segunda-feira, 9 de maio de 2016

Estados educacionais em Angola

INTRODUÇÃO

No presente texto pretende-se mostrar que a educação é um indicador válido quando se pretende avaliar as transições políticas. Contudo, na investigação na qual se inclui o presente texto, os objectivos são mais vastos, pretendendo-se igualmente demonstrar a importância da educação para o desenvolvimento e chegar a uma tipologia das escolas em Angola. Na transição política entre um sistema socialista e um sistema capitalista, as estratégias de acesso à educação permitem distinguir diferentes classes sociais e diferentes realidades educacionais. Neste contexto a educação é o principal veículo de mobilidade social pelo que as famílias desenvolvem estratégias que lhes permitem resolver os seus problemas de educação.





A EDUCAÇÃO EM ANGOLA

As particularidades do sistema educativo angolano

As condições específicas que Angola apresenta no contexto do Sistema Mundo permitem explicar o interesse de múltiplas instituições/organizações internacionais na problemática angolana. A multiplicidade de missões de observação, de investigação e mesmo tendo por objectivo a implementação de acções de formação ao nível dos recursos humanos (gestores do sistema e professores), passando mesmo pela construção e reconstrução de edifícios, são disso a prova.
  • 8 Segundo dados oficiais, 10 hab/km2 em 1995.
  • 9 Fundação Calouste Gulbenkian, «Universidade Agostinho Neto: estudo global», Maio de 1987.
  • 10 1º Projecto de Educação do Banco Mundial.
  • 11 UNESCO-UNICEF-MEC, «Angola: opções para a reconstrução do sistema educativo. Estudo sectorial.
Num país onde a baixa densidade populacional constitui um factor positivo no processo de desenvolvimento em que a sociedade angolana parece querer participar, são múltiplos os estudos que apontam o caminho a seguir pela Educação, nomeadamente os levados a cabo pela Fundação Gulbenkian, o Banco Mundial e ainda pela UNICEF e a UNESCO.
A situação de ausência de uma política de educação, não tem como causa o pouco conhecimento da situação real do funcionamento da educação no território ou a falta de conhecimento do rumo a seguir, mas antes a falta de empenhamento e decisão a nível político, justificado pela prioridade dada ao esforço de guerra (até ao desaparecimento de Savimbi) em detrimento das áreas sociais, como a educação.
A situação de instabilidade social que se vive em Angola tem como consequência a definição de prioridades políticas e estratégicas que marginalizam completamente uma política de educação. Assim, os estudos estão feitos num Ministério da Educação praticamente inoperante como estrutura, esvaziado de políticas, de técnicos e de dinâmica, em parte consequência de uma reduzida fatia de orçamento. 
  • 12 No trabalho de campo realizado em 1998 foi possível verificar a existência da FESA (Fundação Eduardo dos Santos).
Só um aumento significativo da fatia orçamental poderia aumentar a capacidade de intervenção do Ministério com consequências em todo o território sob controle do Governo.
  • 13 Particularmente o Banco Mundial que financiou os estudos até 1998, a União Europeia, o Banco Africano das Nações.
A investigação, in loco, permitiu verificar que a assistência técnica das organizações internacionais tem vindo a incentivar uma Reforma do Sistema Educativo que aponta para modelos europeus, particularmente para o modelo da Reforma do Sistema Educativo Português, anterior à actual revisão curricular, mesmo a nível do faseamento da sua implementação, com evidentes preocupações de experimentação prévia. Por outro lado, o comportamento dos técnicos do Ministério leva a considerar que a reforma em preparação e proposta pelas instituições internacionais seja vista como uma forma de angariar fundos e apoios políticos mostrando a boa vontade dos angolanos face a um determinado tipo de desenvolvimento, situação, aliás, verificada noutras áreas, nomeadamente na área económica.

As limitações ao funcionamento do Ministério da Educação

O sector da educação de qualquer país do mundo exige quadros especializados para atingir os seus objectivos, por mínimos que estes sejam.
28Estes objectivos, definidos pelo Governo, são posteriormente consubstanciados no Orçamento Geral do Estado que, em planos de médio e/ou longo prazo, deve promover a criação de condições para o desenvolvimento da educação.
Ora, a situação política neste período não só não elegeu a educação como área prioritária, canalizando para a educação fatias reduzidas do orçamento do estado, como, por necessidade de satisfazer outras vertentes consideradas mais prioritárias como a segurança, a defesa e mesmo os interesses da classe dirigente, a parte destinada à educação foi muitas vezes desviada.
A situação criada por este «ignorar» desta área social traduziu-se na paralização das estruturas do Ministério da Educação por evidente falta de verbas, quer para pessoal quer mesmo para o funcionamento da própria estrutura e no baixíssimo nível de rendimento quer dos funcionários/quadros do Ministério, quer dos professores que auferem rendimentos que não lhes permitem sobreviver.
Entretanto, quer a estrutura do Ministério da Educação, quer a legislação ou a preparação técnica e política dos seus quadros não permitiram chegar a soluções, tal como a promoção da iniciativa privada, tendo-se vindo a instalar na população de diferentes níveis sócio-económicos, o sentimento generalizado de falta de educação e da necessidade de terem de desenvolver estratégias que lhes permitam resolver os seus problemas, também nesta área.
As estratégias desenvolvidas pela população angolana para resolver os seus problemas de educação prendem-se com as estratégias de sobrevivência dos professores. Assim, torna-se importante começar por analisar, embora de forma resumida, quem são os professores angolanos e como sobrevivem.

As estratégias de sobrevivência dos professores

Independentemente do seu nível de habilitações, os salários auferidos pelos professores angolanos enquanto tais, não permitem um rendimento que garanta a sua sobrevivência e a da sua família. Assim, muitas vezes exercem outra ou outras profissões paralelamente, de forma a conseguirem um complemento que lhes permita sobreviver com alguma dignidade.
Esta situação acontece quer com os professores do I, II ou III nível, quer com os professores universitários. E, se no período do monopartidarismo, ser professor era importante porque permitia o acesso às lojas dos quadros do estado, onde existiam os melhores produtos ao melhor preço, embora os salários não fossem muito elevados, agora os professores, muitas vezes, optam por se demitir, em qualquer momento do ano lectivo, sempre que encontram outra actividade que lhes garanta melhor rendimento. Outros ainda, usam a escola como fonte de rendimento complementar. Assim, para além do baixo salário que auferem, «vendem» as matrículas e as «passagens» de ano/nível, variando os valores em função dos níveis de escolaridade.
Outros ainda, acumulam a actividade docente numa escola do estado com o serviço docente no ensino privado mais formal ou mesmo numa sala de explicações.
  • A expressão «processo» é usada em Angola para significar actividades, normalmente informais, que se
É ainda vulgar os professores acumularem a actividade docente com actividades no sector informal (vão para o «processo»), como forma de conseguir condições mínimas de sobrevivência.


AS NECESSIDADES DE EDUCAÇÃO RESSENTIDAS PELA POPULAÇÃO DAS CIDADES

A chegada forçada de população às cidades, quer por consequência da guerra civil, quer pela luta pela sobrevivência e tentativa, virtual, de melhorar as suas condições de vida, mistura nestas, famílias pertencentes a diferentes etnias, comunicando em línguas regionais, muitas vezes expressando-se mal em português.  Embora, na prática, a língua veicular seja o português, a importância das línguas regionais e o reconhecimento da enorme massa de população rural que tenta sobreviver nas cidades traduz-se, por exemplo, nos noticiários em línguas regionais na TPA (Televisão Popular de Angola).
O esforço de integração social das massas oriundas do campo passa pelo seu envolvimento em instituições próximas, que não são a comunidade aldeã mas pode ser a «organização de bairro», o «comité de bairro», «a igreja» e a «escola». A promoção social faz-se pela aquisição de habilitações e esta só se adquire na escola. Mesmo as famílias mais desfavorecidas se preocupam em mandar os filhos à escola, embora reconhecendo que estes, no «processo» conseguem rendimentos melhores do que quem anda ou andou na escola. «Ir à escola» é, na prática, uma estratégia de integração social, no contexto da cidade.

Os que ficam fora do Sistema Educativo

Uma parte significativa da população das cidades fica fora do sistema educativo. A chegada recente à cidade e a necessidade de sobreviver, não permite a parte da população ter acesso à escola, dado que não sobram recursos para libertar as crianças do trabalho ou da mendicidade e muito menos para «pagar» a entrada na escola oficial ou a entrada e a mensalidade num dos múltiplos tipos de escolas privadas.
Se a família não tem recursos mas consegue libertar algumas crianças do trabalho para as mandar à escola há, anualmente, um determinado número de vagas a serem preenchidas por crianças de idade mais avançada, isto é, entram no primeiro ano do I nível, alunos com dez ou onze anos e mesmo mais velhos. Neste caso, o aluno só precisa ter algum material escolar, no mínimo um caderno e um lápis e muitos acabam por abandonar a escola por não conseguirem adquirir um caderno no mercado. Outros, não têm possibilidade de conseguir uma «bata branca» e a pressão dos professores acaba por fazê-los desistir da escola.
Este é um dos contingentes de analfabetos de Angola, os que vivem abaixo de níveis de sobrevivência, recentemente chegados à cidade, sem profissão e para muitos deles, a cidade é uma passagem, motivada pela guerra e pela miséria. São a franja que, oriunda das sociedades tributárias não conseguiram ligar-se ao aparelho do estado. É este grupo que, eventualmente, irá tomar o caminho de retorno para as sociedades de origem onde é possível desenvolver mecanismos tradicionais de sobrevivência.

Os que frequentam as escolas públicas das cidades

Mesmo para frequentar uma escola pública, teoricamente gratuita, é necessário um significativo investimento familiar, justificado pela necessidade de reprodução e/ou promoção social. O necessário investimento reverte a favor da sobrevivência dos professores, como já se referiu, e consiste na sua essência, no pagamento informal de uma «taxa» de matrícula, proporcional ao nível de ensino, na compra de material didáctico essencial e ao pagamento informal de uma taxa de passagem de ano.
Em muitas escolas é ainda necessário levar uma cadeira, mas noutras a maoiria das vezes uma carteira individual é partilhada por dois alunos. É ainda vulgar os alunos terem de se sentar numa pedra ou no chão no espaço da sala de aula num edíficio de cimento, de «pau a pique» ou ao ar livre.
  • É de notar que muitos funcionários públicos, dos quais muitos professores, têm saído do sistema.
A este grupo pertencem quer os filhos dos funcionários públicos, pertencentes à classe-estado de nível baixo ou intermédio, quer dos pequenos empresários que desenvolvem a sua actividade no sector informal. O rendimento destas famílias tem ainda de suportar o custo das «explicações» que permitem melhorar o nível de conhecimentos dos alunos mas também o rendimento dos professores. Independentemente do pagamento em dólares encontra-se ainda outras formas, particularmente nos níveis de ensino mais elevados e no ensino para adultos e que correspondem à oferta/ pedido de oferta de alguns bens (e mesmo favores sexuais).
Este grupo, que se consegue apoderar do sistema de ensino público, conseguindo conhecimentos (as cunhas) e/ou recursos para contribuir para a manutenção do sistema, constitui a pequena burguesia, dinâmica e que luta para não se deixar destruir pelas contingências de uma economia em mudança. Por outro lado, as classes-estado de nível baixo e intermédio, não pertencendo aos níveis hierárquicos superiores do aparelho de Estado e do Partido, usufruem, devido às suas ligações, dos benefícios do sistema .
  •  Média de idades do Ensino Superior cerca de 30 anos; são estes que, na maioria, não tendo acesso a escola.
É esta Pequena Burguesia que, com os Quadros Médios, frequenta as escolas quer do Ensino Básico quer do Ensino Médio quer mesmo do Ensino Superior. Muitos alunos do Ensino Médio já trabalham, desempenhando mesmo, alguns, as funções de professor e por outro lado, quase todos os alunos do Ensino Superior são funcionários do Estado ou de empresas privadas.

 

O ENSINO PRIVADO. UMA TIPOLOGIA DAS ESCOLAS PRIVADAS

Uma tipologia da Escolas Privadas

a) As Escolas espontâneas

São escolas ligadas às diferentes comunidades religiosas, com excepção da Igreja Católica. Grande parte da população das cidades de Angola é constituída por uma população rural, que procura a cidade porque a guerra e as suas consequências, como a minagem dos campos e a dificuldade de circulação de pessoas e bens, têm consequências muito práticas, como o perigo das actividades agrícolas em campos minados, as dificuldades na aquisição de sementes e alfaias por mais elementares que estas sejam, e mesmo a dificuldade de escoamento/troca de produtos.
Neste contexto, a cidade acaba por ser um espaço mais seguro num compasso de espera interrompido por períodos de paz que vão criando expectativas mas não condições reais para o regresso às terras de origem. Assim, para quase todos, a cidade apresenta-se como um ambiente socialmente hostil onde, para sobreviver, a população procura esquemas de organização semelhantes aos que funcionam nas suas regiões de origem.
Nas regiões rurais, é ainda o soba que é o interlocutor entre as populações e as autoridades do estado moderno, é o soba que pede o professor e que junto com a população lhe constrói a casa e a escola.
Quando chega à cidade, a população rural integra-se nas comunidades religiosas, não tanto em função do «credo», mas antes em função da etnia de origem do chefe religioso. O pastor da Igreja substitui então, mesmo que provisoriamente, a autoridade tradicional, pelo que lhe é igualmente solicitado que resolva os seus problemas de educação. Se a integração na sociedade urbana passa pela escola, se o acesso não é para todos, então a instituição mais próxima da população, a Igreja, vai ter de resolver esse problema.
Assim, junto ao edifício onde funciona o culto, começam a aparecer salas de aula, AS SALAS ANEXAS, antes e depois da existência de legislação que formalize o ensino privado. O número de salas de aula vai aumentando, longe dos locais de culto, nos «bairros», onde vivem as crianças.
  • As escolas que não têm paralelismo pedagógico, isto é, que não cumprem os requisitos legais.
Mais recentemente questões muito práticas, como o reconhecimento da qualidade pedagógica do ensino ministrado nessas escolas sem a necessidade dos alunos terem de fazer exames (e pagá-los) nas escolas oficiais, tem levado os responsáveis por essas escolas a tentarem a sua legalização, o que normalmente se arrasta por vários anos.
  • 23 Devido às «taxas» informais de matrícula e de passagem de ano.
Embora este tipo de escola seja privada, os alunos contribuem com uma mensalidade que permite essencialmente pagar aos professores, recrutados entre as famílias de crentes, normalmente ainda alunos do Ensino Médio Normal (onde se formam os professores) e manter a escola a funcionar. Esta mensalidade representa custos mais reduzidos do que os da escola oficial.
Uma importante particularidade de muitas destas escolas é o facto de aceitarem receber alunos e particularmente alunas com idades muito superiores às adequadas aos níveis de aprendizagem que necessitam frequentar. Estes alunos não tiveram acesso à escola pública, tendo-se, no entanto, candidatado ano após ano; pertencem aos estratos sociais mais desfavorecidos que se vão aproximando das Igrejas no processo de integração na cidade.

b) As antigas «Salas de Explicações»

Após 1992, muitas «Salas de Explicações», frequentadas por quem não tinha acesso à escola, têm tentado a sua legalização. Embora o processo burocrático não seja intransponível quando as instituições têm alguma dimensão, muitas vezes, os entraves criados pelas estruturas do estado a pequenas escolas são difíceis de resolver pelos seus proprietários. 
Assim, as condições físicas são um primeiro entrave, sempre exagerado pela circunstância de que «os proprietários querem é lucro e imediato», segundo o ponto de vista dos técnicos do Ministério da Educação, em vários níveis da estrutura.
Neste sentido, são inúmeras as escolas privadas que, solicitando a sua legalização por já existirem, de facto, com conhecimento das respectivas delegações provinciais de educação, com alunos contabilizados, não são, de facto, escolas privadas legais. Isto é, o Ministério considera os alunos dessas escolas como integrados no sistema de ensino mas não reconhece a existência legal das escolas.
O conhecimento da existência destas escolas chega à delegação provincial de educação pelas mãos dos interessados em legalizar a escola, dado que a própria delegação reconhece a dificuldade em controlar a proliferação de escolas, por falta de recursos.

c) As Escolas da Igreja Católica

A Igreja Católica, particularmente após 1992 começou a receber as suas antigas instalações escolares, embora em estado de degradação maior ou menor, dependendo das funções que exerceram nos últimos anos, após a independência.
A capacidade económica da instituição religiosa e a sua capacidade de mobilização de recursos económicos e igualmente a fácil articulação com o poder, herdado do período colonial, tem permitido a sua implementação no terreno como interlocutor privilegiado, em questões de educação.
O reconhecimento oficial da incapacidade do Estado em resolver o problema da educação tem como uma das consequências o apelo a entidades privadas de reconhecida credibilidade que aparecem na cena pública como parceiros em questões de educação.
Assim, a Igreja Católica apresenta-se mesmo com capacidade e aceitação da estrutura do Ministério para impor normas de funcionamento das estruturas do Ministério e alterar as existentes.
O interregno entre o confiscar os bens da Igreja e a sua reposição não mudou muito a posição da Igreja Católica que continua a seleccionar os alunos dentro de determinados padrões sociais. Enquanto algumas escolas são destinadas à socialização dos excluídos, outras escolas contribuem para a reprodução da elite no poder.

d) Os Colégios ou Externatos

Os interesses económicos que pretendem envolver-se em projectos de ensino com qualidade suficiente para oferecerem vantagens económicas, tentam aproveitar antigas instalações, negociando geralmente com o Estado a reconstrução de edifícios que, no período colonial, exerciam a mesma função ou similar.
Conseguir instalações de dimensão suficiente para apresentar as melhores economias de escala não é fácil e normalmente a estratégia utilizada é a ligação dessas vontades a figuras influentes do aparelho do Estado. Sem o apadrinhamento do segmento dirigente da classe-Estado, o desenvolvimento de actividades de algum interesse económico, na área da educação, é muito difícil. Sem este apadrinhamento ao mais alto nível, os técnicos do Ministério usam o argumento de que, se os edifícios têm condições para o ensino particular também as têm para o ensino público.
Os professores destas instituições são angariados entre os antigos professores do período colonial, outros são mesmo recrutados entre os quadros das empresas, embora para os níveis de ensino mais elevados.
Dado que a mensalidade é relativamente elevada para o nível de vida de Angola (cem dólares em 1996), os alunos pertencem à classe-estado e aos quadros (portugueses e angolanos) de empresas multinacionais que operam no território. Para além da escola portuguesa, situação marginal relativamente à questão que se pretende estudar, são estas as escolas que apresentam melhores condições físicas e pedagógicas.
A afluência de alunos é elevada e muitas vezes os pais têm de utilizar a mesma estratégia que a pequena burguesia em relação às escolas públicas: compram uma vaga a um dos professores da escola.
Esta cedência de vagas aos professores constitui um comportamento generalizado das instituições, quer públicas quer privadas e que é útil, quer para os professores quer para os que pretendem o acesso a uma instituição escolar.

e) As escolas das ONG’s

Embora muitas das ONG’s a operar em Angola se preocupem com as questões da educação, regra geral promovem a construção de escolas entregando-as posteriormente ao Ministério da Educação. Algumas, como a ADPP (Ajuda ao Desenvolvimento do Povo para o Povo) desenvolvem a sua actividade em várias áreas, embora a sua relação com o ensino seja mais a nível da formação de professores.
A complexidade do funcionamento das ONG´s e o facto da educação ser só um segmento da sua actividade em Angola, não permitirá abordar este tipo de escolas neste trabalho.

CONCLUSÃO

Contudo nos últimos anos a educação em Angola tem sido valorizado pela sociedade visto que estamos na era da globalização. É necessário que o Ministério da Educação implemente condições necessárias para melhorias no sistema de ensino da sociedade angolana. Actualmente o sistema de ensino é visto como a alma poderosa para o futuro, com estas perspectivas a sociedade angolana tem acreditado na sua formação, fazendo com que cada vez mais o crescimento mental por parte dos estudante melhor no seu dia dia.




BIBLIOGRAFIA

____________ Estado educacionais de angola. Disponível em:  http://cea.revues.org/1070#tocto2n1. Acessado aos 27 de Novembro de 2014.
Patrick DIAS (1990), «Educação e Desenvolvimento na África Subsahariana. Desajustamentos conceptuais e logros ideológicos», in Revista Internacional de Estudos Africanos, 12-13, pp. 263-320.
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO DE ANGOLA (1997), Gabinete de Estudos e Planeamento, «Situação Educacional em Angola, Ano Lectivo 1996», Luanda, Agosto 1997, (texto policopiado).




ÍNDICE




interacção com campo e a cidade

Introdução
Na actualidade observamos que as pessoas se deparam com um rol de rotinas para desempenhar suas funções sociais, em que a regulação e a mensuração sempre estão presentes, estas implicações também estão atreladas às atividades relacionadas ao lazer, sendo estas demarcadas por componentes de produtividade.
 Valoriza-se a “performance”, o produto e não o processo de vivência que lhe dá origem; estimula-se a prática compulsória de actividades denotadoras de moda ou “status”. Além disso, o caráter social requerido pela produtividade, confina e adia o prazer para depois do expediente, fins-de-semana, períodos de férias, ou, mais drasticamente, para a aposentadoria.  
Há a prorrogação de certas vivências em função dos cumprimentos das diversas tarefas diárias, assim as expectativas de prazer nas pessoas quando estas anseiam a chegada do fim-de-semana existe independente dos vínculos sociais das pessoas de Estarem inseridas na ambiência do espaço rural ou urbano. Nesse sentido, o trabalho enfoca o mover das pessoas quando procuram o meio rural para vivenciar momentos que atendam a tais expectativas, ou a outras experiências. 


Interação campo e cidade
O campo se caracteriza como um ambiente onde o silêncio e a calma proporciona às pessoas uma sensação de tranquilidade e satisfação. Por esse motivo, esse ambiente é procurado por muitas pessoas para ali realizar sua prática de lazer. Nós pensamos: que lá você deixas a tensão do trabalho, e lá você tem o lazer, e descanso.
Nesses lugares tem uma oferta boa de lazer pra todo mundo que mora lá ou para quem pretende visitar estes lugares. Outros motivos dessa procura são justificados pela amizade proporcionada pelas pessoas do campo, pelas opções de lazer encontradas em tal ambiente, como nos revelam as seguintes falas: Então, o que eu encontrei na comunidade? Aquilo que, de repente, a gente não tinha. Passava domingo, por exemplo, o dia todinho vendo televisão e aí, vamos dizer, quantas horas e horas dormindo. O que aconteceu? Eu percebi que aqui na comunidade eu poderia ter os parceiros.
Por exemplo, o companheirismo que você encontra, a amizade que eles têm pelas pessoas, nós achamos bem gratificante. Há lugares e momentos que podem produzir erupção de sentimentos que na rotina do cotidiano seriam impossíveis de se manifestar, como nos ressalta alguns sociólogos, e que nesses momentos de excitação, os sentimentos de tristeza, as preocupações são esquecidas, ou substituídas pela criação de sentimentos que podem trazer bem estar. Creio que a satisfação de uma necessidade humana através do prazer, e em particular, por intermédio da agradável excitação que equilibra o controlo regular dos sentimentos na vida exterior ao lazer, é uma das funções básicas que a sociedade humana possui para a sua satisfação.  
A opção das pessoas do meio urbano se refugiarem no meio rural no uso do seu tempo livre, pode refletir a procura de algo nostálgico ou mesmo exótico, que representa a fuga de valores e actividades desenvolvidas no seu quotidiano. Esse distanciamento pode ser uma compensação do stresse provocado pelas obrigações laborais de trabalho diário na cidade.  
Lazer coletivo e lazer solitário
Há pessoas que preferem ficar sozinhas em seu tempo livre, realizando actividades na qual possam sentir prazer sem a necessidade de outros em sua volta. Esse tipo de lazer solitário pode ser exemplificado pela leitura de livros, escutar uma música, jardinagem, etc.
O espectro do tempo livre
 Segundo, Elias e Dunning (1992), as actividades de tempo livre podem distinguir-se pelo grau de rotina e de destruição da rotina ou pelo equilíbrio entre os dois aspectos que nele se encontram integrados. Assim, pode-se destacar três grandes categorias de atividades a serem realizadas em tempo livre:
A. Rotinas do tempo livre (provisão rotineira das próprias necessidades biológicas e cuidados com o próprio corpo, bem como governo da casa e rotinas familiares) que encontramos nas manifestações dos sujeitos investigados.
B. Actividades intermediárias de tempo que servem como necessidades de formação ou auto-satisfação e auto-desenvolvimento (trabalho não-profissional, voluntário ou para si próprio e atividade religiosas): É um conforto até para nós, para o nosso coração a pessoa fica até mais suave quando está cantando em nome de Deus, então dá para se falar como um grande lazer que a pessoa faz no dia-a-dia.
C. Actividades de lazer propriamente dita (lazer solitário ou comunitário).
Assim. A possibilidade de ter a oportunidade de optar o que realizar no seu descanso ou divertimento já é uma aquisição.  Em segundo plano estão às possibilidades para o desenvolvimento pessoal que actividades de lazer podem trazer com novos conhecimentos do mundo, novas experiências, desejos e projetos.
As actividades profissionais
 De um modo geral, nos meios rurais predomina a agricultura, a pecuária, a silvicultura e outras actividades ligadas à exploração de alguns recursos naturais. Por esta razão, a população pertence, na sua maioria, ao sector primário.
            Nos meios urbanos, pelo contrário, as actividades predominantes são o comércio, os serviços, e a indústria pelo que a população pertence, na sua quase totalidade, aos sectores secundário e terciário.


A ocupação dos tempos livres
 Nos meios rurais, os tempos livres são poucos e variam com a época do ano e com o ritmo a que se desenrolam os trabalhos agrícolas. Os jogos tradicionais, as danças e os cantares populares, bem como as festividades religiosas, são algumas das principais manifestações culturais nestas áreas.
            Nos meios urbanos a situação é bem diferente. Os horários de trabalho e os vários ritmos de vida, bem como a existência de uma série de equipamentos nas áreas da cultura, do desporto e de entretenimento, permitem à população uma escolha mais alargada na ocupação dos tempos livres e de lazer.
As deslocações
            Nos meios rurais, a população dedica-se principalmente à agricultura e as habitações, normalmente unifamiliares, encontram-se, muitas vezes, integradas nos campos de cultura. Por isso, as deslocações das pessoas para os locais de trabalho são geralmente curtas e feitas a pé.
As ruas das aldeias são, assim, pouco movimentadas e por elas circulam essencialmente pessoas, máquinas agrícolas e animais.
 Nos meios urbanos, pelo contrário, as populações vivem normalmente em blocos de apartamentos longe dos locais de trabalho, por vezes a quilómetros de distância. Além disso, é sobretudo no centro das cidades que se situam as zonas comerciais e de serviços e as quais as pessoas afluem frequentemente.
Assiste-se, assim, todos os dias a uma grande deslocação de pessoas entre a sua residência e o local de trabalho, utilizando os diversos meios de transporte: automóveis, autocarros, comboios. Mas este movimento pendular dá-se em dois sentidos: pela manhã é em direcção ao centro urbano e ao fim da tarde é o regresso a casa.
As ruas das cidades são, portanto muito movimentadas e por elas circulam, sem cessar, pessoas e veículos. Devido a todo esse movimento, os transportes são, por vezes, lentos e difíceis.
Há muitos sítios de lazer em Luanda e em outras províncias do nosso pais dentre as quais destacamos as seguintes:
Província Malanje possui uma grande variedade de recursos turísticos, e sítios de lazeres quer seja nos locais rurais e urbanos dos quais se destacam
Sítios e lugares de lazeres existentes na província de Malange
ü  Cemitério de Cambumdi-Catembo, Cemitério da Kizenga e ainda outros Cemitérios históricos nos municípios de Caculama e Cacuso. Túmulos da Rainha N’Ginga M’Bandi, N’Gola M’Bandi – estão situados em Kwaba N’Zóji.
ü  Igreja Evangélica do Quêssua – no município de Malanje, que funcionava antigamente como convento.
ü  Ruínas – Ruínas de Cacumbo, Ruínas da fortaleza de Pungo-Andongo (1671) e as Ruínas da fábrica do Quissol, de 1820 (em N’Zongola e Madimba).
ü  Parque Nacional de Kangandala. Possui uma área de 600 Km². A espécie mais importante existente é a palanca negra gigante.
ü  Reserva Florestal do caminho de ferro de Malanje - Possuí 200 Km².
ü  Reservas Natural Integral do Luando e Especial do Milando - situadas nos municípios de Luquembo e Kunda Dia-Baze/Marimba/Caombo.
ü  Reserva florestal do Samba-Lucala – Possui 400 Km² de extensão.
ü  Pedras Negras de Pungo Andongo –- formações rochosas onde dizem estar marcadas as pegadas da rainha N’Ginga M’Bandi e do rei N’Gola Kiluange.
ü  Furnas do Cacolo –- Ruínas antigas de habitações primitivas e onde se encontram jazigos naturais.
ü  As Quedas de Kalandula
ü  Os Rápidos do Kwanza
ü  A Barragem de Kapanda

As Quedas de Kalandula
As quedas de Kalandula constituem a fascinante atracção turística da província de Malanje e uma das mais importantes de Angola. Ocorrem, no rio Lucala e possuem cerca de 400 metros de altura, e 105 metros de altura. São as segundas quedas mais altas de África.
As Pedras Negras são um conjunto de blocos rochosos de dimensões descomunais que ocorrem na localidade de Pungu-a-Ndongo, município de Cacuso, província de Malanje.
O conjunto é composto por rochas intrusivas que terão sido expostas pela erosão, ao longo dos séculos e por rochas sedimentares (arenitos e conglomerados) bem consolidados. Quando for ao Pungu-a-Ndongo, o visitante não deve esquecer-se de visitar a Pegada do Rei Ngola Kiluanji, as Pégadas da Rainha Njinga, o Cantinho do Céu.

            O Pungu-a-Ndongo, conhecido pelo nome aportuguesado de Pungo Andongo, encontra-se a curta distância da Barragem de Capanda, outro ponto turístico que vale a pena visitar.
Túmulos dos Reis
Entre os monumentos e sítios mais importantes, ocupam lugar de destaque os túmulos do Rei Ngola Kiluanji, da Rainha Njinga Bandi e do irmão, Mbingi a Mbandi que se encontram-se na aldeia de Mukulu a Ngola, município de Marimba.
Na referida aldeia, as pessoas que cuidam dos túmulos dos Reis são pertencentes à família real. É a eles que cabe organizar a limpeza e as visitas. Os visitantes têm que vestir-se de um traje especial. Na foto, vemos, em traje especial e com a sua comitiva, o Governador Cristóvão da Cunha depositando uma coroa de flores nos túmulos dos Reis.


MONUMENTOS
Ø  Forte de Cabatuquila 
Ø  Ruínas de Duque de Bragança
Ø  Igreja metodista Unida
Ø  Antigo Palácio
Ø  Poço mais antigo de Malange
Ø  Matari Ya Ginga
Ø  Poço da Sé Catedral
Ø  Manivela Mais Antiga

Parques nacionais, espaços privilegiados da natureza


Ø  A fauna e a flora constituem um dos mais ricos patrimônios naturais de Angola, exuberante nicho de turismo ecológico que garante  momentos de lazer e tem importância científica, pelo potencial  genético existente nos parques e reservas florestais.
Ø  Há no país  um  total  de  37 áreas de valor turístico e ecológico, equivalentes a 188.650km², ou 15% do território nacional. Desse  total  13  são  áreas  de proteção ambiental: seis Parques  Nacionais,  um Parque  Natural Regional, duas Reservas Naturais integrais e quatro Reservas Parciais.
Ø  Os seis parques nacionais são:
Ø  – Parque Nacional de Quissama, na província de Bengo, estabelecido como Reserva de Caça em 1938 e elevado à condição de Parque Nacional em 1957.
Ø  Tem uma área de 9.600km² e sua fauna mais notável é composta de manati, palanca vermelha e tartaruga marinha.
Ø   Parque Nacional de Cangandala, na província de Malange. Estabelecido como Reserva Natural Integral em 1963 e Parque Nacional a partir de 1970.
Ø  Tem uma área de 600 km² e sua fauna inclui a famosa palanca preta gigante, espécie exclusiva de Angola.
Ø   Parque Nacional de Bicuar, na província de Huíla. Criada como Reserva de Caça em 1938, passou a Parque Nacional em 1964. Tem uma área de 7.900km² e na sua fauna o destaque é o búfalo negro.
Ø   Parque Nacional de Iona, na província de Namibe. Estabelecido como Parque Nacional de caça em 1937, tornou-se Parque Nacional em 1964. Tem uma área de 15.150km² onde a Zebra da Montanha é a estrela principal de sua fauna.
Ø  – Parque Nacional de Kameia, na província de Moxico. Em 1935 tornou-se reserva de caça, sendo elevado à condição de Parque Nacional em 1957. Sua área é de 14.450 km² e a fauna inclui girafas.

Ø   – Parque Nacional Regional Cimala-Vera, na província de Benguela. Foi estabelecido como Reserva Especial em 1971 e elevado à condição de Parque Nacional Regional em 1974. Tem uma área de 150km² e na sua fauna se destaca a cabra de leque.
Ø  Além da  fauna, existe nos parques nacionais uma flora de grande  importância para o equilíbrio do ecossistema e com valor medicinal. Mas a maior parte das áreas protegidas sofreu o impacto da guerra civil. Com  o advento da  paz, começou-se a refletir sobre a conveniênia de abri-las de imediato ao turismo ou dar prioridade a trabalhos de ordenamento, delimitação e recuperação das partes degradadas, ou ainda concluir o estatuto de áreas protegidas.
Sítios e lugares de lazeres rurais e urbanos na província de Luanda
Na província de Luanda também possui muitos sítios e lugares de lazeres quer seja rural tanto como urbano tais como:
ü  A ilha de Luanda
ü  Mussulo
ü  Largo da Independência
ü  Floresta da ilha
ü  Palácio de Ferro
ü  Parque de diversão ulengo
ü  Museu da escravatuta
ü  Museu das forças Armadas
ü  Mausoléu
ü  A nova marginal

Todos os espaços citados acima fazem parte de locais de lazeres urbanos na província de Luanda.
            Os espaços de lazeres nas zonas rurais da província de Luanda são:
Parque nacional da kissama
Barra do Dande
Barra do Kwanza
Igreja da Muxima ( Católica)


Conclusão
Depois de um estudo minucioso, concluímos que o lazer é uma das necessidades sentidas tanto no meio urbano, como meio rural, sendo que este último apresenta evidencias mais distintas dessa ausência, em que o processo de mudanças nas dinâmicas no campo tem provocado este facto. Neste sentido, há a preocupação de se repensar o enfoque dado a esta questão. Os moradores rurais já têm outros interesses para com as atividades de lazer, e estas fogem dos elementos convencionais.
Bem como os moradores da cidade estabelecem outra relação com o ambiente rural. Os anseios e expectativas para as atividades de lazer refletem assim novas perspetivas que procuram possibilidades que proporcionam o maior convívio e aproximação com as pessoas, e a melhoria das condições de cada um na escolha e realização dos seus propósitos em relação ao seu lazer, isto tanto em qualidade quanto quantidade.


Bibliografia

 ELIAS, Norbert; DUNNING, Eric. A busca da excitação. Lisboa: Difel, 1992. 
10 
MARCELLINO, Nelson Carvalho. Lazer e educação. Campinas-SP: Papirus, 1987. 
WILLIAMS, Raymond. O campo e a cidade na história e na literatura. São Paulo: Cia da Letras, 1989.  
Jornal de Angola, edição 16/01/16