domingo, 17 de janeiro de 2016

a educação no ponto de vista de Paulo Freire


INTRODUÇÃO

No presente trabalho com o tema em destaque a educação no ponto de vista de Paulo Freire mostra que para Freire o saber esta conectado, engendrado, conce­bido as problemáticas históricas culturais, políticas e sociais do sujeito. A Educa­ção como forma e atitude do ser humano se compreender no mundo como um ser - com (relacional)  que se faz e deixa se desenvolver conscientemente na relação com o outro, numa atitude horizontal, dialógica. Nesta dinâmica existencial o conhecimento se dá na relação quotidiana e imediata do sujeito. O mundo, com seus contrastes e aparências, se transforma em elemento e meio de “aprendiza­gem”, de constante desenvolvimento e a inquietude e a curiosidade aparecem como características construtivas.

PAULO FREIRE E A EDUCAÇÃO

Paulo Freire nasceu em 1921 em Recife, numa família de classe média. Com o agravamento da crise económica mundial iniciada em 1929 e a morte de seu pai, quando tinha 13 anos, Freire passou a enfrentar dificuldades económicas. For­mou-se em direito, mas não seguiu carreira, encaminhando a vida profissional para o magistério. Suas ideias pedagógicas se formaram da observação da cul­tura dos alunos - em particular o uso da linguagem - e do papel elitista da escola. Em 1963, em Angicos (RN), chefiou um programa que alfabetizou 300 pessoas em um mês. No ano seguinte, o golpe militar o surpreendeu em Brasília, onde coordenava o Plano Nacional de Alfabetização do presidente João Goulart. Freire passou 70 dias na prisão antes de se exilar. Em 1968, no Chile, escreveu seu livro mais conhecido, Pedagogia do Oprimido. Também deu aulas nos Estados Unidos e na Suíça e organizou planos de alfabetização em países africanos. Com a anistia, em 1979, voltou ao Brasil, integrando-se à vida universitária. Filiou-se ao Partido dos Trabalhadores e, entre 1989 e 1991, foi secretário municipal de Edu­cação de São Paulo. Freire foi casado duas vezes e teve cinco filhos. Foi nomeado doutor honoris causa de 28 universidades em vários países e teve obras traduzidas em mais de 20 idiomas. Morreu em 1997, de enfarte.

Paulo Freire foi o mais célebre educador brasileiro, com actuação e reconheci­mento internacionais. Conhecido principalmente pelo método de alfabetização de adultos que leva seu nome, ele desenvolveu um pensamento pedagógico assu­midamente político. Para Freire, o objectivo maior da educação é conscientizar o aluno. Isso significa, em relação às parcelas desfavorecidas da sociedade, levá-las a entender sua situação de oprimidas e agir em favor da própria libertação. O principal livro de Freire se intitula justamente Pedagogia do Oprimido e os con­ceitos nele contidos baseiam boa parte do conjunto de sua obra.

Ao propor uma prática de sala de aula que pudesse desenvolver a criticidade dos alunos, Freire condenava o ensino oferecido pela ampla maioria das escolas (isto é, as "escolas burguesas"), que ele qualificou de educação bancária. Nela, segundo Freire, o professor age como quem deposita conhecimento num aluno apenas receptivo, dócil. Em outras palavras, o saber é visto como uma doação dos que se julgam seus detentores. Trata-se, para Freire, de uma escola alie­nante, mas não menos ideologizada do que a que ele propunha para despertar a consciência dos oprimidos. "Sua tónica fundamentalmente reside em matar nos educandos a curiosidade, o espírito investigador, a criatividade", escreveu o edu­cador. Ele dizia que, enquanto a escola conservadora procura acomodar os alu­nos ao mundo existente, a educação que defendia tinha a intenção de inquietá-los.

Paulo Freire – Um educador com um ponto de vista bem definido

O seu modo de perceber o ser humano e a educação, tornou possível visualizar uma transformação da realidade opressiva que o povo brasileiro encontra até os dias de hoje. Diante desta questão ele considerou necessário identificar qual o seu ponto de vista ao observar e falar, saber seu ponto de vista é educar com consciência, e permite uma relação dialética na construção de um saber, porque quanto mais o sujeito pensa, mais ele transforma o seu fazer. Como educador coerente ele nunca escondeu qual era o seu:

 “O meu ponto de vista é o dos “condenados da Terra”, o dos excluídos.” (Freire, 1970, p. 14)

Sua reflexão sobre a realidade levou-o a perceber a existência de sujeitos na sociedade que não conseguem existir como seres humanos, e que não podem exercer nenhuma forma de poder, seu destino é apenas se submeter ao poder dos outros. A partir disto realizou a descrição dos sujeitos que definiu como oprimidos, para isto, levou em conta o contexto social que estão inseridos e como ocorre a formação da identidade individual e coletiva dentro desta realidade opressora. Estes sujeitos vivem um comportamento repetitivo de opressão, portanto, de desrespeito contínuo com o seu corpo e agressões verbais que o retiram a condição de ser mais. Esta experiência degradante produz uma contradição dentro do oprimido, ele admira o seu opressor, a sua forma de agir e de se comportar, tornando justificável a sua superioridade. Esta não é a única conseqüência desta relação sádica, ao ser incapaz de dirigir suas frustrações para o opressor, e de poder usar a mesma força à qual é submetido, ele agride seus semelhantes, tornando o grupo ainda mais instável e incapaz de perceber a importância de respeitar o outro para fortalecer o grupo, e todos juntos mudarem sua condição de subordinados. Ele constatou que a partir desta relação contínua, os sujeitos oprimidos se tornam divididos dentro deles, e também fragmentam o grupo no qual estão inseridos, enfraquecendo sua possibilidade de luta política.

MÉTODO DE EDUCAÇÃO LIBERTADORA


O Método Paulo Freire não se detém na mera alfabetização tradicional, baseada principalmente no uso da cartilha, que ele rejeita categoricamente no aprendizado da leitura e da escrita. O educador defende e incentiva o posicionamento do adulto não alfabetizado no meio social e político em que ele vive, ou seja, no seu contexto real.

Desta forma, acredita o mestre, é possível acordar a consciência do aluno para que ele seja capaz de exercer seu papel de cidadão e se habilitar a revolucionar a sociedade. Assim, o letrado pode transcender a simples esfera do conhecimento de regras, métodos e linguagens, e ser então inserido na esfera sócio-econômica e política da qual fora excluído.

O domínio das letras e das palavras é um instrumento para que o adulto alfabetizado elabore suaconsciência política, conquistando um ponto de vista integral do saber e do universo que habita. O ideal de Paulo Freire brotou justamente do ambiente no qual ele foi criado; nascido no Recife, ele conhecia bem a realidade do Nordeste do país, e foi durante os anos 50 que ele elaborou seu método.

Nesta época a região nordestina abrigava um número elevado de analfabetos, pelo menos metade de seus moradores, uma consequência direta do período colonial e de um contexto de repressão, tirania, restrições e carências ilimitadas. Sua metodologia é, portanto, fruto de muito tempo de gestação e meditações de Paulo Freire no âmbito da pedagogia. Ele se preocupava particularmente com os adultos que habitavam as áreas socialmente excluídas, tanto nas cidades quanto no campo, em Pernambuco.

Na metodologia de Freire o mestre se posiciona ao lado de seus aprendizes para que juntos possam organizar as atividades desenvolvidas nas classes, todas baseadas no debate de temáticas sócio-políticas, inerentes ao contexto vivenciado por eles. Assim, seu método não age apenas no circuito educativo, mas também na economia, na política e nas demais esferas da vida em sociedade.

Sua criação, conhecida como método de educação libertadora, passa por três estágios. O primeiro é o da investigação, durante o qual mestre e aprendiz discutem vocábulos e questões que têm maior importância na existência do aluno, no interior do grupo no qual ele vive.

A segunda etapa é a da tematização – este é o instante de conscientização em relação ao mundo, por meio da avaliação dos sentidos sociais assumidos por temáticas e palavras. O terceiro momento é o da problematização, quando o professor provoca e motiva seus estudantes a transcenderem o ponto de vista mítico e desprovido de críticas do universo que ele habita, para que possam atingir a fundamental tomada de consciência.

O educador aconselha que sua corrente pedagógica seja praticada em cinco fases. Primeiro, uma avaliação das condições linguísticas dos alunos, sempre com a aceitação da linguagem de cada um; segundo, a seleção de determinados vocábulos, conforme sua importância fonética, o nível de dificuldades e seu papel sócio-cultural e político para o grupo em questão; no terceiro momento privilegia-se a elaboração de contextos vivenciais típicos da comunidade abordada, para que os alunos aprendam a analisar criticamente as questões levantadas no contexto em que vivem.

A quarta etapa se resume à elaboração de fichas que atuam como roteiros para as discussões, sem que elas necessariamente sejam adotadas enquanto preceitos inflexíveis; a quinta fase consiste, enfim, na produção de cartões com palavras que deverão ser decompostas em grupos fonéticos congruentes com os vocábulos criadores.

Características conceituais da concepção educacional de Paulo Freire


·        “Interpretar o desenvolvimento da consciência humana e seu relacionamento com a realidade, permitindo que o educando a transforme com sua prática.

·        A educação não é uma questão pedagógica. Ao contrário, é uma questão política. Pedagogia crítica, como uma práxis cultural, contribui para revelar a ideologia encoberta na consciência das pessoas.

·        A pedagogia do oprimido é designada como um instrumento de colaboração pedagógica e política na organização das classes sociais subordinadas;

·        A especificidade da sua proposta é a noção de consciência crítica como conhecimento e práxis de classe.

·        Em termos educacionais, sua concepção é uma proposta anti-autoritária, na qual professores e alunos ensinam e aprendem juntos. Partindo-se do princípio que educação é um ato de saber, professor-aluno e aluno-professor devem engajar-se num diálogo permanente caracterizado por seu ‘relacionamento horizontal’. Esse é um processo que toma lugar não na sala de aula, mas num círculo cultural.

MÉTODO PAULO FREIRE


O Método Paulo Freire consiste numa proposta para a alfabetização de adultos desenvolvida pelo educador Paulo Freire por ele descrita na obra Pedagogia da Autonomia. A abordagem do método não foi nova e foi influenciada por Frank Laubach.1 Freire afirmou ter desenvolvido o método enquanto era director do Departamento de Extensões Culturais da Universidade do Recife, quando formou um grupo para testar o método na cidade de Angicos, no Rio Grande do Norte.

Nessa localidade, alfabetizou 300 cortadores de cana-de-açúcar em apenas 45 dias, isso porque o processo se deu em apenas quarenta horas de aula e sem cartilha.2Freire criticava o sistema tradicional de alfabetização, o qual utilizava a cartilha como ferramenta central da didáctica para o ensino da leitura e da escrita. As cartilhas ensinavam pelo método da repetição de palavras soltas ou de frases criadas de forma forçosa, o que, comummente, se denomina como "linguagem de cartilha": por exemplo,  Eva viu a uva, o boi baba, a ave voa, dentre outros.

Etapas do método


1.   Etapa de investigação: busca conjunta entre professor e aluno das palavras e temas mais significativos da vida do aluno, dentro de seu universo vocabular e da comunidade onde ele vive.

2.   Etapa de tematização: momento da tomada de consciência do mundo, através da análise dos significados sociais dos temas e palavras.

3.   Etapa de problematização: etapa em que o professor desafia e inspira o aluno a superar a visão mágica e acrítica do mundo, para uma postura conscientizada.

O método


·         As palavras geradoras: o processo proposto por Paulo Freire inicia-se pelo levantamento do universo vocabular dos alunos. Através de conversas informais, o educador observa os vocábulos mais usados pelos alunos e a comunidade e, assim, selecciona as palavras que servirão de base para as lições. A quantidade de palavras geradoras pode variar entre 18 a 23 palavras, aproximadamente. Depois de composto o universo das palavras geradoras, elas são apresentadas em cartazes com imagens. Então, nos círculos de cultura, inicia-se uma discussão para dar-lhes significado dentro da realidade daquela turma.

·         A silabação: uma vez identificadas, cada palavra geradora passa a ser estudada através da divisão silábica, semelhantemente ao método tradicional. Cada sílaba se desdobra em sua respectiva família silábica, com a mudança da vogal. Por exemplo: BA-BE-BI-BO-BU.

·         As palavras novas: o passo seguinte é a formação de palavras novas. Usando as famílias silábicas agora conhecidas, o grupo forma palavras novas.

·         A conscientização: um ponto fundamental do método é a discussão sobre os diversos temas surgidos a partir das palavras geradoras. Para Paulo Freire, alfabetizar não pode se restringir aos processos de codificação e decodificação. Dessa forma, o objectivo da alfabetização de adultos é promover a conscientização acerca dos problemas colidíamos, a compreensão do mundo e o conhecimento da realidade social.

As fases de aplicação do método


Freire propõe a aplicação de seu método nas cinco fases seguintes:

·         1ª Fase: levantamento do universo vocabular do grupo. Nessa fase, ocorrem as interacções de aproximação e conhecimento mútuo, bem como a anotação das palavras da linguagem dos membros do grupo, respeitando seu linguajar típico.

·         2ª Fase: escolha das palavras seleccionadas, seguindo os critérios de riqueza fonética,  dificuldades fonéticas - numa sequência gradativa das mais simples para as mais complexas, do comprometimento pragmático da palavra na realidade social, cultural, política do grupo e/ou sua comunidade.

·         3ª Fase: criação de situações existenciais características do grupo. Trata-se de situações inseridas na realidade local, que devem ser discutidas com o intuito de abrir perspectivas para a análise crítica consciente de problemas locais, regionais e nacionais.

·         4ª Fase: criação das fichas-roteiro que funcionam como roteiro para os debates, as quais deverão servir como subsídios, sem, no entanto, seguir uma prescrição rígida.

·         5ª Fase: criação de fichas de palavras para a decomposição das famílias fonéticas correspondentes às palavras geradoras.

A sua periodização


Freire aplicou publicamente seu método pela primeira vez no Centro de Cultura Dona Olegarinha, um círculo de cultura do Movimento de Cultura Popular no Recife. Foi aplicado inicialmente a cinco alunos, dos quais três aprenderam a ler e escrever em 30 horas e outros dois desistiram antes de concluir. Baseado na experiência de Angicos, em Janeiro de 1963, onde em 45 dias, alfabetizaram-se 300 trabalhadores, João Goulart, presidente do Brasil na época, chamou Paulo Freire para organizar o Plano Nacional de Alfabetização. Este plano, iniciado em Janeiro de 1964, tinha como objectivo alfabetizar 2 milhões de pessoas em 20 000 círculos de cultura, e já contava com a participação da comunidade - só no estado da Guanabara, se inscreveram 6 000 pessoas. Mas, com o Golpe de Estado no Brasil em 1964, em Abril, toda essa mobilização social foi reprimida e Paulo Freire foi considerado subversivo, sendo preso e, depois, exilado. Assim, esse projecto foi abortado. Em seu lugar, surgiu o Movimento Brasileiro de Alfabetização, igualmente uma iniciativa para a alfabetização, porém distinta do método freiriano.


 

CONCLUSÃO

Em suma, o saber parte dos “conteúdos” vivenciados pelos indivíduos e a sua capacidade de mudar, transformar a realidade que ele conhece. Neste sentido a Educação não entendida aqui como “lugar limitado”, “espaço formal” (sala de aula X professor) ou um momento específico e extra-ordinário de aquisição e acúmulo de conhecimentos, mas sim, como um fator ético desenvolvido no e com o cotidiano, que se revela a todo momento e em todo lugar.

Este é o diferencial desta perspectiva educativa. Educação é um ato de criação, por isso político, de autonomia do ser humano frente às situações de injustiça e de exploração e de consciência de sua situação e possibilidade de transformação. Como afirma Paulo Freire, “do ponto de vista dos interesses dominantes, não há dúvida de que a educação deve ser uma prática imobilizadora e ocultadora de verdades” [3], porém para a perspectiva de empoderamento e emancipação dos indivíduos a educação é meio de libertação e isto se dá num conceito que transcende intencionalmente o que hoje vivenciamos e definimos com educação formal em diversos países. Falamos aqui de uma educação essencialmente nãopara a vida, mas da própria vida.

 

BIBLIOGRAFIA

A educação e Paulo Freire. Disponível em: http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/paulo-freire-300776.shtml. Acessado aos 20 de Maio de 2015.

FREIRE, Paulo (1970). Pedagogia do Oprimido. 47ª Ed Rio de Janeiro: Paz e terra, 2008.

O método de Paulo Freire. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A9todo_Paulo_Freire. Acessado aos 20 de Maio de 2015.

A DESIGUALDADE DE OPORTUNIDADES NA EDUCAÇÃO


INTRODUÇÃO


O presente trabalho tende a debruçar sobre a educação e as desigualdades das oportunidades que por sua vez nos últimos anos, especialmente com a discussão acerca das cotas em universidades públicas e privadas, o debate público e acadêmico retomou a questão com um foco mais restrito à desigualdade de oportunidades. A educação, tendo como uma de suas formas de atuação mais importantes a escolarização, é um fator capaz de desenvolver nos indivíduos suas potencialidades ao permitir o "pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho", como previsto na Constituição. Quando disseminada de forma universal é um dos mais importantes mecanismos para a promoção de oportunidades entre membros de um país. É, ainda, mais importante em situações de alta desigualdade, quando então ganha maior relevo a responsabilidade do poder público.


 

A DESIGUALDADE DE OPORTUNIDADES NA EDUCAÇÃO


As grandes propostas teóricas da sociologia da educação produzidas durante os anos 60 e 70 definiram as linhas mestras do debate sobre as desigualdades sociais na educação tal como este é ainda hoje em parte entendido. O intenso debate realizado, marcado por uma importante actividade crítica, trouxe consigo progressos reais para a compreensão das desigualdades sociais na educação, e para a estruturação clara da sociologia da educação enquanto área de saber, assim como concorreu decisivamente para a respectiva afirmação pública. A crítica às teorias da hereditariedade da inteligência e às suas aplicações escolares (nomeadamente as pedagogias compensatórias) contribuiu para questionar a ideia de uma meritocracia de base tecnocrática, que oculta com base na defesa da sua pretensa neutralidade os processos sociais através dos quais a escola contribui para a reprodução das desigualdades sociais.


Noutro sentido, o contributo da escola para os processos de dominação simbólica, procurando avaliar a forma como nela se relacionam diversas formas culturais e se desenvolvem os processos de legitimação daquelas que se encontram associadas às classes sociais dominantes. Deste modo foi colocada em causa a ideia de uma escola única funcionando em bases igualitárias, vista doravante como promotora de processos de diferenciação social, resultantes da imposição a todos os grupos sociais dos quadros culturais das classes dominantes e da correspondente desvalorização de outros quadros culturais de classe.


Se estas conclusões significaram um progresso real na estruturação das problemáticas sociológicas sobre as desigualdades sociais perante o ensino, a partir de fins dos anos 90 o debate tem vindo a procurar novos caminhos, baseado na reavaliação do património conceptual acumulado e na progressiva sistematização dos avanços e bloqueios constatados.


As diferenças de oportunidades para os jovens de classes sociais menos favorecidas são reforçadas pelos resultados opostos entre a escola pública e a privada. A desigualdade em nosso sistema educacional é uma das causas mais significativas da manutenção das diferenças sociais em Angola. Para quem “vem de baixo” é necessário muito mais esforço e competência para melhorar suas condições de trabalho e financeiras.

A preparação dos jovens provenientes de classes economicamente privilegiadas, além da melhor qualidade das escolas particulares por eles frequentadas, também conta com outros benefícios: aulas de inglês, viagens e intercâmbios, famílias mais instruídas e acesso a recursos tecnológicos. Fora isso, há a possibilidade de começar a trabalhar sem o foco imediato no retorno financeiro, mas na construção da carreira, como proporcionam os estágios e programas do governo. Para eles o futuro é o foco.

Para os jovens de famílias com baixo poder aquisitivo as possibilidades são mais restritas. Além de não terem acesso aos privilégios citados anteriormente, as condições financeiras dos familiares os obriga a buscar trabalhos que tragam retorno financeiro imediato para custear a sobrevivência. Iniciando a vida profissional mais cedo, sem preparo, acabam em trabalhos operacionais que dificultam seu crescimento profissional e desempenho escolar. Para esses jovens os desafios do presente e o pagamento das contas do mês são a prioridade.

A EDUCAÇÃO E AS DESIGUALDADES SOCIAIS


A educação teve papel importante, iniciando uma luta contra o analfabetismo adulto. A preocupação com a formação dos professores, também é um dos temas em ações de emergenciais, distorceram ainda mais nosso cenário nacional. A pressa foi inimiga da perfeição e hoje é preciso realinhar o ensino angolano com metas iguais para condições desiguais.

As distorções sociais que enfrentamos em nosso país se agravam dia a dia. Além do que, a população em situação de vulnerabilidade social é mutante, flutuante e poderá atingir níveis maiores nos próximos anos. Isso porque essa população não está apenas concentrada nas periferias das cidades. É uma população que se espalha pelas cidades, instalam-se em todos os bairros, percorrem ruas e avenidas principais e saem de uma cidade para outra dificultando a mensuração desta população.

A extensão territorial de nosso país contribui com a diversidade socioeconômica e cultural, dificultando ações locais que necessitam de incentivos governamentais ou estaduais, para reduzir a distorção na oferta de ensino de qualidade.
É importante frisar que a qualidade de ensino, em Angola, é mensurada por exames padronizados que não consideram as diferenças culturais e muito menos as diversidades que cada região do país apresenta.

Então, a educação tem o seu caminho para a equidade social interrompido não por uma pedra, mas por uma cadeia de fatores que necessitam a colaboração social, empresarial e principalmente, dos entes governamentais.

Quando pensamos nas desigualdades sociais de nosso país é mais do que certo que definamos aeducação como a solucionadora ou, pelo menos, a minimizadora de tal situação. A Educação angolana procura se ajustar às novas tendências educacionais no sentido de diminuir e erradicar o enorme abismo social que nossa população enfrenta. Os desafios são muitos e as escolhas das estratégias farão a diferença na tomada de decisão.

Logo na primeira fase as diferenças sociais se evidenciam. A demanda para creche aumenta constantemente e a oferta de vagas nas redes municipais não consegue acompanhar esse crescimento. A fila de espera por uma vaga é grande e injusta quando ocorre a judicialização em determinados casos.

No ensino fundamental a dificuldade é terminar a primeira e a segunda etapa. São gargalos diferenciados. Entretanto, muitas crianças não conseguem acompanhar o ritmo escolar devido às condições sociais em que vivem. Já está mais do que provado que a alimentação, o ambiente domiciliar, a participação da família, entre outros, são fatores determinantes na vida de uma criança. Quando esses fatores são debilitados pela condição social da família o resultado é percebido nas salas de aulas onde as dificuldades aparecem e persistem.

Com os problemas surgidos no ensino fundamental, entrar no ensino médio torna-se cada vez mais distante e a evasão escolar cresce nesta passagem de nível escolar. Aos que conseguem adentrar no ensino médio, carregam a bagagem de despreparo para enfrentar as novas disciplinas. Resultado disso são alunos que saem do ensino médio sem condições acadêmicas suficientes para encarar o ensino superior.

E temos, então, no ensino superior, a mesma situação. Muito embora o número de pessoas que entram em uma faculdade tenha aumentado, incentivados pelos programas nacionais de financiamentos e bolsas de estudos para as instituições particulares, a qualidade do aluno é precária e as dificuldades que se iniciaram no ensino fundamental permanecem.

Os gestores educacionais têm metas a cumprir e as penalidades inerentes do descumprimento das metas não consideram as condições sociais dos alunos. Iguala-se, portanto, os desiguais sem a devida preparação para que esses desiguais possam ter condições de aprimorarem o seu aprendizado, ante as condições sociais em que vivem.

Será difícil, então, reverter esse quadro de desigualdades sociais com o cumprimento de metas que visam muito mais a quantidade da oferta do que a qualidade do ensino.

Sem dúvida a educação escolar é a ferramenta que gera a cidadania. Sem dúvida a educação é capaz de mudar destinos cruéis. Sem dúvida a educação é o que realmente torna uma nação desenvolvida. Mas não se pode exigir que a educação seja a grande responsável por tudo aquilo que as políticas públicas não fizeram: gerar condições de desenvolvimento pessoal pleno e em todos os sentidos.

Não podemos tratar os desiguais como iguais, como se as diferenças não existissem. As diferenças sociais necessitam sim de uma educação de qualidade com iguais oportunidades para todos, dentro dos parâmetros de universalização do ensino que é apregoado pelo governo. Mas é preciso que o ambiente familiar seja tão de qualidade quanto, que o ambiente social seja tão oportuno quanto. A educação pode sim modificar toda a nossa sociedade e nos dar melhores condições de vida, mas se em seus parâmetros as desigualdades sociais não forem consideradas, a educação não dará o seu grande salto.

EVOLUÇÃO E DESIGUALDADE NA EDUCAÇÃO


Nos países mais desenvolvidos a educação é parte das políticas sociais, compondo o núcleo do sistema de promoção social mediante sua capacidade de ampliar as oportunidades para os indivíduos, além de ser um elemento estratégico para o desenvolvimento econômico. Por isso absorve elevada quantidade de recursos públicos. Em Angola, mais recentemente, ocorreram avanços importantes na ampliação do acesso a todos os níveis e modalidades educacionais, chegando à universalização do acesso ao ensino fundamental.

No entanto, ainda é um grave problema a baixa escolaridade média da população e a desigualdade permanente, o que mantém na pauta das discussões a necessidade da universalização da educação básica e a melhoria da qualidade da educação, bem como a eliminação do analfabetismo, com inevitáveis impactos de longo prazo para a área.

Portanto, é de grande importância identificar a evolução e as desigualdades ainda reinantes nas condições educacionais dos angolanos. Nesta direção é que este trabalho procura delinear a dinâmica e o quadro atual da situação da educação da população angolana para servir de subsídio à discussão e formulação de políticas públicas.

Para tanto, começa-se com o que ocorreu com a média de anos de estudo (média de escolarização da população de 15 anos ou mais), que é um dos indicadores utilizados internacionalmente para verificar a situação educacional de determinado país ou região. Apresenta-se um novo indicador denominado de hiato educacional, mede a quantidade de anos de estudos que, em média, faltam aos angolanos que estão abaixo da meta da educação. Em seguida, dimensiona-se e analisa-se a situação do analfabetismo. Por último, procura-se qualificar o acesso à escolarização que ocorreu no período, permitindo, em todos os níveis e modalidades de ensino, se obter um perfil tanto dos sucessos quanto dos fracassos verificados no sistema. Além disso, os indicadores são analisados com ênfase no comportamento das desigualdades educacionais, segundo recortes de renda, localização (urbano/rural), regional, cor ou raça e por sexo.

No que diz respeito ao analfabetismo, mostraram-se as seguintes características: é bem mais acentuado na população negra; as regiões menos desenvolvidas, os municípios de pequeno porte e as zonas rurais são aquelas que apresentam piores índices: está fortemente concentrado na população de baixa renda; o porcentual e a quantidade de analfabetos ampliam-se quanto mais velha é a população. Além disso, constatou-se que a taxa de analfabetismo dentro de uma mesma geração é pouco sensível a mudanças com o passar dos anos. A queda do analfabetismo está ocorrendo pela escolarização da população mais nova e pela própria dinâmica populacional, isto é, com a morte dos idosos analfabetos.

A taxa de escolarização teve incremento para todas as faixas etárias, fato que também ocorreu para as taxas de frequência líquida em todos os níveis de ensino, sendo que os maiores incrementos ocorreram no ensino médio e no ensino superior.

A análise na perspectiva dos níveis de ensino mostrou que na educação infantil os problemas apresentados revelam que a equidade permanece um alvo ainda distante quando se trata do direito das crianças pequenas à educação. Além disso, quanto aos padrões de qualidade, corre-se o risco de que uma possível expansão se faça sem padrões de qualidade adequados, especialmente nos municípios que não contarem com recursos próprios para complementar os gastos. No ensino fundamental o maior desafio é a melhoria da qualidade do ensino (que vale para os demais níveis e modalidades da educação básica). Além disso, salienta-se que o grande desafio é a regularização do fluxo escolar, ou seja, é preciso atingir a universalização na conclusão do ensino fundamental e não apenas seu acesso. No ensino médio os dados mostraram que o país ainda não universalizou este nível de ensino. Além disso, tem-se o desafio de que, se houver a correção de fluxo do ensino fundamental e a ampliação do acesso ao ensino médio em direção à universalização, a capacidade instalada atual para oferta de ensino médio pode ser insuficiente para incorporar, imediatamente, o contingente de todos os jovens de 15 a 17 anos que deveriam frequentar esse nível de ensino. Portanto, são necessárias melhorias e expansão de capacidade física instalada para garantir o acesso e a permanência. No ensino superior também os desafios são ainda maiores, principalmente em razão da baixa frequência e das disparidades e desigualdades de toda ordem existentes.

Pensando em termos de desafios para as políticas educacionais, deve-se mencionar que, para as políticas de alfabetização, o grande desafio é o de repensar os atuais programas de alfabetização de faixas etárias aceitáveis para torná-los mais efetivos e, em seguida, realizar a ampliação de sua cobertura. Outro desafio é acelerar o acúmulo de escolarização da população, o que implica a ampliação do acesso e da permanência da população nas escolas, em todos os níveis e modalidades. Por último, o grande desafio do sistema é a melhoria da qualidade do ensino para todos os níveis e modalidades da educação angolana, prestando atenção redobrada às novas necessidades de conhecimentos e habilidades requeridos no processo de desenvolvimento econômico e social atual.

 

Um primeiro entrave para a proposta apresentada esbarra nas diferentes concepções acerca da pesquisa. De um lado a concepção de pesquisa básica, a qual ocorre na esfera académica e que deve ser “pura e interessada”. De outro lado, a percepção da pesquisa aplicada que precisa ser orientada para determinados fins e geralmente engloba uma concepção de lucro/retorno. Dentro dessa divisão, são estabelecidos papéis para os agentes governamentais. Nesse sentido, temos o que se espera dos agentes geralmente vistos como participantes desta relação:


Fig. 1 - Papel dos agentes governamentais (Fonte: Cruz, 1997).

Uma múltipla articulação, de enésimo grau, entre instituições e organizações da sociedade educacional, sendo o enésimo um indicativo de um número bastante grande de elementos ou instituições articuladas. A não exploração de muitas outras formas e tipos de combinações, que passam pelas organizações mais conhecidas, aquelas mencionadas como típicas, mas também por inúmeras outras organizações – não-governamentais e não-empresariais, por diversos movimentos sociais e vários outros atores (os biólogos, físicos, sociólogos, historiadores e de muitos outros, em suas especializações e subdivisões), as quais assumem papel preponderante na dinâmica do desenvolvimento educacional.


 

CONCLUSÃO


Depois da pesquisa feita concluí-se que diante desse contexto de desigualdade de oportunidades de aprendizagem é previsível que a lacuna entre ricos e pobres cresça ainda mais, junto com todos os problemas sociais que ecoam em consequência. Assim, tornam-se necessárias ações de longo prazo que considerem a educação como estratégia principal de combate às diferenças sociais. A escola pública precisa ser mais bem estruturada que a particular, afinal é nela em que os problemas sociais ecoam com mais intensidade.


 

BIBLIOGRAFIA


A educação e a desigualdade social. Disponível em: http://www.campograndenews.com.br/artigos/a-educacao-e-as-desigualdades-sociais. acessado aos 4 de Maio de 2015.

As diferenças entre o ensino estatal e privado. Disponível em: http://www.orbis.org.br/analise/8/diferenca-entre-ensinos-e-barreira-para-vencer-desigualdadeacessado aos 4 de Maio de 2015.

BARRETO, A.M.F. Relatório de identificação dos principais avanços e obstáculos à promoção da equidade na educação básica e profissional. Brasília, DF, 2007.


 


ÍNDICE







 

 

 

Conservação e protecção da natureza


Introdução

A conservação da natureza é a utilização racional dos recursos naturais, englobando a utilização sustentada, a conservação dos ecossistemas naturais e a regeneração dos ambientes já degradados. Dentre os ecossistemas de relevante importância para a vida na Terra, aparecem as florestas que,
no dizer dos ecologistas, são o sustentáculo da vida no planeta. As florestas são importantes porque atuam nos seguintes processos:

  1. Manutenção do equilíbrio entre O2 e CO2
    Por meio da fotossíntese, as florestas absorvem CO2 e eliminam O2.
  2. Estabilização do clima
    Através do equilíbrio da temperatura e das precipitações atmosféricas, por atuarem na formação de nuvens.
  3. Proteção dos rios e dos solos – manutenção da vida animal.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Conservação da Natureza

 

A sobre-exploração dos recursos naturais, como a água, o solo, a floresta e os oceanos, tem provocado a degradação da Natureza, bem como, perturbações significativas ao nível da paisagem, fauna e flora, contribuindo param o ritmo elevado de extinções de espécies.

Mostra-se assim a fragilidade das várias “faces” da natureza e da sua interdependência.

Com o crescimento da população, só uma gestão sustentável de todos os recursos, indispensáveis às necessidades humanas básicas e às actividades económicas, poderá garantir uma boa qualidade de vida das populações, a manutenção dessas actividades e dos ecossistemas.

 

Constituem recursos naturais todos os bens da natureza que o homem utiliza, como o ar, a água e o solo. Costuma-se classificar os recursos naturais em dois tipos principais: renováveis e não renováveis.

Os recursos naturais renováveis são aqueles que, uma vez utilizados pelo homem, podem ser repostos. Por exemplo: a vegetação (com o reflorestamento), as águas em geral (com excesso dos lençóis fósseis ou artesianos), o ar e o solo (que pode ser recuperado através do pousio, da proteção contra erosão, da adubação correta, da irrigação, etc.)

Os recursos naturais não renováveis são aqueles que se esgotam, ou seja, que não podem ser repostos. Exemplos: o petróleo, o carvão, o ferro, o manganês, o urânio, a bauxita (minério de alumínio), o estanho, etc. Uma vez utilizado o petróleo, por exemplo, através da produção - e da queima - da gasolina, do óleo diesel, do querosene, etc., é evidente que não será possível repor ou reciclar os restos.




Objetivos


O SNUC objetiva a conservação da natureza no Brasil. Especificamente, fornece mecanismos legais às esferas governamentais federal, estadual e municipal e à iniciativa privada para que possam:

  • Contribuir para a manutenção da diversidade biológica e dos recursos genéticos no território nacional e nas águas jurisdicionais;
  • Proteger as espécies ameaçadas de extinção no âmbito regional e nacional;
  • Contribuir para a preservação e a restauração da diversidade de ecossistemas naturais;
  • Promover o desenvolvimento sustentável a partir dos recursos naturais;
  • Promover a utilização dos princípios e práticas de conservação da natureza no processo de desenvolvimento;
  • Proteger paisagens naturais e pouco alteradas de notável beleza cênica;
  • Proteger as características de natureza geológica, geomorfológica, espeleológica, paleontológica e cultural;
  • Proteger e recuperar recursos hídricos e edáficos;
  • Recuperar ou restaurar ecossistemas degradados;
  • Proporcionar meios e incentivos para atividades de pesquisa científica, estudos e monitoramento ambiental;
  • Valorizar econômica e socialmente a diversidade biológica;
  • Favorecer condições e promover a educação e interpretação ambiental, a recreação em contato com a natureza e o turismo ecológico;
  • Proteger os recursos naturais necessários à subsistência de populações tradicionais, respeitando e valorizando seu conhecimento e sua cultura e promovendo-as social e economicamente.

 

 

 

 

 

Conclusão

 

Cheguei a concluir que Proteção e conservação da Natureza Um resíduo é qual quer substância ou objeto de que o ser humano pretende desfazer-se por não lhe reconhecer utilidade. A produção de resíduos é causadora de poluição e tem vindo a aumentar com o desenvolvimento socioeconómico tecnológico das sociedades.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Bibliografia


ProtecçãO E ConservaçãO Da Natureza


pt.slideshare.net/sergiojluiz/proteco-e-conservao-da-natureza

 

 

ESCA - Escola de Saúde Castelo Lda - Angola - Luanda - Benfica Logotipo, Insígnia, Marca, Imagem

ESCA - Escola de Saúde Castelo Lda - Luanda - Angola - Benfica

CIS - Logotipo, imagem, Insígnia Instituto Superior de Ciências Sociais e Relações Internacionais - Angola CIS

CIS - Angola Luanda

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Hardwell feat Jason Derulo Follow Me.mp3 Download


<script type="text/javascript">var zippywww="91";var zippyfile="mHbXseOV";var zippytext="#000000";var zippyback="#f7eff7";var zippyplay="#eb171e";var zippywidth=850;var zippyauto=false;var zippyvol=100;var zippywave = "#000000";var zippyborder = "#cccccc";</script><script type="text/javascript" src="http://api.zippyshare.com/api/embed_new.js"></script>
Download

Os Play Dance Cláudio Vaidade Dance e Mosley Dance