sábado, 26 de setembro de 2015

Compostos orgânicos e inorgânicos


INTRODUÇÃO
Neste trabalho poderei falar dos compostos orgânicos e compostos inorgânicos que são elementos químicos. Neste caso podemos dizer que os compostos orgânicos são as substâncias químicas que contêm na sua estrutura Carbono e Hidrogénio, e muitas vezes com oxigénio, nitrogénio, enxofre, fósforo, boro, halogéneos e outros. Também podemos dizer que os compostos inorgânicos são aqueles que contém carbono quase sempre são compostos orgânicos, mas excepções como o dióxido de carbono são inorgânicos.
COMPOSTOS ORGÂNICOS E INORGÂNICOS

História

Antigamente, no século XVIII, todos os compostos químicos eram divididos entre orgânicos e inorgânicos. A diferença entre eles, é que os orgânicos eram somente substâncias que fossem produzidas por um organismo vivo (animais, vegetais, bactérias, etc.), utilizando uma "força vital", proposta por Berzelius.
A química orgânica é uma ciência desenvolvida em torno do elemento químico Carbono.
A química orgânica é uma ciência desenvolvida em torno do elemento químico Carbono.
Nesse mesmo século,  Lavoisier percebeu que todos os compostos orgânicos descobertos até então, continham um átomo de Carbono (mas nem todo composto com carbono é orgânico!).
Porém em 1828,  Friedrich Wöhler conseguiu criar uréia em laboratório, somente aquecendo o cianato de amónio (NH4CNO):
NH4CNO -> (NH2)2CO
A partir dessa descoberta de Wöhler, muitos outros materiais orgânicos foram sendo criados em laboratório, derrubando definitivamente com a Teoria da Força Vital.

Compostos orgânicos, inorgânicos e de transição

Os orgânicos, têm em sua composição o carbono e o hidrogénio. Compostos que tenham carbono, mas sem hidrogénio, são considerados compostos de transição. Os inorgânicos não contém carbonos.
  • Exemplos de compostos em transição: CO2, CaC2, etc.;
  • Exemplos de compostos inorgânicos: H2O, HCl, etc.;
  • Exemplos de compostos orgânicos: CH4, C2H4O2;

Características do elemento Carbono

Para entender toda a química orgânica, é inevitável conhecer o seu elemento básico, o carbono:
  • Massa: 12
  • Nº de protões: 6
  • Nº de neutrões: 6
  • Nº de electrões: 6
- Estado fundamental bivalente
http://www.infoescola.com/wp-content/uploads/2009/08/distribuicao_eletronica_carbono.gif

Propriedades do carbono

  • Ametal
  • Tetravalente (realiza até quatro ligações de electrões)
  • Geometria tetraédrica (forma de pirâmide), com ângulos de 109º e 29' entre as quatro ligações
  • Anfótero, pode realizar ligações com átomos eletropositivos e eletronegativos (receber ou "doar" electrões)
  • NOX entre -4 e 4
  • Capacidade de formar cadeias (vários carbonos em sequência)

Substâncias naturais orgânicas e inorgânicas

As substâncias naturais podem ser classificadas em orgânicas e inorgânicas. As substâncias orgânicas são formadas a partir dos arranjos do elemento químico carbono. O carbono é, por esse motivo, a base de todas as formas de vida que conhecemos. Para os químicos antigos, as substâncias orgânicas eram provenientes de fontes animais ou vegetais, e as substâncias inorgânicas seriam aquelas de procedência mineral. Durante muitos anos acreditava-se que entre a química orgânica e a química inorgânica existia uma barreira intransponível. Essa barreira foi quebrada devido à ureia, que é uma substância de origem animal que pode ser produzida em laboratório. O fato foi comprovado no princípio do século XIX, quando o químico alemão Friedrich A. Wöhler conseguiu sintetizar a ureia. O processo ficou conhecido como Síntese de Wöhler e consiste na produção de ureia (produto orgânico) a partir de substâncias inorgânicas (o cianato de amônio).

Substâncias Naturais Orgânicas
As moléculas orgânicas naturais são as sintetizadas pelos seres vivos e denominadas biomoléculas. Os açúcares, as proteínas e os lipídios são substâncias orgânicas encontradas nos tecidos vivos. Glicose, sacarose, frutose, lactose, por exemplo, são substâncias empregadas pela indústria alimentícia na fabricação de balas, bombons, biscoitos, bolos. Elas são açúcares e também são empregadas pela indústria farmacêutica.
Diariamente consumimos produtos derivados do leite, um alimento essencialmente orgânico. A indústria de cosméticos também usa substâncias orgânicas de origem animal e vegetal na fabricação de xampus, óleos, loções, cremes, sabonetes, etc. Na composição desses produtos também entram compostos orgânicos sintéticos, como acontece com os detergentes, os pigmentos aromatizantes, etc. As refinarias de petróleo fabricam diversos produtos utilizados pelo homem em sua vida diária e que também alimentam outras indústrias.
Substâncias Naturais Inorgânicas 
Substâncias inorgânicas são todas aquelas que não são orgânicas, como os minerais, por exemplo.  A água é uma substância essencial à nossa vida. Está presente nos alimentos, nas células do nosso corpo, nos outros animais e nos vegetais.
O sal de cozinha (ou cloreto de sódio) é uma substância inorgânica presente em nosso dia a dia. Extraído da natureza, o sal é parte de nossa alimentação e se for consumido moderadamente contribui para a manutenção da nossa saúde. Metais (obtidos a partir dos minerais) como o ferro, o cobre e o alumínio são empregados na produção de chapas, barras e utensílios domésticos.



COMPOSTO ORGÂNICO
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/2/21/Aceton.svg/200px-Aceton.svg.png
Acetona
Os compostos ou moléculas orgânicas são as substâncias químicas que contêm na sua estrutura Carbono e Hidrogénio,  e muitas vezes com oxigénio,  nitrogénio,  enxofre,  fósforo,  boro,  halogéneos e outros.  Não são moléculas orgânicas os carbetos,  carbonatos, bicarbonatos,  cianetos,  óxidos de carbono, assim como o carbono grafite, diamante e o fulereno.
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/09/Glicose_2.png/120px-Glicose_2.png
Glicose
As moléculas orgânicas podem ser:
·         Moléculas orgânicas naturais: São as sintetizadas pelos seres vivos, denominadas biomoléculas, que são estudadas pela bioquímica.
·         Moléculas orgânicas artificiais: São substâncias que não existem na natureza e têm sido fabricadas pelo homem, como os plásticos. A maioria dos compostos orgânicos puros são produzidos artificialmente.
A linha que divide as moléculas orgânicas das inorgânicas[2] tem originado polêmicas e historicamente tem sido arbitrária, porém, geralmente os compostos orgânicos apresentam carbono ligado a hidrogénio, e os compostos inorgânicos não. Deste modo, o ácido carbónico é inorgânico, entretanto, o ácido fórmico, o primeiro ácido carboxílico, é orgânico. O anidrido carbónico e o monóxido de carbono são compostos inorgânicos. Portanto, todas as moléculas orgânicas contêm carbono, porém nem todas as moléculas que tem carbono, são moléculas orgânicas.
A etimologia da palavra "orgânico" significa que procede de "organos", relacionada com a vida, em oposição ao inorgânico que teria o significado de tudo que carece de vida.
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/99/ImageJ1O.jpg
Síntese de Wohler
Para os químicos antigos, as substâncias orgânicas eram provenientes de fontes animais ou vegetais, e as substâncias inorgânicas seriam aquelas de procedência mineral. Durante muitos anos acreditava-se que entre a química orgânica e a química inorgânica existia uma barreira intransponível. No princípio do século XIX, o químico alemão Friedrich A. Wöhler conseguiu sintetizar a ureia, um produto orgânico, a partir de substâncias inorgânicas (o cianato de amônio),[1]comprovando que tal divisão era totalmente artificial, algo que é completamente evidente na química moderna.

COMPOSTO INORGÂNICO

Um composto inorgânico é a substância na qual os átomos de dois ou mais elementos são combinados. Alguns compostos são chamados de inorgânicos porque vêm de minerais e não de coisas vivas ou orgânicas.
Compostos que contém carbono quase sempre são compostos orgânicos, mas excepções como o dióxido de carbono são inorgânicos.
Compostos inorgânicos contêm metais ou hidrogénio combinado com um não-metal ou um grupo de não metais.
Podem ser compostos iónicos (ex. NaCl) ou ainda covalentes (ex. silicatos), mas não é raro observar mais de um tipo de ligação em compostos inorgânicos.
Os compostos de coordenação também pertencem a esta categoria de compostos e formam ligações de coordenação que tem carácter iónico ou covalente.
Os compostos inorgânicos são constituintes químicos de uma célula, e são constituídos basicamente por água e sais minerais.

Água

·         É a substância mais abundante na natureza e nos seres vivos.
·         Participa em todos os processos vitais, toma parte nas reacções celulares, serve como solvente e como veículo de transporte de materiais no interior dos organismos vivos. Na espécie humana encontra-se na proporção de 70%.
·         Actua na manutenção do equilíbrio osmótico dos organismos em relação ao meio ambiente.
·         A proporção da água é variável com a espécie, com o tecido, com a idade e com o metabolismo. Quanto menor a quantidade de água, mais rígido é o tecido; os embriões e as crianças têm mais água nos tecidos que os adultos; os tecidos de maior actividade metabólica têm mais água na sua composição.
·         Age como regulador térmico, devido ao seu elevado calor especifico, não permitindo bruscas variações de temperatura (homeostase).
·         Intervém em reacções de hidrólise.
·         Actua como meio de difusão de muitas substâncias.

Sais Minerais

·         São substâncias importantes para os seres vivos, podendo aparecer no organismo dissociados no protoplasma, regulando a pressão osmótica e actuando na manutenção do PH das células. Os iões, provenientes dos sais minerais, possuem várias funções no organismo vivo: formam o esqueleto de muitos animais.
·         Actuam no equilíbrio da água no organismo, na transmissão do impulso nervoso, no transporte de gases (oxigénio e dióxido de carbono), na fotossíntese, no funcionamento de enzimas, etc.
·         Tem função plástica e reguladora, os sais minerais mais importantes são:
·         Na  Sódio → Actua junto com o Potássio na condução nervosa, na contracção muscular e equilíbrio de fluidos no organismo
·         K  Potássio → Actua junto com o Sódio na condução nervosa, na contracção muscular e equilíbrio de fluidos no organismo
·         Cl  Cloro → Junto com o Sódio e o Potássio mantém o controle osmótico  (de água)
·         Ca  Cálcio → Composição de ossos e dentes, contracção muscular e coagulação sanguínea
·         Fe  Ferro  Hemoglobina e Mioglobina (transporte de oxigênio pelo sistema circulatório)
·         Mg  Magnésio → Participa da composição da clorofila e da estrutura de ribossomos e ossos
·         (PO_4)^{-3}  Fosfato → Composição óssea (Fosfato de Cálcio e Magnésio) e molécula de ATP (Adenosina trifosfato) / Fosfolipídio→ Participa da estrutura da membrana celular, do DNA e RNA
·         I  Iodo → Participa da estrutura dos homônios T3 (Triodotironina) e T4 (tetraiodotironina) da Glândula Tireóide que estimula o metabolismo basal (quantidade total de energia gasta para a manutenção da atvidade vital)
·         F  Flúor → Estimula a mineralização do esmalte dentário (flúor e fluoreto), previne dilatação das veias, causa problemas na vesícula além de paralisia.



CONCLUSÃO
Depois da pesquisa feita cheguei a conclusão de que os compostos orgânicos e os compostos inorgânicos são componentes químicos e cada um deles desempenha a sua função nas substâncias químicas, devido a sua forma e os seus reagentes. Neste aspecto falar sobre estes elementos é falar da química orgânica e inorgânica. Fazer este trabalho proporcionou muito a minha forma de aprendizagem sobre o tema. Assim tenho a dizer de que é uma boa iniciativa tida pelo Professor ao dirigir que se fizesse a pesquisa sobre o tema acima pesquisado.


BIBLIOGRAFIA
Compostos orgânicos. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Composto_org%C3%A2nico. Acessado aos 26 de Setembro de 2015.
Compostos inorgânicos. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Composto_inorg%C3%A2nico Acessado aos 26 de Setembro de 2015.


vida e obra de pepetela


INTRODUÇÃO
Neste trabalho poderei falar sobre vida e obra de Pepetela, sendo ele considerado um dos melhores autores de literatura na ordem dos escritores angolanos, digo que poderei tocar em pontos principais sobre o autor falando de onde ele nasceu, qual é o nome completo, onde desenvolveu as suas actividades, quais são os prémios que ele levou, as obras publicadas, e muito mais. Estes todos aspectos estão espelhados no desenvolvimento deste trabalho.



VIDA E OBRA DE PEPETELA
Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos, conhecido pelo pseudónimo de Pepetela  (Benguela,  29 de Outubro de 1941), é um escritor angolano. A sua obra reflecte sobre a história contemporânea de Angola, e os problemas que a sociedade angolana enfrenta. Durante a longa guerra, Pepetela, angolano de ascendência portuguesa, lutou juntamente com MPLA  (Movimento Popular de Libertação de Angola) para libertação da sua terra natal. O seu romance,  Mayombe, retrata as vidas e os pensamentos de um grupo de guerrilheiros durante aquela guerra.  Yaka segue a vida de uma família colonial na cidade de Benguela ao longo de um século, e A Geração da Utopia mostra a desilusão existente em Angola depois da independência. A história angolana antes do colonialismo também faz parte das obras de Pepetela, e pode ser lida em A Gloriosa Família e Lueji. A sua obra nos anos 2000 critica a situação angolana, textos que contam com um estilo satírico incluem a série de romances policiais denominada Jaime Bunda. As suas obras recentes também incluem:  Predadores, uma crítica áspera das classes dominantes de Angola,  O Quase Fim do Mundo, uma alegoria pós-apocalíptica, e O Planalto e a Estepe, que examina as ligações entre Angola e outros países ex-comunistas. Licenciado em Sociologia, Pepetela é docente da Faculdade de Arquitectura da Universidade Agostinho Neto em Luanda.
Vida
Pepetela é descendente de uma família colonial portuguesa, os seus pais eram, no entanto, já nascidos em Angola. Pepetela concluiu o ensino primário em sua cidade natal e depois partiu para o Lubango uma cidade província de Angola, onde foi possível prosseguir com os estudos. Foi no Liceu Diogo Cão que Pepetela completou o ensino secundário. O escritor cresceu num ambiente da classe média, mas frequentou uma escola primária com crianças de várias raças e classes. Ele diz que a cidade de Benguela lhe deu mais oportunidades para conhecer angolanos de todas as raças porque era a cidade angolana mais multiracial daquela época. Durante a sua adolescência, um tio seu que era jornalista, introduziu-lhe a uma variedade de pensadores da esquerda. Durante os seus anos do liceu em Lubango, Pepetela também foi influenciado por um padre esquerdista chamado Noronha, que lhe informou sobre a revolução e outros eventos contemporâneos.
Lisboa, em 1958, foi o destino académico que se seguiu, no Instituto Superior Técnico que o autor frequentou até 1960 quando ingressa no curso de engenharia. Uma vez mais a mudança, desta vez para frequentar o curso de Letras apenas durante um ano, pois, ainda em 1961, Pepetela faz a opção política que viria a mudar o rumo da sua vida e a marcar toda a sua obra, tornando-o um narrador de uma história de Angola que conhece, porque a viveu. Pepetela tornou-se militante do MPLA em 1963.
Experiência na guerra e primeiras obras
Quando Pepetela se tornou militante, fugiu de Portugal para Paris, e posteriormente, se estabeleceu em Argel. Foi ali que ele conheceu Henrique Abranches, com quem trabalhou no Centro de Estudos Angolanos. Este Centro virou o ponto focal do trabalho do jovem Pepetela ao longo da próxima década. Pepetela, Abranches, e outros trabalharam na documentação da cultura e sociedade angolanas, e na propaganda das mensagens do MPLA ao exterior. Durante a sua época em Argel, Pepetela escreveu o seu primeiro romance,  Muana Puó, uma obra que examinou a situação angolana através da metáfora das máscaras dos Côkwes, uma etnia de Angola. Pepetela não pretendia publicar o romance, mas acabou por fazê-lo em 1978, durante o seu serviço no governo angolano.  Em 1969, o Centro de Estudos Angolanos mudou de Argel para Brazzaville, na República do Congo. Depois desta mudança Pepetela começou a participar na luta armada contra os portugueses.  A experiência na luta serviu como a inspiração para uma das suas obras mais reconhecidas, uma narrativa da guerra intitulada,  Mayombe.
O primeiro romance do Pepetela foi publicado em 1972, com o título As Aventuras de Ngunga. Foi uma obra literária que ele escreveu para um público pequeno de universitários.  Na obra, Pepetela analisa o crescimento revolucionário de Ngunga, um jovem guerrilheiro do MPLA, usando um tom épico e didáctico. O romance introduz o leitor aos costumes, à geografia e à psicologia de Angola. Pepetela cria um diálogo entre a tradição angolana e ideologia revolucionária, debatendo quais tradições devem ser alimentadas, e quais devem ser alteradas.  As Aventuras… é um romance que exemplifica a carreira iniciante de Pepetela, manifestando um amor profundo por Angola, um desejo de examinar a história e a cultura do país, um espírito revolucionário, e um tom didáctico. O romance também é interessante porque foi escrito e publicado enquanto o autor lutou contra os portugueses na Frente Leste. Embora Pepetela escrevesse Muana Puó e Mayombe durante o seu serviço de guerrilheiro, só depois da independência foram publicados.
Com a independência da Angola em 1975, Pepetela se tornou o Vice Ministro da Educação no governo do presidente Agostinho Neto. O autor exerceu o mandato por sete anos e se aposentou em 1982 para se dedicar a sua escrita.  Durante esta época, Pepetela teve o apoio do presidente Neto para publicar dois de seus romances, incluindo Mayombe. A sua escrita se diversificou com a publicação de duas peças de teatro que tratavam da história angolana e das políticas revolucionárias. Nos anos 70, Pepetela foi membro da directoria da União dos Escritores Angolanos.
As peças de Pepetela reflectem os temas presentes As Aventuras de Ngunga. A primeira,  A Corda foi a primeira peça de longa duração publicada em Angola pós-independência. É uma peça que a crítica Ana Mafalda Leite descreve como didáctica, ideológica, e de pouco interesse literário.  A peça tem um ato, e apresenta dois grupos de pessoas jogando tug of war com Angola como o prémio. Um grupo representa os americanos e os seus clientes angolanos, e o outro representa os guerrilheiros do MPLA. A outra peça,  A Revolta na Casa dos Ídolos, explora o passado de Angola, criando um paralelo entre o reino dos Kongos nos 1500, e a luta pela independência de Angola.
Obras publicadas nos anos 80 e a saída do governo
Como já mencionado, Pepetela publicou vários romances durante o seu serviço no governo de Agostinho Neto. Destes romances,  Mayombe é o mais conhecido. O romance retrata a vida guerrilheira do autor nos anos 70, e funciona em dois níveis; um em que se exploram os pensamentos e as dúvidas dos personagens, e um outro que se ilustram as acções dos guerrilheiros. Ana Mafalda Leite considera o romance uma obra simultaneamente crítica e heróica, ambos tentando destacar a diversidade étnica supostamente celebrada pelo MPLA e ilustrar as divisões tribais presentes na sociedade angolana que eventualmente levariam à guerra civil. Leite também escreve que o romance exibe um conflito que define a fundação da pátria.
Depois da sua saída do governo ao fim de 1982, Pepetela dedicou-se exclusivamente à escrita, começando a sua obra mais ambiciosa,  Yaka.  Yaka, publicada em 1984, é um romance histórico que examina as vidas de uma família de colonistas portuguesas que vieram a Benguela no século XIX. Um desejo para pesquisar as suas origens pode ser visto na escolha da temática do Pepetela, que é descendente de portugueses de Benguela. Como Muana Puó,  Yaka incorpora objetos espirituais tradicionais de Angola na sua narrativa. Onde o primeiro romance enfoca nas máscaras,  Yaka emprega a metáfora de uma escultura de madeira utilizada pelos yakas, organizações sociais dedicadas à prossecução da guerra. Ana Mafalda Leite escreve que a Yaka simboliza a consciência de valores tradicionais e o espírito da nacionalidade. Em 1986, o livro ganhou o prémio nacional de literatura.
Ele continuou escrevendo ao longo da década, publicando em 1985 O Cão e os Caluandas, um romance que analisa os habitantes de Luanda e as mudanças que eles viveram desde a independência. O romance é notável pelo seu uso de os vagamentos por Luanda de um pastor-alemão para estruturar a sua narrativa, e o seu emprego de várias vozes narrativas. Em 1989, publicou Lueji, uma obra que contem paralelos com A Revolta na Casa dos Ídolos, ambas as obras comparando a história angolana e a situação contemporânea. O romance justapõe a princesa Lueji, uma figura importante na história angolana, com uma bailarina que dança o papel de Lueji num balé contemporâneo. As vidas das duas mulheres eventualmente se encaixam.  No romance, Pepetela recria a história de Angola no século XVIII, um projecto que ele fazia de novo com o século XVII no seu romance de 1997,  A Gloriosa Família.
Sátira e horizontes estrangeiros no milénio novo
Pepetela continua como um escritor prolífico na décadas dos 2000. A sua obra tem apropriada uma voz satírica na série de romances denominada Jaime Bunda, livros policiais que satirizam a vida em Luanda na década nova. Stephen Henighan escreve que o personagem de Jaime Bunda, um defectivo vacilante com raízes em duas das famílias angolanas mais prominentes, representa as mudanças que aconteceram na população dos crioulos em Luanda. Em vez de representar a vanguarda revolucionária que criará uma nova identidade angolana, agora os crioulos de Luanda representam uma oligarquia kleptocrata na série[15] Jaime Bunda, cujo nome provém das suas nádegas enormes, é uma paródia de James Bond. O personagem é obcecado com os filmes James Bond e romances policiais norte-americanos, um aspecto que Henighan descreve como ilustrativo de elementos do subdesenvolvimento de Angola.[16] No primeiro dos dois romances, Jaime Bunda, Agente Secreto, publicado em 2001, o protagonista investiga um assassinato e estupro que eventualmente segue a um falsificador sul-africano chamado Karl Botha, uma referência a ex-primeiro-ministro sul-africano P.W. Botha, quem autorizou a intervenção sul-africana em Angola em 1975. O segundo romance, Jaime Bunda e a Morte do Americano, publicado em 2003, tem lugar em Benguela em vez de Luanda, e se trata da influência norte-americana em Angola, em que Jaime Bunda investiga o assassinato de um norte-americano e tenta seduzir uma agente do FBI. O romance apresenta a crítica de Pepetela da política exterior dos Estados Unidos, com o comportamento pesado da polícia angolana reflectindo a maneira como os norte americanos trataram os suspeitos de terrorismo durante o mesmo período[17] Os romances foram publicados pela companhia Dom Quixote, e eram extremamente populares em Portugal, também tendo êxito em outros países europeus como Alemanha, onde Pepetela era desconhecido antes.
Pepetela também publicou outros tipos de livro durante a década. O seu primeiro livro publicado nos 2000 foi A Montanha de Água Lilás, de 2000, um livro para crianças que comenta sobre as raízes de injustiça social. Em 2005, depois do sucesso dos livros Jaime Bunda, publicou Predadores, a sua crítica mais mordaz sobre as classes poderosas de Angola. O romance acontece em Angola pós-independência, e segue a vida de Valdimiro Caposso, um funcionário público que se torna homem de negócios. Igor Cusack descreve o protagonista como um mafioso assassino que "mora num mar de tubarões semelhantes."[19] Portanto que começou a sua crítica dos novos ricos em Angola com A Geração da Utopia, é evidente na série Jaime Bunda e no Predadores que a temática tem virado dominante na obra do autor.
Os últimos anos da década dos 2000 exibem uma continuação da carreira prolífica do autor, com romances estreando em 2007, 2008, e 2009. O romance de 2007, O Terrorista de Berkeley, Califórnia, tem lugar nos Estados Unidos, e tem pouca ligação com Angola. O livro se trata das atitudes actuais sobre terrorismo e também de aspectos da tecnologia presente na sociedade moderna. Como vários outros romances dele, Pepetela disse numa entrevista recente que ele nunca pretendeu publicar o romance.  O seu próximo romance,  O Quase Fim do Mundo, também foi escrito como um exercício pessoal. É uma obra que atinge o género de science fiction, retratando os desafios que os sobreviventes de um desastre confrontam. Os personagens sobrevivem num pequeno pedaço da África que Pepetela enfatize que é perto do suposto berço da humanidade. Eles precisam de criar um novo tipo de mundo. O livro segue a tendência iniciada nO Terrorista...porque não tem lugar em Angola, nem lida explicitamente com a realidade angolana. O seu último romance da década,  O Planalto e a Estepe, embora lide com Angola, continua reflectir a internacionalização da temática do autor na última década. O livro conta o namoro entre um angolano branco e uma mongol que se conheceram enquanto estudavam em Moscou. O romance volta à temática presente nas obras antigas de Pepetela, em particular, o descobrimento de Angola através da sua natureza. Este descobrimento é mostrado na narração da infância do Júlio, um dos protagonistas, na província de Huíla.
Obras
Livros de Romances
1972 - As Aventuras de Ngunga
1978 - Muana Puó
1980 - Mayombe
1985 - O Cão e os Caluandas
1985 - Yaka
1990 - Lueji
1992 - Geração da Utopia
1995 - O Desejo de Kianda
1997 - Parábola do Cágado Velho
2000 - A Montanha da Água Lilás
2001 - Jaime Bunda, Agente Secreto
2003 - Jaime Bunda e a Morte do Americano
2005 - Predadores
2007 - O Terrorista de Berkeley, Califórnia
2008 - O Quase Fim do Mundo
2008 - Contos de Morte
2009 - O Planalto e a Estepe
2011 - A Sul. O Sombreiro
2013 - O Tímido e as Mulheres
Peças
1978 - A Corda
1980 - A Revolta da Casa dos Ídolos
Prémios
Prémio Camões em 1997.
Outros galardões
Grau de doutor honoris causa pela Universidade do Algarve, conferido em 28 de Abril de 2010.


CONCLUSÃO

Depois da pesquisa feita cheguei a conclusão de que Pepetela faz parte da Ordem dos Escritores Angolanos. Ele é um dos pilares da literatura angolana, já publicou muitas obras e muito fez para que a literatura angolana chegasse ao ponto alto e considerativo tanto nacional como internacional. Contudo o autor africano permanece até hoje em Lisboa. Em seu currículo constam também lideranças importantes na esfera cultural, principalmente na União dos Escritores Angolanos e na Associação Cultural e Recreativa Chá de Caxinde.





BIBLIOGRAFIA
Biografia de Pepetela. Disponível em: http://www.infoescola.com/biografias/pepetela/. Acessado aos 26 de Setembro de 2015.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Grupos de referencia


Embora todos conheçamos grupos e pertençamos a vários deles, é mais fácil descrever um grupo que defini-lo. Uma definição que tem se mostrado adequada é a de que um grupo é um conjunto formado por duas ou mais pessoas que para atingir determinado (s) objectivo (s) necessita algum tipo de interacção, durante um intervalo de tempo relativamente longo, sem o qual seria mais difícil ou impossível obter o êxito desejado. Ou dito de outro modo, um conjunto de pessoas se caracterizará mais fortemente como grupo segundo as seguintes condições: a) quanto menor for o número de seus membros; b) quanto maior for a interacção entre os seus membros; c) quanto maior for a sua história e d) quanto mais perspectiva de futuro partilhado seja percebido pelos seus membros.












GRUPOS

Embora todos conheçamos grupos e pertençamos a vários deles, é mais fácil descrever um grupo que defini-lo. Uma definição que tem se mostrado adequada é a de que um grupo é um conjunto formado por duas ou mais pessoas que para atingir determinado (s) objectivo (s) necessita algum tipo de interacção, durante um intervalo de tempo relativamente longo, sem o qual seria mais difícil ou impossível obter o êxito desejado. Ou dito de outro modo, um conjunto de pessoas se caracterizará mais fortemente como grupo segundo as seguintes condições: a) quanto menor for o número de seus membros; b) quanto maior for a interacção entre os seus membros; c) quanto maior for a sua história e d) quanto mais perspectiva de futuro partilhado seja percebido pelos seus membros. Como se vê, definições funcionais que pretendem apenas situar o leitor de forma que ele possa compreender o processo que se estabelece em uma relação na qual se pode dizer que existe um grupo.
Talvez um contraponto sirva para aclarar as ideias. Pessoas esperando um autocarro em uma parada não constituem um grupo porque o objectivo a alcançar depende unicamente de cada uma delas. Mesmo só a pessoa pode atingir seu objectivo de tomar a condução. Já amigos que se reúnem nos finais de semana para jogar futebol, pode ser considerado um grupo na medida em que necessitam um dos outros para poder se divertir. Podem até ser concorrentes em outras áreas da vida profissional, mas ali, naquele momento, formam um grupo sim.

CARACTERÍSTICAS DOS GRUPOS

O Grupos possuem determinadas características como serem pequenos, ou seja, as pessoas se conhecem entre si, existe uma relação face a face; compartilham objectivos e aceitam as normas construídas pelo próprio grupo. Em relação às normas construídas pelo próprio grupo, cabe se remeter a alguns estudos sobre construção de normas sociais. Geralmente pouca conta nos damos de que partilhamos normas e ao mesmo tempo estamos contribuindo para a sua construção através dos diversos encontros que temos com nossos companheiros, familiares, cônjuges, enfim, com quem nos relacionamos socialmente. Quando fofocamos, estamos estabelecendo normas de comportamento. Se fulano fez isto ou aquilo, passa por nosso comentário, maldoso ou não, a aceitação do seu comportamento. Assim, estamos nesse instante determinando se aquele comportamento é coerente com o que desejamos ou se pelo contrário ele deve ser modificado, e estabelecemos sanções ou reforços destinados a manter ou a mudar a maneira como nosso colega comportou-se.
Essas normas são conhecidas por todos os membros do grupo. Não estão escritas, porém quase sempre são seguidas à risca. Pertencer ao grupo implica em se submeter às suas regras e normas. Para isto são também estabelecidos prémios e castigos. Os prémios em geral se dão na forma de aceitação e prestígio. As punições variam desde as que se administram em forma de brincadeiras, passando por admoestações explícitas, até a expulsão ou morte física do antigo companheiro. Exemplos diversos podem ser identificados ao analisar o que ocorre muitas vezes nos grupos de delinquentes, de presos ou em grupos terroristas. A morte é sempre uma possibilidade a quem fugir de determinadas regras.

IMPORTÂNCIA DE ESTUDAR OS GRUPOS

Nós, raramente tomamos consciência de que vivemos imersos numa grande camada de oxigénio. Do mesmo modo, quase nunca nos apercebemos que vivemos em contacto directo com os grupos e as instituições. Somente quando o peixe é retirado da água, quando sofremos alguma privação de oxigénio, quando nos afastamos ou perdemos um grupo de referência, é que sentimos o quanto estávamos envolvidos por este meio ambiente, que nos abraça de forma tão subtil, tão quotidiana, que o temos como um fato, pouco nos importamos com ele. Tal qual o amor, não a paixão, que nos acarinha com tranquilidade, segurança e que alguma vez sentimos sua falta, mas não a sua presença.
Pois de maneira parecida ocorre com os grupos. De tão habituados a viver em relação com os demais, poucas vezes nos damos conta de sua importância ou de sua influência em nossos comportamentos ou em nossas decisões. Neste capítulo procuraremos mostrar a relevância dos grupos em nossas vidas, chamando mais a atenção para os seus aspectos organizacionais, porém sem perder de vista outros contextos diferentes das organizações.
A vida humana é grupal. Nascemos em uma família na qual nos relacionamos com nossos pais e irmãos. Também existem os tios, tias, primos e toda uma gama de pessoas que formam um conjunto perfeitamente identificável, que transmite características próprias, de sorte que muitas vezes exclamamos ante um determinado comportamento: “só poderia ser da família tal!”. Observe que não nos referimos nesse momento ao sujeito do comportamento, e sim ao comportamento. É como se essa pessoa reflectisse uma espécie de linhagem comportamental perfeitamente identificada através dos diversos actos que já observamos em outros membros de sua família. Ocorre o mesmo com algumas Ocorre o mesmo com algumas profissões, os advogados têm um estilo, os militares outro, pedreiros agem de forma parecida, e os consertadores de electrodomésticos têm uma maneira muito sua de tratar os prazos acertados.
Todos estes citados anteriormente, têm um modo próprio de comportar-se que ao mesmo tempo reflecte a sua individualidade, mas também o grupo de referência a que pertence. Isto é importante porque é este grupo de referência que o faz se sentir apoiado no seu comportamento emitido. Às vezes um comportamento pode se manifestar inadequado em um determinado contexto, porque o seu emissor estava utilizando como referência um grupo distinto àquele com o qual está interagindo momentaneamente.

GRUPO DE REFERÊNCIA DA ESTRUTURA SOCIAL 

Os seres humanos são, essencialmente, sociais, pois vivem e interagem, quotidianamente, em diversas esferas de relacionamento interpessoal. As interacções que ocorrem nestas esferas independem de nacionalidade, etnia, raça, género ou classe socioeconómica; sendo o consumo de produtos, serviços e marcas uma importante forma de interacção social e premissa fundamentadora deste trabalho. Assim, as interacções pautadas em influências interpessoais interferem na atitude e no comportamento das sociedades, em geral.
Neste sentido, avaliações e informações provenientes de indivíduos ou grupos que, por alguma razão, inspiram confiança ou identificação nos demais, possuem grande credibilidade perante seus pares.
Esta influência de indivíduos ou grupos recebe o nome de grupo de referência, que é conceituado por Park; Lessig (1977, p.103) como “um indivíduo ou grupo reais ou imaginários, concebidos como tendo relevância significativa sobre as avaliações, aspirações ou comportamentos de um indivíduo”. Para Sheth; Mittal; Newman (2001, p.165), os grupos de referência são “pessoas, grupos e instituições a que os indivíduos recorrem para uma orientação de seu próprio comportamento e valores, e dos quais esses indivíduos buscam aprovação”. Os grupos de referência podem ser formados por indivíduos como celebridades, atletas e políticos, institutos de pesquisa, publicações especializadas e grupos de pessoas com semelhanças, como times esportivos, jovens estudantes de uma mesma escola, apreciadores de vinho ou charutos, etc.
A noção de estrutura social como a relação entre as diferentes entidades ou grupos enfatiza a ideia de que a sociedade está agrupada em grupos ou conjuntos de papéis estruturalmente relacionados, com funções, significados ou propósitos diferentes. Um exemplo de estrutura social é a ideia de estratificação social, que se refere ao fato da sociedade se dividir em diferentes estratos, ou níveis, guiada (mesmo que apenas parcialmente) pelas estruturas subjacentes no sistema social. Esta abordagem tem se tornado importante na literatura académica, com o surgimento de várias formas de estruturalismo. É importante no estudo moderno das organizações, pois a estrutura de uma organização pode determinar a sua flexibilidade, a capacidade de mudar, além de muitos outros factores.
Portanto, a estrutura é um tema muito importante para os gestores. As estruturas sociais parecem poder influenciar sistemas sociais importantes, incluindo os sistemas económicos, legislativo, político, cultural etc. A família, religião, direito, economia e classes são todas estruturas sociais. O "sistema social" é o sistema "pai" desses vários sistemas que estão embutidos nelas.
Alguns acreditam que a estrutura social se desenvolve naturalmente. Ela pode ocorrer pelas necessidades de sistema maiores, tais como a necessidade de trabalho, gestão, classes profissionais e militares, ou por conflitos entre gerados entre esses grupos, tais como a concorrência entre os partidos políticos ou entre as elites e as massas. Outros acreditam que essa estruturação não é um resultado de processos naturais, sendo socialmente construída. Pode ser criada pelo poder das elites que buscam manter o seu poder, ou por sistemas económicos que dão ênfase à competição ou à cooperação.
O conceito de estrutura social pode mascarar desvios sistemáticos, pois envolve muitas sub-variáveis ​​identificáveis, por exemplo, de género. Alguns debatem que os homens e as mulheres, que de outra forma teriam as mesmas qualificações, recebem tratamento diferenciado no ambiente de trabalho por causa do seu sexo, que seria uma tendência preconceituosa da estrutura social, mas outras variáveis ​​(como o tempo no trabalho ou horas trabalhadas) pode ser mascarado. A análise estrutural social moderna leva isso em conta através de análise multivariada e outras técnicas, mas o problema de análise de como combinar vários aspectos da vida social em um todo permanece.

TIPOLOGIA DE GRUPO DE REFERÊNCIA

 Os grupos sociais são classificados de diversas formas, sendo que um indivíduo pode pertencer a vários grupos, simultaneamente. As principais formas de classificação de grupos se dividem em grau de formalidade, natureza da associação e tipo e frequência de contacto.
Alguns grupos ou indivíduos exercem uma influência maior ou mais legítima do que outros e, assim, influenciam uma oferta maior de decisões de compra. Esta influência está, muitas vezes, directamente relacionada às características pessoais de cada indivíduo, que se permite ou não ser influenciado por determinado grupo ou pessoa, em uma dada situação de consumo.

CLASSIFICAÇÃO DOS GRUPOS DE REFERÊNCIA

A classificação de grupos proposta por Blackwell; Miniard; Engel (2005) divide os grupos em: primários e secundários, formais e informais, aspiracionais e dissociativos, e virtuais. Os grupos primários são os de maior impacto e maior influência, sendo que a interacção entre seus participantes ocorre com frequência, frente a frente ou não. Compactuam dos mesmos valores, crenças e comportamentos e sua coesão leva seus integrantes a valorizarem as normas e opiniões do grupo. O principal exemplo de grupo primário é a família. Os grupos secundários, por sua vez, possuem uma interacção menos frequente e menos coesa, as normas e opiniões do grupo têm menos impacto que as do grupo primário. Parentes, associações profissionais e sindicatos são integrantes dos grupos secundários.
 Os grupos formais são caracterizados por uma estrutura definida com condutas e comportamentos codificados. A abrangência e o grau de sua influência variam de acordo com o valor que os indivíduos atribuem às opiniões do grupo. Os principais tipos de grupos formais são os grupos religiosos, as associações profissionais e as organizações comunitárias.
 Os grupos informais são baseados na amizade e em interesses comuns. Suas normas não aparecem escritas, embora possam ser tão rígidas quanto as dos grupos formais. Neste caso, há um alto grau de valor simbólico e o desejo de aceitação se relaciona fortemente com a importância atribuída as opiniões e comportamentos preconizados pelo grupo. Grupos de voluntários, grupos de amigos, grupos de pessoas com interesses comuns integram este grupo.

TIPOLOGIA DE INFLUÊNCIA DO GRUPO DE REFERÊNCIA

O primeiro tipo de influência é a utilitária e ocorre quando o indivíduo submete seu comportamento às expectativas de terceiros, a fim de obter uma recompensa ou evitar uma punição (PARK; LESSIG, 1977). Este tipo de comportamento não é adoptado porque o mesmo faz parte de seu sistema individual de crenças e valores, tampouco porque o indivíduo se identifica com outros indivíduos daquele grupo; mas porque este indivíduo busca a conformidade. Para Solomon (2002, p.264), a conformidade “refere-se a uma mudança nas crenças ou acções como resposta à pressão real ou imaginária de um grupo”. Os factores que afectam a probabilidade de conformidade são as pressões culturais, o medo de desvio, o comprometimento, a unanimidade e a susceptibilidade à influência interpessoal.
 O segundo tipo de influência é a expressiva de valor e ocorre quando o indivíduo aceita a influência de terceiros com os quais ele mantém uma relação de identificação ou aspira ter esta identificação. Esta relação, contudo, é uma via de mão única. Assim, neste tipo de influência, a aceitação não depende de uma imposição externa do grupo, tampouco ela ocorre porque o indivíduo influenciado acredita que seu sistema de valores é congruente com o do grupo; mas porque ele acredita que ao agir desta forma ele próprio se mostraria para seus pares como o indivíduo com o qual ele mantém uma relação de identificação. Em outros casos, este tipo de influência gera no indivíduo influenciado uma sensação de que a relação de identificação é recíproca.
 O terceiro tipo de influência é a informacional e ocorre quando o indivíduo aceita a apreciação crítica, recomendação ou experiência de terceiros, em relação a um produto, serviço ou determinada marca, pelo fato dele acreditar que aquela pessoa é detentora de determinado conhecimento sobre os mesmos, quer seja pela observação, uso ou contacto anteriores. Este tipo de influência não é imposta ao indivíduo pelo grupo, muito menos o indivíduo que a ela se submete possui seu sistema de valores alinhado com o de quem o influencia.

PODER E INFLUÊNCIA DOS GRUPOS

Para compreender o funcionamento dos grupos é necessário entender a natureza da influência social. As pressões para a uniformidade se exercem mediante a interacção social na qual os membros tentam modificar suas crenças, atitudes e acções mutuamente, como foi vislumbrado antes. Surgem processos similares sempre que um grupo tenta tomar decisão sobre metas a escolher ou sobre a maneira como alcançá-las. Coordenar as actividades de grupo exige que a conduta de cada membro se ajuste a dos outros, e se efectue a liderança mediante processo de influência sobre os demais.
Quer dizer que os grupos tendem a se ajustar entre seus membros influenciando-se mutuamente para alcançar os seus fins. Você provavelmente já experimentou este processo muitas vezes e se agora relembrar alguns momentos de trabalho com outros companheiros verá que em um primeiro momento existe uma certa necessidade de definição do que vai ser feito. Alguns não conseguem passar dessa fase, já outros se encontram e rapidamente se organizam cuidando de distribuir tarefas e realizar o que é necessário para alcançar os objectivos propostos. As vezes surge um que tenta organizar tudo muito ligeiro, outras vezes se faz a coisa de forma mais conversada. Fundamentalmente, existe um jogo de papéis que podem ser influenciados tanto pelos traços de personalidade quanto pelo tipo de tarefa a ser cumprido. Isto nos leva a que uma pessoa tenha influência sobre outra se algum comportamento dela gera uma mudança no comportamento da outra. Agora, para especificar as propriedades do indivíduo que podem servir como recursos de poder em um determinado grupo é importante saber quais são as motivações dos membros do grupo. Daí decorre que pesquisas sobre as expectativas dos membros de uma organização são importantes fontes de conhecimento para conseguir a dinâmica necessária a um bom funcionamento de grupo ou de equipe de trabalho. A correcta percepção sobre as aspirações dos outros pode levar a condutas que repercutem positivamente na consecução dos objectivos organizacionais, porque nesses casos geram também realização de objectivos individuais, havendo uma conjugação de esforços que pode ser muito benéfica para todos.




CONCLUSÃO

Com base nas pesquisas feitas concluímos que designa-se de grupo de referência aquele no qual o indivíduo é motivado a manter relações. Este grupo pode ter um âmbito restrito (grupo de pares ou subgrupo particular) ou ter um âmbito mais alargado (grupo social, comunidade). Quando um grupo de relações (exemplo: colegas de escola), torna-se um grupo de referência, este passa a desempenhar um papel normativo no comportamento do indivíduo. Vale salientar, ainda, que um grupo normativo tem a função de imprimir aos seus membros valores e normas amplamente compartilhadas pela sociedade.

 


 

 









REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Lewin, K. (1965) Teoria de Campo em ciência social.Ed. Livraria Pioneira, São Paulo.
Machado, M. (1998). Equipes de trabalho: sua efetividade e seus preditores. Tese de mestrado não publicada. Universidade de Brasília, Brasília, Brasil.

Morales, J. F. (1987). El estudio de los grupos en el marco de la Psicologia Social.

Site: www.infoescola.com, tema: Estrutura Social Por: Gabriella Porto fonte:
http://www.infoescola.com/sociologia/estrutura-social/