terça-feira, 31 de março de 2015

Problema de mercado de trabalho em Angola

INTRODUÇÃO
O presente trabalho tende a falar sobre o problema do mercado de trabalho em Angola na vertente do sector empresarial público e privado que na qual devido as formulações optadas pelo nosso governo existem sempre desiquilíbrio no que chamamos de processo de empregabilidade quem em muitas cituações causam transtornos psicológicos quando o assunto se fala do mercado de trabalho angolano. O sector empresarial angolano demostra muitas debilidades no processo de inserção dos funcionários voluntários e com vontade de trabalhar, muita das vezes optam no modo de corrupção e muitos casos acabam por enfracassar actuação da empresa no mercado de trabalho.

O IMPACTO DA GUERRA CIVIL NO MERCADO DE TRABALHO URBANO ANGOLANO
A dinâmica do mercado de trabalho em Angola foi gravemente afectada pela guerra civil que se iniciou meses antes da independência. A guerra trouxe a desestruturação económica e social do país, afectando primeiramente e de sobremaneira as zonas rurais onde até então vivia cerca de 74% da população angolana, sendo que por altura da independência estimava-se que 60% de toda a força de trabalho angolana trabalhava na agricultura. O conflito armado interrompeu as actividades agrícolas, levou ao encerramento da maioria do parque industrial, à destruição de pontes, estradas, barragens e caminhos-de-ferro 6 e à ruptura gradual do sistema de saúde e de educação.
O Estado não se mostrou capaz de garantir a segurança da população camponesa e todo o cenário violência - o medo dos massacres, da queima das habitações, das pilhagens, dos raptos e das violações, fez com que parte significativa desta população abandonasse o interior do país e migrasse para os centros urbanos mais próximos em busca de trabalho e de segurança. De forma progressiva, essencialmente nos finais dos anos 70 e sobretudo ao longo dos anos 80 (quando os conflitos subiram de intensidade em virtude do maior apoio externo conseguido pela UNITA junto da administração Reagan nos EUA) as populações rurais foram-se sentido crescentemente atraídas pelas cidades, mais seguras do ponto de vista militar. Este progressivo movimento migratório aumentou a procura de emprego nas áreas urbanas. Contudo, apesar de mais seguras as cidades ainda assim não abundavam em empregos disponíveis, abrindo-se deste modo o caminho ao enorme desenvolvimento do mercado informal, desde logo especialmente ocupado pelas mulheres. De acordo com a tradição angolana, no campo a responsabilidade de cuidar dos filhos e sustentar a família é da mulher por meio do cultivo da terra, da busca por água e por lenha. Na cidade a mulher continuou com estas responsabilidades.
Com níveis muito baixos de escolaridade ou analfabetas, sem disporem de um capital para iniciarem um negócio legal e, por vezes, utilizando-se da experiência adquirida no pequeno comércio agrícola, o mercado informal foi o caminho encontrado pela angolana para sobreviver na cidade e contribuir para o sustento da família. Chegado o fim do conflito com os acordos de paz de Bicesse (1991) e as primeiras eleições multipartidárias em 1992, existia a enorme esperança dentro e fora do país de que a situação pudesse ser revertida, a produção retomada e a reconstrução iniciada. As expectativas saíram goradas e a guerra civil reiniciou-se ainda antes da divulgação oficial dos resultados eleitorais que a UNITA contestou, optando uma vez mais pelo recurso às armas. O renovado conflito atingiu então proporções muito superiores em relação aos 16 anteriores anos de guerra, afectando pela primeira vez de forma directa o centro das cidades e estendendo-se à quase totalidade do território. As zonas rurais foram intensamente minadas, sendo as mulheres e crianças as principais vítimas destes engenhos explosivos; as mulheres por terem que trabalhar nas lavras e as crianças por acompanharem as mães. 8 Em consequência do aumento da virulência dos confrontos, da insegurança e da instabilidade, o fluxo migratório rumo às cidades aumentou, sendo que à medida que o controle destas era retomado pelas forças governamentais as populações encontravam aí não só a segurança como também a ajuda humanitária fornecida pelas organizações internacionais. As cidades mais visadas pelas novas vagas migratórias eram as cidades litorais e em especial a cidade capital – Luanda.
TRANSIÇÃO ECONÓMICA E INSTABILIDADE ACRESCIDA NO MERCADO DE TRABALHO FEMININO
As eleições de 1992 marcam o início da Segunda República, caracterizada pelo processo de transição de um sistema de economia planificada para um sistema de economia de mercado e multipartidarismo. Contudo, o processo começou desde logo num contexto adverso, tendo-se regressado à guerra civil tal como anteriormente referido. Para além da guerra, o processo de transição processou-se de forma pouco coerente, perdido entre resquícios de intervencionismo autoritário e administrativo do governo (ainda em moldes socialistas, mas para servir os interesses cliente listas de toda uma classe política no poder desde 1975) e uma desregulamentação descontrolada do mercado – em muitos aspectos próxima de um estilo de “capitalismo selvagem”. Oficialmente, processo de liberalização da economia angolana não fugiu muito do figurino dominante naquela altura para os países em desenvolvimento (recomendado pelo Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional), nomeadamente no que diz respeito à necessidade de reduzir o tamanho e a presença directa do Estado na economia (reduzindo a administração pública e privatizando o sector empresarial do Estado), o equilíbrio da balança de pagamentos e o controle da inflação. A exemplo de muitos outros países que adoptaram o mesmo figurino, todo o processo de transição foi conduzido sem que o Estado desenvolvesse políticas públicas capazes de proteger os Recursos Humanos envolvidos nesse processo. Tal facto resultou numa massa de pessoas desapoiadas levadas ao sub-emprego e ao desemprego, já que é no factor trabalho e no domínio do emprego que os reflexos das reestruturações produtivas se fazem sentir de forma mais acentuada. Em 1993 a população desempregada na cidade de Luanda chegou a 24% da População Economicamente Activa - PEA. Desse total 40,6% corresponde aqueles que “tinham trabalho antes mas ficaram desempregados”. As mulheres foram duramente penalizadas neste processo, constituindo 67,6% da massa de desempregados contra 32,4% de homens. No que toca ao objectivo de reequilibrar as contas públicas os resultados não foram os esperados uma vez que o reinício da guerra (que atingiu proporções superiores às do período anterior) manteve os problemas conjunturais e estruturais do passado:
a) Fortes pressões para a importação de armamento (ainda que as despesas exactas com armamento não sejam até hoje conhecidas, estima-se que ao longo da década de noventa o governo angolano tenha despendido uma média de 35% das receitas com a defesa e ordem pública);
b) Fortes pressões para importações de mercadorias e serviços (durante a década de 90 representaram em média cerca de 81,2% do Produto Interno Bruto, cifra que expressa bem o processo de substituição da produção interna de bens e serviços ocorridos depois da independência, sendo que, neste mesmo período, as importações totais suplantaram as exportações totais em cerca de 19%);
c) Forte concentração das exportações no sector do petróleo (entre 1995-1999 a exportação de petróleo correspondeu em média a cerca de 70 a 89% das receitas e a cerca de 85 a 92% das exportações), devendo aqui acrescentar-se que o número de empregos gerados pela actividade petrolífera é extremamente limitado, situando-se na ordem dos 10.000 Angolanos. Num contexto de guerra e de liberalização económica desregrada, a economia entrou em desequilíbrio e descontrole, tendo-se entrado numa situação de hiper-inflação – 1.837,7% em 1993, e em 1994, 3.783,98 em 1995, 1.651, em 1996. Por outro lado, agravou-se a situação de ruptura da produção agrícola e industrial nacional com índices muito altos de subutilização dos factores de produção. Na década de 90, o grau médio de ociosidade da estrutura produtiva chegou a cerca de 80% no sector industrial 30 e a cerca de 42% no sector agrícola. Tal como habitual em situações de hiper-inflação num contexto de liberalização descontrolada da economia e paralisia produtiva (exceptuando-se o sector petrolífero), as camadas trabalhadoras são as mais prejudicadas, uma vez são as que menos capacidade detém para fazer face ao aumento do custo de vida; os salários ajustam-se muito lentamente e os trabalhadores sofrem perdas substanciais de poder de compra. Para além deste problema, surgiu um outro o desemprego associado aos processos de liberalização e redimensionamento do sector Estatal. Se a situação era complicada para os trabalhadores que estavam no mercado formal, era muito pior para os trabalhadores do mercado informal claramente dominado por mulheres, crianças e adolescentes. Este mercado foi o que mais sofreu os efeitos da inflação continuada.
O aumento diário dos preços dos produtos aliado às constantes desvalorizações da moeda nacional em relação ao dólar dificultava o desenvolvimento do pequeno comércio que as mulheres realizavam nos mercados e nas ruas de Luanda. No período que mediava a compra e a venda dos seus produtos (quase todos provenientes de importação e com preços indexados ao dólar), a inflação galopante e a desvalorização do Kwanza em relação ao dólar corroía as suas margens de lucro, a sua capacidade de poupança e reposição do stock de mercadorias a serem vendidas; em tais condições dificilmente se consegue estabelecer um plano de negócio.
Nos finais da década de 90, deu-se nova vaga liberalista, desta vez ao nível da taxa de juros e da taxa de câmbio, tendo-se igualmente introduzido uma nova unidade monetária o Kwanza, com o corte de seis zeros na moeda anterior, o Kwanza Reajustado. Contudo, o mercado monetário e o mercado cambial não atingiram os níveis de estabilidade desejados: a dolarização da economia foi acelerada, as taxas de juros dos bancos não reflectiram o real preço do dinheiro, a moeda nacional continuou a depreciar-se, embora tenham ocorrido progressos no controlo da inflação (116,07% em 2001, 105,59% em 2002, 76,57 em 2003, 31,02 em 2004).
As novas vagas de liberalização da economia não resolveram os problemas de fundo da economia Angolana, tal como se pode observar mesmo depois da paz do Luena36 e sobretudo, há que referir que a cada nova onda de liberalização do mercado agravavam-se as condições do mercado de trabalho, especialmente o informal, aquele que mais afectava as mulheres. Tal facto pode ser comprovado pelos dados que mostram este agravamento no final da década de noventa e início de 2000. De acordo com dados de 2000, 65% das mulheres angolanas trabalhavam no sector informal, definitivamente o local de trabalho para as pessoas de mais baixo recurso. Na medida em que do total das mulheres, 27% eram estudantes/aprendizes ou elementos não activos, isso significava que apenas cerca de 23% das mulheres Angolanas trabalhavam nos sectores formais. A questão da educação permanecia igualmente central ao problema, sendo que entre as mulheres Angolanas, a percentagem de boas qualificações educacionais era apenas de 14% ao mesmo tempo que a percentagem de mulheres sem instrução formal ascendia a 85%.
MERCADO DE EMPREGO EM ANGOLA
A par da inflação, o desemprego tem sido outra das grandes preocupações do Governo. Não obstante não se possuírem informações sobre o desemprego no país, a expectativa vai no sentido da existência de elevadas taxas de desocupação da população activa. Por outro lado, o mercado informal de emprego tem funcionado como um amortecedor importante da incapacidade da economia formal de criar um número suficiente de empregos que se contraponha às taxas de crescimento da população e de libertação de mão-de-obra dos sistemas de ensino e formação profissional.
A análise do mercado de emprego em Angola está, assim, limitada pela ausência de informação e em termos de dados sistematizados e credíveis apontam-se os relativos à procura e oferta de empregos e às colocações.
Verifica-se, de acordo com os dados estatísticos do quadro abaixo, que:
A procura de emprego formal tem diminuído em média 6,5% ao ano, resultante da constatação da inaptidão da economia formal dar resposta às necessidades de ocupação produtiva da força de trabalho nacional.
A oferta de emprego formal retrata, justamente, a crise económica que caracteriza a economia não petrolífera, com uma média de retracção equivalente a quase 13% ao ano.
Ainda assim tem sido possível colocar em média 41,4% das pessoas que procuram emprego no sistema formal da economia angolana e preencher 85% das vagas oferecidas pelas actividades produtivas nacionais.
O primeiro valor indicia uma divergência acentuada entre as qualificações da mão-de-obra que procura trabalho e as necessidades do sector produtivo, para além evidentemente de ilustrarem a crise económica da economia não petrolífera.
O valor relativamente elevado da média da proporção das colocações na oferta de emprego provavelmente é apenas explicado pela expressão reduzida desta última variável.
DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL DO EMPREGO EM ANGOLA
Aparentemente, a partir de 1993 agravamento da situação militar interna - o mercado formal de emprego entrou numa crise profunda, com o valor da ratio procura/oferta de emprego a suplantar os 350% (em média por cada 3,5 postos de trabalho procurados havia apenas um de oferta).
SEGURANÇA SOCIAL
No que respeita à Protecção Social, igualmente consagrada na Lei constitucional em termos dos princípios informadores do respectivo sistema, é a Lei nº 7/04 de 15 de Outubro, quem define os beneficiários da Protecção Social, as modalidades de prestação, assim como as fontes do seu financiamento e a organização administrativa do referido sistema. Importa igualmente mencionar o Decreto - Lei nº 16/94, de 10 de Agosto, sobre o sistema de segurança social das Forças Armadas, em vigor, dotado de um fundo próprio criado pelo Decreto n° 11-D/96, de 12 de Abril e o Decreto nº 1/99, de 12 de Março que aprova a criação das Associações Mutualistas e o seu regulamento, como instituições particulares que personalizam e complementam as prestações de regimes públicos de segurança social.
DESEMPREGO EM ANGOLA
Em Setembro de 2008 foram prometidos, em quatro anos, um milhão de novos postos de trabalho para os angolanos. Da mesma forma que começa a elaborar-se uma agenda nacional para a diversificação da economia, faz-se urgente uma semelhante para o emprego.
Assiste-se, neste momento, no nosso país à onda da diversificação da economia. Não há discurso oficial que a não refira; dificilmente as palestras, os colóquios e as conferências lhe passam ao lado e a sociedade civil interroga-se sobre porque só agora é que nos lembrámos deste tema tão transversal e fundamental da sustentabilidade do crescimento económico. Foi necessário o Presidente da República chamar à coacção esta elementar tese da estruturação da economia nacional para que agora, e muito bem, estejamos todos preocupados com a mesma.
Algo de semelhante tem de se passar com o emprego. Ainda que ninguém conheça formalmente a realidade e a dimensão deste fenómeno, pressente-se que Angola tenha uma taxa de desemprego muito alta, tal a quantidade de pessoas a biscatarem nas ruas para quem a economia formal não tem tido capacidade de oferta sustentada de novos postos de trabalho, a importância do êxodo para as cidades (principalmente do litoral do país) e os preocupantes índices de criminalidade urbana. Segundo algumas estatísticas internacionais, Angola apresenta uma das maiores taxas de desemprego da África Subsariana e a segunda mais elevada da SADC (Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral).
Não devemos esquecer que em Setembro de 2008 foram prometidos, em quatro anos, um milhão de novos postos de trabalho para os angolanos. Os processos de criação de emprego são complexos, difíceis nas condições actuais de elevado desenvolvimento tecnológico, e demorados, dadas as suas relações com o crescimento económico. E quando se fala de empregos permanentes então as contrariedades são incomensuravelmente maiores.
A crise económica mundial ocorrida em 2008/2009, relativamente à qual ainda não se possuem indicadores seguros de que tenha sido ultrapassada, em particular nos países ricos existem riscos de novas bolhas imobiliárias e bolsistas e a concessão de crédito às economias continua sujeita a restrições, que são os que puxam pelas restantes economias, mesmo ponderadas as poderosas influências da China e da Índia, teve efeitos sobre o crescimento do PIB, as contas públicas e os défices externos de todos os países.
Os ministros das Finanças do G7 concluíram, acertadamente, que é demasiado cedo para se iniciar o processo de retirada de incentivos. De resto, o grande ponto de interrogação é: estarão as economias preparadas para retomarem a trajectória do crescimento, uma vez eliminados os poderosos incentivos monetários e financeiros que os países aplicaram para diminuir os efeitos da crise? Serão as economias capazes de, sozinhas, reaprenderem os caminhos normais de funcionamento da economia de mercado? Apesar de todos os incentivos as taxas de desemprego não pararam de aumentar.
A destruição de emprego tem sido uma das consequências mais dramáticas da crise económica e financeira de 2008/2009 em todos os países. A taxa de desemprego tem atingido valores muito altos em todas as economias desenvolvidas e não se espera que a situação se altere de modo substancial e sustentável antes de dois ou três anos. Naturalmente que os efeitos são assinaláveis sobre os tecidos sociais e a pressão sobre os sistemas de previdência e assistência social tem sido uma das razões dos défices orçamentais colossais registados na Europa, Estados Unidos e Japão.
A taxa de desemprego nos Estados Unidos em 2009 excedeu os 10%, valor exactamente igual ao verificado em Portugal. Na Alemanha, chegou aos 15% e na Espanha quase que ultrapassou 20%. A China tem passado um pouco ao lado destas consequências, por motivos variados: a sua taxa de crescimento no pior ano da crise mundial foi de 8,5%, a economia chinesa continuou a criar empregos, ainda que em volume e percentagem inferiores ao passado, e as responsabilidades sociais e previdenciais das empresas e do Estado chinês são praticamente nulas, ficando, assim, a classe trabalhadora entregue aos seus próprios cuidados de saúde e de assistência.
Também por isto, é que a economia chinesa tem apresentado a maior taxa de poupança do mundo.
Angola também se viu envolvida na crise económica, sendo expressão desse facto a relativa estagnação do PIB em 2009 (não mais do que 2% de variação face a 2008, de acordo com as estimativas do Centro de Estudos da Universidade Católica de Angola), o substancial corte nos investimentos públicos e a retracção no investimento privado. Seguramente que o desemprego deve ter aumentado.
Apesar das estatísticas do emprego em Angola serem muito lacunares, é possível proceder a estimativas, mesmo que grosseiras, sobre a taxa de desemprego no nosso país. Partindo das informações conhecidas sobre o PIB por habitante em 2009 e das correlações entre variáveis demográficas e económicas cheguei a uma taxa de desemprego de 26,8%, um agravamento de 2,9 pontos percentuais face à situação de 2008. É uma taxa muito elevada de desperdício do mais importante factor de crescimento duma economia, o capital humano.
Conforme disse anteriormente, não há Governo no mundo que não defenda a criação de emprego. A questão essencial é: quem é capaz de criar o maior número de empregos numa economia?
O Estado ou a iniciativa privada? A resposta deve ser encontrada na capacidade de se gerir, convenientemente, um negócio, com tudo o que isso exige de inovação constante, detecção de mercados, assunção de riscos, gestão de pessoas e liderança durante anos consecutivos. E isto não é o Estado que o deve fazer.
Criar emprego só é possível com pessoas que se sujeitem a fazer empresas, o que nem sempre vale a pena, atendendo ao esforço envolvido no vencimento de obstáculos e condicionalismos.
É aqui que entra o Estado, como criador de condições que enquadrem e facilitem a iniciativa privada, porque o emprego não se cria por decreto, mas por uma economia forte e competitiva. O emprego cria-se através de reformas estruturais, que libertem o potencial de crescimento económico dos países e de apoio a empresas competitivas nos bens transaccionáveis. A recuperação duradoura e sustentável do emprego acontece quando e só quando o crescimento económico se encontrar numa trajectória favorável. Compete aos empresários encontrar as oportunidades de investimento criador de emprego. Compete às autoridades facilitá-lo e torná-lo estável, definidas políticas que garantam confiança, através da competitividade e da adaptabilidade da economia a um mundo em mudança.
A criação de emprego não se compadece com panaceias de curto prazo e necessita duma estratégia coerente e inovadora. Da mesma forma que começa a elaborar-se uma agenda nacional para a diversificação da economia, faz-se urgente uma semelhante para o emprego.
NOVA LEI DO MERCADO DE TRABALHO NO SECTOR PÚBLIO/PRIVADO
sector empresarial público e privado vai ter, em 2015, uma nova Lei, cujo processo de revisão está em curso há cerca de um ano e meio, e já foi referenciado no relatório da Assembleia Nacional, recentemente apresentado em plenária, indicou o ministro da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social (MAPTSS).
O ministro admitiu que o Ante-Projecto da Revisão da Lei Geral do Trabalho vai ser discutido no arranque da próxima sessão legislativa, prevendo-se a aprovação, por parte do Parlamento, para o início de 2015.
A nova lei procura alcançar um papel de relevo naquilo que são os direitos e deveres das partes (empregador/empregado), sendo que ao empregador é reservado e reconhecido o papel de zelador pela disciplina e organização do trabalho, para que a produção e a produtividade se desenvolvam.
Já ao trabalhador, são-lhe assegurados os direitos e também confiados os deveres, para que as suas obrigações sejam executadas com maior capacidade e competência, destacou o governante.




CONCLUSÃO
Cheguei a conclusão de que, até ao presente momento, as políticas relacionadas com a questão do género têm sido negligenciadas pelo governo angolano, ainda que as mulheres sejam uma das camadas sociais mais afectadas pelo processo de transição para a economia de mercado. Independentemente do quadro de economia de mercado liberal que vigora em Angola, o Estado deve desempenhar um papel central, desenvolvendo políticas públicas que favoreçam a inclusão da mulher no mercado de trabalho em condições de justiça e igualdade, sendo que o desenvolvimento económico, social e humano do país como um todo também passa necessariamente pela solução deste problema, dado o peso económico e social da mulher na sociedade angolana.



BIBLIOGRAFIA
·         Problema do mercado de trabalho em Angola. Disponível em: http://www.codesria.org/IMG/pdf/pereira.pdf  . Acessado aos 31 de Março de 2015.

·         Sector empresarial Angolano. Disponível em: http://portugueseindependentnews.com/2014/08/25/angola-ministro-anuncia-nova-lei-para-o-sector-empresarial-publico-e-privado/. Acessado aos 31 de março de 2015.

segunda-feira, 30 de março de 2015

Estrutura atómica

INTRODUÇÃO
O presente trabalho trata sobre o historial da estrutura atómica que por sua vez diremos que em física e químicaModelo atómico é todo modelo científico que se usa para explicar os átomos e seus comportamentos. Embora os modelos atômicos aceites atualmente sejam bastante complexos, o modelo de Rutherford é muito utilizado por ser visualmente simples e prático ao explicar alguns fenômenos das natureza. Atualmente, é o modelo da mecânica quântica ou da mecânica ondulatória ou modelo orbital ou da nuvem eletrônicaaceito para definir a estrutura atômica.



MODELO NA ANTIGUIDADE
No século V a.C., os filósofos gregos Demócrito e Leucipo defendiam o atomismo, em que se acreditava que dividindo a matéria em pedaços cada vez menores, chegar-se-ia em partículas que seriam invisíveis ao olho humano e, segundo esses pensadores, indivisíveis. Graças a essa propriedade de ser indivisíveis, receberam o nome de átomos, termo que significa justamente indivisíveis, em grego1 . O atomismo foi a teoria cujas princípios básicos mais se aproximaram das modernas concepções científicas sobre o modelo atômico.
Demócrito propôs que a realidade, o todo, se compõe não só de átomos ou partículas indivisíveis de natureza idêntica, conforme proposto por Parmênides. Demócrito acreditava que o vácuo era um não ente. Esta tese entrou em franca contradição com a ontologia parmenídea. Parmênides propôs a teoria da unidade e imutabilidade do ser. Esta estava em constante mutação através dos postulados de Heráclito. Heráclito postulava que não-ente (vácuo) e matéria (ente) desde a eternidade interagem entre si dando origem ao movimento, e que os átomos apresentam as propriedades de: forma, movimento, tamanho e impenetrabilidade, e, por meio de choques entre si, dão origem a objetos.
Segundo Demócrito a matéria era descontínua, portanto, ao invés dos corpos macroscópicos, os corpos microscópicos (átomos) não interpenetram-se nem dividem-se, sendo suas mudanças observadas em certos fenômenos físicos e químicos como associações de átomos e suas dissociações e que qualquer matéria é resultado da combinação de átomos dos quatro elementos: arfogoágua e terraAristóteles, ao contrário de Demócrito, postulou a continuidade da matéria, ou, não constituída por partículas indivisíveis.
Em 60 a.C., Lucrécio compôs o poema De Rerum Natura, que discorria sobre o atomismo de Demócrito.
Os filósofos porém, adotaram o modelo atômico de Aristóteles, da matéria contínua, que foi seguido pelos pensadores e cientistas até o século XVI d.C.
JOHN DALTON
O professor da universidade inglesa New College de Manchester, John Dalton foi o criador da primeira teoria atômica moderna na passagem do século XVIII para o século XIX.
Em 1803 Dalton publicou o trabalho Absorption of Gases by Water and Other Liquids, (Absorção de gases pela água e outros líquidos), neste delineou os princípios de seu modelo atômico.
Segundo Dalton:
·         átomos de elementos diferentes possuem propriedades diferentes entre si;
·         átomos de um mesmo elemento possuem propriedades iguais e de peso invariável;
·         átomo é a menor porção da matéria, e são esferas maciças e indivisíveis;
·         nas reações químicas, os átomos permanecem inalterados;
·         na formação dos compostos, os átomos entram em proporções numéricas fixas 1:1, 1:2, 1:3, 2:3, 2:5 etc.;
·         o peso total de um composto é igual à soma dos pesos dos átomos dos elementos que o constituem.
Em 1808, John Dalton propôs a teoria do modelo atômico, onde o átomo é uma minúscula esfera maciça, impenetrável, indestrutível, indivisível e sem cargas elétricas. Todos os átomos de um mesmo elemento químico são idênticos. Seu modelo atômico foi chamado de modelo atômico da bola de bilhar.
Em 1810 foi publicada a obra New System of Chemical Philosophy (Novo sistema de filosofia química), nesse trabalho havia testes que provavam suas observações, como a lei das pressões parciais, chamada deLei de Dalton, entre outras relativas à constituição da matéria.
·         Os átomos são indivisíveis e indestrutíveis;
·         Existe um número pequeno de elementos químicos diferentes na natureza;
·         Reunindo átomos iguais ou diferentes nas variadas proporções, podemos formar todas as matérias do universo conhecidas(Como os Diamantes);
Para Dalton, o átomo era um sistema contínuo. Apesar de um modelo simples, Dalton deu um grande passo na elaboração de um modelo atômico, pois foi o que instigou na busca por algumas respostas e proposição de futuros modelos.
JOSEPH JOHN THOMSON
Em 1897, ao descobrir uma partícula ainda menor que qualquer átomo, o elétron , Joseph John Thomson formulou a teoria segundo a qual toda matéria, independente de suas propriedades, contém partículas de massa muito menores que o átomo do hidrogênio. Inicialmente denominou-as de corpúsculos, que depois ficaram conhecidas como elétrons, e acreditava que era impossível auto-dividir as partes sem que ocorra um serramento de fissão nuclear no átomo. A demonstração se deu ao comprovar a existência daqueles corpúsculos nos raios catódicos disparados na ampola de crookes (um tubo que continha vácuo), depois da passagem de uma corrente elétrica sob altíssima tensão. Através de suas experiências, Thomson concluiu que a matéria era formada por um modelo atômico diferente do modelo atômico de Dalton: o átomo seria uma esfera de carga positiva, que continha corpúsculos (elétrons) de carga negativa distribuídos uniformemente. Tal modelo ficou conhecido como pudim de passas.
ERNEST RUTHERFORD
As bases para o desenvolvimento da física nuclear foram lançadas por Ernest Rutherford ao desenvolver sua teoria sobre a estrutura atômica. O cientista estudou por três anos o comportamento dos feixes de partículas ou raios X, além da emissão de radioatividade pelo elemento Urânio. Uma das inúmeras experiências realizadas, foi a que demonstrava o espalhamento das partículas alfa. Esta foi base experimental do modelo atômico do chamado átomo nucleado onde elétrons orbitavam em torno de um núcleo. Durante suas pesquisas Rutherford observou que para cada 10.000 partículas alfa aceleradas incidindo numa lâmina de ouro, apenas uma refletia ou se desviava de sua trajetória. A conclusão foi que o raio de um átomo poderia ser em torno de 10.000 vezes maior que o raio de seu núcleoRutherford e Frederick Soddy ainda, descobriram a existência dos raios gama e estabeleceram as leis das transições radioativas das séries do tório, do actínio e do rádio. O modelo atômico de Rutherford ficou conhecido como modelo planetário, pela sua semelhança com a formação do Sistema Solar. Em 1911, Ernest Rutherford propôs o modelo de átomo com movimentos planetários. Este modelo foi estudado e aperfeiçoado por Niels Bohr, que acabou por demonstrar a natureza das partículas alfa como núcleos de hélio.
NIELS BOHR
A teoria orbital de Rutherford encontrou uma dificuldade teórica resolvida por Niels Bohr.
·         No momento em que temos uma carga elétrica negativa composta pelos elétrons girando ao redor de um núcleo de carga positiva, este movimento gera uma perda de energia devido a emissão de radiaçãoconstante. Num dado momento, os elétrons vão se aproximar do núcleo num movimento em espiral e cair sobre si.
Em 1911, Niels Bohr publicou uma tese que demonstrava o comportamento eletrônico dos metais. Na mesma época, foi trabalhar com Ernest Rutherford em ManchesterInglaterra. Lá obteve os dados precisos do modelo atômico, que iriam lhe ajudar posteriormente.
Em 1913, observando as dificuldades do modelo de Rutherford, Bohr intensificou suas pesquisas visando uma solução teórica.
Em 1916, Niels Bohr retornou para Copenhague para atuar como professor de física. Continuando suas pesquisas sobre o modelo atômico de Rutherford.
Em 1920, nomeado diretor do Instituto de Física Teórica, Bohr acabou desenvolvendo um modelo atômico que unificava a teoria atômica de Rutherford e a teoria da mecânica quântica de Max Planck.
Sua teoria consistia que ao girar em torno de um núcleo central, os elétrons deveriam girar em órbitas específicas com níveis energizados. Realizando estudos nos elementos químicos com mais de dois elétrons, concluiu que se tratava de uma organização bem definida em orbitais. Descobriu ainda que as propriedades químicas dos elementos eram determinadas pelo orbital mais externo. Louis Victor Pierre Raymondi(sétimo duque de Broglie), onde todo corpúsculo atômico pode comportar-se de duas formas, como onda e como partícula.
Bohr propôs os seguintes postulados:
1. Um electrão num átomo move-se numa órbita circular em torno do núcleo sob a influência da força de Coulomb entre o electrão e o núcleo.
2. Um electrão move-se em uma órbita para a qual o seu momento angular orbital, \vec{L} , é um múltiplo inteiro de \hbar.
3. Um electrão, movendo-se numa órbita permitida, não irradia energia electromagnética. Assim, sua energia total E permanece constante.
4. Radiação electromagnética é emitida se um electrão, inicialmente movendo-se em uma órbita de energia total  descontinuamente altera o seu movimento para que ele se possa mover em uma órbita de energia total. A frequência da radiação emitida v é igual à quantidade
Modelo de Nuvem de Electrões do Átomo
O modelo de nuvem representa uma espécie de história sobre onde o electrão, provavelmente, tenha estado e onde provavelmente irá. Pode visualizar um ponto no meio de uma esfera, em grande parte vazia, para representar o núcleo enquanto pontos menores em torno do núcleo representam instâncias do electrão ter estado alí. A coleção de vestígios rapidamente começa a assemelhar-se a uma nuvem.
Erwin Schrödinger, Louis Victor de Broglie e Werner Heisenberg
Erwin SchrödingerLouis Victor de Broglie e Werner Heisenberg, reunindo os conhecimentos de seus predecessores e contemporâneos, acabaram por desenvolver uma nova teoria do modelo atômico, além de postular uma nova visão, chamada de mecânica ondulatória.
Fundamentada na hipótese proposta por Broglie onde todo corpúsculo atômico pode comportar-se como onda e como partícula, Heisenberg, em 1925, postulou o princípio da incerteza.
O atual modelo atômico
·         Se sabe que os elétrons possuem carga negativa, massa muito pequena e que se movem em órbitas ao redor do núcleo atômico.
·         O núcleo atômico é situado no centro do átomo e constituído por prótons que são partículas de Carga elétrica positiva, cuja massa é aproximadamente 1.837 vezes superior a massa do elétron, e por nêutrons, partículas sem carga e com massa ligeiramente superior a dos prótons.
·         O átomo é eletricamente neutro, por possuir números iguais de elétrons e prótons.
·         O número de prótons no átomo se chama número atômico, este valor é utilizado para estabelecer o lugar de um determinado elemento na tabela periódica.
·         A tabela periódica é uma ordenação sistemática dos elementos químicos conhecidos.
·         Cada elemento se caracteriza por possuir um número de elétrons que se distribuem nos diferentes níveis de energia do átomo correspondente.
·         Os níveis energéticos ou camadas, são denominados pelos símbolos K, L, M, N, O, P e Q.
·         Cada camada possui uma quantidade máxima de electrões. A camada mais próxima do núcleo K, comporta somente dois eléctrons; a camada L, imediatamente posterior, oito, M, dezoito, N, trinta e dois, O, trinta e dois, P, dezoito e Q possui oito.
·         Os elétrons da última camada (mais afastados do núcleo) são responsáveis pelo comportamento químico do elemento, por isso são denominados elétrons de valência.
·         O número de massa é equivalente à soma do número de prótons e nêutrons presentes no núcleo.
·         O átomo pode perder elétrons, carregando-se positivamente, é chamado de íon positivo (cátion).
·         Ao receber elétrons, o átomo se torna negativo, sendo chamado íon negativo (ânion).
·         O deslocamento dos elétrons provoca uma corrente elétrica, que dá origem a todos os fenômenos relacionados à Eletricidade e ao magnetismo.
·         No núcleo do átomo existem duas forças de interação a chamada interação nuclear forte, responsável pela coesão do núcleo, e a interação nuclear fraca, ou força forte e força fraca respectivamente.
·         As forças de interação nuclear são responsáveis pelo comportamento do átomo quase em sua totalidade.
·         As propriedades físico-químicas de um determinado elemento são predominantemente dadas pela sua configuração electrónica, principalmente pela estrutura da última camada, ou camada de valência.
·         As propriedades que são atribuídas aos elementos na tabela, se repetem ciclicamente, por isso se denominou como tabela periódica dos elementos.
·         Os isótopos são átomos de um mesmo elemento com mesmo número de prótons (podem ter quantidade diferente de nêutrons).
·         Os isótonos são átomos que possuem o mesmo número de nêutrons
·         Os isóbaros são átomos que possuem o mesmo número de massa
·         Através da radioatividade alguns átomos atuam como emissores de radiação nuclear, esta constitui a base do uso da energia atômica.
·         Erwin Schrödinger, Louis Victor de Broglie e Werner Heisenberg, reunindo os conhecimentos de seus predecessores e contemporâneos, acabaram por desenvolver uma nova teoria do modelo atômico, além de postular uma nova visão, chamada de Mecânica ondulatória.



CONCLUSÃO
Cheguei a conclusão de que a ideia da órbita eletrônica acabou por ficar desconexa, sendo substituída pelo conceito de probabilidade de se encontrar num instante qualquer um dado elétron numa determinada região do espaço. O átomo deixou de ser indivisível como acreditavam filósofos gregos antigos e Dalton. O modelo atômico portanto, passou a se constituir na verdade, de uma estrutura mais complexa.



BIBLIOGRAFIA

A estrutura atómica. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Modelo_at%C3%B4mico. Acessado aos 30 de Março de 2015.