domingo, 27 de março de 2016

A IMPORTÂNCIA DO DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM NA IDADE PRÉ-ESCOLAR 2

INTRODUÇÃO

No presente trabalho abordaremos sobre a importância do desenvolvimento da linguagem na idade pré-escolar, que adopta-se na infância da criança, sabendo que é o momento no qual a criança inicia o desenvolver dessa comunicação, realizada através do choro, gestos, fala, dentre outras formas de expressão, acções dessa natureza poderão reportar a novas conquistas da criança pequena através da comunicação desenvolvida.





A IMPORTÂNCIA DO DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM NA IDADE PRÉ-ESCOLAR

A linguagem das crianças intriga linguistas e estudiosos do assunto. Sendo assim crianças do século XII, por exemplo, apesar de crianças como as de hoje não brincavam com os mesmos brinquedos, nem sentiam, nem pensavam, nem se vestiam como as crianças de hoje. E, certamente as crianças deste século terão características muito diferentes das de hoje. É interessante que assim surge um questionamento: se as crianças de antigamente eram diferentes das de hoje certamente as de amanhã também serão.
A aquisição da linguagem tenta explicar entre outras coisas o fato de as crianças, por volta dos 3 anos, serem capazes de fazer o uso produtivo  - de suas línguas”. Com base nisso tentarei aqui expor alguns pontos importantes de aquisição da linguagem pela criança.
Desde pequenos já existe a comunicação, mas esta não é feita por meio oral. A linguagem é um sistema de símbolos culturais internalizados, e é utilizada com o fim último de comunicação social. Assim como no caso da inteligência e do pensamento, o seu desenvolvimento passa também por períodos até que a criança chegue a utilização de frases e múltiplas palavras.
Ao nascer, a criança não entende o que lhe é dito. Somente aos poucos começa a atribuir um sentido ao que escuta. Do mesmo modo acontece com a produção da linguagem falada. O entendimento e a produção da linguagem falada evoluem.
Existem diferentes tipos de linguagem: a corporal, a falada, a escrita e a gráfica. Para se comunicar a criança utiliza, tanto a linguagem corporal (mímica, gestos, etc.) como a linguagem falada. Lógico que ela ainda não fala, mas já produz linguagem.
O desenvolvimento da linguagem se divide em dois estádios:  Pré – linguístico, quando o bebé usa de modo comunicativo os sons, sem palavras ou gramática; e o linguístico, quando usa palavras
No estádio pré – linguístico a criança, de princípio, usa o choro para se comunicar, podendo ser rica em expressão emocional. Logo ao nascer este choro ainda é indiferenciado, porque nem a mãe sabe o que ele significa, mas aos poucos começa a ficar cheio de significados e é possível, pelo menos para a mãe, saber se o bebé está chorando de fome, de cólica, por estar se sentindo desconfortável, por querer colo etc. è importante ressaltar que é a relação do bebé com sua mãe, ou com a pessoa que cuida dele, que lhe dá elementos para compreender seu choro
Além do choro, a criança começa a produzir o arrulho, que é a emissão de um som gutural, que sai da garganta, que se assemelha ao arrulho dos pombos. O balbucio ocorre de repente, por volta dos 6-10 meses, e caracteriza – se pela produção e repetição de sons de consoantes e vogais como “ma – ma – ma – ma”, que muitas vezes é confundido com a primeira palavra do bebé.
No desenvolvimento da linguagem, os bebés começam imitando casualmente os sons que ouvem, através da ecolalia. Por exemplo: os bebés repetem repetidas vezes os sons como o “da – da – da”, ou “ma – ma – ma – ma”. Por isso as crianças que têm problema de audição, não evoluem para além do balbucio, já que não são capazes de escutar.
Por volta dos 10 meses, os bebés imitam deliberadamente os sons que ouvem, deixando clara a importância da estimulação externa para o desenvolvimento da linguagem. Ao final do primeiro ano, o bebé já tem certa noção de comunicação, uma ideia de referência e um conjunto de sinais para se comunicar com aqueles que cuidam dele
O estádio linguístico está pronto para se estabelecer. Sendo assim, contando com a maturação do aparelho fonador da criança e da sua aprendizagem anterior, ela começa a dizer suas primeiras palavras.
A fala linguística se inicia geralmente no final do segundo ano, quando a criança pronuncia a mesma combinação de sons para se referir a uma pessoa, um objecto, um animal ou um acontecimento. Por exemplo, se a criança disser acho quando vir a água na mamadeira, no copo, na torneira, no banheiro etc., podemos afirmar que ela já esta falando por meio de palavras. Espera – se que aos 18 meses a criança já tenha um vocabulário de aproximadamente 50 palavras, no entanto ainda apresenta características da fala pré – linguística e não revela frustração se não for compreendida.

COMUNICAÇÃO OU FALA, CONVERSA

O terapeuta da fala é o profissional responsável pela avaliação e intervenção nas áreas de linguagem, comunicação, fala, fluência, voz e deglutição. A sua ação, embora possa ser exercida de forma direta com o utente, também ocorre de forma indireta junto dos seus parceiros comunicativos. O papel da família e da escola, no caso das crianças, é essencial, não apenas na identificação da problemática e encaminhamento, mas também como parceiros do processo de intervenção terapêutica, uma vez que poderão dar continuidade ao trabalho realizado nos contextos em que a criança se insere. Deste modo facilitam a aquisição e generalização das suas aprendizagens onde efetivamente são necessárias
O desenvolvimento infantil decorre ao longo de inúmeras etapas sequenciais, assinaladas por marcos de desenvolvimento característicos. Apesar destas fases se processarem segundo uma ordem cronológica identificada, as características individuais de cada criança e do contexto em que se insere influenciam este processo. Assim, podem verificar-se diferentes ritmos de desenvolvimento sem que, no entanto, se esteja na presença de uma perturbação.
A existência de um ambiente estimulante e parceiros comunicativos capazes são requisitos fundamentais para um desenvolvimento comunicativo e linguístico apropriado ou, nos casos de haver uma perturbação do mesmo, para que as dificuldades inerentes possam ser superadas ou atenuadas.
As dificuldades de linguagem, comunicação e fala podem afetar as aquisições e o progresso da criança na escola e, posteriormente, na sua vida social e profissional. A linguagem permite-nos receber, armazenar e utilizar a informação que apreendemos do mundo que nos rodeia através de um processo de manipulação simbólica. Somos, assim, capazes de organizar o pensamento e comunicar, quer seja por um sistema verbal, como a fala ou a língua gestual, quer por formas não verbais, como a expressão facial ou a reação corporal. Alterações ao nível da linguagem podem afetar, dependendo do tipo de perturbação, a forma como a criança se expressa e compreende e, consequentemente, a sua capacidade de aprendizagem. Por esse motivo é que crianças com este tipo de alterações apresentam frequentemente dificuldades no desenvolvimento das competências de leitura e da escrita. Deste modo, é essencial identificar o mais precocemente possível se o desenvolvimento da criança ocorre da forma esperada. O papel dos progenitores e dos educadores de infância é, assim, fundamental para a sinalização e posterior encaminhamento das crianças junto de profissionais qualificados na área, nomeadamente o terapeuta da fala. Para crianças em idade pré-escolar existem sinais de risco aos quais os cuidadores devem estar atentos, nomeadamente:

Sinais de risco ao nível da comunicação

·         Com 1 mês:
– não responder/reagir à voz humana; 
– não produzir sons.
·         Aos 3 meses:
– não virar a cabeça quando ouve uma voz;
– não pegar e dar a vez nas interacções com os outros.
·         Aos 4 meses:
– não sorrir para as pessoas que lhe falam.
·         Aos 5 meses: 
– não discriminar vozes amigáveis;
– não responder ao nome.
·         Entre os 9 e os 12 meses:
– não manifestar intenção para obter objectos ou a atenção dos outros.
·         Entre os 18 e os 20 meses:
– não reagir quando a chamam por trás; 
– não mostrar interesse quando lhe é contado qualquer coisa; 
– não gostar de brincar a jogos como cu-cu ou “apanhada”; 
– não conseguir concentrar-se alguns minutos na mesma actividade; 
– não apontar para o objecto que quer;
– não brincar ao faz-de-conta.
·         Dos 2 aos 5 anos: 
– não gostar de brincar com outras crianças; 
– não manter interesse quando lhe contam uma história. 

Sinais de risco ao nível da linguagem

·         Entre 12 e os 18 meses: 
– não apontar para os objectos nomeados;
– não compreender ordens simples; 
– não produzir a primeira palavra.
·         Entre os 18 e os 24 meses: 
– não reagir ao “NÃO”;
– não identificar objectos familiares;
– não compreender categorias semânticas básicas (ex.: brinquedos, comida, roupa);
– não nomear os objectos familiares;
– não fazer frases com duas palavras;
– não perguntar o nome dos objectos.
·         Entre 24 e os 30 meses: 
– não cumprir ordens de 2 comandos; 
·         Entre 3 e os 4 anos: 
– dificuldades em compreender pedidos/recados; 
– não produzir frases com 4-5 palavras;
– não usar plurais, pronomes possessivos, adjectivos e a negativa. 
·         Entre 4 e 5 anos: 
– não compreender noções de tempo e quantidade;
– discurso pouco estruturado, sendo só compreendida pelos pais;
– não fazer perguntas do tipo: Porquê? Como? Onde? Quando? 
·         Entre 5 e 6 anos: 
– não produzir frases complexas.

Sinais de risco ao nível da fala

Omitir, trocar e distorcer sons, tendo em conta que no desenvolvimento normal os mesmos surgem pela seguinte cronologia: 
·         Aos 2 anos: 
– [m] (ex.: mão);
– [p] (ex.: pato); 
– [n] (ex.: nabo); 
– [b] (ex.: bola); 
– [d] (ex.: dominó); 
– [t] (ex.: rato). 
·         Aos 2 anos e meio:
– [R] (ex.: remo); 
– [k] (ex.: carro);
– [g] (ex.: gato). 
·         Entre os 3 e os 3 anos e meio: 
– [f] (ex.: figo);
– [s] (ex.: sapato). 
·         Entre os 4 e os 4 anos e meio:
– [l] (ex.: lapa);
– [r] (ex.: cara);
– [v] (ex.: vela);
– [z] (ex.: zorro);
– [j] (ex.: janela); 
– [ch] (ex.: xaile). 
– preferir alimentos pastosos a sólidos;
– “falar pelo nariz”; 
– usar ou ter usado chupeta até muito tarde (3-4 anos); 
– continuar a gaguejar depois dos 5 anos; 
– demonstrar receio de falar por medo de gaguejar; 
– apresentar uma voz rouca; 
– gritar com muita frequência; 
– falar muito, muito rápido e muito alto.

MÚSICA OU CANÇÃO

A música é uma necessidade humana fundamental que atravessa a diversidade cultural e a idade. Faz parte da vida da criança desde o seu nascimento, havendo mesmo quem defenda que durante o período de gestação ela é sensível ao som.
A educação musical, a nível do pré-escolar, tem como principal objectivo, desenvolver a personalidade humana, isto é, desenvolver todas as faculdades humanas que a criança tem em potência e fornecer bases para esse desenvolvimento no sentido rítmico, de sensibilidade auditiva e afectiva, bem como despoletar as potencialidades criadoras. A formação musical dá respostas válidas quanto à organização das percepções auditivas da criança, e é através do campo sensorial que ela começa a organizar o seu conhecimento sobre o mundo.
Actualmente a educação musical desempenha um papel acrescido. Vivemos numa sociedade rodeada de estímulos e também de muita poluição sonora. A formação musical, para além de todos os benefícios que lhe são atribuídos, poderá sensibilizar a criança para o que é realmente harmonioso, fazendo contrapor o que é ruído com os sons, que por vezes passam despercebidos, mas que fazem parte da natureza e do meio em que estamos inseridos. O silêncio também é outra característica que pode ser trabalhada nesta área, mesmo sendo a ausência de som, é importante para que os sons se tornem percepcionados e desejados.
A teoria das inteligências múltiplas que sugere que existe um conjunto de habilidades que cada um possui em grau e em combinações diferentes. Uma inteligência implica a capacidade de resolver problemas ou elaborar produtos que são importantes num determinado ambiente ou comunidade cultural. Para além de outras, existe a inteligência musical que é caracterizada pela habilidade para reconhecer sons e ritmos, gosto em cantar ou tocar um instrumento musical. A cultura circundante desempenha um papel predominante na determinação do grau em que o potencial intelectual de um indivíduo é realizado. A escola deve considerar todas as inteligências para que os alunos tenham a oportunidade de se destacarem na que mais apreciam. A teoria das inteligências múltiplas vem contrariar a ideia comum de que inteligência é sobretudo a capacidade lógico matemática, e considerar, entre outras, a musicalidade como um tipo de inteligência que não pode ser descurada no processo educativo.
As crianças desde que nascem que devem ser “orientadas” para uma formação musical, facto este que lhes trará ganhos a diversos níveis. Ao colocarmos um bebé em contacto com sons e música estamos a potenciar o seu futuro desenvolvimento.
Existe a aptidão musical, que é inata, sendo que é a medida do potencial de uma criança para aprender música; representa possibilidades interiores. Contudo esta característica é afectada pela qualidade do meio em que ela está inserida. Quanto mais cedo beneficiar de um ambiente musical rico, mais cedo a sua aptidão musical começa a aumentar. O efeito que o ambiente de música fértil tem sobre a aptidão musical da criança diminui progressivamente à medida que a idade aumenta. A riqueza do meio, os estímulos fornecidos através de orientações estruturadas ou não influi directamente no desempenho musical da criança que é o resultado do que ela aprendeu relativamente à sua aptidão: representa uma realidade exterior que pode ser observada.
O princípio da aprendizagem musical é que se deve primeiro expor a criança ao som, respeitando assim a premissa da experiência, não subestimando a sua capacidade de compreensão. Quanto mais precoce for a aproximação da criança à música, mais á vontade terá com todos os tipos de música, bem como desenvolverá atitudes positivas em relação a esta área que a influenciará a sua vida e todas as suas futuras aprendizagens.
A exposição repetida despertará o prazer para uma grande variedade de estilos musicais, sabendo que as crianças sofrem influências daquilo que ouvem ou que lhes é dado a ouvir, havendo no entanto certas características musicais que elas apreciam mais.
Numa perspectiva construtivista, dificilmente uma criança entoará melodias se não ouvir música, se não interagir rítmica e melodicamente com as canções, se não tiver referências musicais que a estimulem na prática musical.
O desenvolvimento da criança surge com a sua interacção com o objecto de conhecimento, sendo por isso necessário, oferecer-lhe possibilidades de sensações e de experiências musicais. Nesta perspectiva devem-se proporcionar à criança descobertas auditivas, criações sonoras, primeiras interpretações, jogos de percepção rítmica e melódica, oficinas de instrumentos, etc. O objectivo é criar um laboratório musical dentro das salas do pré-escolar, onde a criança possa agir directamente sobre os materiais e aprender com essa acção e em interacção com os seus pares e o adulto.

JOGOS

Jogos e brincadeiras que contribuem para o desenvolvimento das capacidades cognitivas e socioafetivas da criança em idade pré-escolar.

Brincar, jogar ou ter um passatempo são atividades fundamentais para o desenvolvimento da criança já que promovem a aprendizagem, aumentam o pensamento reflexivo, a criatividade e contribuem para a construção de novos saberes.
Brincar é um dos principais meios de expressão da criança que possibilita a investigação e a aprendizagem sobre as pessoas e o mundo. Para a criança em idade pré-escolar, os jogos são a melhor forma para a aquisição de novas aprendizagens e para o desenvolvimento das competências socioafectivas, morais e motoras.
Brincar com o seu filho também é uma oportunidade para o conhecer ainda melhor. Quando fazemos atividades com as crianças podemos observar como se movem, como se relacionam afetiva e socialmente e obter informação sobre as suas ideias, interesses e necessidades.
As crianças passam (ou deveriam passar) a maior parte do seu tempo a brincar. Criar espaços, proporcionar brinquedos adequados a cada fase do desenvolvimentoda criança, diversificar atividades para que tenham a oportunidade de desenvolver de igual forma todas as suas potencialidades, para construir a sua identidade individual e coletiva, para questionar e construir a sua visão sobre o mundo, a natureza e a sociedade.
  • Jogos de construção e de memorização (encaixe, blocos, plasticina, jogos de associações, puzzles)
  • Jogos que desenvolvam a linguagem (trava-línguas, adivinhas, lengalengas, contar histórias, jogos imitativos, praticar a conversação, ouvir música)
  • Jogos que desenvolvam o pensamento matemático e a lógica (anotar num calendários diário se está sol, chuva ou nuvens, desenhar os objetos dentro da sala, cantar e marcar as batidas com as mãos, contar os dias, brincar em diferentes posições: deitado, em cima, em baixo, de lado)
  • Jogos que fomentem o gosto pela escrita (usar ambientes impressos, livros, cartazes, letras, revistas, jornais, gravuras, ilustrações, embalagens de brinquedos e alimentos)
  • Jogos que promovam a iniciativa, interação, regras e autonomia (jogos de tabuleiro, dramatização, desportos de grupo)
  • Jogos que impliquem momentos de concentração (jogos de tabuleiro, contar histórias, construções, pintar)
  • Jogos de grupo que envolvam socialização (dramatização, cantar, casa das bonecas, contar histórias, faz-de-conta, desportos de grupo)
  • Jogos simbólicos (estimulo da imaginação e criatividade) e cooperativos (desenvolvimento da confiança mútua, espírito de equipa, partilha de objetivos) (faz-de-conta, jogos de equipa, pista de carros, dança das cadeiras, dominó, cabra-cega)

ESTÓRIAS

Ler estórias para as crianças sempre é suscitar o imaginário, é ter a curiosidade respondida em relação a tantas perguntas, e encontrar muitas ideias para solucionar questões, é estimular para desenhar, para musicar, teatralizar, brincar, afinal tudo pode nascer de um texto.
Além disso, as estórias estimulam o desenvolvimento de funções cognitivas importantes para o pensamento, tais como a comparação (entre figuras e textos), o pensamento hipotético, o raciocínio lógico, pensamentos convergentes e divergentes, as relações espaciais e temporais (toda história tem início, meio e fim). Os embaraços geralmente são organizados de forma que um conteúdo moral possa ser inferido das acções dos personagens e isso colabora para a construção da ética e da cidadania em nossas crianças. O contacto significa para a criança o reencontro simbólico com um padrão organizativo – temporal e mesmo rítmico – que elas já vivem em sua experiência com a sucessão dos eventos no tempo: a rotina doméstica, a expectativa pelo aniversário e a acção do faz de conta.
A estória tem também a função social, e a contextualização do indivíduo no seu tempo e ambiente, com os valores do seu agrupamento, tendo como base a evolução dos espaços, indivíduos e da sociedade. A criança que ouve estórias, comprovadamente se tornará um adulto mais criativo, flexível e melhor preparado emocionalmente, despertando processos internos de compreensão e adaptação.  Além disso, quem lê para uma criança não lhe transmite apenas o conteúdo da história, promovendo seu encontro com a leitura, possibilita-lhe adquirir um modelo de leitor e desenvolve nela o prazer de ler e o sentido de valor pelo livro.

A estória como ponto de partida para a literatura infantil

A apresentação da literatura às crianças deve ser feita, em primeira ordem, na forma oral através de histórias contadas pela mãe, pai e avós. Essa iniciação torna-se fundamental para a sua aprendizagem posterior. A leitura na fase da infância visa aguçar a crítica do pequeno leitor, ampliar seu conhecimento linguístico sendo um caminho para conhecer diferentes tipos de textos e vocábulos. O ato de ler é mais do que decifrar códigos, é construir o significado do texto, abrindo caminhos para infinitas descobertas e compreensão do mundo.

A formação dos leitores na infância

A Literatura Infantil é um importante factor para o desenvolvimento cognitivo, psicológico e social da criança, pois busca enfatizar o que a criança é capaz de fazer com o conhecimento adquirido. Mas o hábito da leitura não deve ser uma imposição, mas introduzido na vida da criança de maneira instrutiva e prazerosa utilizando sempre histórias envolventes e temas adequados a idade de cada um despertando a magia e a curiosidade do leitor. Para um melhor aproveitamento, os temas devem ser escolhidos levando em conta que o seu leitor, mesmo em fase de construção do conhecimento, é um ser com desejos e pensamentos próprios.
A literatura deve ser vista como uma fonte de inesgotáveis assuntos que levam as crianças a uma melhor compreensão de si e do mundo que as rodeiam, fazendo-as desenvolver a reflexão e o espírito crítico. Através das histórias elas se descobrem, descobrem a outros lugares, outras maneiras de agir e obtêm novas visões da vida.
A cada estória contada a criança buscará um significado de acordo com suas necessidades e interesses, pois perceberá que assim como elas as personagens passam por problemas semelhantes aos seus (medos, carências, dificuldades, auto - descobertas, perdas e buscas) e então encontrará outras ideias para solução de seus conflitos.





CONCLUSÃO

Sobre o trabalho realizado chegamos a conclusão que o desenvolvimento da linguagem na idade pré-escolar e a ludicidade da linguagem Oral e Escrita na Educação Infantil é uma fase para a aprendizagem junto às crianças da pré-escola e destacam-se suas características estimuladoras da imaginação e desenvolvimento da linguagem na infância a partir de temas do ensino de ciências e periodizando a utilização do jogo e das brincadeiras infantis. O uso de cantigas de roda e contos infantis contribuíram para o desenvolvimento da linguagem e resgataram a cultura popular pouco valorizada no mundo pós-moderno recheado de informações superficiais destinadas ao público infantil e veiculadas na televisão, rádio, internet, etc.





BIBLIOGRAFIA

Educação pré-escolar. Disponível em: http://www.portoeditora.pt/espacoprofessor/paginas-especiais/educacao-pre-escolar/opiniao-pre/linguagem/. Acesso aos 24 de Março de 2016.
A música na infância. Disponível em: https://afadadoremi.wordpress.com/a-importancia-da-musica-para-o-desenvolvimento-das-criancas/124. Acesso aos: 25 de Março de 2016.



ÍNDICE



A IMPORTÂNCIA DO DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM NA IDADE PRÉ-ESCOLAR

INTRODUÇÃO

No presente trabalho abordaremos sobre a importância do desenvolvimento da linguagem na idade pré-escolar, que adota-se na infância da criança, sabendo que é o momento no qual a criança inicia o desenvolver dessa comunicação, realizada através do choro, gestos, fala, dentre outras formas de expressão, acções dessa natureza poderão reportar a novas conquistas da criança pequena através da comunicação desenvolvida.




A IMPORTÂNCIA DO DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM NA IDADE PRÉ-ESCOLAR

A linguagem das crianças intriga linguistas e estudiosos do assunto. Sendo assim crianças do século XII, por exemplo, apesar de crianças como as de hoje não brincavam com os mesmos brinquedos, nem sentiam, nem pensavam, nem se vestiam como as crianças de hoje. E, certamente as crianças deste século terão características muito diferentes das de hoje. É interessante que assim surge um questionamento: se as crianças de antigamente eram diferentes das de hoje certamente as de amanhã também serão.
A aquisição da linguagem tenta explicar entre outras coisas o fato de as crianças, por volta dos 3 anos, serem capazes de fazer o uso produtivo  - de suas línguas”. Com base nisso tentarei aqui expor alguns pontos importantes de aquisição da linguagem pela criança.
Desde pequenos já existe a comunicação, mas esta não é feita por meio oral. A linguagem é um sistema de símbolos culturais internalizados, e é utilizada com o fim último de comunicação social. Assim como no caso da inteligência e do pensamento, o seu desenvolvimento passa também por períodos até que a criança chegue a utilização de frases e múltiplas palavras.
Ao nascer, a criança não entende o que lhe é dito. Somente aos poucos começa a atribuir um sentido ao que escuta. Do mesmo modo acontece com a produção da linguagem falada. O entendimento e a produção da linguagem falada evoluem.
Existem diferentes tipos de linguagem: a corporal, a falada, a escrita e a gráfica. Para se comunicar a criança utiliza, tanto a linguagem corporal (mímica, gestos, etc.) como a linguagem falada. Lógico que ela ainda não fala, mas já produz linguagem.
O desenvolvimento da linguagem se divide em dois estádios:  Pré – linguístico, quando o bebé usa de modo comunicativo os sons, sem palavras ou gramática; e o linguístico, quando usa palavras
No estádio pré – linguístico a criança, de princípio, usa o choro para se comunicar, podendo ser rica em expressão emocional. Logo ao nascer este choro ainda é indiferenciado, porque nem a mãe sabe o que ele significa, mas aos poucos começa a ficar cheio de significados e é possível, pelo menos para a mãe, saber se o bebé está
Chorando de fome, de cólica, por estar se sentindo desconfortável, por querer colo etc. è importante ressaltar que é a relação do bebé com sua mãe, ou com a pessoa que cuida dele, que lhe dá elementos para compreender seu choro
Além do choro, a criança começa a produzir o arrulho, que é a emissão de um som gutural, que sai da garganta, que se assemelha ao arrulho dos pombos. O balbucio ocorre de repente, por volta dos 6-10 meses, e caracteriza – se pela produção e repetição de sons de consoantes e vogais como “ma – ma – ma – ma”, que muitas vezes é confundido com a primeira palavra do bebé.
No desenvolvimento da linguagem, os bebés começam imitando casualmente os sons que ouvem, através da ecolalia. Por exemplo: os bebés repetem repetidas vezes os sons como o “da – da – da”, ou “ma – ma – ma – ma”. Por isso as crianças que têm problema de audição, não evoluem para além do balbucio, já que não são capazes de escutar.
Por volta dos 10 meses, os bebés imitam deliberadamente os sons que ouvem, deixando clara a importância da estimulação externa para o desenvolvimento da linguagem. Ao final do primeiro ano, o bebé já tem certa noção de comunicação, uma ideia de referência e um conjunto de sinais para se comunicar com aqueles que cuidam dele
O estádio linguístico está pronto para se estabelecer. Sendo assim, contando com a maturação do aparelho fonador da criança e da sua aprendizagem anterior, ela começa a dizer suas primeiras palavras.
A fala linguística se inicia geralmente no final do segundo ano, quando a criança pronuncia a mesma combinação de sons para se referir a uma pessoa, um objecto, um animal ou um acontecimento. Por exemplo, se a criança disser acho quando vir a água na mamadeira, no copo, na torneira, no banheiro etc., podemos afirmar que ela já esta falando por meio de palavras. Espera – se que aos 18 meses a criança já tenha um vocabulário de aproximadamente 50 palavras, no entanto ainda apresenta características da fala pré – linguística e não revela frustração se não for compreendida.
Na fase inicial da fala linguística a criança costuma dizer uma única palavra, atribuindo a ela no entanto o valor de frase. Por exemplo, diz ua, apontando para porta de casa, expressando um pensamento completo; eu quero ir para rua. Essas palavras com valor de frases são chamadas holófrases.
Entre os 2 e 3 anos as crianças começam a adquirir os primeiros fundamentos de sintaxe, começando assim a se preocupar com as regras gramaticais. Usam, para tanto, o que chamamos de super – regularização, que é uma aplicação das regras gramaticais a todos os casos, sem considerar as excepções. É por isso que a criança quer comprar “pães”, traze-los nas “mães”. Aos 6 anos a criança fala utilizando frases longas, tentando utilizar correctamente as normas gramaticais.
Chomsky defende a ideia de que a estrutura da linguagem é, em grande parte, especificada biologicamente (nativista). Skinner afirma que a linguagem é aprendida inteiramente por meio de experiência (empirista). Piaget consegue chegar mais perto de uma compreensão do desenvolvimento da linguagem que atenda melhor a realidade observada. Segundo ele tanto o biológico quanto as interacções com o mundo social são importantes para o desenvolvimento da linguagem (integracionista).
Dentro da óptica interacionista, da qual Piaget é adepto, o aparecimento da linguagem seria decorrência de algumas das aquisições do período sensório – motor, já que ela adquiriu a capacidade de simbolizar ao final daquele estádio de desenvolvimento da inteligência. Soma – se a isso a capacidade imitativa da criança. As primeiras palavras são intimamente relacionadas com os desejos me acções da criança.
O egocentrismo da criança pré – operatório também se faz presente na linguagem que ela exibi. Desse modo, ela usa frequentemente a fala egocêntrica, ou privada, na qual fala sem nenhuma intenção muita clara de realmente se comunicar com o outro, centrada em sua própria actividade. É como se a criança falasse em voz alta para si mesma. Contudo ela também usa a linguagem socializada, que tem como objectivo se fazer entendida pelo interlocutor.
A linguagem oral é um instrumento fundamental para que as crianças possam ampliar suas possibilidades de inserção e participação nas diversas práticas sociais. De acordo com o Referencial Curricular Nacional Para a Educação Infantil, “em algumas práticas, se considera o aprendizado da linguagem oral, como um processo natural, que ocorre em função da maturação biológica prescinde-se nesse caso de acções educativas planejadas com a intenção de favorecer essa aprendizagem.”
As crianças desde que nascem dispõem de uma inteligência própria que orienta suas acções no mundo, inteligência esta que vai se modificando a partir das interacções estabelecidas com o outro este que dá significados as suas expressões, gestos, sons, fazendo com que tenham uma participação activa no mundo. A partir dessa interacção e do diálogo com outras pessoas, a criança desenvolve uma inteligência denominada verbal, essa inteligência é guiada pela linguagem agindo sobre as ideias. A criança começa a comparar, classificar, inferir, deduzir etc., criando modalidades de memória e imaginação indicando situações de desejo e objectos do mundo externo, as crianças utilizam palavras que especifica características próprias, ser a linguagem permite a aprendizagem de noções como de tempo, espaço e desenvolve a capacidade de raciocínio. O desenvolvimento da linguagem e da fala está intimamente ligado, porém este processo caminha, de certa forma, separado. A linguagem é o aspecto mais amplo, ou seja, é a capacidade de comunicar-se, de compreender e ser compreendido (expressões faciais, tremores, lágrimas e sorrisos); já a fala é a expressão desta, isto é, a forma como transmitimos as nossas ideias.
Toda linguagem carrega significados que correspondem a um conhecimento social, geral, mas estes não são compreendidos pela criança somente por meio das informações linguísticas. Apesar de ter o domínio da gramática prematuramente e usar os mesmos termos da linguagem dos adultos, isto não significa que a criança atribua aos termos os mesmos significados que aqueles. Os significados da linguagem da criança se restringem à compreensão ainda limitada de um mundo que ela tem. Portanto, é de extrema necessidade a interacção adulta/criança, pois a linguagem depende desta interacção para constituir-se.


O sistema da linguagem infantil

O sistema da linguagem tem uma complexidade que envolve a rede de neurónios distribuída entre várias regiões cerebrais. Em contacto com os sons do ambiente, a fala inclui múltiplos sons que ocorrem simultaneamente, em várias frequências e com rápidas transições entre estas. O ouvido tem de sintonizar este sinal auditivo complexo, recodificá-lo e transformá-lo em impulsos eléctricos, os quais são conduzidos por células nervosas à área auditiva do córtex cerebral, no lobo temporal. Este reelabora os impulsos, transmite-os às áreas da linguagem e armazena a versão do sinal acústico por certo período de tempo
Desta forma a linguagem deve ser concebida no contexto da interacção social, não simplesmente como meio de transmissão de informação, mas sim como projecção das próprias pessoas, veículo de trocas, de relações, como meio de representação e comunicação. A linguagem é, por um lado, um meio de interacção, de relação e de construção do conhecimento; e, por outro lado, algo que a criança precisa conhecer e dominar.
A partir do momento em que a criança fala e se comunica com adultos ou outras crianças, ela está se expressando por meio da linguagem oral. No entanto, as diversas instituições concebem a linguagem e a maneira como as crianças aprendem de formas bem distintas. Umas consideram o aprendizado da linguagem oral como um processo natural, que ocorre em função da maturação biológica. Outras, ao contrário, concordam que a intervenção directa do adulto é necessária e determinante para a aprendizagem da criança.

Linguagem como meio da interacção social da criança

Actualmente, novas vertentes, baseadas na análise de produções das crianças e das práticas correntes, têm apontado novas direcções no que se refere ao ensino e à aprendizagem da linguagem oral e escrita, considerando a perspectiva da criança que aprende. Com base na aquisição do conhecimento pela criança de forma activa e não receptiva, há uma transformação substancial na forma de compreender como uma criança aprende a falar, a ler e a escrever.
Por meio da linguagem oral, a criança se comunica e expressa os seus pensamentos, influenciando outras crianças e estabelecendo relações umas com as outras. Tudo é contextualizado, ou seja, as palavras só têm sentido em enunciados e textos que significam e são significados por situações. A linguagem não é apenas vocabulário, lista de palavras ou sentenças soltas, mas sim um meio eficaz de comunicação e interacção social.Além disso, a linguagem é dinâmica, com variantes regionais, diferenças nos graus de formalidade e nas convenções do que se pode e deve falar em determinadas situações comunicativas. Quanto mais as crianças puderem falar em situações diferentes, como contar o que lhes aconteceu em casa, contar histórias, dar um recado, explicar um jogo ou pedir uma informação, mais poderão desenvolver suas capacidades comunicativas de maneira significativa.

Desenvolvimento da linguagem oral

 Desde os primeiros dias, o bebé emite sons articulados que revela o seu esforço para se comunicar com os outros. Estes os interpretam, dando sentido à comunicação do bebé. Quando os adultos falam com o bebé, eles tendem a utilizar uma linguagem simples, breve e repetitiva, que facilita o desenvolvimento da linguagem e da comunicação. Por outro lado, às vezes eles o expõem à linguagem oral em toda sua complexidade, como por exemplo, ao trocar as fraldas, o adulto fala: “Você está molhado? Eu vou te limpar, trocar a fralda e você vai ficar sequinho e gostoso!”.
Além da fala, a comunicação pode acontecer por gestos, sinais e até linguagem corporal, que dão significado e apoiam a linguagem oral dos bebés. Dessa forma, a criança aprende a verbalizar por meio da apropriação da fala do outro. Esse processo refere-se à repetição, pela criança, de fragmentos da fala do adulto ou de outras crianças, utilizados para resolver problemas em função de diferentes necessidades e contextos nos quais se encontre.Por exemplo, um bebé de sete meses pode engatinhar em direcção a uma tomada e, ao chegar perto dela, ainda que demonstre vontade de tocá-la, pode apontar para ela e menear a cabeça expressando assim, à sua maneira, a fala do adulto. Gradativamente, o bebé passa a incorporar a palavra “não” associada a essa acção, que pode significar um conjunto de ideias como: não se pode mexer na tomada; mexer aí é perigoso; entre outras.Com o passar do tempo, a criança se expressa melhor, dizendo o que gosta e o que não gosta, o que quer e o que não quer fazer e a fala passa a ocupar um lugar privilegiado como instrumento de comunicação. Esse desenvolvimento vai ampliando os recursos intelectuais, porém as falas infantis são, ainda, produto de uma perspectiva muito particular, de um modo próprio de ver o mundo.

Desenvolvimento da linguagem escrita

Em nossa sociedade, desde os primeiros dias de vida, a criança está exposta ao mundo das letras, em permanente contacto com a linguagem escrita. Dessa forma a criança passa a descobrir o aspecto funcional da comunicação escrita, desenvolvendo interesse e curiosidade por essa linguagem. Diante do ambiente de letramento em que vivem, as crianças podem fazer, a partir de dois ou três anos de idade, uma série de perguntas, como “O que está escrito aqui?”, ou “O que isto quer dizer?”, indicando sua reflexão sobre a função e o significado da escrita, ao perceberem que ela representa algo.
No entanto, para aprender a escrever, a criança terá de lidar com dois processos de aprendizagem paralelos: o que a escrita representa e como. Além disso, a criança deve ter contacto com os mais diversos textos presentes em seu Quotidiano, para que possa construir sua capacidade de ler, bem como desenvolver a capacidade de escrever autonomamente. Muitas crianças utilizam-se de livros, revistas, jornais, gibis, rótulos, entre outros, para “ler” o que está escrito. Não é raro observar crianças muito pequenas, que têm contacto com material escrito, folhear um livro e emitir sons e fazer gestos como se estivessem lendo. Ou seja, as crianças elaboram uma série de ideias e hipóteses provisórias antes de compreender o sistema escrito em toda sua complexidade.




CONCLUSÃO

Sobre o trabalho realizado chegamos a conclusão que o desenvolvimento da linguagem na idade pré-escolar e a ludicidade da linguagem Oral e Escrita na Educação Infantil é uma fase para a aprendizagem junto às crianças da pré-escola e destacam-se suas características estimuladoras da imaginação e desenvolvimento da linguagem na infância a partir de temas do ensino de ciências e periodizando a utilização do jogo e das brincadeiras infantis. O uso de cantigas de roda e contos infantis contribuíram para o desenvolvimento da linguagem e resgataram a cultura popular pouco valorizada no mundo pós-moderno recheado de informações superficiais destinadas ao público infantil e veiculadas na televisão, rádio, internet, etc.



BIBLIOGRAFIA




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