sábado, 12 de setembro de 2015

O futebol


INTRODUÇÃO
O presente trabalho fala sobre o futebol, a sua origem e a sua fundação e quem fundou o atletismo. É de salientar que estes desportos fazem parte do ser humano e podem ser praticado por qualquer um, mas desde que esteja em condições para poder esforçar o corpo.



O FUTEBOL
O futebol,  (do inglês association football ou simplesmente football) é um desporto de equipe jogado entre dois times de 11 jogadores cada um e um árbitro que se ocupa da correcta aplicação das normas. É considerado o desporto mais popular do mundo, pois cerca de 270 milhões de pessoas participam das suas várias competições.  É jogado num campo rectangular gramado, com uma baliza em cada lado do campo. O objectivo do jogo é deslocar uma bola através do campo para colocá-la dentro da baliza adversária, acção que se denomina golo. A equipe que marca mais golos ao término da partida é a vencedora.
O jogo moderno foi criado na Inglaterra com a formação da Football Association, cujas regras de 1863 são a base do desporto na actualidade. O órgão regente do futebol é a Fédération Internationale de Football Association, mais conhecida pela sigla FIFA. A principal competição internacional de futebol é a Copa do Mundo FIFA, realizada a cada quatro anos. Este evento é o mais famoso e com maior quantidade de espectadores do mundo, o dobro da audiência dos Jogos Olímpicos.
A ORIGEM DO FUTEBOL
A actividade mais antiga que se assemelha ao futebol moderno da qual se tem conhecimento data dos séculos III e II a.  C. Estes dados são baseados em um manual de exercícios correspondentes à dinastia Han da antiga China. O jogo era chamado ts'uh Kúh (cuju), e consistia em lançar uma bola com os pés para uma pequena rede. Uma variante incluía uma modalidade onde o jogador deveria passar pelo ataque dos seus adversários. Também no Extremo Oriente, embora cerca de cinco ou seis séculos depois do cuju, existia uma variante japonesa chamada kemari, que tinha um carácter mais cerimonial, sendo o objectivo do jogo manter uma bola no ar passando-a entre os jogadores. O kemari até hoje é praticado no Japão, em eventos culturais.
No Mediterrâneo destacaram-se duas formas de jogo: o harpastum, em Roma, e o epislcyros, na Grécia, sobre o qual se tem pouca informação. O primeiro era disputado por duas equipes em um terreno rectangular demarcado e dividido pela metade por uma linha. Os jogadores de cada equipe podiam passar uma pequena bola entre eles, e o objectivo do jogo era enviá-la ao campo contrário. Esta variante foi muito popular entre os anos 700 e 800, e, apesar de ter sido introduzida nas Ilhas Britânicas, sua ascensão até o futebol moderno é incerta.
Durante a Era dos Descobrimentos, começou-se a conhecer desportos provenientes do Novo Mundo. Estima-se que o pok ta pok dacultura maia teria 3 000 anos de história.  Na Groenlândia também se jogava um desporto que se assemelhava ao futebol, ao passo que o jogo denominado marngrook, da Oceania, tinha características que o assemelhava ao futebol australiano. Onde hoje se localizam os Estados Unidos os aborígenes praticavam outros jogos: o pasuckuakohowog na área continental central e o asqaqtuk no Alasca.
Embora estes jogos tiveram certas características que os assemelham ao futebol e outros desportos variados modernos, a incidência dos mesmos nos desportos actuais é discutível, já que praticamente não há vínculos dos mesmos com as Ilhas Britânicas, o berço do futebol moderno.
Nos finais da Idade Média e séculos posteriores desenvolveram-se nas Ilhas Britânicas e em zonas circunvizinhas distintos tipos de jogos de equipe, os quais eram conhecidos como códigos de futebol. Estes códigos foram se unificando com o passar do tempo, mas foi na segunda metade do século XVII que ocorreram as primeiras grandes unificações do futebol, que deram origem ao rúgbi, ao futebol americano, ao futebol australiano etc. e ao desporto que hoje é conhecido em grande parte do mundo como futebol.
Os primeiros códigos britânicos se caracterizavam por terem poucas regras e por sua extrema violência. Um dos mais populares foi o futebol escolar. Por esta razão o futebol escolar foi proibido na Inglaterra por um decreto do Rei Eduardo III, que alegou ser um desporto não-cristão, e a proibição perdurou por 500 anos.  O futebol escolar não foi a única forma de jogo da época; de fatos existiram outras formas mais organizadas, menos violentas e inclusive que se desenvolveram fora das Ilhas Britânicas. Um dos jogos mais conhecidos foi o calcio fiorentino, originário da cidade de Florência, na Itália, no período da renascença, no século XVI. Este desporto influenciou em vários aspectos o futebol actual, não somente por suas regras, mas também pelo ambiente de festa em que se jogavam estas partidas.
A FUNDAÇÃO DO FUTEBOL
A palavra futebol é de origem inglesa:
foot: pé 
ball: bola 
Até hoje não se tem um dado concreto de quando e onde surgiu o futebol, mas o que se sabe é que em muitas culturas os povos já faziam algo parecido com o futebol, ou seja, brincadeiras de chutar bolas, mas sem regras, e sem limites.
Foi no século XX, na Inglaterra, que o futebol passou a ser um jogo oficial, já com algumas regras, e o principal objectivo do jogo é chutar a bola e colocar ela dentro do golo.
NOTTS COUNTY foi é um time da Inglaterra, foi o primeiro time de futebol a ser criado no mundo, em 1862.
Somente em 1871 que surge a posição do goleiro, antes disso nenhum jogador podia pegar a bola com as mãos.
Hoje o futebol é o jogo mais popular no mundo inteiro, por ser fácil e simples, e ele não atrai somente os jogadores, mas também espectadores, que torcem pelo seu time.
O futebol sempre foi um jogo direccionado ao público masculino, por exigir uma grande força física. Mas actualmente, muitas as mulheres já estão quebrando este tabu de que futebol é só para homem, e já até existe Campeonato Mundial de Futebol Feminino.
A FIFA é o órgão responsável por comandar os eventos de futebol, como Campeonatos e Copas. O evento mais importante do Futebol é a Copa do Mundo que acontece de 4 em 4 anos. A selecção brasileira é a única selecção que sempre participou da Copa do Mundo, e é a que tem mais título, 4 no total.




A FUNDAÇÃO DO ATLETISMO
O Atletismo é a forma mais antiga de um desporto organizado. Na realidade, trata-se de uma mistura de vários desportos, que engloba as corridas, os saltos e os lançamentos. É um esperte que vem dos tempos de outrora em que correr, saltar e lançar eram encarados como uma aprendizagem vital na caça e na guerra. Há indícios de que a origem do atletismo ocorreu por volta de 4 mil anos atrás no Egipto Antigo, onde, corrida entre homens eram realizadas.
Logo mais, na Ilha de Creta, na velha Grécia, eram realizados jogos periódicos que incluíam provas de velocidade, salto em distância, salto em altura e arremesso de objetos variados. Nos originários antigos jogos em Olímpia, os corredores usavam elmo e escudo. Nos primeiros jogos de que há registo efectuados na Grécia, em 776 a.C., existiu apenas uma prova, a corrida no estádio.
A forma moderna do Atletismo, da qual hoje apreciamos, começou a ser praticada no início do século 19, na Inglaterra. Foi de lá que muitas das modalidades existentes foram criadas.
Em meados da década de 1860, as universidades de Oxford e Cambridge começaram a disputar entre si provas de atletismo.  Com estas competições foi que surgiu o primeiro campeonato britânico da história realizado no ano de 1866. Em 1868, quando os europeus já celebravam diversos campeonatos pelo continente, o atletismo atravessou o Oceano Atlântico e chegou aos Estados Unidos.
A partir daí, o Atletismo cresceu e acabou se tornando o mais popular nos esportes individuais. Tanto que sua inclusão nos primeiros Jogos Olímpicos da Era (foto abaixo) moderna, realizado em Atenas, na Grécia, em 1896, foi inevitável. Em 1913, foi criada a Federação Internacional de Atletismo Amador (Iaaf), com sede em Londres. Essa entidade é responsável até hoje pela regulamentação da modalidade. Após a estréia nos Jogos Olímpicos, o atletismo nunca esteve fora das Olimpíadas. Atualmente, o esporte conta com mais de 25 categorias diferentes no programa do maior evento esportivo do mundo.


CONCLUSÃO
Chegou-se a conclusão de que o futebol é um desporto mais apreciado mundialmente. Neste contesto é importante enfatizar (principalmente crianças e jovens) para praticar este tipo de desporto que retira muita das vezes de outros vícios que os jovens normalmente carregam dentro deles até porque o desporto em particular o futebol faz bem a saúde física do corpo.




BIBLIOGRAFIA
O atletismo. Disponível em: http://www.travinha.com.br/outros-esportes-oficiais/78-atletismo/140-atletismo-a-origem. Acessado aos 11 de Setembro de 2015
Surgimento do futebol. Disponível em: http://www.colegioweb.com.br/esportes/quando-surgiu-o-futebol.html. Acessado aos 11 de Setembro de 2015
O futebol. Disponível em: http://www.educacaofisica.seed.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=345. Acessado aos 11 de Setembro de 2015
O futebol. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Futebol. Acessado aos 11 de Setembro de 2015

A PRODUÇÃO DOS RECURSOS A NÍVEL MUNDIAL


INTRODUÇÃO
O presente trabalho fala sobre a produção dos recursos a nível mundial e a revolução industrial, sabendo que cada um deles factoriza o outro. Assim se poderá fazer uma abordagem sobre estes títulos propostos para nós na melhor forma de entendimento de como eles são desde a produção dos recursos naturais até a revolução industrial. A medida proposta pelo desenvolvimento são de abordagens resumidas que marcaram a história mundial concernente a produção dos recursos naturais a nível mundial.




A PRODUÇÃO DOS RECURSOS A NÍVEL MUNDIAL
Quase tudo o que é feito ou construído, assim como a energia usada, provém da Terra. A sociedade depende cada vez mais dos recursos minerais e energéticos. Eles não são renováveis e sua disponibilidade, custos de produção e localização geográfica são variados.
Durante o século 20, o principal interesse da indústria ligada à produção de recursos não renováveis transitou dos minerais metálicos para os industriais, além do petróleo e do gás. Isso transformou essa indústria num dos atores principais das economias nacionais.
Os recursos minerais possuem natureza e composição diversas que reflectem sua origem. A avaliação da possibilidade de prospecção requer que os geólogos compreendam esses processos e as interacções que estão por trás das diferenças entre uma formação rochosa comum e um depósito mineral com valor económico.
A procura crescente de recursos requer uma exploração contínua e o desenvolvimento de depósitos minerais ainda por serem descobertos. É raro descobrir-se um depósito de alta qualidade mundial, mas não se espera num futuro próximo uma redução global dos recursos não combustíveis, segundo o Projecto Global de Avaliação de Recursos Minerais (USGS). Diversos obstáculos, porém, começaram a restringir sua disponibilidade.
O "problema dos recursos minerais" é, essencialmente, uma questão de economia do desenvolvimento desses reticursos de uma forma social e ambientalmente responsável. Um bom planejamento e decisões que respeitem o desenvolvimento sustentável dos recursos precisam de uma perspectiva global a longo prazo e de uma abordagem integrada relativa ao uso do subsolo, aos recursos e à gestão ambiental. Por outro lado, essa abordagem requer que informações imparciais sobre a distribuição global dos recursos minerais conhecidos, os factores económicos que influenciam seu desenvolvimento e as consequências ambientais da sua exploração estejam disponíveis.
A indústria de rochas e agregados minerais fornece materiais para estradas, ferrovias, aeroportos, edifícios, portos e outras obras de engenharia civil, assim como as matérias-primas para o cimento. Os agregados são obtidos por meio da exploração de pedreiras e areeiros em terra e no mar e da reciclagem de resíduos industriais e de centrais térmicas. A indústria também fornece quantidades significativas de argila e rochas naturais.
Vários países tentam minimizar o volume da extracção desses materiais de forma a proteger o ambiente e conservar a qualidade e a quantidade dos recursos hídricos. A avaliação qualitativa dos materiais de construção é essencial para optimizar o ajuste do material com o trabalho a ser feito. O aprimoramento de métodos de exploração, a produção de resíduos menos perigosos, o desenvolvimento de novas tecnologias e instrumentos, além de produtos melhores e mais funcionais, beneficiarão toda a sociedade.
A indústria do petróleo mostrou que é possível lidar com os desafios ambientais. O gás natural tem-se tornado um combustível cada vez mais atractivo para diversos usos. Fornece uma chama limpa, gases de exaustão relativamente não poluentes, facilidade de controlo de fluxo de calor e, quando necessário, alta intensidade de calor. Pode inclusive ser usado como combustível para automóvel
O petróleo é um recurso não renovável que tem origem na matéria orgânica oriunda de antigas plantas e microrganismos. Em 2004, a quantidade de óleo cru e gás natural a ser explorada foi estimada em cerca de 158 gigatoneladas de "equivalente do petróleo" tanto para o primeiro como para o segundo. Hidratos naturais de gás, assim como outros recursos não convencionais (por exemplo, petróleos extrapesados, areias oleosas e metano em camadas carboníferas) não constam dessa estimativa, mas existem em quantidades apreciáveis.
A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
A Revolução industrial foi um conjunto de mudanças que aconteceram na Europa nos séculos XVIII e XIX. A principal particularidade dessa revolução foi a substituição do trabalho artesanal pelo assalariado e com o uso das máquinas.
Até o final do século XVIII a maioria da população europeia vivia no campo e produzia o que consumia. De maneira artesanal o produtor dominava todo o processo produtivo.
Apesar de a produção ser predominantemente artesanal, países como a França e a Inglaterra, possuíam manufacturas. As manufacturas eram grandes oficinas onde diversos artesãos realizavam as tarefas manualmente, entretanto subordinados ao proprietário da manufactura.
A Inglaterra foi precursora na Revolução Industrial devido a diversos factores, entre eles: possuir uma rica burguesia, o fato do país possuir a mais importante zona de livre comércio da Europa, o êxodo rural e a localização privilegiada junto ao mar o que facilitava a exploração dos mercados ultramarinos.
Como muitos empresários ambicionavam lucrar mais, o operário era explorado sendo forçado a trabalhar até 15 horas por dia em troca de um salário baixo. Além disso, mulheres e crianças também eram obrigadas a trabalhar para sustentarem suas famílias.
Diante disso, alguns trabalhadores se revoltaram com as péssimas condições de trabalho oferecidas, e começaram a sabotar as máquinas, ficando conhecidos como os quebradores de máquinas”. Outros movimentos também surgiram nessa época com o objectivo de defender o trabalhador. O trabalhador em razão deste processo perdeu o conhecimento de todo a técnica de fabricação passando a executar apenas uma etapa.
A Primeira etapa da Revolução Industrial 
Entre 1760 a 1860, a Revolução Industrial ficou limitada, primeiramente, à Inglaterra. Houve o aparecimento de indústrias de tecidos de algodão, com o uso do tear mecânico. Nessa época o aprimoramento das máquinas a vapor contribuiu para a continuação da Revolução.
A Segunda Etapa da Revolução Industrial 
A segunda etapa ocorreu no período de 1860 a 1900, ao contrário da primeira fase, países como Alemanha, França, Rússia e Itália também se industrializaram. O emprego do aço, a utilização da energia eléctrica e dos combustíveis derivados do petróleo, a invenção do motor a explosão, da locomotiva a vapor e o desenvolvimento de produtos químicos foram as principais inovações desse período.
A Terceira Etapa da Revolução Industrial 
Alguns historiadores têm considerado os avanços tecnológicos do século XX e XXI como a terceira etapa da Revolução Industrial. O computador, o fax, a engenharia genética, o celular seriam algumas das inovações dessa época.



CONCLUSÃO
Depois da pesquisa feita chega-se então a conclusão de que nível local como a nível global, uma das preocupações que actualmente inquieta a humanidade são as altas taxas decrescimento populacional. O cenário de um aumento crescente da população humana no planeta implica o aumento da procura de alimento, água, energia, ou seja, de todos os recursos naturais da Terra. Sendo assim é importante que preservemos os recursos existentes contando com as próximas gerações.


BIBLIOGRAFIA
A revolução industrial. Disponível em: http://www.sohistoria.com.br/resumos/revolucaoindustrial.php. Acessado aos 11 de Setembro de 2015.
Os recursos naturais. Disponível em: http://revistaplaneta.terra.com.br/secao/unesco-planeta/recursos-naturais. Acessado aos 11 de Setembro de 2015.

A física médica



1. Física Médica


1.1-Estado da Arte



A Física Médica é o ramo da Física que compreende a aplicação dos conceitos, leis, modelos, agentes e métodos da Física para o diagnóstico e tratamento de doenças, desempenhando uma importante função na assistência médica, na pesquisa biomédica e na otimização da proteção radiológica. A Física Médica proporciona a base científica para a compreensão e desenvolvimento de modernas tecnologias que têm revolucionado o diagnóstico e a terapia, estabelecendo os critérios para assegurar a correta e efetiva utilização dos agentes físicos na Medicina. Em colaboração com a Bioengenharia, fornece ainda as bases necessárias para a medida das variáveis biomédicas e aporta, junto com a biofísica, os fundamentos necessários para o desenvolvimento de modelos que explicam o funcionamento do corpo humano.

A Física Médica foi criada quando avanços da física puderam ser incorporados à área médica. Leonardo da Vinci, no século XVI, pode ser considerado como o primeiro físico médico devido a seus estudos de biomecânica, como a locomoção humana e o movimento do coração, e do sangue no sistema cardiovascular.

Os conhecimentos físicos de óptica possibilitaram a invenção do microscópio, que por sua vez ajudou os médicos a compreenderem melhor as estruturas biológicas, assim como a descobrir a existência dos microorganismos no século XVII.

No século XVIII, o cientista e médico italiano Luigi Galvani descobriu que músculos e células nervosas eram capazes de produzir eletricidade. A partir dessa relação entre eletricidade e corpo humano, e com o avanço da ciência do eletromagnetismo no século XIX, novas contribuições ao tratamento e ao diagnóstico médico puderam ser feitas por cientistas como D’Arsonval. O desenvolvimento da eletrocardiografia e da eletroencelografia só foi possível

com tecnologias como voltímetros gravadores de sensibilidade e o galvanômetro criado por Einthoven. Esses conhecimentos deram origem a novas áreas, como a bioeletricidade e o bioeletromagnetismo.

Um exemplo notável de cientista cujos trabalhos em física e em medicina se confundiam é Hermann von Helmholtz. Seu primeiro trabalho científico foi sobre a conservação de energia, inspirado em seus estudos sobre o metabolismo muscular. Também revolucionou o campo da oftalmologia quando inventou o oftalmoscópio e realizou estudos sobre acústica e audição.
Um dos últimos objetos de estudo de Helmholtz foi o eletromagnetismo, sendo o primeiro a demonstrar a radiação eletromagnética.

A descoberta dos raios X pelo alemão Wilhelm Conrad Röntgen, em 1895, é um marco da Física que teve grande impacto na Medicina. Além de render-lhe o primeiro Prêmio Nobel de Física, o trabalho de Röntgen abriu caminho para estudos que renderiam o terceiro prêmio, dado a Antoine Henri
Becquerel, Pierre e Marie Curie pelas observações e interpretações de resultados sobre as emissões de partículas provenientes de corpos radioativos (radioatividade). Em 1908, por formular hipóteses sobre substâncias radioativas, Ernest Rutherford foi laureado com o Nobel de Química.

Além desses, muitos outros pioneiros cientistas receberam o Nobel pelos seus trabalhos com a radioatividade. Apesar de sua utilização na Medicina ser datada desde sua descoberta, com a utilização da substância rádio no tratamento de câncer de pele, os perigos de uma utilização não controlada foram rapidamente evidenciados, com a doença e morte de alguns desses cientistas. A partir dessa preocupação, foram criadas as primeiras organizações internacionais responsáveis pelas recomendações de proteção radiológica.

A utilização de raios X e radioatividade no diagnóstico e na terapia foram responsáveis pela introdução dos físicos em hospitais. O físico e matemático suíço Theophil Friedrich Christen doutorou-se em Medicina em 1905. Por razões de treinamento médico, visitou importantes hospitais em Londres e nos EUA. Depois de retornar dos EUA, abriu em Berna uma clínica médica, onde se ocupou principalmente da recente Radiologia e se preparou para o exame

de habilitação em fisioterapia. Em 1908, diante da Faculdade de Medicina de Berna, na área de Física Médica, defendeu uma tese não convencional para a época: "A Clareza das Chapas Médicas como Problema de Absorção".

Em um hospital em Boston, nos EUA, o físico William Duane iniciou um trabalho com fontes de radônio para o tratamento de câncer em 1913. No mesmo ano, outro físico, Sydney Russ, começou a trabalhar no Middlesex Hospital em Londres. Gioacchino Failla, em Nova York, trabalhava no uso de radiações em terapia, no ano de 1915.

Como área de atuação, estava criada a Física Médica. Na década de 50, médicos e profissionais de Física Médica já atuavam em conjunto. Nas décadas de 60 e 70 foram criadas legislações que estabeleceram a presença deste profissional em algumas áreas médicas, como por exemplo, em radioterapia e medicina nuclear. No Brasil, esta área foi mais bem estruturada com a criação, em 1969, da Associação Brasileira de Física Médica (ABFM).

Atualmente a Física Médica é desenvolvida principalmente nas áreas de radiologia diagnóstica e intervencionista, medicina nuclear, radioterapia, radiocirurgia, proteção radiológica, metrologia das radiações, biomagnetismo, radiobiologia, processamento de sinais e imagens biomédicas, clínica e epidemiológica.

Apesar do surgimento da Física Médica estar associado ao uso da radiação ionizante, essa área do conhecimento não se restringe a esse tipo de radiação. Assim, a crescente contribuição da Física Médica é uma conseqüência natural da evolução da ciência moderna e da tecnologia, com grande impacto na saúde da população. Como exemplo, há a Biofotônica que tem apresentado intenso desenvolvimento de novas técnicas de diagnóstico e terapia.

O físico médico pode atuar em diversos ramos: como professor de instituição de ensino superior; como pesquisador de centros e instituições, gerando novos conhecimentos e métodos para serem utilizados em diagnóstico, tratamento e processos relacionados à área médica; e trabalhando em centros médicos (clínicas e hospitais), onde atua lado a lado com outros profissionais da área de saúde, ou em empresas de desenvolvimento e

comercialização de equipamentos médico-hospitalares, atuando na área técnica.

Pode trabalhar também em empresas especializadas na prestação de serviços de controle da qualidade de equipamentos de alto teor tecnológico, em projetos de controle da radiação (transporte de material radioativo, cálculo de barreira/proteção radiológica), em institutos controladores e reguladores de radiação ionizante, em órgãos de vigilância sanitária e na indústria de equipamentos de diagnóstico e terapia. Existe ainda a possibilidade de ministrar cursos de formação de pessoal técnico qualificado, como técnicos e tecnólogos em radiologia, entre outros profissionais da área da saúde.

O físico médico é indispensável no planejamento radioterápico, no desenvolvimento, controle e emprego de equipamentos como mamógrafos, tomógrafos de raios X, aparelhos de ressonância magnética nuclear, cintilografia, entre outros, e no uso de técnicas que empregam laser, podendo atuar ainda na proteção radiológica de trabalhadores da área de saúde e do público em geral. O físico médico é responsável pela otimização dos protocolos de aquisição de imagens e dosimetria, garantindo a segurança radiológica dos pacientes e a qualidade diagnóstica das imagens. Ele é capacitado a avaliar, por exemplo, a eficiência de blindagens em setores que utilizam equipamentos com fontes de radiação, e, com pós-graduação, a trabalhar em universidades e centros de pesquisa. Como o físico médico trabalha sempre com a interdisciplinaridade de áreas, necessita de conhecimentos sólidos em física, matemática, informática, química e nas áreas biológicas, principalmente anatomia, fisiologia, biologia celular e tecidual e farmacologia, entre outras disciplinas.

1.2-Desafios e perspectivas

Como a Física Médica é uma área multi e interdisciplinar, é essencial que os físicos que nela atuam tenham uma formação voltada para essas características. Entretanto, existem poucos cursos de graduação em Física ou áreas correlatas com currículos enfocando as necessidades dessa especialidade e, para dificultar, um número significativo de profissionais tem

atuado em estabelecimentos de saúde diversos, sem o treinamento e capacitação prévios adequados em ambiente clínico nessa especialidade.
Esse panorama identifica o primeiro desafio geral a ser vencido: a formação de físicos qualificados para atuarem nas diferentes áreas e funções. Os cursos de graduação com essa finalidade devem ter, além de uma sólida base em física, um enfoque dirigido às práticas e aos objetivos da área desde o início, para que os egressos possam ingressar no mercado de trabalho com um treinamento dado sob a supervisão, em um hospital ou clínica, por um ou mais físicos médicos experientes já atuantes na área (relação aluno-preceptor). Será também importante o estabelecimento de centros de referência e programas de intercâmbio para treinamento de profissionais provenientes de regiões nas quais as novas tecnologias não tenham sido implementadas. Não se pode esquecer da formação de físicos egressos de cursos tradicionais que queiram entrar na área. Isso pode ser feito com programas de especialização e treinamento sistematizados em centros clínicos bem equipados e com equipes com profissionais qualificados de várias áreas. Nesse sentido, é imprescindível a abertura de programas de residência multiprofissional em Física Médica, nas suas modalidades tradicionais, nas diversas regiões do país.

Um segundo desafio para os físicos médicos: a educação, principalmente dos diferentes profissionais de saúde - técnicos e tecnólogos em radiologia, biomédicos, pessoal da enfermagem, médicos, engenheiros clínicos e biomédicos - sobre os riscos e benefícios das radiações ionizantes e não-ionizantes. Apesar do esforço dos físicos, as dúvidas e os vícios de procedimentos, assim como os mitos e os medos, sempre voltam, e há necessidade de uma contínua atenção na educação dos profissionais, para que seja garantida a segurança do atendimento aos pacientes e dos próprios trabalhadores ocupacionalmente expostos à radiação.
Também se faz necessária a divulgação à população em geral dos riscos e benefícios das radiações ionizantes e não-ionizantes, em especial o esclarecimento com a apresentação de estudos epidemiológicos para combater o preconceito decorrente de mitos e medos associados à radiação.
Quando se consideram os resultados de grupos de pesquisas e as aplicações clínicas, surge um terceiro desafio no âmbito geral da Física Médica: como melhorar e implementar novas parcerias entre hospitais e

universidades e centros de pesquisa, para que se gere mais conhecimento na área e se amplie a formação dos físicos médicos? Como mencionado, essa parceria tem duas vias, e ambas devem ser aproveitadas completamente. Em geral, a interação se dá no âmbito individual e pontualmente, de pesquisador com pesquisador e num aspecto particular de comum interesse. Muitas vezes, uma divulgação com conseqüente discussão mais ampla pode resultar num melhor aproveitamento do tópico ou da metodologia em pauta. A criação de espaços acadêmicos congregando profissionais, pesquisadores e estudantes de diversas áreas do conhecimento para a troca de experiências profissionais e científicas, seja através de programas de pós-graduação interdisciplinares stricto e lato sensu nas universidades ou de residência multiprofissional em hospitais, pode contribuir para aumentar a massa crítica em Física Médica e fomentar a geração de conhecimento de vanguarda com vistas a aplicações clínicas.
O quarto desafio envolve a implementação de parcerias entre grupos de pesquisa e fabricantes de equipamentos e/ou empresas de software da área da saúde, para que resultados importantes não sejam deixados em prateleiras dos centros de pesquisa e encontrem uso através da incorporação nos produtos comerciais, que são dominados por multinacionais. O outro lado dessa questão não é discutido, pois, em geral, esses fabricantes já financiam projetos de seu interesse em centros de pesquisa ou universidades em seus países de origem ou, então, simplesmente implementam algoritmos publicados em revistas cientificas em seus sistemas. Uma possível solução - principalmente, nas áreas de imagens, proteção radiológica e controle da qualidade - é a instalação de microempresas de desenvolvimento de software e de prestação de serviços ou, ainda, fabricantes de equipamentos de menor custo, como os medidores de sinais elétricos e fisiológicos, simuladores e dispositivos para controle de qualidade. Essa alternativa exige outras habilidades que fogem do escopo da formação tradicional dos físicos, necessitando de parcerias com outros profissionais, como engenheiros e administradores.

O quinto desafio é o pequeno número de egressos do ensino médio que optam pela carreira de física e, conseqüentemente, optam pela carreira de físico médico. Desconhecida da maior parte da população, ainda existe um

grande desconhecimento sobre as áreas de atuação do físico médico, mesmo entre os físicos.
A lista de desafios não se limita a esses cinco, que são os mais presentes e que requerem reflexões por parte dos físicos. O desenvolvimento desta área é fundamental para o progresso da tecnologia e atendimento em
Saúde no país. Para isso, precisamos fortalecer a profissão de físico médico através do estabelecimento de definições precisas das qualificações de um especialista nessa área; criação de programas de graduação, especialização e pós-graduação na área; estabelecimento de comitês de supervisão de atividades de treinamento. Os objetivos futuros incluem estabelecer a profissão de físico médico como uma das especialidades de uma carreira de física independente, como ocorre com enfermeiros, dentistas, fonoaudiólogos, fisioterapeutas e outros profissionais da área de saúde; definir de forma clara tarefas e responsabilidades do físico médico; estabelecer regulamentos que evitem a atuação de indivíduos sem qualificação.
Do ponto de vista cientifico, existe um fluxo constante de inovação advinda do desenvolvimento de novos princípios e técnicas na ciência em geral e, em particular, da física, possibilitando que com novas técnicas haja diminuição de custos de tratamento e redução da taxa de mortalidade. Existe uma preocupação constante em se diminuir os níveis de exposição às radiações ionizantes nos procedimentos radiológicos, particularmente nos sistemas com captura digital de imagens. O desenvolvimento e uso de equipamentos e modalidades de diagnóstico que possibilitam a obtenção simultânea de imagens anatômicas e funcionais vem crescendo, exigindo novas competências na área. A radioterapia vem passando por uma grande revolução com técnicas conformacionais, terapias guiadas por imagem e futuramente pela fisiopatologia celular. Medidas ultra-sensíveis de campos magnéticos na ordem de um bilhão de vezes mais fracos que o campo magnético da Terra permite que se estude a atividade cerebral de forma não invasiva. De forma análoga a utilização de métodos ópticos não invasivos vem sendo utilizado no diagnóstico de várias patologias, seja por métodos de imagens, seja por métodos espectroscópicos de fluorescência ou vibracional. O laser é cada vez mais utilizado em procedimentos médicos e em algumas situações é a única opção de tratamento. Atualmente a remoção de caries já

deixou de ser um procedimento desconfortável e desagradável com o advento de lasers ablativos em tecidos mineralizados. A terapia fotodinâmica antimicrobiana tem sido uma excelente alternativa de tratamento em medicina bucal e na pele, assim como nos últimos anos lasers ou LEDS de baixa potência tem prevenido e tratado a mucosite (efeito colateral da radioterapia ou quimioterapia), sendo o Brasil líder nestas aplicações clínicas. Além disso, técnicas de dois fótons poderão levar a terapia fotodinâmica para o interior do corpo humano permitindo o tratamento de tumores mais profundos. As nanopartículas estão na ordem do dia através de agentes de contraste para o trato gastrointestinal e como possíveis carregadores de agentes para o aumento da eficácia da radioterapia, da terapia fotodinâmica antimicrobiana, ou ainda no aumento dos sinais ópticos de espectroscopia Raman ou FTIR para diagnóstico diferencial de microorganismos, células ou neoplasias. A medida de pequenos fluxos sanguíneos só é possível com a o laser Doppler, indicando de forma rápida e não invasiva se um tecido está em processo de necrose. As ondas acústicas, através do ultrassom, começam a ser utilizadas para o tratamento de células cancerígenas. A lista é extensa e para que possamos nos manter atualizados, investimentos contínuos e substanciais se fazem necessários.


2-Relevância para a Sociedade





2.1-Formação de Pessoal



O Físico Médico é um profissional com sólida formação em Física, conhecedor do método científico, com desenvolvimento da atitude científica como hábito para a busca da verdade científica, de postura ética e perseverante, preparado para enfrentar novos desafios e buscar soluções de problemas de forma criativa e com iniciativa. O Físico Médico utiliza

prioritariamente o instrumental (teórico e/ou experimental) da Física em conexão com outras áreas do saber como a Biofísica, Medicina, Biologia, Química, Comunicação, Economia, Administração e incontáveis outros campos. Em quaisquer dessas situações, o físico médico passa a atuar de forma conjunta e harmônica com especialistas de outras áreas, tais como, químicos, médicos, matemáticos, biólogos, engenheiros e administradores.

É importante lembrar que as pesquisas realizadas por alguns grupos de biofísica – em especial a biofísica molecular e a neurofisiologia – trazem resultados que auxiliam a compreensão de mecanismos celulares e processos neurológicos, entre outros. Esses conhecimentos podem contribuir para o desenvolvimento de novas abordagens e metodologias em diagnóstico e terapia. Por outro lado, os físicos médicos podem fornecer informações de caráter clínico que venham a indicar futuras patologias causadas por anormalidades em nível molecular. Assim, a colaboração entre biofísicos e físicos médicos pode ser bastante enriquecedora para ambos.



2.2-Desenvolvimento científico e tecnológico



Em Física Médica, a demanda por profissionais qualificados é devida, principalmente, ao avanço tecnológico crescente dos equipamentos utilizados pelo setor da saúde. Tomografia computadorizada, aplicação de laser no tratamento dermatológico, medicina nuclear e o tratamento radioterápico do câncer, entre outros, são exemplos de áreas que necessitam de um profissional qualificado para sua operacionalização e desenvolvimento. Segundo dados de 2007 da Associação Brasileira de Física Médica, o Brasil tem da ordem de 500 físicos médicos atuantes no mercado de trabalho, principalmente nas grandes capitais do sul-sudeste, o que mostra uma carência muito grande de profissionais nas regiões menos demográficas do
Brasil. A necessidade da formação de pessoal qualificado é devido à expansão da tecnologia e da instrumentalização dos hospitais e clínicas especializadas, crescente necessidade de formação de físicos com uma visão interdisciplinar, expansão dos cargos de Professores nas IES e IFETS, promoção de uma

formação de Física Aplicada a Físicos com capacidade de absorver e desenvolver novas tecnologias.



2.3-Impacto na economia

Além das já conhecidas atuações dos físicos médicos em Radiodiagnóstico, Medicina Nuclear, Radioterapia e Radioproteção, existe ainda um número reduzido de profissionais da Física Médica contratados por fabricantes de equipamentos e acessórios em setores de assistência, treinamento e vendas. Grupos de físicos médicos também formam empresas de consultoria em informática médica, proteção radiológica, bem como controle da qualidade em diversas áreas, e realizam atendimento nas diversas regiões do país.

O desenvolvimento de equipamentos de diagnóstico e terapia com tecnologia nacional, além de dispositivos de controle de qualidade, a preços competitivos internacionalmente pode gerar divisas ao país e facilitar o acesso da população a procedimentos que hoje tem alto custo para o sistema único de saúde.
A tendência mundial tem sido a de acompanhar a sofisticação das técnicas de diagnóstico e tratamento com o uso de métodos dosimétricos mais precisos, simulações computacionais de feixe e de paciente, desenvolvimento de algoritmos de cálculo mais fieis à anatomia do paciente e a verificação individual da dose no paciente.

3-Infraestrutura

A comunidade de físicos médicos brasileiros tem contribuído principalmente na elaboração e execução de programas de controle e garantia da qualidade e de proteção radiológica. Grupos em universidades estão também desenvolvendo pesquisas em processamento de imagens - para fins de diagnósticos mais precisos em reconstrução tomográfica, com a inclusão de fatores instrumentais físicos que não são considerados em sistemas comerciais.
A ultrassonografia tem tido pesquisas associadas há várias décadas.

Porém,  devido  aos  equipamentos  clínicos  de  ultrassonografla  serem

relativamente inócuos, e bastante fechados pelos fabricantes, quase não se encontram físicos atuando na rotina clínica no Brasil. Existem grupos no país, principalmente em universidades, realizando pesquisas de desenvolvimento de transdutores e métodos para caracterização de tecidos. Há a perspectiva de que o aumento na adoção de procedimentos quantitativos pelos médicos especialistas possa levar a uma procura maior de físicos nessa área.
Os grupos de ressonância magnética do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (campus São Carlos) e da Universidade Federal de
Pernambuco foram pioneiros ao construírem seus próprios tomógrafos de baixo campo magnético. Com isso, eles mostraram que é possível desenvolver tecnologia própria nessa área em que dominam os fabricantes multinacionais. Atualmente, esses e outros grupos associados têm se dedicado à melhoria dos tomógrafos e à construção de bobinas específicas, assim como a seqüência de pulsos para a extração de informações que não são fornecidas pelos sistemas comerciais, dentro de um ambiente mais acadêmico do que clínico.
O físico na área de radioterapia no Brasil não costuma atuar como pesquisador, pois a pesquisa continua basicamente atrelada a empresas estrangeiras. Porém, dentro de um serviço de radioterapia, sua tarefa é de fundamental importância. Dentre suas obrigações, está a garantia da qualidade de em cada fase do processo radioterápico. Para isso, além do comissionamento, da calibração e da dosimetria dos equipamentos de tratamento, bem como a supervisão de proteção radiológica, sua atuação com os sistemas de planejamento é de grande responsabilidade, incluindo implementação dos dados das máquinas de tratamento, a verificação dos algoritmos para uso clínico, o uso de imagens e os planejamentos de tratamento. Com as novas técnicas de tratamento, o controle da qualidade deve ser muito rígido, e a verificação da entrega da dose aos pacientes tem papel de destaque.

No Brasil, nas rotinas das radioterapias, realiza-se somente a dosimetria do feixe no ar e em simuladores homogêneos. Há situações ainda raras em que a parceria de clínicas de radioterapia com universidades e institutos de pesquisa resulta em desenvolvimento de novas técnicas radioterápicas ou dosimétricas, por iniciativa individual de algum físico médico ou médico que deseja avaliar um novo tratamento ou equipamento.

Muitas pesquisas extremamente cuidadosas devem ser realizadas para verificar a existência de uma correlação entre as radiações não ionizantes e os efeitos carcinogênicos. No caso da radiação ultravioleta, é preciso estabelecer metas de esclarecimento do público para evitar exposições excessivas ou mesmo artificiais com propósitos de bronzeamento. No Brasil, existem pesquisadores estudando os efeitos das radiações não ionizantes e diversos grupos se dedicando ao desenvolvimento de equipamentos para a aplicação de laser em odontologia, oftalmologia e dermatologia e em terapia fotodinâmica.

4. Inclusão Social


Poderíamos definir a inclusão social no contexto da Física Médica como universalizar o acesso de toda a população aos bens e serviços que garantam qualidade de vida ao cidadão. Nesse contexto, o desenvolvimento da Física Médica no Brasil possibilitaria a propagação de técnicas de terapia e diagnóstico por todas as regiões do território nacional e classes sociais, atingindo inclusive as regiões e classes menos favorecidas, com a garantia da qualidade e da segurança a todos os envolvidos no processo. A Física Médica compreende uma área do conhecimento fortemente associada à saúde, com uma estrutura de formação acadêmica e profissional em nível de graduação e pós-graduação realizada tradicionalmente em instituições formadoras de reconhecida competência. Os programas de residência, aprimoramento ou especialização em andamento na área, caracterizados pelo treinamento em serviço com supervisão de profissionais capacitados, reforçam a vocação do físico médico como profissional da área da saúde.

Hoje, somente grandes hospitais possuem tecnologia suficiente para oferecer a seus pacientes um melhor tratamento e técnicas de diagnóstico por imagens de maior complexidade. No entanto, os grandes hospitais, em sua maioria, são particulares, e, portanto, somente as classes altas da sociedade usufruem dos benefícios oriundos das novas tecnologias em Física Médica. Os hospitais públicos possuem um grande número de pacientes a serem tratados, o que acaba por gerar uma sobrecarga na execução de tratamentos.

O aumento de Físicos Médicos no mercado de trabalho brasileiro poderia então facilitar o desenvolvimento de tecnologias nacionais mais baratas em relação às importadas, além de fornecer mão de obra qualificada para o monitoramento dos equipamentos, terapias e diagnósticos, garantindo assim que os benefícios da tecnologia na saúde alcancem a todos, com segurança e qualidade.

5. Recomendações


Qualificar os cursos de graduação em Física Médica, garantindo a realização de estágios em hospitais e clínicas com profissionais qualificados;
Capacitar os físicos médicos através de cursos de pós-graduação;

Ampliar o número de cursos de pós-graduação em Física Médica nas diversas áreas;
Estabelecer metas para o cumprimento das normas e leis que determinam a presença de físicos médicos qualificados em hospitais e clínicas;
Ampliar a divulgação das áreas de atuação do físico médico e sua importância na segurança dos pacientes e trabalhadores da saúde, assim como a garantia da qualidade dos serviços;

Integrar o físico médico às profissões da área da saúde. Reconhecer a Física Médica como área do conhecimento em saúde
Envidar esforços para a descentralização das atividades de física médica.