segunda-feira, 30 de março de 2015

O ESTADO COMO SOCIEDADE POLITICAMENTE ORGANIZADA

INTRODUÇÃO

O Estado é uma figura abstrata criada pela sociedade. Também podemos entender que o Estado é uma sociedade política criada pela vontade de unificação e desenvolvimento do homem, com intuito de regulamentar, preservar o interesse público. O Estado originou-se da vontade de preservação desse interesse ou bem comum, posto que a sociedade naturalnão detinha os mecanismos (regulamentação) necessários para promover a paz e o bem estar de seus membros. Assim, a única forma de preservação do bem comum foi a delegação de poder a um único centro, o Estado. O Estado não é reconhecido somente através do seu poder, mas sim de elementos constitutivos, tais como povo, território e a soberania.




O ESTADO COMO SOCIEDADE POLITICAMENTE ORGANIZADA

O Estado, no sentido restrito, pode ser definido como a sociedade politicamente organizada, fixa em determinado território que lhe é privativo e tendo como características a soberania e a independência. Num sentido lato põem-se de lado as características de soberania e independência, fala-se então de Estados Federados que possuem constituições próprias, possuindo competências e órgãos de poder próprios.
A organização de poder político que é o Estado é composta por três elementos:
Povo – é o conjunto dos nacionais , isto é, das pessoas ligadas ao Estado pelo vínculo jurídico da nacionalidade ou cidadania. Os critérios de atribuição de cidadania variam em cada ordem jurídica, podendo dividir-se em: ius sanguinis e ius solis. O conceito de povo é diferente do conceito de população (conjunto de pessoas que residem num determinado território) e de nação;
Território – é o espaço geográfico onde é exercido o poder do Estado, nele incluem-se o solo e subsolo terrestre, o espaço aéreo, o mar territorial, a plataforma continental e a zona económica exclusiva;
Poder politico – é a “faculdade exercida por um povo de, por autoridade própria, instituir órgãos que exerçam autonomia sobre um território, nele criando e executando normas jurídicas, usando para o efeito os necessários meios de coação”. O poder político pode ser analisado segundo dois planos, o Interno, onde é a faculdade exercida por um povo de, por autoridade própria, instituir órgãos que exerçam com relativa autonomia a jurisdição sobre um território, nele criando e executando normas jurídicas, usando para o efeito os necessários meios de coação, e o Externo, onde se surge a ideia de Soberania, a capacidade de se fazer representar internacionalmente, esta ideia remete-nos para os conceitos de Supremacia, não está limitado por nenhum poder na ordem interna, e Interdependência, não tem de aceitar normas, fá-lo voluntariamente estando ao mesmo nível dos outros Estados Soberanos.
o Estado representa a forma máxima de organização humana, somente transcendendo a ele a concepção de Comunidade Internacional.

OS ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DO ESTADO

  
Estado: pedaço de terra, pedaço da humanidade pedaço de terra, punhado de gente.

Definições de acordo com a concepção do autor ou enfoque que deseje dar (fenômeno de força; ordem sociológica; finalista, jurídico, orgânica ou organicista).

"O Estado é a nação politicamente organizada"
"O Estado é o conjunto de serviços públicos coordenados e hierarquizados"           

                                                                                        população
fenômeno político-social               território
Elementos                                                                        governo
do Estado
                                                                                          interna
                                    fenômeno jurídico {soberania         (= autonomia)
                                                                                          externa
                                                                                          (independência)


População:         povo + estrangeiros residentes em caráter permanente

Povo = conjunto de indivíduos ligados ao um Estado pelo vínculo político-jurídico da nacionalidade.

Características do povo: permanência e continuidade.


originária (grupo étnico nascido em um território
determinado - NATUS)
Nação             
                        derivada ( sociedade ou organização política)

Mancini:          “A nação é uma sociedade natural de homens a quem a unidade de território, de origem, de costumes e de idioma levam a uma comunidade de vida e de consciência social"

·   Quais as características para que se reconheça que um Grupo Humano pode ser considerado uma NAÇÃO?

·                 concepção objetiva - funda a comunidade nacional em elementos de fato, determinados pela etnologia - raça, língua, religião, cultura, etc

·                 concepção subjetiva - produto de uma consciência comum a todos os membros que compõem um grupo determinado.

Renan:        "uma nação é uma alma, um princípio espiritual
Bergson: " nação é uma missão"
Que valor convém atribuir ao Princípio das Nacionalidades? 
 
Interno “SELF-GOVERNMENT” (Direito
Duplo conteúdo                      de escolher a forma de governo que lhe convenha)

Internacional “SELF-DETERMINATION”




·                 negativo ( Direito à independência)
·   positivo ( Direito à Secessão – direito a separar-se do Estado a que pertence ou incorporar-  se a outro Estado autônomo)

TERRITÓRIO


Sentido da palavra x Conceito jurídico
“O Estado moderno é uma corporação de base territorial”

Característica do Território no Estado Moderno:
· estabilidade
· delimitação

Natureza jurídica do Território
1a) Teoria do Elemento Constitutivo do Estado (Geopolítica)

2a) Teoria do Território-Objeto: objeto do poder estatal
·            Direito real de propriedade- dominium – Estado Patrimonial
·            Direito real de soberania - imperium

3a) Teoria do Território Limite:
·            “o limite material da ação efetiva dos governos”
·            “o marco dentro do qual  se exerce o poder  estatal”

4a) Teoria da competência - o território é uma porção da superfície terrestre onde se aplica, com efetividade de execução, um determinado sistema de normas jurídicas.  O território é a esfera de competência espacial do Estado, o marco dentro do qual tem validez a ordem estatal.

5a) Teoria do Espaço Vital

Competência territorial - é a que o Estado dispõe, relativamente às pessoas que habitam em seu território, as coisas que nele se encontram e a fatos que no mesmo ocorrem.

Características:
·                 plenitude do seu conteúdo
·                 exclusividade do seu exercício
Composição do território:
Domínio terrestre
·                 solo ( ilhas oceânicas, fluviais ou lacustres)
·                 subsolo - forma de delimitação

Domínio Fluvial
- rios nacionais
- rios internacionais
- rios sucessivos ( cortam mais de um Estado)
- rios contíguos ( separam Estados)
- linha mediana
- talvegue ( thalweg - "caminho no vale")

Domínio Marítimo
·                 Águas interiores - Portos e baias
·                 Mar territorial
·                 Zona Contígua
·                 Plataforma continental
·                 Mares internos e lagos
·                 Estreitos e canais

Domínio Aéreo ( espaço aéreo)
·            Território ficto: Embaixadas
·            Navios e Aeronaves
·            públicas- Civis ou militares
·            privadas - Comerciais ou particulares

Situações especiais:
·            Alto Mar
·            A Zona Econômica Exclusiva

GOVERNO

Este é o terceiro e último elemento constitutivo do Estado. É o governo que "dá forma ao Estado" (Legon). É o conjunto de poderes públicos que tem a seu cargo a direção política de um Estado, ou seja, uma definição de governo seria: o conjunto das funções necessárias à manutenção da ordem jurídica e da administração pública.
No entanto, alguns autores como o Professor Sampaio Dória inclui "soberania"' como sendo o terceiro elemento estatal, o que na visão de outros autores é um pouco ilógico essa inclusão, pois, soberania é justamente a força geradora e justificadora do elemento governo; é o requisito essencial à independência, tanto na ordem interna como na ordem externa.  E se o governo não é independente e soberano, como a Irlanda e o País de Gales, o que teremos é um semi-Estado.
E com isso, nos esclarece que na noção de Estado perfeito está implícita a idéia de soberania; e que faltando uma característica de qualquer um dos três elementos o que sempre teremos será um semi-Estado.
Não poderíamos deixar de citar o grande filósofo Aristóteles que classificou o governo de duas maneiras.  A primeira divide o governo em formas puras e impuras, conforme a autoridade é exercida tendo em vista o bem geral ou somente os interesses dos governantes.  Moral ou política é a base desta classificação.
Já a segunda classificação é sob um critério numérico, conforme o governo esteja nas mãos de um só homem, de vários homens ou de todo povo.
Combinando o critério moral com o numérico, obtém-se a seguinte classificação:
FORMAS PURAS:                                        FORMAS IMPURAS:
- Monarquia                                                     - Tirania
- Aristocracia                                                   - Oligarquia
- Democracia                                                   - Demagogia

No discurso “La Politique”, livro III, cap. V, Aristóteles faz uma síntese de toda a sua concepção em relação as formas de governo:
“Pois que as palavras constituição e governo significam a mesma coisa, pois o governo é a autoridade suprema nos Estados, e que necessariamente essa autoridade suprema nos Estados, deve estar nas mãos de um só, de vários ou da multidão, segue-se que quando um só, vários ou a multidão usam da autoridade tendo em vista o interesse geral, a constituição é pura e sã; e que, se o governo tem em vista o interesse particular de um só, de vários ou da multidão, a constituição é impura e corrompida.” “Governo é o próprio Estado em funcionamento, é o conjunto dos indivíduos que tem a elevada função de dirigir as coisas públicas.”






CONCLUSÃO

Cheguei a conclusão de que a sociedade natural não possui meios coercitivos de manter e preservar a paz entre os indivíduos aglutinados, e para tanto houve a necessidade da criação de uma figura abstrata que possui-se o poder de regulamentar e unificar os idéias envolta de um público. Essa figura denominou-se Estado.
O Estado é uma sociedade política, que para o seu reconhecimento e identificação há necessidade de verificação de alguns elementos. Um dos elementos formadores do Estado é o povo, já que o poder emana sempre do povo. E esse, em última análise, que confere ao Estado o seu poder de normatizar (regulamentar). E o outro elemento constitutivo é o território que é identificado pelo espaço territorial aonde a sociedade política irá exercitar o seu poder (soberania).

BIBLIOGRAFIA


BITTAR, Eduardo C. B. Metodologia da pesquisa jurídica: teoria e prática da monografia para os cursos de direito. 6 ed., rev., ampl. São Paulo: Saraiva, 2007.
O estado como sociedade politicamente organizada. Disponível em: https://direitoepatlantico.wordpress.com/2012/01/24/o-estado-sociedade-politicamente-organizada/. Acessado aos 30 de Março de 2015.
O estado como sociedade politicamente organizada. Disponível em: O estado como sociedade politicamente organizada. Disponível em: http://www.ambito-juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=6742&revista_caderno=9. Acessado aos 30 de Março de 2015.



ÍNDICE




Reinos do Bailundo e Bié

INTRODUÇÃO

O presente trabalho com o tema Bailundo e Bié poderemos falar das suas origens, as suas regiões e a diversidade de suas tradições. Estes povos normalmente estão localizados no planalto central (centro de Angola) que por sua vez as suas histórias foram muito marcantes na sociedade angolana. Então falar desse povo é falar um pouco da cultura e das tradições angolanas no planalto central. No entanto poderemos fazer o detalhe de cada cultura, neste caso Bailundo que pertence na província do Huambo e Bié que pertence na Província do Bié.

O Bié e o Bailundo

O primeiro ataque dos portugueses ao Planalto data de 1645, quando ainda estavam concentrados em Massangano e em luta aberta com a rainha Njinga, da Matamba. Ao procurar uma passagem para aquela região, aperceberam-se da densidade populacional existente e
até da existência de armas de fogo que a rainha tinha distribuído para evitar as tentativas de ataque e infiltração dos territórios em causa.
Um novo ataque tentado em 1660 foi novamente rechaçado. Em meados do século XVIII, os portugueses atacam o reino de Ngalangi, prendem o rei e estabelecem, em 1769, uma aliança
com o rei de Kakonda, que lhes facilita a construção do Forte de Kakonda-a-Nova.

fig. 1 – Estado do Planalto
Em 1774, começou a campanha de invasão aos reinos de Ciyaka, Ndulu, Cingolo e
Bailundo. Como não havia forças para ocupar efectivamente o terreno, eram forçados a
abandonar a região e tudo voltava ao princípio.
Em 1778, Portugal conseguiu um aliado de peso no Bié. Aquele estado era governado.
por Ndjilahulu. Os portugueses apoiaram o pretendente Kangombe, colocando-o arbitrariamente no trono e assegurando, assim, a neutralidade da região até 1890.
A segunda coligação formou-se mais tarde, em 1856, de novo chefiada pela Ciyaka, compreendendo as regiões de Cingolo e Kalukembe, embora não tenha obtido resultados positivos. Em 1876 sobe ao trono do reino do Bailundo o rei Ekuikui II. Para se libertar dos produtos agrícolas do Brasil, vai desenvolver a agricultura na região. Aliando o comércio do milho ao dos escravos, da cera, do marfim e então também da borracha, o Bailundo tornou-se no grande potentado comercial do Planalto, conhecido em toda a África Negra.
Quando Ciyoka se torna rei do Bié, estavam criadas as condições para uma aliança contra os portugueses. Em resposta, estes conquistam, mais uma vez, o reino do Ngalangi, construindo o forte do Kuango, no reino dos Ngangelas. Ciyoka morre em 1888, sucedendo-lhe e o rei Ndunduma I do Bié, que renova com força acrescida a aliança anterior.
Em 1891, os portugueses decidem passar ao ataque. Coube ao capitão Teixeira da Silva
o comando das tropas, equipadas com artilharia e guiadas por batedores boers. Ndunduma foi feito prisioneiro e desterrado para Cabo Verde, onde morreu. Foi construído um forte no Bié. reino que perde a sua independência.

fig. 2 – Actividade militar portuguesa em Angola (1579-1671)
Em 1893, morreu Ekuikui II, sucedendo-lhe Numa II. Em 1896, Teixeira da Silva atacou a capital do Bailundo, deitou-lhe fogo, matou Numa II e reduziu o reino à situação do Bié.
O Planalto do Bié é habitado pelos Ovimbundu, essencialmente agricultores, criadores de gado e ferreiros. A sua agricultura próspera permitiu produzir excedentes, que foram utilizados no comércio com povos vizinhos. Essa prosperidade económica permitiu uma  maior consolidação do poder político dos diferentes reinos existentes, nomeadamente Wambu-fundado por Wambu Kalunga-, Tchiyaka- fundado por Tchilulu-, e Ndulu ou Andulo, fundado por Katekulu-Mengu. Existiam ainda outros reinos, como o do Bailundo, fundado por Katiavala, Bié por Viye e Kakonda. Havia ainda outros reinos no Planalto do Bié nomeadamente Ngalang, Sambu, Tchivula, Tchingola, Tchikomba, Tchitata, Ekekete, Tchikuma, Kalulembe.
De todos esses Estados, o que registou maior grau de desenvolvimento foi o do Bailundo. Situado entre os rios Kuvo e Kutato, contava com cerca de 450.000 habitantes dispersos pelas/mais de 300 aldeias existentes.
É já a partir dos anos finais do século XVIII que o Bié, onde são negociados produtos
alimentares, aparece como um ponto estratégico no caminho que os portugueses encontram e que os leva até às terras do Lovale. Conhecida pelos africanos que forneciam indicações aos portugueses, esta rede comercial atravessava as terras de poderosos sobas.
O acesso ao Planalto do Bié efectuou-se através de Benguela, fundada em 1617, e que funcionou como escoadouro dos produtos transaccionados pelos povos Ovimbundu. A região em causa sofreu um surto de desenvolvimento durante o governo de Sousa Coutinho, em que foi desenvolvido um esforço enorme de edificação de novas localidades, tentando fixar novas populações de origem europeia com base na exploração agrícola.
No entanto, esta estratégia, devido à importância de que se revestia o tráfico de escravos, ao clima e às doenças, que transformavam a zona num autêntico cemitério de europeus, não vingou e a presença portuguesa na zona foi-se diluindo progressivamente. Parte das povoações tiveram que ser abandonadas e, até meados do século XIX, a independência dos povos locais não sofria contestação por parte das autoridades portuguesas.
A origem e fundação do reino do Viye não é bem clara. As tradições sobre a sua fundação e origem nem sempre coincidem. Mas existem versões que, atendendo à globalidade da História dos Ovimbundu e dos seus vizinhos Songos e Luimbis e, sobretudo os Tucokwe, suscitam alguma credibilidade De entre tantas, podemos enfatizar a que concerne o significado e origem do termo Viye (Bié), que é um conto que atesta a proveniência do vocábulo «viye», do imperativo conjuntivo na terceira pessoa do plural, do verbo umbundu okwiya" isto é, vir. Em conformidade com esse conto, um certo soberano do Bié, para resolver os contenciosos ou para fazer pagar os súbditos e aos reinos subsidiários os tributos devidos ao seu reino, exigia, antes de mais bois. O soberano fazia as suas cobranças de impostos ou taxas, usando apenas a expressão «víye» , isto é, «que venham», subentendido na frase «tere olongombe viye» isto é, «antes de mais que venham os bois, depois falaremos»
O Planalto do Bié foi ocupado pelos povos Ovimbundu, que se ocupavam primordialmente da agricultura. Desde sempre foi a região do território de Angola que possuiu maior, densidade populacional: o que se reflectiu nos altos níveis de produção alcançados, não só do ponto de vista agrícola, mas também artesanal e de exploração mineira, em especial do ferro extraído das minas do Andulo.
À medida que a produção se foi desenvolvendo, foram-se criando excedentes, que no início foram trocados internamente no âmbito do Planalto, para mais tarde serem transaccionados com as populações da costa oriental de África. Estes agricultores, artesã os , ferreiros, caravaneiros de longo curso e grandes guerreiros só muito tarde se organizaram em estruturas políticas autónomas.
Em 1671, nasce o reino do Ndulu (Andulo), organizado por Katekulu-Mengu, chefe jaga. Os reinos do Bailundo, Bié e Kakonda, formaram-se respectivamente em 1700, 1750, e 1760, o primeiro pelo chefe Katiavala da Kibala, o segundo por Vye, guerreiro e caçador do Humbe, e o último por Kakonda, um escravo fugido de Benguela. Além destes, considerados os mais importantes, outros se formaram, sobretudo no sul do Planalto, formando um conjunto de pequenos Estados, difíceis de identificar e seguramente difíceis de controlar, tal como Ngalangi, Sambu, Civula, Cingolo, Cikomba, Citata, Ekekete, Cikuma, Kalukembe e outros.

Organização territorial

Os reinos do Planalto dividiam-se também em províncias, os Tumbus, e estes em distritos. Cada Tumbu era constituído por numerosas aldeias e cada uma delas em bairros. Os chefes de todas estas organizações eram os Muene. Os da província eram nomeados pelo rei, os restantes eram nomeados pelo povo, depois de consultado o Conselho de Velhos.

Organização económica

Economicamente, o estado do Bié era potencialmente forte no domínio da agricultura,
mercê das abundantes chuvas, sendo a produção de milho e feijão muito intensa. Da criação de gado bovino, ovino e caprino aproveitavam o leite, as peles e a carne. Recolhiam produtos da floresta como o mel e a cera, e da caça aos elefantes extraíam o marfim e a pele. Sendo hábeis utilizadores da metalurgia do ferro, produziam uma série de instrumentes agrícolas, de caça e defesa que foram úteis em diversas actividades desenvolvidas pelos Ovimbundu durante os séculos da sua existência.
Com a abolição do tráfico de escravos, a região voltou a merecer a atenção das autoridades portuguesas, mais no sentido da repressão do que da implementação de um projecto de desenvolvimento autónomo. Nesta época, a presença portuguesa circunscrevia-se, a norte, às feitorias de Benguela Velha, fundada no século XVII, Novo Redondo, fundada por Sousa Coutinho, assim como Kikombo e Egípto.
As fortalezas encontravam-se em ruínas e as respectivas guarnições dificilmente se aventuravam fora das muralhas. No interior de Benguela encontrava-se Catumbela, que atingiu o auge económico entre 1864 e 1874, com o comércio da urzela, do marfim e da goma, e o Dombe Grande, cercado pelos pastores Dombes, cujo forte foi construído em 1847.
Para leste, situava-se o forte de Kakonda, criado em 1169, herdeiro da antiga Kakonda Velha, incrustada mais a oeste, na Hanha e que teve de ser abandonada por se ter tornado insustentável a sua situação. Por último, Kilengues, a sudoeste de Kakonda, antiga Salvaterra de Magos que, embora possuísse um regente e alguma tropa tal como as restantes bases, estava à mercê da vontade da autoridade política dos dirigentes dos povos locais.

Reis do Bié até ao ano de 1890

Vyie (cerca de 1750);
Ulundu I;
Eyambi I;
Njilahulu I;
Kangombe I (coroado em 1795);
Kawewe I (1795);
Morna (Vasovava Il);
Mbandua I (1833 a 1839);
Kakembembe I (1839 a 1842);
Liambula I (1842 a 1847);
Kayangula I (1847 a 1850);
Mukinda I (1850 a 1857);
Nguvenge I (1857 a 1859);
Konya Cileno (1860 a 1883);
Njamba Ya Mina I (1883 a 1886);
Cyioka I (1886 a 1888);
Ndunduma I (1888 a 1890).

O BAILUNDO

Para controlar mais eficazmente o comércio no interior de Angola e melhor enfrentar a resistência dos Ovimbundu, as autoridades coloniais tinham criado, a partir de 1620, diversos decretos e leis proibindo o comércio e a penetração no interior de Angola para fins comerciais, mas Sousa Coutinho revogou-os, considerando que apenas tinham favorecido o contrabando. Na sequência de tais reformas, os comerciantes europeus procuraram penetrar profundamente nas áreas rurais, Alguns deles chegaram a construir fortalezas individuais guarnecidas por escravos e servos, recrutados entre os africanos que encontravam nas áreas rurais, Em resposta a essa penetração e aos Bailundo movimentos comerciais cada vez mais intensos na sua região, os -reis Ovimbundu, que não reconheciam o poder e as leis e decretos coloniais, passaram a exigir impostos de ocupação territorial e taxas aduaneiras de circulação de bens comerciais.

fig. 3 – Bailundo
Face às exigências dos reis Umbundu de introduzir taxas de produção e de impostos aduaneiros aos comerciantes europeus que quisessem atravessar o seu território, alguns desses comerciantes aceitaram as condições impostas pelos reis Umbundu, mas outros não aceitavam submeter-se ao pagamento de impostos de presença no território e das taxas aduaneiras de penetração e transacções comerciais no território Umbundu e preferiam retirar-se outra vez para a costa, deixando mais uma vez aos Ovimbundu o monopólio do controlo e do comércio dos produtos do interior para a costa e vice-versa.
Os comerciantes que não aceitavam viver sob as instituições dos reis africanos levavam uma vida muito difícil e uma situação económica muito precária, Os que aceitavam pagar taxas e impostos chegavam inclusive a construir ou a consolidar as suas fortalezas ou presídios guardados por escravos, mas com o passar do tempo, e não conseguindo engrenar perfeitamente na estrutura socioeconómica Umbundu, esses comerciantes europeus acabavam praticamente por tornar-se vassalos dos reis Umbunc1us que se encontravam na zona, Para melhor controlar o interior, as autoridades coloniais passaram a construir fortes ou presídios nas áreas rurais, Os novos presídios guardados por militares passaram a ser constantemente atacados pelos Ovimbundu, que se recusavam a reconhecer as leis e as autoridades coloniais.
As tensões e os confrontos que se levantaram entre os Ovimbundu e os comerciantes portugueses e as autoridades coloniais foram-se tornando cada vez mais frequentes e sangrentas e levaram a uma guerra sangrenta na região do Planalto Central de 1774-1776 entre as autoridades coloniais e os chefes tradicionais Umbundu tendo sido muitos deles mortos ou feitos prisioneiros em muitos dos reinos incluindo no reino do Mbalundu (Bailundo) e no do Ndulu (Andulu).
Esse conflito, generalizado, foi tão violento para as duas partes, que acordaram, pelo
menos por algum tempo, engrenar numa convivência pacífica no respeito dos interesses
uns dos outros, numa espécie de aliança de tolerância.
Todavia, esta espécie de aliança de tolerância não atenuou os pressupostos da tensão e
das incompreensões. Não obstante a dura experiência que ficou na memória dos Ovimbundu e dos comerciantes portugueses desse período, os conflitos continuaram em diversas zonas do Planalto Central, onde os chefes tradicionais viram nas consequências dessa
guerra um apelo a tréguas estratégicas, mas não a uma aceitação da rendição, enquanto as
tentativas dos portugueses de dominar os Ovimbundu e de controlar o comércio e as
riquezas do Planalto Central redundavam em insucesso.

O comércio de longa distância dos Mbundu

As primeiras notícias escritas sobre a prática de comércio entre os Mbundu, mais concretamente no reino do Ndongo, foram dadas por missionários jesuítas (portugueses e castelhanos), que integraram a comitiva de Paulo Dias de Novais, aquando da sua primeira viagem às terras de Ngola Kiluanje em 1560, movidos pela ambição da expansão comercial e das suas potencialidades minerais.
É de entender que a parte Atlântica dos Mbundu, ao contrário das frentes norte e leste, não dispunha de comunicações activas com o mundo exterior. Deve ter existido um tráfico marítimo local, de têxteis e sal, praticado ao longo da costa, tal como existiu na África Ocidental. Canoas escavadas num só tronco e alguma pesca costeira devem ter precedido ti chegada das caravelas portuguesas.

fig. 4 – canoas escavadas em troncos de árvores      fig. 5 – Caravelas portuguesas
Todos os dias surgiam nas suas terras mercados onde eram comercializados os seus artigos.
O sal servia de moeda e com ele compravam o que precisavam. Aos seus territórios afluíam povos de diversas regiões, sejam vizinhos ou os de áreas mais afastadas. Havia feiras e mercados que, vistos como um fenómeno universal, eram a sequência lógica da organização de um espaço urbano em que os produtores se obrigam a dar um destino adequado aos seus excelentes, provocando-se naturalmente a expansão das transacções comerciais, apesar de estas variarem de acordo com o volume de mercadorias que intervêm neste tipo de operações.



CONCLUSÃO

Chegamos a conclusão de que tanto a cultura do povo Bailundo como a cultura do povo do Bié faziam sentir as suas tradições e que com estas tradições foram marcando passos para demonstrar as tradições angolanas. Falar de Bailundo e Bié remete-nos na imaginação dos tempos antigos que viveram os nossos antepassados e como foram capazes de suportar a colonização dos portugueses. É muito importante cada vez mais falar desta matéria atendo a sociedade actual, então falando deste conteúdo facilita-nos ao saber a história dos nossos antepassados, como eles foram até ao fim dos seus tempos.



BLIOGRAFIA


·         LOPES, Júlio Mendes; CAPUMBA, Pedro Almeida: História 11ª Classe. 1ª Edição, Texto editores, Lda. Luanda – Angola. 2014.



ÍNDICE



sexta-feira, 27 de março de 2015

Espaços muito longos entre as palavras ao justificar certos parágrafos


Espaços muito longos entre as palavras ao justificar certos parágrafos

Coisas que várias vezes acontecem ao justificarmos um texto é o espaçamento entre palavras.

A maneira mais fácil de retirar este espaçamento é clicar no “esquema de página” (Layout da página). Clica no menu suspenso da Hifenização, clica no automático, você pode configurar mais algumas outras coisas, se quiser.



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