terça-feira, 28 de julho de 2015

a liberdade e responsabilidade

INTRODUÇÃO

Neste trabalho abordaremos sobre a liberdade e a responsabilidade humana, vamos primeiro por definir a liberdade em que A liberdade é um direito de que todos nós devíamos usufruir, mas com a liberdade vem a responsabilidade, pois tudo o que fazemos “livremente” tem as suas consequências. Não podemos pensar apenas em nós, pois todas as nossas acções vão influenciar os outros, mesmo que essa não fosse a nossa principal intenção, pois todos nós vivemos na mesma sociedade.
















SIGNIFICADO DE LIBERDADE

A liberdade significa o direito de agir segundo o seulivre arbítrio, de acordo com a própria vontade, desde que não prejudique outra pessoa, é a sensação de estar livre e não depender de ninguém. Liberdade é também um conjunto de idéias liberais e dos direitos de cada cidadão.

LIBERDADE E ÉTICA

LIBERDADE NA FILOSOFIA

Karl Marx diz que a liberdade humana é uma prática dos indivíduos, e ela está diretamente ligada aos bens materiais. Os indivíduos manifestam sua liberdade em grupo, e criam seu próprio mundo, com seus próprios interesses.



QUATRO TIPOS DE LIBERDADE

Dizer que se defende a liberdade é muito fácil, mas muitas vezes aquilo que se entende como liberdade é muito diferente de pessoa para pessoa e geração para geração. De um modo geral, liberdade significa liberdade da coerção dos outros (Estado ou indivíduos). Existem quatro grandes tipos/níveis de liberdade:
·         Liberdade da opressão como interferência arbitrária - Que é basicamente a liberdade de se viver os direitos que nos foram atribuídos pela sociedade, sem o medo de interferências arbitrárias na nossa vida por parte de outrém.
·         Liberdade de participar nos processos de decisão da comunidade - Ou seja, liberdade de eleger, de ser eleito e de se exprimir sobre temas políticos.
·         Liberdade de consciência e de crença - Por outra palavras, a liberdade de se praticar a religião que entender e o direito de dissidência relativamente a uma qualquer religião.
·         Liberdade de cada um viver como entender - No mundo actual, as pessoas não se sentem livres porque os seus direitos são respeitados, ou porque as suas crenças podem ser expressadas livremente, ou porque podem participar no processo de decisão político. As pessoas sentem-se livres porque podem definir um rumo para a sua vida, sem ter em consideração o bem comum ou as crenças religiosas.

LIBERDADE É RESPEITAR AS PRÓPRIAS ESCOLHAS E O LIMITE DOS OUTROS

A RESPONSABILIDADE DE CADA UM

Há quem tenha dificuldade para lidar com a liberdade, já que ela traz como consequência a necessidade de se assumir a responsabilidade pelos próprios atos. "As pessoas erram mais quando se sentem mais livres. Por outro lado, também aprendem com seus erros e, em etapas seguintes, elas acertam mais", atesta Ribeiro. "A liberdade é um atributo exclusivamente humano, que nos lança à condição de incerteza, de capacidade de escolha e de ruptura com um destino predeterminado" acrescenta Adriana. 
A liberdade também é um mau negócio para quem desconhece seus interesses, necessidades e vontades pessoais. Para a filósofa, quem não é capaz de decidir sobre os rumos de sua própria vida acaba fazendo escolhas ruins. "Só quando nos tornamos senhores da própria consciência e recuperamos a capacidade de raciocínio, discernimento e reflexão sobre as coisas, que exercermos positivamente o nosso livre-arbítrio", finaliza. 

Porque o Homem é Responsável?

A pergunta é, então, como pode o homem ser responsável por suas ações quando tudo que ele faz foi ordenado e decretado por Deus? Não é isto uma pergunta nova: é no mínimo tão velha como o Novo Testamento e, provavelmente, mais velha. Paulo antecipou esta pergunta aos seus leitores quando ele escreveu o admirável capítulo nono de Romanos. Disse ele: "Dir-me-ás então: Porque se queixa ele ainda? Porquanto, quem resiste a sua vontade?" E a resposta de Paulo foi: "Mas antes, ó homem, quem eis tu que contestas contra Deus? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Porque me fizeste assim? Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra?" Paulo, bem se vê, ao mencionar esta pergunta e sua resposta, mostra, conclusivamente, que ensinou a soberania absoluta de Deus. Na verdade, as suas palavras precedentes ensinam, claramente, isso. Paulo deu a resposta que deu porque antecipou a pergunta como vinda de um objetor. Quando ela vem como de um reverente inquiridor, ela merece consideração mais minuciosa. A resposta de Paulo teve de ser mais breve porque o seu tempo e propósito não permitiram uma discussão mais longa. O nosso tempo permite e o nosso fim requer uma discussão mais completa.

RESPONSABILIDADE HUMANA

Responsabilidade é o dever de arcar com as consequências do próprio comportamento ou do comportamento de outras pessoas. É uma obrigação jurídica concluída a partir do desrespeito de algum direito, no decurso de uma ação contrária ao ordenamento jurídico. Também pode ser a competência para se comportar de maneira sensata ou responsável. Responsabilidade não é somente obrigação, mas também a qualidade de responder por seus atos individual e socialmente.

O DETERMINISMO E A RESPONSABILIDADE HUMANA

A consequência fatal do conceito equivocado do calvinismo acerca da soberania de Deus (aonde tudo o que acontece é decretado ou determinado por Deus) é um choque de frente com aquilo que conhecemos como sendo “responsabilidade humana”. É inegável que a Bíblia culpa os pecadores por seus próprios pecados, e os condena à morte no lado de fogo, da mesma forma que recompensa os justos a uma existência eterna. Mas com que base poderíamos justamente considerar alguém responsável pelos delitos cometidos em vida, se tudo nesta vida foi previamente determinado?
Em outras palavras, se foi Deus quem determinou que o ladrão roubasse e este ladrão não poderia fazer outra coisa a não ser roubar, por que o ladrão deveria ser considerado responsável pelo roubo? Culpar um ladrão nestas circunstâncias seria tão ilógico quanto culpar uma faca por um assassinato cometido por meio dela. A faca é simplesmente um meio, e não a causa. A faca não é culpada, ela é meramente um instrumento, o mesmo que os calvinistas pensam em relação aos seres humanos. O real responsável, neste caso, deveria ser a causa primeira do ato (o que os calvinistas remetem a Deus).
Thomas Summers disse:
“A liberdade e responsabilidade seriam destruídas ou postas de lado se necessitássemos agir seguindo motivos dos quais não temos controle algum, tão certamente como se alguma força maior nos agarrasse e, mecanicamente, nos forçasse a realizar qualquer ato contrário à nossa vontade”

De facto, se alguém mais forte do que eu me amarra, coloca uma arma na minha mão e usa o meu dedo para puxar o gatilho e matar alguém, eu não sou responsável pelo assassinato, pois eu fui meramente utilizado, fui um meio, não fui a causa. Eu não tive escolha, eu fui coagido a isso. Se os seres humanos não possuem livre-arbítrio, mas apenas agem conforme o que Deus determinou desde a eternidade, então eles não são responsáveis, mas estão apenas cumprindo obedientemente um decreto divino, contra o qual é impossível resistir.

Como já vimos anteriormente, Calvino em momento algum negou que era Deus quem determinava os pecados e que o homem não possui escolha, mas a todo instante buscava resgatar algo da responsabilidade humana dizendo que, embora o homem não possa não pecar, ele é culpado porque desejou pecar. Isso não resolve nada e nos leva a problemas maiores, porque, em primeiro lugar, para Calvino o desejo também vem de Deus. Então, com que lógica o homem deveria ser responsável pelo desejo e não pela ação se tanto o desejo quanto a ação vieram de Deus?

Mesmo que algum calvinista divergisse de Calvino neste ponto e dissesse que os desejos vêm do próprio homem e que somente a ação é determinada por Deus, ele estaria em maus lençóis. Isso porque, em primeiro lugar, ele estaria assumindo que os desejos são auto causados, o que destrói e põe por terra toda a teoria de Edwards, aceita por quase todos os calvinistas, de que nada é auto causado pelo homem, mas tudo é determinado por Deus.

Se abrirmos brecha para a tese de que os desejos podem ser auto causados, então por que as ações também não poderiam ser auto causadas? Um calvinista que recua neste ponto teria que abrir mão também da alegação de que os atos não podem ser auto causados e devem ser externamente determinados, o que o levaria, irremediavelmente, ao arminianismo indeterminista. Seria um grande nonsense afirmar que as ações não podem ser auto causadas, se os desejos podem.

Em segundo lugar, a alegação de que os desejos são auto causados mas as ações são determinadas por Deus nos leva a outro problema, que é o fato de que nós agimos em conformidade com os nossos desejos. São os nossos desejos que nos leva a agirmos, de outra forma não agiríamos. Se você está dormindo em sono profundo e não tem vontade nenhuma de acordar, você continua dormindo. Mas quando começa a pensar nas consequências que teria em não acordar (como perder o emprego ou faltar em algum dia importante) você passa a desejar acordar, pensando nas consequências.

A RESPONSABILIDADE HUMANA DEPENDENDO DO CONHECIMENTO

Preciso é ficar acentuado que o homem é responsável somente enquanto ele conhece ou tem dentro do seu alcance o conhecimento do que é justo. O pagão é responsável de reconhecer a Deus porque, e somente porque, "o que de Deus se pode conhecer nele esta manifesto; porque Deus lho manifestou. Porque as Suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o Seu eterno poder, como a Sua divindade, se entendem e claramente se veem pelas coisas que estão criadas, para que fiquem inescusáveis" (Romanos 1:19,20).
Quanto a actos de conduta externa, o pagão é responsável somente pela violação de tais princípios de justiça como sua própria consciência reconhece. !Todos quantos sem Lei pecaram, sem Lei também perecerão? isto é, aqueles a quem a Lei escrita de Deus não se fez conhecida perecerão, mas não perecerão pela condenação da Lei escrita. Como então serão julgados? Os versos que seguem a citação supra mostram que serão julgados pelo seu propósito paradigma de justiça; não serão acusados de transgressões, exceto aquelas contra sua própria consciência. Vide Romanos 2:12-15.



CONCLUSÃO

Chegamos a conclusão que a Liberdade é o que nos define, a cada um de nós, pois somos nós que escolhemos as ações que vão definir a nossa vida. Alguns não têm essa liberdade e não podem escolher por eles próprios, por isso quem usufrui da liberdade pode e deve usá-la sem esquecer as consequências, pois caso contrário essa liberdade pode ser-nos retirada. A Liberdade é ou devia ser um direito de todos os seres humanos, mas nem todos dela podem disfrutar, seja por motivos religiosos ou por motivos culturais.















BIBLIOGRAFIA

SUMMERS, Thomas O. Systematic Theology. Nashville: Publishing House of the Methodist Episcopal Church, South, 1888, v. 2, p. 68.
[2] John Wesley, citado em Arthur S. Wood, “The Contribution of John Wesley to the Theology of Grace”, p. 211.
[3] REICHENBACH, Bruce R. Predestinação e Livre-Arbítrio: Quatro perspectivas sobre a soberania de Deus e a liberdade humana. Editora Mundo Cristão: 1989, p. 132.
[4] REICHENBACH, Bruce R. Predestinação e Livre-Arbítrio: Quatro perspectivas sobre a soberania de Deus e a liberdade humana. Editora Mundo Cristão: 1989, p. 132-133.
















ÍNDICE




segunda-feira, 27 de julho de 2015

Tétano neonatal

Definição

Doença infecciosa aguda,  não-contagiosa,  causada por neurotoxinas produzidas por uma bactéria que invade as células nervosas do Sistema Nervoso Central (SNC), provocando  espasmos musculares e convulsões violentas. A contratura permanente se intensifica em conseqüência de: estímulos  luminosos, tosse, micção, deglutição ou  barulhos. O tétano pode surgir a partir de qualquer ferimento.   

Devido as campanhas de vacinação infantil e da gestante,  reduziu-se bastante as ocorrências de tétano no Brasil,  mas quando acontece a letalidade ainda é muito alta, principalmente pelo diagnóstico tardio.  Apesar de facilmente evitável por meio da vacinação materna, o tétano  neonatal, que acomete bebês com até 28 dias, ainda é causa de mortes no Brasil e em outros países. Os óbitos acontecem principalmente em áreas rurais e carentes, onde são mantidas práticas inadequadas de corte e tratamento do coto umbilical (resíduo do cordão umbilical). O Tétano neonatal  chega em alguns países do Terceiro Mundo a ser a doença neonatal que mais causa óbitos nos recém-nascidos.

Sinonímia

O Tétano neonatal também é conhecido popularmente como:
  • Mal de 7 dias.

Incidência

  • Acomete mais o sexo masculino, por causa da maior exposição dos homens aos traumatismos.
  • É mais comum nos meninos por causa das brincadeiras infantis que  causam mais ferimentos.
  • Nos países em desenvolvimento atinge mais o recém-nascido, as crianças e os adultos jovens, enquanto em países desenvolvidos atinge mais os idosos por que não foram vacinados na infância.
  • Ocorre uma incidência muito alta em trabalhadores braçais.
  • Maior incidência na zona rural.
  • Tem maior incidência na população com nível sócio-econômico mais baixo.
  • Em países subdesenvolvidos a doença ocorre com altos índices de morbidade e mortalidade.
  • É uma doença que é fatal em quase 40% dos casos.
  • Tem maior prevalência nas zonas de clima tropicais e subtropicais, com uma maior incidência nos meses de clima quente.
  • Ocorre 1000 casos de tétano acidental por ano.
  • 60% dos recém-nascidos com o tétano neonatal infelizmente morrem.

Agente etiológico

Bacilo Clostridium tetani; bacilo Gram-positivo; móvel; anaeróbico;. sob condições desfavoráveis tem a capacidade de se transformar em esporo que assume uma resistência excepcional às condições ambientais.

Em condições de anaerobiose o esporo germina, assumindo a forma vegetativa com a capacidade de elaborar a exotoxina tetânica. É uma toxina neurotrópica tão forte e devastadora que só é superada em potência pela toxina botulínica.

Fisiopatologia

A bactéria que transmite o tétano  é muito sensível,  só pode sobreviver fora do contato com o oxigênio (anaeróbio). Por isso assume a forma de esporo para aumentar suas condições de sobrevivência. Através de um ferimento na pele, queimaduras, ou outros tipos de lesões que rompam a pele, o esporo penetra  no organismo e retorna a sua forma original de bacilo. Este se prolifera  e passa a produzir toxinas que invadem o sangue, essas toxinas atacam as células nervosas que regulam os movimentos musculares. O processo de contração tetânica se espalha rapidamente em todos os músculos, provocando espasmos e contrações violentíssimas e involuntárias.

Tipos 

  • Tétano acidental: os bacilos penetram nos ferimentos superficiais ou profundos, fraturas expostas, feridas cirúrgicas, abortos provocados por objetos perfurantes, fios cirúrgicos não esterilizados. É considerado tétano acidental quando a doença atinge crianças a partir do vigésimo oitavo dia de vida.
  • Tétano umbilical  ou neonatal (neonatorum): contaminação do coto umbilical pelo bacilo do tétano. É considerado tétano umbilical quando a doença atinge recém-nascidos até o vigésimo sétimo dia de vida.

Transmissão

Os bacilos do tétano ou seus esporos podem ser encontrados em:
  • terra ou areia contaminados com fezes animais e humanas;
  • águas putrefatas;
  • latas e pregos enferrujados;
  • espinhos;
  • nas folhas das plantas
  • fezes de animais herbívoros;
  • agulhas não esterilizadas;
  • seringas de vidro;
  • instrumental cirúrgico não esterilizado ou mal esterilizado.
Focos tetânicos
São considerados como prováveis focos tetânicos:
  • ferimentos superficiais ou profundos de qualquer natureza que tenham estado em contacto com poeira da rua ou terra;
  • queimaduras, principalmente por fogos de artifícios;
  • tecidos necróticos, principalmente quando supurados;
  • feridas cirúrgica suturados com fio de categute mal esterilizado ( fio cirúrgico categute é feito com intestino de carneiro);
  • fraturas expostas contendo restos de tecidos desvitalizados;
  • roupas e corpos estranhos;
  • cotos umbilicais tratados com substâncias contaminadas.

Período de incubação

O tempo médio entre a lesão até os primeiros sintomas varia de 1 a 14 dias, mas também pode chegar até 2 meses. Se o organismo tiver com a imunidade baixa e houver contaminação por muitos bacilos, a doença pode aparecer em até dois dias.

Período de regressão

O tempo médio entre os primeiros sintomas até o primeiro espasmo no tétano acidental varia de 24 a 72 horas, e de 12 a 24 horas no tétano umbilical. Esse período é utilizado quando o foco não é percebido.

Obs: Quanto menor o tempo entre o período da incubação e o período da regressão, pior  o prognóstico para o paciente. O diagnóstico da doença e o tratamento tem que ser feito o mais precocemente possível, porque a demora faz com que a vida do paciente corra mais risco.

Sinais e sintomas

Os sintomas do tétano neonatal são mais graves do que em casos de tétano acidental (que atinge adultos e crianças com mais de 28 dias).

Tétano neonatal ou umbilical: 

A contaminação ocorre geralmente no momento do corte do cordão umbilical  por instrumento  cortante contaminado, ou por substâncias contaminadas que são colocadas no coto umbilical para a cicatrização:

  • dificuldade do bebê de chupar o seio ou a mamadeira;
  • trismo; 
  • espasmos musculares paroxísticos;
  • hiperextensão dos membros inferiores;
  • hiperflexão dos membros superiores junto  ao tórax;
  • flexionamento total das mãos e pés;
  • crises de apnéia;
  • fronte pregueada;
  • olhos cerrados;
  • opistótono (corpo em forma de arco, cabeça para trás).
  • lábios contraídos  em U.
ObsNa maioria dos casos de tétano neonatal ou umbilical, os pais referem precocemente que o queixo da criança endureceu, tanto que não abre a boca nem para mamar nem tomar mamadeira. Todo o recém-nascido com trismo, tem tétano até prova em contrário, embora o opistótono seja mais comum. Nos casos mais graves, o primeiro sinal já podem ser os espasmos, e estes tanto podem surgir tanto em resposta a estímulos como espontaneamente. Ao espasmo intenso, segue-se coloração acinzentada da pele, flacidez, anóxia e exaustão. 

Tétano acidental:

Os sinais e sintomas do tétano  acidental  podem ser divididos geralmente por uma ordem cronológica de aparecimento:  tétano local, sintomas prodrômicos, contratura permanente, espasmos paroxísticos (convulsões).
  • dificuldade em deambular; 
  • espasmos involuntários; 
  • dores nas pernas;
  • disfagia;
  • adormecimento da língua;
  • trismo;
  • opistótono; 
  • taquicardia;
  • hipertonia abdominal;
  • hipertonia torácica;
  • hipertonia muscular;
  • rigidez na nuca, projetando a cabeça para trás;
  • rigidez abdominal em tábua;
  • dispnéia;
  • convulsões  violentas;
  • hipertensão arterial.
Obs: Qualquer barulho, toque na pessoa, apagar e ligar de luzes, mudança de temperatura, alteração no ambiente podem provocar espasmos dolorosos e involuntários. A repetição desses espasmos por muito tempo pode causar exaustão profunda e  asfixia, que pode acarretar em algumas situações o óbito do paciente.

Graus de severidade

  • Leve:   apresenta  apenas rigidez muscular.
  • Moderado:  apresenta espasmos de intensidade média, pouco freqüentes, controláveis com dose baixa de sedativos.
  • Grave:  apresenta espasmos freqüentes  junto com a síndrome de hiperatividade simpática. Esse tipo de grau ocorre geralmente quando a doença surge com períodos de incubação e progressão curtos.

Diagnóstico

  • Anamnese rigorosa.
  • Exame físico.
  • Exame clínico.
  • Exames laboratoriais.
  • Cultura do material do ferimento.
Obs: O exame mais rápido para o médico que fornece um diagnóstico precoce e positivo para verificar se a pessoa está com tétano é o exame  clínico. Através desse exame o médico tem chances de dar início ao tratamento mais precocemente e tentar reverter as  complicações e seqüelas do tétano. ë importante o médico determinar o tempo de incubação porque quanto menor ele for, pior será o prognóstico. Um período de incubação de 1 a 4 dias geralmente é acompanhado pelo tétano grave.
Diagnóstico diferencial
O diagnóstico diferencial deve ser feito para que o Tétano não seja confundido com outras patologias com quadro clínico semelhante. Através dos exames clínico, físico, laboratoriais e estudos radiológicos o médico pode excluir essas doenças, até chegar ao diagnóstico correto. As doenças  que podem ser confundidas com o Tétano são as seguintes: 

Tétano acidental:
  • Intoxicação por estricnina.
  • Intoxicações por inseticida organo-fosforados.
  • Reações colaterais às fenotiazinas.
  • Tetania (hipocalcemia ou alcalose).
  • Poliomielite.
  • Meningite.
  • Meningoencefalite.
  • Raiva.
  • Histeria.
  • Processos inflamatórios da região buco-amígdalo-faríngea.
Tétano neonatal ou umbilical:
  • Infecção do SNC.
  • Trauma obstétrico.
  • Hipocalcemia.
  • Desidratação hipertônica.
  • Kernicterus.
Fatores que podem complicar o tratamento
  • Idade: a mortalidade é mais alta nos extremos da vida (RN e idosos).
  • Período de incubação: quanto menor pior o prognóstico. Período de incubação de 1 a 4 dias sugere tétano grave.
  • Período de regressão: menor que 48hs - mal prognóstico;  maior que 3 dias - melhor o prognóstico.
  • Febre: elevada desde o início maiores serão as complicações.
  • Extensão do comprometimento: quanto mais o tétano localizado melhor será o prognóstico.
  • Freqüência dos espasmos musculares, grau de hipertonia e de disfagia, crises apnéicas, presença e intensidades de insuficiência respiratória; quanto mais intensos esses sintomas, pior o prognóstico.
  • Qualidade do tipo de tratamento  e assistência dada ao paciente no hospital. 

Tratamento

Objetivo:   Evitar que a doença se desenvolva causando as complicações respiratórias e cardiovasculares.

O tétano é uma doença que requer uma equipe de enfermagem especializada, pois os cuidados de enfermagem são extremamente importantes para o paciente, por isso, a necessidade de que todos os Estados do Brasil tenham uma unidade de referência específica para os casos de internamento de pacientes tetânicos.
  • Internação imediata do paciente em enfermaria adequada, de preferência em hospital que exista uma instalação e uma equipe médica e  de enfermagem, treinada no atendimento para paciente tetânicos e no caso de recém-nascido deve-se utilizar incubadoras para manter a constância térmica.
  • Dentre os inúmeros cuidados de enfermagem pode-se destacar:  higiene nasotraqueobrônquica por aspiração; manipulação do paciente; sondagem; alimentação; higiene corporal; cuidados com os olhos; administração prescritas de medicamentos quando ocorrem espasmos ou convulsões; nebulizações; controle de diurese; fisioterapia da caixa torácica; evitar escaras no paciente; coleta de secreções traqueais; coleta de urina para cultura; observação permanente do paciente para que possa atuar quando houver necessidade imediata, pois o paciente tetânico tem uma facilidade grande de sofrer asfixia devido aos espasmos e convulsões, e se os cuidados de enfermagem não forem corretamente e tecnicamente empregados, podem ser um dos motivos para o agravamento da saúde do paciente.  
  • O paciente deve ficar isolado em um quarto silencioso, sem muita luminosidade e sem variações térmicas.
  • Deve-se manipular o mínimo possível o paciente,  para não desencadear contraturas paroxísticas. 
  • A manipulação do paciente quando o mesmo necessita da mobilização para evitar ulceras de decúbito  e ajudar a movimentar as secreções traqueobrônquicas, devem ser executadas por uma  equipe de enfermagem bem treinada com as técnicas necessárias para que não desencadear espasmos por estímulo táctil.
  • Sedação do paciente conforme prescrição médica.
  • Cuidados com os olhos do paciente,  com medicação prescrita pelo médico, para evitar ulcerações de córnea e conjuntiva.
  • Administrar o soro antitetânico. 
  • Miorrelaxantes musculares de ação central ou periférica para atuar no controle das contraturas.
  • Antibioticoterapia em doses elevadas.
  • Respiração controlada com pressão positiva intermitente (respirador tipo Bennet, Bird), através de entubação endotraqueal ou traqueostomia, se houver comprometimento respiratório.
  • Posição de Trendelemburg, quando houver muita secreção pulmonar.
  • Proteção de língua contra mordedura.
  • Desbridamento  profundo  e extenso do foco.
  • Manter a ferida limpa, sem curativo até a cicatrização. 
  • Paciente deve ser alimentado de preferência por sonda nasogástrica, ou alimentação via parenteral.
  • Isolamento e contenção do paciente.
  • Dieta zero para casos graves e gravíssimos. 
  • Em casos gravíssimos ou que não respondam ao tratamento, utilizam-se curares de ação rápida.
  • Em alguns casos é necessário a traqueostomia.
  • Em alguns casos gravíssimos em que o paciente não está reagindo à tratamento médico, é indicado induzir o paciente ao coma, através de medicamentos.
  • RX  da coluna dorsal para detecção de fraturas de vértebras.
  • RX do tórax para detecção de costelas fraturadas.
Obs: O soro antitetânico administrado não neutraliza a toxina da bactéria já fixada nas células nervosas, mas somente impede que novas quantidades de bactérias invadam  e se fixem  nos receptores nervosos.

Complicações

  • Fraturas vertebrais por compressão  mecânica, devido às fortes contrações musculares.
  • Parada respiratória devido aos espasmos musculares.
  • Septicemia.
  • Insuficiência cardíaca.
  • Insuficiência respiratória.
  • Embolia pulmonar.
  • Embolia cerebral.
  • Crises hipertensivas.
  • Hemorragia digestiva.
  • Atrofias musculares e deformidades torácicas.
  • Lesões neurológicas decorrentes da hipoxia tecidual.
  • Cifose.
  • Flebite (inflamação dos vasos sanguíneos do corpo).
  • Atelectasia.
  • Asfixia.
  • Choque anafilático.
Prevenção do tétano neonatal
  • Para prevenir o tétano umbilical a gestante deve ser vacinada com duas doses durante a gravidez. A imunidade materna ativamente adquirida, é transferida passivamente ao feto através da circulação placentária, conferindo uma imunidade contra o tétano neonatal por um período de 2 meses em média. 
  • A gestante deve ter uma assistência obstétrica durante a gravidez  e o parto.
  • O parto deve ser realizado em ambiente hospitalar, mas caso não seja possível  as parteiras ( curiosas) devem ter treinamento para evitar o tétano neonatal.
O tétano neonatal ou umbilical poderia em muitas vezes ser evitado,  se não fossem utilizadas substâncias  e instrumentos, tanto no corte do cordão umbilical como no coto umbilical, que por incrível que pareça, é comum em algumas regiões do Brasil e principalmente em alguns países subdesenvolvidos:

Cordão umbilical é seccionado pelos seguintes instrumentos não esterilizados:
  • facas sujas;
  • lascas de bambu;
  • lanças;
  • cacos de vidro;
  • gillete.
Coto umbilical é utilizado as seguintes substâncias como "curativo", para estimular a cicatrização:
  • teia de aranha;
  • pó de ervas;
  • fumo queimado
  • picumã (vegetação e pó das paredes de fogões a lenha);
  • fezes de vaca se for menina, e fezes de boi se for menino;
  • óleo vegetal;
  • folha de mamona;
  • lama;
  • estrume de animais;
  • extrato de bananas verdes.

Prevenção do tétano acidental

medidas sanitárias:
  • Notificação Obrigatória às Autoridades Sanitárias;
  • imunização ativa (vacinação)  com o toxóide tetânico;
  • imunização passiva (soro antitetânico)  suspeita de infecção;
  • a vacina deve ser renovada a cada 10 anos.
medidas gerais:
  • quando houver um ferimento lave-o imediatamente com água corrente e sabão, não cubra o ferimento.
  • usar proteção nos membros inferiores como sapatos, botas e roupas protetoras, já que a grande parte dos ferimentos se localiza nos pés e pernas.
  • usar luvas longas de borracha quando o trabalhe exige contato com material que possa causar ferimentos nos membros superiores.
  • noções  elementares de higiene e assepsia são importantes na prevenção do tétano.
Obs: O tétano pode ser prevenido por campanhas de vacinação e se campanhas educativas por parte do governo fossem feitas para a comunidade ensinando os cuidados primários e elementares de saúde para tratar de um ferimento. Ignorância, pobreza, medicina primitiva (leiga, folclórica), crendices religiosas, baixo nível cultural e principalmente a falta de assistência médica  são responsáveis pela incidência  do tétano.