segunda-feira, 30 de março de 2015

Reinos do Bailundo e Bié

INTRODUÇÃO

O presente trabalho com o tema Bailundo e Bié poderemos falar das suas origens, as suas regiões e a diversidade de suas tradições. Estes povos normalmente estão localizados no planalto central (centro de Angola) que por sua vez as suas histórias foram muito marcantes na sociedade angolana. Então falar desse povo é falar um pouco da cultura e das tradições angolanas no planalto central. No entanto poderemos fazer o detalhe de cada cultura, neste caso Bailundo que pertence na província do Huambo e Bié que pertence na Província do Bié.

O Bié e o Bailundo

O primeiro ataque dos portugueses ao Planalto data de 1645, quando ainda estavam concentrados em Massangano e em luta aberta com a rainha Njinga, da Matamba. Ao procurar uma passagem para aquela região, aperceberam-se da densidade populacional existente e
até da existência de armas de fogo que a rainha tinha distribuído para evitar as tentativas de ataque e infiltração dos territórios em causa.
Um novo ataque tentado em 1660 foi novamente rechaçado. Em meados do século XVIII, os portugueses atacam o reino de Ngalangi, prendem o rei e estabelecem, em 1769, uma aliança
com o rei de Kakonda, que lhes facilita a construção do Forte de Kakonda-a-Nova.

fig. 1 – Estado do Planalto
Em 1774, começou a campanha de invasão aos reinos de Ciyaka, Ndulu, Cingolo e
Bailundo. Como não havia forças para ocupar efectivamente o terreno, eram forçados a
abandonar a região e tudo voltava ao princípio.
Em 1778, Portugal conseguiu um aliado de peso no Bié. Aquele estado era governado.
por Ndjilahulu. Os portugueses apoiaram o pretendente Kangombe, colocando-o arbitrariamente no trono e assegurando, assim, a neutralidade da região até 1890.
A segunda coligação formou-se mais tarde, em 1856, de novo chefiada pela Ciyaka, compreendendo as regiões de Cingolo e Kalukembe, embora não tenha obtido resultados positivos. Em 1876 sobe ao trono do reino do Bailundo o rei Ekuikui II. Para se libertar dos produtos agrícolas do Brasil, vai desenvolver a agricultura na região. Aliando o comércio do milho ao dos escravos, da cera, do marfim e então também da borracha, o Bailundo tornou-se no grande potentado comercial do Planalto, conhecido em toda a África Negra.
Quando Ciyoka se torna rei do Bié, estavam criadas as condições para uma aliança contra os portugueses. Em resposta, estes conquistam, mais uma vez, o reino do Ngalangi, construindo o forte do Kuango, no reino dos Ngangelas. Ciyoka morre em 1888, sucedendo-lhe e o rei Ndunduma I do Bié, que renova com força acrescida a aliança anterior.
Em 1891, os portugueses decidem passar ao ataque. Coube ao capitão Teixeira da Silva
o comando das tropas, equipadas com artilharia e guiadas por batedores boers. Ndunduma foi feito prisioneiro e desterrado para Cabo Verde, onde morreu. Foi construído um forte no Bié. reino que perde a sua independência.

fig. 2 – Actividade militar portuguesa em Angola (1579-1671)
Em 1893, morreu Ekuikui II, sucedendo-lhe Numa II. Em 1896, Teixeira da Silva atacou a capital do Bailundo, deitou-lhe fogo, matou Numa II e reduziu o reino à situação do Bié.
O Planalto do Bié é habitado pelos Ovimbundu, essencialmente agricultores, criadores de gado e ferreiros. A sua agricultura próspera permitiu produzir excedentes, que foram utilizados no comércio com povos vizinhos. Essa prosperidade económica permitiu uma  maior consolidação do poder político dos diferentes reinos existentes, nomeadamente Wambu-fundado por Wambu Kalunga-, Tchiyaka- fundado por Tchilulu-, e Ndulu ou Andulo, fundado por Katekulu-Mengu. Existiam ainda outros reinos, como o do Bailundo, fundado por Katiavala, Bié por Viye e Kakonda. Havia ainda outros reinos no Planalto do Bié nomeadamente Ngalang, Sambu, Tchivula, Tchingola, Tchikomba, Tchitata, Ekekete, Tchikuma, Kalulembe.
De todos esses Estados, o que registou maior grau de desenvolvimento foi o do Bailundo. Situado entre os rios Kuvo e Kutato, contava com cerca de 450.000 habitantes dispersos pelas/mais de 300 aldeias existentes.
É já a partir dos anos finais do século XVIII que o Bié, onde são negociados produtos
alimentares, aparece como um ponto estratégico no caminho que os portugueses encontram e que os leva até às terras do Lovale. Conhecida pelos africanos que forneciam indicações aos portugueses, esta rede comercial atravessava as terras de poderosos sobas.
O acesso ao Planalto do Bié efectuou-se através de Benguela, fundada em 1617, e que funcionou como escoadouro dos produtos transaccionados pelos povos Ovimbundu. A região em causa sofreu um surto de desenvolvimento durante o governo de Sousa Coutinho, em que foi desenvolvido um esforço enorme de edificação de novas localidades, tentando fixar novas populações de origem europeia com base na exploração agrícola.
No entanto, esta estratégia, devido à importância de que se revestia o tráfico de escravos, ao clima e às doenças, que transformavam a zona num autêntico cemitério de europeus, não vingou e a presença portuguesa na zona foi-se diluindo progressivamente. Parte das povoações tiveram que ser abandonadas e, até meados do século XIX, a independência dos povos locais não sofria contestação por parte das autoridades portuguesas.
A origem e fundação do reino do Viye não é bem clara. As tradições sobre a sua fundação e origem nem sempre coincidem. Mas existem versões que, atendendo à globalidade da História dos Ovimbundu e dos seus vizinhos Songos e Luimbis e, sobretudo os Tucokwe, suscitam alguma credibilidade De entre tantas, podemos enfatizar a que concerne o significado e origem do termo Viye (Bié), que é um conto que atesta a proveniência do vocábulo «viye», do imperativo conjuntivo na terceira pessoa do plural, do verbo umbundu okwiya" isto é, vir. Em conformidade com esse conto, um certo soberano do Bié, para resolver os contenciosos ou para fazer pagar os súbditos e aos reinos subsidiários os tributos devidos ao seu reino, exigia, antes de mais bois. O soberano fazia as suas cobranças de impostos ou taxas, usando apenas a expressão «víye» , isto é, «que venham», subentendido na frase «tere olongombe viye» isto é, «antes de mais que venham os bois, depois falaremos»
O Planalto do Bié foi ocupado pelos povos Ovimbundu, que se ocupavam primordialmente da agricultura. Desde sempre foi a região do território de Angola que possuiu maior, densidade populacional: o que se reflectiu nos altos níveis de produção alcançados, não só do ponto de vista agrícola, mas também artesanal e de exploração mineira, em especial do ferro extraído das minas do Andulo.
À medida que a produção se foi desenvolvendo, foram-se criando excedentes, que no início foram trocados internamente no âmbito do Planalto, para mais tarde serem transaccionados com as populações da costa oriental de África. Estes agricultores, artesã os , ferreiros, caravaneiros de longo curso e grandes guerreiros só muito tarde se organizaram em estruturas políticas autónomas.
Em 1671, nasce o reino do Ndulu (Andulo), organizado por Katekulu-Mengu, chefe jaga. Os reinos do Bailundo, Bié e Kakonda, formaram-se respectivamente em 1700, 1750, e 1760, o primeiro pelo chefe Katiavala da Kibala, o segundo por Vye, guerreiro e caçador do Humbe, e o último por Kakonda, um escravo fugido de Benguela. Além destes, considerados os mais importantes, outros se formaram, sobretudo no sul do Planalto, formando um conjunto de pequenos Estados, difíceis de identificar e seguramente difíceis de controlar, tal como Ngalangi, Sambu, Civula, Cingolo, Cikomba, Citata, Ekekete, Cikuma, Kalukembe e outros.

Organização territorial

Os reinos do Planalto dividiam-se também em províncias, os Tumbus, e estes em distritos. Cada Tumbu era constituído por numerosas aldeias e cada uma delas em bairros. Os chefes de todas estas organizações eram os Muene. Os da província eram nomeados pelo rei, os restantes eram nomeados pelo povo, depois de consultado o Conselho de Velhos.

Organização económica

Economicamente, o estado do Bié era potencialmente forte no domínio da agricultura,
mercê das abundantes chuvas, sendo a produção de milho e feijão muito intensa. Da criação de gado bovino, ovino e caprino aproveitavam o leite, as peles e a carne. Recolhiam produtos da floresta como o mel e a cera, e da caça aos elefantes extraíam o marfim e a pele. Sendo hábeis utilizadores da metalurgia do ferro, produziam uma série de instrumentes agrícolas, de caça e defesa que foram úteis em diversas actividades desenvolvidas pelos Ovimbundu durante os séculos da sua existência.
Com a abolição do tráfico de escravos, a região voltou a merecer a atenção das autoridades portuguesas, mais no sentido da repressão do que da implementação de um projecto de desenvolvimento autónomo. Nesta época, a presença portuguesa circunscrevia-se, a norte, às feitorias de Benguela Velha, fundada no século XVII, Novo Redondo, fundada por Sousa Coutinho, assim como Kikombo e Egípto.
As fortalezas encontravam-se em ruínas e as respectivas guarnições dificilmente se aventuravam fora das muralhas. No interior de Benguela encontrava-se Catumbela, que atingiu o auge económico entre 1864 e 1874, com o comércio da urzela, do marfim e da goma, e o Dombe Grande, cercado pelos pastores Dombes, cujo forte foi construído em 1847.
Para leste, situava-se o forte de Kakonda, criado em 1169, herdeiro da antiga Kakonda Velha, incrustada mais a oeste, na Hanha e que teve de ser abandonada por se ter tornado insustentável a sua situação. Por último, Kilengues, a sudoeste de Kakonda, antiga Salvaterra de Magos que, embora possuísse um regente e alguma tropa tal como as restantes bases, estava à mercê da vontade da autoridade política dos dirigentes dos povos locais.

Reis do Bié até ao ano de 1890

Vyie (cerca de 1750);
Ulundu I;
Eyambi I;
Njilahulu I;
Kangombe I (coroado em 1795);
Kawewe I (1795);
Morna (Vasovava Il);
Mbandua I (1833 a 1839);
Kakembembe I (1839 a 1842);
Liambula I (1842 a 1847);
Kayangula I (1847 a 1850);
Mukinda I (1850 a 1857);
Nguvenge I (1857 a 1859);
Konya Cileno (1860 a 1883);
Njamba Ya Mina I (1883 a 1886);
Cyioka I (1886 a 1888);
Ndunduma I (1888 a 1890).

O BAILUNDO

Para controlar mais eficazmente o comércio no interior de Angola e melhor enfrentar a resistência dos Ovimbundu, as autoridades coloniais tinham criado, a partir de 1620, diversos decretos e leis proibindo o comércio e a penetração no interior de Angola para fins comerciais, mas Sousa Coutinho revogou-os, considerando que apenas tinham favorecido o contrabando. Na sequência de tais reformas, os comerciantes europeus procuraram penetrar profundamente nas áreas rurais, Alguns deles chegaram a construir fortalezas individuais guarnecidas por escravos e servos, recrutados entre os africanos que encontravam nas áreas rurais, Em resposta a essa penetração e aos Bailundo movimentos comerciais cada vez mais intensos na sua região, os -reis Ovimbundu, que não reconheciam o poder e as leis e decretos coloniais, passaram a exigir impostos de ocupação territorial e taxas aduaneiras de circulação de bens comerciais.

fig. 3 – Bailundo
Face às exigências dos reis Umbundu de introduzir taxas de produção e de impostos aduaneiros aos comerciantes europeus que quisessem atravessar o seu território, alguns desses comerciantes aceitaram as condições impostas pelos reis Umbundu, mas outros não aceitavam submeter-se ao pagamento de impostos de presença no território e das taxas aduaneiras de penetração e transacções comerciais no território Umbundu e preferiam retirar-se outra vez para a costa, deixando mais uma vez aos Ovimbundu o monopólio do controlo e do comércio dos produtos do interior para a costa e vice-versa.
Os comerciantes que não aceitavam viver sob as instituições dos reis africanos levavam uma vida muito difícil e uma situação económica muito precária, Os que aceitavam pagar taxas e impostos chegavam inclusive a construir ou a consolidar as suas fortalezas ou presídios guardados por escravos, mas com o passar do tempo, e não conseguindo engrenar perfeitamente na estrutura socioeconómica Umbundu, esses comerciantes europeus acabavam praticamente por tornar-se vassalos dos reis Umbunc1us que se encontravam na zona, Para melhor controlar o interior, as autoridades coloniais passaram a construir fortes ou presídios nas áreas rurais, Os novos presídios guardados por militares passaram a ser constantemente atacados pelos Ovimbundu, que se recusavam a reconhecer as leis e as autoridades coloniais.
As tensões e os confrontos que se levantaram entre os Ovimbundu e os comerciantes portugueses e as autoridades coloniais foram-se tornando cada vez mais frequentes e sangrentas e levaram a uma guerra sangrenta na região do Planalto Central de 1774-1776 entre as autoridades coloniais e os chefes tradicionais Umbundu tendo sido muitos deles mortos ou feitos prisioneiros em muitos dos reinos incluindo no reino do Mbalundu (Bailundo) e no do Ndulu (Andulu).
Esse conflito, generalizado, foi tão violento para as duas partes, que acordaram, pelo
menos por algum tempo, engrenar numa convivência pacífica no respeito dos interesses
uns dos outros, numa espécie de aliança de tolerância.
Todavia, esta espécie de aliança de tolerância não atenuou os pressupostos da tensão e
das incompreensões. Não obstante a dura experiência que ficou na memória dos Ovimbundu e dos comerciantes portugueses desse período, os conflitos continuaram em diversas zonas do Planalto Central, onde os chefes tradicionais viram nas consequências dessa
guerra um apelo a tréguas estratégicas, mas não a uma aceitação da rendição, enquanto as
tentativas dos portugueses de dominar os Ovimbundu e de controlar o comércio e as
riquezas do Planalto Central redundavam em insucesso.

O comércio de longa distância dos Mbundu

As primeiras notícias escritas sobre a prática de comércio entre os Mbundu, mais concretamente no reino do Ndongo, foram dadas por missionários jesuítas (portugueses e castelhanos), que integraram a comitiva de Paulo Dias de Novais, aquando da sua primeira viagem às terras de Ngola Kiluanje em 1560, movidos pela ambição da expansão comercial e das suas potencialidades minerais.
É de entender que a parte Atlântica dos Mbundu, ao contrário das frentes norte e leste, não dispunha de comunicações activas com o mundo exterior. Deve ter existido um tráfico marítimo local, de têxteis e sal, praticado ao longo da costa, tal como existiu na África Ocidental. Canoas escavadas num só tronco e alguma pesca costeira devem ter precedido ti chegada das caravelas portuguesas.

fig. 4 – canoas escavadas em troncos de árvores      fig. 5 – Caravelas portuguesas
Todos os dias surgiam nas suas terras mercados onde eram comercializados os seus artigos.
O sal servia de moeda e com ele compravam o que precisavam. Aos seus territórios afluíam povos de diversas regiões, sejam vizinhos ou os de áreas mais afastadas. Havia feiras e mercados que, vistos como um fenómeno universal, eram a sequência lógica da organização de um espaço urbano em que os produtores se obrigam a dar um destino adequado aos seus excelentes, provocando-se naturalmente a expansão das transacções comerciais, apesar de estas variarem de acordo com o volume de mercadorias que intervêm neste tipo de operações.



CONCLUSÃO

Chegamos a conclusão de que tanto a cultura do povo Bailundo como a cultura do povo do Bié faziam sentir as suas tradições e que com estas tradições foram marcando passos para demonstrar as tradições angolanas. Falar de Bailundo e Bié remete-nos na imaginação dos tempos antigos que viveram os nossos antepassados e como foram capazes de suportar a colonização dos portugueses. É muito importante cada vez mais falar desta matéria atendo a sociedade actual, então falando deste conteúdo facilita-nos ao saber a história dos nossos antepassados, como eles foram até ao fim dos seus tempos.



BLIOGRAFIA


·         LOPES, Júlio Mendes; CAPUMBA, Pedro Almeida: História 11ª Classe. 1ª Edição, Texto editores, Lda. Luanda – Angola. 2014.



ÍNDICE



sexta-feira, 27 de março de 2015

Espaços muito longos entre as palavras ao justificar certos parágrafos


Espaços muito longos entre as palavras ao justificar certos parágrafos

Coisas que várias vezes acontecem ao justificarmos um texto é o espaçamento entre palavras.

A maneira mais fácil de retirar este espaçamento é clicar no “esquema de página” (Layout da página). Clica no menu suspenso da Hifenização, clica no automático, você pode configurar mais algumas outras coisas, se quiser.



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Análise do estudo clínico


Análise de estudo de casos clínicos            
Vítima do amor
T. tem25 anos de idade e é uma estudante do segundo ano de Direito que vem à consulta por insistência de um dos seus professores. Está convencida de que este, um homem casado com 45 anos de idade, se encontra secretamente apaixonado por ela. T. Disse que começara a suspeitar dos sentimentos que o professor nutria por ela devido à maneira como a olhava e à forma amistosa como respondia às suas perguntas depois das aulas. Convenceu-se de que as correcções que o professor fazia aos seus testes jurídicos eram mensagens de amor codificadas. Respondeu a este comportamento escrevendo-lhe cartas e oferecendo-lhe pequenos presentes, como gravatas e livros. O professor começou por aceitá-los, mas rapidamente passou a devolvê-los, dizendo que não era apropriado, devido à sua relação profissional, que ele continuasse a aceitar essas ofertas. Em vez de desencorajar a aluna, esta atitude fez com que ela ainda mais se convencesse de que ele estava profundamente apaixonado por ela e travava consigo mesmo um terrível combante para não declarar as suas intenções. Começou a telefonar ao professor, para lhe fazer perguntas sobre os trabalhos escolares, sem qualquer necessidade para tal. Em seguida, começou a telefonar-lhe para casa e a manter com a mulher do professor conversas que a convenceram de que marido e mulher já se não amavam.
Finalmente, num dia em que já não conseguiu conter por mais tempo os seus sentimentos, declarou-se ao professor, no próprio gabinete dele na universidade. Chocado, embaraçado e surpreendido, ele refutou que sentisse qualquer atracção física ou intenção em relação a ela. T., então, encolerizou-se e acusou-o de a ter seduzido, embora declarasse que, apesar da forma deplorável como a tratara, ela haveria de o amar eternamente. Afirmou-lhe que sabia que ele a amava em segredo e que continuava com a mulher e a família apenas por uma errada questão de lealdade, e desafiou-o a fazer o que a voz do coração lhe ditava. Quando a aluna começou a deixar longas e sugestivas mensagens no seu gravador de chamadas, o professor sentiu-se seriamente alarmado e avisou T. De que poderia ser presa por tal comportamento. Ameaçou-a com a polícia e que a mandaria retirar da aula, caso não procurasse tratamento.
Durante a avaliação inicial, T. Mantém que não é a maluca que todos julgam, mas que vem ao tratamento apenas para satisfazer a condição imposta pelo seu “amante”, para que possa continuar na aula e estar próxima do homem que ama e que, está convencida, a ama verdadeiramente, apesar de negar. Afirmou estar persuadida de que ele lhe telefona e desliga, a segue pelas instalaçõs da universidade e pôs um dispositivo de escuta no seu telefone. T. Teve 2 episódios anteriores em que se julgava amada por alguém que “se recusou a admiti-lo”. O primeiro implicou um dos seus professores do liceu e o segundo o sócio do seu pai, quando estava na faculdade. Quando este segundo episódio terminou terminou, de forma extremamente humilhante, T. Tentou suicidar-se, tomando uma overdose de 40 aspirinaxs. Estas duas ocasiões foram os únicos momentos em que T. Se sentiu apaixonada ou julgou que alguém estava apaixonado por ela. À axcepção destes 3 incidentes, T. Tem funcionado muito bem.   

·         Dados biográficos
Nome: T.
Idade: 25 anos de idade.
Profissão: ocupação estudante.
Estado cívil: solteira.
·         Queixa principal / Motivo da consulta
Foi à consulta por insisténcia dos pais. Esta convencida que um homem a sabe está sinceramente apaixonada por ela.
·         Histórico do paciente
Antecedentes pessoais: T. Teve 2 episódios anteriores em que se julgava amada por alguém que se recusou admiti-lo. O primeiro implicou um dos seus professores do liceu, E o segundo episódio o sócio do seu pai, quando estava na faculdade. O terceiro foi à consulta por insisténcia dos professores.
Antecedentes famíliares:
·         Sinais e sintomas (ideias delirantes não bizarras).
·         Factores predisponentes (está associado aos dois episódios anteriores).
·         Factores causais(um dos professores do liceu, o sócio do seu pai quando estava na faculdade).
·         Possível diagnóstico (Perturbação delirante, tipo Erotomaníaco).


Vítima de comportamento duvidoso
O sr. M., de 32 anos de idade vem à consulta obrigado pelo seu amigo que relata atitudes duvidosas no seu comportamento. Com efeito, o Sr. M. Recusa terminantemente estar ligado à aspectos da sua história pessoal relatada pelo seu irmão mais velho. Esta situação tem repercurssões ao nível da sua vida, uma vez que, frequentemente, empreendes esforços frenéticos, de relembrar todo seu percurso hsitórico. A mãe relata que parece apresentar personalidades diferentes. Ela o obrigou a ir ao médico, sendo que, de todas as vezes, acabou por evidenciar falta de memória da sua identidade e da sua iamgem. Quando questionado acerca dessa atitude o Sr. M. Afirma que teve a nítida sensação de que está associada ao desconhecimento do seu nome, mostrando-se passivo, dependente, culpado e deprimido.
Para ir trabalhar, o Sr. M. Necessita de controlar continuamente a sua roupa, alegando perseguição da família. Já no transporte público, sendo que, ultimamente, por recear esquecer-se da sua paragem, tem optado por duas situações, ou escrever repetidamente o nome do lugar da paragem ou opta por desvalorizar a sua assiduidade. No regresso do trabalho, tenta mudar de rota, pisca rapidamente os olhos, apresenta alterações na expressão facial. Quando consegue falar, chega a mudar constantemente o curso do pensamento, com dificuldades em fazer-se entender. Por este motivo foi avisado, há cerca de uma semana, que o seu trabalho estava em risco.
O Sr. M. Irrita-se facilmente, e diz ter acesso ao seu consciênte através de alucinações visuais ou auditivas (diz ver vultos, ouvir vozes que dão ordens e instruções). Este comportamento é desmentido pela mãe. O Sr. M. Fica ainda profundamente incomodado e manifesta raiva intensa quando se lhe lembram peças de roupas que o sujeito não se lembra ter comprado. As pessoas ficam admiradas quando percebem que o Sr. M não tem memória da sua infância adolescência e mesmo da sua idade adulta.
Os exames médicos não revelaram qualquer patologia clínica, bem como descartaram abuso de qualquer tipo de substâncias. No entanto, mesmo no contexto de consultas apresentou brigas constantes manifestando vazio crónico. Nestas situações colocou a mãe a fazer referência do seu passado.
O técnico de psicologia do caso do Sr. M. Encontra-se indeciso, em termos de diagnóstico clínico.     

·         Dados biográficos
Nome: M.
Idade: 32 anos de idade.
Profissão: ocupação trabalhador.
Estado cívil: (      ).
·         Queixa principal / Motivo da consulta
Vem à consulta obrigaddo pelo seu amigo que relata atitudes duvidosas no seu comportamento.
·         Histórico do paciente
Antecedentes pessoais: afirma esta atitude do comportamento, que teve a nítida sensação de que está associada ao desconhecimento do seu nome, mostrando-se passivo, dependente, culpado e deprimido.
Antecedentes famíliares: o sr. M. Vem à consulta obrigado pelo seu amigo que relata atitudes duvidosas no seu comportamento. O sr. M. recusa terminantemente estar liagdo à aspectos da sua história pessoal relatada pelo seu irmão mais velho. Também a mãe relata que parece apresentar personalidades diferentes.
·         Sinais( escreve repetidamente o nome do lugar de localização, pisca rapidamente os olhos, apresenta alterações na expressão facial, quando fala chega a mudar constantemente o curso do pensamento, irrita-se com facilidade.
·         Sintomas( défice na memória, alucinações, ).
·         Factores predisponentes ( falta de memória da sua identidade e da sua imagem)
·         Factores causais( está associado ao desconhecimento do seu nome, mostrando-se passivo, dependente, culpado e deprimido. A falta de memória e da sua identidade e da sua imagem).
·         Possível diagnóstico (Possível perturbação dissociativa da identidade).


O Povo Lunda Tchokwe

INTRODUÇÃO
O presente que nos foi conferido na disciplina de História tem como tema as organizações sócio-políticas e culturais entre o século III e XV no território que é Angola: O Reino dos Tchokwe.
Tem por finalidade de fazer uma abordagem geral, sobre a organização sociopolítica e cultural, do povo Tchokwe, isto é séculos III e XV. Desde o seu modo de organização, sua origem, seu modo de vida cultural.
Por outro lado faremos uma abordagem específica do povo Tchokwe desde o seu modo de vida, a constituição do reino, a cadeira do rei, os seus grupos étnicos linguísticos, a sua cultura e escultura a cadeira do rei e a máscara Mwana Pó, por fim a sua localização.



LUNDAS E TCHOKWES
O Reino Lunda, que no Séc.XVII chegou a ser um dos grandes potentados de Africa, foi fundado no início do Séc.XVI, por Mwatiânvua e sua mulher Lukocheka.
Segundo a tradição lunda, Mwatiânvua era descendente de Lweji, filha de Kondo grande chefe lunda, que era casada com o grande caçador Luba Tyibinda Ilunga. Depois da morte de sua mãe, Muatiânvua, submeteu várias tribos lundas e formou um Reino, nos finais do séc. XVI.
Embora fosse um Reino só e coeso em todos os aspetos e sentidos, Mwatiâmvua governava a metade Norte e a Rainha Lukocheka reinava na metade Sul. Tinham poderes iguais, e as decisões que fossem concernentes ao Reino como um todo, eram baseadas no consenso dos dois, ajudados pelo conselho de séculos (velhos).
Depois de lutas com os Tchokwé até ao fim do século XIX, os Tchokwé sublevaram-se definitivamente, forçando as barreiras de governantes lunda que os cercavam e expandiram-se rapidamente para norte e sul.
Há muitos séculos atrás os Lundas e tchokwes tinham sido um povo só. Saíram do mesmo núcleo, a grande diferença é que os Lunda ficam no seu território desde sempre, os tchocwe transformam-se num grupo de extrema mobilidade que a partir do século XVI percorre todo o país. São essencialmente caçadores e comerciantes saindo, por isso, em busca de marfim borracha, etc. Essa extrema mobilidade não lhes permite desenvolver estruturas políticas tão pesadas como era a hierarquia da Mussumba, por isso fazem aquilo que se chama a diáspora Tchokue, inflectem para o sul, dividem os Nganguela ao meio. Angola tem Tchokwe em todo o território. No final do século XIX os Tchokwe regressam ao seu território de origem, tomam, militarmente, o poder dos Lunda e absorveram as suas instituições.
Em 1885, ocorre a primeira invasão Tchokwé, que munidos de armas capturaram seis mil lundas, após Musumba, a capital do império, ter sido saqueada. Dois anos depois, em Janeiro de 1887, ocorre uma nova invasão Tchokwé. Musumba foi incendiada e os lunda ficaram sob domínio Tchokwé, até ao final do século XIX.

Os Tchokwé estabeleceram então o seu próprio reino com a sua língua e costumes. Os chefes lundas e o povo continuaram a viver na região lunda porém diminuidos de poder.
A expansão dos Tchokwé levou-os para além das fronteiras de Angola, encontrando-se grandes núcleos na República Democrática do Congo e na Zâmbia.
DOMINAÇÃO EUROPEIA
No início da era colonial (1884) o coração da terra lunda foi dividido entre a Angola portuguesa, o Estado Livre do Congo do rei Leopoldo II da Bélgica e o noroeste da britânica Rodésia, que viriam a tornar-se em Angola, R.C.Congo e Zâmbia, respectivamente.
Em 1908, o Estado Livre do Congo deixa de ser propriedade da Coroa e torna-se colónia da Bélgica, sob o nome de Congo Belga, permanecendo assim por quase 60 anos. Por sua vez, o Império Lunda – inicialmente repartido entre o reino Portugal e o Estado Livre do Congo –, encontrava-se, desde meados do século XIX, em decadência, já que “o poder do Mwant Yaav, em larga medida apoiado no comércio de escravos, acabou por ser afetado pela abolição deste tráfico”.
CADEIRA DE UM SOBA LUNDA
No início do século XX, após a expulsão dos Tchokwé que acabaram sendo vencidos pelas forças coloniais portuguesas, por volta de 1920, o Império Lunda já havia perdido alguns territórios e muito do seu poderio inicial. Diz-nos Manuela Palmeirim que “é decorrente deste contexto histórico que muitos grupos distintos a nível linguístico se encontram frequentemente designados na literatura como ‘povos lunda’, hoje grupos inteiramente autónomos mas que, outrora, partilharam uma unidade política comum sob a autoridade do Mwant Yaav e que reconhecem esta ligação através de um corpus de tradições orais. Podem ser referidos como “lunda” – para além do próprio grupo a partir do qual o império se originou e que ficariam conhecidos na literatura por ‘lunda do Mwant Yaav’ (os aruwund) – os ndembu (ou lunda-ndembu), os yaka, os luvale (também designados por lunda-baluvale ou lwena), os imbangala (reino de Kasanje), as gentes do Luapula sob o domínio do rei Kazembe.
AS VARIANTES LINGUÍSTICAS
Os Lunda-Tchokwé são o grupo etnolinguístico predominante do nordeste de Angola, tendo-se estabelecido, em finais do século XIX, nas províncias administrativas da Lunda-Norte, Lunda-Sul e Moxico, mas estendendo-se, posteriormente, até ao interior da província da Huíla.
Segundo Vatomene Kukanda, este grupo apresenta poucas variantes linguísticas. Na província da Lunda-Norte predominam o lunda, o cokwe (kioku), o mataba, o kakongo ou badimba e o mai. Na província da Lunda-Sul: o Tchokwé (kioku). Em uma parte da província do Moxico: o lunda-lua-shinde, o lunda, o ndembo e o Tchokwé (kioku). Noutra parte das províncias do Bié e do Kuando-Kubango: o cokwe (kioku).
O ARTESANATO LUNDA E OS DESENHOS NA AREIA
Apresentavam, em 1960, uma população de 360 mil pessoas, que se espalhavam por milhares de quilómetros quadrados, não apresentando, por este fato, uma população densa. Por tradição, são caçadores savânicos, embora hoje vivam da agricultura.
- Máscara Lunda
São também grandes artistas a trabalhar em ferro ou madeira. José Redinha revela-nos que os Tchokwé constituem a parte que mais se destaca neste grupo etnolinguístico e que a designação Lunda-Tchokwé é, a bem dizer, de ordem histórica, porque, na realidade, quem predomina são os Tchokwé.
- Escultura Lunda
Para além de hábeis em várias espécies de artesanato, os Tchokwé (kioku) ou Quiocos (na forma aporteguesada), estando na aldeia ou no acampamento de caça, sentados à volta da fogueira ou à sombra de árvores frondosas, costumam passar o tempo a conversar e vão ilustrando os temas dessas conversas com desenhos na areia. Muitos desses desenhos, de acordo com Paulus Gerdes, pertencem a uma velha tradição. Referem-se a provérbios, fábulas, jogos, animais, etc. Acabam por desempenhar um papel importante na transmissão do conhecimento e da sabedoria de uma geração para a seguinte.
Em 1906 - Revolta dos Luchazes, 1908 - Revolta dos Lunda Tchokwes dirigida por Quelendende (Muene Luchico) que o governo Português denominou de rebelião, como sempre acontece, quando o dono da terra reclama o colonizador chama a reclamação de REBELIÃO, e finalmente em 1916 – Revolta dos Luchazes, dos Bundas e dos Lunda Tchokwes e, entre 1950 a 1960 foi criada a ATCR – Associação de Lunda Tchokwes de Angola, Congo e Rodesia, actual Zâmbia para a renegociação dos tratados com as potências Europeias ocupantes do Imperio Lunda; Bélgica, Portugal e o Reino Unido da Inglaterra, acção que não teve êxito, primeiro devido a fraca participação dos filhos Lundas ao projecto ATCAR, falta de visão e a incerteza do futuro por parte de alguns intelectuais da época.
Portanto, a questão da reivindicação da Independência da Nação Lunda Tchokwe, sob ocupação estrangeira, não é um assunto de hoje, ela data do início do século passado, as provas da época o descreve, Portugal, Bélgica e a Inglaterra são testemunhas desta reivindicação.
Confirmada na portaria régia de 24 de Março de 1884,que determinou a organização da exploração científica Portuguesa ao Muat Yanvua, cuja chefia foi confiada ao major do exército Henrique Augusto Dias de Carvalho, que passando o Reino de Kassanje, descreve assim a região: Não tivemos dificuldades para atravessar esta região à excepção de termos de atravessar as enchentes dos rios, e molharmo-nos com as chuvas quase constantes, mas quando nos aproximamos a tribo denominada Lunda Tchokwe, fomos tão incomodados com multas lançadas pelos mais frívolos protestos que mudamos a nossa rota. A multa é uma pena passiva aplicada ao infractor, quem paga a multa dentro de um território não é Soberano. Não é imposto que advêm de rendimento de trabalho.
Como a partir de 1885 até 1975, e, nos acordos do Alvor, não houve com o governo Português o acordo de integração da Nação Lunda Tchokwe a Angola, a actual integração a Angola feriu com o direito Internacional da Lunda Tchokwe como Nação Livre.
O Governo Português não abordou a questão da Nação Lunda em 1975, fez a mesma coisa com o TIMOR LESTE, deixando o direito intacto pelos ascendentes que nós descendentes, estamos a reivindicar, com justa causa, para além das discriminações, é um direito legítimo natural e transcendental que a Nação Lunda Tchokwe tem.
Informações sobre os acordos de alvor, dão-nos conta de ter havido negociações secretas entre os signatários: Drº Jonas Malheiro Savimbi, Drº António Agostinho Neto, Sr. Holden Roberto e a Delegação Portuguesa, de silenciarem a “Questão do protectorado da Lunda Tchokwe”, em que os três líderes dos três movimentos FNLA, MPLA e a UNITA, teriam dito ao governo português que o mais importante era a independência de Angola outros diferendos seriam resolvidos entre irmãos, e o MPLA tQuando Kundi, o sucessor de Iala Maku, envelheceu, a harmonia entre os povos lundas estremeceu. Quem seria o sucessor do velho Kundi? Um dos rapazes? – O Tchinguri ou o Tchinhama? - Ou a menina, Lweji, a mais jovem filha da segunda esposa? Dizem que os irmãos não se entendiam. Tchinguri era o mais afoito e Tchinhama o mais ponderado. Porém, numa tarde, os dois irmãos irromperam embriagados de vinho de palma pela tchota (palácio) do pai e maltrataram-no, ambos querendo sucedê-lo.  O velho, meio cego, no seu leito de morte, amaldiçoou-os e logo ali avisou que nenhum deles seria o seu sucessor. Chamou os macotas (anciãos) e informou da sua decisão de entregar o poder a Lweji, meia-irmã de Tchinguri e Tchinhama. Iria agora começar na Mussumba (povoação) o império Muatyânvua, constituído que foi o casamento de Lweji, a nova rainha lunda, com o caçador baluba Tchibinga Ilunga.
Várias são as versões contadas sobre este império. Embora todas elas interessantes, optamos pela versão do engenheiro Sá Vicente, no livro A Lunda, os diamantes e a Endiama. Das várias conversas que tivemos com alguns mais-velhos da Lunda-Norte, sem querer meter a foice em seara alheia, apelamos aos historiadores que nos deixem romancear mais uma vez esta maravilhosa epopeia.

Assim que o velho Kundi morreu, Lweji recebeu o lukano (pulseira feita com tendões humanos que simboliza o poder) e de imediato é conduzida à chefia dos Lundas. Lweji, digo a bela Lweji (Lua em português), já que se diz que era uma jovem de extraordinária beleza, mas também munida de muita inteligência, foi governando os Lundas com a prestimosa ajuda dos mais velhos, os macotas.
Um belo dia, vindo do Leste, apareceu Tchibinda Ilunga, um caçador da etnia luba, também de sangue nobre, neto do fundador do segundo império luba, Mutondo Mukulo (árvore velha) que com as suas gentes desafiou os lundas caçando nos seus domínios. Tchibinda Ilunga (tchibinda significa caçador) não trazia mulheres no seu séquito. Somente o acompanhavam homens, caçadores e guerreiros, e ele era, para além de destemido, conhecedor da pólvora e da arma de fogo da altura – o canhangulo (arma de carregar pelo cano), que iria revolucionar para sempre aqueles povos, ao contrário dos lundas que ainda estavam no tempo da zagaia (arco e flecha), que embora conhecedores do ferro, ainda desconheciam a pólvora.
Lweji apaixonou-se de imediato pelo corajoso caçador com quem se casou, contra o que lhe era permitido, já que o seu povo praticava a endogamia, que a obrigava a contrair matrimónio unicamente dentro da sua tribo. Para agravar ainda mais a situação, entregou-lhe o lukano, a pulseira dos antepassados que representa o poder.
Tchinguri, o primogénito, e Tchinhama, já de si agastados com o casamento com o estrangeiro Ilunga, com a entrega do lukano viraram-se contra a irmã. Nada conseguiram, porém, já que o poder dos guerreiros lubas e dos canhangulos de Tchibinda suplantavam o arco e a flecha usados pelos lundas.
É Lweji, mais uma vez, quem sai a ganhar e expulsa os dois irmãos da tribo, embora se diga também que os próprios a terão abandonado de sua própria iniciativa, depois desta ter pedido a Tchibinda que lhes ensinasse os seus conhecimentos sobre a arma e a pólvora.
Tchinguri, o mais agressivo, rumou para ocidente e estabelece-se às portas de Luanda, tendo sido recebido pelo governador português D. Manuel Pereira Forjaz, com quem fez aliança ajudando-o a combater os povos do interior, e de quem recebeu em troca o título de Jaga (Grande chefe) e também a oferta de terras na região de Ambaka e do Golungo Alto. Acabou, finalmente, por se estabelecer na Baixa do Cassanje, fundando o jagado dos bangalas.
Tchinhama, por sua vez, acompanhado da sua tia Anguina Cambamba e pelo chefe guerreiro Andumba Uá Tembué, subiram o rio Cuango até às suas cabeceiras onde se fixaram, formando as tribos kiokas ou tchokwes, que são os povos que, descontentes com o casamento de Lwéji com o caçador Luba Tchibinda Ilunga, se separaram dos lundas, seguindo o caminho dos desavindos irmãos. Entretanto, os vários Muatas que acompanharam Tchinhama e Andumba Uá Tembué foram-se separando para formarem estados independentes. Esta é uma versão contada na Lunda-Norte, que não obtém consenso naquelas paragens, já que os lubas, partidários de Tchibinda Ilunga, defendem o seu herói. Os lundas, que ficaram com Lweji e Tchibinda, defenderam a sua rainha, e os partidários de Tchinguri e Tchinhama terão certamente a sua versão sobre este caso, que remonta ao início do século XVII.
Entretanto, a Lunda não é só história, é detentora de colossais reservas de diamantes, descobertos em 1912 pelos prospectores da Forminiére, que encontraram sete diamantes no rio Musalala, um afluente do rio Chiumbue, próximo do que é hoje a cidade do Dundo. Em 1917, sob domínio português, criou-se a companhia Diamang, detentora do monopólio da extracção de diamantes e do comércio naquela região. Finalmente, em 1984, criou-se a Endiama, a companhia angolana que controla até agora a exploração dos diamantes angolanos.  
Com uma colossal superfície de 103.760 Km2, a Lunda-Norte possui apenas, segundo estimativas, 800 mil habitantes, que se dividem em vários grupos étnicos, como os cokwe, lunda, kakhongo ou bandinga, baluba, musuku, bondo bangala, khoji, khari, xinje matapa, bena may, kakhete e songo. Os lundas são exímios escultores e é da sua autoria a famosa estatueta do Samanyonga (pensador) e a de Tchibinda Ilunga, o famoso guerreiro-caçador que se casou com a Lwéji. Tchibinda é sempre representado com uma arma na mão, enquanto que Samanyonga se apresenta sentado de cócoras, agarrado à cabeça no acto de pensar.
A mulher não deixa de ser lembrada em escultura, sendo a máscara Mwana Pó uma peça de grande beleza e muito destacada pelos artistas tchokwé. A máscara é exibida normalmente por um bailarino vestido de mulher, para entretimento da sociedade, que imita as virtudes da mulher e os seus devaneios. 
Caçadores por natureza, os homens lunda-tchokwés não se dedicam à agricultura, que é uma tarefa somente atribuída às mulheres, enquanto os homens se dedicam, além da caça, ao artesanato, à arte ferreira e mesmo à pesca, abundante nos inúmeros rios que sulcam esta província.
A dança e a música são também muito comuns e fazem parte do dia-a-dia das festividades lunda-tchokwé. As danças mais vulgares, dançadas ao som de diversos batuques, xilofones e idiofones, são Akixi Cianda, Ulengo, Makopo, Cisela, Diximbi Kundula-Ve, Canga, etc. Como entretenimento, os mascarados actuam nas cerimónias de entronamento dos grandes chefes. Os Akixi e Cikuza dançam principalmente na cerimónia da Mukanda, referente à circuncisão masculina. Já a dança Cikungu é usada no acto de investidura dos grandes chefes tradicionais.
Hoje a Lunda-Norte tem a sua capital no Dundo, antiga sede da companhia de diamantes Diamang, e está prevista a construção de uma nova cidade, já que a estrutura colonial, que se situa no município do Chitato, compõe-se apenas de uma rua onde está situado o palácio, um hospital e algumas casas de comércio.
O MUSEU DO DUNDO
O emblemático Museu do Dundo foi criado em 1936, com a finalidade de estudar a área cultural, as populações lunda-tchokwe e os povos circunvizinhos, potenciais trabalhadores da antiga Diamang, a poderosa empresa de diamantes.
Com os trabalhos da sua implantação conduzidos pelo etnólogo José Redinha, a construção do edifício central do museu foi iniciada em 1942, tendo sido somente finalizada em 1948. Congrega áreas de etnografia, história natural, arqueologia e paleontologia. Possui 14 salas de exposição, sendo 12 permanentes, uma de folclore e outra de exposições temporárias. Com uma colecção etnográfica de cerca de 10 mil peças, já foi considerado um dos maiores a sul do Saara.

Estão publicados diversos trabalhos de pesquisa da região lunda-tchokwe, realizados por diversos investigadores de renome, como Luoise Bastin, Manuel Laranjeira, Henri Breuil e José Redinha.
Hoje o edifício do museu está completamente reabilitado, estando em curso a preparação das salas de exposição permanente, no sentido da sua breve reabertura ao público. A Lunda-Norte brilha novamente, como os diamantes que são extraídos das suas entranhas.



CONCLUSÃO
Depois de longas investigações chegamos a conclusão de que o povo tchokwe tinham sido um povo só, saíram do mesmo núcleo. A grande diferença é que os Lundas ficam no seu território desde sempre, ao passo que os tchokwe transformam-se num grupo de extrema mobilidade que a partir do século XVI percorre todo país. São essencialmente caçadores e comerciantes em busca de marfins, borracha, que lhes permite desenvolver as estruturas políticas tal como a hierarquia da mussunda.



BIBLIOGRAFIA
Kizerbo, Joseph. História de África Negra, Vol. I, Publicações Europa – América, 1999.
M´bokolo, Elikia, África negra – História e Civilizações até ao século XVIII, 1ª Edição portuguesas, Editora Vulgata, 2003.
O povo Lunda. Disponível em: http://www.africafederation.net/Lunda_3.htm. Acessado aos 27 de Março de 2015, pelas 14h30min.
Thornton, Jhon K. A África e os africanos na formação do mundo atlântico: 1400 – 1800. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.