessoal. Por que valorização? Porque qualquer desequilíbrio emocional ou mental (que não seja realmente físico como uma doença mental), provém de uma semente de desvalorização pessoal. É no próprio no conceito que se tem de si mesmo que nasce ou morre a auto-estima. O conceito de auto-estima são as ideias que temos sobre nós mesmos. O principal objectivo deste trabalho é conheçer as principais características que permitem a definição da alta e da baixa auto-estima. Para compreender seus estados de ânimo, é imprescindível aprender a importância da auto-estima no seu desenvolvimento e crescimento pessoal.





AUTO-ESTIMA

A auto-estima é o julgamento, a apreciação que cada um faz de si mesmo, sua capacidade de gostar de si. O caminho mais viável para uma auto-avaliação positiva é o autoconhecimento. Conhecer seu próprio eu é fundamental, pois implica ter ciência de seus aspectos positivos e negativos, e valorizar as virtudes encontradas. Este diálogo interior requer um voltar-se para si mesmo, a determinação de empreender essa jornada rumo à essência do ser, deixando um pouco de lado o domínio do ego.
Esse reconhecimento subjetivo torna o indivíduo mais apto a enfrentar os obstáculos e desafios do cotidiano, uma vez que agora ele conhece seu potencial de resistência e a intensidade de sua coragem e determinação. Assim ele pode evitar as armadilhas que caracterizam a baixa auto-estima, tais como a insegurança, a inadaptação, o perfeccionismo, as dúvidas, as incertezas, a falta de confiança na sua capacidade, o medo de errar, a busca incessante de reconhecimento e de aprovação, entre outros. Fortalecido, o sujeito pode resistir aos fatores que provocam a queda na auto-estima – crítica e autocrítica, culpa, abandono, rejeição, carência, frustração, vergonha, inveja, timidez, insegurança, medo, raiva, e tantos outros.

AUTO-ESTIMA ALTA

O facto de cada pessoa decidir melhorar a auto estima, amplificar a sua auto-confiança e estimular a sua motivação pessoal, podem melhorar substancialmente a forma como se vê a si mesma e a sua forma de agir perante os outros muda substancialmente. A auto estima elevada, traz um novo sentido à vida e consequentemente melhora o humor da pessoa de forma substancial. É possível que já seja do seu conhecimento como melhorar a sua auto estima e talvez já ponha em prática algumas destas formas de estar, e tenha atitudes inerentes a quem tem uma auto-estima elevada. Apesar de estes comportamentos já  fazerem parte naturalmente das suas interacções com a vida, e com as outras pessoas, certifique-se se realmente existirá algo que poderá melhorar ainda mais a sua auto estima e aprimorar a sua atuação com o mundo que o rodeia . No entanto se ainda não aderiu a este tipo de comportamentos, talvez seja agora uma boa oportunidade de repensar a sua forma de estar, agir pensar e sentir. Libertar-se de toda a negatividade que a limita.


Comportamentos para conquistar uma auto-estima elevada

1.                  Cumprimentar os outros com um sorriso e olha-los directamente nos olhos. Um sorriso e o contacto visual directo transmite aos outros confiança, este é um comportamento que reflecte uma auto-estima elevada.
2.                  Ao atender o telefone, faça-o de forma  agradável, seja no trabalho ou em casa, e ao fazer uma chamada, procure dar o seu nome antes de solicitar a pessoa que pretende. Apresentando o seu nome na sua apresentação, demonstra que é uma pessoa com auto-respeito, o que reflecte auto-estima.
3.                  É importante mostrar sempre a apreciação real de um presente ou de um elogio. Não se deve desvalorizar nem minimizar ou contornar as expressões de afecto ou a honra que os outros nos dirigem. A capacidade de aceitar ou receber é uma marca universal de um indivíduo com auto-estima elevada.
4.                  Não se gabar. É quase um paradoxo que a modéstia autêntica é realmente parte da capacidade de graça receber elogios. – As pessoas que se gabam das suas próprias façanhas, demanda especial ou atenção estão simplesmente a ter uma tentativa de se edificar aos olhos dos outros e isso é porque eles não percebem como de facto já são dignos de respeito. Este comportamento demonstra uma enorme falta de auto-estima e cria alguma repulsa aos que escutam quem se auto-vangloria.
5.                  Não fazer dos problemas o cenário central de sua conversa. Fale positivamente sobre sua vida e do progresso que você está tentando fazer. Esteja ciente de qualquer pensamento negativo, e tomar conhecimento de quantas vezes você se queixa.Quando você ouvir a si mesmo criticar alguém – e isso inclui auto-crítica – encontrar uma maneira de ser útil, em vez de críticas.
6.                  Responder a momentos difíceis e momentos deprimentes, aumentando o seu nível de actividade produtiva. Quando a auto-estima é desafiada, não se sentam ao redor e ser vítima de “paralisia por análise.”
7.                  Optar por ver os erros e rejeições como oportunidades para aprender e uma forma de alcançar sabedoria, logo mais proximidade de uma auto-estima elevada.
Mesmo que até ao dia de hoje tenha tido um comportamento muito negativa sobre si mesmo, é sempre possível começar uma nova etapa e decidir agora que quer obter o que acredita que merece e decidir ter novos comportamentos de auto-valorização que espelhem uma auto estima elevada. É necessário termos consciência que todas as experiências negativas e dolorosas, podem inegavelmente, ser o inicio de uma estrutura interna e ser a base sólida sobre a qual podemos construir um futuro sucesso e realizações.

A AUTO-ESTIMA BAIXA

A Baixa Auto-Estima  é uma característica das pessoas que se sentem inadequadas para enfrentar os desafios da vida, não acreditam nos seus potenciais e capacidade de dar resposta às questões da vida. Tem uma estrutura emocional pouco sólida que origina o pessimismo e a negatividade.

Falta de sentido de auto-valorização e respeito-próprio.

Uma pessoa com baixa auto-estima é um ser sem senso básico de respeito por si mesmo, desvaloriza-se e não se sente merecedor de amor e respeito por parte dos outros. Um exemplo muito simples de uma falta de respeito por si mesmo, uma pessoa que fume é uma pessoa que faz mal a si mesma, que não hesita em prejudicar-se e causar danos irreversíveis ao seu próprio corpo, também uma pessoa que se permita conviver com pessoas que a desvalorizem e maltratem psicologicamente é uma pessoa que não se respeita e não tem qualquer senso de auto-valorização.

A falta de Auto-Estima resulta da ausência do Auto-Conhecimento

Uma pessoa com baixa Auto-Estima, é uma pessoa, também sem auto-conhecimento, não tem noção de si mesma, do que merece, sem consciência de onde estão as barreiras denunciam que se estão a deixar abusar pelos outros. Uma pessoa com auto-estima (o que é?) sabe o que merece e quando alguém pisa o limite do razoável  manifesta-se e não dá qualquer oportunidade que abusem da confiança.

Desvalorização pessoal

Uma pessoa com baixa Auto-estima, desvaloriza o que sente e nas escolhas que faz no dia-a-dia mostra que não acredita ser feliz, ter um emprego melhor, ter um bom ordenado, etc. É muito comum ouvirmos dizer da boca de uma pessoa com baixa Auto-estima, “a mim bastava-me apenas ter o suficiente para os gastos”, há uma crença que quem tem dinheiro é má pessoa, como se o facto de merecerem ter um bom emprego, um bom ordenado as tornasse más pessoas, não tendo a consciência se tiverem muito dinheiro podem criar projectos de caridade e de ajuda ao próximo.

Desvalorizar as qualidades em prol das limitações

Uma pessoa de Baixa auto-estima valoriza os seus “defeitos” e desvaloriza as suas qualidades, e também não aceita bem os elogios e não se sente merecedora de presentes. É comum afirmarem que gostam mais de dar do que receber. Podem ter um grande medo de expor as suas ideias com receio do ridículo e da desaprovação.

Características das pessoas com baixa Auto-Estima

§  Ausência de credibilidade em si mesma.
§  Assume culpas por tudo o que lhe acontece, achando-se vitima do mundo e que todos estão contra si.
§  Tenta sempre justificar-se e encontrar um culpado para tudo.
§  Baixo rendimento, não acreditam que tem capacidade para conquistar uma boa vida e não agem para evoluir.
§  Não cria objectivos de realização emocional, pessoal e profissional.
§  Ignora as suas aptidões sociais adequadas para resolver situações de conflito (submissão ou agressividade excessiva)
§  Não tem iniciativa para actividades de realização pessoal e profissional, sempre com a desculpa da falta de tempo.
§  Medo de não serem aprovadas social e profissionalmente, não tem consciência do seu valor.
§  Vê-se através dos olhos dos outros, quando lhe dizem “és boa pessoa” ficam felizes e quando a chamam de “incompetente, sente-se miserável. O facto de não ter a consciência do seu valor, acha que são o que os outros dizem sobre si.
§  Muitas vezes pessoas muito qualificadas e competentes não conseguem a realização pessoal e profissional  por não terem consciência do seu valor e não terem força interior para se apresentarem adequadamente e assim saber passar com objectividade as suas competências e habilidades.
§  Nos relacionamentos é muito comum a submissão ou então a manipulação como uma forma de manifestação da baixa auto-estima.



CONCLUSÃO

Há caminhos que se pode seguir para elevar a auto-estima. Um deles, talvez o mais importante, já foi citado, o autoconhecimento. Também é necessário cuidar da aparência física, para que se tenha prazer de olhar no espelho, saber valorizar nossas qualidades, deixando de super estimar os defeitos, aprender com as vivências experimentadas ao longo da vida, saber desenvolver por si mesmo amor e carinho, ouvir a intuição e acreditar que se tem o merecimento de ser feliz, de ser amado, bem como desfrutar os prazeres mais simples da vida, mas que efectivamente nos fazem felizes. Assim o indivíduo receberá mais tranquilamente os elogios e afectos, e aprenderá a retribuí-los, diminuirá sua ansiedade, terá mais coerência em seus sentimentos, que estarão sintonizados com seu discurso, não terá tanta necessidade de receber a aprovação alheia, será mais flexível, sua autoconfiança crescerá, bem como seu amor próprio, sua produtividade profissional será incrementada e, acima de tudo, ele sentirá uma intensa paz interior.





BIBLIOGRAFIA

_________ A auto-estima elevada. Disponível em: http://www.tratamentodadepressao.org/1055-auto-estima-elevada-comportamentos-aumentam-auto-estima/. Acesso aos 28 de Maio de 2016

_________ A auto-estima baixa. Disponível em: http://www.tratamentodadepressao.org/635-baixa-auto-estima-caracteristicas/. Acesso aos 28 de Maio de 2016



ÍNDICE