sábado, 9 de maio de 2015

Principais constituintes do sangue


INTRODUÇÃO
A função básica do sistema cardiovascular é comunicação das células entre si, produzindo um fluxo, e com o meio externo, havendo uma integração com os sistemas respiratório, renal e digestivo. Do ponto de vista biofísico, a variável fundamental para que o sistema vascular exerça sua função primária é gerar fluxo. Para que haja fluxo, é necessário gradiente. Quando se fala em fluxo de volume, de ar, sangue e líquidos, está se referindo a um gradiente de pressão. O presente trabalho com o tema principais constituentes do sangue tende a falar directamente de como é constituído o sangue e as suas diversas funções no nosso corpo. Neste contexto podemos definir o sangue como um tecido conjuntivo líquido que circula pelo sistema vascular  em animais com sistemas circulatórios fechados; formado por uma porção celular de natureza diversificada - pelos "elementos figurados" do sangue - que circula em suspensão em meio fluido, o plasma.



1.    O SANGUE
O sangue que percorre nossas artérias e veias através do sistema circulatório e possui extrema importância para nossa vida. Quando observado por meio de um microscópio, é possível verificar sua constituição se dá por um líquido amarelo, chamado plasma, onde flutuam um aglomerado de células brancas e vermelhas, água, proteínas, glicose e sais minerais.
1.1.        Características, funções e componentes do sangue 
Os glóbulos vermelhos são tão pequenos que em uma pequena gota de sangue são encontrados mais de cinco milhões deles. Os glóbulos vermelhos têm essa coloração graças à hemoglobina, que chega às veias sem oxigênio, após ter realizado sua distribuição, através das artérias, por todo o corpo. Como é o oxigênio que dá à hemoglobina a coloração vermelha, os glóbulos vermelhos das veias possuem de fato a coloração azul-arroxeada. A vida útil dos glóbulos é curta, mas graças à medula de certos ossos é possível o nascimento de novos glóbulos a cada minuto.
No corpo de uma pessoa saudável, a distribuição destes glóbulos ocorre da seguinte forma: Para cada quinhentos glóbulos vermelhos, existe somente um glóbulo branco. Estes não possuem um formato definido, contudo, possuem tamanho superior se comparados aos vermelhos. Sua função em nosso corpo é tão importante quanto a dos glóbulos vermelhos, embora ocorra de forma bastante diferente. Os glóbulos brancos funcionam como verdadeiros "soldados de defesa", uma vez que protegem nosso organismo contra a invasão dos germes de inúmeras doenças. O combate contra estes germes ocorre com a absorção destes pelos glóbulos brancos que os absorvem, matando-os. A quantidade de glóbulos brancos geralmente é aumentada quando ficamos doentes, porém, este fato aumenta proporcionalmente a gravidade da doença.
2.    OS PRINCIPAIS CONSTITUENTES DO SANGUE
 Os tipos de sangue que existem são A, B, O e AB, sendo que a principal diferença entre eles estão na proteína que compõe o sangue. Além disso há diferença no Rh, podendo ser positivo ou negativo.
Os tipos de sangue mais raros são B e AB, enquanto os tipos de sangue mais comuns incluem o A e O. O sangue é classificado em grupos com a presença ou ausência de um antígono na superfície da hemácia.
Ele é composto basicamente por plasma, hemácias, leucócitos, plaquetas e factores de coagulação.

2.1.        Plasma
O plasma sanguíneo  é componente líquido do sangue, no qual as células sanguíneas encontram-se suspensas. Apresenta coloração amarelada e corresponde a aproximadamente 55% do volume sanguíneo total.
No plasma sanguíneo são encontradas diversas substâncias, como: água (92%), proteínas (fibrinogênio,  albumina  e globulina), sódio (7%), gases, nutrientes, excreta, harmónios e enzimas. Este componente líquido também pode servir como reserva de proteínas do corpo. Também desempenha um papel importante na manutenção da pressão osmótica intravascular, mantendo os electrólitos em equilíbrio, além de proteger o organismo contra infecções e outros distúrbios do sangue.
Ocorre um livre intercâmbio de vários componentes do plasma com olíquido intersticial, por meio dos poros presentes na membrana capilar. Habitualmente, em decorrência da dimensão das proteínas plasmáticas, estas não transpõem a membrana capilar, conservando-se no plasma. No entanto, outras moléculas dissolvidas no plasma e as moléculas de água presentes no mesmo, se difundem livremente. Esta saída de água do plasma por meio dos capilares é regulada pela pressão coloido-osmótica, bem como pelo estado de permeabilidade das membranas, sendo que a albumina representa uma das principais responsáveis pela manutenção dessa pressão.
2.2.        Hemácias
Hemácias são unidades morfológicas da série vermelha do sangue, também designadas por eritrócitos ou glóbulos vermelhos, que estão presentes no sangue em número de cerca de 4,5 a 6,0 x 106/mm³, em condições normais. São constituídas basicamente por globulina ehemoglobina  (composta de 4 moléculas proteicas de estrutura terciária e 4 agrupamentos heme que contém o ferro, cada íon ferro é capaz de se ligar frouxamente a dois átomos de oxigénio, um para cada molécula de hemoglobina), e a sua função é transportar o oxigénio  (principalmente) e o gás carbónico (em menor quantidade) aos tecidos. Os eritrócitos vivem por aproximadamente 120 dias.
Estas células não possuem núcleo e o seu citoplasma é rico em hemoglobina, que é responsável pela cor vermelha do sangue. Por conta da sua característica a hemácia é utilizada para diversas pesquisas, como osmolaridade de membranas.
Hematopoiese das células do sangue - o segundo grupo de células representa a formação das hemácias.
A formação de hemácias é denominada eritropoiese. Este processo é dinâmico e envolve os processos de mitose, síntese de DNA e hemoglobina, incorporação do ferro, perda de núcleo, organicos e resulta na produção de glóbulo vermelho sem núcleo e com reservas energéticas.
2.3.        Leucócitos
Os leucócitos, também conhecidos por glóbulos brancos, são um grupo de células diferenciadas a partir de células-tronco pluripotenciais oriundas da medula óssea e presentes no sangue, linfa,órgãos linfoides e vários tecidos conjuntivos. As citadas células-tronco também dão origem aos chamados glóbulos vermelhos(hemácia ou eritrócito) e às plaquetas (trombócitos), que, junto com os leucócitos, integram os chamados elementos figurados do sangue. Um adulto normal possui entre 3.800 e 9.800 mil leucócitos por microlitro  (milímetro cúbico) de sangue.
Os leucócitos fazem parte do sistema imunitário do organismo. Têm por função o combate e a eliminação de microrganismos e estruturas químicas estranhas ao organismo por meio de sua captura ou da produção de anticorpos, sejam eles patogênicos ou não. Os leucócitos compreendem um grande grupo de células que se apresenta numa grande variedade de formas, tamanhos, número e funções específicas. São células que não pertencem intrinsecamente ao tecido sanguíneo, utilizando-o apenas como meio de transporte. Suas origens, funções e morte dão-se em outros tecidos. Têm a capacidade de atravessar as paredes dos capilares (diapedese), passando a se deslocar nos tecidos conjuntivos mediante a emissão de pseudópodes. Alguns são abundantes na linfa e no sistema linfático. Por isso, o aumento de tamanho de gânglios, principalmente aqueles localizados logo abaixo da pele, revela a existência da uma infecção em acção, em alguma parte do corpo.
2.4.        Plaquetas
Plaquetas:  São fragmentos de células que também podem ser chamados de trombócitos. Graças às plaquetas, quando temos um machucado leve, rapidamente o sangramento para. Elas também ajudam no processo de cicatrização das feridas.
Embora pequenas, as plaquetas são as células do sangue responsáveis por elaborados processos bioquímicos envolvidos na hemostasia, trombose e coagulação. São formadas na medula óssea a partir da fragmentação do citoplasma do seu precursor, o megacariócito – uma célula gigante e multilobulada presente na medula.
Do ponto de vista morfológico, as plaquetas são fragmentos cito plasmáticos enucleados de tamanho variado, de 2,9 a 4,3 µm e espessura entre 0,6 a 1,2 µm. É importante salientar que o tamanho das plaquetas varia de um indivíduo para outro. Há quatro tipos distintos de grânulos nas plaquetas: os α-grânulos, os corpos densos, os lisossomos e os micro peroxissomos.
Uma plaqueta sanguínea ou trombócito é um fragmenta coroplasmatico anucleado, presente no sangue que é formado na medula óssea. A sua principal função é a formação de coágulos, participando portanto do processo de coagulação sanguínea.
Uma pessoa normal tem entre 150.000 e 400.000 plaquetas por milímetro cúbico de sangue. Sua diminuição ou disfunção pode levar a sangramentos, assim como seu aumento pode aumentar o risco de trombose.
·         Trombocitopenia  (ou plaquetopenia) é a diminuição do número de plaquetas no sangue.
·         Trombocitose  (ou plaquetose) é o aumento do número de plaquetas no sangue.
3.    AS HEMÁCIA
Hemácias são unidades morfológicas da série vermelha do sangue, também designadas por eritrócitos ou glóbulos vermelhos, que estão presentes no sangue em número de cerca de 4,5 a 6,0 x 106/mm³,em condições normais. São constituídas basicamente por globulina e hemoglobina (composta de 4 moléculas protéicas de estrutura terciária e 4 grupamentos heme que contém o ferro, cada íon ferro é capaz de se ligar frouxamente a dois átomos de oxigênio, um para cada molécula de hemoglobina), e a sua função é transportar o oxigênio(principalmente) e o gás carbônico (em menor quantidade) aos tecidos. Os eritrócitos vivem por aproximadamente 120 dias.
Estas células não possuem núcleo e o seu citoplasma é rico em hemoglobina, que é responsável pela cor vermelha do sangue. Por conta da sua caraterística a hemácia é utilizada para diversas pesquisas, como osmolaridade de membranas.
3.1.        Formação nos humanos
A formação de hemácias é denominada eritropoiese. Este processo é dinâmico e envolve os processos de mitose, síntese de DNA e hemoglobina, incorporação do ferro, perda de núcleo, organelos e resulta na produção de glóbulo vermelho sem núcleo e com reservas energéticas.1
medula óssea é o cerne da eritropoiese que realiza-se pela diferenciação das células-tronco em proeritroblasto, eritroblasto basófilo, eritroblasto policromático, eritroblasto ortocromático e reticulócito (liberado na circulação). Após o período de um ou dois dias o reticulócito perde o retículo e torna-se um eritrócito.
3.2.        Características
Nos mamíferos, os eritrócitos são discos bicôncavos que não têm núcleo e medem 0,007 mm de diâmetro. Nos demais vertebrados, são ovais e possuem núcleo. A cor vermelha se deve à alta concentração da molécula de transporte de oxigênio dentro das células, a hemoglobina. Há cerca de 5 milhões de eritrócitos em um milímetro cúbico de sangue humano; eles são produzidos numa velocidade de 2 milhões por segundo por um tecido especial que se localiza na medula óssea de quase todos os ossos no recém nascido, e apenas em ossos membranosos em adultos (arcos costais, corpo vertebral, esterno e ílio) o tecido hematopoiético, e as partículas velhas são destruídas e removidas pelo baço liberando bilirrubina.
Os eritrocitos também atuam no começo da verífase (fase da divisão celular entre anáfase e telófase ) ativando a coenzima de restrição do MED2, enzima responsável pela promoção da citocinese.
As baixas tensões de oxigênio, hipoxia, nas grandes altitudes estimulam maior produção de hemácias para que o transporte de oxigênio seja facilitado. A hipoxia é detectada pelo sistema renal, e este produz a hormôna Eritropoetina que estimula a medula óssea a produzir maior número de eritrócitos, consequentemente causando a correção da hipoxia.
Quando colocadas em solução hipotônica (menos concentrada), as hemácias sofrem hemólise, ou seja, se rompem. Em meio hipertônico (mais concentrado), perdem água e murcham, ocorrendo plasmólise. Quando os eritrócitos se rompem, liberam a hemoglobina, que é convertida em bilirrubina e eliminada pela vesícula biliar ao sistema gastrintestinal.
Na membrana dos glóbulos vermelhos existem vários tipos de proteínas que são: a anquirinaactinaglicoforinabanda 3espectrina e banda 4.1.
3.3.        Doenças e ferramentas de diagnóstico
Doenças sanguíneas que envolvem as hemácias incluem:
·         Anemias são doenças caracterizadas pela capacidade diminuída de transporte de oxigénio devido à diminuição da contagem de eritrócitos ou à concentração de hemoglobina nestas células.4
·         Anemia ferropénica (ou anemia ferropriva) é a anemia mais comum; ocorre quando a ingestão de ferro ou a sua absorção pelo organismo está diminuída, levando a diminuição da produção da hemoglobina, pois o ferro é um dos seus principais constituintes;
·         Anemia falciforme é uma doença genética que resulta da mutação das moléculas de hemoglobina. Quando estas se desligam do oxigénio tornam-se insolúveis e levam à alteração da forma das hemácias. Estas partículas em forma de foice são rígidas e podem bloquear os vasos sanguíneos, causar dor, tromboses e outros danos teciduais. Especificamente, a anemia falciforme é devida a uma mutação que consiste na troca de um aminoácido Glu-6 (glutamato na posição 6) por uma Val-6 (valina na posição 6) na zona externa da hemoglobina; esta mudança de um aminoácido polar para um hidrofóbico causa a alteração conformacional própria da anemia falciforme.
·         Talassemia é uma doença genética que resulta na alteração da quantidade produzida de subunidades da hemoglobina.
·         Anemia hemolítica é um grupo de anemias cuja causa se deve à destruição aumentada de glóbulos vermelhos (hemólise), podendo ter origem factores intrínsecos ou extrínsecos à hemácia.
·         Esferocitose é uma anemia hemolítica caracterizada por um defeito genético nas proteínas da membrana e/ou no citoesqueleto da partícula, levando a hemácias pequenas, de forma esférica (esferócitos), daí o nome, e de constituição frágil, ao contrário da sua forma bicôncava e flexível.
·         Anemia Perniciosa é uma doença auto-imune caracterizada pela falta do factor intrínseco necessário para a absorção da vitamina B12 da comida. A vitamina B12 é essencial para a produção da hemoglobina.
·         Anemia aplástica é causada pela incapacidade da medula óssea de produzir particulas sanguíneas,(a produção de particulas sangüíneas pela medula óssea também pode ser chamada de eritropoeise).
·         O parasita da malária passa parte do seu ciclo de vida nas hemácias, alimenta-se da hemoglobina e depois provoca hemólise, o que origina febre. Tanto a anemia falciforme e a talassemia são comuns nas áreas da malária pois estas mutações oferecem resistência a esta doença.
·         Policitemias (ou eritrocitoses) são doenças caracterizadas por um aumento do número de glóbulos vermelhos. O aumento da viscosidade do sangue daí derivado pode causar vários sintomas.
·         Na policitemia primária o número aumentado de hemácias advém de uma alteração da medula óssea.
·         Várias doenças microangiopáticas, que incluem a coagulação intravascular disseminada e as microangiopatias trombóticas, apresentam no diagnóstico fragmentos de hemácias designado por esquitócitos. Estas patologias geram feixes de fibrina que prendem os glóbulos vermelhos quando estes tentam passar pelo trombose.
Os vários exames sanguíneos incluem a contagem de glóbulos vermelhos por volume de sangue e o hematócrito (percentagem de volume de sangue ocupado pelo volume total das hemácias). O tipo sanguíneoprecisa de ser determinado se for necessária uma transfusão sanguínea ou um transplante de órgãos.
3.4.        Sistema ABO
A descoberta dos grupos sanguíneos
Por volta de 1900, o médico austríaco Karl Landsteiner (1868 – 1943) verificou que, quando amostras de sangue de determinadas pessoas eram misturadas, as hemácias se juntavam, formando aglomerados semelhantes a coágulos. Landsteiner concluiu que determinadas pessoas têm sangues incompatíveis, e, de fato, as pesquisas posteriores revelaram a existência de diversos tipos sanguíneos, nos diferentes indivíduos da população.
Quando, em uma transfusão, uma pessoa recebe um tipo de sangue incompatível com o seu, as hemácias transferidas vão se aglutinando assim que penetram na circulação, formando aglomerados compactos que podem obstruir os capilares, prejudicando a circulação do sangue.
3.5.        Aglutinogênios e aglutininas
No sistema ABO existem quatro tipos de sangues: A, B, AB e O. Esses tipos são caracterizados pela presença ou não de certas substâncias na membrana das hemácias, os aglutinogênios, e pela presença ou ausência de outras substâncias, as aglutininas, no plasma sanguíneo.
Existem dois tipos de aglutinogênio, A e B, e dois tipos de aglutinina, anti-A e anti-B. Pessoas do grupo A possuem aglutinogênio A, nas hemácias e aglutinina anti-B no plasma; as do grupo B têm aglutinogênio B nas hemácias e aglutinina anti-A no plasma; pessoas do grupo AB têm aglutinogênios A e B nas hemácias e nenhuma aglutinina no plasma; e pessoas do grupo O não tem aglutinogénios na hemácias, mas possuem as duas aglutininas, anti-A e anti-B, no plasma.


CONCLUSÃO
Depois da pesquisa feita chegamos a conclusão de que O sangue é uma forma particular de tecido líquido que circula no sistema artério-venoso e capilar do organismo. O sangue assegura a “constância do meio” em que vivem as células, que é condição indispensável para a vida livre, entendo-se por livre o desenvolvimento das funções vitais sem serem condicionadas pelas variações do meio exterior.
Além disso, o sangue: é veículo de substâncias nutritivas (sais, glícidos, lípidos, proteínas) absorvidas ou mobilizadas dos depósitos; Transporta aos tecidos oxigénio e deles transporta dióxido de carbono, de forma a possibilitar a sua eliminação através do aparelho respiratório; Veicula para os órgãos de eliminação (rins, fígado, glândulas sudoríparas, intestino) todos os resíduos elaborados pelos tecidos mediante o transporte de hormonas produzidas por glândulas e colocadas directamente na corrente circulatória; Nivela e torna uniforme, nas várias zonas, a temperatura do corpo.
O Dia 14 de junho é considerado como o Dia Mundial de Doação de Sangue.


BIBLIOGRAFIA
As hemácias. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Hem%C3%A1cia. Acessado aos 09 de Maio de 2015.
O sangue. Disponível em: http://www.oportalsaude.com/xfiles/onossocorpo/o_nosso_corpo_1108.pdf. Acessado aos 9 de Maio de 2015.

dominação e reprodução na escola: visão de pierre bordieu


INTRODUÇÃO
Este estudo refere-se ao sistema educacional que consegue reproduzir por meio de uma violência simbólica as relações de dominação, ou seja, a estrutura de classes, reproduzindo de maneira diferenciada a ideologia da classe dominante. A teoria da reprodução, no sentido que a escola não resolve problemas sociais, mas reforça-os à medida que reproduz internamente relações de poder em relação às classes populares. As vertentes auxiliam na compreensão das condições contemporâneas da violência, possibilitando a discussão da temática. Aliada aos pressupostos teóricos, que foram buscados em Bourdieu e outros, propiciou uma compreensão do conjunto de relações sociais que fundam as situações de violência, bem como conhecer e analisar os sistemas de pensamento que legitimam a exclusão dos não privilegiados, convencendo-os a se submeterem à dominação, sem que percebam o que fazem. De modo geral a exclusão é imputada à falta de habilidades e capacidades, ao mau desempenho e outros. Dessa forma, a escola cumpre, simultaneamente, sua função de reprodução cultural e social, qual seja, a de reproduzir as relações sociais de produção da sociedade capitalista. O estudo aponta a necessidade de uma análise que norteie as acções educativas no interior das escolas, na tentativa de superar tal realidade.


DOMINAÇÃO E REPRODUÇÃO NA ESCOLA: VISÃO DE PIERRE BOURDIEU
Pierre Bourdieu, sociólogo francês (1930-2002), fundamenta seu pensamento pela grande influência de Max Weber e Durkheim. Foi um dos primeiros sociólogos europeus com análise voltada à sociologia da educação e da cultura que marcaram gerações de intelectuais e de grande notoriedade nacional e internacional. Dedicou-se à pesquisa das sociedades contemporâneas e das relações sociais que mantêm os diferentes grupos sociais tendo o sistema de ensino como instituição que permite a reprodução da cultura dominante.
O trajecto intelectual de Bourdieu possibilita uma análise aprofundada no âmbito escolar e suas relações sociais, através da percepção de sua função ideológica, política e legitimadora de uma ordem arbitrária em que se funda o sistema de dominação vigente nestas instituições. Bourdieu posiciona-se contra todas as formas de dominação e de mascaramento da realidade social. Bourdieu, no livro “A Reprodução”, deu especial atenção ao funcionamento do sistema escolar francês que, ao invés de transformar a sociedade e permitir a ascensão social, ratifica e reproduz as desigualdades.
A partir dos estudos, Bourdieu acentua que no interior de uma sociedade de classes existem diferenças culturais e por sua vez as classes burguesas possuem um determinado património cultural constituído de normas de falar, forma de conduta, de valores, etc. Já as classes trabalhadoras possuem outras características culturais que lhes têm permitido sua manutenção enquanto classes.
A escola, por sua vez, ignora estas diferenças sócio-culturais, seleccionando e privilegiando em sua teoria e prática as manifestações e os valores culturais das classes dominantes. Com essa atitude, a escola favorece aquelas crianças e jovens que já dominam este aparato cultural. Desta forma a escola, para este sujeito, é considerada uma continuidade da família e da sua prática social, enquanto os filhos das classes trabalhadoras precisam assimilar a concepção de mundo dominante.
Os autores Bourdieu e Passeron desenvolveram a “teoria da reprodução” baseada no conceito de violência simbólica. Para estes autores, toda acção pedagógica é objectivamente uma violência simbólica enquanto imposição de um poder arbitrário. A arbitrariedade constitui-se na apresentação da cultura dominante como cultura geral. O “poder arbitrário” é baseado na divisão da sociedade em classes. A acção pedagógica tende à reprodução cultural e social simultaneamente.
Para os filhos das classes trabalhadoras, a escola representa uma ruptura no que refere aos valores e saberes de sua prática, que são desprezados, ignorados e desconstruídos na sua inserção cultural, ou seja, necessitam aprender novos padrões ou modelos de cultura. Dentro dessa lógica, é evidente que para os alunos filhos das classes dominantes alcançar o sucesso escolar torna-se bem mais fácil do que para aqueles que têm que desaprender uma cultura para aprender um novo jeito de pensar, falar, movimentar-se, enfim, enxergar o mundo, inserir neste processo para se tornar um sujeito activo nesta sociedade.
No contexto das instituições de ensino, também se apresenta a dificuldade em definir violência escolar. Por um lado, segundo Bourdieu e Passeron (1975), existe uma violência inerente e inevitável, a violência da educação, já que, para eles, toda acção pedagógica é uma forma de violência simbólica, pois reproduz a cultura dominante, suas significações e convenções, impondo um modelo de socialização que favorece a reprodução da estrutura das relações de poder.
A definição de Bourdieu sobre a situação de “ violência simbólica”, ou seja, o desprezo da cultura popular e a interiorização da expressão cultural de um grupo mais poderoso economicamente ou politicamente por outro lado dominado, faz com que esses percam sua identidade pessoal e suas referências, tornando-se assim fracos, inseguros e mais sujeitos à dominação que sofrem na própria sociedade.
O carácter simbólico da violência centra-se nas características fundamentais da estrutura de classes da sociedade capitalista, decorrente da divisão social do trabalho, baseada na apropriação diferencial dos meios de produção. O autor analisa que o processo educacional apresenta dois mecanismos destinados à consolidação da sociedade capitalista: a reprodução da cultura e a reprodução das estruturas de classes. O primeiro dos mecanismos se manifesta no mundo das “representações simbólicas ou ideologia”, e o outro actua na própria realidade social.   
Para Bourdieu, a organização do mundo e a fixação de um consenso a seu respeito constitui uma função lógica necessária que permite à cultura dominante numa dada formação social cumprir sua função político-ideológica de legitimar e sancionar um determinado regime de dominação. (MICELI, 2001, p.XVI)
Entretanto, estão intimamente interligadas, uma vez que no sistema educacional a dominação e a reprodução das relações sociais são evidentes. Para que essa reprodução esteja totalmente assegurada, não basta que sejam reproduzidas apenas as relações factuais de trabalho e relações de classe que os homens estabelecem entre si, precisam também ser reproduzidas as representações simbólicas, ou seja, as ideias que os homens fazem dessas relações. Sendo assim, Bourdieu menciona a reprodução cultural e a reprodução social:
O sistema escolar cumpre uma função de legitimação cada vez mais necessária à perpetuação da “ordem social” uma vez que a evolução das relações de força entre as classes tende a excluir de modo mais completo a imposição de uma hierarquia fundada na afirmação bruta e brutal das relações de força. (BOURDIEU, 2001, p.311)
A consolidação da violência simbólica permite que a escola não exerça necessariamente a violência física, mas sim a violência mediante forças simbólicas, ou seja, pela doutrinação e dominação, que força as pessoas a pensarem e a agirem de tal forma que não percebem que legitimam com isso a ordem vigente.
Desse modo, o sistema educacional consegue reproduzir por meio de uma violência simbólica as relações de dominação, ou seja, a estrutura de classes, reproduzindo de maneira diferenciada a ideologia da classe dominante. Assim, Bourdieu considera o processo educativo uma acção coercitiva, definindo a acção pedagógica como um ato de violência, de força. Neste acto são impostos aos educandos sistemas de pensamento diferenciais que criam nos mesmos hábitos diferenciais, ou seja, predisposições para agirem segundo um certo código de normas e valores que os caracteriza como pertencentes a um certo grupo ou uma classe.
Bourdieu (1975) afirma que o habitus consiste em um sistema de disposições duradouras e transferíveis, estruturadas e predispostas a funcionar como estruturantes, ou seja, como princípios geradores e organizadores de práticas e de representações que podem estar objectivamente adaptadas ao seu fim, sem supor a busca consciente de fins e o domínio expresso das operações necessárias para alcançá-los objectivamente ‘reguladas’ e ‘regulares’, sem ser o produto da obediência a regras e, ao mesmo tempo, colectivamente orquestradas sem ser produto da acção organizada de um director de orquestra.
Dessa maneira, para Bourdieu, o sistema educacional não reproduz estritamente a configuração de classes, como fazia o anterior, mas consegue, impondo o habitus da classe dominante, cooptar membros isolados das classes. Esses membros, tendo familiarizado os esquemas e rituais da classe dominante, defendem e impõem de maneira mais radical à classe dominada os sistemas de pensamentos que a fazem aceitar sua sujeição à dominação. Assim, na obra: A
Economia das trocas simbólicas a questão do habitus cultivado aponta:
Enquanto força formadora de hábitos, a escola propicia aos que se encontram directa ou indirectamente submetidos à sua influência, não tanto esquemas de pensamento particulares e particularizados, mas uma disposição geral geradora de esquemas particulares capazes de serem aplicados em campos diferentes do pensamento e da acção aos quais pode-se dar o nome de habitus cultivado. (BOURDIEU, 2001, p.211)
Bourdieu assinala ainda que, além de promover aqueles que segundo seus padrões e mecanismos de selecção demonstram-se aptos a participarem dos privilégios e do uso do poder, o sistema educacional cria, sob uma aparência de neutralidade, os sistemas de pensamento que legitimam a exclusão dos não privilegiados, convencendo-os a se submeterem à dominação, sem que percebam o que fazem. De modo geral a exclusão é imputada à falta de habilidades e capacidades, ao mau desempenho e outros. Dessa forma, a escola cumpre, simultaneamente, sua função de reprodução cultural e social, qual seja, a de reproduzir as relações sociais de produção da sociedade capitalista.
A Sociologia da Educação de Bourdieu se notabiliza pela diminuição que promove do peso do factor económico comparativamente ao cultural na explicação das desigualdades escolares.
Ressalta que o sistema escolar não reproduz directamente a economia familiar. Não se pode falar, portanto, de uma reprodução simples ou ampliada, mas que a educação reproduz as relações entre a reprodução social e a cultural contribuindo, o sistema educativo, à reprodução da estrutura das relações de poder e das relações simbólicas entre as classes que participam da reprodução da estrutura da distribuição do capital cultural entre as classes.
Neste sentido, principalmente a escola pública, justamente por atender a população trabalhadora, que depende da sua contribuição, exerce de forma mais concreta a violência simbólica. Bourdieu, nos Escritos de educação, relata sua experiência com alunos dos liceus com uma classificação de excluídos do interior do processo educacional, referindo-se a um “mal-estar dos subúrbios”, resultado do aflorar das contradições sociais:
No funcionamento de uma instituição escolar que, sem dúvida, nunca exerceu um papel tão importante e para uma parcela tão importante da sociedade como hoje, essa contradição tem a ver com uma ordem social que tende cada vez mais a dar tudo a todo mundo, especialmente em matéria de consumo de bens materiais ou simbólicas, ou mesmo políticas, mas sob as espécies fictícias da aparência do simulacro ou da imitação, como se fosse esse o único meio de reserva para uns a posse real e legítima desses bens exclusivos. (BOURDIEU, 1998, p.225)
Ao reconhecer que as contradições sociais desempenham essa função, Bourdieu abre a possibilidade de uma crítica das mesmas contradições se o ponto de referência for a escola, pode-se criticar realmente a escola pública existente, mas tem-se excelentes motivos para dedicar o melhor dos esforços e convertê-la numa causa ampla e democrática a serviço da educação. Reconhecer, portanto, que é a partir da escola que está aí, em vez de descartá-la como verdadeiro espelho embaçado do projecto hegemónico das classes dominantes, é que se pretende vincular e acreditar na ideia do alicerce de uma boa escola – uma escola de qualidade, democrática, universal, pública e gratuita, ou seja, uma escola pública que acredita na transformação social.
 Neste contexto apresentam-se as escolas públicas, que enfrentam o problema da violência com imposição de regras de disciplina aos alunos, a autoridade dos professores e demais profissionais da educação que recorrem a polícia na maioria dos fatos ocorridos no interior da escola. As crianças das classes trabalhadoras sofrem um “bombardeio” bem maior ao entrarem na escola do que aquelas que vêm dos lares mais privilegiados; na realidade as primeiras têm a impressão de estarem em um ambiente cultural desconhecido.
A violência simbólica e física perpassa o contexto escolar de forma subtil e de difícil percepção pelos próprios executores das acções realizadas, gerando um ambiente de tensão quotidiana.
No campo educacional, a violência simbólica passa despercebida: a violência das omissões e do discurso hegemónico; a violência física, que assume evidência, exige um professor voltado às atitudes autoritárias e obsessivas pela disciplina no interior da sala de aula.
E as violências mais ou menos importantes que, continuamente, têm tido como objectivo os estabelecimentos escolares mais deserdados, nada mais são que a manifestação visível dos efeitos permanentes das contradições da instituição escolar e da violência de uma espécie absolutamente nova que a escola pratica sobre aqueles que não são feitos para ela. Como sempre, a Escola exclui: mas a partir de agora, exclui de maneira contínua e mantém em seu seio aqueles que exclui, contentando-se em relegá-los para os ramos mais ou menos desvalorizados. (BOURDIEU, 1998, p.224)
Se aplicada à escola, a violência física, nas suas várias formas, toma a visibilidade e questiona a autoridade do professor que, não conseguindo resolver os problemas por si, recorre a polícia.
A segurança referenda a ordem dominante e produz uma situação de submissão pelo medo. Os professores buscam na polícia a solução para uma situação que deveriam resolver com medidas educacionais. A polícia, formada para reprimir e não para educar, insere-se em um contexto que não é o seu e gera uma situação nova e incontrolável no âmbito da escola, porque a violência da acção policial produz novas situações de revolta e violência, num círculo incontrolável.
Pode-se atribuir à escola a reflexão de Bourdieu segundo a qual:
Se considerarmos seriamente as desigualdades socialmente condicionadas diante da escola e da cultura, somos obrigados a concluir que a equidade formal à qual obedece todo o sistema escolar é injusta de fato, e que, em toda sociedade onde se proclama ideais democráticos, ela protege melhor os privilégios do que a transmissão aberta dos privilégios. (BOURDIEU, 1998 p.53)
A esta situação acrescenta-se o fato que a intervenção da polícia na ordem escolar não só demonstra que a equidade formal inexiste como evidencia as relações de dominação que permeiam o processo educacional: a dominação simbólica já não cumpre sua função e toma o seu lugar a violência explícita.
Associando a leitura de Bourdieu com as análises de Weber sobre o monopólio do uso da força pelo Estado, a intervenção policial justifica-se legalmente e é legitimada pela ordem jurídica, mas realmente agrava a situação de violência contra as classes trabalhadoras. A relação entre Bourdieu e Weber é lembrada por Miceli:
E mesmo a noção genérica que Bourdieu possui a respeito do poder lembra de perto a definição weberiana segundo a qual a violência e a força constituem a última ratio do sistema de dominação. O que não impede a ênfase concedida por ambos à problematização do simbolismos de que se reveste toda e qualquer dominação. Assim, deixam em suspenso a questão dos aparelhos directamente repressivos em que se apresenta uma determinada forma de dominação em favor dos tipos de legitimidade que consolidam o circuito propriamente político entre dominantes e dominados através dos diversos aparelhos de produção simbólica. (MICELI, 2001, p. LI)
A educação, de certa forma, reproduz as desigualdades que se verificam na sociedade, por meio de mecanismos de dominação, da burocratização dos sistemas escolares, que se consolida por meio das políticas públicas. Diante disso, vale retomar um pouco a reflexão sobre o papel do professor na sociedade actual: o sistema educacional está formando o professor para exercer efectivamente a função de educador? Partindo do pressuposto de ser a escola uma agência socializadora, o professor pode ainda comprometer-se com a educação emancipadora, ou seja, tornar-se sujeito de crítica e transformação, visto que a sociedade actual minimiza os problemas da profissão, desqualifica a profissão e não dá respaldo para uma efectiva actuação do professor como educador.


CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nesse contexto, o que se pode perceber é que a escola, o professor e o sistema educativo como um todo, não se colocam mais no centro como agência socializadora, como agente da mudança. E, finalmente, a própria cultura escolar é vista como mais uma forma de conhecimento, concorrendo com outros meios e tecnologias de produção e de transmissão do saber. Assim, é preciso destacar que as novas tecnologias e as novas metodologias incorporadas ao saber docente modificaram o papel tradicional do professor, o qual vê hoje que sua prática pedagógica precisa estar sendo sempre reavaliada e actualizada.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BOURDIEU, P; PASSERON, J. C. A reprodução. Elementos para uma teoria do sistema de ensino. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1975.
BOURDIEU, P. A Escola conservadora: as desigualdades frente à escola e à cultura. In: NOGUEIRA, M. A.; CATANI. Afrânio (orgs). Escritos de educação. Petrópolis, Vozes, 1998. 
____________. A economia das trocas simbólicas. 5. ed. São Paulo: Perspectiva, 1982.
_______________. O poder simbólico. Tradução Fernando Tomaz, 7. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2004. 
MICELI, S. Introdução: a força do sentido. In: BOURDIEU, Pierre. A economia das trocas simbólicas. 5. ed. São Paulo: Perspectiva, 1982.
WEBER, M. Os tipos de dominação legítima. In. COHN, G. (org) Max Weber: sociologia. São Paulo: Ática, 1982.
STIVAL, Maria Cristina Elias Esper –SME-PR e FORTUNATO, Sarita Aparecida de Oliveira-SME-PR: DOMINAÇÃO E REPRODUÇÃO NA ESCOLA: VISÃO DE PIERRE BOURDIEU. Disponível em: http://www.pucpr.br/eventos/educere/educere2008/anais/pdf/676_924.pdf.Acessado aos 09 de Maio de 2015.