segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Psicologia pura e aplicada

Índice


 Introdução

Neste presente trabalho com o tema meramente importante na psicologia  Embora em geral o conhecimento psicológico seja construído como método de avaliação e tratamento das psicopatologias, também é direcionado à compreensão e resolução de problemas em diferentes camadas do comportamento humano. A grande maioria dos psicólogos pratica algum tipo de papel terapêutico, seja na psicologia pura ou na psicologia aplicada. Outros dedicam-se à contínua pesquisa científica relacionada aos processos mentais e o comportamento, tipicamente dentro dos departamentos psicológicos das universidades ou outros ambientes acadêmicos. Além do campo terapêutico e acadêmico, a psicologia aplicada é empregada em outras áreas relacionadas ao comportamento humano, como a psicologia do trabalho nos ambientes industriais ou organizacionais, psicologia educacionalpsicologia esportivapsicologia da saúdepsicologia do desenvolvimentopsicologia forensepsicologia jurídica, dentre outros.












Psicologia pura e aplicada

Psicologia é a disciplina acadêmica e aplicada que envolve o estudo científico do comportamento e das funções mentais. A psicologia tem como objetivo imediato a compreensão de grupos e indivíduos tanto pelo estabelecimento de princípios universais como pelo estudo de casos específicos, e tem, segundo alguns, como objetivo final o beneficio geral da sociedade. Um pesquisador ou profissional desse campo é conhecido como psicólogo, podendo ser classificado como cientista social, comportamental ou cognitivo. A função dos psicólogos é tentar compreender o papel das funções mentais no comportamento individual e social, estudando também os processos fisiológicos e biológicos que acompanham os comportamentos e funções cognitivas.
Comportamento, relacionamentos interpessoais, incluindo resiliência, dentre outras áreas. Psicólogos de orientações diversas também estudam conceitos como o inconsciente e seus diferentes modelos.
Com o advento das grandes descobertas da ciência no período do Renascimento, a humanidade foi levada a internalizar uma nova visão de mundo: a visão mecanicista, baseada no racionalismo, ‘necessário’ para a neutralidade do desenvolvimento da ciência. Foram abandonados a sabedoria filosófica, religiosa, mística, como sendo entraves para o processo de construção da ciência. Acreditou-se que essa objetividade científica proporcionaria grande desenvolvimento que resultaria no bem-estar do homem. Não há como negar os avanços que a tecnologia trouxe ao mundo moderno. Mas essa é uma visão fragmentada do que significa o “bem-estar do homem”. 


 

Psicologia pura

 A Psicologia Pura desenvolve teorias a partir da investigação das diferentes sub disciplinas (Psicologia Forense, educacional, etc. )
Segundo esta diferenciação, a psicologia pura dedica-se à investigação básica – procurar aumentar e melhorar a nossa compreensão do comportamento e dos processos biológicos básicos. A psicologia aplicada é actividade desenvolvida por psicólogos cuja investigação está essencialmente orientada para a resolução de problemas práticos.

Nesta ordem de ideias, os psicólogos que se dedicam à investigação pura procuram responder a questões como estas: “Há diversos tipos de memória?”; “Quais as causas do esquecimento?”; “Por que razão são certas pessoas introvertidas e outras extrovertidas?”; “Há uma ou várias formas de aprendizagem?”; “Como se dá o nosso desenvolvimento cognitivo, social, moral e emocional?”; “Em que medida muda a nossa personalidade ao longo da vida?”.

Os psicólogos cujo objectivo essencial e primordial é resolver problemas práticos procuram responder a questões como estas: “Como deve a instituição escolar lidar com um aluno que frequentemente perturba o normal funcionamento das aulas?”; “Como aumentar a produtividade no local de trabalho?”; “Como se pode reduzir o impacto psicológico de acontecimentos dramáticos na vida de uma pessoa?”, etc. Podem basear essa tarefa na investigação que eles próprios realizam ou recorrer, em certa medida, a investigações realizadas por colegas.
É importante notar que, apesar de ser cómoda, a distinção entre psicologia pura e psicologia aplicada está longe de ser rígida. Assim, os psicólogos do desenvolvimento, cuja orientação é essencialmente teórica (investigação pura), podem desenvolver uma estreita colaboração com produtores de programas televisor para crianças, de modo a assegurar que o material educativo é apropriado (foi o que aconteceu com o programa “Rua Sésamo”).

No entender da grande maioria dos psicólogos, a investigação básica ou pura e a investigação aplicada são dois procedimentos complementares: o conhecimento teórico conduz frequentemente à solução de problemas práticos e a prática na tentativa de solucionar problemas permite também a constituição de novos conhecimentos teóricos. Basta pensar numa questão como esta: «A que se deve o sucesso escolar e como é possível promovê-lo?».
Os dois grandes campos em que se divide a psicologia não são, por conseguinte, compartimentos estanques, mas sim comunicantes. O que se deve dizer é que há especializações que pertencem a áreas essencialmente vocacionadas para a investigação pura (estão, em primeiro lugar, orientadas para a constituição de um conjunto organizado de conhecimentos teóricos) e especializações que pertencem a áreas vocacionadas para a intervenção, isto é, para a resolução prática dos problemas.

Psicologia Aplicada

Psicologia aplicada é a utilização dos dados da psicologia na solução de problemas práticos. Este ramo reúne as diversas áreas da psicologia clínicaeducacional e social, entre outras. O estudo apresenta como principal objetivo a resposta às necessidades da sociedade em sua estrutura como um todo.
Com base na afirmação de que o estado psicológico humano é fundamental para desfrutar do bem individual, e por consequência o bem comum, esta área da psicologia busca permanentemente métodos para o desenvolvimento cognitivoemocional e relacional dos indivíduos e sua interação social.
Para o estudo da psicologia aplicada, são necessários profissionais especializados nos fenômenos comportamentais e psíquicos, levando em conta o conjunto dos estados e as disposições psíquicas das ideias dos indivíduos ou de grupos sociais através das interpretações dos conhecimentos intuitivos, ou empíricos, dos sentimentos do objeto em estudo (individual ou grupal).
Assim, a psicologia aplicada desenvolve aptidões e instrumentos para a análise sistemática de todo o contexto humano, de forma a prever ou compreender os fenômenos comportamentais.
Dada a complexidade do comportamento humano, não existe uma forma ou perspectiva única de o compreender. Por isso, a psicologia apresenta diversas áreas de interesse. Estas áreas interpenetram-se e partilham informação e são de difícil classificação, não sendo exclusivas.

Objectivo do estudo da psicologia pura e aplicada

"A psicologia possui um longo passado, mas uma história curta".9 Com essa frase descreveu Hermann Ebbinghaus, um dos primeiros psicólogos experimentais, a situação da psicologia - tanto em 1908, quando ele a escreveu, como hoje: desde a Antiguidade pensadores, filósofos e teólogos de várias regiões e culturas dedicaram-se a questões relativas à natureza humana - a percepção, a consciência, a loucura. Apesar de teorias "psicológicas" fazerem parte de muitas tradições orientais, a psicologia enquanto ciência tem suas primeiras raízes nos filósofos gregos, mas só se separou da filosofia no final do século XIX.
O primeiro laboratório psicológico foi fundado pelo fisiólogo alemão Wilhelm Wundt em 1879 tendo publicado seu livro "Principles of Physiological Psychology" em Leipzig, naAlemanha. Seu interesse se havia transferido do funcionamento do corpo humano para os processos mais elementares de percepção e a velocidade dos processos mentais mais simples. O seu laboratório formou a primeira geração de psicólogos. Alunos de Wundt propagaram a nova ciência e fundaram vários laboratórios similares pela Europa e os Estados Unidos. Edward Titchener foi um importante divulgador do trabalho de Wundt nos Estados Unidos. Mas uma outra perspectiva se delineava: o médico e filósofo americano William James propôs em seu livro "The Principles of Psychology (1890)" - para muitos a obra mais significativa da literatura psicológica - uma nova abordagem mais centrada na função da mente humana do que na sua estrutura. Nessa época era a psicologia já uma ciência estabelecida e até 1900 já contava com mais de 40 laboratórios na América do Norte

A importância da Psicologia pura e aplicada para Sociedade

É o estudo dos fenômenos psíquicos e do comportamento do ser humano por intermédio da análise de suas emoções, suas ideias e seus valores. O psicólogo diagnostica, previne e trata doenças mentais, distúrbios emocionais e de personalidade. Ele observa e analisa as atitudes, os sentimentos e os mecanismos mentais do paciente e procura ajudá-lo a identificar as causas dos problemas e a rever comportamentos inadequados. Esse profissional atua em consultórios, em hospitais e nas mais variadas instituições de saúde, contribuindo, do ponto de vista psicológico, para a recuperação da saúde das pessoas. Em escolas e instituições, colabora na orientação educacional. É necessário registar-se no Conselho Regional de Psicologia para exercer a profissão. O licenciado atua, em geral, no desenvolvimento de metodologias pedagógicas com os professores dos ensinos básico e médio, cursos profissionalizantes e técnicos. Pode trabalhar também na elaboração de estratégias psicossociais para ONGs, abrigos comunitários e centros socioeducativos.
Ao lado de outros profissionais da saúde, como médicos e assistentes sociais, colaborar na assistência à saúde, fortalecendo pacientes e familiares para a recuperação da saúde física e mental.
A melhor maneira de identificar a necessidade de ajuda psicológica é perceber o quanto de prejuízo sua vida está sofrendo por conta das dificuldades emocionais, comportamentais ou cognitivas que você vem sofrendo. Percebe que sua vida está limitada em algum aspecto, seja ele pessoal, social, financeiro, interpessoal? Se você perceber que há fortes limitações, então está sim na hora de procurar ajuda psicológica.  Funções da ajuda psicológica - Ampliar e melhorar os relacionamentos existentes e desenvolver habilidades para novos relacionamentos.- Aprender novos comportamentos.- Colocar honestamente seus sentimentos e pensamentos sem qualquer julgamento.- Compreensão os pensamentos, sentimentos e comportamentos das outras pessoas .- Obter apoio emocionalA função da terapia vai além da compreensão dos próprios pensamentos, sentimentos e comportamentos. Nosso objetivo é proporcionar habilidades para a conquista de mudanças significativas nas respostas emocionais e comportamentais, melhorando assim a auto confiança, auto imagem e auto estima. A psicoterapia auxilia na compreensão do modo de funcionar das pessoas que nos rodeiam, desenvolvendo assim auto estima. Objetivo da ajuda psicológica O objetivo principal da ajuda psicológica é detectar e alterar atitudes que restringem as atividades sociais, de lazer e profissionais, melhorando a qualidade de vida, contribuindo para que o paciente desenvolva autoconfiança para lidar com situações adversas de seu cotidiano, o que resulta em considerável aumento da autoestima. A terapia é um aprendizado a seu próprio respeito, sobre você e o funcionamento de sua mente, lhe proporcionando estratégias para o equilíbrio interno. Inicialmente, a ajuda emocional proporcioanda pelo  psicoterapeuta devolve ao paciente a flexibilidade através da análise de suas cognições, a fim de promover mudanças nas emoções e comportamentos. A readaptação dos pensamentos automáticos e das crenças disfuncionais provoca mudanças positivas nas emoções e no comportamento.
A psicoterapia cognitiva atua diretamente sobre o sistema de esquemas, crenças e pensamentos disfuncionais do paciente promovendo sua reestruturação. Objetiva não apenas a solução dos problemas imediatos, mas por meio da reestruturação cognitiva oferece um novo conjunto de técnicas e estratégias a fim de capacitar, a partir daí, a processar e responder de forma funcional, concorrendo para a realização de suas metas. Há uma relação colaborativa entre o terapeuta cognitivo e o paciente, na qual ambos têm um papel ativo ao longo do processo psicoterápico.

A história da Psicologia, cuja etimologia deriva de Psique (alma) + Logos (razão ou conhecimento), se confunde com a Filosofia até meados do século XIX. Sócrates, Platão e Aristóteles deram o pontapé inicial na instigante investigação da alma humana:
Para Sócrates (469/ 399 a C.) a principal característica do ser humano era a razão – aspecto que permitiria ao homem deixar de ser um animal irracional.

Platão (427/ 347 a C.) – discípulo de Sócrates, conclui que o lugar da razão no corpo humano era a cabeça, representando fisicamente a psique, e a medula tria como função a ligação entre mente e corpo.
Já Aristóteles (387/322 a C.) – discípulo de Platão – entendia corpo e mente de forma integrada, e percebia a psiqué como o princípio ativo da vida.

Durante a “era cristã” – quando todo conhecimento era produzido e mantido a sete chaves pela Igreja, Santo Agostinho e São Tomas de Aquino partem dos posicionamentos de Platão e Aristóteles respectivamente.
Em 1649, René Descartes – filósofo francês – publica Paixões da Alma, reafirmando a separação entre corpo e mente. Pensamento que dominou o cenário científico até o século XX. Alguns pesquisadores alegam que essa hipótese assumida por Descartes foi um subterfúgio encontrado para continuar suas pesquisas , desenvolvidas a partir da dissecação de cadáveres, com o apoio da Igreja e protegido contra a Inquisição.
O fato é que no final do século XIX, os acadêmicos da época resolvem distanciar a Psicologia da Filosofia e da Fisiologia, dando origem ao que se chamou de Psicologia Moderna. Os comportamentos observáveis passam a fazer parte da investigação científica em laboratórios com o objetivo de se controlar o comportamento humano. Nesse sentido, os teóricos objetivam suas ações na tentativa construir um corpo.







Conclusão

Em suma a psicologia é frequentemente criticada pelo seu caráter "confuso" ou "impalpável". O filósofo Thomas Kuhn afirmou em 1962 que a psicologia em geral estava em um estágio "pré-paradigmático" por lhe faltar uma teoria de base unanimemente aceita, como é o caso em outras ciências mais maduras como a física e a química.
Por grande parte da pesquisa psicológica ser baseada em entrevistas e questionários e seus resultados terem assim um caráter correlativo que não permite explicações causais, alguns críticos a acusam de não ser científica. Além disso muitos dos fenômenos estudados pela psicologia, como personalidadepensamento e emoção, não podem ser medidos diretamente e devem ser estudados com o auxílio de relatórios subjetivos, o que pode ser problemático de um ponto de vista metodológico.
Erros e abusos de testes estatísticos foram sobretudo apontados em trabalhos de psicólogos sem um conhecimento aprofundado em psicologia experimental e em estatística. Muitos psicólogos confundem significância estatística (ou seja, uma probabilidade maior do que 95% de o resultado obtido não ser fruto do acaso, mas corresponder à realidade empírica) com importância prática. No entanto a obtenção de significados estatisticamente significante mas na prática irrelevantes é um fenômeno comum em estudos envolvendo um grande número de pessoas. Em resposta muitos pesquisadores começaram a fazer uso do "tamanho do efeito" estatístico (effect size) como massa de medida da relevância prática.






Bibliografia

Asendorpf, Jens B. (2004). Psychologie der Persönlichkeit (3. Aufl.). Berlin: Springer. ISBN 978-3-540-71684-6
Myers, David G. (2008). Psychologie. Heidelberg: Springer. ISBN 978-3-540-79032-7 (Original: Myers (2007). Psychology, 8th Ed. New York: Worth Publishers.)
Zimbardo, Philip G. & Gerrig, Richard J. (2005). A psicologia e a vida. Artmed. ISBN 85-363-0311-5 (No artigo citado do alemãõ (2004)Psychologie. München: Pearson. ISBN 3-8273-7056-6; Original: (2002).Psychology and Life. Boston: Allyn and Bacon.)

terça-feira, 28 de julho de 2015

a liberdade e responsabilidade

INTRODUÇÃO

Neste trabalho abordaremos sobre a liberdade e a responsabilidade humana, vamos primeiro por definir a liberdade em que A liberdade é um direito de que todos nós devíamos usufruir, mas com a liberdade vem a responsabilidade, pois tudo o que fazemos “livremente” tem as suas consequências. Não podemos pensar apenas em nós, pois todas as nossas acções vão influenciar os outros, mesmo que essa não fosse a nossa principal intenção, pois todos nós vivemos na mesma sociedade.
















SIGNIFICADO DE LIBERDADE

A liberdade significa o direito de agir segundo o seulivre arbítrio, de acordo com a própria vontade, desde que não prejudique outra pessoa, é a sensação de estar livre e não depender de ninguém. Liberdade é também um conjunto de idéias liberais e dos direitos de cada cidadão.

LIBERDADE E ÉTICA

LIBERDADE NA FILOSOFIA

Karl Marx diz que a liberdade humana é uma prática dos indivíduos, e ela está diretamente ligada aos bens materiais. Os indivíduos manifestam sua liberdade em grupo, e criam seu próprio mundo, com seus próprios interesses.



QUATRO TIPOS DE LIBERDADE

Dizer que se defende a liberdade é muito fácil, mas muitas vezes aquilo que se entende como liberdade é muito diferente de pessoa para pessoa e geração para geração. De um modo geral, liberdade significa liberdade da coerção dos outros (Estado ou indivíduos). Existem quatro grandes tipos/níveis de liberdade:
·         Liberdade da opressão como interferência arbitrária - Que é basicamente a liberdade de se viver os direitos que nos foram atribuídos pela sociedade, sem o medo de interferências arbitrárias na nossa vida por parte de outrém.
·         Liberdade de participar nos processos de decisão da comunidade - Ou seja, liberdade de eleger, de ser eleito e de se exprimir sobre temas políticos.
·         Liberdade de consciência e de crença - Por outra palavras, a liberdade de se praticar a religião que entender e o direito de dissidência relativamente a uma qualquer religião.
·         Liberdade de cada um viver como entender - No mundo actual, as pessoas não se sentem livres porque os seus direitos são respeitados, ou porque as suas crenças podem ser expressadas livremente, ou porque podem participar no processo de decisão político. As pessoas sentem-se livres porque podem definir um rumo para a sua vida, sem ter em consideração o bem comum ou as crenças religiosas.

LIBERDADE É RESPEITAR AS PRÓPRIAS ESCOLHAS E O LIMITE DOS OUTROS

A RESPONSABILIDADE DE CADA UM

Há quem tenha dificuldade para lidar com a liberdade, já que ela traz como consequência a necessidade de se assumir a responsabilidade pelos próprios atos. "As pessoas erram mais quando se sentem mais livres. Por outro lado, também aprendem com seus erros e, em etapas seguintes, elas acertam mais", atesta Ribeiro. "A liberdade é um atributo exclusivamente humano, que nos lança à condição de incerteza, de capacidade de escolha e de ruptura com um destino predeterminado" acrescenta Adriana. 
A liberdade também é um mau negócio para quem desconhece seus interesses, necessidades e vontades pessoais. Para a filósofa, quem não é capaz de decidir sobre os rumos de sua própria vida acaba fazendo escolhas ruins. "Só quando nos tornamos senhores da própria consciência e recuperamos a capacidade de raciocínio, discernimento e reflexão sobre as coisas, que exercermos positivamente o nosso livre-arbítrio", finaliza. 

Porque o Homem é Responsável?

A pergunta é, então, como pode o homem ser responsável por suas ações quando tudo que ele faz foi ordenado e decretado por Deus? Não é isto uma pergunta nova: é no mínimo tão velha como o Novo Testamento e, provavelmente, mais velha. Paulo antecipou esta pergunta aos seus leitores quando ele escreveu o admirável capítulo nono de Romanos. Disse ele: "Dir-me-ás então: Porque se queixa ele ainda? Porquanto, quem resiste a sua vontade?" E a resposta de Paulo foi: "Mas antes, ó homem, quem eis tu que contestas contra Deus? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Porque me fizeste assim? Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra?" Paulo, bem se vê, ao mencionar esta pergunta e sua resposta, mostra, conclusivamente, que ensinou a soberania absoluta de Deus. Na verdade, as suas palavras precedentes ensinam, claramente, isso. Paulo deu a resposta que deu porque antecipou a pergunta como vinda de um objetor. Quando ela vem como de um reverente inquiridor, ela merece consideração mais minuciosa. A resposta de Paulo teve de ser mais breve porque o seu tempo e propósito não permitiram uma discussão mais longa. O nosso tempo permite e o nosso fim requer uma discussão mais completa.

RESPONSABILIDADE HUMANA

Responsabilidade é o dever de arcar com as consequências do próprio comportamento ou do comportamento de outras pessoas. É uma obrigação jurídica concluída a partir do desrespeito de algum direito, no decurso de uma ação contrária ao ordenamento jurídico. Também pode ser a competência para se comportar de maneira sensata ou responsável. Responsabilidade não é somente obrigação, mas também a qualidade de responder por seus atos individual e socialmente.

O DETERMINISMO E A RESPONSABILIDADE HUMANA

A consequência fatal do conceito equivocado do calvinismo acerca da soberania de Deus (aonde tudo o que acontece é decretado ou determinado por Deus) é um choque de frente com aquilo que conhecemos como sendo “responsabilidade humana”. É inegável que a Bíblia culpa os pecadores por seus próprios pecados, e os condena à morte no lado de fogo, da mesma forma que recompensa os justos a uma existência eterna. Mas com que base poderíamos justamente considerar alguém responsável pelos delitos cometidos em vida, se tudo nesta vida foi previamente determinado?
Em outras palavras, se foi Deus quem determinou que o ladrão roubasse e este ladrão não poderia fazer outra coisa a não ser roubar, por que o ladrão deveria ser considerado responsável pelo roubo? Culpar um ladrão nestas circunstâncias seria tão ilógico quanto culpar uma faca por um assassinato cometido por meio dela. A faca é simplesmente um meio, e não a causa. A faca não é culpada, ela é meramente um instrumento, o mesmo que os calvinistas pensam em relação aos seres humanos. O real responsável, neste caso, deveria ser a causa primeira do ato (o que os calvinistas remetem a Deus).
Thomas Summers disse:
“A liberdade e responsabilidade seriam destruídas ou postas de lado se necessitássemos agir seguindo motivos dos quais não temos controle algum, tão certamente como se alguma força maior nos agarrasse e, mecanicamente, nos forçasse a realizar qualquer ato contrário à nossa vontade”

De facto, se alguém mais forte do que eu me amarra, coloca uma arma na minha mão e usa o meu dedo para puxar o gatilho e matar alguém, eu não sou responsável pelo assassinato, pois eu fui meramente utilizado, fui um meio, não fui a causa. Eu não tive escolha, eu fui coagido a isso. Se os seres humanos não possuem livre-arbítrio, mas apenas agem conforme o que Deus determinou desde a eternidade, então eles não são responsáveis, mas estão apenas cumprindo obedientemente um decreto divino, contra o qual é impossível resistir.

Como já vimos anteriormente, Calvino em momento algum negou que era Deus quem determinava os pecados e que o homem não possui escolha, mas a todo instante buscava resgatar algo da responsabilidade humana dizendo que, embora o homem não possa não pecar, ele é culpado porque desejou pecar. Isso não resolve nada e nos leva a problemas maiores, porque, em primeiro lugar, para Calvino o desejo também vem de Deus. Então, com que lógica o homem deveria ser responsável pelo desejo e não pela ação se tanto o desejo quanto a ação vieram de Deus?

Mesmo que algum calvinista divergisse de Calvino neste ponto e dissesse que os desejos vêm do próprio homem e que somente a ação é determinada por Deus, ele estaria em maus lençóis. Isso porque, em primeiro lugar, ele estaria assumindo que os desejos são auto causados, o que destrói e põe por terra toda a teoria de Edwards, aceita por quase todos os calvinistas, de que nada é auto causado pelo homem, mas tudo é determinado por Deus.

Se abrirmos brecha para a tese de que os desejos podem ser auto causados, então por que as ações também não poderiam ser auto causadas? Um calvinista que recua neste ponto teria que abrir mão também da alegação de que os atos não podem ser auto causados e devem ser externamente determinados, o que o levaria, irremediavelmente, ao arminianismo indeterminista. Seria um grande nonsense afirmar que as ações não podem ser auto causadas, se os desejos podem.

Em segundo lugar, a alegação de que os desejos são auto causados mas as ações são determinadas por Deus nos leva a outro problema, que é o fato de que nós agimos em conformidade com os nossos desejos. São os nossos desejos que nos leva a agirmos, de outra forma não agiríamos. Se você está dormindo em sono profundo e não tem vontade nenhuma de acordar, você continua dormindo. Mas quando começa a pensar nas consequências que teria em não acordar (como perder o emprego ou faltar em algum dia importante) você passa a desejar acordar, pensando nas consequências.

A RESPONSABILIDADE HUMANA DEPENDENDO DO CONHECIMENTO

Preciso é ficar acentuado que o homem é responsável somente enquanto ele conhece ou tem dentro do seu alcance o conhecimento do que é justo. O pagão é responsável de reconhecer a Deus porque, e somente porque, "o que de Deus se pode conhecer nele esta manifesto; porque Deus lho manifestou. Porque as Suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o Seu eterno poder, como a Sua divindade, se entendem e claramente se veem pelas coisas que estão criadas, para que fiquem inescusáveis" (Romanos 1:19,20).
Quanto a actos de conduta externa, o pagão é responsável somente pela violação de tais princípios de justiça como sua própria consciência reconhece. !Todos quantos sem Lei pecaram, sem Lei também perecerão? isto é, aqueles a quem a Lei escrita de Deus não se fez conhecida perecerão, mas não perecerão pela condenação da Lei escrita. Como então serão julgados? Os versos que seguem a citação supra mostram que serão julgados pelo seu propósito paradigma de justiça; não serão acusados de transgressões, exceto aquelas contra sua própria consciência. Vide Romanos 2:12-15.



CONCLUSÃO

Chegamos a conclusão que a Liberdade é o que nos define, a cada um de nós, pois somos nós que escolhemos as ações que vão definir a nossa vida. Alguns não têm essa liberdade e não podem escolher por eles próprios, por isso quem usufrui da liberdade pode e deve usá-la sem esquecer as consequências, pois caso contrário essa liberdade pode ser-nos retirada. A Liberdade é ou devia ser um direito de todos os seres humanos, mas nem todos dela podem disfrutar, seja por motivos religiosos ou por motivos culturais.















BIBLIOGRAFIA

SUMMERS, Thomas O. Systematic Theology. Nashville: Publishing House of the Methodist Episcopal Church, South, 1888, v. 2, p. 68.
[2] John Wesley, citado em Arthur S. Wood, “The Contribution of John Wesley to the Theology of Grace”, p. 211.
[3] REICHENBACH, Bruce R. Predestinação e Livre-Arbítrio: Quatro perspectivas sobre a soberania de Deus e a liberdade humana. Editora Mundo Cristão: 1989, p. 132.
[4] REICHENBACH, Bruce R. Predestinação e Livre-Arbítrio: Quatro perspectivas sobre a soberania de Deus e a liberdade humana. Editora Mundo Cristão: 1989, p. 132-133.
















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