terça-feira, 31 de março de 2015

Gestão moderna de pessoas

MODERNA GESTÃO DE PESSOAS
CHIAVENATO, Idalberto. Gestão de Pessoas: e o novo papel dos recursos humanos nas organizações. 2ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.

Objetivos de aprendizagem
·Definir a Gestão de Pessoas e suas características fundamentais.
·Descrever o contexto no qual funciona a Gestão de Pessoas.
·Compreender os processos de Gestão de Pessoas.
·Entender os objetivos da moderna Gestão de Pessoas.
·Avaliar o que as empresas bem-sucedidas estão fazendo


Quando as organizações são bem-sucedidas, elas tendem a crescer ou, no mínimo, a sobreviver. O crescimento acarreta maior complexidade dos recursos necessários às suas operações, com o aumento de capital, incremento de tecnologia, atividades de apoio etc. E, de lambuja, provoca o aumento do número de pessoas, bem como a necessidade de intensificar a aplicação de seus conhecimentos, habilidades e destrezas indispensáveis à manutenção e competitividade do negócio. Com tudo isto se assegura que os recursos materiais, financeiros e tecnológicos sejam utilizados com eficiência e eficácia. E as pessoas passam a significar o diferencial competitivo que mantém e promove o sucesso organizacional: elas passam a constituir a competência básica da organização, a sua principal vantagem competitiva em um mundo globalizado, instável, mutável e fortemente concorrencial.
Para mobilizar e utilizar plenamente as pessoas em suas atividades, as organizações estão mudando os seus conceitos e alterando as suas práticas gerenciais. Em vez de investirem diretamente nos produtos e serviços, elas estão investindo nas pessoas que entendem deles e que sabem como criá-los, desenvolvê-los, produzi-los e melhorá-los. Em vez de investirem diretamente nos clientes, elas estão investindo nas pessoas que os atendem e os servem e que sabem como satisfazê-los e encantá-los. As pessoas passam a constituir o elemento básico do sucesso empresarial. Fala-se hoje em estratégia de recursos humanos para expressar a utilização deliberada das pessoas para ajudar a ganhar ou manter uma vantagem auto-sustentada da organização em relação aos concorrentes que disputam o mercado. A estratégia constitui o plano global ou a abordagem geral que a organização adota, para assegurar que as pessoas possam cumprir adequadamente a missão organizacional.

O Contexto da Gestão de Pessoas
O contexto da gestão de pessoas é formado por pessoas e organizações. As pessoas passam boa parte de suas vidas trabalhando dentro de organizações.
E estas dependem daquelas para poderem funcionar e alcançar sucesso. De um lado, o trabalho toma considerável tempo das vidas e dos esforços das pessoas, que dele dependem para sua subsistência e sucesso pessoal. Separar o trabalho da existência das pessoas é muito difícil, senão quase impossível, diante da importância e do impacto que o trabalho nelas provoca. Assim, as pessoas dependem das organizações nas quais trabalham para atingir seus objetivos pessoais e individuais. Crescer na vida e ser bem-sucedido quase sempre significa crescer dentro das organizações. De outro lado, as organizações dependem direta e irremediavelmente das pessoas para operar, produzir seus bens e serviços, atender seus clientes, competir nos mercados e atingir seus objetivos globais e estratégicos. Com toda certeza, as organizações jamais existiriam sem as pessoas que lhes dão vida, dinâmica, energia, inteligência, criatividade e racionalidade. Na verdade, cada uma das partes depende da outra. Uma relação de mútua dependência na qual há benefícios recíprocos. Uma relação de duradoura simbiose entre pessoas e organizações.
As organizações apresentam uma incrível variedade. Elas podem ser indústrias, comércio, bancos, financeiras, hospitais, universidades, lojas, prestadoras de serviços etc. Podem ser grandes, médias e pequenas quanto ao seu tamanho. Podem ser públicas ou privadas quanto à sua propriedade. Quase tudo de que a sociedade necessita é produzido pelas organizações. Vivemos em uma sociedade de organizações, pois nascemos nelas, aprendemos nelas, servimo-nos delas, trabalhamos nelas e passamos a maior parte de nossas vidas dentro delas. Assim, o contexto em que se situa a Gestão de Pessoas é representado pelas organizações e pelas pessoas. Sem organizações e sem pessoas não haveria a Gestão de Pessoas. Em resumo, as organizações são constituídas de pessoas e dependem delas para atingir seus objetivos e cumprir suas missões. E para as pessoas, as organizações constituem o meio através do qual elas podem alcançar vários objetivos pessoais, com um custo mínimo de tempo, de esforço e de conflito. Muitos dos objetivos pessoais jamais poderiam ser alcançados apenas por meio do esforço pessoal isolado. As organizações surgem para aproveitar a sinergia dos esforços de várias pessoas que trabalham em conjunto. Sem organizações e sem pessoas certamente não haveria a Gestão de Pessoas. Termos como empregabilidade e empresabilidade são usados para indicar, de um lado, a capacidade das pessoas em conquistar e manter seus empregos e, de outro, a capacidade das empresas em desenvolver e utilizar as habilidades intelectuais e capacidades competitivas dos seus membros.

OBJETIVOS ORGANIZACIONAIS
OBJETIVOS INDIVIDUAIS
·          Sobrevivência
·          Crescimento Sustentado
·          Lucratividade
·          Produtividade
·          Qualidade nos produtos/serviços
·          Redução de Custos
·          Participação no mercado
·          Novos mercados
·          Novos clientes
·          Competitividade
·          Imagem no mercado
·         Melhores salários
·         Melhores benefícios
·         Estabilidade no emprego
·         Segurança no trabalho
·         Qualidade de vida no trabalho
·         Satisfação no trabalho
·         Consideração e respeito
·         Oportunidade de crescimento
·         Liberdade para trabalhar
·         Liderança liberal
·         Orgulho da organização
FIGURA 1. Os objetivos organizacionais e os objetivos individuais das pessoas.

Conceito de Gestão de Pessoas
Gestão de Pessoas é uma área muito sensível a mentalidade que predomina nas organizações. Ela é contingencial e situacional, pois depende de vários aspectos, como a cultura que existe em cada organização, da estrutura organizacional adotada, das características do contexto ambiental, do negócio da organização, da tecnologia utilizada, dos processos internos e de uma infinidade de outras variáveis importantes.

As pessoas como parceiras da organização
Nos tempos atuais, as organizações estão ampliando sua visão e atuação estratégica. Todo processo produtivo somente se realiza com a participação conjunta de diversos parceiros, cada qual contribuindo com algum recurso. Os fornecedores contribuem com matérias-primas, insumos básicos, serviços e tecnologias. Os acionistas e investidores contribuem com capital e investimentos que permitem o aporte financeiro para a aquisição de recursos. Os empregados contribuem com seus conhecimentos, capacidades e habilidades, proporcionando decisões e ações que dinamizam a organização. Os clientes e consumidores contribuem para a organização, adquirindo seus bens ou serviços colocados no mercado. Cada um dos parceiros da organização contribui com algo na expectativa de obter um retorno pela sua contribuição. Muitas organizações utilizam meios para obter a inclusão de novos e diferentes parceiros para consolidar e fortificar seus negócios e expandir suas fronteiras através de alianças estratégicas.
Cada parceiro está disposto a continuar investindo seus recursos na medida em que obtém retornos e resultados satisfatórios de seus investimentos. Graças ao emergente sistêmico - que é o efeito sinergístico da organização - esta consegue reunir e juntar todos os recursos oferecidos pelos diversos parceiros e aumentar seus resultados. Através desses resultados a organização pode proporcionar um retorno maior às contribuições efetuadas pelos parceiros e manter a continuidade do negócio. Geralmente, as organizações procuram privilegiar os parceiros mais importantes. Os acionistas e investidores eram, até há pouco tempo, os mais privilegiados na distribuição e apropriação dos resultados organizacionais. Essa assimetria está sendo substituída por uma visão sistêmica e integrada de todos os parceiros do negócio, já que todos eles são indispensáveis para o sucesso da empresa. Acontece que o parceiro mais íntimo da organização é o empregado: aquele que está dentro dela, que lhe dá vida e dinamismo e que faz as coisas acontecerem.

PARECEIROS DA
ORGANIZAÇÃO
CONTRIBUEM
COM:
ESPERAM RETORNOS
DE:
ACIONISTRAS E
INVESTIDORES
Capital de risco e investimento
Lucros e dividendos,
valor agregado
EMPREGADOS
Trabalho, esforço, conhecimentos e competências
Salários, benefícios, retribuições e satisfações
FORNECEDORES
Matérias-primas, serviços, insumos básicos, tecnologias
Lucros e
Novos negócios
CLIENTES E
CONSUMIDORES
Compras, aquisição e uso dos bens e serviços
Qualidade, preço, satisfação,
Valor agregado
FIGURA 2. Os parceiros da organização.

Pessoas como recursos ou como parceiros da organização?
·         Empregados isolados nos cargos
·         Horário rigidamente estabelecido
·         Preocupação com normas e regras
·         Subordinação ao chefe
·         Fidelidade à organização
·         Dependência da chefia
·         Alienação à organização
·         Ênfase na especialização
·         Executoras de tarefas
·         Ênfase nas destrezas manuais
·         Mão-de-obra
 
   Dentro desse contexto, a questão básica é escolher entre tratar as pessoas como recursos organizacionais ou como parceiras da organização. Os empregados podem ser tratados como recursos produtivos das organizações: os chamados recursos humanos. Como recursos, eles precisam ser administrados, o que envolve planejamento, organização, direção e controle de suas atividades, já que são considerados sujeitos passivos da ação organizacional. Daí, a necessidade de administrar os recursos humanos para obter deles o máximo rendimento possível. Neste sentido, as pessoas constituem parte do patrimônio físico na contabilidade organizacional. Isso significa "coisificar” as pessoas.
·         Empregados isolados nos cargos
·         Horário rigidamente estabelecido
·         Preocupação com normas e regras
·         Subordinação ao chefe
·         Fidelidade à organização
·         Dependência da chefia
·         Alienação à organização
·         Ênfase na especialização
·         Executoras de tarefas
·         Ênfase nas destrezas manuais
·         Mão-de-obra
 
As pessoas devem ser visualizadas como parceiras das organizações. Como tais, elas são fornecedoras de conhecimentos, habilidades, competências e, sobretudo, o mais importante aporte para as organizações: a inteligência que proporciona decisões racionais e que imprime significado e rumo aos objetivos globais. Neste sentido, as pessoas constituem parte integrante do capital intelectual da organização. As organizações bem-sucedidas se deram conta disso e tratam seus funcionários como parceiros do negócio e fornecedores de competências e não mais como simples empregados contratados.

ASPECTOS FUNDAMENTAIS DA MODERNA GESTÃO DE PESSOAS
Assim, a Gestão de Pessoas se baseia em três aspectos fundamentais:

1.   As pessoas como seres humanos: Dotados de personalidade própria e profundamente diferentes entre si, com uma história pessoal particular e diferenciada, possuidores de conhecimentos, habilidades e competências indispensáveis à adequada gestão dos recursos organizacionais. Pessoas como pessoas e não meros recursos da organização.


2.   As pessoas como ativadores inteligentes de recursos organizacionais:. Como elementos impulsionadores da organização e capazes de dotá-Ia de inteligência, talento e aprendizagem indispensáveis à sua constante renovação e competitividade em um mundo cheio de mudanças e desafios. As pessoas como fonte de impulso próprio que dinamiza a organização e não como agentes passivos, inertes e estáticos.


3.     As pessoas como parceiros da organização: Capazes de conduzi-la à excelência e ao sucesso. Como parceiros, as pessoas fazem investimentos na organização - como esforço, dedicação, responsabilidade, comprometimento, riscos etc. - na expectativa de colherem retornos desses investimentos - como salários, incentivos financeiros, crescimento profissional, carreira etc. Qualquer investimento somente se justifica quando traz um retorno razoável. Na medida em que o retorno é bom e sustentável, a tendência certamente será a manutenção ou aumento do investimento. Daí, o caráter de reciprocidade na interação entre pessoas e organizações. E também o caráter de atividade e autonomia e não mais de passividade e inércia das pessoas. Pessoas como parceiros ativos da organização e não como meros sujeitos passivos dela.

Doravante, utilizaremos o termo Gestão de Pessoas ou Administração de Recursos Humanos (ARH) ao longo deste texto, dentro dos conceitos acima, para facilitar a exposição.

Conceitos de RH ou de Gestão de Pessoas
Diferentes autores têm diversos conceitos sobre Gestão de Pessoas:
Administração de Recursos Humanos (ARH) é o conjunto de políticas e práticas necessárias para conduzir os aspectos da posição gerencial relacionados com as "pessoas" ou recursos humanos, incluindo recrutamento, seleção, treinamento, recompensas e avaliação do desempenho.
ARH é a função administrativa devotada à aquisição, treinamento, avaliação e remuneração dos empregados. Todos os gerentes são, em um certo sentido, gerentes de pessoas, porque todos eles estão envolvidos em atividades como recrutamento, entrevistas, seleção e treinamento.
ARH é o conjunto de decisões integradas sobre as relações de emprego que influenciam a eficácia dos funcionários e das organizações.
ARH é a função na organização que está relaciona da com a provisão, treinamento, desenvolvimento, motivação e manutenção dos empregados

OBJETIVOS DA GESTÃO DE PESSOAS
As pessoas constituem o principal ativo da organização. Daí, a necessidade de tornar as organizações mais conscientes e atentas para seus funcionários. As organizações bem-sucedidas estão percebendo que apenas podem crescer, prosperar e manter sua continuidade se forem capazes de otimizar o retorno sobre os investimentos de todos os parceiros. Principalmente, o dos empregados. E quando uma organização está voltada para as pessoas, a sua filosofia global e sua cultura organizacional passam a refletir essa crença. A Gestão de Pessoas é a função que permite a colaboração eficaz das pessoas – empregados, funcionários, recursos humanos, talentos ou qualquer denominação utilizada – para alcançar os objetivos organizacionais e individuais. Os nomes – como departamento de pessoal, relações industriais, recursos humanos, desenvolvimento de talentos, capital humano ou capital intelectual- são utilizados para descrever a unidade, departamento ou equipe relacionada com a gestão das pessoas. Cada qual reflete uma maneira de lidar com as pessoas. O termo Administração de Recursos Humanos (ARH) ainda é o mais comum de todos eles.
As pessoas podem aumentar ou reduzir as forças e fraquezas de uma organização dependendo da maneira como elas são tratadas. Elas podem ser a fonte de sucesso como de ser a fonte de problemas. É melhor tratá-las como fonte de sucesso. Para que os objetivos da Gestão de Pessoas sejam alcançados, é necessário que as pessoas sejam tratadas como elementos básicos para a eficácia organizacional.
Os objetivos da Gestão de Pessoas são variados. A ARH deve contribuir para a eficácia organizacional através dos seguintes meios:

1.  Ajudar a organização a alcançar seus objetivos e realizar sua missão. A função de RH é um componente fundamental da organização de hoje. Antigamente, a ênfase era colocada no fazer corretamente as coisas através dos métodos e regras impostos aos funcionários para obter eficiência. O salto para a eficácia veio com a preocupação em atingir objetivos e resultados. Não se pode imaginar a função de RH sem se conhecer o negócio de uma organização. Cada negócio tem diferentes implicações na ARH. O principal objetivo da ARH é ajudar a organização a atingir suas metas, objetivos e a realizar sua missão.

2.  Proporcionar competitividade à organização. Isto significa saber empregar as habilidades e competências da força de trabalho. A função da ARH é fazer com que as forças das pessoas sejam mais produtivas para beneficiar clientes, parceiros e empregados. Esta foi a crença que levou Walt Disney a construir a Disney a partir das suas próprias pessoas. No nível macroeconômico, a competitividade é o grau em que uma nação pode, em condições livres e justas de mercado, produzir bens e serviços que sejam bem aceitos nos mercados internacionais, enquanto simultaneamente mantém ou expande os ganhos reais de seus cidadãos. Nesta definição, a palavra nação pode ser substituída por organização e a palavra cidadãos por empregados.

3.  Proporcionar à organização pessoas bem treinadas e bem motivadas. Quando um executivo diz que o propósito da ARH é construir e proteger o mais valioso patrimônio da empresa - as pessoas - ele está se referindo a este objetivo da ARH. Preparar e capacitar continuamente as pessoas é o primeiro passo. O segundo é dar reconhecimento às pessoas e não apenas dinheiro. Para melhorar e incrementar seu desempenho, as pessoas devem perceber justiça nas recompensas que recebem. Isso significa recompensar bons resultados e não recompensar pessoas que não se desempenham bem. Tornar os objetivos claros e explicirar como são medidos e quais as decorrências do seu alcance. As medidas de eficácia da ARH - e não apenas a medida de cada chefe - é que devem ser proporcionadas às pessoas certas, na fase certa do desempenho de um trabalho, e no tempo certo para a organização.

4.  Aumentar a auto-atualização e a satisfação das pessoas no trabalho. Antigamente a ênfase era colocada nas necessidades da organização. Hoje, sabe-se que as pessoas precisam ser felizes. Para que sejam produtivas, as pessoas devem sentir que o trabalho é adequado às suas capacidades e que estão sendo tratadas eqüitativamente. Para as pessoas, o trabalho é a maior fonte de identidade pessoal. As pessoas despendem a maior parte de suas vidas no trabalho, e isso requer uma estreita identidade com o trabalho que fazem. Pessoas satisfeitas não são necessariamente as mais produtivas. Mas pessoas insatisfeitas tendem a desligar-se da empresa, a se ausentar freqüentemente e a produzir pior qualidade do que pessoas satisfeitas. A felicidade na organização e a satisfação no trabalho são fortes determinantes do sucesso organizacional.

5.  Desenvolver e manter qualidade de vida no trabalho. Qualidade de vida no trabalho (QVT) é um conceito que se refere aos aspectos da experiência do trabalho, como estilo de gestão, liberdade e autonomia para tomar decisões, ambiente de trabalho agradável, segurança no emprego, horas adequadas de trabalho e tarefas significativas e agradáveis. Um programa de QVT procura estruturar o trabalho e o ambiente de trabalho no sentido de satisfazer a maioria das necessidades individuais das pessoas e tornar a organização um local desejável e atraente. A confiança das pessoas na organização também é fundamental para a retenção e a fixação de talentos.
6.  Administrar e impulsionar a mudança. Nas últimas décadas, houve um período turbulento de mudanças sociais, tecnológicas, econômicas, culturais e políticas. Essas mudanças e tendências trazem novas abordagens, mais flexíveis e ágeis, que devem ser utilizadas para garantir a sobrevivência das organizações. E os profissionais de ARH devem saber como lidar com mudanças se realmente querem contribuir para o sucesso de sua organização. São mudanças que se multiplicam exponencialmente e cujas soluções impõem novas estratégias, filosofias, programas, procedimentos e soluções.

7.  Manter políticas éticas e comportamento socialmente responsável. Toda atividade de ARH deve ser aberta, transparente, confiável e ética. As pessoas não devem ser discriminadas, e os seus direitos básicos devem ser garantidos. Os princípios éticos devem ser aplicados a todas as atividades da ARH. Tanto as pessoas como as organizações devem seguir padrões éticos e de responsabilidade social. A responsabilidade social não é uma exigência feita apenas às organizações, mas também e principalmente às pessoas que nelas trabalham.

OS PROCESSOS DA GESTÃO DE PESSOAS
A moderna Gestão de Pessoas consiste de várias atividades integradas, como descrição e análise de cargos, planejamento de RH, recrutamento, seleção, orientação e motivação das pessoas, avaliação do desempenho, remuneração, treinamento e desenvolvimento, relações sindicais, segurança, saúde e bem-estar etc.

O QUE É A GESTÃO DE PESSOAS?
No seu trabalho, cada administrador - seja ele um diretor, gerente, chefe ou supervisor - desempenha as quatro funções administrativas que constituem o processo administrativo, a saber: planejar, organizar, dirigir e controlar. A ARH procura ajudar o administrador a desempenhar todas essas funções porque ele não realiza seu trabalho sozinho, mas através das pessoas que formam sua equipe. É com sua equipe de subordinados que o administrador executa as tarefas e alcança metas e objetivos.
A ARH refere-se às políticas e práticas necessárias para administrar o trabalho das pessoas, tais como:
1.    Análise e descrição de cargos e modelagem do trabalho.
2.    Recrutamento e seleção de pessoal e admissão de candidatos selecionados.
3.    Orientação e integração de novos funcionários.
4.    Administração de cargos e salários.
5.    Incentivos salariais e benefícios sociais.
6.    Avaliação do desempenho das pessoas.
7.    Treinamento e desenvolvimento das pessoas.
8.    Desenvolvimento organizacional.
9.    Higiene, segurança e qualidade de vida no trabalho.
10. Relações com empregados e relações sindicais.

Essas políticas e práticas podem ser resumidas em seis processos básicos. Na verdade,a Gestão de Pessoas é um conjunto integrado de processos dinâmicos e interativos. Os seis processos básicos de Gestão de Pessoas são os seguintes:
1.    PROCESSOS DE AGREGAR PESSOAS: São os processos utilizados para incluir novas pessoas na empresa. Podem ser denominados processos de provisão ou de suprimento de pessoas. Incluem recrutamento e seleção de pessoas.
2.    PROCESSOS DE APLICAR PESSOAS: São os processos utilizados para desenhar as atividades que as pessoas irão realizar na empresa, orientar e acompanhar seu desempenho. Incluem desenho organizacional e desenho de cargos, análise e descrição de cargos, orientação das pessoas e avaliação do desempenho.
3.    PROCESSOS DE RECOMPENSAR PESSOAS: São os processos utilizados para incentivar as pessoas e satisfazer suas necessidades individuais mais elevadas. Incluem recompensas, remuneração e benefícios e serviços sociais.
4.    PROCESSOS DE DESENVOLVER PESSOAS: São os processos utilizados para capacitar e incrementar o desenvolvimento profissional e pessoal das pessoas. Incluem seu treinamento e desenvolvimento, gestão do conhecimento e gestão de competências, programas de mudanças e desenvolvimento de carreiras e programas de comunicações e consonância.
5.    PROCESSOS DE MANTER PESSOAS: São os processos utilizados para criar condições ambientais e psicológicas satisfatórias para as atividades das pessoas. Incluem administração da cultura organizacional, clima, disciplina, higiene, segurança e qualidade de vida e manutenção de relações sindicais.
6.    PROCESSOS DE MONITORAR PESSOAS: São os processos utilizados para acompanhar e controlar as atividades das pessoas e verificar resultados. Incluem banco de dados e sistemas de informações gerenciais.
Todos esses processos estão bastante relacionados entre si, de tal maneira que se interpenetram e se influenciam reciprocamente. Cada processo tende a favorecer ou prejudicar os demais, quando bem ou mal utilizado. Um processo rudimentar de agregar pessoas pode exigir um intenso processo de desenvolver pessoas para compensar as suas falhas. Se o processo de recompensar pessoas é falho, ele pode exigir um intenso processo de manter pessoas. O equilíbrio na condução de todos esses processos é fundamental. Quando um processo é falho, ele compromete todos os demais. Além disso, todos esses processos são desenhados de acordo com as exigências das influências ambientais externas e das influências organizacionais internas para obter a melhor compatibilização entre si. Ele deve funcionar como um sistema aberto e interativo.

A ESTRUTURA DO ÓRGÃO DE GESTÃO DE PESSOA
Antigamente, os órgãos de ARH eram tradicionalmente estruturados dentro do esquema de departamentalização funcional que predominava nas empresas. A estrutura funcional privilegia a especialização de cada órgão e a cooperação intradepartamental, mas produz duas conseqüências indesejáveis:
1.       A subobjetivação (os objetivos departamentais tornam-se mais importantes que os objetivos globais e organizacionais) que funciona como uma força centrífuga de esforços.
2.       A enorme dificuldade de cooperação interdepartamental (os departamentos mais se separam e brigam do que cooperam entre si) que impede a visão sistêmica e a obtenção de sinergia entre os órgãos.

ARH COMO RESPONSABILIDADE DE LINHA E FUNÇÃO DE STAFF
Há um princípio básico em ARH: gerir pessoas é uma responsabilidade de linha e uma função de staff. O que significa isso? Simples. Quem deve gerir as pessoas é o próprio gerente - ou supervisor ou líder de equipe - ao qual elas estão subordinadas. Ele tem a responsabilidade linear e direta pela condução de seus subordinados. Por essa razão, existe o princípio da unidade de comando: cada pessoa deve ter um e apenas um gerente. A contrapartida desse princípio é que cada gerente é o único e exclusivo chefe dos seus subordinados. Para que o gerente possa assumir plena autonomia essa responsabilidade de gerir seu pessoal, ele precisa receber assessoria e consultoria do órgão de ARH, que lhe proporciona os meios e serviços de apoio. Assim, gerir pessoas é uma responsabilidade de cada gerente que deve receber orientação do staff a respeito das políticas e procedimentos adotados pela organização.

CENTRALIZAÇÃO/DESCENTRALIZAÇÃO DAS ATIVIDADES DE RH
O conceito básico de que administrar pessoas é responsabilidade de linha e uma função de staff é fundamental. Acontece que as empresas sempre se defrontaram com o problema do relativo grau de centralização/descentralização de suas áreas de atividades. E na área de ARH sempre predominou uma forte tendência para a centralização e concentração na prestação de serviços para as demais áreas empresariais. A tal ponto que, em muitas empresas, o recrutamento e seleção, a admissão, integração, treinamento e desenvolvimento, administração de salários e remuneração, administração de benefícios, higiene e segurança do trabalho, avaliação do desempenho, eram estreitamente concentrados na área de ARH, com pouca participação gerencial das demais áreas. E nisso a área de ARH era essencialmente exclusivista e, até certo ponto, hermética mantendo a sete chaves os segredos das suas decisões e atividades. A atividade prestadora de serviços do staff prevalecia fortemente sobre a responsabilidade de linha dos gerentes da empresa. A tal ponto que o staff é quem tomava as decisões peculiares da linha. A centralização preponderava sobre a descentralização.

A INTERAÇÃO ENTRE ESPECIALISTAS DE RH E GERENTES DE LINHA
Na realidade, as tarefas de ARH mudaram com o tempo. Hoje, elas são desempenhadas nas organizações por dois grupos de executivos: de um lado, os especialistas em RH que atuam como consultores internos, e de outro, os gerentes de linha (gerentes, supervisores etc.) que estão envolvidos diretamente nas
atividades de RH por serem responsáveis pela utilização eficaz de seus subordinados. ds gerentes de linha utilizam um tempo consideráve~ na gestão de pessoas, em reuniões, conversas individuais ou grupais, telefonemas, e-mails, solução de problemas e definição de planos futuros. Todo gerente de linha é responsável se a produção cai ou se a máquina falha e prejudica a produção. Da mesma maneira, ele tam­bém deve cuidar pessoalmente do treinamento, de­sempenho e satisfação dos subordinados.

CONFLITOS ENTRE LINHA E STAFF
Quando os dois lados - gerentes de linha e especialistas de RH - tomam decisões sobre as mesmas pessoas, geralmente ocorrem conflitos. O conflito ocorre porque os gerentes de linha e os especialistas em RH discordam sobre quem tem a autoridade para tomar as decisões sobre pessoas ou porque têm diferentes orientações a respeito. Os conflitos entre linha e staff já são tradicionais. O especialista de staff está preocupado com suas funções básicas de proporcionar consultoria, aconselhamento e informação sobre a sua especialidade. Ele não tem autoridade direta sobre o gerente de linha. O gerente de linha tem autoridade para tomar as decisões relacionadas com suas operações e seus subordinados. Ocorre que nem sempre existe uma distinção clara entre linha staff nas organizações. O conflito entre especialistas de RH e gerentes de linha é mais crítico quando as decisões exigem um trabalho conjunto em assuntos como disciplina, condições de trabalho, transferências, promoções e planejamento de pessoal.
Existem três maneiras para reduzir o conflito entre linha e staff:
1.     Demonstrar aos gerentes de linha os benefícios de usar programas de RH.
2.     Atribuir responsabilidades por certas decisões de RH exclusivamente aos gerentes de linha, e outras exclusivamente aos especialistas de RH.
3.     Treinar ambos os lados – gerentes de linha e especialistas de RH – em como trabalhar juntos e tomar decisões conjuntas. Esta alternativa é mais eficaz se a organização tem um padrão de carreiras que proporciona o rodízio entre posições de linha e staff. A rotação de cargos entre linha e staff ajuda cada grupo a compreender melhor os problemas do outro.

AS RESPONSABILIDADES DE ARH DOS GERENTES DE LINHA
Lidar com pessoas sempre foi parte integral da res­ponsabilidade de linha de cada executivo, desde o presidente até o mais baixo nível de supervisão. Organizações bem-sucedidas definem as seguintes responsabilidades de linha para os gerentes:
1.     Colocar a pessoa certa no lugar certo, isto é, recrutar e selecionar.
2.     Integrar e orientar os novos funcionários na equipe.
3.     Treinar e preparar as pessoas para o trabalho.
4.     Avaliar e melhorar o desempenho de cada pessoa no cargo ocupado.
5.     Ganhar cooperação criativa e desenvolver relações agradáveis de trabalho.
6.     Interpretar e aplicar as políticas e procedimentos da organização.
7.     Controlar os custos trabalhistas.
8.     Desenvolver as habilidades e competências de cada pessoa.
9.     Criar e manter elevado moral na equipe.
10.  Proteger a saúde e proporcionar condições adequadas de trabalho.
Em organizações de pequeno porte, os gerentes de linha assumem todas as funções essas responsabilidades sem qualquer assistência interna ou externa. A medida que as organizações crescem, o trabalho dos gerentes de linha se divide e se especializa e eles passam a necessitar de assistência através da consultoria de um staff de RH. A partir daí a ARH torna-se então uma função especializada de staff.

Com o princípio da responsabilidade de linha e função de staff em vista, deve-se descentralizar a gestão das pessoas no nível das gerências de linha, de um lado, enquanto, de outro, mantém-se a função de assessoria e consultoria interna através órgão de RH. Cada qual no seu papel para proporcionar o melhor em termos de condução pessoas em direção aos objetivos da organização. permitindo também o alcance dos objetivos individuais.



FUNÇÃO DE STAFF
RESPONSABILIDADE DE LINHA
Órgão de ARH
Gestor de Pessoas (gestores de linha)
*       Cuidar das políticas de RH
*       Prestar assessoria e suporte
*       Dar Consultoria interna de RH
*       Proporcionar serviços de RH
*       Dar orientação de RH
*       Cuidar da estratégia de RH
*       Cuidar da sua equipe de pessoas
*       Tomar decisões sobre subordinados
*       Executar as ações de RH
*       Cumprir as metas de RH
*       Alcançar resultados de RH
*       Cuidar da tática e operações

FIGURA 4. A função de staff e a responsabilidade de linha na Gestão de Pessoas.

Problema de mercado de trabalho em Angola

INTRODUÇÃO
O presente trabalho tende a falar sobre o problema do mercado de trabalho em Angola na vertente do sector empresarial público e privado que na qual devido as formulações optadas pelo nosso governo existem sempre desiquilíbrio no que chamamos de processo de empregabilidade quem em muitas cituações causam transtornos psicológicos quando o assunto se fala do mercado de trabalho angolano. O sector empresarial angolano demostra muitas debilidades no processo de inserção dos funcionários voluntários e com vontade de trabalhar, muita das vezes optam no modo de corrupção e muitos casos acabam por enfracassar actuação da empresa no mercado de trabalho.

O IMPACTO DA GUERRA CIVIL NO MERCADO DE TRABALHO URBANO ANGOLANO
A dinâmica do mercado de trabalho em Angola foi gravemente afectada pela guerra civil que se iniciou meses antes da independência. A guerra trouxe a desestruturação económica e social do país, afectando primeiramente e de sobremaneira as zonas rurais onde até então vivia cerca de 74% da população angolana, sendo que por altura da independência estimava-se que 60% de toda a força de trabalho angolana trabalhava na agricultura. O conflito armado interrompeu as actividades agrícolas, levou ao encerramento da maioria do parque industrial, à destruição de pontes, estradas, barragens e caminhos-de-ferro 6 e à ruptura gradual do sistema de saúde e de educação.
O Estado não se mostrou capaz de garantir a segurança da população camponesa e todo o cenário violência - o medo dos massacres, da queima das habitações, das pilhagens, dos raptos e das violações, fez com que parte significativa desta população abandonasse o interior do país e migrasse para os centros urbanos mais próximos em busca de trabalho e de segurança. De forma progressiva, essencialmente nos finais dos anos 70 e sobretudo ao longo dos anos 80 (quando os conflitos subiram de intensidade em virtude do maior apoio externo conseguido pela UNITA junto da administração Reagan nos EUA) as populações rurais foram-se sentido crescentemente atraídas pelas cidades, mais seguras do ponto de vista militar. Este progressivo movimento migratório aumentou a procura de emprego nas áreas urbanas. Contudo, apesar de mais seguras as cidades ainda assim não abundavam em empregos disponíveis, abrindo-se deste modo o caminho ao enorme desenvolvimento do mercado informal, desde logo especialmente ocupado pelas mulheres. De acordo com a tradição angolana, no campo a responsabilidade de cuidar dos filhos e sustentar a família é da mulher por meio do cultivo da terra, da busca por água e por lenha. Na cidade a mulher continuou com estas responsabilidades.
Com níveis muito baixos de escolaridade ou analfabetas, sem disporem de um capital para iniciarem um negócio legal e, por vezes, utilizando-se da experiência adquirida no pequeno comércio agrícola, o mercado informal foi o caminho encontrado pela angolana para sobreviver na cidade e contribuir para o sustento da família. Chegado o fim do conflito com os acordos de paz de Bicesse (1991) e as primeiras eleições multipartidárias em 1992, existia a enorme esperança dentro e fora do país de que a situação pudesse ser revertida, a produção retomada e a reconstrução iniciada. As expectativas saíram goradas e a guerra civil reiniciou-se ainda antes da divulgação oficial dos resultados eleitorais que a UNITA contestou, optando uma vez mais pelo recurso às armas. O renovado conflito atingiu então proporções muito superiores em relação aos 16 anteriores anos de guerra, afectando pela primeira vez de forma directa o centro das cidades e estendendo-se à quase totalidade do território. As zonas rurais foram intensamente minadas, sendo as mulheres e crianças as principais vítimas destes engenhos explosivos; as mulheres por terem que trabalhar nas lavras e as crianças por acompanharem as mães. 8 Em consequência do aumento da virulência dos confrontos, da insegurança e da instabilidade, o fluxo migratório rumo às cidades aumentou, sendo que à medida que o controle destas era retomado pelas forças governamentais as populações encontravam aí não só a segurança como também a ajuda humanitária fornecida pelas organizações internacionais. As cidades mais visadas pelas novas vagas migratórias eram as cidades litorais e em especial a cidade capital – Luanda.
TRANSIÇÃO ECONÓMICA E INSTABILIDADE ACRESCIDA NO MERCADO DE TRABALHO FEMININO
As eleições de 1992 marcam o início da Segunda República, caracterizada pelo processo de transição de um sistema de economia planificada para um sistema de economia de mercado e multipartidarismo. Contudo, o processo começou desde logo num contexto adverso, tendo-se regressado à guerra civil tal como anteriormente referido. Para além da guerra, o processo de transição processou-se de forma pouco coerente, perdido entre resquícios de intervencionismo autoritário e administrativo do governo (ainda em moldes socialistas, mas para servir os interesses cliente listas de toda uma classe política no poder desde 1975) e uma desregulamentação descontrolada do mercado – em muitos aspectos próxima de um estilo de “capitalismo selvagem”. Oficialmente, processo de liberalização da economia angolana não fugiu muito do figurino dominante naquela altura para os países em desenvolvimento (recomendado pelo Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional), nomeadamente no que diz respeito à necessidade de reduzir o tamanho e a presença directa do Estado na economia (reduzindo a administração pública e privatizando o sector empresarial do Estado), o equilíbrio da balança de pagamentos e o controle da inflação. A exemplo de muitos outros países que adoptaram o mesmo figurino, todo o processo de transição foi conduzido sem que o Estado desenvolvesse políticas públicas capazes de proteger os Recursos Humanos envolvidos nesse processo. Tal facto resultou numa massa de pessoas desapoiadas levadas ao sub-emprego e ao desemprego, já que é no factor trabalho e no domínio do emprego que os reflexos das reestruturações produtivas se fazem sentir de forma mais acentuada. Em 1993 a população desempregada na cidade de Luanda chegou a 24% da População Economicamente Activa - PEA. Desse total 40,6% corresponde aqueles que “tinham trabalho antes mas ficaram desempregados”. As mulheres foram duramente penalizadas neste processo, constituindo 67,6% da massa de desempregados contra 32,4% de homens. No que toca ao objectivo de reequilibrar as contas públicas os resultados não foram os esperados uma vez que o reinício da guerra (que atingiu proporções superiores às do período anterior) manteve os problemas conjunturais e estruturais do passado:
a) Fortes pressões para a importação de armamento (ainda que as despesas exactas com armamento não sejam até hoje conhecidas, estima-se que ao longo da década de noventa o governo angolano tenha despendido uma média de 35% das receitas com a defesa e ordem pública);
b) Fortes pressões para importações de mercadorias e serviços (durante a década de 90 representaram em média cerca de 81,2% do Produto Interno Bruto, cifra que expressa bem o processo de substituição da produção interna de bens e serviços ocorridos depois da independência, sendo que, neste mesmo período, as importações totais suplantaram as exportações totais em cerca de 19%);
c) Forte concentração das exportações no sector do petróleo (entre 1995-1999 a exportação de petróleo correspondeu em média a cerca de 70 a 89% das receitas e a cerca de 85 a 92% das exportações), devendo aqui acrescentar-se que o número de empregos gerados pela actividade petrolífera é extremamente limitado, situando-se na ordem dos 10.000 Angolanos. Num contexto de guerra e de liberalização económica desregrada, a economia entrou em desequilíbrio e descontrole, tendo-se entrado numa situação de hiper-inflação – 1.837,7% em 1993, e em 1994, 3.783,98 em 1995, 1.651, em 1996. Por outro lado, agravou-se a situação de ruptura da produção agrícola e industrial nacional com índices muito altos de subutilização dos factores de produção. Na década de 90, o grau médio de ociosidade da estrutura produtiva chegou a cerca de 80% no sector industrial 30 e a cerca de 42% no sector agrícola. Tal como habitual em situações de hiper-inflação num contexto de liberalização descontrolada da economia e paralisia produtiva (exceptuando-se o sector petrolífero), as camadas trabalhadoras são as mais prejudicadas, uma vez são as que menos capacidade detém para fazer face ao aumento do custo de vida; os salários ajustam-se muito lentamente e os trabalhadores sofrem perdas substanciais de poder de compra. Para além deste problema, surgiu um outro o desemprego associado aos processos de liberalização e redimensionamento do sector Estatal. Se a situação era complicada para os trabalhadores que estavam no mercado formal, era muito pior para os trabalhadores do mercado informal claramente dominado por mulheres, crianças e adolescentes. Este mercado foi o que mais sofreu os efeitos da inflação continuada.
O aumento diário dos preços dos produtos aliado às constantes desvalorizações da moeda nacional em relação ao dólar dificultava o desenvolvimento do pequeno comércio que as mulheres realizavam nos mercados e nas ruas de Luanda. No período que mediava a compra e a venda dos seus produtos (quase todos provenientes de importação e com preços indexados ao dólar), a inflação galopante e a desvalorização do Kwanza em relação ao dólar corroía as suas margens de lucro, a sua capacidade de poupança e reposição do stock de mercadorias a serem vendidas; em tais condições dificilmente se consegue estabelecer um plano de negócio.
Nos finais da década de 90, deu-se nova vaga liberalista, desta vez ao nível da taxa de juros e da taxa de câmbio, tendo-se igualmente introduzido uma nova unidade monetária o Kwanza, com o corte de seis zeros na moeda anterior, o Kwanza Reajustado. Contudo, o mercado monetário e o mercado cambial não atingiram os níveis de estabilidade desejados: a dolarização da economia foi acelerada, as taxas de juros dos bancos não reflectiram o real preço do dinheiro, a moeda nacional continuou a depreciar-se, embora tenham ocorrido progressos no controlo da inflação (116,07% em 2001, 105,59% em 2002, 76,57 em 2003, 31,02 em 2004).
As novas vagas de liberalização da economia não resolveram os problemas de fundo da economia Angolana, tal como se pode observar mesmo depois da paz do Luena36 e sobretudo, há que referir que a cada nova onda de liberalização do mercado agravavam-se as condições do mercado de trabalho, especialmente o informal, aquele que mais afectava as mulheres. Tal facto pode ser comprovado pelos dados que mostram este agravamento no final da década de noventa e início de 2000. De acordo com dados de 2000, 65% das mulheres angolanas trabalhavam no sector informal, definitivamente o local de trabalho para as pessoas de mais baixo recurso. Na medida em que do total das mulheres, 27% eram estudantes/aprendizes ou elementos não activos, isso significava que apenas cerca de 23% das mulheres Angolanas trabalhavam nos sectores formais. A questão da educação permanecia igualmente central ao problema, sendo que entre as mulheres Angolanas, a percentagem de boas qualificações educacionais era apenas de 14% ao mesmo tempo que a percentagem de mulheres sem instrução formal ascendia a 85%.
MERCADO DE EMPREGO EM ANGOLA
A par da inflação, o desemprego tem sido outra das grandes preocupações do Governo. Não obstante não se possuírem informações sobre o desemprego no país, a expectativa vai no sentido da existência de elevadas taxas de desocupação da população activa. Por outro lado, o mercado informal de emprego tem funcionado como um amortecedor importante da incapacidade da economia formal de criar um número suficiente de empregos que se contraponha às taxas de crescimento da população e de libertação de mão-de-obra dos sistemas de ensino e formação profissional.
A análise do mercado de emprego em Angola está, assim, limitada pela ausência de informação e em termos de dados sistematizados e credíveis apontam-se os relativos à procura e oferta de empregos e às colocações.
Verifica-se, de acordo com os dados estatísticos do quadro abaixo, que:
A procura de emprego formal tem diminuído em média 6,5% ao ano, resultante da constatação da inaptidão da economia formal dar resposta às necessidades de ocupação produtiva da força de trabalho nacional.
A oferta de emprego formal retrata, justamente, a crise económica que caracteriza a economia não petrolífera, com uma média de retracção equivalente a quase 13% ao ano.
Ainda assim tem sido possível colocar em média 41,4% das pessoas que procuram emprego no sistema formal da economia angolana e preencher 85% das vagas oferecidas pelas actividades produtivas nacionais.
O primeiro valor indicia uma divergência acentuada entre as qualificações da mão-de-obra que procura trabalho e as necessidades do sector produtivo, para além evidentemente de ilustrarem a crise económica da economia não petrolífera.
O valor relativamente elevado da média da proporção das colocações na oferta de emprego provavelmente é apenas explicado pela expressão reduzida desta última variável.
DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL DO EMPREGO EM ANGOLA
Aparentemente, a partir de 1993 agravamento da situação militar interna - o mercado formal de emprego entrou numa crise profunda, com o valor da ratio procura/oferta de emprego a suplantar os 350% (em média por cada 3,5 postos de trabalho procurados havia apenas um de oferta).
SEGURANÇA SOCIAL
No que respeita à Protecção Social, igualmente consagrada na Lei constitucional em termos dos princípios informadores do respectivo sistema, é a Lei nº 7/04 de 15 de Outubro, quem define os beneficiários da Protecção Social, as modalidades de prestação, assim como as fontes do seu financiamento e a organização administrativa do referido sistema. Importa igualmente mencionar o Decreto - Lei nº 16/94, de 10 de Agosto, sobre o sistema de segurança social das Forças Armadas, em vigor, dotado de um fundo próprio criado pelo Decreto n° 11-D/96, de 12 de Abril e o Decreto nº 1/99, de 12 de Março que aprova a criação das Associações Mutualistas e o seu regulamento, como instituições particulares que personalizam e complementam as prestações de regimes públicos de segurança social.
DESEMPREGO EM ANGOLA
Em Setembro de 2008 foram prometidos, em quatro anos, um milhão de novos postos de trabalho para os angolanos. Da mesma forma que começa a elaborar-se uma agenda nacional para a diversificação da economia, faz-se urgente uma semelhante para o emprego.
Assiste-se, neste momento, no nosso país à onda da diversificação da economia. Não há discurso oficial que a não refira; dificilmente as palestras, os colóquios e as conferências lhe passam ao lado e a sociedade civil interroga-se sobre porque só agora é que nos lembrámos deste tema tão transversal e fundamental da sustentabilidade do crescimento económico. Foi necessário o Presidente da República chamar à coacção esta elementar tese da estruturação da economia nacional para que agora, e muito bem, estejamos todos preocupados com a mesma.
Algo de semelhante tem de se passar com o emprego. Ainda que ninguém conheça formalmente a realidade e a dimensão deste fenómeno, pressente-se que Angola tenha uma taxa de desemprego muito alta, tal a quantidade de pessoas a biscatarem nas ruas para quem a economia formal não tem tido capacidade de oferta sustentada de novos postos de trabalho, a importância do êxodo para as cidades (principalmente do litoral do país) e os preocupantes índices de criminalidade urbana. Segundo algumas estatísticas internacionais, Angola apresenta uma das maiores taxas de desemprego da África Subsariana e a segunda mais elevada da SADC (Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral).
Não devemos esquecer que em Setembro de 2008 foram prometidos, em quatro anos, um milhão de novos postos de trabalho para os angolanos. Os processos de criação de emprego são complexos, difíceis nas condições actuais de elevado desenvolvimento tecnológico, e demorados, dadas as suas relações com o crescimento económico. E quando se fala de empregos permanentes então as contrariedades são incomensuravelmente maiores.
A crise económica mundial ocorrida em 2008/2009, relativamente à qual ainda não se possuem indicadores seguros de que tenha sido ultrapassada, em particular nos países ricos existem riscos de novas bolhas imobiliárias e bolsistas e a concessão de crédito às economias continua sujeita a restrições, que são os que puxam pelas restantes economias, mesmo ponderadas as poderosas influências da China e da Índia, teve efeitos sobre o crescimento do PIB, as contas públicas e os défices externos de todos os países.
Os ministros das Finanças do G7 concluíram, acertadamente, que é demasiado cedo para se iniciar o processo de retirada de incentivos. De resto, o grande ponto de interrogação é: estarão as economias preparadas para retomarem a trajectória do crescimento, uma vez eliminados os poderosos incentivos monetários e financeiros que os países aplicaram para diminuir os efeitos da crise? Serão as economias capazes de, sozinhas, reaprenderem os caminhos normais de funcionamento da economia de mercado? Apesar de todos os incentivos as taxas de desemprego não pararam de aumentar.
A destruição de emprego tem sido uma das consequências mais dramáticas da crise económica e financeira de 2008/2009 em todos os países. A taxa de desemprego tem atingido valores muito altos em todas as economias desenvolvidas e não se espera que a situação se altere de modo substancial e sustentável antes de dois ou três anos. Naturalmente que os efeitos são assinaláveis sobre os tecidos sociais e a pressão sobre os sistemas de previdência e assistência social tem sido uma das razões dos défices orçamentais colossais registados na Europa, Estados Unidos e Japão.
A taxa de desemprego nos Estados Unidos em 2009 excedeu os 10%, valor exactamente igual ao verificado em Portugal. Na Alemanha, chegou aos 15% e na Espanha quase que ultrapassou 20%. A China tem passado um pouco ao lado destas consequências, por motivos variados: a sua taxa de crescimento no pior ano da crise mundial foi de 8,5%, a economia chinesa continuou a criar empregos, ainda que em volume e percentagem inferiores ao passado, e as responsabilidades sociais e previdenciais das empresas e do Estado chinês são praticamente nulas, ficando, assim, a classe trabalhadora entregue aos seus próprios cuidados de saúde e de assistência.
Também por isto, é que a economia chinesa tem apresentado a maior taxa de poupança do mundo.
Angola também se viu envolvida na crise económica, sendo expressão desse facto a relativa estagnação do PIB em 2009 (não mais do que 2% de variação face a 2008, de acordo com as estimativas do Centro de Estudos da Universidade Católica de Angola), o substancial corte nos investimentos públicos e a retracção no investimento privado. Seguramente que o desemprego deve ter aumentado.
Apesar das estatísticas do emprego em Angola serem muito lacunares, é possível proceder a estimativas, mesmo que grosseiras, sobre a taxa de desemprego no nosso país. Partindo das informações conhecidas sobre o PIB por habitante em 2009 e das correlações entre variáveis demográficas e económicas cheguei a uma taxa de desemprego de 26,8%, um agravamento de 2,9 pontos percentuais face à situação de 2008. É uma taxa muito elevada de desperdício do mais importante factor de crescimento duma economia, o capital humano.
Conforme disse anteriormente, não há Governo no mundo que não defenda a criação de emprego. A questão essencial é: quem é capaz de criar o maior número de empregos numa economia?
O Estado ou a iniciativa privada? A resposta deve ser encontrada na capacidade de se gerir, convenientemente, um negócio, com tudo o que isso exige de inovação constante, detecção de mercados, assunção de riscos, gestão de pessoas e liderança durante anos consecutivos. E isto não é o Estado que o deve fazer.
Criar emprego só é possível com pessoas que se sujeitem a fazer empresas, o que nem sempre vale a pena, atendendo ao esforço envolvido no vencimento de obstáculos e condicionalismos.
É aqui que entra o Estado, como criador de condições que enquadrem e facilitem a iniciativa privada, porque o emprego não se cria por decreto, mas por uma economia forte e competitiva. O emprego cria-se através de reformas estruturais, que libertem o potencial de crescimento económico dos países e de apoio a empresas competitivas nos bens transaccionáveis. A recuperação duradoura e sustentável do emprego acontece quando e só quando o crescimento económico se encontrar numa trajectória favorável. Compete aos empresários encontrar as oportunidades de investimento criador de emprego. Compete às autoridades facilitá-lo e torná-lo estável, definidas políticas que garantam confiança, através da competitividade e da adaptabilidade da economia a um mundo em mudança.
A criação de emprego não se compadece com panaceias de curto prazo e necessita duma estratégia coerente e inovadora. Da mesma forma que começa a elaborar-se uma agenda nacional para a diversificação da economia, faz-se urgente uma semelhante para o emprego.
NOVA LEI DO MERCADO DE TRABALHO NO SECTOR PÚBLIO/PRIVADO
sector empresarial público e privado vai ter, em 2015, uma nova Lei, cujo processo de revisão está em curso há cerca de um ano e meio, e já foi referenciado no relatório da Assembleia Nacional, recentemente apresentado em plenária, indicou o ministro da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social (MAPTSS).
O ministro admitiu que o Ante-Projecto da Revisão da Lei Geral do Trabalho vai ser discutido no arranque da próxima sessão legislativa, prevendo-se a aprovação, por parte do Parlamento, para o início de 2015.
A nova lei procura alcançar um papel de relevo naquilo que são os direitos e deveres das partes (empregador/empregado), sendo que ao empregador é reservado e reconhecido o papel de zelador pela disciplina e organização do trabalho, para que a produção e a produtividade se desenvolvam.
Já ao trabalhador, são-lhe assegurados os direitos e também confiados os deveres, para que as suas obrigações sejam executadas com maior capacidade e competência, destacou o governante.




CONCLUSÃO
Cheguei a conclusão de que, até ao presente momento, as políticas relacionadas com a questão do género têm sido negligenciadas pelo governo angolano, ainda que as mulheres sejam uma das camadas sociais mais afectadas pelo processo de transição para a economia de mercado. Independentemente do quadro de economia de mercado liberal que vigora em Angola, o Estado deve desempenhar um papel central, desenvolvendo políticas públicas que favoreçam a inclusão da mulher no mercado de trabalho em condições de justiça e igualdade, sendo que o desenvolvimento económico, social e humano do país como um todo também passa necessariamente pela solução deste problema, dado o peso económico e social da mulher na sociedade angolana.



BIBLIOGRAFIA
·         Problema do mercado de trabalho em Angola. Disponível em: http://www.codesria.org/IMG/pdf/pereira.pdf  . Acessado aos 31 de Março de 2015.

·         Sector empresarial Angolano. Disponível em: http://portugueseindependentnews.com/2014/08/25/angola-ministro-anuncia-nova-lei-para-o-sector-empresarial-publico-e-privado/. Acessado aos 31 de março de 2015.