sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Tales de Mileto (624-545 a.C.)



VIDA: Tales é em geral considerado o primeiro filósofo do Ocidente e o pai da ciência. Ele e os pensadores milésios que o seguiram foram os primeiros a procurar explicações naturalistas para os fenômenos, em vez de apelar para os mitos e ações de deuses antropomórficos. Foi um polítco empenhado na luta contra os persas, além de astrônomo e um observador do céu tão atento a ponto de dostrair-se e cair num buraco de rua. Ele foi capaz de prever um eclipse do Sol ocorrido em 585 a.C.

PRINCIPAIS IDEIAS: Segundo Tales, o princípio de tudo está na água. A resposta pode parecer insatisfatória, mas a sua importância está no fato de que pela primeira vez na história do pensamento, busca-se uma solução racional, não mais fantasiosa, para a questão da origem de tudo. Ele parte do princípio de que tudo o que está vivo depende de água.

Bibliografia:
CHAUI, Marilena – Iniciação à Filosofia; Ed. Ática, 2009
LAW, Stephen – Guia Ilustrado Zahar de Filosofia; Ed. Zahar, 2008

Karl Popper (1902-1994)




VIDA E OBRA: Popper é mais conhecido como filósofo da ciência e por suas críticas das filosofias políticas utópicas. Afirma que a ciência não avança fazendo generalizações a partir de observações, mas fazendo conjecturas ousadas que devem ser testadas. É a verificabilidade que dá poder a uma teoria científica. Popper concluiu seu PhD em Viena em 1929. Sua primeira obra A lógica da descoberta científica, esboçou suas ideia sobre o método científico, desenvolvidas depois em Conjecturas e refutações. Em 1937, judeu diante da iminente anexação da Áustria pela Alemanha nazista, Popper emigrou para a Nova Zelândia. Durante a guerra escreveu, A Sociedade aberta e seus inimigos, uma defesa da democracia liberal através de uma crítica da filosofia de Platão, Hegel e Marx. Após o conflito, lecionou na London School of Economics, tornando-se professor em 1949. Em O eu e seu cérebro, escrito com John Eccles, defende uma forma de interacionismo mente-corpo.

PRINCIPAIS IDEIAS: Para os falsificaionistas - entre os quais Popper é um dos mais importantes -, o valor de um conhecimento científico não vem da observação de experiências, mas da possibilidade de a teoria ser contrariada, ou melhor, falseada. Com a ideia de que a teoria precede a experiência, os falsificacionistas admitem que toda explicação científica é hipotética; no entanto, é o melhor que temos.
Quanto mais uma teoria puder ser falseada, melhor seria ela. Por exemplo, ignorando a pressão atmosférica e outros fatores, se dissermos que "a água ferve a 100 graus Celsius", qual a contradição possível, ou melhor, o que tornaria falsa essa afirmação? A resposta seria: ao chegar a 100 graus Celsius a água naão ferveria ou ververia antes. No momento em que uma teoria é falseada, o cientista tentará melhorá-la ou a abandonará. O fundamental é que tenhamos em mente o seu limite.
Karl Popper apontará critérios para uma boa teoria científica: 1. Tem de ser clara e precisa, não podendo ser obscura ou deixar margem para várias interpretações. 2. Deve permitir a falsificabilidade; quanto mais melhor. 3. Deve ser ousada, para progredir em busca de um conhecimento mais aprfundado sobre a realidade.

Bibliografia:
CHAUI, Marilena – Iniciação à Filosofia; Ed. Ática, 2009
LAW, Stephen – Guia Ilustrado Zahar de Filosofia; Ed. Zahar, 2008

Thomas Kuhn (1922-1996)



VIDA E OBRAS: Nasceu nos Estados Unidos. Formado como físico questionou, em A Estrutura da revolução científica, a visão orotodoxa do progresso científico como a acumulação gradual do conhecimento. Em vez disso, propôs que a ciência se desenvolve através de períodos bem definidos.

PRINCIPAIS IDEIAS: Kuhn afirma que há períodos de "ciência normal", em que cientistas dão por certos os pressupostos da estrutura teórica dominante da época, ou "paradigma". Este (a dinâmica newtoniana, por exemplo) dita que tipos de problemas há e os métodos que os cientista usam para resolvê-los. O conceito mais importante para Kuhn é o deparadigma (modelo). Durante um tempo, todos os cientistas procuram orientar suas pesquisas com base em um modelo, de maneira a preservar a verdade científica. O que não se encaixar nesse modelo será excluído; será considerado anomalia, mas isso também pode indicar que o cientista não aplicou corretamente o modelo e sua metodologia.
Para Kuhn, o determinante das normas da ciência é o paradigma aceito pelos cientistas. Mas, por motivos nem sempre racionais, os cientistas mudam de paradigma, após uma crise da ciência normal, o que, em geral, é fundamentado na anomalia, isto é, quando a ciência normal não consegue responder a alguns problemas, como a órbita de Mercúrio para a física newtoniana.
Essa crise se estende até uma revolução científica, quando a maneira de fazer ciência muda completamente. Quando ocorre essa mudança, segundo Kuhn, chega-se a uma nova ciência normal, a partir desse momento praticada com um novo paradigma.
A ordem do desenvolvimento da ciência por ThomasKuhn é a seguinte: 1.Pré-ciência. 2.Ciência normal. 3.Crise. 4.Revolução científica. 5.Nova ciência normal.

Bibliografia:
CHAUI, Marilena – Iniciação à Filosofia; Ed. Ática, 2009
LAW, Stephen – Guia Ilustrado Zahar de Filosofia; Ed. Zahar, 2008

Montesquieu (1689-1755)




VIDA E OBRA:
Charles-Louis de Secondat, barão de Montesquieu, nasceu na França, foi um dos grandes filósofos políticos do Iluminismo. Curioso insaciável, tinha um humor mordaz. Ele escreveu um relatório sobre as várias formas de poder, em que explicou como os governos podem ser preservados da corrupção.Nobre, de família rica, Charles-Louis formou-se em direito na Universidade de Bordeaux, em 1708, e foi para Paris prosseguir em seus estudos. Com a morte do pai, cinco anos depois, voltou à cidade natal, La Brède, para tomar conta das propriedades que herdou.Casou-se com Jeanne Lartigue, uma protestante. O casal teve duas filhas. Em 1716 ele herdou de um tio o título de Barão de La Brède e de Montesquieu, além do cargo de presidente da Câmara de Bordeaux, para atuar em questões judiciais e administrativas da região. Pelos próximos onze anos ele esteve envolvido em julgamentos e aplicações de sentenças, inclusive torturas. Nessa época também participou de estudos acadêmicos, acompanhando os desenvolvimentos científicos e escrevendo teses.Em 1721, Montesquieu publicou as "Cartas Persas", um sucesso instantâneo que lhe trouxe a fama como escritor. Inspirou-se no gosto da época pelas coisas orientais para fazer uma sátira das instituições e dos costumes das sociedades francesa e européia, além de fazer críticas fortes à religião católica e à igreja: foi a primeira vez que isso aconteceu no século 18. O livro tem um estilo divertido, mas também é desanimador: apresenta a virtude e o autoconhecimento como impossíveis de serem atingidos. Montesquieu começou dividir seu tempo entre os salões literários em Paris, os estudos em Bordeaux, o cargo na Câmara e a atividade de escritor. Logo, ele deixaria a função pública para se dedicar aos livros. Foi eleito para a Academia Francesa em 1728. Viajou pela Europa e decidiu morar na Inglaterra, onde ficou por dois anos. Estava muito impressionado com o sistema político inglês e decidido a estudá-lo. Na volta a La Brède, escreveu sua obra-prima, "O Espírito das Leis": foi outro grande sucesso, e também bastante criticada, como haviam sido as "Cartas Persas".
PRINCIPAIS IDEIAS
Montesquieu quis explicar as leis humanas e as instituições sociais: enquanto as leis físicas são regidas por Deus, as regras e instituições são feitas por seres humanos passíveis de falhas. Definiu três tipos de governo existentes: republicanos, monárquicos e despóticos, e organizou um sistema de governo que evitaria o absolutismo, isto é, a autoridade tirânica de um só governante. Para o pensador, o despotismo era um perigo que podia ser prevenido com diferentes organismos exercendo as funções de fazer leis, administrar e julgar. Assim, Montesquieu idealizou o Estado regido por três poderes separados, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário. Essa é a teoria da separação de poderes e teve enorme impacto na política, influenciando a organização das nações modernas. O pensador levou dois anos escrevendo "Em defesa do Espírito das Leis", para responder ao vários críticos.Apesar desse esforço, a Igreja católica colocou "O Espírito das Leis" no seu índice de livros proibidos, o Index Librorum Prohibitorum. Mas isso não impediu o sucesso da obra, que foi publicada em 1748, em dois volumes, em Genebra, na Suíça, para driblar a censura. Seus livros seguintes continuaram a ser controvertidos, desagradando protestantes (jansenistas), católicos ordodoxos, jesuítas e a Universidade Sorbonne, de Paris. Montesquieu morreu, aos 66 anos, de uma febre. Estava quase cego. Deixou sem concluir um ensaio para a Enciclopédia, de Diderot e D'Alembert.

Bibliografia:
CHAUI, Marilena – Iniciação à Filosofia; Ed. Ática, 2009
LAW, Stephen – Guia Ilustrado Zahar de Filosofia; Ed. Zahar, 2008

Kant (1724-1804)


VIDA E OBRAS: Kant caracterizou suas obras como uma ponte entre as tradições racionalista e empirista do século XVIII, e sua revolução na teoria do conhecimento e metafísica talvez seja o desenvolvimento filosófico mais importante dos tempos modernos. Mas sua influência nas áreas da filosofia da religião, ética e estética foi igualmente profunda.
Kant passou toda a sua vida em sua cidade natal, Königsberg, sem jamais se afastar de casa por um dia. Em 1740 ingressou na Universidade de Königsberg. Após se formar foi preceptor particular antes de se tornar docente na universidade, em 1755, ensinando diversas matérias, como física, antropologia e geografia, além de filosofia. Aos 45 anos foi nomeado professor de lógica e metafísica. Ele foi um dos mais influentes filósofos europeus desde os gregos antigos. Sua reputação foi crescendo aos poucos, chegou ao ponto em que ele passou a se preocupar com a direção assumida pelos que se diziam influenciados por sua filosofia, a saber, os primeiros proponentes do que veio a ser conhecido como Idealismo Alemão. Embora nunca fizesse viagens longas e tivesse uma rotina tão sistemática que as pessoas podiam acertar seus relógios por ele, não era uma figura solene. Na verdade, gozava de uma vida rica social e era conhecido por suas brilhantes palestras. Textos essenciais: Crítica da razão pura; Fundamentos da metafísica dos costumes; Crítica da razão prática; Crítica do juízo. 

PRINCIPAIS IDEIAS: O primeiro problema que Kant enfrentou foi descobrir como fazer descobertas positivas sobre o que se situa além da experiência humana. Foi estimulado pela insistência cética de Hume de que o conhecimentos sobre o mundo requer experiência sensorial - que é impossível estender nosso conhecimento apenas usando a razão. Se correta, essa teoria restringe os limites do conhecimento humano. Em particular, torna impossível o conhecimento da existência de substâncias materiais, de causa e efeito e do eu.
Para superar essa dificuldade, Kant tentou mostrar que podemos descobrir verdades significativas sobre a realidade "a priori" examinando as condições de possibilidade de nossa experiência. Em vez de fazer a pergunta tradicional - nosso conhecimento reflete precisamente a realidade? - Kant pergunta como a realidade reflete a nossa cognição. Ele admitiu que o que conhecemos é determinado pela natureza do nosso aparelho sensorial e cognitivo. Em outras palavras, embora se inicie com a experiência, o conhecimento requer ordenação pela mente humana. E é possível usando a razão, descrever a estrutura que a experiência deve assumir e assim descobrir verdades universais sobre nosso mundo.
Então, o que é essa estrutura? Kant observou que toda nossa experiência do mundo é espaço-temporal: espaço e tempo são condições a priori da experiência sensorial e são a estrutura necessária que impomos à nossa experiência. Tentou também isolar as categorias de pensamento que nos permitem organizar o material dos sentidos. Essas categorias são condições necessárias para a possibilidade do conhecimento. Como espaço e tempo, estas são características do mundo tal como aparece para as mentes, não como é em si. Desse modo, Kant supera o ceticismo de Hume, mostrando que podemos adquirir conhecimento do mundo tal como aparece para nós. Mas isso significa que não podemos ter conhecimento do mundo além das aparências. E, como podemos apenas aplicar a razão ao Universo tal como aparece (fenômeno) não podemos usá-la para discutir o Universo como um todo ou o que reside além dele. Isso levou Kant a condenar muita especulação metafísica tradicional - a existência de Deus, a causa do Universo e se ele tem limites no espaço e no tempo, a imortalidade da alma -, já que estas questões não podem ser resolvidas por apelo à experiência real.
Ética: Se a ciência trata do mundo aparente que obedece a leis causais, o que dizer do ser humano? Nossas ações são determinadas por leis físicas? Kant acreditava que era evidente pela experiência que somos livres, e assim devemos ser mais do que seres fenômenicos. Nosso eu numênico é que deve ser a fonte do livre-arbítrio, dando lugar à ação moral. Para Kant, só agentes capazes de deliberar racionalmente sobre suas escolhas podem ser ditos livres. Não podemos esperar que nossos deveres sejam prescritos por nenhuma autoridade mais elevada, nem impostos por nossas emoções: devemos descobri-los por nós mesmos, mediante o uso autônomo da razão.
Um dever moral é uma exigência incondicional ou "categórica" ao nosso comportamento. Não requer que façamos algo pelo que podemos ganhar; diz que devemos fazê-lo só porque é nossa obrigação. Kant compara esses imperativos categóricos, que são genuinamente morais, com os imperativos hipotéticos que não o são. Estes exigem que façamos algo para alcançar alguma outra meta. Para Kant, só um imperativo que tenha realmente alguma aplicação universal (que seja em todas as circunstâncias equivalentes) pode ser moral. Nossa obrigação deve ser sempre agir como desejaríamos que todos os outros agissem. Para Kant, isto equivale a dizer que devemos sempre tratar os outros como fins em si mesmos, e nunca como meios para nossos fins, isto é, devemos respeitar os objetivos dos outros, em vez de usá-los como meios para alcançar os nossos próprios fins.

Bibliografia:
CHAUI, Marilena – Iniciação à Filosofia; Ed. Ática, 2009
LAW, Stephen – Guia Ilustrado Zahar de Filosofia; Ed. Zahar, 2008

Platão (427-347 a.C.)




VIDA E OBRA: Platão foi o primeiro filósofo a construir um corpo de obra substancial e que chegou até nós. Com Aristóteles, foi a mais importante influência da filosofia ocidental.
Nascido numa família ateniense nobre, Platão tinha parentesco com membros do governo aristocrático dos Trinta Tiranos (404-403 a.C.), mas se suas origens não o predispunham contra a democracia ateniense, o julgamento e a execução de seu mestre, Sócrates, em 399, certamente o fizeram. Platão, então com 30 anos, viajou possivelmente ao Egito e mais tarde à Sícilia, onde provavelmente conheceu a filosofia pitagórica. Em 387 retornou a Atenas e fundou a Academia. Baseada no princípio de que os alunos deviam aprender a criticar e a pensar por si mesmos, em vez de aceitar as ideias de seus mestres, esta é considerada a primeira universidade. Muitos dos dos mais brilhantes intelectos do mundo clássico estudaram ali, inclusive Aristóteles. Platão visitou a
Sícilia mais duas vezes para instruir o príncipe Dionísio, na esperança de produzir um soberano-filósofo, mas sem grande sucesso. Sua obras mais importantes são: Apologia; Fédon; República; Leis. Escritos na forma de diálogos.

PRINCIPAIS IDEIAS: Platão observou que afirmações sobre coisas físicas envolvem sempre uma restrição. P. ex., não podemos dizer que um objeto é plenamente belo ou que uma pessoa é completamente corajosa. Eles serão sempre belos ou corajosos sob algum aspecto ou em algum grau, não atingindo o ideal da beleza ou da coragem. Mas se nada no mundo pode ser considerado verdadeiramente belo, como chegarmos ao ideal de beleza? E o que todos os atos de coragem tëm em comum? Platão responde a ambas as perguntas postulando a existência real da "ideia" ou "forma" de beleza, coragem e outros termos gerais. A ideia é o universal a que tais termos se referem. Um carvalho, p. ex., é um membro de uma classe particular de coisas - carvalhos - porque se assemelha a ideia eterna do carvalho. Esta ideia não pode ser observada com os sentidos, ela só pode ser alcançada através de uma espécie de visão intelectual. Esta é, em essência a teoria das ideias, pela qual Platão é mais lembrado.
Conhecimento: Como Heráclito. Platão pensava que as coisas percebidas pelos sentidos estão sempre se tornando outra coisa. Mas o conhecimento, conclui ele, tem que ser daquilo que é plenamente, o que significa, que não podemos ter, de fato, conhecimento do mundo dos sentidos. O conhecimento deve ser o das ideias, isto é, daquilo que não muda, a ideia do carvalho sempre será a ideia do carvalho, ela não perece. Assim, Platão divide a realidade em dois reinos, o mundo físico do vir-a-ser e um mundo do ser constituído por ideias eternas e perfeitas. Cabe ao filósofo atingir esse mundo. Portanto, aprender não é realmente descobrir algo novo, mas recordar, visto que tudo já existe anteriormente no mundo das ideias. Se todo conhecimento é recordação, como afirma Platão, isso mostra que a alma existe antes do nascimento e abre a possibilidade de que ela sobreviva à morte física.
República foi a primeira de muitas tentativas de delinear uma cidade ideal. Platão rejeita a democracia como sistema de governo, alegando que o povo não está qualificado para governar. Seu modelo é um Estado em que o conflito eterno foi abolido e cada cidadão cumpre seu papel. Isso significa instituir um regime rigoroso de treinamento e seleção para produzir um grupo de elite de governantes sábios e incorruptíveis. Estes, os guardiões de seu Estado, merecerão o nome de "filósofos", porque serão genuínos amantes da sabedoria. E eles devem adquirir o conhecimento do bem, para poder governar efetivamente em nome do bem do Estado como um todo.

Bibliografia:
CHAUI, Marilena – Iniciação à Filosofia; Ed. Ática, 2009
LAW, Stephen – Guia Ilustrado Zahar de Filosofia; Ed. Zahar, 2008

Rousseau (1712-1778)




VIDA E OBRA: Jean-Jacques Rousseau é conhecido como o primeiro filósofo do Romantismo e por seu Contrato social, em que afirma que o ser humano é inatamente bom e tem seu comportamento corrompido pela sociedade. Produziu também peças, poesia, música e uma das mais notáveis autobiografias da literatura européia.
Ao fugir de casa aos 16 anos, Rousseau foi para a França, onde ele se tornou protegido de madame de Warens, que o converteu ao catolicismo e se tornou sua amante. Rousseau ganhou a vida como preceptor, músico e escritor, primeiro em Lyon e, após 1742, em Paris. Ali viveu com uma mulher com quem teve cinco filhos ilegítimos, todos entregues a um orfanato. Colaborou com a Enciclopédia de Diderot. Em 1750, seu Discurso sobre as ciências e as artes ganhou o prêmio da Academia de Dijon. No subsequente Discurso sobre a origem da desigualdade, desenvolveu suas ideias sobre a influência corruptora da sociedade. Em 1762 publicouEmilio, em que expõe sua teoria educacional, e esbouçou sua teoria poltica em O contrato social. Foi perseguido por essas obras e teve seus livros queimados em sua Genebra natal. Ele entrou em um período conturbado, e em certa altura hospedou-se com David Hume na Inglaterra, mas suas acusações paranóicas a seu anfitrião o levaram de volta a Paris.

PRINCIPAIS IDEIAS: Como Hobbes antes dele, Rousseau iniciou sua filosofia política em O Contrato Social imaginado os seres humanos num "estado de natureza" para descrever as origens da organização social. Diferentemente de Hobbes, apresenta uma concepção romântica da natureza humana. Segundo Rousseau, em seu estado original mítico os seres humanos estão em união com a natureza e exibem compaixão natural uns pelos outros. É a sociedade que representa a origem da orpessão e da desigualdade, à medida que o desenvolvimento da razão corrompe e sufoca nossos sentimentos naturais de piedade.
Rousseau imagina um modo de organização diferente para a sociedade, acreditando que, à medida que as pessoas começassem a ver os benefícios da cooperação, poderiam abrir mão de bom grado de seus direitos naturais para se submeter à "vontade geral" da sociedade. A vontade geral não é simplesmente um agregado das vontades de cada indivíduo, mas o desejo do bem comum da sociedade como um todo. A liberdade em tal sociedade, para Rousseau, não era uma questão de se ter permissão para fazer o que bem se entende, pois satisfazer os próprios desejos não é liberdade, e sim, uma escrqavização às paixões. A liberdade genuína envolve viver segundo regras sociais que expressam a vontade geral, da qual cada um é participante ativo.

Bibliografia:
CHAUI, Marilena – Iniciação à Filosofia; Ed. Ática, 2009
LAW, Stephen – Guia Ilustrado Zahar de Filosofia; Ed. Zahar, 2008

Hume (1711-1776)


VIDA E OBRA: Hume nasceu numa família de pequenos proprietários de terra na fronteira da Escócia e estudou direito na Universidade de Edimburgo. Rejeitou as ideias presbiterianas de sua criação e, após se formar, mudou-se para La Flèche, no norte da França, onde Descartes havia estudado. Ali se concentrou em sua escrita, e em 1739 publicou o Tratado da Natureza Humana. Candidatou-se à cátedra de filosofia nas Universidades de Edimburgo e Glascow, sem sucesso - decerto por causa de sua reputação a favor do ceticismo, em particular no tocante à religião. Seus Diálogos, que fizeram alguns dos mais desvastadores ataques à crença religiosa no cânone filosófico, só foram publicados após a sua morte.

PRINCIPAIS IDEIAS: Hume tentou descrever a mente humana da mesma maneira que outros fenômenos naturais, encontrando as leis gerais que explicam todos os processos mentais. Seguindo as pegadas empiristas de Locke e Berkeley, via os sentidos como fonte chave de conhecimento. Ele dividiu os conteúdos da mente em duas categorias: "impressões", as percepções que afetam os nossos sentidos; e "ideias", cópias menos vívidas das impressões. As ideias são os conceitos e pensamentos de coisas que não estamos mais experimentando, mas somos capazes de lembrá-las em nossa mente. O sentido filosófico dessa distinção é insistir que não há nada na mente - nem mesmo o pensamento mais abstrato - que não seja simplesmente sensação transformada. Para Hume todos os nossos raciocínios sobre os fatos estão baseados na relação de causa e efeito e, estes, por sua vez, estão baseados na experiência. Para Hume há um problema na fundamentação da ciência por meio da observação da experiência porque pela experiência eu apenas desenvolvo um hábito com relação aos acontecimentos, por exemplo, o que me garante que o Sol nascerá amanhã, assim como vem nascendo desde sempre? Eu só acredito que ele nascerá porque até hoje eu nunca vi acontecer o contrário. Ora, as leis da natureza são as interpretações que fazemos dela. Cada princípio científico pode ser contrariado pela natureza porque não é fundamentado pela razão. Nós prevemos, como se fosse um hábito psicológico.

Bibliografia:
CHAUI, Marilena – Iniciação à Filosofia; Ed. Ática, 2009
LAW, Stephen – Guia Ilustrado Zahar de Filosofia; Ed. Zahar, 2008