segunda-feira, 9 de maio de 2016

os psicólogos que mais desenvolveram o crescimento da psicometria

INTRODUÇÃO
A maturidade de uma ciência se mede, em grande parte, por sua capacidade de expressar leis em linguagem matemática e de estabelecer mecanismos dedutivos. Assim, a aplicação dos testes psicométricos, iniciada nos finais do século XIX e inícios do século XX, contribuiu para que a Psicologia ascendesse à categoria de ciência. Desta feita, os primeiros estudos sistemáticos de medição psicológica datam do final do século XIX e se desenvolveram com base na matemática das probabilidades, sob influência de duas correntes: a primeira delas, que deu origem à psicofísica, constituiu uma tentativa de aplicação dos métodos das ciências físicas à mente humana. A segunda, que levou à criação dos testes psicológicos, visava à criação de métodos de medição da estabilidade emocional e da inteligência. Psicometria é a área da psicologia que trata do desenvolvimento e da aplicação de técnicas de medição aos fenômenos psíquicos (psicológicos). Em Psicometria, as medições se fazem mediante a atribuição de valores numéricos aos comportamentos, de maneira que as diferenças de comportamento sejam representadas por variações nesses valores numéricos. O presente trabalho elaborado no âmbito da cadeira de Psicologia Social e o Trabalho, versa sobre “a Psicometria, sua origem,  os seus principais percursores e o papel da estatística na psicometria” e, por sua vez, será estruturado, para além da introdução, nos seguintes termos: aparecimento da Psicometria, momentos-chave do aparecimento da Psicometria, os métodos ligados à Psicometria, os grandes percursores e o contributo que deram a Psicometria e a conclusão que culminará com as considerações finais.




ORIGEM DA PSICOMETRIA
Com base com a divisão tradicional da psicologia, «alma vs corpo», referenciam-se duas tendências. De um lado temos a psicologia alemã da introspecção, que estava interessada na experiência subjectiva e do outro lado, o empirismo inglês e norte-americano interessado no comportamento, bem como a escola (psicofísica) de Leipzig, que estudava os processos sensoriais. De entre estas duas grandes orientações, uma (a psicologia introspectiva) caracterizava-se pelo uso de procedimentos meramente descritivos, enquanto que a outra (a psicologia de orientação empirista) se preocupava com procedimentos quantitativos (Pasquali, 2003).
Psicometria é a área da psicologia que trata do desenvolvimento e da aplicação de técnicas de medição aos fenômenos psíquicos - psicológicos (Pasquali, 2003).
De acordo com Pasquali (2003) a Psicometria (mais precisamente os testes psicológicos) poderia ter tido origem numa das duas situações bastante distintas acima referidas: a psicologia de orientação empirista ou a psicologia mentalista de Binet, na França. Desta feita, Binet e Simon (1905) utilizavam processos mentais enquanto que Galton (1883), Spearman (1904b) e outros empiristas faziam uso de processos comportamentais, mais precisamente, sensoriais. Contudo, embora os testes de inteligência de Binet tenham tido muito sucesso na Psicologia, não foi da sua orientação que se deu origem a Psicometria, ela teve origem no enfoque empirista da psicologia da época.
Métodos ligados à Psicometria
A psicometria, tanto clássica quanto moderna, possui algumas caracterizações que entre elas permitem controvérsias. Enquanto por um lado, a Psicometria, pelo menos na sua prática, é ainda guiada pela concepção positivista baconista do empirismo, segundo a qual, a ciência do universal se faz através do conhecimento do singular – indução - , enfoque demonstrado como logicamente inviável, tanto pelo empirista Hume (1739-1740) quanto pelo Popper (1972). Por outro lado, em Psicometria predomina a concepção estatística (método estatístico) sobre a psicologia, pois os percursores que desenvolveram a Psicometria eram estatísticos de formação, tanto é que ainda se define a psicometria como um ramo da Estatística, quando na verdade ela deve ser concebida como um ramo da Psicologia que interfaceia com a Estatística (Pasquali, 2003). Assim sendo, segundo este autor, a origem da Psicometria deve ser procurada nos trabalhos do estatístico Spearman (1904ª, 1904b, 1907 e 1913) e, no que se refere à Psicologia, ela seguiu os procedimentos fisicalistas de Galton (1883).
OS GRANDES PERCURSORES E O CONTRIBUTO QUE DERAM A PSICOMETRIA
Os primeiros psicólogos cientistas foram, aliás, tanto ou mais físicos e fisiólogos do que psicólogos. Sabe-se que o primeiro laboratório de psicologia experimental foi criado em 1879 por Wundt, na Leipzig - Alemanha. Foi ali, pode dizer-se, que nasceu ou pelo menos foi concebido o método dos testes. Os primeiros trabalhos de laboratório limitavam-se no entanto ao estudo dos processos inferiores: domínio sensorial e motor. Só mais tarde se empreendeu o estudo experimental do pensamento e da vontade. Entretanto, numerosos discípulos de Wundt expandiram as concepções e técnicas do laboratório que ele tinha estudado e colocaram-nas ao serviço da vida real. Encontramo-las em todos os países da Europa e da América, a Alemanha foi um viveiro da psicologia aplicada (Urbina, 2007).
Francis Galton (1822-1911)
A contribuição mais directa que convém pôr em relevo por não ter nascido entre as paredes de um laboratório, mas por partir do interesse que têm em si as diferenças individuais é a obra de Francis Galton, contemporânea de Wundt e seus alunos. Primo de Darwin e seu discípulo, Galton foi essencialmente um biólogo, mas as suas investigações orientaram-no para a medida de aptidões individuais. Foram as investigações sobre a hereditariedade que o levaram a medir os caracteres que distinguiam mais ou menos os parentes ou não parentes (Urbina, 2007).
A Década de Galton (1880): para Francis Galton (biólogo inglês) à avaliação das aptidões humanas se dava por meio da medida sensorial, através da capacidade de discriminação do tacto e dos sons. Galton entendia que, a “única informação que nos atinge, vinda dos acontecimentos externos, passa, aparentemente pelo caminho de nossos sentidos. Quanto maior o discernimento que os sentidos tenham de diferentes, maior o campo em que podem agir no nosso julgamento de inteligência” (Pasquali, 2003).
A contribuição de Galton para a psicometria, de acordo com Pasquali (2003),ocorreu em três áreas:
·        criação de testes antropométricos para medida de discriminação sensorial (barras para medir a percepção de comprimento);
·        apito para percepção de altura do tom;
·        criação de escalas de atitudes (escala de pontos, questionários e associação livre); 
·        desenvolvimento e simplificação de métodos estatísticos (método da análise quantitativa dos dados coletados).
A Década de Cattell (1890): influenciado por Galton, James M. Cattell (psicólogo americano) desenvolveu medidas das diferenças individuais, o que resultou na criação da terminologia Mental Test (teste mental). Elaborou em Leipzig sua tese sobre diferenças no tempo de reacção. Este consiste em registar os minutos decorridos entre a apresentação de um estímulo ou ordem para começar a tarefa, e a primeira resposta emitida pelo examinando. Cattell seguiu as idéias de Galton, dando ênfase às medidas sensoriais, porque elas permitiam uma maior precisão (Pasquali, 2003).
A Década de Binet (1900): seus interesses estavam virados para avaliação das aptidões mais nas áreas acadêmica e da saúde. Alfred Binet e Henri fizeram uma série de críticas aos testes até então utilizadas, afirmando que eram medidas exclusivamente sensoriais que, embora permitisse maior precisão, não tinham relação importante com as funções intelectuais. Seu conteúdo intelectual fazia somente referências às habilidades muito específicas de memorizar, calcular, quando deveriam se ater às funções mais amplas como memória, imaginação, compreensão, etc. Em 1905, Binet e Simon desenvolveram o primeiro teste com 30 itens (dispostos em ordem crescente de dificuldade) com o objectivo de avaliar as mais variadas funções como julgamento, compreensão e raciocínio, para detectar o nível de inteligência ou retardo mental de adultos e crianças das escolas de Paris. Estes testes de conteúdo cognitivo atendiam a funções mais amplas, e foram bem aceites, principalmente nos EUA, a partir da sua tradução por Terman (1916), nascendo, assim, a era dos testes com base no Q.I. (Pasquali, 2003).

Q.I. = 100 (IM/IC)
Onde:
Q.I. = quociente intelectual/inteligência
IM = idade mental
IC = idade cronológica
A Década da Análise Fatorial (1930): por volta de 1920, segundo Pasquali (2003), diminuiu o entusiasmo pelos testes de inteligência, sobretudo por se demonstrar dependentes da cultura onde foram criados, o que contrariava a idéia de fator geral universal de Spearman. Kelley quebrou a tradição de Spearman em 1928, e foi seguido, na Inglaterra, por Thomson (1939) e Burt (1941), e nos EUA, por Thurstone. Este autor é relevante para época, em vista de que, além de desenvolver a análise fatorial múltipla, actuou no desenvolvimento da escala psicológica (Thurstone e Chave, 1929), tendo fundando, em 1936, a Sociedade Psicométrica Americana e a revista Psychometrika (Pasquali, 2003).
A Era da Sistematização (1940-1980): esta época é marcada por duas tendências opostas: os trabalhos de síntese e os de crítica. Em 1954, Guilford reedita Psychometric Methods e tenta sistematizar a teoria clássica, e Torgerson (1958) a teoria sobre a medida escolar. Além disso, Cattell e Warburton (1967) procuraram sintetizar os dados de medida em personalidade, e Guilford (1967) a teoria sobre a inteligência. Entre os trabalhos da crítica, destaca-se Stevens (1946), que levantou o problema das escalas de medida (Pasquali,2003). Por outro lado, este autor refere que divulgou-se também a primeira crítica à teoria clássica dos testes na obra de Lord e Novick (1968, Statistical Theory of Mental Tests Scores), que iniciou o desenvolvimento de uma teoria alternativa, a do traço latente, que se junta à teoria moderna de Psicometria, e a Teoria de Resposta ao Item - TRI. Outra tendência crítica para superar as dificuldades da Psicometria clássica foi iniciada pela Psicologia Cognitiva de Sternberg e Detterman (1979), Sternberg e Weil (1980), com seu modelo, procedimentos e pesquisas sobre os componentes cognitivos, na área da inteligência.
A Era da Psicometria Moderna - Teoria de Resposta ao Item – TRI (1980): talvez chamar a era atual de TRI seja inadequada, conforme Pasquali (2003), porque:
a) esta teoria embora seja o modelo no Primeiro Mundo, ainda não resolveu todos seus problemas fundamentais para se tornar um modelo definitivo de psicometria e,
b) ela não veio para substituir toda a psicometria clássica, mas, apenas partes dela, no entanto, é o que há de mais novo nesse campo.
A IMPORTÂNCIA DA ESTATÍSTICA NA PSICOMETRIA
A importância da estatística é a economia de tempo e de dinheiro para os pesquisadores. Como exemplo, podemos citar inicialmente o seu uso na área dos testes. O psicólogo é o único profissional que pode aplicar os testes psicológicos. Nesse sentido uma das maneiras de se validar um teste psicométrico é fazer uma grande coleta de informações de diversas pessoas e depois avaliar todos os dados, resultando assim o que é mais comum numa população.
Exemplo: O teste de inteligência WISC. Para avaliar a inteligência das pessoas os pesquisadores ao invés de fazer milhões de entrevistas, ele fazem uma amostragem, selecionando um número menor que a população geral, mas que represente ela como um todo.
Existem duas razões para o uso de testes psicométrico:
  1. Os testes foram criados para medir características mentais. (Personalidade, Psicopatologia, Humor, Habilidades Sociais, etc)
  2. É possível coletar grande quantidade de dados e a facilidade para analisar. Através de uma bateria de teste psicométricos é possível obter grandes números sobre as características do avaliado. (Ex.: Quando você vai tirar carta você vai ao psicotécnico e através de alguns testes é possível verificar se você é capaz ou não de dirigir)
Além da importância da estatística na criação, elaboração e aplicação dos testes psicológicos, podemos encontrar também a estatística em pesquisas da psicologia. E, já que a estatística é uma aliada para entendermos melhor os resultados das pesquisas – especialmente das quantitativas – o estudante de psicologia e o profissional já formado devem conhecer pelo menos o básico desta ciência exata. 
CONCLUSÃO
A realização deste trabalho, cujo tema versa sobre a psicometria, sua história e seus percursores permitiu com que se aprofundasse os aspectos relativos à testes psicológicos e abriu caminhos cognitivos rumo à mais uma aprendizagem. Ora, partindo do princípio que a Psicometria é uma área da Psicologia que trata do desenvolvimento e da aplicação de técnicas de medição aos fenómenos psicológicos, fica claro, de forma conclusiva, que o seu aparecimento no campo da Psicologia, constituiu um marco importantante e imprescindível para a afirmação da Psicologia como ciência com objecto e métodos (métodos quantitativos) próprios, a semelhança de qualquer outra ciência, particularmente das ciências naturais.





REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
·         Pasquali, L. (2003). Psicometria: Teorias dos testes na Psicologia e na Educação. Vozes: RJ, 2ªed.

·         Urbina, S. (2007). Fundamentos da Testagem Psicológica. Artmed: Porto Alegre.


Recursos hídricos

Introdução

A água é essencial à vida e todos os organismos vivos no planeta Terra dependem da água para sua sobrevivência. O planeta Terra é o único planeta do sistema solar que tem água nos três estados (sólido, líquido e gasoso), e as mudanças de estado físico da água no ciclo hidrológico são fundamentais e influenciam os processos biogeoquímicos nos ecossistemas terrestres e aquáticos. Somente 3% da água do planeta está disponível como água doce. Destes 3%, cerca de 75% estão congelados nas calotas polares, em estado sólido, 10% estão confinados nos aqüíferos e, portanto, a disponibilidade dos recursos hídricos no estado líquido é de aproximadamente 15% destes 3%. A água, portanto, é um recurso extremamente reduzido.



Os impactos nos recursos hídricos

Os impactos quantitativos nos recursos hídricos são crescentes e produzem grandes alterações nos estoques de águas superficiais e subterrâneas. Há casos muito evidentes de uso excessivo de recursos hídricos superficiais que resultaram na redução quantitativa acentuada e em desastres de grandes proporções. Exemplos disto são os problemas referentes ao Mar de Aral [11, 12], à cidade do México [13] e a muitas outras regiões do planeta, especialmente regiões urbanas.
Além dos impactos quantitativos, há muitos outros impactos na qualidade da águas superficiais e subterrâneas que comprometem os usos múltiplos e aumentam as pressões econômicas regionais e locais sobre os recursos hídricos. Estes impactos estão descritos na Tabela VI.
Tabela VI – Impactos das atividades humanas nos ecossistemas aquáticos e valores/serviços dos recursos hídricos em risco.
Atividade Humana Impacto nos ecossistemas aquáticos Valores/serviços em risco
Construção de represas. Altera o fluxo dos rios e o transporte de nutrientes e sedimento e interfere na migração e reprodução de peixes. Altera habitats e a pesca comercial e esportiva.Altera os deltas e suas economias.
Construção de diques e canais. Destrói a conexão do rio com as áreas inundáveis.    Afeta a fertilidade natural das várzeas e os controles das enchentes.
Alteração do canal natural dos rios. Danifica ecologicamente os rios. Modifica os fluxos dos rios. Afeta os habitats e a pesca comercial e esportiva. Afeta a produção de hidroeletricidade e transporte.

Drenagem de áreas alagadas. Elimina um componente-chave dos ecossistemas aquáticos. Perda de biodiversidade. Perda de funções naturais de filtragem e reciclagem de nutrientes. Perda de habitats para peixes e aves aquáticas.
Desmatamento do solo. Altera padrões de drenagem, inibe a recarga natural dos aqüíferos, aumenta a sedimentação. Altera a qualidade e a quantidade da água, pesca comercial, biodiversidade e controle de enchentes.
Poluição não controlada. Diminui a qualidade da água. Altera o suprimento de água. Aumenta os custos de tratamento. Altera a pesca comercial. Diminui a biodiversidade. Afeta a saúde humana.
Água para as regiões urbanas
O crescimento exponencial da população humana promoveu uma enorme demanda sobre os recursos hídricos, aumentando significativamente a necessidade de grandes volumes de água para suprir as populações urbanas adequadamente sem causar danos à saúde pública. A urbanização avançou sobre os mananciais e deteriorou as fontes de suprimentos superficiais e subterrâneas. Os custos do tratamento de água para produção de água potável atingem altos valores especialmente se os mananciais estão desprotegidos de florestas riparias e cobertura vegetal suficiente nas bacias hidrográficas e se as águas subterrâneas estão contaminadas. Estes custos variam de R$ 0,50 a R$ 80,00 ou R$ 100,00 dependendo da região, época do ano e da fonte. De grande preocupação é a toxicidade dos mananciais, o que pode aumentar os riscos à saúde humana e agravar problemas principalmente de toxicidade crônica. Regiões urbanas produzem grandes volumes de águas residuárias de origem doméstica, esgotos não tratados que degradam rios e lagos próximos e elevam os custos do tratamento. No Brasil somente 20% dos esgotos municipais são tratados, produzindo um vasto processo de eutrofização de rios, represas e lagos naturais e águas costeiras.
O futuro dos recursos hídricos
Recursos Hídricos representam um estoque de recursos fundamental para a manutenção da vida no planeta Terra e também para o funcionamento dos ciclos e funções naturais. Recursos Hídricos beneficiam direta ou indiretamente a população humana, principalmente se levarmos em conta os vários benefícios promovidos para o bem estar da população humana e para a sobrevivência de organismos.
Uma nova ética é necessária para enfrentar a escassez de recursos hídricos no futuro e para tratar este recurso como um componente fundamental dos ciclos do planeta Terra.

Conclusão
Acima de tudo, o futuro dos recursos hídricos depende de uma integração entre o conhecimento (diagnóstico, banco de dados, sistemas de informação) ou seja, dados biogeofísicos e a sócio economia regional, incluindo-se as tendências e a construção de cenários.
Para evitar desperdícios, economizar água, melhorar os custos do tratamento e desenvolver arcabouços legais e institucionais é necessário considerar o conjunto de recursos hídricos – águas continentais superficiais, águas subterrâneas, águas costeiras e sua sustentabilidade no espaço e tempo incluindo valores estéticos, segurança coletiva, oportunidades culturais, segurança ambiental, oportunidades recreacionais, oportunidades educacionais, liberdade e segurança individual.


Bibliografia
A. Shiklomanov, “World fresh water resources”, in Water in Crisis: A Guide to the World’s Fresh Water Resources, P. H. Gleick, ed. (Oxford University Press, New York. 13-24 p, 1993).
2. B. Braga, O. Rocha, J. G. Tundisi, Dams and the environment: the Brazilian experience, Water Resources Development, v. 14. 127-140 p (1998).
3. Agência Nacional das Águas – ANA, A evolução da gestão dos recursos hídricos no Brasil, Edição comemorativa do dia mundial das águas, 64 p (2002).



As Rochas sedimentares

Introdução
as rochas sedimentares são compostas por sedimentos carregados com água e pelo vento, acumulados em áreas deprimidas. Correspondem a 75% da área dos continentes e contêm a maior parte do material fóssil.
As rochas sedimentares são um dos três principais grupos de rochas (os outros dois são as rochas ígneas - que também podem ser chamadas de magmáticas - e as metamórficas) e formam-se por três processos principais:
  • pela deposição (sedimentação) das partículas originadas pela erosão de outras rochas - rochas sedimentares clásticas ou detríticas;
  • pela precipitação de substâncias em solução - rochas sedimentares quimiogénicas; e
  • pela deposição dos materiais de origem biológica - rochas sedimentares biogénicas.
As rochas sedimentares podem ser:
  • Consolidadas - se os detritos apresentam-se ligados por um cimento, como é o caso das brechas; ou
  • Não consolidadas - se os detritos não estão ligados entre si, como no caso das dunas.


Constituição das rochas Sedimentares

Fundamentalmente são constituídas por duas classes de materiais:
o   materiais detríticos ou clásticos;
o   materiais precipitados quimicamente.
As duas classes de materiais misturam-se em proporções muito variáveis nas rochas sedimentares, sendo mesmo difícil encontrar exemplos que não contenham amostras de ambas as classes.
Rochas Sedimentares clásticas
As rochas sedimentares mais comuns são as formadas por materiais que se desintegraram pela ação atmosférica, provenientes de rochas magmáticas, metamórficas e outras rochas sedimentares. Os detritos resultantes foram transportados de sua localização original pela água, vento ou gelo e novamente depositados em um lugar diferente. Embora ao chegar esses detritos geralmente tomassem a forma de minúsculas partículas de rochas ou minerais, foram depois comprimidos durante milhões de anos e transformados em rochas compactas. Tais rochas foram cimentadas por minerais carbonatados ou por quartzo.-(fig 1)
Essas rochas são classificadas segundo a de classe de tamanho (granulometria) O tamanho dos grânulos é fator importante. Rochas cujos grânulos têm menos de 0,06 mm de diâmetro são classificadas como folhelhos; aquelas com grânulos entre 0,06 e 2,0 mm são os arenitos e as com grânulos de mais de 2,0 mm de diâmetro denominam-se brechas, conglomerados ou cascalhos.
Rochas Sedimentares Químicas
As outras categorias principais de rochas sedimentares são constituídas de depósitos formados pela precipitação de líquidos que as transportaram de sua localização anterior. As rochas químicas, como são chamadas, se formam quando o líquido no qual os detritos minerais foram dissolvidos se torna saturado: esse processo freqüentemente resulta na formação de belos cristais, o que faz com que às vezes sejam parecidas com rochas Ígneas. As rochas sedimentares quimicamente formadas mais comuns são os calcários, a calcita, aragonita e dolomita. (fig 2)
As rochas sedimentares químicas, em geral, têm granulação mais grossa do que as rochas detríticas, e sua estrutura tende a ser menos facilmente visível. Os cientistas podem obter grande quantidade de informações sobre as condições em que se formaram originalmente as rochas sedimentares de origem química medindo o teor de sal e ácido que elas contêm. Os minerais mais comumente encontrados nesse tipo de rochas são os pertencentes ao grupo evaporita. Estes incluem anidrita, gipsita e halita (sal comum).
Rochas Sedimentares Orgânicas
São sedimentos formados pela acumulação bioquímica de carbonatos, sílica e outras substâncias, ou então pela deposição e transformação da própria matéria orgânica.-(fig 3)
Entre os primeiros, também chamados de sedimentos acaustobiolitos, ou seja, não combustíveis, merecem destaque os calcários formados pela acumulação de conchas, corais, etc., ou originados pela intervenção de certas algas, assim como os sedimentos formados pela acumulação de estruturas silicosas de foraminíefros e diatomáleas (diatomitos). O segundos são denominados caustobiolitos, ou seja, biólitos combustíveis, e se formam pela acumulação de maior ou menor quantidade de matéria orgânica, juntamente com uma certa porção dos sedimentos argilosos ou calcários.


 Nomenclatura das rochas sedimentares

A nomenclatura de uma rocha sedimentar é feita com base em sua descrição e possível identificação genética. Os termos mais descritivos permitem uma identificação mais completa da rocha, servindo como base nos estudos científicos.
A classificação mais abrangente se baseia em sedimentos alóctones ou autóctones, respectivamente, agregados deposicionais originados fora ou dentro da área de deposição. Como na maioria das vezes o material sedimentado não possui uma única composição mineralógica, o nome da rocha é em função do material predominante. As rochas sedimentares possuem vários critérios de classificação. Podemos dividi-las em três grupos: texturais, químico-mineralógicos e geométricos.
Tipos de texturas
Os tipos de texturas para rochas terrígenas são em função de sua granulometria. Assim são utilizados termos como rudito, arenito e lutito ou respectivamente psefito, psamito e pelito. Quando uma rocha possui mais de um tipo de granulação, são utilizados termos compostos, tais como arenito pelítico, referindo-se a uma rocha com mais areia do que argila.
A textura também pode ser identificada pelo tipo de matriz, como arenito, ortoconglomerado e paraconglomerado, resultado directo da deposição de areia ou cascalho onde ocorre uma seleção granulométrica. Ortoconglomerado é quando a rocha é suportada pelo arcabouço, enquanto o  paraconglomerado é suportado pela matriz. Os psamitos terrígenos são classificados como " arenite" quando são limpos, e "subwacke" quando possuem menos de 10% de matriz verdadeira; do contrário, são chamados de wacke, onde o material fino tem caráter de matriz ( mais de 10%).
Tipos mineralógicos
Existem ainda rochas que são classificadas de acordo com a sua mineralogia, como exemplo, as rochas rudáceas e lutáceas. As rochas rudáceas são classificadas de acordo com dois critérios: o primeiro consiste na sua classificação composicional, sendo o prefixo poli para grande variação composicional, e oligo para pouca. No segundo critério é levada em conta sua mineralogia, como por exemplo quartzo-rudito ou ainda rudito feldspático. Para as rochas lutáceas é utilizado o diagrama de Alling, onde é levado em consideração a proporção relativa de três componentes: argilominerais, carbonatos e sílica; não se limitando apenas às rochas terrígenas e nem ao conjunto de rochas alóctones.


Formação
As rochas sedimentares são formadas a partir de restos de outras rochas, seres vivos, etc. transportados pelo vento e pela água. Estas rochas, onde se encontram a maioria dos fosseis, sofrem 3 processos na sua formação: -compactação de partículas (de rochas e seres vivos); -desidratação, em que a água é expelida; -cimentação, que através de um cimento natural as partículas ficam "coladas" e compactadas, formando uma rocha.
Estas rochas podem ser formadas por:
  • Minerais herdados - minerais que provêm diretamente de rochas pré-existentes;
  • Minerais de neoformação - minerais novos formados devido a fenómenos de transformações químicas ou de precipitações de soluções;
  • Partes de seres vivos - Por exemplo: conchas e fragmentos de corais.
Rochas sedimentares contêm informações importantes sobre a história da Terra, como por exemplo, os fósseis, os restos preservados de antigas plantas e animais. A composição dos sedimentos nos fornecem pistas sobre a rocha original. As diferenças entre as sucessivas camadas indicam mudanças de ambiente que ocorreram ao longo do tempo. Rochas sedimentares podem conter fósseis porque, ao contrário da maioria das rochas ígneas e metamórficas, elas se formam a temperaturas e pressões que não destroem os restos fósseis.
As rochas sedimentares cobrem os continentes da crosta terrestre extensivamente, mas a contribuição total das rochas sedimentares estima-se que seja de apenas cinco por cento do total. Dessa forma, vemos que as sequências sedimentares representam apenas uma fina camada de uma crosta composta essencialmente de rochas ígneas e metamórficas.
Classificação
Rochas sedimentares detríticas
Rochas sedimentares clásticas são compostas por fragmentos de materiais derivados de outras rochas. São compostas basicamente por sílica (ex: quartzo), com outros minerais comuns, como feldspato, anfibólios, minerais argilosos e raramente alguns minerais ígneos mais exóticos.
A classificação das rochas sedimentares clásticas é complexo, porque há muitas variáveis envolvidas. A granulometria (tanto o tamanho médio, como a gama de tamanhos de partículas), a composição das partículas, do cimento e da matriz (o nome dado às pequenas partículas presentes nos espaços entre os grãos maiores) são tomadas em consideração. Em relação à granulometria, pode dizer-se que, por exemplo, a argila pertence ao grupo com partículas mais finas, os arenitos com partículas de tamanho intermédio, e os conglomerados formados por partículas maiores.
Rochas sedimentares biogénicas
Rochas sedimentares biogénicas são formadas por materiais gerados por organismos vivos, como corais, moluscos e foraminíferos, que cobrem o fundo do oceano com camadas de calcita que podem mais tarde formar calcários. Outros exemplos incluem os estromatólitos, e o sílex encontrado em nódulos em giz (que é em si uma rocha sedimentar biogênica, uma forma de calcário).
Rochas sedimentares quimiogénicas
Rochas sedimentares podem se formar quando em soluções minerais, tais como a água do mar que se evapora. Os exemplos incluem o calcário, o hálito e o gesso.
Estruturas das rochas sedimentares
São consideradas formas de leito (vista em planta) e estruturas deposicionais (vista em corte) de rochas sedimentares:
Marcas onduladas:
São formas de leito originadas durante o transporte de grãos por agentes naturais (água e vento). No caso da fotografia mostrada no anexo, é ilustrado um exemplo de marca ondulada assimétrica em ambiente aquoso.
É uma estrutura na qual há angularidade entre o leito e a posição primária da formação, adquirida no momento da deposição. Ocorre em ambiente fluvial, litorâneo, marinho e eólico. -(fig 4)
Trata-se de uma estrutura originada por decantação (angular) ou tracção (areia) do material, horizontalmente sobre a superfície deposicional. Ocorre principalmente em ambiente aquoso.(fig 5)
Estas estruturas são importantes para compreensão dos processos de deposição. De modo geral, uma mesma litologia pode apresentar diferentes tipos de estruturas(fig 6)

Principais rochas sedimentares

Arenito: Apresenta-se com superfície áspera. Na maioria das vezes é formado pôr grãos de quartzo cimentado; é poroso e facilmente absorve água, motivo pela qual é uma rocha de alta importância no acúmulo de água subterrânea ou de petróleo, ou de gás natural.
Calcário: São talvez as rochas sedimentares mais abundantes e mais utilizadas pelo homem. Carbonato de cálcio precipitado ora pôr processo químico, ora, ainda pelo acúmulo de restos orgânicos carbonáticos. Muitos podem produzir o carbonato de cálcio, como as conchas, restos de corais, de equinodermos, briozoários, vermes-marinhos, algas calcárias, e outros. O próprio carbonato desses materiais se dissolve e se precipita nos vazios dos fragmentos, transformando-os em rochas corroentes, pela cimentação carbonática. Podem ser reconhecidos, pois liberam anidrido carbônico sob forma de bolhas gasosas, quando submersas em banho de ácido clorídrico diluído.
Muitas vezes contém conchas fósseis. São rochas utilíssimas, imprescindíveis a civilização. Prestam-se a fabricação do cimento, do carbureto, do açúcar, bem como, na indústria farmacêutica, química, de bebidas, para neutralizar solos ácidos e muitos outros fins.      
Areias e Cascalhos: São rochas incoerentes. As areias são formadas na maioria das vezes pôr grãos de quartzo, feldspato e brilhantes lâminas de mica. Muitas vezes, contém minerais úteis e, pôr vezes, pedras preciosas. O cascalho é formado pôr pedregulhos e fragmentos polidos de rochas.
É grande a importância económica desses materiais na construção civil, na fabricação de vidro, moldes de fundição, filtros e outros.


A importância das rochas Sedimentares

Em virtude de as rochas sedimentares conservarem marcas indeléveis das condições em que originalmente se formaram, elas proporcionam uma grande quantidade de informações aos geólogos e historiadores. É nessas rochas que são encontrados fósseis, e estes contribuíram mais do que qualquer outra coisa para aumentar nosso conhecimento da historia da vida na Terra.
A importância económica das rochas sedimentares está em suas reservas de  petróleo, gás natural e carvão mineral, as principais fontes de energia do mundo moderno.
O Brasil possui 6.430.000 km2 de bacias sedimentares, dos quais 4.880.000 km2 em terra e 1.550.000 km2 em plataforma continental. No entanto, para a formação de petróleo é necessário que as bacias tenham sido formadas em condições muito específicas. Normalmente, são áreas em que sucessões espessas de sedimentos marinhos foram soterrados a grandes profundidades.
A maioria dos hidrocarbonetos explorados no mundo inteiro provêm de rochas sedimentares. Em termos de idade, praticamente 60% provêm de sedimentos cenozóicos, pouco mais de 25% de depósitos mesozóicos e cerca de 15% de sedimentos paleozóicos. No Brasil, a maior parte da produção está ligada a sedimentos mesozóicos.
Existem dois tipos de bacias petrolíferas:
Onshore: Ocorre quando a bacia encontra-se em terra. São originadas de antigas bacias sedimentares marinhas;
Offshore: Ocorre quando a bacia está na plataforma continental ou ao longo da margem continental.
A maioria das bacias petrolíferas brasileiras encontram-se offshore. A exploração de petróleo onshore é muito reduzida no Brasil, devido ao baixo potencial de nossas bacias em terra.



Conclusão

Cerca de 5% do volume da crosta terrestre corresponde às rochas sedimentares estratificadas. Entretanto cerca de três quartos da superfície das plataformas continentais, que é uma proporção consideravelmente mais elevada, dos fundos de bacias oceânicas estão cobertas por delgadas camadas de sedimentos. As rochas sedimentares têm grande importância económica, uma vez que nelas encontra-se grande parte das riquezas minerais do mundo: Carvão, Petróleo, Gás natural, Combustíveis nucleares, Alumínio, Minérios de Ferro e Manganês, bem como matérias primas essenciais à indústria de construção. Sedimentos são deposições de materiais que resultaram da decomposição, desagregação e trabalhamento, de rochas existentes e de origens várias.
As rochas sedimentares fornecem importantes informações sobre as variações ambientais ao longo do tempo geológico. Os fósseis, que são vestígios de seres vivos antigos preservados nestas rochas, são a chave para a compreensão da origem e evolução da vida.

 

Bibliografia

http://www.geocities.com/sealiah1/ 
http://www.geologia.ufpr.br/petgeologia/geogeral.htm
http://geocities.yahoo.com.br/geologiadopetroleo/bacias.htm
http://www.rc.unesp.br/museudpm/rochas/sedimentares/sedimentares2.html
http://www.geocities.com/Baja/Dunes/5491/56/