segunda-feira, 30 de março de 2015

Estrutura atómica

INTRODUÇÃO
O presente trabalho trata sobre o historial da estrutura atómica que por sua vez diremos que em física e químicaModelo atómico é todo modelo científico que se usa para explicar os átomos e seus comportamentos. Embora os modelos atômicos aceites atualmente sejam bastante complexos, o modelo de Rutherford é muito utilizado por ser visualmente simples e prático ao explicar alguns fenômenos das natureza. Atualmente, é o modelo da mecânica quântica ou da mecânica ondulatória ou modelo orbital ou da nuvem eletrônicaaceito para definir a estrutura atômica.



MODELO NA ANTIGUIDADE
No século V a.C., os filósofos gregos Demócrito e Leucipo defendiam o atomismo, em que se acreditava que dividindo a matéria em pedaços cada vez menores, chegar-se-ia em partículas que seriam invisíveis ao olho humano e, segundo esses pensadores, indivisíveis. Graças a essa propriedade de ser indivisíveis, receberam o nome de átomos, termo que significa justamente indivisíveis, em grego1 . O atomismo foi a teoria cujas princípios básicos mais se aproximaram das modernas concepções científicas sobre o modelo atômico.
Demócrito propôs que a realidade, o todo, se compõe não só de átomos ou partículas indivisíveis de natureza idêntica, conforme proposto por Parmênides. Demócrito acreditava que o vácuo era um não ente. Esta tese entrou em franca contradição com a ontologia parmenídea. Parmênides propôs a teoria da unidade e imutabilidade do ser. Esta estava em constante mutação através dos postulados de Heráclito. Heráclito postulava que não-ente (vácuo) e matéria (ente) desde a eternidade interagem entre si dando origem ao movimento, e que os átomos apresentam as propriedades de: forma, movimento, tamanho e impenetrabilidade, e, por meio de choques entre si, dão origem a objetos.
Segundo Demócrito a matéria era descontínua, portanto, ao invés dos corpos macroscópicos, os corpos microscópicos (átomos) não interpenetram-se nem dividem-se, sendo suas mudanças observadas em certos fenômenos físicos e químicos como associações de átomos e suas dissociações e que qualquer matéria é resultado da combinação de átomos dos quatro elementos: arfogoágua e terraAristóteles, ao contrário de Demócrito, postulou a continuidade da matéria, ou, não constituída por partículas indivisíveis.
Em 60 a.C., Lucrécio compôs o poema De Rerum Natura, que discorria sobre o atomismo de Demócrito.
Os filósofos porém, adotaram o modelo atômico de Aristóteles, da matéria contínua, que foi seguido pelos pensadores e cientistas até o século XVI d.C.
JOHN DALTON
O professor da universidade inglesa New College de Manchester, John Dalton foi o criador da primeira teoria atômica moderna na passagem do século XVIII para o século XIX.
Em 1803 Dalton publicou o trabalho Absorption of Gases by Water and Other Liquids, (Absorção de gases pela água e outros líquidos), neste delineou os princípios de seu modelo atômico.
Segundo Dalton:
·         átomos de elementos diferentes possuem propriedades diferentes entre si;
·         átomos de um mesmo elemento possuem propriedades iguais e de peso invariável;
·         átomo é a menor porção da matéria, e são esferas maciças e indivisíveis;
·         nas reações químicas, os átomos permanecem inalterados;
·         na formação dos compostos, os átomos entram em proporções numéricas fixas 1:1, 1:2, 1:3, 2:3, 2:5 etc.;
·         o peso total de um composto é igual à soma dos pesos dos átomos dos elementos que o constituem.
Em 1808, John Dalton propôs a teoria do modelo atômico, onde o átomo é uma minúscula esfera maciça, impenetrável, indestrutível, indivisível e sem cargas elétricas. Todos os átomos de um mesmo elemento químico são idênticos. Seu modelo atômico foi chamado de modelo atômico da bola de bilhar.
Em 1810 foi publicada a obra New System of Chemical Philosophy (Novo sistema de filosofia química), nesse trabalho havia testes que provavam suas observações, como a lei das pressões parciais, chamada deLei de Dalton, entre outras relativas à constituição da matéria.
·         Os átomos são indivisíveis e indestrutíveis;
·         Existe um número pequeno de elementos químicos diferentes na natureza;
·         Reunindo átomos iguais ou diferentes nas variadas proporções, podemos formar todas as matérias do universo conhecidas(Como os Diamantes);
Para Dalton, o átomo era um sistema contínuo. Apesar de um modelo simples, Dalton deu um grande passo na elaboração de um modelo atômico, pois foi o que instigou na busca por algumas respostas e proposição de futuros modelos.
JOSEPH JOHN THOMSON
Em 1897, ao descobrir uma partícula ainda menor que qualquer átomo, o elétron , Joseph John Thomson formulou a teoria segundo a qual toda matéria, independente de suas propriedades, contém partículas de massa muito menores que o átomo do hidrogênio. Inicialmente denominou-as de corpúsculos, que depois ficaram conhecidas como elétrons, e acreditava que era impossível auto-dividir as partes sem que ocorra um serramento de fissão nuclear no átomo. A demonstração se deu ao comprovar a existência daqueles corpúsculos nos raios catódicos disparados na ampola de crookes (um tubo que continha vácuo), depois da passagem de uma corrente elétrica sob altíssima tensão. Através de suas experiências, Thomson concluiu que a matéria era formada por um modelo atômico diferente do modelo atômico de Dalton: o átomo seria uma esfera de carga positiva, que continha corpúsculos (elétrons) de carga negativa distribuídos uniformemente. Tal modelo ficou conhecido como pudim de passas.
ERNEST RUTHERFORD
As bases para o desenvolvimento da física nuclear foram lançadas por Ernest Rutherford ao desenvolver sua teoria sobre a estrutura atômica. O cientista estudou por três anos o comportamento dos feixes de partículas ou raios X, além da emissão de radioatividade pelo elemento Urânio. Uma das inúmeras experiências realizadas, foi a que demonstrava o espalhamento das partículas alfa. Esta foi base experimental do modelo atômico do chamado átomo nucleado onde elétrons orbitavam em torno de um núcleo. Durante suas pesquisas Rutherford observou que para cada 10.000 partículas alfa aceleradas incidindo numa lâmina de ouro, apenas uma refletia ou se desviava de sua trajetória. A conclusão foi que o raio de um átomo poderia ser em torno de 10.000 vezes maior que o raio de seu núcleoRutherford e Frederick Soddy ainda, descobriram a existência dos raios gama e estabeleceram as leis das transições radioativas das séries do tório, do actínio e do rádio. O modelo atômico de Rutherford ficou conhecido como modelo planetário, pela sua semelhança com a formação do Sistema Solar. Em 1911, Ernest Rutherford propôs o modelo de átomo com movimentos planetários. Este modelo foi estudado e aperfeiçoado por Niels Bohr, que acabou por demonstrar a natureza das partículas alfa como núcleos de hélio.
NIELS BOHR
A teoria orbital de Rutherford encontrou uma dificuldade teórica resolvida por Niels Bohr.
·         No momento em que temos uma carga elétrica negativa composta pelos elétrons girando ao redor de um núcleo de carga positiva, este movimento gera uma perda de energia devido a emissão de radiaçãoconstante. Num dado momento, os elétrons vão se aproximar do núcleo num movimento em espiral e cair sobre si.
Em 1911, Niels Bohr publicou uma tese que demonstrava o comportamento eletrônico dos metais. Na mesma época, foi trabalhar com Ernest Rutherford em ManchesterInglaterra. Lá obteve os dados precisos do modelo atômico, que iriam lhe ajudar posteriormente.
Em 1913, observando as dificuldades do modelo de Rutherford, Bohr intensificou suas pesquisas visando uma solução teórica.
Em 1916, Niels Bohr retornou para Copenhague para atuar como professor de física. Continuando suas pesquisas sobre o modelo atômico de Rutherford.
Em 1920, nomeado diretor do Instituto de Física Teórica, Bohr acabou desenvolvendo um modelo atômico que unificava a teoria atômica de Rutherford e a teoria da mecânica quântica de Max Planck.
Sua teoria consistia que ao girar em torno de um núcleo central, os elétrons deveriam girar em órbitas específicas com níveis energizados. Realizando estudos nos elementos químicos com mais de dois elétrons, concluiu que se tratava de uma organização bem definida em orbitais. Descobriu ainda que as propriedades químicas dos elementos eram determinadas pelo orbital mais externo. Louis Victor Pierre Raymondi(sétimo duque de Broglie), onde todo corpúsculo atômico pode comportar-se de duas formas, como onda e como partícula.
Bohr propôs os seguintes postulados:
1. Um electrão num átomo move-se numa órbita circular em torno do núcleo sob a influência da força de Coulomb entre o electrão e o núcleo.
2. Um electrão move-se em uma órbita para a qual o seu momento angular orbital, \vec{L} , é um múltiplo inteiro de \hbar.
3. Um electrão, movendo-se numa órbita permitida, não irradia energia electromagnética. Assim, sua energia total E permanece constante.
4. Radiação electromagnética é emitida se um electrão, inicialmente movendo-se em uma órbita de energia total  descontinuamente altera o seu movimento para que ele se possa mover em uma órbita de energia total. A frequência da radiação emitida v é igual à quantidade
Modelo de Nuvem de Electrões do Átomo
O modelo de nuvem representa uma espécie de história sobre onde o electrão, provavelmente, tenha estado e onde provavelmente irá. Pode visualizar um ponto no meio de uma esfera, em grande parte vazia, para representar o núcleo enquanto pontos menores em torno do núcleo representam instâncias do electrão ter estado alí. A coleção de vestígios rapidamente começa a assemelhar-se a uma nuvem.
Erwin Schrödinger, Louis Victor de Broglie e Werner Heisenberg
Erwin SchrödingerLouis Victor de Broglie e Werner Heisenberg, reunindo os conhecimentos de seus predecessores e contemporâneos, acabaram por desenvolver uma nova teoria do modelo atômico, além de postular uma nova visão, chamada de mecânica ondulatória.
Fundamentada na hipótese proposta por Broglie onde todo corpúsculo atômico pode comportar-se como onda e como partícula, Heisenberg, em 1925, postulou o princípio da incerteza.
O atual modelo atômico
·         Se sabe que os elétrons possuem carga negativa, massa muito pequena e que se movem em órbitas ao redor do núcleo atômico.
·         O núcleo atômico é situado no centro do átomo e constituído por prótons que são partículas de Carga elétrica positiva, cuja massa é aproximadamente 1.837 vezes superior a massa do elétron, e por nêutrons, partículas sem carga e com massa ligeiramente superior a dos prótons.
·         O átomo é eletricamente neutro, por possuir números iguais de elétrons e prótons.
·         O número de prótons no átomo se chama número atômico, este valor é utilizado para estabelecer o lugar de um determinado elemento na tabela periódica.
·         A tabela periódica é uma ordenação sistemática dos elementos químicos conhecidos.
·         Cada elemento se caracteriza por possuir um número de elétrons que se distribuem nos diferentes níveis de energia do átomo correspondente.
·         Os níveis energéticos ou camadas, são denominados pelos símbolos K, L, M, N, O, P e Q.
·         Cada camada possui uma quantidade máxima de electrões. A camada mais próxima do núcleo K, comporta somente dois eléctrons; a camada L, imediatamente posterior, oito, M, dezoito, N, trinta e dois, O, trinta e dois, P, dezoito e Q possui oito.
·         Os elétrons da última camada (mais afastados do núcleo) são responsáveis pelo comportamento químico do elemento, por isso são denominados elétrons de valência.
·         O número de massa é equivalente à soma do número de prótons e nêutrons presentes no núcleo.
·         O átomo pode perder elétrons, carregando-se positivamente, é chamado de íon positivo (cátion).
·         Ao receber elétrons, o átomo se torna negativo, sendo chamado íon negativo (ânion).
·         O deslocamento dos elétrons provoca uma corrente elétrica, que dá origem a todos os fenômenos relacionados à Eletricidade e ao magnetismo.
·         No núcleo do átomo existem duas forças de interação a chamada interação nuclear forte, responsável pela coesão do núcleo, e a interação nuclear fraca, ou força forte e força fraca respectivamente.
·         As forças de interação nuclear são responsáveis pelo comportamento do átomo quase em sua totalidade.
·         As propriedades físico-químicas de um determinado elemento são predominantemente dadas pela sua configuração electrónica, principalmente pela estrutura da última camada, ou camada de valência.
·         As propriedades que são atribuídas aos elementos na tabela, se repetem ciclicamente, por isso se denominou como tabela periódica dos elementos.
·         Os isótopos são átomos de um mesmo elemento com mesmo número de prótons (podem ter quantidade diferente de nêutrons).
·         Os isótonos são átomos que possuem o mesmo número de nêutrons
·         Os isóbaros são átomos que possuem o mesmo número de massa
·         Através da radioatividade alguns átomos atuam como emissores de radiação nuclear, esta constitui a base do uso da energia atômica.
·         Erwin Schrödinger, Louis Victor de Broglie e Werner Heisenberg, reunindo os conhecimentos de seus predecessores e contemporâneos, acabaram por desenvolver uma nova teoria do modelo atômico, além de postular uma nova visão, chamada de Mecânica ondulatória.



CONCLUSÃO
Cheguei a conclusão de que a ideia da órbita eletrônica acabou por ficar desconexa, sendo substituída pelo conceito de probabilidade de se encontrar num instante qualquer um dado elétron numa determinada região do espaço. O átomo deixou de ser indivisível como acreditavam filósofos gregos antigos e Dalton. O modelo atômico portanto, passou a se constituir na verdade, de uma estrutura mais complexa.



BIBLIOGRAFIA

A estrutura atómica. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Modelo_at%C3%B4mico. Acessado aos 30 de Março de 2015.

características principais das energias renovaveis

INTRODUÇÃO

O presente trabalho trata das energias renováveis que por sua vez podemos definir como aquelas em que os recursos naturais utilizados são capazes de se regenerar, ou seja, são inesgotáveis, diferente de fontes não renováveis, como o petróleo. As fontes de energia renovável mais conhecidas são: eólica, solar, biomassa, biocombustível, biogás, geotérmica, hidrelétrica e energia do mar, etc. Este tipo de energia nos proporciona uma vasta importancia na sua utilização devido as alternativas que ela nos oferece.





ENERGIA RENOVÁVEIS

As fontes de energia renováveis, são aquelas em que a sua utilização e uso é renovável e pode-se manter e ser aproveitado ao longo do tempo sem possibilidade de esgotamento dessa mesma fonte, exemplos deste tipo de fonte são a energia eólica e solar.
Por outro lado as fontes de energias não renováveis têm recursos teoricamente limitados, sendo que esse limite depende dos recursos existentes no nosso planeta, como é o exemplo dos combustíveis fósseis.
Existem vários tipos de energias renováveis, e cada vez mais, com o constante desenvolvimento das tecnologias e inovações, se descobrem novas formas de produção de energia eléctrica utilizando como fonte os fenómenos e recursos naturais, como é exemplo da recente inovação na criação de um hidrogerador cujo princípio é semelhante ao de um aerogerador, diferindo no facto de o movimento das pás ser provocado pelas correntes marítimas.
Dos vários tipos de energias renováveis existentes iremos tratar apenas de alguns.
A principal fonte de energia existente hoje é o petróleo, mas além de não ser renovável, e ser um dos principais responsáveis pelo efeito estufa o petróleo ainda será motivo de muitas guerras e conflitos entre os países, principalmente aqueles países que dependem muito dessa fonte energética como os Estados Unidos.
Diversas nações do mundo inteiro estão investindo muito dinheiro em projectos que utilizam as fontes de energia alternativa como a energia solar, a energia eólica, a energia geotérmica, o biodiesel, a energia obtida através do hidrogénio, a energia das marés, o etanol e a biomassa.
Essas fontes de energia alternativas citadas são as mais abordadas em projecto para uma menor contribuição para o aquecimento da Terra e também para tentar alcançar cada vez mais uma independência com relação ao petróleo.
§  energia eólica é a energia que está nas massas de ar em movimento, ou seja, no vento. A melhor forma de aproveitá-la é através de turbinas que convertem o ar, energia cinética de translação, em eletricidade, energia cinética de rotação. Outras formas também utilizadas para a geração de eletricidade são os cataventos ou moinhos.
§  energia do sol pode ser convertida em eletricidade ou em calor para aquecimento de fluidos e ambientes. O aproveitamento da iluminação e do calor naturais para aquecer ambientes é feito através da penetração ou absorção dos raios do sol nas edificações. Com o auxilio de técnicas bem elaboradas de arquitetura e construção a energia solar pode ser melhor utilizada.
§  biomassa é todo recurso renovável vindo de matéria orgânica (de origem animal ou vegetal) que pode ser usada na produção de energia. Assim como outras fontes renováveis, a biomassa é uma forma indireta de energia solar. A energia solar é convertida em energia química, através da fotossíntese, base dos processos biológicos de todos os seres vivos.
§  biocombustível: biodiesel e etanol
§         Biodiesel é um combustível diesel de queima limpa derivado de fontes naturais e renováveis como os vegetais. É obtido principalmente de girassol, amendoim, mamona e sementes de algodão. É uma alternativa renovável que resolve dois problemas ambientais ao mesmo tempo: aproveita um resíduo, aliviando os aterros sanitários, e reduz a poluição atmosférica provocada pelos combustíveis tradicionais, como o gasóleo, que não são renováveis.
§        Etanol é um álcool, que no Brasil é utilizado como combustível automotivo de duas formas: álcool hidratado, para carros a álcool ou flex fuel, e álcool anidro, que é adicionado  à gasolina, atualmente na proporção de 25%. A diferença entre os dois é a quantidade de água presente no produto: o álcool hidratado possui cerca de 7% de água, enquanto o álcool anidro possui apenas 0,7%, no máximo.
§  biogás é um combustível gasoso, semelhante ao gás natural. Pode ser utilizado para geração de energia elétrica, térmica ou mecânica em uma propriedade rural para contribuir para a redução dos custos de produção. 
§  energia geotérmica é obtida através da exploração do calor e do vapor das camadas internas da terra, por meio da água que elas contêm. Além de natural e renovável, também é abundante e tem ganhado destaque em ações para conter o aquecimento global.
§  energia hidrelétrica é a energia elétrica obtida através do aproveitamento do potencial hidráulico (força da água em movimento) de um rio. Para que esse processo seja feito, é necessária a construção de usinas em rios que tenham elevado volume de água e que apresentem desníveis em seu curso. A água passa por tubulações da usina com muita força e velocidade, realizando a movimentação das turbinas, o que gera a energia elétrica.
§  energia do mar é obtida por meio da energia cinética (energia de movimento) das ondas e da energia potencial, devido à altura delas. O aproveitamento pode ser feito em dois momentos: quando a maré está alta e a água enche o reservatório, passando pela turbina e produzindo energia elétrica, e quando a maré está baixa e a água sai do reservatório, passando novamente pela turbina, em sentido contrário ao do enchimento, e produzindo energia elétrica.
O que tem dificultado o uso contínuo dessas energias é a falta de tecnologias capazes de serem utilizadas em larga escala para tornarem-se viáveis economicamente, como é o caso das energias  geotérmica e do mar, que têm um custo maior para montar usinas e, por isso, apresentam baixo rendimento no fornecimento contínuo de eletricidade. Apesar dessas dificuldades, o Brasil é hoje um dos países com a matriz energética mais limpa e renovável, composta principalmente por hidrelétricas e o etanol.

Combustíveis fósseis

As desvantagens de se utilizar a energia elétrica produzida pelas termelétricas por meio dos combustíveis fósseis (carvão, petróleo, gás natural) são muitas: esses recursos são esgotáveis e aumentam o nível de poluição ambiental com a liberação de gases que são capazes de danificar a camada de ozônio e agravar o  efeito estufa, como o metano e o dióxido de carbono. O monóxido de carbono e o dióxido de enxofre, também  presentes nos combustíveis fósseis, causam a chuva ácida, que  afeta a ecologia do nosso planeta.
A extração de combustíveis fósseis já colocou em perigo o equilíbrio ambiental em algumas áreas, e a mineração de carvão prejudica a vida  dos trabalhadores de diversas minas ao redor do mundo pelas condições insalubres do trabalho. Além disso, quando há  uma redução na extração desses combustíveis, eles sofrem um aumento significativo nos preços. O transporte  deles é muito perigoso e arriscado, já que o gás natural e o petróleo são inflamáveis e podem causar danos ao ser humano e ao meio ambiente, caso haja um acidente.

Energia nuclear 

Energia nuclear é aquela  liberada em uma reação nuclear, ou seja, em processos de transformação de núcleos atômicos. Os átomos de alguns elementos químicos apresentam a propriedade de transformar massa em energia através de reações nucleares. Existem duas formas de aproveitar essa energia para a produção de eletricidade: a fissão nuclear, onde o núcleo atômico se divide em duas ou mais partículas, e a fusão nuclear, na qual dois ou mais núcleos se unem para produzir um novo elemento. A fissão do átomo de urânio é a principal técnica empregada para a geração de eletricidade em usinas nucleares. É usada em mais de 400 centrais nucleares em todo o mundo.
Assim como os combustíveis fósseis, o urânio utilizado na geração de eletricidade pelas usinas nucleares não é uma energia renovável, embora tenha baixo custo e grandes reservas mundiais. A construção dessas usinas, no entanto, demanda um investimento inicial elevado e sua manutenção é cara.
Uma das primeiras utilizações da energia nuclear foi a produção de armas e hoje uma das grandes preocupações a nível mundial é que essa tecnologia seja repassada a grupos terroristas.

Desvantagens da energia nuclear

As elevadas temperaturas da água utilizada no aquecimento dos processos de transformação nuclear causam a poluição térmica, pois esta água é lançada nos rios e nas ribeiras, destruindo assim ecossistemas e interferindo no equilíbrio ambiental. A formação de resíduos nucleares perigosos também pode causar a poluição radioativa caso ocorra algum acidente. Esses resíduos são um dos principais inconvenientes desta energia, visto que atualmente não existem planos totalmente seguros para armazená-los, e como eles têm um período de vida de até 300 anos após serem produzidos, podem prejudicar as gerações futuras. Há um grande risco de acidente, pois qualquer falha humana ou técnica poderá causar uma catástrofe sem retorno. 
Quando exposto à radiação, o corpo humano é afetado, sofrendo alterações até mesmo no DNA das células. Os efeitos da radiação são classificados como agudos ou crônicos. Os crônicos se manifestam ao longo de anos após uma exposição não direta mas significativa de radiação. Já os agudos são imediatos, podem variar de queimaduras nas mucosas até alterações na produção do sangue, com rompimento das plaquetas (células que atuam na coagulação do sangue) e queda na resistência imunológica. Estes efeitos ocorrem naqueles indivíduos que tiveram contato com material radioativo ou que se expuseram a grande quantidade de radioatividade. 

A IMPORTÂNCIA DAS ENERGIAS RENOVÁVEIS

Nos tempos recentes, o acesso à energia continua a ser um meio importante para a existência humana, uma vez que é necessária para a satisfação das necessidades básicas, como também para a mobilidade e comunicações. Por outro lado, a crescente e imparável queima de combustíveis fósseis continua a afectar o equilíbrio ecológico e a economia da Terra. Dada a grande procura de energia, as fontes energéticas renováveis são importantes desde que sejam viáveis, pois poderão reduzir o consumo da queima de combustíveis poluentes, permitir o acesso à energia de populações que vivem isoladas ou longe das redes de distribuição. Há milhares de aldeias espalhadas pelos vários continentes, nomeadamente em ilhas, onde a única hipótese de um dia poderem ter electricidade é através da utilização de energias renováveis. Por outro lado, o desenvolvimento do turismo apresenta-se cada vez mais como uma alternativa emergente no desafio permanente de valorização do território. A saturação dos espaços turísticos tradicionais, a procura de novas experiências por parte de turistas nacionais e estrangeiros, e a necessidade de estratégias de desenvolvimento nos espaços rurais, aliados à riqueza do seu património natural, histórico e cultural, surgem como alavancas ao desenvolvimento do turismo e economia rural. O aproveitamento das energias renováveis em alguns espaços rurais poderá ser o motor necessário para a viabilidade económica dos mesmos. O sol, o vento, os cursos de água e a biomassa florestal, disponíveis em muitos dos locais, podem hoje ser aproveitados para fins energéticos, nomeadamente para a produção de calor e electricidade, através da utilização de tecnologias viáveis e rentáveis e, deste modo, contribuir para a redução da factura energética, bem como para a melhoria da qualidade do ar.



CONCLUSÃO

A importância do uso das energias renováveis está na economia que é feita com a utilização de  recursos mais baratos e na preservação do meio ambiente, pois a maioria utiliza meios naturais, abundantes e reaproveitáveis para produção de energia elétrica. Por fim, cabe a nós desenvolvermos tecnologias mais eficazes na captação e utilização de energias alternativas e renováveis, de maneira que estas causem um baixo impacto ambiental.






BIBLIOGRAFIA

As fontes de energias renováveis. Disponível em: http://www.verdeghaia.com.br/blog/a-importancia-das-fontes-alternativas-e-renovaveis-de-energia-em-tempo-de-crise/. Acessado aos 30 de Março de 2015.





ÍNDICE





Insígnias de angola







A língua Kimbundu

A língua kimbundu

O kimbundu é a língua da região de Luanda, Catete, Malanje e as áreas de fronteira no Norte (Dembos - variante crioula kimbundu/kikongo) e no Centro (Kuanza Sul - variante crioula kimbundu/umbundu). É falada por mais de um milhão e meio de pessoas.
Faz parte da grande família de línguas africanas a que a partir do século passado os europeus convencionaram chamar Bantu (bantu significa «pessoas», e é plural de muntu. Em Kimbundu mutu designa «pessoa», com o plural em atu).
Estes apontamentos foram elaborados com o intuito de ajudar todos aqueles que manifestam preocupação em conhecer os entrelaçamentos da língua portuguesa com as línguas africanas. Neste caso, o kimbundu foi uma das línguas de África que mais conviveu com o português, pelo menos desde o século dezasseis até à actualidade.
Penso ser a primeira vez que na Internet aparecem apontamentos de uma língua africana falada num PALOP.
Para a elaboração destes elementos gramaticais rudimentares não foi usada qualquer obra de referência. Utilizei somente os meus conhecimentos pessoais.
   1 - Regra geral
   Ao contrário de muitas línguas europeias, o Kimbundu caracteriza-se pela prefixação na formação do género, dos tempos e pessoas verbais.
   As palavras concordam entre si pelo prefixo, o que confere à língua grande musicalidade e ritmo.
   O dikamba diami dia-mu-zeka (O meu amigo está a dormir)
   O makamba mami a-mu-zeka (Os meus amigos estão a dormir)
   Muxima uami (O meu coração. Note-se a concordância mu — u, a regra seria mu - mu, mas não a musicalidade)
   Frase simples:
   Eme ngabiti ku mbanji ia dibata die (Passei perto da tua casa)
   - O verbo kubita está no passado (ngabiti). No presente seria ngibita.
   - A partícula ku aqui não é a desinência dos verbos, mas sim «perto» ou «dentro», mas sem pormenorizar. Tem menos força que mu (dentro de, com especificação). Mas muitas vezes ku e mu usam-se consoante a concordância rítmica.
   - Por corruptela, o português vulgarizou kubata para designar a casa dos angolanos. Mas ku bata ou ku dibata significa «em casa».
   «Casa» também pode ser inzo (pl. jinzo). Assim: inzo iami (a minha casa), jinzo jietu (as nossas casas), jinzo jiami (as minhas casas), jinzo jia (as casas deles)
   - Mbanji ia (perto de — repare-se na concordância «mb» «i». Não podia ser de outra maneira)
   - Dibata die (tua casa — die aqui refere-se a «teu, tua» e por isso o som é mais aberto do que o diê referido a «seu, sua»
   2 - Pronúncia e sons
   Em Kimbundu os sons são abertos, com algumas excepções («uê»).
   Regra geral não há acentos. As palavras são normalmente graves.
   «s» é sempre «ss»
   «z» é sempre «z»
   «c» é quase sempre representado por «k»
   «g» é sempre «g» e nunca «jê» que, em kimbundu é sempre representado por «j»
   Não há som «rr», quando muito, em algumas regiões, «r» muito fraco (como em «conversar»).
   3 - Classes de nomes
   Há em Kimbundu várias classes de nomes, com distintas formas de plural.
   A) MU — A
   Só se aplica a pessoas
   muxiluanda (primitivo habitante da ilha de Luanda) — axiluanda
   muhatu (mulher) — ahetu (plural irregular por não poder haver dois sons «a» seguidos)
   mona (filho) — ana («mona» é aglutinação de «mu+ana»)
   mubika (escravo) — abika    muadiakimi (velho sábio) — adiakimi
   B) MU — MI
   O mesmo prefixo, desde que não se aplique a pessoas, forma plural diferente
   muxima (coração) — mixima
   mulembu (dedo) — milembu
   muxitu (mata) — mixitu
   mundele (branco) — mindele
   mutue (cabeça) — mitue
   C) DI — MA
   dikamba (amigo) — makamba
   diala (homem) — mala
   dikolombolo (galo) — makolombolo
   dikota (o mais velho) — makota
   diaku (mão) — maku
   D) KI — I
   kinama (perna) — inama
   kilumba (rapariga) — ilumba
   kima (coisa) — ima    kifuba (osso) — ifuba
   kimuezu (barba) - imuezu (barbas)
   E) MP, ND, NG, MB, etc — JI
   São nomes de origem estrangeira.
   Note-se que o «m» e o «n» iniciais antes de consoante nunca se lêem. A sua função é nasalar a consoante.
   No singular, a palavra seguinte deve começar por «i»: mpange ietu (o nosso companheiro); tata ie (o teu pai); mama iami (a minha mãe); nja iami (o meu pénis).
   Muitas vezes utiliza-se o singular como plural, mas a palavra seguinte vai para o plural: mpange jietu (os nossos companheiros), ngulo jiami (os meus porcos)
   ndungo (picante) — jindungo
   mpange (companheiro) — jipange (a nasalação cai)
   ngulo (porco-leitão) — jingulo
   mbolo (pão) — jimbolo
   henda (saudade) — jihenda
   sabu (provérbio) — jisabu
   nvunda (raiva) — jinvunda
   tata (pai) — jitata
   sanji (galinha) — jisanji
   ndanji (raiz) — jindanji
   ngandu (jacaré) — jingandu
   mbua (cão) — jimbua (jímbua)
   nja (pénis) — jinja
   hombo (cabra) — jihombo («h» aspirado)
   F) KA — TU
   O prefixo ka designa o diminutivo
   kangombe (boizinho) — tungombe (boizinhos)
   kasanji (galinha pequena) — tusanji
   Kahombo (cabrinha) - tuhombo (cabrinhas)
   Kalumba (rapariguinhas) - tulumba (rapariguinhas)
   Kandenge (rapazinhos) - tungembe (rapazinhos)
   Kanzamba (elefantezinho) - tunzamba (elefantezinhos)
   G) Plurais irregulares
   Não há regras precisas. Já vimos muhatu/ahetu
   DI — ME
   disu (olho) — mesu
   4) Verbos
   A) Geral
   Todos os verbos, no infinito, têm a desinência ku
   Kuala (ser), Kuala ni (ter), Kubonga (apanhar), Kuia (ir), Kuiza (vir), Kudia (comer), Kukalakala (trabalhar), Kusanga (encontrar), Kuloa (odiar), Kuzola (amar), Kutunda (sair)
   B) Pronomes pessoais
   Para se conjugarem os verbos, tal como nas outras línguas, utilizam-se os pronomes pessoais que, em muitos casos, se sutentendem:
   eme
   eie
   muene
   etu
   enu
   ene
   C) Pronomes possessivos (usam-se com prefixos concordantes com os nomes)
   uami (o muxima uami - o meu coração; o dikamba diami - o meu amigo; o muhatu uami - a minha mulher; o inzo iami - a minha casa)
   ue (o tata ie - o teu pai)
   ue (o inzo ie - a casa dele)
   tuetu (o ixi ietu - a nossa terra)
   nuenu (o mbiji ienu - o vosso mês)
   a (o mona-a-ngulu a - a leitoa deles -- «mona-a-ngulu» significa literalmente: «filho de porco»)
   D) Presente do indicativo
   Tome-se o exemplo simples do verbo kuala (ser)
   (eme) ngala
   (eie) uala
   (muene) uala
   (etu) tuala
   (enu) nuala
   (ene) ala
   Há aqui uma concordância «lógica». Na primeira pessoa do singular o prefixo do verbo é sempre «ng». As outras seguem os prefixos do pronome (note-se: muene uala. Podia ser «muene muala», mas o «m» cai, para tornar o encadeamento «mais leve»).
   -Verbo kukala ni (ter)
   ngala ni, uala ni, uala ni, tuala ni, nuala ni, ala ni
   NOTA: O verbo ter em kimbundu expressa-se sempre como «ter com...»:
   ngala ni nzala (tenho fome), ki ngala ni makamba (não tenho amigos)
   -Verbo kuiza (vir)
   ngiza
   uiza
   uiza
   tuiza
   nuiza
   iza
   E) Presente-acção    A acção forma-se com mu ou ngolo ou ngalo, conforme a região.
   (eme) nga-mu-tunda (estou a sair) ou ngolo tunda ou ngalo tunda
   (eie) ua-mu-tunda; uolo tunda; ualo tunda
   (muene) ua-mu-tunda; uolo tunda; ualo tunda
   (etu) tua-mu-tunda; tuolo tunda; tualo tunda
   (enu) nua-mu-tunda; nuolo tunda; nualo tunda
   (ene) a-mu-tunda; olo tunda; alo tunda
   (eme) nga-mu-ia (estou a comer) ou ngoloia ou ngaloia
   (eme) nga-mu-xana (estou a chamar)
   (eme) ngolo kuiza (estou a vir); (eme) ngoloia (estou a ir)
   F) Futuro
   Forma-se com ngondo
   (eme) ngondo kuiza (virei) — Neste caso o «ku» do verbo não cai. É um imperativo da musicalidade da linguagem falada
   (eie) uondo kuiza
   (muene) uondo kuiza
   (etu) tuondo kuiza
   (enu) nuondo kuiza
   (ene) ondo kuiza
   Mas:
   ngondo zeka (dormirei); ngondo fua (morrerei)
   ngondoia (comerei); ngondo kuala (serei, estarei)
   G) Passado
   - Do verbo kuzeka
   ngazekele, uazekele, uazekele, tuazekele, nuazekele, azekele (dormi)
   ngalele (fui, verbo ser)
   - Do verbo kuia
   eme ngai (o presente é eme ngia, uia, uia, tuia, nuia, aia), eie uai, muene uai, etu tuai, enu nuai, ene ai
   - Do verbo kukala (ser)
   ngexile, uexile, uexile, tuexili, nuexile, axile
   - Do verbo kukala ni (ter)
   ngexile ni, uexile ni, uexile ni, tuexile ni, nuexile ni, axile ni
   H) Imperativo
   - Na segunda pessoa do singular forma-se com o infinito do verbo sem a partícula ku
:    Zuela! (fala!)
   Tunda! (sai!)
   Diê! (come! — Para dar mais força à ordem, o «a» final do verbo - Kudia (acento no «u») - foi substituido pelo som longo iê)
   - Na segunda pessoa do plural, forma-se com o sufixo «enu»:
   Dienu! (comei!)
   Zekenu! (dormi!)
   Ivuenu! (ouvi!) - verbo Kuivua (acento no «i»)
   Este enu tem a ver com o significado «gentes», «pessoas» (enu akua zanzala — as pessoas da sanzala)
   I) Negativa
   - Uma das possibilidades de formação é com a partícula «ki»:
   eme ki ngala ni nzo (não tenho casa)
   eme ki (ngala) muhatu (não sou mulher)
   - Mas também se utiliza a partícula «ku»:
   Monami, kutundê! Monami zeka!
   (Meu filho, não saias! Meu filho, dorme! - Esta frase pertence a uma canção muito popular em Luanda em Fevereiro de 1961. É o lamento de uma mãe que aconselha o filho a não sair de casa por causa da Pide)
   - Outra forma de negativa verbal:
   Xitu, nga-i-diami (A carne, não a comi . Não se diz «Ngadiami o xitu»)
   Eme ngeniami (ji)ndandu (Já não tenho parentes há muito tempo; a forma verbal ngeniami significa «não tenho há muito tempo»)
   J) Forma reflexa
   Forma-se com a partícula di:
   Ku-di-sanga kua makamba
   (encontrar-se com os amigos, dar encontro com os amigos)
    (mona+ietu)
   (estou a encontrar-me com o nosso filho)
   L) Pronomes reflexos
   ngi, ku, mu, tu, nu, a
   Muene ua-ngi-zola (ele ama-me)
   (Ene) a-ku-vualela (nasceram-te)
   Em Kimbundu não há «o», «a» como reflexos, mas sim «lhe», «lhes».
   Por isso no Português de Luanda se diz «eu vi-lhe»: Nga-ku-mona (eu vi-te)
   M) Muitas vezes o verbo não aparece na frase:
   Eme, diala (eu sou homem)
   Kitadi, mona-a-ngene (o dinheiro é filho alheio). Nota: ngene usa-se muito em kimbundu para designar as coisas dos outros, alheias (inzo ia ngene - casa alheia; kitadi-kia-ngene - dinheiro alheio)
   5) Forma de cumprimento
   O cumprimento matinal é extremamente importante. Não tem nada a ver com o seco «bom dia» ou «olá». É um cumprimento em que se estabelece uma relação social.
   - Uazekele kiebi?, ou simplesmente, Uazekele? (dormiste bem?)
   - Ngazekele kiambote! (dormi bem!)
   Depois disto pergunta-se pelos filhos, pela mãe, pela avó, etc.:
   -O tata, kiebi? (O mama, kiambote?)
   (o teu pai, está bem? a tua mãe, está bem?)
   Quando as pessoas se encontram, perguntam-se:
   - Kebi? (ou uala kiebi?) (como estás?)
   - Kiambote! (ou ngala kiambote!) (estou bem!)
   E quando se despedem, podem dizer:
   -Mungu, ue! (até amanhã)
   -Mungu uenu! (até amanhã a vocês!)
   6) Sim, não
   Kiene (sim)
   Kana (não) - ler «kanáa»
   - Uandala kuia ni eme? (queres ir comigo?)
   - Kana! (não!)
   7) Expressões de reforço
   A expressão muene, além de significar «ele», «ela», significa também «mesmo».
   Eie muene! (tu mesmo!)
   Muene muene! (ele mesmo!)
   O tata muene! (o pai mesmo!)
   Kidi muene! (é mesmo verdade!)
   Nga-ku-zolo kiavulu muene! (Gosto mesmo muito de ti! - É a expressão mais poderosa usada em kimbundu para manifestar directamente um grande amor)
   Kiambotebote (muito bem), kiavuluvulu (muitíssimo), kionenenene (muito grande), kiofelefele (muito pequeno):
   -Eme, kiambotebote! (estou muito, muito bem!)
   - Uala ni kitadi? - Kiavuluvulu! (tens dinheiro? Muitíssimo)
   Repare-se também neste reforço:
   Tuoloietu! (estmos juntos! - Há aqui duas partículas repetitivas designando a primeira pessoa do plural: «tu». É um reforço muito comum no kimbundu)
   8) Diversos
   A)
   A-ngi-vualela mu Luanda (verbo Kuvuala - nascer) (Nasceram-me em Luanda)
   Em Kimbundu não se diz «nasci» mas «nasceram-me», «nasceram-te», etc.: a-mu-vualela (ele nasceu; literalmente: nasceram-lhe)
   B) Talvez devido à necessidade do ritmo, em kimbundu diz-se:
   - O kikalakalu, nga-ki-zuba kia (literalmente: o trabalho, acabei-o já. Em Português diz-se: Já acabei o trabalho).
   A expressão «kia» (já) vai sempre para o fim da frase:
   - Dikolombolo diakokolo kia! (o galo já cantou!)
   - (Eme) ngadi kia! (Já comi!)
   - (Ene) afu kia (Eles já morreram)
   - O jisoba jafu kia (Os sobas já morreram)
   C) Ki (quando)
   Ki ngibita bu tandu ia dikalu, akuetu a-ngi-xana monangambéee!
   («Quando passo em cima do carro (camioneta) as pessoas chamam-me filho de carregador». É a forma pejorativa como os colonos tratavam os negros quando estes iam na carroçaria das camionetas, muitas vezes para o «contrato» (trabalho nos cafezais), pois não tinham acesso à cabina). Note-se o aportuguesamenteo de dikalu (carro), tal como ngeleja (igreja).
   Ki uenda, uibula (quando viajares, informa-te)
   D) Kioso (todo)
   O izua ioso (todos os dias. Literalmente: os dias todos)
   E) Boba, bana, baba
   Boba (em algumas regiões baba) (aqui, cá)
   Bana (banáa) (lá, ali)
   Há regiões em que o «b» é duro e quase aspirado, como se tivesse um «v» à frente: «bvabva»
   Ngala boba (estou aqui)
   Mas note-se esta expressão característica:
   Za kuku! (Vem cá!)
   F) Género    Não há feminino como ele se entende em Português.
   Assim, usam-se as expressões auxiliares «muhatu (mulher)» e «diala» (homem) quando se quer especificar:
   Mona-ua-muhatu (criança do sexo feminino)
   Mona-a-diala (criança do sexo masculino)
   Nzamba-ia-diala (elefante macho)
   Hoji-ia-muhatu (leoa)
   Mas há outra forma:
   sanji — dikolombolo
   G) Conversar
   Em Kimbundu não se diz conversar, mas «pôr conversa»:
   Kuta maka (muene ua-mu-kuta maka - eçle está a pôr conversa)
   H) Artigo definido
   Em Kimbundu só se usa «o» correspondente aos portugueses «o, a, os as».
   O njila (o caminho - o jinjila - os caminhos)
   O nhoka ia-di-nhingi (a cobra enrolou-se)
   I) Tempo
   Mu ukulu (antigamente, há muito tempo)
   Lelu (hoje. Usa-se muito dizer Lelu, lelu! - hoje é hoje)
   Mungu (amanhã)
   Mungudina (á) (depois de amanhã)
   Maza (ontem)
   Mazadina (á) (anteontem)
   9) Alguns números
   1-moxi
   2-iadi
   3-tatu
   4-uana
   5-tanu
   6-samanu
   7-sambuadi
   10-kuinhi
   11 - kuinhi-ni-moxi (dez mais um)
   12 - kuinhi-ni-iadi (dez mais dois)
   Note-se a regra geral da língua, que atira os adjectivos para depois dos nomes e faz concordar todas as palavras pelo prefixo:
   Poko imoxi (uma faca. Literalmente: faca uma)
   Jipoko jiadi (duas facas)
   Muxi umoxi (uma árvore)
   Makamba (m)asamanu (seis amigos)
   Uma vez, duas vezes:
   Lumoxi, luiadi...
   Ngadi ngo lumoxi (só comi uma vez)
   10) Interjeições (algumas usam-se em Português de Luanda, que muitas vezes segue o Kimbundu e não o Português de Portugal)
   Aiué ou Aiuê! (dor ou embevecimento)
   Ala! (não me maces. Desprezo)
   Auá! (desdém, enfado)
   Exi! (que maçada!, é demais!)
   Haca! (Livra!)
   Hela! (Caramba!)
   Hum! (indecisão. Mas também «sim»)
   Hum-hum (lamentação)
   Também! (tens cada uma!)
   Tunda! (sai!)
   Xê! (Olá, tu, você!)
   11) Anga - ou
   Kufua anga kutolola (Morrer ou vencer - slogan do MPLA nos anos 60)
   12) Deus
   Nzambi (Deus todo-poderoso) - Ngana Nzambi (Senhor Deus)
   Kalunga (Deus do mar, associado a morte) - Kalunga nguma (Deus da morte)
   13) Neologismos
   A grande língua de referência do kimbundu é o português, a que ele recorre sempre que o seu vocabulário (mais incompleto) apresenta lacunas. O kimbundu da cidade, por ter necessidade de mais vocabulário, interpenetrou-se com o português local, importando variadíssimas expressões.
   a) Em kimbundu não existe «se», por isso se recorre ao português:
   Kalakala, se uandala kukala mutu! (Estuda, se queres ser pessoa!)
   b) Lumingu (domingo), Sapalo (sábado), Ngeleja (igreja), dikalu (carro, camião)
   c) Em geral termos políticos e económicos
   d) A expressão bessa, ngana (a sua bênção, senhor), por exemplo
   e) O português usa, por exemplo, a expressão minhoca (nkoka - cobra)
   f) Conceição - Sesa    g) Cadeia - caleia (por exemplo, a conhecida canção do movimento de libertação: Doutor Netoé mu caleia, ngongoé (O Doutor Neto está na cadeia, que sofrimento)
   h) Mesa - mesa. (Leia-se: messa)
Bibliografia
Rui Ramos, jornalista angolano, nascido em Luanda em 1945. Disponível em: http://www.ciberduvidas.com/diversidades.php?rid=988. Acessado aos 30 de Março de 2015.