segunda-feira, 9 de maio de 2016

IPV6

INTRODUÇÃO
O presente trabalho visa a falar sobre o IPv6 desenvolvido para o melhoramento de conexão da rede internet. neste contexto podemos dizer que uma rede pode ser definida como um conjunto de computadores e outros equipamentos interligados e capazes de comunicarem-se utilizando um conjunto pré-determinado de regras, ou “linguagem”, chamada de protocolo. O IP (Internet Protocol), é um protocolo que foi projectado para criar ligações  entre diferentes redes, possibilitando a intercomunicação entre dispositivos nelas presentes. Uma interligação entre diversas redes é normalmente chamada de Internet. Cada computador numa determinada Internet possui um número único, que o identifica dentre da mesma, chamado endereço IP.  O objectivo principal deste trabalho é demonstrar como funciona o IPv6, como está estruturado, as suas características e as melhorias que trouxe no mercado actual.
O IPV6
O IPv6 é a versão mais actual do Protocolo de Internet. Originalmente oficializada em 6 de Junho de 2012, é fruto do esforço do IETF para criar a "nova geração do IP" (IPngInternet Protocol next generation), cujas linhas mestras foram descritas por Scott Bradner e Allison Marken, em 1994, na RFC 1752. Sua principal especificação encontra-se na RFC 2460.
O protocolo está sendo implantado gradativamente na Internet e deve funcionar lado a lado com o IPv4, numa situação tecnicamente chamada de "pilha dupla" ou "dual stack", por algum tempo. A longo prazo, o IPv6 tem como objetivo substituir o IPv4, que só suporta cerca de 4 bilhões (4x109) de endereços IP, contra cerca de 3,4x1038 endereços do novo protocolo.
O assunto é tão relevante que alguns governos têm apoiado essa implantação. O governo dos Estados Unidos, por exemplo, em 2005, determinou que todas as suas agências federais deveriam provar ser capazes de operar com o protocolo IPv6 até Junho de 2008. Em Julho de 2008, foi liberada uma nova revisão das recomendações para adopção do IPv6 nas agências federais, estabelecendo a data de Julho de 2010 para garantia do suporte ao IPv6.
MOTIVAÇÕES PARA A IMPLANTAÇÃO DO IPV6
O esgotamento do IPv4 e a necessidade de mais endereços na Internet
O principal motivo para a implantação do IPv6 na Internet é a necessidade de mais endereços, porque a disponibilidade de endereços livres IPv4 terminou.
Para entender as razões desse esgotamento, é importante considerar que a Internet não foi projectada para uso comercial. No início da década de 1980, ela poderia ser considerada uma rede predominantemente académica, com poucas centenas de computadores interligados. Apesar disso, pode-se dizer que o espaço de endereçamento do IP versão 4, de 32 bits, não é pequeno: 4 294 967 296 de endereços.
Ainda assim, já no início de sua utilização comercial, em 1993, acreditava-se que o espaço de endereçamento da Internet poderia se esgotar num prazo de 2 ou 3 anos. Isso não ocorreu por conta da quantidade de endereços, mas sim por conta da política de alocação inicial, que não foi favorável a uma utilização racional desses recursos. Dividiu-se esse espaço em três classes principais (embora existam a rigor actualmente cinco classes), a saber:
·                     Classe A: com 128 segmentos, que poderiam ser atribuídos individualmente às entidades que deles necessitassem, com aproximadamente 16 milhões de endereços cada. Essa classe era classificada como /8, pois os primeiros 8 bits representavam a rede, ou segmento, enquanto os demais poderiam ser usados livremente. Ela utilizava o espaço compreendido entre os endereços 00000000.*.*.* (0.*.*.*) e 01111111.*.*.* (127.*.*.*).
·                     Classe B: com aproximadamente 16 mil segmentos de 64 mil endereços cada. Essa classe era classificada como /16. Ela utilizava o espaço compreendido entre os endereços 10000000.0000000.*.* (128.0.*.*) e 10111111.11111111.*.* (191.255.*.*).
·                     Classe C: com aproximadamente 2 milhões de segmentos de 256 endereços cada. Essa classe era classificada como /24. Ela utilizava o espaço compreendido entre os endereços 11000000.0000000.00000000.* (192.0.0.*) e 11011111.11111111.11111111.* (213.255.255.*).
Os 32 blocos /8 restantes foram reservados para Multicast e para a IANA (Internet Assigned Numbers Authority).
O espaço reservado para a classe A atenderia a apenas 128 entidades, no entanto, ocupava metade dos endereços disponíveis. Não obstante, empresas e entidades como HP, GE, DEC, MIT, DISA, Apple, AT&T, IBM, USPS, dentre outras, receberam alocações desse tipo.
As previsões iniciais, no entanto, de esgotamento quase imediato dos recursos, não se concretizaram devido ao desenvolvimento de uma série de tecnologias, que funcionaram como uma solução paliativa para o problema trazido com o crescimento acelerado:
·                     CIDR (Classless Inter Domain Routing), ou roteamento sem uso de classes, que é descrito pela RFC 1519. Com o CIDR foi abolido o esquema de classes, permitindo atribuir blocos de endereços com tamanho arbitrário, conforme a necessidade, trazendo um uso mais racional para o espaço.
·                     O uso do NAT (Network address translation) e da RFC 1918, que especifica os endereços privados, não válidos na Internet, nas redes corporativas. O NAT permite que com um endereço válido apenas, toda uma rede baseada em endereços privados, tenha conexão, embora limitada, com a Internet.
·                     DHCP (Dynamic Host Configuration Protocol), descrito pela RFC 2131. Esse protocolo trouxe a possibilidade aos provedores de reutilizarem endereços Internet fornecidos a seus clientes para conexões não permanentes.
O conjunto dessas tecnologias reduziu a demanda por novos números IP, de forma que o esgotamento previsto para a década de 1990, ainda não ocorreu. No entanto, as previsões actuais indicam que o esgotamento no IANA, que é a entidade que controla mundialmente esse recurso, ocorrerá até 2011, e nos Registos Regionais ou Locais, como o LACNIC, que controla os números IP para a América Latina e Caribe.
Outros factores motivantes
O principal factor que impulsiona a implantação do IPv6 é a necessidade. Ele é necessário na infra-estrutura da Internet. É uma questão de continuidade de negócios, para provedores e uma série de outras empresas e instituições.
Contudo, há outros factores que motivam sua implantação:
·                     Internet das Coisas: Imagina-se que, em um futuro onde a computação seja ubíqua, a tecnologia estará presente em vários dispositivos hoje não inteligentes, que serão capazes de interagir autonomamente entre si - computadores invisíveis interligados à Internet, embutidos nos objectos usados no dia a dia - tornando a vida ainda mais líquida. Pode-se imaginar electrodomésticos conectados, automóveis, edifícios inteligentes, equipamentos de monitoramento médico, etc. Dezenas, talvez mesmo centenas ou milhares de equipamentos estarão conectados em cada residência e escritório... O IPv6, com endereços abundantes, fixos, válidos, é necessário para fazer desse futuro uma realidade.
·                     Expansão das redes: Vários factores motivam uma expansão cada vez mais acelerada da Internet: a inclusão digital, as redes 3G, etc. São necessários mais IPs.
·                     Qualidade de serviço: A convergência das redes de telecomunicações futuras para a camada de rede comum, o IPv6, favorecerá o amadurecimento de serviços hoje incipientes, como VoIPstreaming de vídeo em tempo real, etc., e fará aparecerem outros, novos. O IPv6 tem um suporte melhorado a classes de serviço diferenciadas, em função das exigências e prioridades do serviço em causa.
·                     Mobilidade: A mobilidade está a tornar-se um factor muito importante na sociedade de hoje em dia. O IPv6 suporta a mobilidade dos utilizadores, estes poderão ser contactados em qualquer rede através do seu endereço IPv6 de origem.
NOVIDADES NAS ESPECIFICAÇÕES DO IPV6
·                     Espaço de Endereçamento. Os endereços IPv6 têm um tamanho de 128 bits.
·                     Autoconfiguração de endereço. Suporte para atribuição automática de endereços numa rede IPv6, podendo ser omitido o servidor de DHCP a que estamos habituados no IPv4.
·                     Endereçamento hierárquico. Simplifica as tabelas de encaminhamento dos roteadores da rede, diminuindo assim a carga de processamento dos mesmos.
·                     Formato do cabeçalho. Totalmente remodelados em relação ao IPv4.
·                     Cabeçalhos de extensão. Opção para guardar informação adicional.
·                     Suporte a qualidade diferenciada. Aplicações de áudio e vídeo passam a estabelecer conexões apropriadas tendo em conta as suas exigências em termos de qualidade de serviço (QoS).
·                     Capacidade de extensão. Permite adicionar novas especificações de forma simples.
·                     Encriptação. Diversas extensões no IPv6 permitem, à partida, o suporte para opções de segurança como autenticação, integridade e confidencialidade dos dados.


FORMATO DO DATAGRAMA IPV6
Um datagrama IPv6 é constituído por um cabeçalho base, ilustrado na figura que se segue, seguido de zero ou mais cabeçalhos de extensão, seguidos depois pelo bloco de dados.

Formato do cabeçalho base do datagrama IPv6:
·                     Tem menos informação que o cabeçalho do IPv4. Por exemplo, o checksum será removido do cabeçalho, que nesta versão considera-se que o controle de erros das camadas inferiores é confiável.
·                     O campo Traffic Class é usado para assinalar a classe de serviço a que o pacote pertence, permitindo assim dar diferentes tratamentos a pacotes provenientes de aplicações com exigências distintas. Este campo serve de base para o funcionamento do mecanismo de qualidade de serviço (QoS) na rede.
·                     O campo Flow Label é usado com novas aplicações que necessitem de bom desempenho. Permite associar datagramas que fazem parte da comunicação entre duas aplicações. Usados para enviar datagramas ao longo de um caminho pré-definido.
·                     O campo Payload Length representa, como o nome indica, o volume de dados em bytes que pacote transporta.
·                     O campo Next Header aponta para o primeiro header de extensão. Usado para especificar o tipo de informação que está a seguir ao cabeçalho corrente.
·                     O campo Hop Limit tem o número de hops transmitidos antes de descartar o datagrama, ou seja, este campo indica o número máximo de saltos (passagem por encaminhadores) que o datagrama pode dar, antes de ser descartado, semelhante ao TTL do IPv4.
FRAGMENTAÇÃO E DETERMINAÇÃO DO PERCURSO
No IPv6 o responsável pela fragmentação é o host que envia o datagrama, e não os roteadores intermédios como no caso do IPv4. No IPv6, os roteadores intermédios descartam os datagramas maiores que o MTU da rede. O MTU será o MTU máximo suportado pelas diferentes redes entre a origem e o destino. Para isso o host envia pacotes ICMP de vários tamanhos; quando um pacote chega ao host destino, todos os dados a serem transmitidos são fragmentados no tamanho deste pacote que alcançou o destino.
O processo de descoberta do MTU tem que ser dinâmico, porque o percurso pode ser alterado durante a transmissão dos datagramas.
No IPv6, um prefixo não fragmentável do datagrama original é copiado para cada fragmento. A informação de fragmentação é guardada num cabeçalho de extensão separado. Cada fragmento é iniciado por uma componente não fragmentável seguida de um cabeçalho do fragmento.
MÚLTIPLOS CABEÇALHOS
Uma das novidades do IPv6 é a possibilidade de utilização de múltiplos cabeçalhos encadeados. Estes cabeçalhos extra permitem uma maior eficiência, pois o tamanho do cabeçalho pode ser ajustado segundo as necessidades, e uma maior flexibilidade, porque podem ser sempre adicionados novos cabeçalhos para satisfazer novas especificações.
As especificações actuais recomendam a seguinte ordem:
1.                  IPv6
2.                  Hop-By-Hop Options Header
3.                  Destination Option Header
4.                  Routing Header
5.                  Fragment Header
6.                  Authentication Security Payload Header
7.                  Destination Options Header
8.                  Upper-Layer Header
ENDEREÇAMENTO
O endereçamento no IPv6 é de 128 bits, e inclui prefixo de rede e sufixo de host. No entanto, não existem classes de endereços, como acontece no IPv4. Assim, a fronteira do prefixo e do sufixo pode ser em qualquer posição do endereço.
Um endereço padrão IPv6 deve ser formado por um campo provider IDsubscribe IDsubnet ID e node ID. O node ID (ou identificador de interface) deve ter 64 bits, e pode ser formado a partir do endereço físico (MAC) no formato EUI 64.
Os endereços IPv6 são normalmente escritos como oito grupos de 4 dígitos hexadecimais. Por exemplo,
2001:0db8:85a3:08d3:1319:8a2e:0370:7344
Se um grupo de vários dígitos seguidos for 0000, pode ser omitido. Por exemplo,
2001:0db8:85a3:0000:0000:0000:0000:7344
é o mesmo endereço IPv6 que:
2001:0db8:85a3::7344
Existem no IPv6 tipos especiais de endereços:
·                     unicast - cada endereço corresponde a uma interface (dispositivo).
·                     multicast - cada endereço corresponde a múltiplas interfaces. É enviada uma cópia para cada interface.
·                     anycast - corresponde a múltiplas interfaces que partilham um prefixo comum. Um datagrama é enviado para um dos dispositivos, por exemplo, o mais próximo.
Com o IPv6 todas as redes locais devem ter prefixos /64. Isso é necessário para o funcionamento da autoconfiguração e outras funcionalidades.
Usuários de qualquer tipo receberão de seus provedores redes /48, ou seja, terão a seu dispor uma quantidade suficiente de IPs para configurar aproximadamente 65 mil redes, cada uma com  endereços. É preciso notar, no entanto, que alguns provedores cogitam entregar aos usuários domésticos redes com tamanho /56, permitindo sua divisão em apenas 256 redes /64.

ESTRUTURAS DE ENDEREÇOS DE TRANSIÇÃO
Os endereços IPv6 podem ser mapeados para IPv4 e são concebidos para roteadores que suportem os dois protocolos, permitindo que nos IPv4 façam um "túnel" através de uma estrutura IPv6. Estes endereços são automaticamente construídos pelos roteadores que suportam ambos os protocolos.
Para tal, os 128 bits do IPv6 ficam assim divididos:
·                     campo de 80 bits colocado a '0' (zero), 0000:0000:0000:0000:0000 ...
·                     campo de 16 bits colocado a '1' (um), ... FFFF ...
·                     endereço IPv4 de 32 bits
Endereços IPv6 mapeados para IPv4:
::FFFF:<endereço IPv4>


OUTRAS ESTRUTURAS DE ENDEREÇOS IPV6
Existem outras estruturas de endereços IPv6:
·                     Endereços de ISP - formato projectado para permitir a conexão à Internet por utilizadores individuais de um ISP.
·                     Endereços de Site - para utilização numa Rede Local.
TUNELAMENTO
A técnica de criação de túneis permite transmitir pacotes IPv6 através da infra-estrutura IPv4 já existente, sem a necessidade de realizar qualquer mudança nos mecanismos de roteamento, encapsulando o conteúdo do pacote IPv6 em um pacote IPv4.
 Essas técnicas, tratadas na RFC 4213, têm sido as mais utilizadas na fase inicial de implantação do IPv6, por serem facilmente aplicadas em testes, onde há redes não estrututadas
para oferecer trafego IPv6 nativo. Os túneis podem ser configurados nos seguintes modos:  Roteador-a-Roteador – Roteadores IPv6/IPv4, conectados via rede IPv4,  podem trocar pacotes IPv6 entre si, ligando um segmento no caminho entre dois  hosts;   A figura 1 demonstra a configuração roteador a roteador. 
Exemplo:
O host X envia pacotes para o host Z de forma transparente, sendo que nenhum dos hosts precisam saber da existência da rede IPv4 no meio do caminho.



CONCLUSÃO
Portanto o IPv6 veio para resolver vários problemas do IPv4, entre eles, o número limitado de endereços disponíveis. Apresenta também melhorias com relação ao IPv4 em áreas tais como a auto configuração de roteamento e de rede. A expectativa é que o IPv6 substitua gradualmente IPv4, de tal forma que as duas versões possam coexistir durante o período de transição. Este trabalho com certeza desenvolveu a capacidade intelectual e ajudou no aperfeiçoamento da percepção da matéria que fala sobre o IPv6.



BIBLIOGRAFIA
O IPv6: disponível em: http://www.ipv6.estg.ipleiria.pt/mobilidade/IPv6@ESTG-Leiria_MIPv6_Relatorio_Final.pdf. Acessado aos 02 de Outubro de 2014.


OS KIMBUNDO

OS KIMBUNDO 
Os M’bundu (Kimbundu), situados entre os rios Cuanza e Dande, com cerca de 26% da população, abrangendo Luanda, na costa, até à bacia do Cassange, na parte oriental do distrito de Malange. Faziam parte deste grupo Kimbundu vinte povos: Ambundu, Luanda, Luango, Ntemo, Puna, Dembo, Bangala, Holo, Cari, Chinje, Minungo, Bambeiro, Quibala, Haco, Sende, Ngola ou Jinga, Bondo, Songo, Quissama e Libolo. Exprimem-se em Kimbundu.
Como afirma Segundo Teresa Neto:
 ‘’ grupo Kimbundu constitui o grupo étnico, no centro do país, que mais assimilou os costumes coloniais portugueses’’; e, Lawrence W.Henderson corrobora afirmando também que ali foi o centro da assimilação porque na abordagem dele: ‘’os Kimbundu aprenderam o português ao serem assimilados, como foram eles quem produziu as primeiras obras das literaturas escritas angolana’’.
A zona sobre qual me debruço é a que vai do Libolo a Kibala, abrangendo Kilenda, Ebo, Gabela, Mussende e partes do Uaco-Kungo, Kassongue entre outros espaços da Província do Kuanza-Sul. Trata-se de uma zona de transição etno-linguística entre os ovimbundu e os ambundu. Por isso, a língua contém elementos de duas outras línguas, com maior ou menor acentuação ou prodominância, à medida que se vai aproximando ou distanciando dos pólos (ambundu e ovimbundu). No período da existência do reino do Ndongo, o Libolo, a Kibala, Ebo, Kilenda, Gabela e até parte do Uaco Kungo integravam este reino, razão pela qual, ainda hoje, quando perguntamos às pessoas destas áreas que língua falam, muitos respondem que falam Kimbundu. Porém, há as que dizem falar Kibala ou Ngoya, conforme um estudo publicado nesta pa'gina. Sobre a origem dos povos Kibala, demonstrou-o, e muito bem, o Reverendo Vinte e Cinco no seu livro “Os Kibalas”. Também o Dr. Moisés Malumbu no seu livro “Os Ovimbundos do Planalto Central de Angola” faz excelentes apreciações sobre os povos vizinhos dos ovimbundu e das relações de interdependência entre eles. Malumbu diz mesmo que os actuais povos Mbalundu e Ndulo (Bailundo e Andulo), dos quais nascem os povos planálticos dos nossos dias, são descendentes dos Kibala a quem os ovmbundu tratam por Va-kua-nano (os de cima/norte). Porém, não basta esta relação de pertença para se dizer, como muitos o fazem, que que os povos que habitam o Kuanza-Sul são "bailundus ou kimbundus" por extensão. Têm uma língua e características próprias. Costumes que fazem uma cultura e língua próprias e que devem ser estudas. Têm também os seus provérbios com grande carga pedagógica. No que toca a outras particularidades da Cultura e História, é só ver que nenhum outro povo, dos que habitam Angola, construiu necrópoles (sepulturas em pedras) senão os ancestrais dos Kibalas e seus vizinhos. O que partilho convosco é que independentemente dos kibalas falarem uma língua parecida com o kimbundu ou umbundu, esta língua tem um nome. Tratemo-la por Kibala ou Ngoya (termo depreciativo mas muito divulgado), ela deve ser divulgada de modo a legá-la a novas gerações. Para que tal aconteça é preciso que seja investigada, divulgada e ensinada. Tenhamos como exemplo a própria língua portuguesa que falamos, herdada do colono. É uma língua que deriva do latim, tal como o espanhol, o italiano, o francês, o romeno, entre outras e recebe empréstimos do inglês e línguas africanas. -O português é ou não uma língua própria?-Tem ou não um nome?-É ou não estudado, desenvolvido, divulgado e transmitido a novos falantes?Este exemplo chama-nos atenção para o que devemos fazer para a valorização da nossa língua. Não quero, aqui e hoje, definir que nome atribuir à nossa língua. Pesquisei um pouco e encontrei várias divergências entre os autores. Mas que temos que investigar, isso temos. Em seguida quero mostrar-vos o que tenho feito para demonstrar a carga pedagógica dos provérbios da nossa língua.





Os Ambundu são o povo dominante na região da capital angolana, mais precisamente nas províncias do Bengo,Kwanza Norte, Malange e nordeste do Kwanza Sul. Apesar de os portugueses terem travado relações comerciais com os Ambundu, logo após a sua chegada ao reino do Kongo, a partir da altura em que estabeleceram uma colónia permanente em Luanda, no ano de 1576, como base para o comércio de escravos, houve revoltas constantes contra a ocupação dos portugueses na região, sendo a mais famosa a encabeçada pela Rainha N'Ginga.
Boa parte dos mais de 4 milhões de escravos traficados para o estrangeiro entre os séculos XVI e XIX (especialmente para o Brasil) eram Ambundu, já que este foi o grupo étnico onde a secular presença portuguesa na "cabeça de ponte" de Luanda teve mais impacto1 nota 4 .
O desenvolvimento da cidade de Luanda como capital e principal centro industrial levou a que muitos Ambundu se deslocassem para a capital, terminando na construção de imensos musseques nos arredores da cidade e levando a que, por causa da pesada presença dos portugueses e do grande número de mestiços lusófonos, o português se sobrepusesse à língua nativa, levando a que hoje muitos Ambundu só saibam falar o português1 .
Foi no tecido social constituído pela sociedade luandense e os Ambundu que começou a desenvolver-se, no século XX, uma identidade social "nacional", isto é, um sentido de pertença a Angola no seu conjunto. Gerou-se, em consequência disto, uma oposição à ocupação colonial que desde o início teve uma perspectiva "nacionalista".


plantas ornamentais

INTRODUÇÃO
Gravatá é uma planta da família das Bromeliáceas e conhecidas também por gravatás. Existem cerca de 4.000 espécies, sendo cerca de 1.250 no Brasil; podem viver no solo, rocha ou árvore. São xerófitas, ou seja, adaptadas para a vida em condições de seca, suportando também temperaturas externas. Típico destas plantas, é o fato de armazenarem água da chuva entre suas folhas. Como propriedade medicinal é abortivo, emoliente, expectorante, diurético, tónico e vermífugo. É usado na forma de xarope e suco.
Este trabalho tem como objectivo geral de avaliar o crescimento e desenvolvimento da planta em estudo, e a técnica cultivada e cuidado da planta.













Características
Gravatá é um nome indigena que vem do tupi-guarani e significa erva da folha fibrosa e a sequência de vários a indicar que os frutos são comestíveis. Também chamado de Gravatá banana, ou Gravatá de cacho. Quanto a sua origem essa espécie tem distribuição abrangente aparecendo no norte do pantanal, passando pelo Brasil Central, chegando ao litoral e descendo na mata atlântica até Santa Catarina.
Também conhecido por caraguatã, caravatá, caraguatá e caravatá. Planta em forma de roseta (folhas contornando um eixo central), terrestre, com folhas compridas de 35 a 67 cm de comprimento por 2,1 a 3,6 cm de largura, com pilosidade grosseira quando novas. As folhas ficam avermelhadas e se abrem e deitam na horizontal quando vai sair a inflorescência (flores saindo dum mesmo ponto igual um guarda sol) as flores individuais são centenas, com pétalas vinho-avermelhadas. Os frutos são bagas cilíndricas, deprimidas na base. É resistente a secas e a geadas de até 3 graus.
Gravatá multiplica-se mais facilmente por estolões, ou seja, brotos que saem da base do caule. As sementes germinam em 30-50 dias se forem plantadas bem em substrato arenoso. As mudas atingem 35 cm com 13 meses de idade. As mudas tiradas da planta mãe começam a frutificar com 3 anos, enquanto que mudas originarias de sementes frutificam com 5 a 8 anos.
Planta perene, ereta, acaule, terrestre, formando touceiras com até 1,80 cm de altura. As folhas são dispostas em rosetas (nascem a partir de um eixo em espiral), e as laminas medem 85 cm a 2 m de comprimento por 2,4 a 4,2 cm de largura, são de coloração verde mais clara, de consistência coriacea, com margens providas de espinhos amarelados em forma de ganchos. As flores nascem em cimeiras (tipo de cacho que termina com uma flor) longas de 45 a 72 cm de comprimento, com diversas ramificações protegidas por brácteas (tipo de folha modificada), brancas apiculadas (com ponta curta). As flores individuais medem 5,1 a 6,7 cm de comprimento, são agrupada em feixes com 5 a 9 flores de cor roxo violáceo. Os frutos são bagas arredondadas, quase que totalmente lisas de cor amarelo intenso, medindo de 4 a 5,8 cm de comprimento por 3,1 a 4,2 cm de largura.
Técnicas cultivadas e cuidado da planta
1. Não enterre demais as gravatá, mantenha a base das folhas acima do solo.
2. Não use um vaso muito grande, pois há perigo de humidade excessiva nas raízes.
3. Não permita que a planta fique balançando, fixe-a bem, pois isto poderá danificar o tenro desenvolvimento das novas raízes. Estaqueie a planta se necessário, até que as raízes estejam bem desenvolvidas.
4. Coloque sempre uma boa camada de cacos de telha ou pedriscos no vaso, que deve ser sempre furado nas laterais ou no fundo.
5. É resistente a secas e a geadas de até 3 graus. Aprecia qualquer tipo de solo que sejam ácidos, bem drenados e profundos, aceitando ambiente sombreado e com boa quantidade de matéria orgânica.
Mudas ou seja metodo de propagação multiplica-se mais facilmente por estolão, ou seja, brotos que saem da base do caule, mais só devem ser retirados quando estiverem com raízes próprias. As sementes germinam bem em substrato arenoso, num período de 60 á 120 dias, mais demoram cerca de 2 anos para atingir o tamanho de 40 cm. As mudas tiradas da planta mãe iniciam frutificação com 3 anos após o plantio, enquanto que mudas originarias de sementes frutificam com 5 á 8 anos. E o método de propagação que utilizei é por transplante.
Plantando: Recomendo que seja plantada a pleno sol num espaçamento 2 x 2 cm. Melhor época de plantio é dezembro a janeiro.
Irrigação
Convém irrigar 10 litros de água após o plantio e a cada 15 dias se não chover. As covas devem ser preparadas com 2 meses de antecedência e conter 50% de areia saibro de reboque e 6 pás de composto orgânico feito de folhas decompostas e 30% de esterco de gado curtido.
As Gravatá gostam de ter suas raízes molhadas, mas sempre de forma bastante moderada, o mais importante é molhar as folhas e manter sempre o tanque central com água. Quando a temperatura ambiente estiver muito alta, borrife com água as folhas, mas nunca sob luz solar directa e nas horas mais quentes do dia. Plantas de folhas macias apreciam ambiente mais húmido do que plantas de folhas rígidas.
Luminosidade
Bastante claridade em luz difusa é a condição preferida pela maioria das bromélias. Em geral, plantas com folhas rígidas, estreitas e espinhentas, tal como folhas de cor cinza-esverdeada, cinza, avermelhada ou prateada, gostam de maior luminosidade durante maior período de tempo, em alguns casos até mesmo sol pleno. Plantas de folhas macias, de cor verde ou verde-escura, apreciam locais com menor intensidade de luz, mas nunca um local escuro. O intenso e atraente vermelho translúcido encontrado em muitas Neoregelias desaparece quando a planta é transferida para um local de menor luminosidade.
Como sintomas de pouca luminosidade, as plantas apresentam folhas escuras ou pobres em cor, frequentemente macias, caídas e bem mais longas que o normal (estioladas). Como sintomas de excesso de luz, temos folhas amareladas, com manchas esbranquiçadas, ressecadas e até com verdadeiras queimaduras.
Cultivando a planta cresce lentamente e não necessita de cuidados especiais, e geralmente é usada para fazer cerca viva. Adubar apenas cada roseta com 10 gramas de N-P-K 4-14-8 diluídos em água, durante o mês de Setembro.
Adubação
As bromélias devem ser adubadas com muito critério. São extremamente sensíveis e absorvem os nutrientes com muita facilidade pelas folhas. Use um adubo químico de boa qualidade. Adube semanalmente durante os meses de maior intensidade de luz e calor (de Agosto a Abril). A relação NPK de 2-1-4 com traços de Magnésio parece ser ideal. O Boro (Bo) deve ser evitado por causar queimaduras nas pontas das folhas, o que também ocorre no caso do excesso de Fósforo (P). Cuidado com o Cobre (Cu) que, mesmo em muitas pequenas quantidades, mata a planta. A quantidade de adubo foliar recomendada é de 0,5 g/litro de água usada em aspersão, de qualquer forma nunca supere 2 g/litro.
Não foi possível o uso de matéria inorgânica, mas sim foi possível o uso de matéria orgânica e teve um rendimento satisfatório a pesar de ter um desenvolvimento lento mais ajudou na infiltração da água.
Temperatura e humidade
As gravatá são plantas tipicamente tropicais, portanto, a maioria aprecia temperaturas elevadas e bons índices de humidade associados a local muito ventilado.
Pragas e doenças
As gravatá, apesar de ser muito resistentes, são susceptíveis a pragas, fungos e doenças como todas as plantas, porém são muito sensíveis a fungicidas e insecticidas, pois absorvem esses produtos facilmente com seu metabolismo. Para combater cochonilhas e pulgões, utilize uma solução de fumo diluída em água. Retire as pragas com uma escova de dentes. Para combater os fungos, utilize uma esponja macia e húmida, com sabão de coco dissolvido em água. Nunca utilize fungicidas à base de Cobre, como a calda bordalesa - lembre-se que o Cobre mata as bromélias. As bromélias são, com frequência, atacadas por lesmas e lagartas. Tente elimina-las manualmente. Caso necessite aplicar algum insecticida, o mais tolerado é o Malatol, cuja dissolução deve ser feita pela metade do indicado na embalagem.
A principal causa do ataque de pragas é o desequilíbrio ecológico e são plantas extremamente sensíveis ao ar enfumaçado ou poluído, pois absorvem elementos nocivos, depositados na água do cálice.
Floração
As famílias bromélias florescem somente uma vez durante seu tempo de vida. Após a floração, a planta geralmente desenvolve uma brotação lateral que substituirá a planta que irá morrer. As gravatá atingem a maturidade e florescem em diferentes idades - de meses a dezenas de anos, dependendo da espécie e condições do ambiente, respeitando sempre uma determinada época do ano. Muitas vezes, uma planta não floresce em razão da falta de luminosidade ou outro factor ambiental como, por exemplo, a temperatura. Por outro lado, uma brusca mudança do ambiente pode provocar a floração numa planta adulta. A planta sente-se ameaçada e o instinto de preservação da espécie desencadeia a floração com a finalidade de gerar sementes e brotos laterais tudo isso para assegurar a sua preservação.
Usos: Vasos, em cima de troncos,pequenos maciços, combinação com pedras e seixos.


Plantas ornamentais

os psicólogos que mais desenvolveram o crescimento da psicometria

INTRODUÇÃO
A maturidade de uma ciência se mede, em grande parte, por sua capacidade de expressar leis em linguagem matemática e de estabelecer mecanismos dedutivos. Assim, a aplicação dos testes psicométricos, iniciada nos finais do século XIX e inícios do século XX, contribuiu para que a Psicologia ascendesse à categoria de ciência. Desta feita, os primeiros estudos sistemáticos de medição psicológica datam do final do século XIX e se desenvolveram com base na matemática das probabilidades, sob influência de duas correntes: a primeira delas, que deu origem à psicofísica, constituiu uma tentativa de aplicação dos métodos das ciências físicas à mente humana. A segunda, que levou à criação dos testes psicológicos, visava à criação de métodos de medição da estabilidade emocional e da inteligência. Psicometria é a área da psicologia que trata do desenvolvimento e da aplicação de técnicas de medição aos fenômenos psíquicos (psicológicos). Em Psicometria, as medições se fazem mediante a atribuição de valores numéricos aos comportamentos, de maneira que as diferenças de comportamento sejam representadas por variações nesses valores numéricos. O presente trabalho elaborado no âmbito da cadeira de Psicologia Social e o Trabalho, versa sobre “a Psicometria, sua origem,  os seus principais percursores e o papel da estatística na psicometria” e, por sua vez, será estruturado, para além da introdução, nos seguintes termos: aparecimento da Psicometria, momentos-chave do aparecimento da Psicometria, os métodos ligados à Psicometria, os grandes percursores e o contributo que deram a Psicometria e a conclusão que culminará com as considerações finais.




ORIGEM DA PSICOMETRIA
Com base com a divisão tradicional da psicologia, «alma vs corpo», referenciam-se duas tendências. De um lado temos a psicologia alemã da introspecção, que estava interessada na experiência subjectiva e do outro lado, o empirismo inglês e norte-americano interessado no comportamento, bem como a escola (psicofísica) de Leipzig, que estudava os processos sensoriais. De entre estas duas grandes orientações, uma (a psicologia introspectiva) caracterizava-se pelo uso de procedimentos meramente descritivos, enquanto que a outra (a psicologia de orientação empirista) se preocupava com procedimentos quantitativos (Pasquali, 2003).
Psicometria é a área da psicologia que trata do desenvolvimento e da aplicação de técnicas de medição aos fenômenos psíquicos - psicológicos (Pasquali, 2003).
De acordo com Pasquali (2003) a Psicometria (mais precisamente os testes psicológicos) poderia ter tido origem numa das duas situações bastante distintas acima referidas: a psicologia de orientação empirista ou a psicologia mentalista de Binet, na França. Desta feita, Binet e Simon (1905) utilizavam processos mentais enquanto que Galton (1883), Spearman (1904b) e outros empiristas faziam uso de processos comportamentais, mais precisamente, sensoriais. Contudo, embora os testes de inteligência de Binet tenham tido muito sucesso na Psicologia, não foi da sua orientação que se deu origem a Psicometria, ela teve origem no enfoque empirista da psicologia da época.
Métodos ligados à Psicometria
A psicometria, tanto clássica quanto moderna, possui algumas caracterizações que entre elas permitem controvérsias. Enquanto por um lado, a Psicometria, pelo menos na sua prática, é ainda guiada pela concepção positivista baconista do empirismo, segundo a qual, a ciência do universal se faz através do conhecimento do singular – indução - , enfoque demonstrado como logicamente inviável, tanto pelo empirista Hume (1739-1740) quanto pelo Popper (1972). Por outro lado, em Psicometria predomina a concepção estatística (método estatístico) sobre a psicologia, pois os percursores que desenvolveram a Psicometria eram estatísticos de formação, tanto é que ainda se define a psicometria como um ramo da Estatística, quando na verdade ela deve ser concebida como um ramo da Psicologia que interfaceia com a Estatística (Pasquali, 2003). Assim sendo, segundo este autor, a origem da Psicometria deve ser procurada nos trabalhos do estatístico Spearman (1904ª, 1904b, 1907 e 1913) e, no que se refere à Psicologia, ela seguiu os procedimentos fisicalistas de Galton (1883).
OS GRANDES PERCURSORES E O CONTRIBUTO QUE DERAM A PSICOMETRIA
Os primeiros psicólogos cientistas foram, aliás, tanto ou mais físicos e fisiólogos do que psicólogos. Sabe-se que o primeiro laboratório de psicologia experimental foi criado em 1879 por Wundt, na Leipzig - Alemanha. Foi ali, pode dizer-se, que nasceu ou pelo menos foi concebido o método dos testes. Os primeiros trabalhos de laboratório limitavam-se no entanto ao estudo dos processos inferiores: domínio sensorial e motor. Só mais tarde se empreendeu o estudo experimental do pensamento e da vontade. Entretanto, numerosos discípulos de Wundt expandiram as concepções e técnicas do laboratório que ele tinha estudado e colocaram-nas ao serviço da vida real. Encontramo-las em todos os países da Europa e da América, a Alemanha foi um viveiro da psicologia aplicada (Urbina, 2007).
Francis Galton (1822-1911)
A contribuição mais directa que convém pôr em relevo por não ter nascido entre as paredes de um laboratório, mas por partir do interesse que têm em si as diferenças individuais é a obra de Francis Galton, contemporânea de Wundt e seus alunos. Primo de Darwin e seu discípulo, Galton foi essencialmente um biólogo, mas as suas investigações orientaram-no para a medida de aptidões individuais. Foram as investigações sobre a hereditariedade que o levaram a medir os caracteres que distinguiam mais ou menos os parentes ou não parentes (Urbina, 2007).
A Década de Galton (1880): para Francis Galton (biólogo inglês) à avaliação das aptidões humanas se dava por meio da medida sensorial, através da capacidade de discriminação do tacto e dos sons. Galton entendia que, a “única informação que nos atinge, vinda dos acontecimentos externos, passa, aparentemente pelo caminho de nossos sentidos. Quanto maior o discernimento que os sentidos tenham de diferentes, maior o campo em que podem agir no nosso julgamento de inteligência” (Pasquali, 2003).
A contribuição de Galton para a psicometria, de acordo com Pasquali (2003),ocorreu em três áreas:
·        criação de testes antropométricos para medida de discriminação sensorial (barras para medir a percepção de comprimento);
·        apito para percepção de altura do tom;
·        criação de escalas de atitudes (escala de pontos, questionários e associação livre); 
·        desenvolvimento e simplificação de métodos estatísticos (método da análise quantitativa dos dados coletados).
A Década de Cattell (1890): influenciado por Galton, James M. Cattell (psicólogo americano) desenvolveu medidas das diferenças individuais, o que resultou na criação da terminologia Mental Test (teste mental). Elaborou em Leipzig sua tese sobre diferenças no tempo de reacção. Este consiste em registar os minutos decorridos entre a apresentação de um estímulo ou ordem para começar a tarefa, e a primeira resposta emitida pelo examinando. Cattell seguiu as idéias de Galton, dando ênfase às medidas sensoriais, porque elas permitiam uma maior precisão (Pasquali, 2003).
A Década de Binet (1900): seus interesses estavam virados para avaliação das aptidões mais nas áreas acadêmica e da saúde. Alfred Binet e Henri fizeram uma série de críticas aos testes até então utilizadas, afirmando que eram medidas exclusivamente sensoriais que, embora permitisse maior precisão, não tinham relação importante com as funções intelectuais. Seu conteúdo intelectual fazia somente referências às habilidades muito específicas de memorizar, calcular, quando deveriam se ater às funções mais amplas como memória, imaginação, compreensão, etc. Em 1905, Binet e Simon desenvolveram o primeiro teste com 30 itens (dispostos em ordem crescente de dificuldade) com o objectivo de avaliar as mais variadas funções como julgamento, compreensão e raciocínio, para detectar o nível de inteligência ou retardo mental de adultos e crianças das escolas de Paris. Estes testes de conteúdo cognitivo atendiam a funções mais amplas, e foram bem aceites, principalmente nos EUA, a partir da sua tradução por Terman (1916), nascendo, assim, a era dos testes com base no Q.I. (Pasquali, 2003).

Q.I. = 100 (IM/IC)
Onde:
Q.I. = quociente intelectual/inteligência
IM = idade mental
IC = idade cronológica
A Década da Análise Fatorial (1930): por volta de 1920, segundo Pasquali (2003), diminuiu o entusiasmo pelos testes de inteligência, sobretudo por se demonstrar dependentes da cultura onde foram criados, o que contrariava a idéia de fator geral universal de Spearman. Kelley quebrou a tradição de Spearman em 1928, e foi seguido, na Inglaterra, por Thomson (1939) e Burt (1941), e nos EUA, por Thurstone. Este autor é relevante para época, em vista de que, além de desenvolver a análise fatorial múltipla, actuou no desenvolvimento da escala psicológica (Thurstone e Chave, 1929), tendo fundando, em 1936, a Sociedade Psicométrica Americana e a revista Psychometrika (Pasquali, 2003).
A Era da Sistematização (1940-1980): esta época é marcada por duas tendências opostas: os trabalhos de síntese e os de crítica. Em 1954, Guilford reedita Psychometric Methods e tenta sistematizar a teoria clássica, e Torgerson (1958) a teoria sobre a medida escolar. Além disso, Cattell e Warburton (1967) procuraram sintetizar os dados de medida em personalidade, e Guilford (1967) a teoria sobre a inteligência. Entre os trabalhos da crítica, destaca-se Stevens (1946), que levantou o problema das escalas de medida (Pasquali,2003). Por outro lado, este autor refere que divulgou-se também a primeira crítica à teoria clássica dos testes na obra de Lord e Novick (1968, Statistical Theory of Mental Tests Scores), que iniciou o desenvolvimento de uma teoria alternativa, a do traço latente, que se junta à teoria moderna de Psicometria, e a Teoria de Resposta ao Item - TRI. Outra tendência crítica para superar as dificuldades da Psicometria clássica foi iniciada pela Psicologia Cognitiva de Sternberg e Detterman (1979), Sternberg e Weil (1980), com seu modelo, procedimentos e pesquisas sobre os componentes cognitivos, na área da inteligência.
A Era da Psicometria Moderna - Teoria de Resposta ao Item – TRI (1980): talvez chamar a era atual de TRI seja inadequada, conforme Pasquali (2003), porque:
a) esta teoria embora seja o modelo no Primeiro Mundo, ainda não resolveu todos seus problemas fundamentais para se tornar um modelo definitivo de psicometria e,
b) ela não veio para substituir toda a psicometria clássica, mas, apenas partes dela, no entanto, é o que há de mais novo nesse campo.
A IMPORTÂNCIA DA ESTATÍSTICA NA PSICOMETRIA
A importância da estatística é a economia de tempo e de dinheiro para os pesquisadores. Como exemplo, podemos citar inicialmente o seu uso na área dos testes. O psicólogo é o único profissional que pode aplicar os testes psicológicos. Nesse sentido uma das maneiras de se validar um teste psicométrico é fazer uma grande coleta de informações de diversas pessoas e depois avaliar todos os dados, resultando assim o que é mais comum numa população.
Exemplo: O teste de inteligência WISC. Para avaliar a inteligência das pessoas os pesquisadores ao invés de fazer milhões de entrevistas, ele fazem uma amostragem, selecionando um número menor que a população geral, mas que represente ela como um todo.
Existem duas razões para o uso de testes psicométrico:
  1. Os testes foram criados para medir características mentais. (Personalidade, Psicopatologia, Humor, Habilidades Sociais, etc)
  2. É possível coletar grande quantidade de dados e a facilidade para analisar. Através de uma bateria de teste psicométricos é possível obter grandes números sobre as características do avaliado. (Ex.: Quando você vai tirar carta você vai ao psicotécnico e através de alguns testes é possível verificar se você é capaz ou não de dirigir)
Além da importância da estatística na criação, elaboração e aplicação dos testes psicológicos, podemos encontrar também a estatística em pesquisas da psicologia. E, já que a estatística é uma aliada para entendermos melhor os resultados das pesquisas – especialmente das quantitativas – o estudante de psicologia e o profissional já formado devem conhecer pelo menos o básico desta ciência exata. 
CONCLUSÃO
A realização deste trabalho, cujo tema versa sobre a psicometria, sua história e seus percursores permitiu com que se aprofundasse os aspectos relativos à testes psicológicos e abriu caminhos cognitivos rumo à mais uma aprendizagem. Ora, partindo do princípio que a Psicometria é uma área da Psicologia que trata do desenvolvimento e da aplicação de técnicas de medição aos fenómenos psicológicos, fica claro, de forma conclusiva, que o seu aparecimento no campo da Psicologia, constituiu um marco importantante e imprescindível para a afirmação da Psicologia como ciência com objecto e métodos (métodos quantitativos) próprios, a semelhança de qualquer outra ciência, particularmente das ciências naturais.





REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
·         Pasquali, L. (2003). Psicometria: Teorias dos testes na Psicologia e na Educação. Vozes: RJ, 2ªed.

·         Urbina, S. (2007). Fundamentos da Testagem Psicológica. Artmed: Porto Alegre.