sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

A comunicação empresarial

INTRODUÇÃO

As formas de comunicação apregoada como a chamada “revolução da informação”, mudaram muito as diferentes abordagens e perspectivas desenvolvidas nas organizações. Atualmente, na medida em que o mundo vai se globalizando, aumenta ainda mais a importância da informação. Nesse sentido, muitas organizações têm procurado demonstrar a importância que a comunicação organizacional vem assumindo em face do novo cenário globalizado. Com a constante busca por uma administração cada vez mais eficiente, a comunicação tem desempenhado um papel importante e conquistando um lugar de destaque nas organizações.
Definida pelos autores Chiavenato (2003) e Hampson (1992), como uma atividade administrativa, a comunicação é composta por dois propósitos principais, a saber: estabelece informações e compreensões necessárias para conduzir as pessoas em suas atividades e desenvolve atitudes necessárias voltadas para o estímulo, interação grupal e satisfação nos cargos. Esses dois propósitos, em conjunto, proporcionam a criação de um ambiente que conduz a um espírito de equipe e a um melhor desempenho na realização das tarefas.
Porém, algumas barreiras são encontradas nos processos de comunicação. O primeiro desses problemas é a sobrecarga de informações, em que as informações são transformadas ou alteradas ao longo do processo. Bateman e Snell (2006), explica muito bem esse problema, pois “grande parte da informação não é muito importante, mas seu volume faz com que muitos pontos relevantes se percam”.
Um segundo problema é a falta de abertura, que ocorre quando os administradores ou subordinados retêm as informações mesmo quando compartilhá-las é extremamente importante. O terceiro problema é a filtragem, que está relacionada ao receptor que retém, ou seja, ignora ou pode até distorcer as informações. Um quarto problema é o jogo da culpa, isto é, em que as pessoas culpam a comunicação, mas, na realidade, o problema está na incompetência das mesmas.
Dentro deste contexto, pretende-se, com este trabalho, demonstrar a importância da comunicação nas organizações, abordando o gerenciamento eficaz como estratégia crucial para o sucesso de uma organização. Para tanto, se faz necessário fazer uma abordagem geral do assunto, bem como uma investigação acerca dos seguintes temas: comunicação, comunicação de cima para baixo, de baixo para cima, Comunicação face a face, comunicação horizontal, comunicação entre os gêneros e comunicação intercultural.
Entendendo-se que a fonte de pesquisa foi de dados secundários, esta envolveu obras literárias em geral, como: livros, artigos, periódicos, anais, bancos de dados, relatórios, teses, dissertações, etc. Como também, meios eletrônicos. Os dados secundários são divididos, segundo Malhotra (2001) em: dados internos e dados externos. Os dados secundários deste estudo foram coletados de dados externos, utilizando como instrumento de coleta a pesquisa bibliográfica, consistindo em materiais publicados e dados disponíveis em home page da internet. As principais abordagens são de Bateman e Snell (2006).

COMUNICAÇÃO

A comunicação é atualmente um elemento indispensável dentro da estrutura organizacional e dentro de qualquer forma de relacionamento humano. Por isso, deve ser bem estudada e aplicada para que os objetivos organizacionais possam ser alcançados. Tanto é assim que existem grandes redes de informação e comunicação servindo para o tráfego de sons, imagens e dados. A internet diminuiu muito as distâncias e, por conseguinte, minimizou as dificuldades de comunicação antes existentes nas empresas, principalmente nos conglomerados espalhados por um ou mais país. Todavia, os excessos de informação confundem o campo conceitual da noção de comunicação.
Para Cahen (1999) e Chiavenato (2008), uma comunicação ocorre quando uma informação é transmitida a alguém, e é então compartilhada também por esse alguém. Assim, para que haja comunicação, é necessário que o destinatário da informação recebe-a e compreenda. Neste contexto, o comunicador tem que ser bem claro na comunicação, principalmente para evitar a confusão de conceitos e ideias.
Não obstante, muitas organizações acreditam que basta que a informação seja disseminada internamente e/ou externamente que já está realizando a comunicação, como o texto acima descreve se o receptor dessa informação não compreender não houve comunicação, talvez esse seja um dos problemas que levam a distorção desse processo.
Nesse sentido, uma das maneiras correta de se verificar se a informação está sendo compreendida pelo receptor é a aplicação do feedback no processo de comunicação da empresa, não importa a direção (horizontal ou vertical), todos necessitam de dar e receber um feedback, seja ele positivo ou negativo, esse parece ser a melhor forma de se corrigir as distorções da informação no processo de comunicação, até pra saber onde a informação está sendo distorcida e trabalhar o problema na hora certa e no lugar certo.
Nas organizações, existem várias formas de comunicação interpessoal, as mais usadas e/ou conhecidas são: Comunicação intercultural; Comunicação entre os gêneros; Comunicação horizontal; Comunicação face a face; Comunicação de baixo para cima; e comunicação de cima para baixo. 

COMUNICAÇÃO DE CIMA PARA BAIXO

A comunicação de cima para baixo ocorre quando os superiores atribuem tarefas e avaliam os seus colaboradores, fornecendo-lhes informações sobre normas, políticas, vantagens e outros assuntos. Bateman e Snell (2006) a define como o fluxo de informações que partem dos níveis mais altos para os mais baixos, percebendo que os colaboradores necessitam de informações para desempenharem suas funções, tornando-se fiéis à organização. 
Esta comunicação de cima para baixo aprimora a identificação dos colaboradores com a empresa, as suas atitudes de apoio e as decisões consistentes com os objetivos da organização. O principal problema desse tipo de comunicação é a perda de informação. Esse problema é causado, principalmente, por um número de camadas hierárquicas muito extensas nas organizações. Por isso, as empresas estão colocando em prática a redução de níveis hierárquicos, reduzindo, assim, o número de camadas hierárquicas. Essa prática ameniza os problemas causados pela perda de informação, à medida que passa de uma camada para outra.
As melhorias nesta comunicação ocorrem quando os gerentes dão feedback de desempenho às pessoas que reportam diretamente a eles. O feedback serve para discutir o mau desempenho e as áreas que podem ser aprimoradas. A melhor maneira de se atingir o feedback é aplicar o coaching, definido, por Bateman e Snell (2006), como o diálogo com meta de ajudar outra pessoa a ser mais eficaz e a alcançar todo o seu potencial no trabalho.
O coaching, quando praticado de forma apropriada, é um verdadeiro diálogo entre duas pessoas comprometidas envolvidas na solução de problemas e o bom coaching pressupõe alcançar real compreensão do problema, da pessoa e da situação, gerando idéias em conjunto para que as pessoas possam se encorajar para alcançar melhorias.
Outra prática, que auxilia na comunicação de cima para baixo, é a gerência de livros (contábeis) abertos. Essa prática consiste em compartilhar, com todos os colaboradores da organização, informações que antes só ficavam na gerência. Elas incluem: metas financeiras, demonstrações de lucro e perdas, orçamentos, vendas, provisões e outros dados importantes sobre o desempenho da empresa.

COMUNICAÇÃO DE BAIXO PARA CIMA

A comunicação de baixo para cima vai dos níveis mais baixos da hierarquia aos mais altos. Nesse tipo de canal, a alta gerência obtém um quadro mais nítido do trabalho, das realizações, dos problemas, dos planos e das atitudes dos colaboradores. Nesse processo de comunicação, os colaboradores se beneficiam com a oportunidade de comunicar para cima, permitindo ao administrador saber o que está acontecendo dentro da organização, pois uma comunicação bem estruturada e efetiva provoca impacto positivo no desempenho individual dos colaboradores.
A comunicação eficaz de baixo para cima facilita a comunicação de cima para baixo, à medida que a boa audição se torna uma via de mão dupla. Para Cahen (1999) na comunicação de mão-dupla, o fluxo de informações ocorre em duas direções: o receptor fornece realimentação, feedback, e o emissor é receptivo e responde à realimentação.
No entanto, a falta de atenção à comunicação de baixo para cima pode causar nos colaboradores frustração, por se sentirem, de certa forma, menosprezados e ansiosos, por se verem diante do desconhecido, o que acaba provocando medo e incertezas quanto à segurança de permanência no emprego. Os problemas da comunicação de baixo para cima são semelhantes aos encontrados na comunicação de cima para baixo, pois os administradores, como seus colaboradores, são bombardeados com informações e podem negligenciar ou perder informações.
Nesse contexto, as pessoas tendem a compartilhar apenas as boas notícias com seus chefes, suprimindo as notícias ruins, isso porque querem parecer competentes; não confiam no chefe e temem por seu emprego. Por essas e outras razões, os administradores podem não ficar sabendo de problemas importantes, utilizando-se da filtragem, que é o processo de reter, ignorar ou distorcer as informações.
Logo, para gerar informações úteis vindas de baixo são exigidas que se façam duas coisas: em primeiro lugar, os administradores devem facilitar a comunicação de baixo para cima e, em segundo lugar, estimular as pessoas a fornecer informações valiosas. As comunicações úteis de baixo para cima devem ser reforçadas e não, punidas.
Portanto, a existência de uma boa comunicação na empresa motiva a boa execução das tarefas, elimina as incertezas, as ambiguidades e produz confiança e segurança. Para ser eficaz, o processo de comunicação não pode ser tratado como algo sazonal. Ao contrário, precisará ser permanente e adequado ao contexto em que vivem os colaboradores. Ou seja, os colaboradores necessitam de uma comunicação Just in time, isto é, a informação certa, na medida certa e no tempo certo para executarem com êxito suas tarefas.
COMUNICAÇÃO FACE A FACE

A comunicação face a face, oferece um feedback imediato e direto, onde os receptores podem sentir a sinceridade (ou a falta dela) por parte do emissor. A comunicação oral é a mais persuasiva e também  menos dispendiosa que a escrita. Entretanto, a comunicação oral pode conduzir a afirmações espontâneas e não refletidas, ocorrendo um registro não permanente dela.
Nesse caso, a habilidade na comunicação torna a linguagem eficaz, fazendo com que as pessoas que possuem tal desenvoltura tornem-se um diferencial, destacando-se das demais. Existem muitas formas de adquirir habilidade na comunicação, não constituindo fórmulas prontas ou dom, mas sim técnicas criteriosas que precisam ser seguidas. Por exemplo, conforme Bateman e Snell (2006):
– Apresentação e persuasão: apresentar-se de forma clara não basta, tem que ser dinâmico, convencer quem ouvi, pois isso mostrará sua forma persuasiva quanto aos seus liderados, fazendo com que acreditem realmente no que é dito;
– Habilidades de redação: para uma redação ser denominada como eficaz e hábil, é necessário mais empenho do que meras correções gramaticais, ela tem que ter, antes de tudo, coerência, coesão e brevidade, que são pontos-chave da boa redação. O mesmo vale para relatórios e memorandos;
– Linguagem: o modo no qual se escolhe a comunicação pode ajudar ou não. O uso frequente de jargão pode acarretar no mau encaminhamento do que se pretende dizer. Assim, como também na questão da comunicação com pessoas das mais diferentes culturas, tentar entender tudo minuciosamente pode causar conflitos na hora de acordos empresariais, por exemplo;
Vale ressaltar que, a habilidade de se comunicar de forma não verbal acontece em todos os momentos, seja como apoio ao que foi falado ou simplesmente por sinais. Este suporte pode ajudar as pessoas a mostrarem maior ou menor grau de satisfação, entusiasmo e até respeito numa conversa.
Assim com também, alguns sinais ajudam a enviar resultados positivos entre chefes e colaboradores, como: arrumação do local do trabalho de forma que enquanto maior a distância entre estes, maior evidencia o grau de superioridade e autoritarismo, outro meio é o silêncio, pois muitos acreditam que bons entendedores não precisam usar tanto as palavras. Não obstante, para Conrado (1999) a comunicação deficiente é um problema nas organizações e muitas pessoas atribuem tudo o que acontece a um problema de comunicação, pois enfrentar o real problema muitas vezes é difícil, como, por exemplo, a sua incompetência.
Na prática, o problema de credibilidade nas organizações é cada vez maior, os colaboradores não se inclinam a acreditar que a administração seja franca ou honesta naquilo que diz e, com isso, desenvolve-se o que se manifesta como problemas de comunicação. Muitas vezes, conflitos interpessoais são confundidos e chamados de problemas de comunicação, mas são provocados, de fato, por diferenças básicas de convicções, como:
– Má comunicação proposital: geralmente se desconsidera um fato básico sobre a comunicação, muitas vezes interessa a uma ou a ambas as partes, em uma comunicação, evitar a clareza. Manter vagas as comunicações pode reduzir os questionamentos, permitir que decisões sejam tomadas mais depressa, minimizar as objeções, reduzir a oposição, negar aquilo que se declarou anteriormente e preservar a liberdade pessoal de mudar de opinião.
– Comunicação não verbal: as pessoas não se comunicam apenas por palavras. Os movimentos faciais e corporais, os gestos, os olhares, a entoação são também importantes, são os elementos não verbais da comunicação. Os significados de determinados gestos e comportamentos variam muito de uma cultura para outra e de época para época.
A comunicação verbal ou face a face é plenamente voluntária; o comportamento não-verbal pode ser uma reação involuntária ou um ato comunicativo propositado. Alguns psicólogos afirmam que os sinais não-verbais têm as funções específicas de regular e encadear as interações sociais e de expressar emoções e atitudes interpessoais.
A maior parte da comunicação interpessoal nas organizações ainda acontece por meio de interação face a face. Mas o uso de alguns meios de comunicação como telefone, e-mail, conferências eletrônicas, faxes e comunicadores pessoais têm reduzido a importância da comunicação não-verbal nas organizações (CHIAVENATO, 2003).
Os receptores interpretam as mensagens mediante o entendimento de significados de todos os canais que estejam à sua disposição. Segundo Bateman e Snell (2006) uma categoria entre os canais de comunicação é a mídia eletrônica.  Essa categoria é utilizada pelos gestores, não apenas para armazenar informações, mas também para comunicar-se com outras pessoas dentro e fora da organização.
Os meios eletrônicos mais usados são: as teleconferências que proporcionam a interação de pessoas por meio das linhas telefônicas (audioconferências); e por meio de monitores de televisão (videoconferência), que permite a transmissão nos dois sentidos, de imagem televisadas via satélite ou cabo.
As vantagens da comunicação eletrônicas são inúmeras. As empresas reduzem muitos custos, e aumentam a velocidade no compartilhamento de informações. Porém, as desvantagens da comunicação eletrônica incluem a dificuldade de solucionar problemas complexos que só podem ser resolvidos face a face. Além de ser uma oportunidade para a existência de fofocas, insultos, ameaças, preconceitos e vazamentos de informações confidenciais, oportunidades essas geradas pelos e-mails eletrônicos.
Dessa forma, quando estão se comunicando face a face com alguém, escutam palavras, interpretam símbolos como aparência, por exemplo, e observam expressões faciais, posturas, contato visual, distanciamento físico e outros indicadores não-verbais no seu esforço de extrair significados. Na medida em que as insinuações não-verbais são condizentes com a mensagem verbal, elas atuam para reforçar a mensagem. Mas quando são incompatíveis, geram confusão para o receptor.

Comunicação horizontal

Segundo Davis e Newstrom (2004, p.13) na hierarquia organizacional, nem toda comunicação se dá para cima ou para baixo, nem é formalmente determinada pela empresa e nem ocorre no trabalho ou na interação face a face. No âmbito organizacional também ocorre à comunicação horizontal ou vertical.
A comunicação horizontal ocorre entre pessoas que estão discutindo, no mesmo local, falando sobre os mesmos assuntos, em que essa comunicação é uma informação compartilhada por pessoas do mesmo nível hierárquico. Esse tipo de comunicação possui várias funções, como: permitir o bom compartilhamento das informações, solucionar problemas entre as unidades, minimizar conflitos e ajudar na interação entre as pessoas além de fornecer apoio social e emocional.
Segundo Davis e Newstrom (2004, p.23), “as comunicações horizontais são necessárias para a coordenação do trabalho com pessoas de outros departamentos e são também utilizadas porque as pessoas preferem à informalidade das comunicações horizontais a ir para cima e para baixo nas cadeias oficiais de comando”.
Na administração, a comunicação horizontal serve como um suporte, principalmente, em ambientes complexos nos quais as decisões de uma unidade afetam a outra, devendo a informação ser compartilhada horizontalmente, para todos que estão no local, são exemplos de empresas que desempenham esse tipo de comunicação: a Motorola, a NASA e a GE.
Não obstante, a comunicação horizontal tanto pode colaborar como servir de obstáculos dentro da organização, por isso, merece uma atenção especial por parte da direção organização. Note-se que, o mais importante para total eficácia da comunicação horizontal é que ela seja exercida em diferentes classes, desde uma empresa de muito sucesso até uma de nível inferior.
Isto porque, nas organizações embora exista um processo pela qual a comunicação obedece, sempre existe grupos informais que trabalham a comunicação de maneira mais agilizada, e muitas vezes sem a direção ficar sabendo. Por isso, o administrador deve está atento há esses processos, até porque em muitos casos podem contribuir para o sucesso organizacional, mas muitas vezes podem servir como obstáculos.
A comunicação informal numa organização pode ocorrer de forma a mover-se de baixo para cima, de cima para baixo ou horizontalmente (método responsável pelo melhor desempenho das tarefas). São exemplos da comunicação informal dentro de uma organização: fofocas, rumores, boatos, sugestões, reclamações de funcionários e comentários sobre o comportamento dos colegas de trabalho. Conforme Bateman e Snell (2006) esse tipo de comunicação ajuda na interpretação da organização passando da linguagem formal para a informal assim como também veicula as informações do sistema formal as quais iriam ficar omitidas ou acobertadas, o que ajuda na harmonia da organização.
No entanto, a comunicação informal tem o seu lado negativo, sendo observado quando ocorrem boatos dentro de uma organização. Esses são transmitidos de forma que atrapalham a organização, provocando um grande desgaste nas unidades de serviços, como também podem destruir a lealdade e a confiança das pessoas e da empresa.
Contudo, há várias maneiras de aperfeiçoar a comunicação informal indo ao encontro da formal, desde o ato de escrever até falar ou mesmo ouvir, o que facilita o entendimento do que se quer comunicar, seja ela de baixo para cima ou de qualquer outra forma. Segundo Benitez (2001) por meio da comunicação se pode compartilhar conhecimentos, opiniões, sentimentos e, talvez, convencer os outros a pensarem como a gente.
Apesar dos malefícios que podem acompanhar a comunicação informal, ela não pode ser banida totalmente de dentro de uma organização, na verdade de acordo com Bateman e Snell (2006) ela precisa ser trabalhada. Por exemplo:
– Se o administrador ouve uma história, deve então conversar com as pessoas envolvidas para um maior esclarecimento;
– Para impedir rumores dentro da organização, é necessário explicar os fatores importantes, reduzir ao máximo as dúvidas e incertezas estabelecendo uma comunicação aberta e confiável;
– Neutralizar boatos já existentes na organização, desconsiderando histórias e falar abertamente o que é ou não verdade.
Levando em consideração a visão do autor acerca da comunicação informal é importante salientar que nem tudo aquilo que é ouvido dentro da organização deve ser realmente considerado uma vez que não é algo concreto e explícito, por isso, se faz necessário impedir que rumores se alastrem, podendo isso acarretar dúvidas ou incertezas dentro da organização, caso esses rumores já existam, o ideal é tentar minimizá-los com o diálogo aberto e a inserção da comunicação horizontal.
A discussão e o diálogo transformam os grupos em equipes capacitadas, auxiliando na eficácia organizacional. O discurso ocorre quando cada pessoa está tentando vencer um debate, no sentido de fazer com que sua visão seja aceita pelo grupo. Entretanto, as discussões podem ser polidas e úteis, mas também podem operar em propósitos contrários e se tornarem destrutivos.
Já o diálogo tem a meta de ir além do entendimento de uma única pessoa, pois aprimoram as habilidades da comunicação interpessoal de cada indivíduo, podendo ser exploradas questões complexas a partir de vários pontos de vista para alcançar compreensão comum e mais ampla. Bateman e Snell (2006, p. 479) explicam que “a exploração livre de idéias ajuda os indivíduos e também o grupo, como uma unidade, a pensar e aprender”.
A discussão e o diálogo são exemplos de modos de comunicação. A comunicação é um instrumento eficaz que proporciona uma ação administrativa eficiente, ocorrendo através da troca de informação de uma parte, para outra, por meio de símbolos compartilhados.
Neste caso, o processo de comunicação ocorre de duas maneiras. A comunicação de mão única acontece quando o fluxo de informações é apenas em uma direção em que não existe o feedback. Entretanto, a comunicação de mão dupla é realizada quando o fluxo de comunicação ocorre em duas direções, permitindo, assim, o feedback. A comunicação de mão dupla não serve apenas para fornecer feedback por parte do receptor, mas também para verificar se o emissor é receptivo a esse feedback e responde a ele.
A comunicação de mão dupla cria trocas construtivas, na qual a informação é compartilhada pelas duas partes e não meramente passada de uma parte para outra. Também proporciona aos receptores a oportunidade de fazer perguntas, compartillhar preocupações, fazer sugestões ou modificações e, consequentemente, entender, de forma mais precisa, o que está sendo comunicado e o que devem fazer com a informação. Enfim, a comunicação pode ser veículada através de vários canais, conforme apresentado na Figura 1, incluindo o oral, o escrito e o eletrônico, que oferecem vantagens e desvantagens.
Comunicação entre os gêneros
Homens e mulheres têm diferentes formas de comunicar. Para as mulheres, a comunicação é considerada uma arte, já para os homens que as ouvem, também, mas arte abstrata. As diferenças nos estilos de discurso nem sempre estão relacionadas aos gêneros.
Mas existem evidências cada vez maiores de diferenças gerais entre homens e mulheres em seus estilos de conversação. E essas diferenças podem criar barreiras reais quando homens e mulheres tentam comunicar-se entre si. Os homens utilizam a conversa para enfatizar status, ao passo que as mulheres a utilizam para criar conexão. As mulheres falam e ouvem uma linguagem de conexão e intimidade, os homens falam e ouvem uma linguagem de status e independência.
A intimidade enfatiza a proximidade e os pontos em comum. A independência enfatiza o distanciamento e as diferenças. Para muitos homens, as conversas são principalmente um meio para preservar a independência e manter o status em uma ordem social hierárquica. Para muitas mulheres, as conversas são negociações de proximidade, nas quais tentam obter e dar confirmação e apoio.

COMUNICAÇÃO INTERCULTURAL
Os fatores interculturais geram um potencial para maiores problemas de comunicação. A comunicação intercultural pode ser dificultada por quatro problemas específicos relacionados às dificuldades de linguagem nas comunicações interculturais. As barreiras provocadas pela semântica, neste caso, as palavras podem significar coisas diferentes para pessoas diferentes, particularmente para aquelas de culturas nacionais diferentes.
Algumas palavras de determinada cultura, não encontram tradução em outra. Em segundo lugar, existem as barreiras provocadas pelas conotações das palavras, ou seja, as palavras insinuam coisas diferentes em línguas diferentes. As negociações com executivos de culturas diferentes podem ser mais dificultadas porque palavras, dependendo da cultura, e a sua tradução podem ter duplos significados.
Em terceiro lugar, estão as barreiras provocadas por diferenças de tom. Em algumas culturas, a linguagem é formal, em outras, o tom de voz muda dependendo do contexto: as pessoas falam de modo diferente em casa, nas ocasiões sociais e no trabalho. Em quarto lugar, há as barreiras provocadas por diferenças entre percepções. Pessoas que falam línguas diferentes vêem, de fato, o mundo de maneiras diferentes.
Contudo, é possível observar que a desenvoltura na comunicação é o que diferencia entre outras coisas o bom do mal comunicador, pois ele tem a oportunidade de tornar a linguagem clara e dinâmica, interessante, fazendo com que se torne um diferencial, destacando-se das demais pessoas.
Assim como na vida pessoal, na vida profissional a comunicação é fundamental.
É através da comunicação que alcançamos sinergia dentro de uma organização, uma vez que a comunicação nos permite unir forças, promover a integração e o inter-relacionamento entre pessoas e departamentos, permitindo que, todos além de conhecer, atuem de maneira a cooperar e a colaborar, somando forças e caminhando de forma interagida em prol dos objetivos organizacionais, procurando alcançar sempre a obtenção da maximização dos resultados, por meio de um trabalho em equipe. A organização deve aprender a valorizar cada mensagem recebida, para atuar em prol da melhoria contínua.
Vivemos em um mundo globalizado, na era da incerteza, mundo recheado de mudanças constantes, onde a comunicação tem o seu valor, portanto, só poderão fazer o diferencial no mercado, as empresas que aprenderem a se comunicar, a trabalhar de forma interligada e inter-relacionada, somando forças, gerando assim, cada vez mais know-how, e por sua vez, agregação de valor, o que é essencial no processo de crescimento e expansão dos negócios, uma vez que, contribui e muito para que a empresa otimize seus resultados e se transforme em um diferencial competitivo, neste mercado onde a competitividade é demasiadamente acirrada.
Além da valorização das pessoas envolvidas no processo organizacional, as empresas deverão apostar na comunicação de seus objetivos, onde, o ideal é haver sempre feedback da comunicação realizada, a fim de construir e manter relacionamentos harmoniosos , fortificando então, a relação não só dos clientes internos, mas de todos os stakeholders envolvidos no processo organizacional, permitindo surgir e manter um elo de ligação entre todos, além de promover e colaborar para perpetuar um ambiente harmonioso e o compartilhamento de idéias e valores, onde a idéia de parceria estará presente em tudo que se faça e em todos.

Na era do conhecimento, a era em que vivemos, é preciso que para o empreendimento sobreviva no mercado, tenhamos pessoas talentosas, grandes líderes, uma ótima estrutura organizacional e que apresentem não só produtos e serviços de qualidade, mas também valores éticos. É também preciso, não só minimizar custos e maximizar lucros de seus acionistas, mas, ir além, se faz necessário enxergar todos os stakeholders como sendo parceiros, contribuindo assim para o desenvolvimento do empreendimento e compartilhamento de seus resultados.
A organização não se pode jamais esquecer que, para se obter êxito nas ações, eficiência e eficácia quanto à comunicação, deverá ficar “antenada” quanto ao meio e também quanto a todos os ruídos que por ventura aparecerem durante todo o processo.
Fazer com que a comunicação flua de maneira satisfatória dentro de uma organização é de suma importância, uma vez que esta poderá determinar o sucesso ou o fracasso das organizações e negócios, influenciando no comportamento dos consumidores e nas relações de trabalho gerando impacto positivo ou negativo na vida organizacional, quanto aos valores, à política e a cultura organizacional existente.
Diante desse cenário, as empresas inteligentes já começam a entender, o grandioso papel da comunicação dentro de uma organização e já iniciam transformações como a reformulação de seus conceitos, filosofias e práticas. Já são conscientes de que devem ficar atentas quanto aos valores e a cultura organizacional, uma vez que, os empreendimentos, assim como as pessoas, carregam sua história consigo e serão reconhecidos, analisados, valorizados e avaliados por esta, portanto, ficar atento quanto ao nosso comportamento e atitudes também é de suma importância.
Incorporar valores à marca, aos produtos e aos serviços, constitui o grande desafio da comunicação empresarial. Portanto, pensar em responsabilidade social, meio ambiente e cidadania corporativa, é imprescindível nos dias atuais e o importante não é só a contemplação destas idéias, mas a implementação das mesmas.
É de suma importância que, além de uma empresa trabalhar em prol de um ambiente transparente, respeitoso e acolhedor, que também tenha uma comunicação rápida, clara e eficiente, zelando sempre pela sua imagem, imagem esta que deve ser de fato de um empreendimento sério e confiável.
Criar e implementar uma política de comunicação não constitui uma simples tarefa, pois, é preciso que haja mudanças no que tange a cultura organizacional e isto não é fácil.
Temos que lembrar sempre que, as empresas são compostas de seres vivos e estes vivem de relacionamentos.
O mundo mudou e nas organizações também é preciso que haja mudanças.
Assegurar que a liderança da empresa acredite que os pilares do sucesso organizacional, passam por transparência e comunicação constitui um avanço.


o enquadramento das ciencias sociais na sociedades modernas

INTRODUÇÃO
O presente estudo visa a debruçar sobre ciências sociais que por sua vez podemos dizer que é o estudo das origens, do desenvolvimento, da organização e do funcionamento das sociedades e culturas humanas. O objecto de estudo da ciência social estuda os fenómenos, as estruturas e as relações que caracterizam as organizações sociais e culturais. Ele analisa os movimentos e os conflitos populacionais, a construção de identidades e a formação das opiniões. Pesquisa costumes e hábitos e investiga as relações entre indivíduos, famílias, grupos e instituições. Desenvolve e utiliza um conjunto variado de técnicas e métodos de pesquisa para o estudo das colectividades humanas e interpreta os problemas da sociedade, da política e da cultura.



AS ORIGENS DA CIÊNCIA SOCIAL
As Ciências Sociais são mencionadas, pela maioria dos intelectuais, como as disciplinas de natureza do modo de produção capitalista, ou seja, disciplinas que surgiram com o advento do capital, após a grande indústria. Aceitá-las como ciências históricas (produtos), referentes a um determinado desenvolvimento das forças produtivas, como resultado da atividade de toda uma série de gerações as quais são responsáveis pela compreensão e transformações do cenário social é algo que, recorrentemente, se observa na obra de Marx.
Entretanto, é mister virar-se para o passado e perceber de que modo se dava a apreensão do pensamento frente aos problemas sociais oriundos das condições materiais de existência do homem para entender a totalidade das Ciências Sociais na sociedade burguesa.
Em todos os modos de produção da história, a apropriação do conhecimento sempre foi uma atividade necessária para que o homem conseguisse superar a natureza e transformar as coisas para si.
A dialética da atividade e da passividade do conhecimento humano manifesta-se, sobretudo, no fato de que o homem, para conhecer as coisas em si, deve primeiro transformá-las em coisa para si; para conhecer as coisas como são independentemente de si, tem primeiro de submetê-las à própria práxis: para poder constatar como são elas quando não estão em contacto consigo, tem primeiro de entrar em contacto com elas. O conhecimento não é contemplação. A contemplação do mundo se baseia nos resultados da práxis humana. O homem só conhece a realidade na medida em que ele cria a realidade humana e se comporta antes de tudo como ser prático (KOSIK, 2002: 28).
Desta maneira, tinha-se na era pré-capitalista, mormente na sociedade grega, a filosofia como instrumento necessário, cujo sentido era a busca do conhecimento acerca das condições de existência do homem, isto é, usar o conhecimento para desenvolver e reproduzir a realidade na qual vivia. Com Platão e Aristóteles quiçá tenha-se alcançado o sentido mais acabado da investigação da realidade social.
Porquanto é em Hegel que a filosofia - como conhecimento da realidade – assume um caráter de destaque quando expressa a concepção de que o mundo das ideias determina o ser social, quando explica à práxis a partir da ideia. Hegel anuncia, portanto, o espírito idealista da história (evolucionismo espiritualista) o que seria o germe da crítica de Marx à perspectiva hegeliana.
A força motora da História, também de religião, da filosofia e de todas as demais teorias, não é a crítica, mas sim a revolução. Ela mostra que a história não termina resolvendo-se na “Consciência de Si” como “espírito do espírito”, mas que nela, em todo os estádios, se encontra um resultado material, uma soma das forças produtivas com a natureza e dos indivíduos uns com os outros que a cada geração é transmitida pela sua predecessora, uma massa de forças produtivas capitais e circunstanciais que, por um lado, é de fato modificada pela nova geração, mas que por outro lado também lhe prescreve as suas próprias condições de vida e lhe dá um determinado desenvolvimento, um caráter especial – mostra, portanto, que as circunstâncias fazem os homens como os homens fazem as circunstâncias (MARX. 2002: 48).
Marx, por sua vez, estabelece a sua concepção da história:
Não se parte daquilo que os homens dizem, imaginam ou se representam, e também não dos homens narrados, pensados, imaginados, representados, para daí chegar aos homens em carne e osso; parte-se dos homens realmente ativos, e com base no seu processo real de vida apresenta-se também o desenvolvimento dos  reflexos e ecos ideológicos deste processo de vida (Op. cit. 2002: 54).
Pensa-se, com isto, que em Marx tem-se a passagem do pensamento social – filosófico - ao pensamento científico, Ciência Social. As condições materiais para se chegar a esta conclusão concernem ao grau de desenvolvimento que alcançaram as forças produtivas do capital no período industrial, cujo sentido é determinado, pela maioria dos cientistas sociais, como o momento que engendra o nascimento das Ciências Sociais.
Este artigo tem a intenção de contribuir nesta perspectiva, ou seja, mostrar a institucionalização das Ciências Sociais na América Latina como o resultado do processo de industrialização e da subsequente complexidade social que emerge. Com efeito, as Ciências Sociais, em grande medida, surgem para apreenderem o novo cenário social das sociedades modernas e para investigar acerca das transformações engendradas pelo grassar das forças produtivas do capital. Não resta dúvida que as Ciências Sociais traduzem a produção do conhecimento sobre os problemas sociais em uma gigantesca organização da ciência onde a metodologia, epistemologia e a teoria ganharam importância na escala do desenvolvimento social.
Desta maneira, tentar-se-á dividir o artigo em dois eixos temáticos, isto é, o primeiro eixo apresentará as condições pelas quais a institucionalização foi possível. O espírito será situar as Ciências Sociais como as formas mais acabadas do pensamento filosófico-social e como as somas das compreensões históricas sobre as condições materiais de existência humana feitas por gerações passadas.
O segundo eixo, versar-se-á sobre, as características e os avanços das Ciências Sociais na América Latina; para tanto, mostrar-se-á a forma pela qual se constituíram, cuja condição, em um longo período, era de ser caixa de ressonância do pensamento europeu e, somente, em meados do século XX foi possível uma investigação mais contundente e séria acerca da realidade social latino-americana.








A SOCIEDADE MODERNA E AS CIÊNCIAS SOCIAIS
Uma relevante contribuição para este tema é o livro de Immanuel Wallerstein “Impensar las Ciencias Sociales” cuja publicação, vale comentar, está inteiramente a serviço da compreensão e consolidação do seu “sistema mundo moderno”. Neste livro Wallerstein menciona que:
a institucionalização das Ciências Sociais, as quais, como chegou a se defini-las no século XIX, foram o estudo empírico do mundo social, um estudo realizado com a intenção de compreender o “cambio normal” e, assim influir nele. As Ciências Sociais não foram o produto de pensadores sociais solitários, senão, a criação de um grupo de pessoas dentro de estruturas específicas para alcançar fins específicos. Implicou em uma inversão social importante, que nunca antes havia sucedido com o pensamento social (1998: 260).
Nas palavras de Wallerstein – para quem “as Ciências Sociais são as enunciações dos conjuntos de regras universais que explicam o comportamento social dos seres humanos” (1998: 262) – após a grande indústria as Ciências Sociais são abarcadas pelas universidades, centros e institutos de pesquisas e estudos apontando assim a produção do conhecimento científico para explicar as relações sociais decorrentes do modo de produção capitalista. “As Ciências Sociais se converteram cada vez mais em uns instrumentos para governar, de maneira inteligente, um mundo onde a transformação social era normal e, portanto, ajudaram a limitar o alcance de ditas transformações” (Op. cit. 1998: 23).
Uma outra, central, contribuição foi o modo pelo qual as Ciências Sociais constituíram-se na emergente sociedade burguesa moderna, isto é:
O principal modo de institucionalizar as Ciências Sociais foi mediante a diferenciação na estrutura universitária tradicional europeia que em 1789 quase se encontrava moribunda. As universidades, que nesse momento dificilmente eram centros intelectuais vitais, se encontravam ainda organizadas a maneira tradicional de quatro faculdades: teologia, filosofia, direito e medicina. Ademais, havia relativamente poucas universidades. No transcurso do século XIX se criaram muitas cátedras novas, em grande medida na faculdade de filosofia e sem menor grau na de direito (Op. cit. 1998: 21-22).
Embora as produções supracitadas dos intelectuais brasileiros fossem, no seu valor sociológico, consideradas controvertidas, caracterizavam a produção brasileira em uma área que estava em franco desenvolvimento. As novas transformações sociais provocadas pela “grande depressão” de 1929 aceleraram ainda mais o caráter produtivo das áreas das Ciências Sociais.
No México, ainda sob os efeitos da Revolução Mexicana de 1910, as transmutações sociais ocorridas no segundo decénio do século vinte – no âmbito acadêmico institucional – mostram o novo carácter da sociedade. A maior universidade da América Latina – UNAM – redimensiona a Faculdade de Ciências Sociais em 1929, cria o Instituto de Investigações Económicas em 1941, dentro da Escola Nacional de Economia, e o Departamento de Psicologia na Faculdade de Filosofia e Letras e os Departamentos de Humanidades e Investigação Científica em 1944.
Na Argentina, precisamente em Córdoba, o terreno para a institucionalização das Ciências Sociais havia sido “adubado” um pouco mais de uma década atrás, pela Reforma Universitária de Córdoba de 1918.
La Reforma Universitária de 1918 foi um acontecimento que mobilizou a maioria dos centros universitários latino-americanos no sentido de repensar e revolucionar os mecanismos de dominação das universidades, que naquele momento estavam embrenhados nas garras do regime colonial. Os estudantes, os protagonistas, sem vacilar rebelaram-se contra o regime autoritário, contra a administração que não respondia às demandas dos acadêmicos, contra o método docente inexequível ausente das investigações científicas e contra o paradigma de ensino que não contemplava a objetividade da realidade social.
Evidentemente, que não se descarta a existência de um pensamento social profundamente inclinado a analisar a realidade social fora das universidades. Isto seria um olímpico desprezo pelos intelectuais independentes, incorretos, aqueles que não estão sobre a tutela do estado burocrático para responder às suas exigências teóricas, tal qual propôs Schopenhauer na sua filosofia universitária, ou os intelectuais revolucionários no México no final do século XIX.
Portanto, “a massiva institucionalização das ciências sociais na grande maioria dos países latino-americanos ocorreu paralelamente com o período de expansão capitalista global...” (SONNTAG citado por Sotelo. 2005: 32), é a razão para o aparecimento de uma abordagem mais segura e comprometida acerca dos assuntos latino-americanos, terminando de uma vez por todas “a difícil gestação de uma Ciência Social crítica, centrada na problemática de nossas estruturas econômicas e sociais, políticas e ideológicas”, (MARINI. 2000: 265).
Com a institucionalização, dialeticamente surge outro fenômeno que é mister sublinhar, a saber, o pensamento revolucionário do século XIX, perde vitalidade com o nascimento das Ciências Sociais. Tinha-se com José de San Martí e com Simon Bolívar, e soma-se a eles os precursores intelectuais do México, um pensamento esclarecido e com o horizonte teórico-revolucionário muito bem definido. As Ciências Sociais, evidentemente, marcam um outro momento da história da América Latina, porém a vocação de uma teoria voltada para a revolução e inclinada totalmente aos assuntos latino-americanos perde força com a institucionalização. As correntes teóricas eurocêntricas e norte-americanas aparecem no novo cenário da América Latina e buscam explicar a realidade social mediante as suas concepções. Nesta perspectiva, muitas vezes, ocultavam o verdadeiro significado do pensamento revolucionário da América Latina; este foi, sem dúvida, o maior embate teórico que o pensamento latino-americano enfrentou.
É oportuno trazer à luz, que o desenvolvimento das Ciências Sociais no segundo quartel do século XX não se dá através do processo permanente de crítica, ou seja, o pensamento social crítico, que combatesse os modelos hegemônicos e que estivesse debruçado profundamente no conhecimento da realidade social latino-americana, não era a característica das Ciências Sociais no período de institucionalização; o padrão organizativo e institucional subsume a possibilidade de uma Ciência Social crítica. O espírito crítico aparece em meados do século vinte, especialmente, com teoria marxista da dependência e com alguns intelectuais que de maneira isolada produzem obras de excelente nível.
Uma outra abordagem são as intensificações comerciais que suscitavam entre os países latino-americanos. Ruy Mauro Marini prossegue observando:
Paralelamente, se intensificam as relações comerciais e políticas entre os países da região, suporte necessário para um conceito autônomo de latino-americanismo. Até aquele momento, a ideia de América Latina se havia esboçado desde a Europa, como simplificação adequada para um esquematismo ignorante, tanto por parte dos setores dirigentes como da esquerda (2000: 264).
Com isso, não resta dúvida que as Ciências Sociais da América Latina, acabam de surgir; doravante, começam a aparecer trabalhos da mais alta qualidade teórica e metodológica. A busca de uma investigação que abarcasse a epistemologia e a relação de dependência e subdesenvolvimento de nossas sociedades passa a ser, em grande medida, o paradigma das pesquisas das Ciências Sociais.
Contudo, é mister fazer outras considerações acerca deste fenômeno. Nos finais da década de quarenta do século XX, a Comissão de Estudos para a América Latina e o Caribe - CEPAL - surge como uma via extraordinariamente importante para explicar os assuntos políticos-econômicos latino-americanos; reflexo evidente do novo cenário que apresentam as Ciências Sociais.
Os mais expoentes pensadores da CEPAL como: Raul Prebisch e Celso Furtado fazem análises referentes ao caráter de subdesenvolvimento em que se encontra o continente latino-americano.  Na visão da CEPAL, o mecanismo de superação deste atraso estaria na consolidação de um maciço processo de industrialização “uma vez que ele será capaz de provocar a transformação das estruturas econômicas, corrigir o desequilíbrio nas relações comerciais internacionais, e permitir a assimilação do progresso técnico”, segundo analisa José Sérgio R. De Castro Gonçalvez. (Em: Furtado. 1983: 14)
Outra fonte de inspiração das Ciências Sociais, ante o processo de institucionalização, foi o papel que desenvolveu o marxismo no cerne da sociedade; o marxismo em meados do século XX foi uma relevante teoria a elaborar trabalhos sérios.
É neste sentido que se pode citar autores marxistas, como o argentino Sérgio Bagú (1949), o brasileiro Caio Prado Júnior (1959) e o chileno Marcelo Segall (1953) que, duas décadas depois da crise de 1929 e do subsequente processo de institucionalização das Ciências Sociais, já faziam abordagens acerca da nova realidade.















AS CIÊNCIAS SOCIAIS NO MUNDO CONTEMPORÂNEO
A história da humanidade pode ser compreendida sob um ponto de vista epistêmico que a ordene com base nos valores dominantes em cada época, levando em conta que as relações sociais são sempre permeadas por  um modo específico de pensar (Marcondes Filho, 1987: 9).
Assim entendendo, podemos ordenar longos períodos históricos á luz  de incontestes hegemonias (no sentido gramsciano) quanto as formas de pensar; a saber: o período dominado pelo pensamento mágico, pelo filosófico, pelo religioso e, a partir da modernidade, pela crença na eficácia da ciência. Essas formas de conhecimento, uma vez hegemônicas, independem de “acertos” ou grau de “verdade”, pois se legitimam na medida em que dão fundamentos ideológicos  ao modu vivendi dominante no período considerado.
Sendo na atualidade a ciência, ainda, e apesar da propalada “crise dos paradigmas”, a forma hegemônica de conhecimento, ela imprime modos específicos de pensar que permeiam as relações sociais. Mas pode-se simplesmente dizer que a vida social é regida por esta forma específica de conhecimento hegemônico? Ambiguamente pode-se responder: sim e não.
De certo modo há um forte grau de consenso em torno da premissa de  ser a ciência basicamente um conjunto articulado de conhecimentos sobre determinado objeto, ou seja, os conhecimentos obtidos mediante a observação dos fatos e um método próprio de investigá-los. Método que sofre variações quanto as diferentes escolas do pensamento e áreas de investigação. Acrescente-se ao dito que a ciência observa regras de sistemática, objetividade, controle, predição, precisão e mais uma infinidade de estatutos, chegando a desqualificar juízos de valor (Weber: 1977), enfatizando a neutralidade e a mensurabilidade. Por outro lado, de forma panorâmica, pode-se também dizer que as formas de pensar que orientam o ordenamento das relações sociais na contemporaneidade, não são inteiramente informadas pelo saber científico, enquanto maneira de pensar hegemônica.

Fatos sociais
Emile Durkheim (1858-1917), contribuiu sobremaneira no sentido de dar  estatuto científico à sociologia, ao construí-la à luz de objeto de estudo e método próprio. Através de um esforço monumental dotou-a de um corpo de conceitos adequados e de específicos processos de investigação e de interpretação. No livro “As Regras do Método Sociológico”, Durkheim postulou serem os “fatos sociais” externos aos indivíduos (portanto fatos objetivos)  e “também dotados de um poder imperativo e coercitivo, em virtude do qual se lhe impõem, quer queira, quer não”. (Durkheim, 1982: 2).
A distância temporal que nos separa dos escritos de Durkheim, inclui, necessariamente, todo o advento do processo científico-tecnológico moderno e seus desdobramentos. Os fatos sociais, na atualidade, podem ser artificialmente construídos tanto pela “propaganda ideológica” que “visa controlar o juízo público” (Chomsky, s/d: 11), intentando forjar consenso político, quanto pelos modernos meios de comunicação de massa, em atendimento aos interesses econômicos através da fabricação de gostos e padrões de consumo coletivos, pois os fatos sociais foram transformados em mercadorias que, no dizer de um estudioso: “são as mais humanas de todas, pois vendem a varejo, os hectoplasmas de humanidade, os amores e os medos romanceados, os fatos variados do coração e da alma”. (Morin, 1975: 9).
Os homens necessitam dar um significado à realidade que os rodeia pelo simples fato dela existir e, portanto, não podem prescindir de elaborar justificativas para os fenômenos naturais e sociais. Essa justificativa imperativa, os leva a criar padrões culturais. Sociedades diferentes, dão sentido às suas existências de formas diversas, uma vez que produtos de culturas diferenciadas. Este  anti-etnocentrismo cultural deixa patente que as ideias de “certo” e de “errado” não podem ser encontradas num absoluto, mas sim na cultura de cada sociedade. Se fosse um absoluto, teríamos apenas uma cultura única, uma mesma e indiferenciada visão de mundo, universalizada. As diversas culturas legitimam as suas respectivas visões de mundo, pois estas dão significado à existência, independente de serem de caráter religioso, mágico, filosófico ou científico, ou seja, “nas culturas pré-industriais a magia é o ‘estabilizador cultural’ enquanto que na cultura industrial moderna tal função é desempenhada pela ciência como técnica”. (Bartholo Jr., 1986: 23).
A cultura de determinada sociedade estabelece um patamar no qual as normas e leis (folkways e mores) tornam a convivência possível. Costumes, normas, leis, formam o suporte sob o qual os membros de determinada sociedade se baseiam na busca de um equilíbrio para as suas existências. É como um paradigma (no sentido kuhniano). É como um corpo geral, um sentimento do mundo, nem sempre explicitado. Nas sociedades modernas, fazem parte deste corpo geral, além do aparato jurídico, possibilidades ideais tais como: igualdade, equidade, justiça, honra, honestidade e outros “sentimentos edificantes”... Mas há uma idealidade que se destaca das demais, sob o aspecto de apresentar a capacidade de oferecer uma quase mensurabilidade: a ideia de igualdade política e jurídica entre todos os homens. Realizando o pressuposto baconiano de desvendar os “mistérios da natureza”, as ciências naturais, através da instrumentalização dos fecundos conhecimentos produzidos, vai efetivando cada vez mais um avassalador controla sobre os fenômenos naturais. Desta forma, a moderna ciência natural torna-se ciência aplicada apresentando o seu traço distintivo enquanto ciência: a “sua indissolúvel vinculação ao método experimental e com isso a exatidão dos aparatos técnicos de medida” (Bartholo Jr., 1986: 61). O mesmo não ocorre com as ditas ciências sociais; isto por uma impossibilidade intrínseca, pois como argumentou Max Weber o método das ciências naturais é explicativo e o das ciências da cultura, compreensivo. Ainda em fase de gestação, há um rascunho de teoria social que tenta justificar as mazelas humanas (fome, exclusão, violência, injustiças, etc.) no fato de as ciências da sociedade não possuírem “precisão” comparável á das ciências naturais. Esse problema, apesar de uma aparente clareza e simplicidade de raciocínio, encobre uma lógica perversa, uma tautologia, ou mesmo a velha história de se entregar à raposa a chave do galinheiro.
No que tange a anteriormente referida necessidade de explicação das coisas, consideramos que ela possui um duplo aspecto: interno e externo. Sob o aspecto interno, as possibilidades de um subjetivismo manipulador, são quase nulas, pois que dispensáveis enquanto exercício já que “foram validadas num processo argumentativo em que o consenso foi alcançado, sem deformações externas, resultantes da violência” (Rouanet, 1984: 14). Por outro lado, sob o seu aspecto externo, as explicações que muitas vezes têm sido produzidas tipificam-se pela farta manipulação. É exatamente sob os seus aspectos de externalidade que a manipulação encontra seus motivos e suas justificativas nos interesses de grupos, classes ou frações de classe.
Uma excessiva manipulação do sistema de valores de um mundo cada vez mais globalizado tende a comprometer o sistema de hábitos estabilizados e introduzir situações caóticas. Assim como o nosso meio ambiente (entendido como sistema fechado) possui seus limites e irreversibilidade quanto à intervenção técnica, a intervenção no sistema simbólico decerto estabelece limites e irreversibilidade quanto à indiscriminada intervenção no sistema de valores. Esta intervenção em nada se compara às hegemonias mágica, filosófica ou religiosa do passado, uma vez que estas buscavam uma permanência ao passo que a intervenção moderna, de caráter lógico-operativo, está ancorada em mudanças constantes e contraditórias.
Na atualidade, por artes da denominada globalização, há pelos quatro cantos da terra um processo de franca e inequívoca degradação da credibilidade. Um unânime manto de suspeição reveste quaisquer enunciados - objetivos ou subjetivos - que porventura possam ser elaborados. Perplexas as pessoas comuns e mesmo os estudiosos (e suas teorias) buscam uma apreensão lógica, na tentativa de captura racional para estes rumos tecnológicos e mesmo um entendimento dos efeitos de todo esse processo sobre a humanidade. Tal problema, de tamanha magnitude e complexidade, desafia a capacidade de síntese e a possibilidade de discernimento abrangente.



CONCLUSÃO
Por suas especificidades, as ciências sociais desenvolveram um pensamento marcado por fortes reacções contra interpretações biologistas. De qualquer forma, acreditamos que seria incorrecto ver suas teorias como um retrocesso em relação às anteriores. Pelo contrário, os clássicos, sempre que correctamente contextualizados historicamente, representam um avanço sobre as teorias sociais de sua época. A preocupação com a classe na teoria e na análise dos movimentos sociais parece suscitar antigas questões que foram ultrapassadas pela evolução da sociedade moderna. A classe não cumpre mais um papel nos discursos diagnósticos sobre as sociedades modernas avançadas. Tornou-se até elegante fazer diagnósticos críticos das sociedades modernas além e contra o discurso em termos de classe. A queda dos regimes comunistas e a ascensão do nacionalismo deram um ímpeto adicional a argumentos em favor da obsolescência da análise de classe para as sociedades modernas. A classe tem a ver com a sociedade industrial e suas ideologias, e como essas sociedades e suas ideologias não mais existem, deveríamos nos livrar das velhas concepções e ferramentas analíticas usadas para entender a sociedade moderna.




BIBLIOGRAFIA
_______________AS CIÊNCIAS SOCIAIS NO MUNDO CONTEMPORÂNEO E O ENIGMA DA ESFINGE. Disponível em em: http://www.achegas.net/numero/dezoito/m_cavalcante_18.htm. Acessado aos 18 de Novembro de 2014 
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ALVES FILHO, Aluizio. “O ‘fato social’ como objeto de estudo da sociologia – a revolução teórica de Emile Durheim”. In, Contemporânea – Revista de Estudos e Debates das Faculdades Integradas Bennett, vol. 6, no. 1. Rio de Janeiro: Bennett, 2002.
WEBER,  Max. Sobre a teoria das ciências sociais. Lisboa: Editorial Presença, 1977.