quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Fármacos que actuam como estimulantes no sistema nervoso central

INTRODUÇÃO

No presente trabalho a abordagem principal centraliza-se aos fármacos que actuam no sistema nervoso central (SNC) que por sua vez podemos definir como um conjunto de órgãos que coordenam todas as actividades do organismo. É a sede da consciência, da memória, da capacidade de aprender, de reconhecer e dos mais elaborados e característicos atributos do Homem, tais como a imaginação, o raciocínio abstracto, o pensamento criativo, entre outros. Neste contexto o presente trabalho está constituído pelos subtítulos que nos foi referenciado para a melhor especificação do tema.






SISTEMA NERVOSO CENTRAL

O sistema nervoso central é constituído por duas partes, o encéfalo, que se situa no crânio, e a medula espinal, que se aloja no canal raquidiano, o SNC é formado por mais de 10 000 milhões de neurónios.
Embora se esteja ainda muito longe de compreender a base celular e molecular das múltiplas e complexas funções do SNC, os progressos farmacológicos obtidos nos últimos anos permitem já uma intervenção terapêutica eficaz e relativamente selectiva em muitas situações decorrentes de perturbações funcionais do SNC.

FÁRMACOS ESTIMULANTES QUE ACTUAM NO SISTEMA NERVOSO CENTRAL

Os medicamentos estimulantes centrais podem atuar em diferentes regiões do sistema nervoso central  (SNC), sendo classificados de acordo com o local em que atuam de maneira predominante e, muitas vezes, até mesmo específica, em três grandes grupos:
  • Estimulantes corticais;
  • Estimulantes bulbares;
  • Estimulantes medulares.
Os fármacos deste grupo atuam de forma preponderante sobre os centros superiores. Nesta categoria encontramos a anfetamina e seus respectivos derivados e as metilxantinas (cafeína, teofilina, teobromina) e seus derivados.
Causam, em graus distintos, alterações comportamentais; podem levar a excitação e euforia, reduzir a sensação de fadiga e aumentar a atividade motora.
Este grupo de fármacos, na medicina humana, é utilizado no tratamento da obesidade, pois é inibidora do apetite.
Além de inibir o apetite, as anfetaminas também podem, em certa dosagem, provocar um estado de excitação e sensação de poder. Seu uso foi popularizado durante a Segunda Guerra Mundial, na década de 50, para combater a fadiga causada pelo combate.
O uso deste fármaco passou a ser comum entre os jovens. Conhecida entre eles como “bolinha” ou “rebite”, deixam o indivíduo “ligado”. A partir da década de 1970, iniciou-se o controle da comercialização, pois as anfetaminas passaram e ser consideradas drogas psicotrópicas, sendo, deste modo, ilegal seu uso sem acompanhamento médico adequado.
As substâncias derivadas das xantinas são: cafeína, teofilina e teobromina, encontradas naturalmente em alimentos ou bebidas como o café, o chá, o chocolate e certos tipos de refrigerantes de sabor cola. São rapidamente absorvidas pelo organismo, após administração oral, parenteral e retal.
Existem evidências de que este grupo de fármacos são antagonistas competitivos de receptores da adenosina, em contraposição a outras possíveis ações observadas com doses mais altas, como a translocação do cálcio, a inibição da fosfodiesterase ou a liberação de neurotransmissores, especialmente a noradrenalina.
A teofilina apresenta grande importância no tratamento da asma, na doença pulmonar obstrutiva crônica, além de funcionar como estimulante do SNC.
A cafeína é encontrada em certas plantas e utilizada para o consumo em bebidas, na forma de infusão, como estimulantes. Dentre as três substâncias do grupo das xantinas, esta é a que mais atua sobre o SNC. Atua ainda sobre o metabolismo basal e eleva a síntese de suco gástrico. Doses terapêuticas dessa substância aumentam a capacidade de trabalho do músculo cardíaco, além de causar vasodilatação periférica.
São medicamentos que apresentam ações estimulantes nos centros bulbares, especialmente no centro respiratório e, em num segundo momento, no centro vasomotor, levando à exacerbada excitabilidade reflexa e, em doses maiores, convulsões. Também são chamados de analépticos.
Atuam sobre o centro respiratório, elevando a ventilação pulmonar, efeito mais potente quando ocorre depressão deste centro pelo uso de barbitúricos, hidrato de cloral, entre outros. Nesta categoria estão englobados o doxapram, a niquetamida, o amifenazol, o etamivam, a picrotoxina e o pentilenotetrazol.

São fármacos que estimulam de preponderante a medula espinhal. O principal representante desta categoria é a estricnina, um alcalóide oriundo da planta Strychnus nux vomica.
A estricnina age de forma indireta, inibindo seletivamente a neurotransmissão inibitória, o que leva ao aumento da atividade neuronal e aumento exagerado da atividade sensorial de todo o SNC. É um bloqueador de receptores da glicina, mediador dos neurônios medulares, causando hiperpolarização dos motoneurônios e inibindo as células de Renshaw, responsáveis pela condução seletiva de impulsos excitatórios alternados para músculos antagônicos. Além disso, em doses elevadas, a estricnina é também um inibidor da liberação do GABA, que é um dos principais neurotransmissores inibitórios do SNC.
Este é um dos estimulantes centrais mais poderosos. Causa convulsões tônicas e simétricas em toda a musculatura esquelética, sendo estes efeitos desencadeados por estímulos ambientais

FÁRMACOS ANALGÉSICOS ANTI-PIRÉTICOS

ácido acetilsalicílico é o padrão dos chamados anti-inflamatórios não esteróides, caracterizados pela acção inibidora das cicloxigenases. O ácido acetilsalicílico é o analgésico de primeira escolha para as cefaleias, dores musculos-esqueléticas e dismenorreia. Possui, também, acção antipirética e anti-inflamatória. O seu principal inconveniente, que é comum a todos os anti-inflamatórios não esteróides, é a possibilidade de provocar lesões da mucosa gástrica, o que pode ser obviado em parte pela ingestão do medicamento a seguir às refeições. Recomenda-se evitar o seu uso em crianças. O paracetamol, que em doses terapêuticas é o analgésico mais inócuo, constitui uma boa alternativa para usar nas crianças. Contudo, é potencialmente hepatotóxico a partir de 4 g/dia e as doses muito altas, da ordem de 10 g - 15 g, podem provocar necrose hepática fulminante. Fundamentalmente, distingue-se do ácido acetilsalicílico porque não tem acção anti-inflamatória e, por isso, não provoca irritação gástrica.
O metamizol, magnésico ou sódico, é um analgésico activo, bastante utilizado; como derivado da dipirona tem um risco potencial de causar agranulocitose.
Tem sido dada particular atenção à dor pós-operatória, em especial nas situações de cirurgia ambulatória, surgindo a utilização de anti-inflamatórios com particular efeito analgésico, como o cetorolac (oral e parentérico) ou oparecoxib (parentérico).
O tratamento da dor neuropática, devido a lesão de nervos sensitivos somáticos, é em regra feito com opiáceos, visto que os analgésicos convencionais são inoperantes. É o caso da neuropatia diabética, da nevralgia do trigémio, por exemplo. Nestas situações a analgesia é obtida pelo emprego de antidepressivos tricíclicos (sobretudo amitriptilina) e anticonvulsivantes (em especial a carbamazepina e a gabapentina).

FÁRMACOS ANALGÉSICOS ANTI-INFLAMATÓRIOS

Ácido Acetilsalicílico (Aspirina)
É um  analgésico, antipirético e anti-inflamatório. Atua, portanto, na dor, febre e inflamação. É também um antiagregante plaquetar em baixas doses pelo que é usado para prevenir tromboembolias.
É usado no tratamento da dor, febre, inflamações, artrite reumatóide, prevenção de tromboembolias, etc.
Deve-se tomar depois das refeições com bastante água ou leite para minimizar os efeitos gástricos.
As formulações efervescentes são as mais eficazes, mas as mais utilizadas são em comprimidos. Os supositórios são os menos eficazes.
A dose para adultos e crianças com mais de 11 anos, para combater a dor e febre, varia desde 325mg até 650mg de 4/4horas. Como anti-inflamatório a dose é o dobro.
Paracetamol
É um analgésico antipirético sem qualquer ação anti-inflamatória. Tem a vantagem de não afetar a coagulação sanguínea e não apresenta efeitos gastrointestinais.
Está indicado no tratamento da dor moderada e ligeira como dor de cabeça, sintomas da gripe, constipações e sinusite. Assim como no tratamento da febre. No tratamento da dismenorreia (dor menstrual) tem a vantagem  de não afetar o fluxo menstrual.
Crianças com mais de 11 anos e adultos devem tomar uma dose que varia desde 325mg a 1g de 4/4 horas ou 6/6horas. Em pediatria a dose varia desde 40mg a 480mg de 4/4 horas ou 6/6 horas consoante a idade.


FÁRMACOS SELECTIVOS E PINOICOS

A farmacodinâmica descreve uma infinidade de modos pelos quais as substâncias afetam o corpo. Depois de terem sido engolidos, injetados ou absorvidos através da pele, quase todos os medicamentos entram na corrente sangüínea, circulam pelo corpo e interagem com diversos locais-alvo. Mas dependendo de suas propriedades ou da via de administração, um medicamento pode atuar apenas em uma área específica do corpo (por exemplo, a ação dos antiácidos fica em grande parte confinada ao estômago). A interação com o local-alvo comumente produz o efeito terapêutico desejado, enquanto a interação com outras células, tecidos ou órgãos pode resultar em efeitos colaterais (reações medicamentosas adversas).
Alguns medicamentos são relativamente não seletivos, atuando em muitos tecidos ou órgãos diferentes. Exemplificando, a atropina, uma substância administrada com o objetivo de relaxar os músculos no trato gastrointestinal, também pode relaxar os músculos do olho e do trato respiratório, além de diminuir a secreção das glândulas sudoríparas e mucosas. Outros medicamentos são altamente seletivos e afetam principalmente um órgão ou sistema isolado.
Um Encaixe Perfeito
Um receptor de superfície celular tem uma configuração que permite a uma substância química específica, por exemplo um medicamento, hormônio ou neurotransmissor, se ligar ao receptor, porque a substância tem uma configuração que se encaixa perfeitamente ao receptor.
Exemplificando, a digital, uma droga administrada a pessoas com insuficiência cardíaca, atua principalmente no coração para aumentar sua eficiência de bombeamento. Drogas soníferas se direcionam a certas células nervosas do cérebro. Drogas antiinflamatórias não-esteróides como a aspirina e o ibuprofen são relativamente seletivas, porque atuam em qualquer local onde esteja ocorrendo inflamação. Como as drogas sabem onde exercer seus efeitos? A resposta está em como elas interagem com as células ou com substâncias como as enzimas.
Receptores
Muitas drogas aderem (se ligam) às células por meio de receptores existentes na superfície celular. A maioria das células possui muitos receptores de superfície, o que permite que a atividade celular seja influenciada por substâncias químicas como os medicamentos ou hormônios localizados fora da célula.
O receptor tem uma configuração específica, permitindo que somente uma droga que se encaixe perfeitamente possa ligarse a ele - como uma chave que se encaixa em uma fechadura. Freqüentemente a seletividade da droga pode ser explicada por quão seletivamente ela se fixa aos receptores. Algumas drogas se fixam a apenas um tipo de receptor; outras são como chaves-mestras e podem ligar-se a diversos tipos de receptores por todo o corpo. Provavelmente a natureza não criou os receptores para que, algum dia, os medicamentos pudessem ser capazes de ligar-se a eles. Os receptores têm finalidades naturais (fisiológicas).
Enzimas
Além dos receptores celulares, outros alvos importantes para a ação dos medicamentos são as enzimas, que ajudam no transporte de substâncias químicas vitais, regulam a velocidade das reações químicas ou se prestam a outras funções de transporte, reguladoras ou estruturais. Enquanto as drogas que se direcionam para os receptores são classificadas como agonistas ou antagonistas, as drogas direcionadas para as enzimas são classificadas como inibidoras ou ativadoras (indutoras). Exemplificando, a droga lovastatina, utilizada no tratamento de algumas pessoas que têm níveis sangüíneos elevados de colesterol, inibe a enzima HMG-CoA redutase, fundamental na produção de colesterol pelo corpo.
Quase todas as interações entre drogas e receptores ou entre drogas e enzimas são reversíveis - depois de certo tempo a droga "se solta" e o receptor ou enzima reassume sua função normal. Às vezes uma interação é em grande parte irreversível (como ocorre com omeprazol, uma droga que inibe uma enzima envolvida na secreção do ácido gástrico), e o efeito da droga persiste até que o corpo manufature mais enzimas.
Afinidade e Atividade Intrínseca
Duas propriedades importantes para a ação de uma droga são a afinidade e a atividade intrínseca. A afinidade é a atração mútua ou a força da ligação entre uma droga e seu alvo, seja um receptor ou enzima. A atividade intrínseca é uma medida da capacidade da droga em produzir um efeito farmacológico quando ligada ao seu receptor.
Medicamentos que ativam receptores (agonistas) possuem as duas propriedades; devem ligarse efetivamente (ter afinidade) aos seus receptores, e o complexo droga-receptor deve ser capaz de produzir uma resposta no sistema-alvo (ter atividade intrínseca). Por outro lado, drogas que bloqueiam receptores (antagonistas) ligam-se efetivamente (têm afinidade com os receptores), mas têm pouca ou nenhuma atividade intrínseca - sua função consiste em impedir a interação das moléculas agonistas com seus receptores.

FÁRMACOS ANTIDEPRESSIVEIS

A depressão psíquica e a doença bipolar são incapacitantes doenças alteradoras do humor que afetam a disposição física, o sono, o apetite, a libido e a capacidade funcional. A depressão difere da esquizofrenia, que produz distúrbios cognitivos. Os sintomas da depressão correspondem à sensação intensa de tristeza, desesperança, desespero e incapacidade de sentir prazer em atividades rotineiras.
A mania se caracteriza pelo comportamento oposto, ou seja, entusiasmo, rapidez mental e verbal, extrema autoconfiança e diminuição da capacidade crítica. Todos os fármacos antidepressivos de utilização clínica (também chamados timolépticos) potenciam, direta ou indiretamente, as ações da noradrenalina, dopamina, e/ou serotonina, no cérebro. Isso, em conjunto a outras evidências, levou à teoria das aminas biogênicas, que propõe que a depressão se deve à deficiência em monoaminas, tais como a noradrenalina e a serotonina, em certos pontos-chave cerebrais. 
Contrariamente, cogita-se que a mania é causada pela superprodução desses neurortransmissores. A teoria das aminas biogênicas é provavelmente excessivamente simplista, desde que se sabe, atualmente, que os fármacos antidepressivos, particularmente os antidepressivos tricíclicos, afetam muitos sistemas biológicos em adição à captura de neurotransmissor. Não se sabe qual desses sistemas neuroquímicos é o principal responsável pela atividade antidepressiva.

FÁRMACOS ANTIULCEROSOS

Antiulceroso é a definição que se aplica a todos os medicamentos ou fármacos que atuam de forma a curar ou facilitar a cicatrização de uma úlcera, ou qualquer inflamação ou ferida na mucosa do trato gastrointestinal.
De uma forma geral medicamentos dessa classe estão indicados para o tratamento da doença gastroduodenal ulcerosa, esofagite de refluxo, úlcera gástrica, úlcera duodenal e síndrome de Zollinger-Ellison.
Alguns medicamentos que podem ser citados devido ao seu potencial antiulceroso como a ranitidina, o omeprazol, a cimetidina, a famotidina, o sucrafato entre outros.



CONCLUSÃO

Depois da pesquisa feita chega-se então a conclusão de que o sistema nervoso é responsável pela maioria das funções de controlo em um organismo, coordenando e regulando as actividades corporais. O neurónio é a unidade funcional deste sistema. Assim é evidente a performance obtida pela docente atendendo a forma mais aprofundada de percepção sobre a matéria que nos dirigiu e até porque é uma das formas essencial que permite ao estudante integrar-se mais na base do conteúdo em abordagem.





BIBLIOGRAFIA

Estimulação do sistema nervoso central. Disponível em: https://www.infarmed.pt/formulario/navegacao.php?paiid=33 Acessado aos 26/08/2015
Estimulação do sistema nervoso central. Disponível em: http://www.infoescola.com/farmacologia/estimulantes-do-sistema-nervoso-central/ Acessado aos 26/08/2015



ÍNDICE




Métodos de observação Infantil

INTRODUÇÃO

O presente trabalho com o tema “os métodos de observação” remete-nos na abordagem sobre ele, destacando que a natureza da observação e as técnicas utilizadas são função do pedido ou problema posto pelo caso, ou das dúvidas e incertezas relativas ao que já se sabe sobre a criança. Neste contexto é necessário a melhor forma de interpretação na parte do educador pré-escolar na proporção e aquisição dos métodos de observação.



OS MÉTODOS DE OBSERVAÇÃO

O papel da observação dentro do processo de investigação científica nas ciências humanas tem sido amplamente estudado. Em psicologia do desenvolvimento, a observação recebeu especial atenção por parte dos teóricos quanto aos diferentes métodos de registo e análise do comportamento infantil. Entretanto, a prática sistematizada da observação directa do comportamento tem encontrado pouco desenvolvimento, principalmente na área do diagnóstico.
A observação, como técnica auxiliar no diagnóstico, permite ao educador o delineamento de um perfil psicológico da criança, através de uma colecta sistematizada de dados, desde os níveis mais objectivos do comportamento expresso, até níveis mais subjectivos, que envolvem os aspectos implícitos de um comportamento aparente (motivos, sentimentos etc.). Sua compreensão auxilia o profissional a tomar decisões sobre seu paciente.
A complexidade do comportamento a ser analisado, é de difícil descrição e interpretação, o medo de fazer inferências, o conhecimento teórico que se supõe necessário ter, além da sensação de maior "segurança" que os testes oferecem, tornam a observação uma técnica pouco explorada.
Para tanto, são elaborados esquemas de análise a partir da observação do jogo espontâneo de grupos de crianças frente a brinquedos comummente usados, que permitem uma descrição dos comportamentos infantis em relação a três categorias básicas: maneira de conhecer o ambiente; reacção afetivo-emocional às situações e o grau de sociabilidade através das inter-relações com os demais elementos presentes na situação.

Os esquemas de análise

Comparando-se os registos de observação, são levantados todos os tipos de comportamento que apareceram. Esses comportamentos são agrupados e ordenados em termos da função psicológica a que se referem. Cada esquema de análise representa a relação entre um conjunto de comportamentos diversos relacionados com uma determinada função psicológica. Procura-se analisar os comportamentos das crianças dentro das três grandes categorias: cognitiva, afetivo-emocional e social.
Na categoria cognitiva, dentro de uma primeira subcategoria de análise, temos a exploração, pela qual entendemos um reconhecimento visual e/ou manipulação de objectos, com intuito de descobrir suas qualidades, causas, efeitos, limites, sem um objectivo explícito de uso imediato dentro de um contexto maior. A exploração precedeu quase todas as actividades de jogo, ocorrendo tanto em relação ao material de brinquedo, como ao espaço, como também o reconhecimento dos limites de aceitação e reacção dos colegas e dos adultos.
Como segunda subcategoria, consideramos a atenção que a criança dispensa para a execução das tarefas. Consideramos o grau de concentração (dispersa ou concentrada) e de fixação (maior ou menor persistência) na execução
de um trabalho.
Uma terceira subcategoria de análise é a percepção: capacidade de destacar a figura, que é o centro da atenção, dos estímulos que a envolvem (fundo). Consideramos a percepção detalhada do material de brinquedo e da própria situação, além da percepção das actividades dos companheiros.
A memória foi uma outra subcategoria destacada, mais especificamente
a memória recente, compreendida como a maior ou menor capacidade de reter
e evocar acontecimentos ou fatos recentes. Uma outra subcategoria de análise é quanto ao tipo de elaboração apresentado, isto é, a maneira de lidar com o material apresentado, quanto ao:
a) Grau de originalidade (elaborações mais ou menos comuns);
b) Grau de fantasia (de conteúdo mais ou menos expressivo);
c) Uso ou não de símbolos (ao nível concreto - que usam características reais do objecto - ou a um nível simbólico - nível de "faz-de-conta", sendo que a criança atribui aos objectos um significado próprio para aquele momento que pode independer total ou parcialmente do significado concreto do objecto ou da situação). Outra subcategoria de análise foi quanto à linguagem.
Vários aspectos da linguagem foram analisados: vocabulário (amplo ou restrito), dicção (boa ou não), tamanho da sentença, construção gramatical (correcta ou não), tipo de sentença (afirmativa, negativa, interrogativa, exclamativa, condicional) e o nível de comunicação entre o grupo (verbal e não-verbal). A última subcategoria cognitiva foi quanto a maior ou menor facilidade em tomar iniciativa.
Dentro da categoria afetivo-emocional, descreve-se a maneira individual
de cada criança expressar qualitativamente o que sente e o tipo de adaptação
que está realizando na situação que vive.
Quanto ao nível de expressividade emocional frente ao contacto com outros
companheiros dentro de um grupo:
a) Independência/dependência (independente seria aquela criança que age com autonomia, sem necessidade de aprovação ou apoio; a dependente seria aquela que não tem autonomia, necessita de aprovação e apoio);
b) Retraimento/exibicionismo (a criança retraída apresenta uma inibição de acção além de um isolamento; a exibicionista possui necessidade de se sobressair, de confirmar sua autoridade de grupo);
c) Timidez/expansividade (a criança tímida apresenta receio, acanhamento,
embaraço; a criança expansiva é desembaraçada,. ousada, desenvolta);
d) agressividade: aparece tanto sob. uma forma directa, através de agressões
físicas, como indiretamente, através de uso de símbolos;
e) Maior ou menor possessividade (entende-se por possessão a capacidade da criança de reter e juntar para si o maior número de objectos). B. Quanto à manifestação de expressões emocionais: encontramos o choro, o riso, a raiva, a insatisfação (descontentamento) e a impulsividade.
Dentro da categoria social, analisou-se o grau de maturação social de cada criança, tendo em vista sua capacidade de se integrar num grupo (definida tanto pela sua maior ou menor capacidade de estabelecer contacto com os outros membros, como pela expressão da vontade de participar), nível de participação dentro do grupo e seu comportamento em relação às regras.
Quanto ao tipo de participação dentro do grupo, foram diferenciados quatro tipos: competição (que envolve uma participação conjunta das crianças em direção a um objectivo comum, mas a ser conquistado separadamente); cooperação (envolve uma participação conjunta das crianças numa tarefa com determinado objectivo, de tal maneira que o resultado final denota uma soma de esforços individuais); submissão (implica a aceitação de tarefas ou regras sugeridas pelos colegas sem contestação nem voto de participação na elaboração das idéias); rebeldia (não-aceitação sistemática das idéias propostas).
Analisando o grupo, dois aspectos foram levantados: papéis que aparecem e a estruturação do grupo. Quanto à caracterização dos papéis, nota-se a existência de papéis complementares (pai-filho, por exemplo) com a aceitação ou não da complementaridade pelo colega e a maior ou menor persistência (duração) no desempenho dos papéis. Analisando a estrutura do grupo, cada elemento pode ser líder (aquele que centraliza, orienta ou coordena as idéias, actividades e interesses do grupo), povo (a criança que segue as determinações do líder), elemento de triangulação (aquela criança que funciona como catalisadora entre os outros dois membros do grupo, amenizando a competição) e o excluído (aquele indivíduo que não participa do grupo, tanto por vontade própria como por não ser aceito pelos outros).

OBSERVAÇÃO AUDIOLÓGICA INFANTIL

É a observação das respostas comportamentais da criança a estímulos acústicos em uma situação controlada.
Esta avaliação não deve estar somente presa à obtenção dos limiares auditivos, deve ser um processo mais amplo onde se observa a criança, sua audição e seu comportamento frente ao mundo sonoro.
 A avaliação audiológica na criança é composta pelos seguintes testes:
Triagem Auditiva Neonatal - A perda auditiva pode ser prevenida ou minimizada, mas, somente se a condição for detectada nos primeiros meses de vida. Identificar a perda auditiva é tão importante que muitos hospitais realizam triagens auditivas em todos os recém-nascidos. Estes testes são rápidos e muitos bebês dormem durante sua realização. A triagem hospitalar ajuda a identificar os bebês que necessitam de avaliações auditivas - cerca de 1 entre 10 que falham na triagem terão uma perda auditiva permanente. Diagnosticar a perda auditiva o mais rápido possível significa menor atraso no aprendizado do som da voz da mãe e no aprendizado das primeiras lições importantes sobre fala e linguagem. 
Emissão Otoacústica - é um teste de audição objetivo e indolor realizado nos hospitais para detecção de uma possível perda auditiva. Quando um som é detectado as células ciliadas externas na cóclea respondem emitindo uma pequena resposta acústica. As EOAs detectam estes sons. Quando as emissões otoacústicas são detectadas isso significa que tudo, ou ao menos uma parte, da cóclea e da orelha média estão funcionando. 
BERA - ou Audiometria de Tronco Cerebral ou Potencial Evocado Auditivo também é uma triagem realizada no hospital em recém-nascidos para detectar a perda auditiva. O sistema nervoso responde enquanto o sinal elétrico se move do nervo auditivo ao córtex cerebral. Estas respostas podem ser detectadas, em um equipamento especial, na forma de ondas geradas eletricamente, similares a um eletrocardiograma (coração). Nós ouvimos com o nosso cérebro. As ondas cerebrais geradas pelo som são previsíveis em pessoas com audição normal. A triagem auditiva utilizada no equipamento do BERA apresenta na orelha do recém-nascido uma intensidade que resultará em uma onda cerebral identificável por um recém nascido com audição normal. Se não houver onda detectável, então a criança pode ter uma perda auditiva. Existem outras razões para a resposta cerebral não aparecer, e somente uma avaliação completa irá determinar se a perda auditiva é a causa. 
Timpanometria - é um teste que avalia o conduto auditivo e a membrana auditiva do da criança de forma rápida. Este teste envia uma pressão de ar e um som mínimo dentro da orelha da criança. Se a membrana timpânica não se mover, pode haver uma infecção ou um fluido atrás dela. Este teste pode determinar também se há alguma perfuração na membrana timpânica. Qualquer um destes achados podem indicar uma perda auditiva condutiva. Uma criança pode ter uma audição normal e mesmo assim ter problemas na orelha média. Além disso, crianças novas tendem a apresentar fluido e infecções de orelha, o que pode afetar sua audição. Crianças com perda auditiva neurossensorial permanente podem também apresentar flutuções adicionais ou perda auditiva condutiva temporária devido às condições da orelha média. 
Audiometria de Reforço Visual (VRA) - nesse teste os sons são apresentados através de auto-falantes ou fones e a criança (5 meses - 3 anos) é treinada a mover sua cabeça em direcção ao lado (direito/esquerdo) em que o som que foi detectado. Cada vez que a criança move a recompensa (como uma luz ou um boneco que se movimenta) é activada pelo fonoaudiólogo. Se o teste é realizado com auto-falantes a resposta da criança reflecte a audição nas duas orelhas. Respostas individuais das orelhas podem ser obtidas com a utilização de fones. 
Audiometria de Observação Comportamental - os sons são apresentados à criança e as respostas são observadas, por exemplo, levar um susto, parar de mamar ou virar a cabeça (até 5-6 meses). Não são obtidas respostas de cada orelha individualmente. 
Audiometria Condicionada - é uma avaliação fácil, nos moldes de um jogo para crianças entre 3-5 anos. Os sons são apresentados através de um auto-falante ou pelo fone. A criança é treinada a colocar um bloco dentro de um balde ou empilhar anéis sempre que detectar um som. Cada orelha é testada separadamente quando o fone é utilizado.
Audiometria Convencional - A maioria das crianças acima de 5 anos de idade podem responder aos sons apertando um botão ou levantando a mão. Neste exame os sons são apresentados através de fones. Cada orelha é testada individualmente.
A seguir ilustra-se a figura nº 1 no qual nos mostra uma das formas de observação audiométrica.
Fig. 1

OBSERVAÇÃO VISUAL INFANTIL

Visão funcional é o modo como cada indivíduo utiliza a visão para realizar suas actividades. Embora existam alguns testes para avaliação da visão funcional, esses variam quanto à metodologia e à idade de aplicação. Para a aplicação do teste, é necessária a padronização de diversos parâmetros, a fim de que o perfil obtido da visão funcional da criança possa ser correlacionado com outras situações de observação, testes de desenvolvimento infantil e dados informados pelos pais sobre o desempenho da criança nos seus ambientes rotineiros.
A Avaliação da Visão Funcional (AVIF-2 a 6 anos) é agrupado em sete domínios, que são:
1 - Fixação visual em objectos padronizados;
2 - Seguimento visual de objectos;
3 - Campo visual de confrontação;
4 - Coordenação olho-mão;
5 - Visão de contraste no plano;
6 - Deslocamento no ambiente;
7 - Visão de cores.

MÉTODO DE TESTES DA OBSERVAÇÃO

Consistem em submeter a criança a provas organizadas de maneira a satisfazer às duas condições que se seguem: por um lado, a pergunta será idêntica para todos os sujeitos e feita sempre sob as mesmas condições; por outro lado, as respostas dadas pelos sujeitos serão levadas a uma contabilização ou a uma escala que permita compará-las qualitativamente ou quantitativamente. As vantagens desse método são indiscutíveis para o diagnóstico individual das crianças. Para a psicologia geral, as estatísticas obtidas fornecem muitas vezes informações úteis. Mas para os problemas de que tratamos, pode-se apontar nos testes dois inconvenientes de destaque.
O primeiro é de não permitirem uma análise satisfatória dos resultados obtidos. Ao trabalhar sempre em condições idênticas se obtêm resultados brutos, interessantes para a prática, porém frequentemente inutilizáveis pela teoria, pela falta de um contexto satisfatório. Mas isto ainda não é nada, pois concebe-se que por força de engenhosidade se consiga variar os testes até a revelação de todos os componentes de uma determinada atitude psicológica.
O defeito essencial do teste, nas pesquisas de que nos ocupamos, é o de falsear a orientação do pensamento da criança que se interroga, ou pelo menos de se arriscar a falseá-la. Podemos nos propor, por exemplo, saber como a criança concebe o movimento dos astros. Fazemos a pergunta “o que é que faz o sol se mover?” A criança nos responderá, por exemplo, que “é Deus que empurra” ou que “é o vento que empurra” etc. Teremos resultados que não se devem deixar de conhecer, mesmo se devidos à fabulação, ou seja, àquela tendência que têm as crianças de inventar mitos quando se embaraçam com uma pergunta. Se testadas dessa forma crianças de todas as idades, de quase nada adiantaria, pois pode acontecer que a criança nunca tenha colocado a questão da mesma maneira ou mesmo que nem tenha questionado a respeito. É muito possível que a criança conceba o sol como um ser vivo, que tenha movimento próprio. Ao se perguntar “quem é que faz o sol se mover?”, sugere-se de saída a idéia de uma obra exterior e se provoca o mito. Ao se perguntar “como se move o sol”, sugere-se talvez, ao contrário, um cuidado com o “como” que também não existia e provoca-se outros mitos: “o sol se move soprando”, “com o calor”, “rolando” etc. O único meio de evitar essas dificuldades é variar as perguntas, fazer contra-sugestões, em resumo, renunciar a qualquer questionário fixo.
Fig. 2
Pode-se analisar a qualidade formal do grafismo espontâneo quanto ao traço e às formas - se é rico, estruturado, detalhado, pobre, colorido, obsessionalizado ou
desorganizado; se há elementos apenas justapostos e incoerentes ou um tema
global integrado.
Pode-se analisar a simbologia do espaço ou o modo como é utilizada a superfície da folha- se é toda preenchida ou só em parte; em que local da folha; se existe ou não um preenchimento compulsivo de vazios. Pode-se também analisar o conteúdo formal e cromático como valor expressivo ou como valor de projecção da personalidade: provas projectivas do tipo desenho da árvore .
A interpretação das motivações profundas do desenho e/ou das histórias relatadas na base da sua execução, pode ser utilizada a semelhança do método de associação livre, substituindo as associações verbais.
Pode-se analisar a integração do esquema corporal através do desenho da figura humana; o mesmo desenho permite avaliar um coeficiente intelectual.
A cópia de figuras geométricas pode ser analisada clinicamente ou do ponto de
vista psicométrico, em provas instrumentais referentes a organização grafo-motora e espacial.
A cópia por modelo de traços e figuras geométricas (traço vertical, horizontal,
círculo, quadrado, triângulo e losango) constituem «itens» característicos de
sucessivas idades em escalas de desenvolvimento foram ainda objecto de estudos genéticos permitindo observar a que nível-tipo a criança aborda a sua reprodução, para além do sucesso ou insucesso da execução. A análise do comportamento da criança e da sua adaptação a tarefa gráfica pode fornecer indícios significativos do seu funcionamento psíquico; por exemplo:
- Recusa a tarefa;
- Acede de modo passivo ou entusiasta, bloqueia-se face a figura humana, inibição inicial e adaptação longa e deifica
- Adapta-se e segue a instrução ou perde o objectivo desorganizando-se ou
ainda, executa ludicamente«a seu belo prazer));
- Dispersa a atenção e não «ouve» a instrução;
- Execução insegura, procurando o apoio ou aprovação do observador;
- Capacidade de crítica e melhoria ou, pelo contrário, aceitação dos resultados
medíocres, acrítica e puerilmente valorizados;
- Fatigabilidade e deterioração da execução ou, contrariamente, capacidade em manter um nível regular de realização.
Na observação livre, não armada podem-se observar os comportamentos e
outros aspectos qualitativos. Poder-se-a analisar a capacidade de separação da mãe e as atitudes para com ela ao longo da observação (natural, próxima, distante, isolada, calada, de oposição, passiva.
Do mesmo modo podem-se descrever a atitude e contacto com o observador, quer seja no início quer no decurso da observação, registando as alterações
significativas. Devem-se anotar também os aspectos físicos da criança:
- Desenvolvimento estato-ponderal;
- Vitalidade e sinais de estado de saúde
- Harmonias ou desarmonias; traços ou
- Apresentação no vestir, limpeza.
Descrição do humor - se é estável, lábil, neutro, alegre, eufórico, triste.
Descrição da mímica - se é móvel e expressiva ou, pelo contrário é estática;
natural ou exagerada; adequada ou não ao estado de humor; se apresenta tiques,
momices, esgares.
Atitudes da criança face aos seus problemas - evitamento ou outras defesas, grau de ansiedade, capacidade de exprimir interesses, preferências, projectos (riqueza, variedade, adequação ao sexo, idade e meio sócio-cultural).
Sentido da realidade, ou modo como a criança se situa no espaço, no tempo e
também, como domina referências concretas como nome, idade, data de nascimento, morada, composição da família, trabalho dos pais, data do dia.
Descrição da linguagem, analisando a compreensão e verbalização - se é espontânea, lacónica, música; se utiliza vocabulário rico, pobre, rebuscado; se a frase é bem construída, se há perturbações da articulação, geral, características específicas.
Fig. 3 - Visual
Fig. 4
Fi. 5 - Psicologico

CONCLUSÃO

Como conclusão saliente-se que o educador ao utilizar, nas observações que realiza, os instrumentos que lhe são específicos, manipula valores e insere-os num contexto socio-político e cultural; a metodologia da observação não é, portanto, neutra, implica, como muitas outras, uma referência a normas de desenvolvimento, de normal e patológico, de adaptação desadaptação. É necessário muito cuidado e atenção no que se está a descrever, optando no sentido melhor de fazer a observação.



BIBLIOGRAFIA

A audição e a observação. Disponível em: http://www.telexbr.com.br/audicao_infantil.php?id=7. Acessado aos 25 de Agosto de 2015
Métodos de observação. Disponível em: http://repositorio.ispa.pt/bitstream/10400.12/2206/1/1989_4_573.pdf. Acessado aos 25 de Agosto de 2015.



ÍNDICE