sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Marx (1818-1883)




VIDA E OBRA: As ideias de Marx tiveram um efeito profundo na história mundial: 66 anos após sua morte, cerca de um terço da população do globo vivia sob regimes que se diziam fiéis à sua filosofia. Marx pensava que a realidade era historicamente constituída, contendo conflitos internos que levam a mudanças.
Karl Marx nasceu na Alemanha. Embora os ancestrais de Marx fossem rabinos, seus pais se converteram ao luteranismo e ele foi veementemente anti-religioso desde muito jovem. Estudou Direito na universidade, mas voltou-se para a filosofia, mostrando seu interesse precoce pelo materialismo ao fazer sua tese de doutorado sobre os atomistas gregos, Demócrito e Epicuro. Envolveu-se com os Jovens Hegelianos, sendo particularmente influenciado pela versão materialista do hegelianismo de Feuerbach, mas seu ateísmo o excluiu da carreira acadêmica. Em 1843 foi para Paris e conheceu Friedrich Engels, que se tornaria seu colaborador por toda a vida. A família de Engels conduzia um próspero negócio em Manchester, e através dele Marx se inteirou das condições na Inglaterra industrial e da teoria econômica britânica. Exilados em 1845, os dois foram para Bruxelas, onde escreveram o Manifesto Comunista (1848). Voltaram à Alemanha para participar da revolução daquele ano, mas Marx teve que buscar refúgio em Londres, onde passou o resto da vida com a família na pobreza, sustentado pelo negócio de Engels. O primeiro volume do notável O Capital foi lançado em 1867; o segundo e o terceiro foram publicados póstumamente.

PRINCIPAIS IDEIAS: Como Hegel, Marx acreditava que o processo histórico estava aberto à investigação racional e que a lei que governava suas transformações era dialética - em outras palavras, as situações históricas contêm conflitos internos que as tornam instáveis, levando à sua extinção e ao surgimento de um novo estado de coisas. Diferentemente de Hegel, contudo, via a lógica que impelia o curso da história como firmemente material, não espiritual. Já que o motor da mudança social eram forças materiais que afetam as ações humanas. Marx passou a focalizar a economia. Segundo ele, são os meios de produção e distribuição, e o conflito dialético entre diferentes classes sócioeconômicas que estes geram, que determinam o curso da história. Eles compelem as mudanças sociais observáveis entre, digamos, sociedades feudais e industriais, e determinam a natrueza de classes sociais distintas e conflitos de classes.
Marx analisou o capitalismo em termos de oposição entre os que possuem os meios de produção, os capitalistas, e os operários industriais. O trabalho é a fonte última de valor, e o lucro é o resultado da exploração dos operários: extrai-se mais valor do seu trabalho do que eles recebem em salários. Os operários são alienados dos produtos do seu trabalho porque não têm posse sobre eles, e são dsumanizados e isolados pela produção em massa. Segundo Marx, o capitalismo conduz inevitavelmente a uma maior polarização entre capitalistas e operários, à medida que lucros sempre maiores são extorquidos de uma força de trabalho cada vez maior e mais empobrecida. Isso terminará por levar à revolução. Depois que os operários assumirem o controle dos meios de produção, os lucros serão usados em benefício de todos, pondo fim ao conflito de classes e aos processo de mudança dialética. Marx considerava essa análise uma demonstração científica da inevitabilidade do fim da história e da instituição do comunismo.

Bibliografia:
CHAUI, Marilena – Iniciação à Filosofia; Ed. Ática, 2009
LAW, Stephen – Guia Ilustrado Zahar de Filosofia; Ed. Zahar, 2008

Santo Agostinho (354-430)



VIDA E OBRA: Um dos grandes santos da fé católica, Agostinho produziu, segundo ele próprio, inacreditáveis 230 obras. As mais conhecidas são sua autobiografia, asConfissões, em que narra sua vida pecaminosa e a descoberta de Deus, e a Cidade de Deus, sua descrição do reino divino.
Agostinho foi criado como um cristão por sua mãe na África do Norte, mas, na juventude, quando estudava em Cartago, ficou insatisfeito com a aparente simploriedade das escrituras cristãs. Em busca de uma religião digna de um filósofo, tornou-se seguidor dos maniqueístas, seita fundada pelo profeta Mani, crucificado na Pérsia em 277.
Embora, segundo suas Confissões, o tempo que passou em Cartago e nas proximidades, estudando e depois ensinando, tenha sido bastante licencioso, aos 18 anos, foi morar com a mãe de seu filho. Não se sabe porque nunca se casaram; talvez ela fosse ex-escrava, caso em que o casamento seria proibido pela lei romana. Em 384 a família mudou-se para a Itália, onde Agostinho entrou em contato com o neoplatonismo, que, vencendo sua relutância, ajudou a convencê-lo a se reconverter ao cristianismo em 386. Ele retornou à África do Norte em 391, agora preparado para uma vida de celibato, e tornou-se presbítero e, mais tarde, bispode Hipona. fundou uma comunidade de discípulos em sua cidade natal, Tagaste, na Numídia. Morreu em Hipona aos 75 anos, quando a cidade estava cercada por vândalos que, em seguida, a saquearam.
PRINCIPAIS IDEIAS: Agostinho abandonou a fé cristã inicial sobretudo por não poder compreender a ideia de um criador imaterial do universo material, e por sua incapacidade de lidar com os problemas do mal e do sofrimento. Esta última dificuldade surge da fé cristã de que seu Deus-criador é consciente, misericordioso e onipotente. Um ser assim teria conhecimento do mal em sua criação e seria tanto propenso a quanto capaz de eliminá-lo. O fato de não tê-lo feito pesa fortemente contra a sua existência.
Talvez não surpreenda, portanto, que o maniqueísmo tenha parecido de início mais satisfatório a Agostinho, pois caracteriza o universo em termos de luta entre o bem e o mal.
Mas o maniqueísmo não forneceu uma solução duradoura para a mente inquisitiva de Agostinho, e seus embates com as obras de Platão e Plotino ofereceram-lhe uma saída para essas dificuldades. A ideia neoplatônica de um mundo imaterial de ideias e do bem ou o uno como o princípio primeiro de todo ser dava lugar para um criador espiritual que é a causa de todas as coisas. Só Deus é inteiramente real; o mundo criado é menos real por estar diante dele. Ao mesmo tempo, Deus ilumina objetos de contemplação intelectual. Assim, enquanto os sentidos são uma fonte inconfiável de conhecimento, a compreensão genuína começa com a contemplação da própria mente e eleva-se gradualmente até a contemplação de Deus. Por fim, a verdadeira iluminação espiritual é alcançada através da união com Deus.
A concepção que Agostinho desenvolveu de pecado original - a queda - como fonte de sofrimento, condizente com o relato do Gênesis, tornou-se a concepção oficial da Igreja. A culpa de Adão é transmitida através das gerações, tornando-nos todos justamente puníveis.
Uma justificação do mal: A teodicéia de Agostinho continua sendo uma das maneiras mais engenhosas de lidar com o problema do mal. Tudo o que Deus criou é bom, e o mal só ocorre quando sua criação é corrompida. Assim, Deus não pode ser considerado resposável pela criação do mal, que decorre das ações livres de anjos e homens.

Bibliografia:
CHAUI, Marilena – Iniciação à Filosofia; Ed. Ática, 2009
LAW, Stephen – Guia Ilustrado Zahar de Filosofia; Ed. Zahar, 2008

Aristóteles (384-322 a.C.)





VIDA: Aristóteles nasceu em Estagira, no norte da Grécia. Tinha ligações com a família real da Macedônia, seu pai sendo médico do rei Filipe. Aos 17 anos foi enviado para estudar na Academia de Platão, em Atenas. Permaneceu ali por 20 anos até a morte de Platão. Em 343 aceitou o convite para se tornar o preceptor de Alexandre, filho do rei Macedônio. Voltou para Atenas com 49 anos e fundou o Liceu. Como Sócrates, porém, foi acusado de impiedade. Fugiu para não permitir que os atenienses "pecassem duas vezes contra a filosofia", mas morreu um ano depois de uma doença estomacal.

PRINCIPAIS IDEIAS: A simples extensão da obra de Aristóteles é assombrosa, e as disciplinas e termos que utilizou diram até hoje: ética, lógica, metafísica, meteorologia, física, economia e psicologia. Há mais de 2000 anos sua influência sobre o pensamento europeu tem sido profunda. Aristóteles desconfiava das ideias de Platão com respeito ao mundo dos sentidos, sua busca teve um caráter mais empírico e valoriza as investigações gradativas do cientista. Para ele o conhecimento deve se fundar no que podemos experimentar, portanto, o seu ponto de partida é contrário ao de Platão que valorizava o "mundo das ideias", para ele, o ponto de partida deve ser os sentidos, o mundo da experiência, ir além disso é se perder no misticismo.
Aristóteles definia as coisas em termos das finalidades que elas tinham. Assim, não existe algo como a árvore ideal, distinta daquelas que crescem à nossa volta. As coisas ou "substâncias" consistem não só em matéria física bruta, mas também na forma que assumem. O que torna uma planta ou animal o que ele é não é a matéria de que é composto, mas o modo como esta se organiza. Diferentes árvores são a mesma coisa não por se assemelharem a ideia de árvore como pensava Platão, mas por possuirem uma estrutura comum.
Arsitóteles nos vê fundamentalmente como seres sociais, e o governo uma instituição para nos ajudar a alcançar uma boa vida na sociedade. Como seu papel é facilitar e não impor, ele rejeita a ideia do Estado de Platão governado por filósofos, julgando a democracia mais apta a alcançar essa meta.
PRINCIPAIS OBRAS: Metafísica; Ética a Nicômaco; Politica; Tratado da Alma.
fonte: LAW, Stephen; Guia Ilustrado Zahar - Filosofia, Jorge Zahar, ED. 2008

Schopenhauer (1788-1860)




VIDA E OBRA: A prosa de Schopenhauer está entre as mais magníficas na língua alemã, mas sua filosofia é conhecida pelo pessimismo, que ele contrapôs ao otimismo de Hegel, seu contemporâneo. A vida é um processo de contínuo sofrimento para o qual a arte pode ser uma trégua temporária.
Na infância, Schopenhauer passou períodos em Hamburgo, Paris e num internato inglês. Em 1806, após a morte do pai, possivelmente por suicídio, mudou-se com a mãe para Weimar. Ela era uma romancista de sucesso e promovia saraus literários na casa da família. O jovem Schopenhauer teve uma educação liberal. Doutourou-se na Universidade de Iena e iniciou uma carreira acadêmica, assumindo um cargo na Universidade de Berlim. Ensinou ali ao mesmo tempo que Hegel, a quem desprezava, rotulando-o como charlatão. Schopenhauer acabou deixando a universidade. Viveu o resto de seus dias de sua herança, uma figura solitária e irascível que alcançou certa fama mais tarde na vida.
Schopenhauer chegou ao seu sistema filosófico relativamente cedo em sua carreira, como exposto em Sobre a raiz quadrupla do princípio da razão suficiente e O Mundo como vontade e como representação. Suas obras posteriores são essencialmente defesas e refinamentos desse sistema. Produziu também dois ensaios importantes, Sobre a liberdade da vontade Sobre a base da moralidade.

PRINCIPAIS IDEIAS: Schopenhauer segue Kant, tratando o mundo do fenômeno (o mundo em que vivemos) como sujeito à determinação causal. Mas enquanto para Kant o mundo numênico (o mundo como ele é em si mesmo) estava além do nosso conhecimento. Schopenhauer afirmava que podemos ter acesso a ele "a partir de dentro", através da "vontade". Ele identifica a vontade como uma força impessoal que controla todas as coisas, inclusive nós. Enquanto que no mundo em que vivemos, as coisas nos aparecem de forma diversa, há uma pluralidade, a vontade é a força única que está por trás de tudo o que vemos e ela nos rege. O Universo é, portanto, um grande impulso cósmico para a existência manifestada em seres conscientes particulares, isto é, nós somos manifestação da vontade inconsciente que rege todo o Universo.
Influenciado pelo pensamento hindu, Schopenhauer chama o reino fenômenico de "o véu de Maia", caracterizado como um ciclo interminável de luta e sofrimento. A vontade produz desejos nunca totalmente saciáveis, e como estamos sujeitos ao seu controle, não temos domínio sobre nossas próprias vidas - daí o famoso pessimismo de Schopenhauer.
Existe uma forma de escapar desse ciclo interminável do desejo e Schopenhauer encontrará nas artes, uma forma de entrar em contato com essa totalidade que permeia tudo, mas, essa forma de transcendência dura o tempo que dura a fruição de uma obra de arte.
Porém, existe outra via para escapar do sofrimento e pode ser encontrada na superação da luta produzida pela vontade, que podemos alcançar seguindo um estilo de vida ascético.

Bibliografia:
CHAUI, Marilena – Iniciação à Filosofia; Ed. Ática, 2009
LAW, Stephen – Guia Ilustrado Zahar de Filosofia; Ed. Zahar, 2008

Sócrates (469-399 a.C.)




VIDA: Pouco sabemos sobre os detalhes da vida de Sócrates. Nasceu em Atenas, filho de um escultor e de uma parteira. Quando jovem, serviu no exército contra Esparta na Guerra do Peloponeso, mas, fora isso, sempre viveu em Atenas, onde se casou e teve vários filhos. A julgar pelas descrições tinha uma cara feia. Ficava parado por horas, aparentemente perdido em pensamentos. Contudo, tinha grande senso de humor, e sua graça e carisma atraíram a devoção de muitos. Suas indagações críticas, contudo, irritavam alguns atenienses. Embora tenha sobrevivido à Era dos Trinta Tiranos, após a derrota de Atenas por Esparta, apenas quatro anos depois que a democracia foi restabelecida, Sócrates foi levado a julgamento e condenado à morte por desrespeito aos deuses e por corromper os jovens. Poderia ter fugido, mas ecolheu aceitar sua sentença e tomou voluntariamente a cicuta que o matou. Platão assistiu ao julgamento e se sentiu inspirado a preservar a sua memória em diálogos.

PRINCIPAIS IDEIAS: Sócrates interessava-se sobretudo pelas questões morais que afetam nossas vidas, como o que é justo, corajoso e bom. Considerava que sua missão era expor a ignorância dos outros quanto à verdadeira natureza dessas virtudes e era conhecido por constranger os sábios da época ao revelar a confusão implícita em seus pensamentos morais. Iniciava sua abordagem fazendo a seus interlocutores uma pergunta como "o que é a coragem?" ou "o que é o amor?" e passava a examinar as limitações das respostas. Buscava não uma definiçao de dicionário, mas as naturezas essenciais desses conceitos: em outras palavras, o que é que todos os atos corajosos compartilham que os torna corajosos. Nossa dificuldade em descobrir a essência desses conceitos revelava, segundo ele, a profunda ignorância em que todos vivemos quanto ao que realmente importa.
Para Sócrates, o relevante era o espírito crítico, assim como o reconhecimento da própria ignorância era o primeiro e decisivo passo para o conhecimento.
A sua principal tese com relação a ética era a de que a integridade moral é sua própria recompensa. Ele dizia que fazer o mal prejudica o perpretrador muito mais do aquele a quem o mal é feito, pois, embora infortúnios externos possam ocorrer, a verdadeira boa vida consiste em pureza da alma. Para ele as más ações era resultado de ignorância. Segue-se que o conhecimento da virtude moral é de nosso maior interesse e deveria ser nosso objetivo essencial, e que expor a ignorância de outrem é fazer-lhe um favor.
fonte: LAW, Stephen; Guia Ilustrado Zahar - Filosofia, Jorge Zahar, ED. 2008

Epicuro (341-270 a.C.)



VIDA: Em suas escavações, os arqueólogos notaram que nas casas gregas e romanas havia um grande número de estátuas com a efígie de Epicuro, às vezes até de pequenas dimensões. É verdade que os antigos gostavam de colecionar imagens dos sábios, mas este é um caso especial, porque as estátuas do filósofo de Samos estavam presentes mesmo nas casas dos homens comuns, sem interesses intelectuais. A explicação para esse fato é de grande relevância filosófica: acreditava-se que contemplar o rosto de Epicuro tivesse o poder de aquietar o espírito. Epicuro comparava a sua filosofia à medicina: queria ser o médico da alma. A escola de Epicuro devia ser muito semelhante a uma casa de cura: um simples e tranquilo jardim nos arredores de Atenas, distante do ruído da cidade e da política. Ali o filósofo acolhia a todos, sem distinção: mulheres, escravos até mesmo prostitutas em crise. Curava o corpo com os medicamentos mais adequados e, o espírito, com a força do exemplo. E, mesmo gravemente doente e sofredor, na última carta que escreveu a um amigo saudava a vida: doce, feliz e sempre digna de ser vivida.

PRINCIPAIS IDEIAS: Para Epicuro o objetivo da vida feliz é o prazer, mas, em que consiste a felicidade? É bom ter muitos desejos? Segundo este filósofo o prazer e a felicidade são certamente os critérios condutores do ser humano. O problema está em definir qual é o verdadeiro prazer e como otimizar o bem-estar pessoal, lembrando que a um prazer imediato corresponde muitas vezes uma dor futura. Segundo Epicuro a solução mais sábia está em submeter a busca da felicidade ao juízo da razão. É preciso, portanto, eliminar os medos inúteis (da morte, dos deuses, da dor), moderar as necessidades de modo que o seu gozo não se transforme no contrário e, principalmente, a tranquilidade do espírito, a serenidade.
Cálculo do prazer - Consiste na ideia de Epicuro de que é possível maximizar o bem-estar da vida por meio do cuidadoso cálculo matemático, dos sacrifícios e do prazer decorrentes de um comportamento. O cálculo não deve considerar somente as consequencias imediatas, mas também, as de longo prazo, posto que, frequentemente, satisfazer um desejo provoca uma imediata felicidade.
Necessidades - Epicuro distingue três tipos de necessidades: 1) Necessidades naturais e essenciais, a serem saciadas sempre (por exemplo, a fome, a sede, o sono). Dependem das necessidades biológicas do corpo e, se não forem satisfeitas, produzem a morte. 2) Necessidades naturais e não essenciais, a serem buscadas com moderação ou nem mesmo assim (por exemplo, comer bem ou demais, exceder-se nas práticas sexuais). 3) Necessidades não naturais e não essenciais, que nunca devem ser buscadas, pela sua natureza artificial (glória, sucesso, riqueza, riqueza, beleza).
Hedonismo - Corresponde à doutrina do Epicurismo, pela qual o prazer é o fim e o princípio de uma vida feliz, objetivo em direção ao qual todo indivíduo orienta a própria ação. No entanto, segundo Epicuro, é preciso distinguir entre prazer efêmero (felicidade, alegria) e prazer estável, definido pela negativa, como ausência de dor. Dado que somente o segundo tipo de prazer é perseguido pele sábio, o Epicurismo condena a tentativa de satisfazer indiscriminadamente todo desejo, defendendo a necessidade do racionalismo ético, ou seja, um sensato controle da razão sobre as emoções e as pulsões do espírito.
Bibliografia:
CHAUI, Marilena – Iniciação à Filosofia; Ed. Ática, 2009
LAW, Stephen – Guia Ilustrado Zahar de Filosofia; Ed. Zahar, 2008

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

A HIGIENE DA GINÁSTICA DO LACTENTE


INTRODUÇÃO
O presente trabalho faz abordagem da higiene do lactente, principalmente aos olhos do adulto ou do educador. É evidente que a higienização do corpo do lactente proporciona bem-estar da criança e o protege de certas crises ou doenças corporais. Este trabalho tem como objectivo principal focalizar os aspectos do educador frente a higiene da criança e velar pela atitude do adulto concerne a higienização do lactente principalmente no centro infantil. Falar da higiene do lactente é falar sobre a protecção corporal e do seu bem-estar.





A HIGIENE DA GINÁSTICA DO LACTENTE
Conceito de um lactente
A criança que ainda mama, que se alimenta de leite materno ou de outro tipo de leite por meio de uma mamadeira.
A primeira infância é a fase na qual se regista grande neuroplasticidade e as mudanças neuropsicomotoras contribuem para um melhor desenvolvimento infantil.
O desenvolvimento motor é dependente das experiências sensoriomotoras oferecidas pelo ambiente e o lactente compreende e apreende melhor o seu mundo por meio de diversificadas informações provenientes dos estímulos recebidos pela visão, audição, pelo toque e pela manipulação de objectos. Considera-se um desenvolvimento sensorial adequado quando esse se encontra de acordo com os princípios da integração sensorial, os quais se relacionam às bases neurológicas e aos aspectos comportamentais. Um comportamento adaptado é resultado de uma eficaz integração sensorial.
Também um processamento efectivo, em nível cortical, dos estímulos sensoriais é fundamental para o desenvolvimento das funções percetivomotoras, emocionais e cognitivas.
A maturação biológica define os parâmetros do desenvolvimento do latente, notadamente os factores de ordem estrutural e funcional, como a massa corporal, a estatura, a força e a coordenação; mas o ambiente (contexto físico, cultural e social) e a solicitação de tarefas influenciam o desenvolvimento sensorial do lactente.
Crescimento e Desenvolvimento do Lactente
Os primeiros anos de vida de uma criança são caracterizados por mudanças fisiológicas, metabólicas e psíquicas profundas. É importante o destaque ao crescimento acelerado e às habilidades para receber, mastigar e digerir outros alimentos além do leite materno. A criança cresce, em média, 25 cm no primeiro ano de vida e 12 cm no segundo ano, passando a partir dos três anos ao crescimento de 5 a 7 cm ao ano.
As capacidades neurológicas e psicomotoras são rápidas e a criança já apoia a cabeça aos 4-5 meses de idade e é capaz de sentar sem apoio aos seis meses. Desse modo, torna-se imprescindível a atenção nutricional para esse grupo populacional, já que deficiências nutricionais e condutas alimentares inadequadas comprometem a saúde da criança e deixam sequelas futuras como retardo de crescimento, atraso escolar e desenvolvimento de doenças crónicas.
No nascimento, o pequeno ser começa a enfrentar um tipo de existência completamente nova. Seu habitat líquido foi trocado por um habitat aéreo e sua energia deverá ser obtida de maneira totalmente nova. Os elementos orgânicos e minerais indispensáveis não lhe são mais trazidos pela circulação materna, mas obtidos pelos alimentos por meio dos complexos processos de digestão, absorção e assimilação.
O reflexo de sucção, coordenado com o de deglutição, conferem ao recém-nascido a capacidade de obter e deglutir líquidos. Esta capacidade reflexa já está presente na vida intra-uterina, tendo continuidade no acto de amamentação, pela busca do seio, sucção e deglutição de leite.
 
A alimentação do recém-nascido deve visar à manutenção de adequado crescimento pôndero-estatural, sempre que possível com o aleitamento materno. O aporte nutricional recomendado para lactente a termo é principalmente baseado na concentração de nutrientes do leite materno. O lactente digere e assimila bem proteínas desde os primeiros dias, instalando-se balanço nitrogenado positivo nos três a quatro primeiros dias, quer em aleitamento natural quer em artificial. A absorção de proteínas é cerca de 90% do ingerido.
Após o nascimento, as reservas hepáticas de glicogênio esgotam-se rapidamente, e essa exaustão é seguida pela utilização intensa de gorduras para a produção de energia. A glicemia ao nascer é, em geral, 70% da glicemia materna (cerca de 50 a 100mg/dL).
A galactose, nutriente abundante na alimentação láctea, é removida rapidamente do sangue em recém-nascidos normais, após o que se eleva glicemia. As necessidades de carboidratos nos primeiros dias são de 10 a 15g/kg/dia.
Em algumas horas de vida, a lipemia eleva-se e atinge os valores do adulto ao redor do quarto ao sexto dia no recém-nascido a termo. Após o nascimento, o depósito hepático de gordura pode substituir o glicogênio na geração de energia, o que ocorre com mais intensidade no jejum prolongado.
O educador frente a alimentação do lactente
O conhecimento correcto e actualizado sobre a alimentação da criança sadia é essencial para a avaliação e a orientação adequadas sobre sua nutrição. Boas práticas alimentares irão fornecer, em quantidade e qualidade, alimentos adequados para suprir as necessidades nutricionais definidas pelo crescimento e desenvolvimento da criança, apresentando-os em consistência adequada, para assim proteger suas vias aéreas contra a aspiração, não excedendo a capacidade funcional dos sistemas orgânicos (cardio-vascular, digestivo e renal).
O consumo precoce de alimentos complementares interfere na manutenção do aleitamento materno, muitas vezes, estes alimentos não suprem as necessidades nutricionais dessa faixa etária, na qual a velocidade de crescimento é elevada, tornando os lactentes mais vulneráveis tanto à desnutrição quanto a deficiências de certos micronutrientes.
Preconizar o uso de leite materno exclusivo até os seis meses deidade. A partir deste período, está indicada a introdução de alimentos complementares, e deve-se promover a manutenção da amamentação até os dois anos ou mais.

O educador/adulto frente a higiene da alimentação do lactente
É necessário que tenhamos em mente de que:
·         Dar somente leite materno, sem oferecer água, chás ou quaisquer outros alimentos.
·         Introduzir de forma lenta e gradual outros alimentos.
·         A alimentação complementar deverá ser oferecida sem rigidez de horários, respeitando-se sempre a vontade da criança.
·         A alimentação complementar deve ser espessa desde o início e oferecida com colher; começar com consistência pastosa (papas/purés) e, gradativamente, aumentar a consistência até chegar à alimentação da família.
·         Oferecer à criança diferentes alimentos ao dia. Uma alimentação variada é, também, uma alimentação colorida.
·         Evitar açúcar, café, enlatados, frituras, refrigerantes, salgadinhos e outras guloseimas nos primeiros anos de vida. Usar sal com moderação.
·         Cuidar da higiene no preparo e manuseio dos alimentos; garantir o seu armazenamento e conservação adequados.
O educador/adulto frente a higiene corporal do lactente
Para a higienização do lactente é necessário que o adulto tenha os seguintes cuidados:
1- Seja qual for o sexo do lactente, o adulto precisa tomar cuidado com o sentido da limpeza. O papel ou lenço humedecido precisa passar de frente para trás, para não correr o risco de as fezes entrarem em contacto com os genitais da criança.
2- Em meninas, esse cuidado deve ser redobrado, já que elas são muito mais susceptíveis às infecções do que os meninos.
3- Em meninos, o cuidado deve ser ao abrir o prepúcio para higienizar o pénis. A pele costuma ser mesmo mais grossa (o que caracteriza a fimose em lactentes). O assunto é polémico, mas antes de consultar um médico, nunca force a pele para expor a glande. Isso pode machucar e causar traumas.
4- Assim que perceber que o lactente fez necessidades, troque-a imediatamente.
5- Dê sempre preferência a lavar o lactente com água e sabão, o que garante uma limpeza mais profunda.
6- Caso não seja possível dar um banho no pequeno, o lenço humedecido ajuda. Mas também há a possibilidade de usar um algodão banhado em água para limpar.
7- Tanto o lenço, quanto o algodão, não podem ser repassados nas nádegas ou genitais do lactente. No caso do lenço, que é mais fino, evite, inclusive, usar o verso.
8- Use pomadas contra assaduras em todas as dobrinhas para que a criança não sofra com as inflamações na pele.
9- Fique sempre atenta às reacções da criança quanto aos produtos usados. Qualquer marca estranha pode ser uma reacção alérgica.
10- Tome ainda o cuidado de deixar o lactente sempre completamente seco antes de vestir.
O educador frente aos cuidados higiénicos do lactente
O educador de creche que se dedica ao atendimento de crianças de zero a dois anos, invariavelmente, confronta-se com o impasse de “ser ou não ser mãe” dessas crianças. Claro está que a função educativa não é a única por ele desempenhada. Atestamos isso ao recolher a seguinte afirmação de Rizzo (1984, p. 22): “A creche existe para exercer pela mãe, embora não assumindo seu lugar, as actividades tipicamente maternais junto ao seu filho, prestando-lhe assistência integral, cuidando da sua segurança física e emocional”.
Assim, algumas questões se impõem de imediato: a mãe não é, em qualquer circunstância, a melhor para seu filho? Qualquer mulher amorosa, disponível e maternal poderia cuidar de crianças? Um mundo educativo profissionalizado não renderia melhores frutos? Afinal de contas, trata-se do exercício de uma profissão ou de uma suplência? Qual seria a justa posição deste que de bebês se ocupa?
Se levarmos esta discussão para o ambiente da creche, fatalmente nos encontramos diante de um paradoxo. De um lado, reconhece-se que uma profissionalização insuficiente leva a uma equivocidade entre as ditas funções parentais e a função de acolhimento educativo, bem como a uma subestimação da complexidade desse ofício, o que banaliza a função. Por outro lado, esta mesma profissionalização reclamada inclina-se à produção de um discurso em que o acolhimento psíquico oferecido pelo educador assume estatuto menos educativo – como acto constitutivo –, e mais pedagógico – conforme uma acção técnica.
A realidade dos lactentes nas creches indica que elas passam mais tempo nesse ambiente do que no meio familiar, pois permanecem, normalmente, em torno de 12 horas por dia fora de casa. De facto, isso implica que o adulto cuidador seja ponto de referência para essas crianças em seu vir a ser. A transmissão das marcas que permitem um sujeito situar-se numa linhagem e filiação será dividida ou até mesmo transferida para aqueles que se ocuparem dos cuidados de higiene do lactente.
Torna-se, assim, de extrema relevância discutirmos a partir de que bases discursivas esse outro educador tecerá as tramas da linguagem no laço com o lactente. Retomando o referido acima, entendemos que estamos actualmente diante de uma dupla possibilidade. Ou a função do profissional de creche será exercida a partir de um ideal pedagógico, que favorece o anonimato deste outro a quem o lactente é entregue, posto que incentiva o exercício do ofício numa perspectiva padronizante e tecnocrata, com tendência à exclusão da subjectividade; ou o cuidador pode operar mais pela via da educação como inscrição de marcas simbólicas que permitam um sujeito advir e ocupar lugar na cultura, enquanto cidadão e ser de linguagem.
A IMPORTÂNCIA DA HIGIENE NUTRICIONAL PARA O LACTENTE
O aleitamento materno é indicado até, pelo menos, 2 anos de idade da criança, sendo exclusivo até os 6 meses, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. Essa prática traz diversos benefícios, incluindo o vínculo afectivo entre mãe e filho, o leite contém todos os nutrientes necessários para que a criança cresça e se desenvolva adequadamente, é gratuito, não necessita de utensílios como mamadeira e bicos (o que contribui para diminuição de riscos de infecções por microrganismos), protege a criança contra o desenvolvimento de alergias diversas, diminuem as chances de desenvolvimento de obesidade na infância, entre outros.  Após os 6 meses de idade, além da oferta do leite materno, é introduzida a alimentação complementar. Inicialmente são oferecidas papas contendo apenas um alimento até a criança atingir a alimentação habitual da família, ao primeiro ano de idade. O artigo contém um esquema dietético para exemplificar a alimentação desse período.


CONCLUSÃO
Contudo, chegamos a conclusão de que a higiene no lactente é uma forma de estar saudável e sã. É necessário prestar atenção às mudanças corporais do lactente. Essa observação nos ajudará a eliminar possíveis germes que provocam mal estar do lactente. Manter a higiene é importante não só para prevenir infecções e/ou inflamações, inclusive doenças ao lactente, mas também para que nos sintamos mais seguros de nós mesmos, contribui positivamente no nosso ingresso à vida social, fazendo com que os demais adultos queiram seguir o que é de exemplo.





BIBLIOGRAFIA
A higiene do lactente. Disponível em: http://br.guiainfantil.com/higiene-infantil/331-cuidados-com-a-higiene-e-limpeza-de-bebes-e-criancas.html. Acesso aos 8 de Outubro de 2015.