quinta-feira, 4 de setembro de 2014

periodo pré - homérico


INTRODUÇÃO

Durante o período de formação da civilização grega observamos a chegada de diferentes povos à região da Península Balcânica, do Mar Egeu e no litoral da Ásia Menor. Contando com uma geografia acidentada e poucas terras férteis disponíveis, os povos que habitavam essa região dedicavam-se principalmente ao comércio e à colonização de outras regiões próximas do Mar Tirreno e Adriático. A civilização cretense foi a primeira a se fixar na região insular do mundo grego. Fixados na Ilha de Creta, essa civilização construiu várias cidades ao longo da ilha e de outras partes da Grécia Continental. Desenvolvendo intensa atividade comercial, os cretenses alcançaram o apogeu de sua civilização. Cerâmica, tecidos, vinhos, mármores e metais eram os principais itens negociados entre as cidades cretenses. Um peculiar ponto da cultura cretense refere-se à existência de uma estrutura familiar onde a mulher ocupava papel de destaque. No campo religioso essa mesma valorização da figura feminina percebe-se no culto à Deusa-Mãe, representante da fertilidade e da terra. Tal ponto característico da cultura cretense pode ser observado dentro da futura Cidade-estado de Esparta, onde as mulheres exerciam importantes papéis.



PERÍODO HOMÉRICO


O termo período homérico ou Idade das Trevas (c. 1200 a.C.-800 a.C.) refere-se ao período da história da Grécia Antiga cujo início tem lugar a partir da suposta invasão dórica e do final da Civilização Micênica no século XI a.C. e cujo fim é marcado pela ascensão das primeiras cidades-estados gregas no século IX a.C., pela literatura épica de Homero e pelos primeiros registros escritos a utilizarem o alfabeto grego, no século VIII a.C..
A arqueologia mostra que houve um colapso da civilização que habitava o mundo Mediterrâneo ocidental durante esse período. Os grandes palácios e cidades dos micênicos foram destruídos ou abandonados. A civilização hitita entrou em colapso. Cidades inteiras foram destruídas, desde Troia até Gaza. A língua grega deixou de ser escrita. A arte cerâmica do período homérico grega consistia em desenhos geométricos simplistas, a decoração figurativa da produção micênica anterior sendo inexistente. Os gregos do período homérico viviam em habitações menores e mais esparsas, o que sugere a fome, escassez de alimentos e uma queda populacional. Não foram encontrados em sítios arqueológicos nenhum artigo importado, mostrando que o comércio internacional era mínimo. O contato entre poderes do mundo exterior também foi perdido durante essa época, resultando num progresso cultural vagaroso, bem como uma atrofia em qualquer tipo de crescimento.
Os reis desse período mantiveram sua forma de governo até que foram substituídos por uma aristocracia. Mais tarde, nalgumas áreas, essa aristocracia foi substituída por um setor aristocrático dentro de si próprio - a elite da elite. As técnicas militares de guerra tiveram seu foco mudado da cavalaria para a infantaria, e devido ao barato custo de produção e de sua disponibilização local, o ferro substituiu o bronze como metal, sendo usado na manufatura de ferramentas e armas. Lentamente a igualdade cresceu entre os diferentes estratos sociais, resultando na usurpação de vários reis e na ascensão da famíliaένος , genos).
As famílias (γένοι, génoi) começaram a reconstruir seu passado, na tentativa de traçar suas linhagens a heróis da Guerra de Troia, e ainda mais além - principalmente a Hércules. Enquanto a maior parte daquelas histórias eram apenas lendas, algumas foram separadas por poetas da escola de Hesíodo. Alguns desses "contadores de histórias", como eram chamados, incluíam Hecateu de Mileto e Acusilau de Argos, mas a maioria desses poemas foram perdidos.
Acredita-se que os poemas épicos de Homero contêm um certo montante de tradição preservada oralmente durante o período da período homérico. A validade histórica dos escritos de Homero têm sido disputada vigorosamente (cf. a "questão homérica"). Ao fim desse período de estagnação (uma das principais características da período homérico) a civilização grega foi engolida por um renascença que espalhou-se pelo mundo grego chegando até ao Mar Negro e à Espanha.


O SURGIMENTO DE UM NOVO SISTEMA DE ESCRITA

O uso do sistema silábico dos minoicos, as tão chamadas escritas lineares, caíram em nítido desuso uma vez que o novo sistema alfabético de escrita semítico, criado pelos fenícios mas tomado e, depois, modificado - pelos gregos começou a ser empregado - para grafar não só a língua grega, mas também outras línguas no mediterrâneo ocidental da época. Antes desse turbulento período, os micênicos escreviam sua língua utilizando o Linear B, mas após o período homérico, quando a história começava novamente a ser registrada, encontramos este novo alfabeto, o habitual alfa-beta-gama. Também os etruscos mais antigos provavelmente se beneficiaram com a nova forma de escrita. Uma vez que esse povo alcançou a Itália ocidental nos séculos posteriores a 1.200 a.C., esse mesmo sistema de escrita espalhou-se rapidamente pela Itália - servindo de grande valia ao latim - e chegando a ser adotado pelas tribos germânicas nortistas na forma de runas. Os lêmnios, de posse dum idioma falado na ilha egeia de Lemnos, similar à língua etrusca, usavam um alfabeto idêntico aos dos etruscos numa inscrição chamada Estela de Lemnos. As escritas lineares anteriores, contudo, não foram abandonadas inteiramente, uma vez que algumas inscrições pertencentes a séculos posteriores foram encontradas mostrando tais sistemas de escrita, como as inscrições D eteocipriotas.

CONFLITOS NO MEDITERRÂNEO E OS POVOS DO MAR

É por volta dessa época que revoltas em larga escala tomaram lugar, além de tentativas de usurpação dos reinos existentes por parte de povos vizinhos vítimas da praga, inanição e penúria. O reino hitita tombou devido à invasão dos chamados "povos do mar", um conjunto de populações originárias das áreas circunvizinhas em volta do Mediterrâneo. Um outro conjunto de povos tentou tomar o Egito duas vezes: uma durante o reino de Merneptá, e novamente durante o reino de Ramsés III. As defesas egípcias, contudo, ao contrário das hititas, tiveram sucesso em ambas as vezes devido ao Egito estar bem melhor protegido pela distancia e geografia que a Anatólia(excessivamente próxima da terra de origem dos povos do mar).
Embora a civilização cretense tenha ficado conhecida em parte por meio de relatos míticos, como a lenda do Minotauro, disseminados posteriormente ao período pré-homérico, a arqueologia revelou características de uma cultura primordial extremamente original e sedutora, onde a mulher possuía um papel importante e que muito provavelmente rejeitava a escravidão. Já a civilização civilização micênica ou ‘aquéia’, era formada pelos aqueus, povo do norte da Península Balcânica, e tinha seu centro na cidade de Micenas, situada na região da Argólida, região beneficiada por planícies férteis e por suas relações marítimas com Creta e as demais ilhas do Egeu. Os aqueus ficaram mais caracterizados pela belicosidade e pela austeridade de uma vida cotidiana mais dura em contraste com o refinamento artístico dos cretenses e seu apego ao bem viver. Nesse período, os grandes centros urbanos e a intensa atividade comercial antes observada deram lugar ao predomínio das atividades agrícolas. Fugindo da dominação dórica e criando novas áreas de ocupação delimitamos o advento da Primeira Diáspora Grega, que encerra o período homérico. A partir de então, a população grega organizou-se por meio das comunidades coletivas atreladas ao trabalho agrícola.

CONCLUSÃO

O período pré-homérico, ou Idade do Bronze, ficou marcado pela superação da civilização cretense pela civilização micênica. O declínio de Creta e o progesso de Micenas se acentuou com a invasão de ordas de aqueus que saquearam a ilha, colocando fim a civilização cretense, embora os aqueus acabassem usurpando da herança cultural dos cretenses, sofrendo grande influência no âmbito artístico e religioso da civilização que haviam subjugado. Posteriormente, por volta do século XII a.C, dórios, um povo guerreiro oriundo do norte da Grécia, promoveu invasões que impuseram termo também à civilização micênica, compelindo aqueus, eólios e jônios a se deslocarem da Grécia Continental para as ilhas do Mar Egeu e litoral da Ásia Menor num processo conhecido como primeira diáspora grega. Para um compreensão geral do período pré-homérico, é interessante observar a existência dessa dupla civilização formada por cretenses e micênicos, suas diferenças e características no plano social, político, econômico e cultural. Deve-se analisar o declínio de uma e o progresso de outra, e o ocaso de ambas através das invasões dóricas que promovem a primeira diáspora grega.

BIBLIOGRAFIA

·         Sammer, Jan. New Light on the Dark Age of Greece Varchive (Immanuel Velikovsky Archive)
·         Snodgrass, Anthony M. (c2000). The dark age of Greece: an archaeological survey of the eleventh to the eighth centuries BC, New York: Routledge.



sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Órgãos de sentido Trabalhos feitos Navegante


INTRODUÇÃO
O corpo humano é dotado de cinco sentidos (capacidades) que lhe possibilita interagir com o mundo exterior (pessoas, objetos, luzes, fenômenos climáticos, cheiros, sabores, etc). Através de determinados órgãos do corpo humano, são enviadas ao cérebro as sensações, utilizando uma rede de neurônios que fazem parte do sistema nervoso. ÓRGÃOS DOS SENTIDOS:



ÓRGÃOS DOS SENTIDOS
Como já foi estudado, no tópico sobre sistema nervoso, é através do impulso nervoso que as "informações" são transmitidas pelos "órgãos dos sentidos" que detectam um evento no meio ambiente, absorvendo energia. Esta energia é convertida em energia elétrica, por um receptor apropriado, que leva ao desencadeamento de um potencial de ação, que transmitirá informações ao SNC.
Diferentes tipos de órgãos do sentido respondem de modo diferente frente a diferentes tipos de energia.
Os órgãos dos sentidos possuem receptores específicos e adaptados para cada estímulo.
As "sensações" dependem da transmissão de uma mensagem ou "código". Os sentidos no homem se resumem: tato, olfato, gustação, visão, audição e equilíbrio,  e os receptores podem ser classificados quanto:
LOCALIZAÇÃO
Exteroceptores
Interoceptores
Proprioceptores
TIPO
Mecanorreceptores:
Tato - localizados na pele.
Proprioceptores - localizados no músculo.
Pressão - localizados nos vasos.
Equilíbrio - labirinto, localizado no ouvido.
Auditivos - cóclea, localizado no ouvido.
Quimiorreceptores:
Gustativos - localizados na língua (nos humanos).
Olfativos - localizados no epitélio nasal. 
Termorreceptores:
Temperatura - localizado na pele.
Eletrorreceptores:
Corrente elétrica - localizados na pele dos peixes elétricos.
Fotorreceptores:
Compostos que absorvem luz - localizados no olho.
Dor:
Terminações nervosas livres -localizadas por todo o organismo.
LOCALIZAÇÃO DOS MECANORRECEPTORES
1) O TATO
Os corpúsculos sensitivos responsáveis pelo tato estão espalhados largamente na pele, nas mucosas e nas estruturas de muitas vísceras. Esses corpúsculos respondem pela percepção da forma, da temperatura e da consistência dos corpos, assim como acusam a dor ou o simples contato de qualquer objeto. Os corpúsculos sensitivos localizados na pele são classificados em: corpúsculos de MEISSNER, de PACINI, de KRAUSE e de RUFFINI.
- Corpúsculos de MEISSNER: são superficiais, medem cerca de 0,1 mm e atuam como receptores das impressões de contato. Estes corpúsculos não estão distribuídos uniformemente, sendo mais numerosos nas superfícies palmares, nos dedos, nos lábios, nas margens das pálpebras, nos mamilos e na genitália externa.
- Corpúsculos de PACINI: localizam-se profundamente na pele, medem menos de 4 mm, são ovóides e percebem os estímulos de  pressão. Estão distribuídos em regiões do tecido subcutâneo, no tecido conjuntivo próximo a tendões e articulações, nas membranas interósseas do antebraço e da perna, no perimísio de músculos, no pâncreas e seu mesentério, em diversas serosas, sob membranas mucosas, nas glândulas mamárias e na genitália de ambos os sexos.
- Corpúsculos de KRAUSE: medem aproximadamente 0,03 mm e transmitem sensação térmica de frio.
Estes corpúsculos são mais numerosos na derme da conjuntiva, na mucosa da língua e na genitália externa.
- Corpúsculos de RUFFINI: medem aproximadamente 0,03 mm e transmitem sensação térmica de calor.
Está localizado no tecido subcutâneo e encontram-se por toda a parte, mas são mais numerosos no tecido conjuntivo subcutâneo profundo da superfície da planta do pé. 
- Corpúsculos de MERKEL: são corpúsculos de MEISSNER rudimentares encontrados nas margens da língua, e provavelmente em outros epitélios sensíveis. Esses corpúsculos são formados por discos dilatados ao nível dos ramos  terminais  das fibras nervosas que penetram no epitélio pavimentoso estratificado e são ligados a uma célula epitelial modificada.
O esquema com a localização das terminações nervosas sensitivas está ilustrado na figura 1.
Fig. 1- a) Localização dos corpúsculos sensitivos na pele. b) Detalhe dos receptores que ocorrem na pele.
2) APARELHO AUDITIVO:
Quando um corpo qualquer está vibrando, o ar que está em volta também vibra. Essas vibrações são percebidas pelo ouvido humano, que é capaz de captar ondas com vibrações compreendidas entre 16 Hz e 20.000 Hz (ondas que se repetem de 16 a 20.000 vezes por segundo).
O ouvido humano é dividido em três regiões: ouvido externo, ouvido médio e ouvido interno. A função básica dessas três regiões é transformar a energia das ondas sonoras em vibrações mais potentes a fim de serem captadas pelo sistema nervoso auditivo (fig.2).
Fig. 2 - Estruturas do aparelho auditivo
 - OUVIDO EXTERNO: formado pelo pavilhão e pelo canal auditivo, que termina no tímpano que é uma membrana recoberta externamente por uma delgada camada de pele e internamente por epitélio cúbico simples. Entre as duas camadas epiteliais encontramos duas camadas de fibras colágenas, fibroblastos e fibras elásticas que entram em vibração quando recebem as ondas sonoras. Esta vibração tem função amplificadora do som. O pavilhão externo capta o som e pode ser fixo ou móvel (dependendo da classe animal, no homem, em geral é fixo). O canal auditivo ou meato acústico externo é revestido internamente por pele rica em pelos e glândulas sebáceas e ceruminosas cuja função é a proteção do tímpano.
- OUVIDO MÉDIO: vai do tímpano até as janelas redonda e oval (membranas entre o ouvido médio e o ouvido interno) Contêm três minúsculos ossos que transmitem a vibração do tímpano até a janela oval.
São eles o martelo, a bigorna e o estribo. Um canal chamado trompa de Eustáquio comunica o ouvido médio com a faringe. Este tubo serve para que as pressões do ar de um lado e do outro do tímpano fiquem equilibradas.
 - OUVIDO INTERNO: A janela  oval  transmite as vibrações ao ouvido interno, que é formado pela cóclea ou caracol (percepção dos sons) e pelos canais semicirculares  (relacionados com o equilíbrio).
Na cóclea, onde o som é amplificado, encontram-se as terminações do nervo auditivo (fig.3).
Fig. 3 - Estrutura da cóclea
O mecanismo da audição é bastante complexo, porém resumidamente temos:
1) As ondas sonoras entram pelo canal auditivo, chegam ao tímpano e este vibra.
2) As vibrações do tímpano são transmitidas aos ossinhos martelo, bigorna e estribo. Este último comprime a janela oval, que é uma membrana na parede da cóclea. Na cóclea tem um "túnel" constituído pela rampa ascendente, membrana tectórica e rampa descendente. A rampa ascendente  transmite vibrações à membrana tectórica. 
3) Dentro da rampa há um líquido que se agita com as vibrações recebidas, que estimula a membrana tectórica e esta movimenta os cílios das células do órgão de Corti (fig.4).
4) As células do órgão de Corti (transformam as vibrações em impulsos elétricos) estimulam os dendritos do nervo coclear (na base de cada célula sensitiva há uma fibra nervosa).
5) As diversas fibras nervosas formam o nervo auditivo, que conduz os impulsos nervosos até a área cerebral responsável pela audição. Esta área do cérebro interpreta os impulsos recebidos e a pessoa ouve.
Por ser um órgão sensível, diversas são as causas que podem levar à surdez. Tímpano perfurado, endurecimento ou inflamação são as mais comuns. Calcificação e destruição dos ossinhos do ouvido médio também são causas frequentes mas podem ser corrigidas através de cirurgias. Porém, se a causa for no nervo auditivo, a surdez é praticamente incurável.
O OUVIDO E O EQUILÍBRIO:
No interior do vestíbulo (que contém 3 canais semicirculares) há um líquido que preenche estas cavidades. Os canais semicirculares se abrem no utrículo. Os canais e o utrículo são recobertos por um epitélio ciliado. Os cílios desta camada epitelial estão em intimo contato com filetes nervosos. No líquido que "banha" estes cílios também "flutuam"  cristais de Carbonato de Cálcio,  que são chamados de otólitos (fig. 5). Os otólitos, conforme a posição da cabeça do indivíduo, roçam os cílios de uma região dos canais semicirculares, os filetes nervosos em contato com os cílios conduzem o impulso nervoso através do nervo vestibular. O nervo vestibular conduz o impulso ao cerebelo e este interpreta a posição em que o indivíduo se encontra.
Fig 5 - O sáculo e o utrículo. Compare as posições dos otólitos e cílios em a), com as em b).
Se estivermos com a cabeça na vertical, o líquido encosta-se a determinadas células sensitivas. Se inclinarmos a cabeça ou o corpo todo, outras células é que são estimuladas, e o cerebelo é informado da nova posição acionando os músculos da perna e tronco endireitando o corpo. Por isso, uma infecção nos canais semicirculares chamada labirintite atrapalha essa sensibilidade e o individuo fica "com sensação de tontura e desequilíbrio". Nos invertebrados: existem estruturas precárias, chamadas  estatocistos, que são pequenas vesículas contendo grãos de carbonato de cálcio, as quais atritam células ciliadas, dando-lhes também a noção de posição do corpo.
Insetos: apresentam um músculo que exerce a função do tímpano cuja vibração é captada por células sensoriais, fazendo com que consigam perceber alguns sons. O ouvido desenvolvido aparece nos vertebrados. 
Peixes: labirinto com canais semicirculares e a lagena (similar à cóclea). Através de uma estrutura sensitiva, conhecida como "linha lateral", consegue captar as vibrações da água;
Répteis: apresentam labirinto, canais semicirculares e cóclea;
Aves: já apresentam pavilhão auricular, porém ainda precário.
LOCALIZAÇÃO DOS QUIMIORRECEPTORES
1) O ÓRGÃO OLFATIVO:
A área olfativa consiste de duas zonas, uma em cada cavidade nasal. A mucosa que reveste as cavidades nasais nas áreas olfativas constitui o epitélio olfatório ou olfato e é denominada mucosa pituitária. Esse epitélio é do tipo colunar, pseudo-estratificado, formado por três tipos celulares.
Fig. 6 - a) Mucosa olfativa. b) Estruturas do órgão olfativo.
- Células de sustentação: são prismáticas, largas no seu ápice e mais estreitas na sua base. Apresentam, na sua superfície, microvilos que se projetam para dentro da camada de muco que cobre o epitélio. Essas células têm pigmento acastanhado que é responsável pela cor marrom da mucosa olfatória.
- Células basais: são pequenas, arredondadas ou cônicas e formam uma camada única na região basal do epitélio, entre as células olfatórias e as de sustentação.
- Células olfatórias: são neurônios bipolares que se distribuem entre as células de sustentação. É dilatada em uma de suas extremidades de onde partem de seis a oito cílios. Esses cílios são longos, não têm movimentos e são considerados os receptores, isto é, a porção celular excitada pelo contato com uma substância odorífera.
Na sua parte mais anterior a mucosa pituitária é vermelha e rica em vasos sanguíneos, sendo denominada pituitária respiratória, destinada ao aquecimento do ar inspirado. A porção mais profunda ou posterior da mucosa pituitária tem cor amarela e é formada por células nervosas situadas em meio a células epiteliais. Por seus neurônios estarem sobre a superfície, quando uma membrana mucosa é lesada por um processo patológico ou por um traumatismo, os corpos das células nervosas que forem destruídas não podem ser regenerados. SMITH, através de suas pesquisas, estimou que, em média, cerca de 1% das fibras no nervo olfativo (que conduzem o receptor ao cérebro) são perdidas a cada ano de vida devido a infecções na membrana olfativa. Os corpos dos neurônios presentes no epitélio da membrana mucosa são altamente suscetíveis de serem seletivamente estimulados por odores de diversos tipos; por eles através de moléculas provenientes do meio exterior ocorre o estímulo dos botões terminais dos dendritos das células nervosas que transmitem ao nervo olfativo um impulso, que é levado ao cérebro.
O modo pelo qual um indivíduo é capaz de apreciar diferentes odores e sua relativa intensidade é assunto ainda não bem compreendido. Há tanta variedade de odores, que é impossível haver receptores especiais para cada tipo de odor, isso levou o cientista, JOHN AMOORE (1960), ao conceito da existência de células olfativas especializadas somente para certos odores básicos e que, a razão da capacidade do homem em distinguir tal variedade de odores pode ser devida a várias combinações dos receptores dos odores básicos quando estimulados por odores complexos. Segundo AMOORE, existem sete odores fundamentais: cânfora, almíscar, floral, menta, éter, penetrante e putrefato.
Em síntese temos:
a) as células olfativas seriam de diferentes tipos, especializadas para serem facilmente estimuladas por certos odores básicos;
b) os receptores para os tipos básicos de odores não estariam dispostos uniformemente através de toda a área olfativa, mas sim agregados;
c) a capacidade humana para distinguir um tal número de odores se deve a esses diferentes odores estimular diferentes combinações dos receptores para os odores básicos;
d) a intensidade de um odor está relacionada com o número de receptores estimulados por ele.
2) CORPÚSCULOS GUSTATIVOS:
Através do paladar, podemos selecionar a comida que ingerimos. Desse modo escolhemos o que nos serve e evitamos o que pode ser venenoso ou que esteja estragado. Isso tudo é possível graças às papilas gustativas da língua que percebem quatro sabores fundamentais: doce, salgado, azedo (ácido), amargo. Os demais sabores são combinações desses quatro, assim como ocorre no órgão olfativo.
É devido à presença de corpúsculos gustativos que se encontram distribuídos praticamente em toda mucosa bucal, sendo, porém, encontrados mais freqüentemente nas papilas fungiformes e valas da língua, que podemos receber os estímulos dos alimentos que ingerimos, quanto a sua forma, consistência e sabor (fig.7b).  Cada corpúsculo gustativo apresenta uma pequena abertura que permite a penetração de substâncias, o poro gustativo (fig.7a). Estes corpúsculos são constituídos por quatro tipos celulares: as células basais, as de sustentação (tipos I e II), e as sensoriais (tipo III).
Fig. 7 - a) Estrutura e inervação de um corpúsculo gustativo. b) Disposição dos corpúsculos gustativos na língua.
Tanto as células de sustentação como as sensoriais são colunares e apresentam microvilos em suas superfícies apicais. Os estímulos químicos são recebidos pelas células sensoriais e passam para as terminações nervosas através da liberação de substâncias neurotransmissoras. Pelo fato da língua possuir um grande número de papilas gustativas as mesmas foram divididas em dois grupos fundamentais: as papilas tácteis e as papilas gustativas.
As primeiras contêm filetes nervosos, são filamentosas e longas (papilas filiformes) e percebem sutilmente o tato. As papilas gustativas são inervadas por filetes do glossofaríngeo (9o par craniano) e podem ser de dois tipos: papilas caliciformes e papilas fungiformes.
- Papilas Caliciformes: (com forma de cálice); dispõem-se na parte posterior da língua, formando o V lingual. São grandes e percebem principalmente o sabor amargo.
- Papilas Fungiformes: (em forma de cogumelo); distribuem-se por toda a superfície superior e lateral da língua.
FOTORRECEPTORES
O OLHO E A VISÃO:
O olho é o órgão capaz de captar a luz e formar imagens de objetos que estejam dentro de seu campo de percepção, por isso, a percepção das cores é parte importantíssima de nossa vida cotidiana. Ela não só nos possibilita diferenciar objetos como influi em nossos sentimentos.
Para compreendermos o mecanismo da visão, devemos antes conhecer o olho e seus componentes fundamentais, que estão ilustrados na figura 8.
Fig. 8 - Estruturas histológicas do olho humano.
1) ESCLERÓTICA: membrana resistente de cor branca, formada por feixes de fibras colágenas com fibroblastos achatados e algumas fibras elásticas, que dá forma e protege o olho dentro da cavidade óssea.
Na parte posterior do globo ocular, a porção mais externa da esclerótica se comunica com a bainha dural e geralmente também com a lâmina aracnóidea do nervo óptico. Suas lâminas mais internas se comunicam com a pia-máter. A parte anterior e transparente da esclerótica é a córnea.
Córnea: camada fina da frente do olho. É transparente para a passagem da luz e não possui vasos sanguíneos. É essencialmente constituída por um tipo especial de tecido conjuntivo denso e um material intercelular denominado  substância própria. Esse epitélio possui diversas camadas de espessura e é muito rico em terminações nervosas, principalmente do tipo receptor para dor, por isso qualquer irritação provoca o fechamento das pálpebras e secreção de lágrimas automaticamente como meio de defesa do organismo.
2) CORÓIDE: rica em vasos sanguíneos, que trazem o alimento e oxigênio para as células do olho. Entre os vasos observa-se um tecido conjuntivo frouxo, rico em fibroblastos, fibras colágenas e elásticas. Possui células pigmentadas cheias de melanina as quais, quando estimuladas produzem a visão. A coróide é constituída por corpo ciliar e torna-se visível através da córnea formando a íris.
Corpo ciliar: apresenta-se como uma dilatação da coróide ao nível do cristalino. Tem aspecto de um anel espesso, contínuo, revestindo a superfície interna da esclera. O componente básico dessa região é tecido conjuntivo, rico em fibras elásticas, células pigmentares e capilares, no interior do qual encontramos o músculo ciliar. Esse músculo é constituído por três feixes de fibras musculares que se inserem de um lado na esclera e, de outro, em diferentes regiões do corpo ciliar.
Íris: é um prolongamento membranoso da coróide que contém os pigmentos que dão cor aos olhos e que limita uma abertura central, a pupila.
Pupila: é a "menina dos olhos". É a abertura da íris, por onde a luz entra. Contraindo ou dilatando-se, a íris muda o diâmetro da pupila, regulando a entrada de luz. Isso ocorre devido a íris possuir fibras musculares lisas ao redor da pupila que são inervadas pelo nervo do sistema simpático, os quais dilatam a pupila (midríase); e pelos nervos do sistema parassimpático, que provocam a contração da pupila (miose).
3)  RETINA: é formada por dez camadas, porém as mais importantes são onde estão os neurônios fotorreceptores que estão distribuídos na macula lutea  (mancha amarela) e classificam-se  em  cones  e bastonetes. Ver desenho esquemático na figura 10. 
Macula Lutea ou Mancha Amarela: No seu centro existe uma estrutura chamada Fóvea Centralis que é local da retina onde se forma a imagem do objeto que olhamos diretamente. Esta área é especializada de diversas maneiras para um maior grau de resolução visual. Nesta área estão localizadas estruturas chamadas cones que são responsáveis pela visão colorida, são também pouco sensíveis à luz. Na área mais periférica da macula lutea  estão localizados os  bastonetes que são muito sensíveis à luz (claro / escuro). Em situações de baixa intensidade luminosa somente os bastonetes são estimulados e só conseguimos distinguir branco e preto. Somente a imagem formada na macula lutea é interpretada clara e distintamente pelo cérebro. Nos cones e bastonetes da retina existe um pigmento fotossensível, a  rodopsina, formado de uma proteína (opsina) associada a um pigmento carotenóide chamado retinal  (vitamina A). No escuro esse pigmento carotenóide está na forma 11-cis-retinal. A ação da luz muda a forma do 11-cis-retinal para todo-trans-retinal. Essa ativação da rodopsina ativa a transducina, proteína G  encontrada na retina. A transducina liga-se ao GTP, e isto por sua vez ativa a fosfodiesterase que catalisa a conversão do
GMP cíclico (GMPc) para 5-GMP. O GMPc no citoplasma dos bastonetes mantém os canais de Na+ na posição aberta, e sua redução leva ao fechamento dos canais e à hiperpolarização. Esta reação em cascata amplifica o sinal da luz e ajuda a explicar a grande sensibilidade dos bastonetes tornando-os capazes de produzir uma resposta detectável até para um único fóton de luz. A avitaminose  "A"  provoca a hemeralopia ou cegueira noturna, pois está intimamente ligada à produção de rodopsina. Existem também tipos diferentes de cones, cada qual com uma variedade de pigmento visual diferente da rodopsina, porém muito afim com ela. Supõe-se que cada um deles tenha receptividade específica para o comprimento de onda de uma das três cores primárias (vermelho, azul e verde). Os diferentes tons de cor são percebidos pela combinação ponderada dos estímulos a esses tipos de cones. No daltonismo, pode não ocorrer a formação normal de um ou mais de um desses tipos de cones, com a consequente deficiência dos respectivos pigmentos.
É na retina que se encontra também a estrutura responsável pelo sistema condutor dos estímulos sofridos pelos cones e bastonetes. Essa estrutura é denominada  Nervo óptico  que por sua vez é formado por centenas de fibras nervosas que conduzem os impulsos ao cérebro. No local onde o nervo óptico passa pelo fundo do olho não se forma imagem; esse ponto então é chamado de ponto cego.
4)  CRISTALINO: tem forma de lente biconvexa e apresenta grande elasticidade, que diminui progressivamente com a idade. É formado por três partes: fibras do cristalino, cápsula do cristalino e epitélio subcapsular. Ele é a lente que faz os raios luminosos, provenientes do objeto observado, caírem sobre a fóvea centralis. 
5)  MÚSCULOS CILIARES: contraindo-se ou distendendo-se, variam a curvatura do cristalino, adaptando-o para melhor focalização do objeto.
6) HUMOR VÍTREO: ocupa a cavidade do olho que se situa atrás do cristalino; tem aspecto de um gel claro, transparente e apresenta no seu interior fibrilas de colágeno. Seu componente principal é a água (cerca de 99%) e glicosaminoglicanas altamente hidrófilas, em especial o ácido hialurônico.
7) GLÂNDULAS LACRIMAIS: glândulas exócrinas que produzem lágrima que é espalhada sobre a córnea, pelo "pisca-pisca" das pálpebras, lubrificando-a e impedindo que fique seca e irregular (fig. 10).

Fig. 10 - O aparelho lacrimal consiste de uma glândula secretora da lágrima e uma série de ductos.
DEFORMAÇÕES DO GLOBO OCULAR:
Um globo ocular com curvatura muito acentuada, pouco acentuada ou irregular faz com que a imagem não caia corretamente sobre a retina; por isso a necessidade de lentes adequadas (fig. 11) para corrigirem essa anormalidade que pode se agravar progressivamente se não for tratada.
Fig. 11 - a) Uma lente com uma superfície convexa causa a convergência dos raios de luz; b) uma lente com superfície côncava causa a divergência deles.
MIOPIA:  se o globo ocular é alongado e a córnea é muito curva, a imagem se forma  antes da  retina.
Olhando o objeto bem de perto, o míope enxerga, porque, neste caso, a imagem se forma quase sobre a retina. Esquema ilustrado abaixo.
CONCLUSÃO
Depois de efectuar o trabalho cheguei a conclusão de que nos seres humanos, temos cinco sentidos fundamentais, são eles: audição, olfato, paladar, tato e visão. São eles que propiciam o nosso relacionamento com o ambiente. Com esses sentidos o nosso corpo percebe o que está ao nosso redor e isso nos ajuda a sobreviver e integrar com o ambiente em que vivemos. Existem receptores especializados, que são capazes de adquirir diversos estímulos. Os três receptores são: Exteroceptores, Proprioceptores, Interoceptores.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ü  Pereira, Ana Maria. Passaporte para Ciências. Órgãos dos sentidos: Visão, audição, tato, olfato e paladar. [S.l.: s.n.], 2010.