sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

o enquadramento das ciencias sociais na sociedades modernas

INTRODUÇÃO
O presente estudo visa a debruçar sobre ciências sociais que por sua vez podemos dizer que é o estudo das origens, do desenvolvimento, da organização e do funcionamento das sociedades e culturas humanas. O objecto de estudo da ciência social estuda os fenómenos, as estruturas e as relações que caracterizam as organizações sociais e culturais. Ele analisa os movimentos e os conflitos populacionais, a construção de identidades e a formação das opiniões. Pesquisa costumes e hábitos e investiga as relações entre indivíduos, famílias, grupos e instituições. Desenvolve e utiliza um conjunto variado de técnicas e métodos de pesquisa para o estudo das colectividades humanas e interpreta os problemas da sociedade, da política e da cultura.



AS ORIGENS DA CIÊNCIA SOCIAL
As Ciências Sociais são mencionadas, pela maioria dos intelectuais, como as disciplinas de natureza do modo de produção capitalista, ou seja, disciplinas que surgiram com o advento do capital, após a grande indústria. Aceitá-las como ciências históricas (produtos), referentes a um determinado desenvolvimento das forças produtivas, como resultado da atividade de toda uma série de gerações as quais são responsáveis pela compreensão e transformações do cenário social é algo que, recorrentemente, se observa na obra de Marx.
Entretanto, é mister virar-se para o passado e perceber de que modo se dava a apreensão do pensamento frente aos problemas sociais oriundos das condições materiais de existência do homem para entender a totalidade das Ciências Sociais na sociedade burguesa.
Em todos os modos de produção da história, a apropriação do conhecimento sempre foi uma atividade necessária para que o homem conseguisse superar a natureza e transformar as coisas para si.
A dialética da atividade e da passividade do conhecimento humano manifesta-se, sobretudo, no fato de que o homem, para conhecer as coisas em si, deve primeiro transformá-las em coisa para si; para conhecer as coisas como são independentemente de si, tem primeiro de submetê-las à própria práxis: para poder constatar como são elas quando não estão em contacto consigo, tem primeiro de entrar em contacto com elas. O conhecimento não é contemplação. A contemplação do mundo se baseia nos resultados da práxis humana. O homem só conhece a realidade na medida em que ele cria a realidade humana e se comporta antes de tudo como ser prático (KOSIK, 2002: 28).
Desta maneira, tinha-se na era pré-capitalista, mormente na sociedade grega, a filosofia como instrumento necessário, cujo sentido era a busca do conhecimento acerca das condições de existência do homem, isto é, usar o conhecimento para desenvolver e reproduzir a realidade na qual vivia. Com Platão e Aristóteles quiçá tenha-se alcançado o sentido mais acabado da investigação da realidade social.
Porquanto é em Hegel que a filosofia - como conhecimento da realidade – assume um caráter de destaque quando expressa a concepção de que o mundo das ideias determina o ser social, quando explica à práxis a partir da ideia. Hegel anuncia, portanto, o espírito idealista da história (evolucionismo espiritualista) o que seria o germe da crítica de Marx à perspectiva hegeliana.
A força motora da História, também de religião, da filosofia e de todas as demais teorias, não é a crítica, mas sim a revolução. Ela mostra que a história não termina resolvendo-se na “Consciência de Si” como “espírito do espírito”, mas que nela, em todo os estádios, se encontra um resultado material, uma soma das forças produtivas com a natureza e dos indivíduos uns com os outros que a cada geração é transmitida pela sua predecessora, uma massa de forças produtivas capitais e circunstanciais que, por um lado, é de fato modificada pela nova geração, mas que por outro lado também lhe prescreve as suas próprias condições de vida e lhe dá um determinado desenvolvimento, um caráter especial – mostra, portanto, que as circunstâncias fazem os homens como os homens fazem as circunstâncias (MARX. 2002: 48).
Marx, por sua vez, estabelece a sua concepção da história:
Não se parte daquilo que os homens dizem, imaginam ou se representam, e também não dos homens narrados, pensados, imaginados, representados, para daí chegar aos homens em carne e osso; parte-se dos homens realmente ativos, e com base no seu processo real de vida apresenta-se também o desenvolvimento dos  reflexos e ecos ideológicos deste processo de vida (Op. cit. 2002: 54).
Pensa-se, com isto, que em Marx tem-se a passagem do pensamento social – filosófico - ao pensamento científico, Ciência Social. As condições materiais para se chegar a esta conclusão concernem ao grau de desenvolvimento que alcançaram as forças produtivas do capital no período industrial, cujo sentido é determinado, pela maioria dos cientistas sociais, como o momento que engendra o nascimento das Ciências Sociais.
Este artigo tem a intenção de contribuir nesta perspectiva, ou seja, mostrar a institucionalização das Ciências Sociais na América Latina como o resultado do processo de industrialização e da subsequente complexidade social que emerge. Com efeito, as Ciências Sociais, em grande medida, surgem para apreenderem o novo cenário social das sociedades modernas e para investigar acerca das transformações engendradas pelo grassar das forças produtivas do capital. Não resta dúvida que as Ciências Sociais traduzem a produção do conhecimento sobre os problemas sociais em uma gigantesca organização da ciência onde a metodologia, epistemologia e a teoria ganharam importância na escala do desenvolvimento social.
Desta maneira, tentar-se-á dividir o artigo em dois eixos temáticos, isto é, o primeiro eixo apresentará as condições pelas quais a institucionalização foi possível. O espírito será situar as Ciências Sociais como as formas mais acabadas do pensamento filosófico-social e como as somas das compreensões históricas sobre as condições materiais de existência humana feitas por gerações passadas.
O segundo eixo, versar-se-á sobre, as características e os avanços das Ciências Sociais na América Latina; para tanto, mostrar-se-á a forma pela qual se constituíram, cuja condição, em um longo período, era de ser caixa de ressonância do pensamento europeu e, somente, em meados do século XX foi possível uma investigação mais contundente e séria acerca da realidade social latino-americana.








A SOCIEDADE MODERNA E AS CIÊNCIAS SOCIAIS
Uma relevante contribuição para este tema é o livro de Immanuel Wallerstein “Impensar las Ciencias Sociales” cuja publicação, vale comentar, está inteiramente a serviço da compreensão e consolidação do seu “sistema mundo moderno”. Neste livro Wallerstein menciona que:
a institucionalização das Ciências Sociais, as quais, como chegou a se defini-las no século XIX, foram o estudo empírico do mundo social, um estudo realizado com a intenção de compreender o “cambio normal” e, assim influir nele. As Ciências Sociais não foram o produto de pensadores sociais solitários, senão, a criação de um grupo de pessoas dentro de estruturas específicas para alcançar fins específicos. Implicou em uma inversão social importante, que nunca antes havia sucedido com o pensamento social (1998: 260).
Nas palavras de Wallerstein – para quem “as Ciências Sociais são as enunciações dos conjuntos de regras universais que explicam o comportamento social dos seres humanos” (1998: 262) – após a grande indústria as Ciências Sociais são abarcadas pelas universidades, centros e institutos de pesquisas e estudos apontando assim a produção do conhecimento científico para explicar as relações sociais decorrentes do modo de produção capitalista. “As Ciências Sociais se converteram cada vez mais em uns instrumentos para governar, de maneira inteligente, um mundo onde a transformação social era normal e, portanto, ajudaram a limitar o alcance de ditas transformações” (Op. cit. 1998: 23).
Uma outra, central, contribuição foi o modo pelo qual as Ciências Sociais constituíram-se na emergente sociedade burguesa moderna, isto é:
O principal modo de institucionalizar as Ciências Sociais foi mediante a diferenciação na estrutura universitária tradicional europeia que em 1789 quase se encontrava moribunda. As universidades, que nesse momento dificilmente eram centros intelectuais vitais, se encontravam ainda organizadas a maneira tradicional de quatro faculdades: teologia, filosofia, direito e medicina. Ademais, havia relativamente poucas universidades. No transcurso do século XIX se criaram muitas cátedras novas, em grande medida na faculdade de filosofia e sem menor grau na de direito (Op. cit. 1998: 21-22).
Embora as produções supracitadas dos intelectuais brasileiros fossem, no seu valor sociológico, consideradas controvertidas, caracterizavam a produção brasileira em uma área que estava em franco desenvolvimento. As novas transformações sociais provocadas pela “grande depressão” de 1929 aceleraram ainda mais o caráter produtivo das áreas das Ciências Sociais.
No México, ainda sob os efeitos da Revolução Mexicana de 1910, as transmutações sociais ocorridas no segundo decénio do século vinte – no âmbito acadêmico institucional – mostram o novo carácter da sociedade. A maior universidade da América Latina – UNAM – redimensiona a Faculdade de Ciências Sociais em 1929, cria o Instituto de Investigações Económicas em 1941, dentro da Escola Nacional de Economia, e o Departamento de Psicologia na Faculdade de Filosofia e Letras e os Departamentos de Humanidades e Investigação Científica em 1944.
Na Argentina, precisamente em Córdoba, o terreno para a institucionalização das Ciências Sociais havia sido “adubado” um pouco mais de uma década atrás, pela Reforma Universitária de Córdoba de 1918.
La Reforma Universitária de 1918 foi um acontecimento que mobilizou a maioria dos centros universitários latino-americanos no sentido de repensar e revolucionar os mecanismos de dominação das universidades, que naquele momento estavam embrenhados nas garras do regime colonial. Os estudantes, os protagonistas, sem vacilar rebelaram-se contra o regime autoritário, contra a administração que não respondia às demandas dos acadêmicos, contra o método docente inexequível ausente das investigações científicas e contra o paradigma de ensino que não contemplava a objetividade da realidade social.
Evidentemente, que não se descarta a existência de um pensamento social profundamente inclinado a analisar a realidade social fora das universidades. Isto seria um olímpico desprezo pelos intelectuais independentes, incorretos, aqueles que não estão sobre a tutela do estado burocrático para responder às suas exigências teóricas, tal qual propôs Schopenhauer na sua filosofia universitária, ou os intelectuais revolucionários no México no final do século XIX.
Portanto, “a massiva institucionalização das ciências sociais na grande maioria dos países latino-americanos ocorreu paralelamente com o período de expansão capitalista global...” (SONNTAG citado por Sotelo. 2005: 32), é a razão para o aparecimento de uma abordagem mais segura e comprometida acerca dos assuntos latino-americanos, terminando de uma vez por todas “a difícil gestação de uma Ciência Social crítica, centrada na problemática de nossas estruturas econômicas e sociais, políticas e ideológicas”, (MARINI. 2000: 265).
Com a institucionalização, dialeticamente surge outro fenômeno que é mister sublinhar, a saber, o pensamento revolucionário do século XIX, perde vitalidade com o nascimento das Ciências Sociais. Tinha-se com José de San Martí e com Simon Bolívar, e soma-se a eles os precursores intelectuais do México, um pensamento esclarecido e com o horizonte teórico-revolucionário muito bem definido. As Ciências Sociais, evidentemente, marcam um outro momento da história da América Latina, porém a vocação de uma teoria voltada para a revolução e inclinada totalmente aos assuntos latino-americanos perde força com a institucionalização. As correntes teóricas eurocêntricas e norte-americanas aparecem no novo cenário da América Latina e buscam explicar a realidade social mediante as suas concepções. Nesta perspectiva, muitas vezes, ocultavam o verdadeiro significado do pensamento revolucionário da América Latina; este foi, sem dúvida, o maior embate teórico que o pensamento latino-americano enfrentou.
É oportuno trazer à luz, que o desenvolvimento das Ciências Sociais no segundo quartel do século XX não se dá através do processo permanente de crítica, ou seja, o pensamento social crítico, que combatesse os modelos hegemônicos e que estivesse debruçado profundamente no conhecimento da realidade social latino-americana, não era a característica das Ciências Sociais no período de institucionalização; o padrão organizativo e institucional subsume a possibilidade de uma Ciência Social crítica. O espírito crítico aparece em meados do século vinte, especialmente, com teoria marxista da dependência e com alguns intelectuais que de maneira isolada produzem obras de excelente nível.
Uma outra abordagem são as intensificações comerciais que suscitavam entre os países latino-americanos. Ruy Mauro Marini prossegue observando:
Paralelamente, se intensificam as relações comerciais e políticas entre os países da região, suporte necessário para um conceito autônomo de latino-americanismo. Até aquele momento, a ideia de América Latina se havia esboçado desde a Europa, como simplificação adequada para um esquematismo ignorante, tanto por parte dos setores dirigentes como da esquerda (2000: 264).
Com isso, não resta dúvida que as Ciências Sociais da América Latina, acabam de surgir; doravante, começam a aparecer trabalhos da mais alta qualidade teórica e metodológica. A busca de uma investigação que abarcasse a epistemologia e a relação de dependência e subdesenvolvimento de nossas sociedades passa a ser, em grande medida, o paradigma das pesquisas das Ciências Sociais.
Contudo, é mister fazer outras considerações acerca deste fenômeno. Nos finais da década de quarenta do século XX, a Comissão de Estudos para a América Latina e o Caribe - CEPAL - surge como uma via extraordinariamente importante para explicar os assuntos políticos-econômicos latino-americanos; reflexo evidente do novo cenário que apresentam as Ciências Sociais.
Os mais expoentes pensadores da CEPAL como: Raul Prebisch e Celso Furtado fazem análises referentes ao caráter de subdesenvolvimento em que se encontra o continente latino-americano.  Na visão da CEPAL, o mecanismo de superação deste atraso estaria na consolidação de um maciço processo de industrialização “uma vez que ele será capaz de provocar a transformação das estruturas econômicas, corrigir o desequilíbrio nas relações comerciais internacionais, e permitir a assimilação do progresso técnico”, segundo analisa José Sérgio R. De Castro Gonçalvez. (Em: Furtado. 1983: 14)
Outra fonte de inspiração das Ciências Sociais, ante o processo de institucionalização, foi o papel que desenvolveu o marxismo no cerne da sociedade; o marxismo em meados do século XX foi uma relevante teoria a elaborar trabalhos sérios.
É neste sentido que se pode citar autores marxistas, como o argentino Sérgio Bagú (1949), o brasileiro Caio Prado Júnior (1959) e o chileno Marcelo Segall (1953) que, duas décadas depois da crise de 1929 e do subsequente processo de institucionalização das Ciências Sociais, já faziam abordagens acerca da nova realidade.















AS CIÊNCIAS SOCIAIS NO MUNDO CONTEMPORÂNEO
A história da humanidade pode ser compreendida sob um ponto de vista epistêmico que a ordene com base nos valores dominantes em cada época, levando em conta que as relações sociais são sempre permeadas por  um modo específico de pensar (Marcondes Filho, 1987: 9).
Assim entendendo, podemos ordenar longos períodos históricos á luz  de incontestes hegemonias (no sentido gramsciano) quanto as formas de pensar; a saber: o período dominado pelo pensamento mágico, pelo filosófico, pelo religioso e, a partir da modernidade, pela crença na eficácia da ciência. Essas formas de conhecimento, uma vez hegemônicas, independem de “acertos” ou grau de “verdade”, pois se legitimam na medida em que dão fundamentos ideológicos  ao modu vivendi dominante no período considerado.
Sendo na atualidade a ciência, ainda, e apesar da propalada “crise dos paradigmas”, a forma hegemônica de conhecimento, ela imprime modos específicos de pensar que permeiam as relações sociais. Mas pode-se simplesmente dizer que a vida social é regida por esta forma específica de conhecimento hegemônico? Ambiguamente pode-se responder: sim e não.
De certo modo há um forte grau de consenso em torno da premissa de  ser a ciência basicamente um conjunto articulado de conhecimentos sobre determinado objeto, ou seja, os conhecimentos obtidos mediante a observação dos fatos e um método próprio de investigá-los. Método que sofre variações quanto as diferentes escolas do pensamento e áreas de investigação. Acrescente-se ao dito que a ciência observa regras de sistemática, objetividade, controle, predição, precisão e mais uma infinidade de estatutos, chegando a desqualificar juízos de valor (Weber: 1977), enfatizando a neutralidade e a mensurabilidade. Por outro lado, de forma panorâmica, pode-se também dizer que as formas de pensar que orientam o ordenamento das relações sociais na contemporaneidade, não são inteiramente informadas pelo saber científico, enquanto maneira de pensar hegemônica.

Fatos sociais
Emile Durkheim (1858-1917), contribuiu sobremaneira no sentido de dar  estatuto científico à sociologia, ao construí-la à luz de objeto de estudo e método próprio. Através de um esforço monumental dotou-a de um corpo de conceitos adequados e de específicos processos de investigação e de interpretação. No livro “As Regras do Método Sociológico”, Durkheim postulou serem os “fatos sociais” externos aos indivíduos (portanto fatos objetivos)  e “também dotados de um poder imperativo e coercitivo, em virtude do qual se lhe impõem, quer queira, quer não”. (Durkheim, 1982: 2).
A distância temporal que nos separa dos escritos de Durkheim, inclui, necessariamente, todo o advento do processo científico-tecnológico moderno e seus desdobramentos. Os fatos sociais, na atualidade, podem ser artificialmente construídos tanto pela “propaganda ideológica” que “visa controlar o juízo público” (Chomsky, s/d: 11), intentando forjar consenso político, quanto pelos modernos meios de comunicação de massa, em atendimento aos interesses econômicos através da fabricação de gostos e padrões de consumo coletivos, pois os fatos sociais foram transformados em mercadorias que, no dizer de um estudioso: “são as mais humanas de todas, pois vendem a varejo, os hectoplasmas de humanidade, os amores e os medos romanceados, os fatos variados do coração e da alma”. (Morin, 1975: 9).
Os homens necessitam dar um significado à realidade que os rodeia pelo simples fato dela existir e, portanto, não podem prescindir de elaborar justificativas para os fenômenos naturais e sociais. Essa justificativa imperativa, os leva a criar padrões culturais. Sociedades diferentes, dão sentido às suas existências de formas diversas, uma vez que produtos de culturas diferenciadas. Este  anti-etnocentrismo cultural deixa patente que as ideias de “certo” e de “errado” não podem ser encontradas num absoluto, mas sim na cultura de cada sociedade. Se fosse um absoluto, teríamos apenas uma cultura única, uma mesma e indiferenciada visão de mundo, universalizada. As diversas culturas legitimam as suas respectivas visões de mundo, pois estas dão significado à existência, independente de serem de caráter religioso, mágico, filosófico ou científico, ou seja, “nas culturas pré-industriais a magia é o ‘estabilizador cultural’ enquanto que na cultura industrial moderna tal função é desempenhada pela ciência como técnica”. (Bartholo Jr., 1986: 23).
A cultura de determinada sociedade estabelece um patamar no qual as normas e leis (folkways e mores) tornam a convivência possível. Costumes, normas, leis, formam o suporte sob o qual os membros de determinada sociedade se baseiam na busca de um equilíbrio para as suas existências. É como um paradigma (no sentido kuhniano). É como um corpo geral, um sentimento do mundo, nem sempre explicitado. Nas sociedades modernas, fazem parte deste corpo geral, além do aparato jurídico, possibilidades ideais tais como: igualdade, equidade, justiça, honra, honestidade e outros “sentimentos edificantes”... Mas há uma idealidade que se destaca das demais, sob o aspecto de apresentar a capacidade de oferecer uma quase mensurabilidade: a ideia de igualdade política e jurídica entre todos os homens. Realizando o pressuposto baconiano de desvendar os “mistérios da natureza”, as ciências naturais, através da instrumentalização dos fecundos conhecimentos produzidos, vai efetivando cada vez mais um avassalador controla sobre os fenômenos naturais. Desta forma, a moderna ciência natural torna-se ciência aplicada apresentando o seu traço distintivo enquanto ciência: a “sua indissolúvel vinculação ao método experimental e com isso a exatidão dos aparatos técnicos de medida” (Bartholo Jr., 1986: 61). O mesmo não ocorre com as ditas ciências sociais; isto por uma impossibilidade intrínseca, pois como argumentou Max Weber o método das ciências naturais é explicativo e o das ciências da cultura, compreensivo. Ainda em fase de gestação, há um rascunho de teoria social que tenta justificar as mazelas humanas (fome, exclusão, violência, injustiças, etc.) no fato de as ciências da sociedade não possuírem “precisão” comparável á das ciências naturais. Esse problema, apesar de uma aparente clareza e simplicidade de raciocínio, encobre uma lógica perversa, uma tautologia, ou mesmo a velha história de se entregar à raposa a chave do galinheiro.
No que tange a anteriormente referida necessidade de explicação das coisas, consideramos que ela possui um duplo aspecto: interno e externo. Sob o aspecto interno, as possibilidades de um subjetivismo manipulador, são quase nulas, pois que dispensáveis enquanto exercício já que “foram validadas num processo argumentativo em que o consenso foi alcançado, sem deformações externas, resultantes da violência” (Rouanet, 1984: 14). Por outro lado, sob o seu aspecto externo, as explicações que muitas vezes têm sido produzidas tipificam-se pela farta manipulação. É exatamente sob os seus aspectos de externalidade que a manipulação encontra seus motivos e suas justificativas nos interesses de grupos, classes ou frações de classe.
Uma excessiva manipulação do sistema de valores de um mundo cada vez mais globalizado tende a comprometer o sistema de hábitos estabilizados e introduzir situações caóticas. Assim como o nosso meio ambiente (entendido como sistema fechado) possui seus limites e irreversibilidade quanto à intervenção técnica, a intervenção no sistema simbólico decerto estabelece limites e irreversibilidade quanto à indiscriminada intervenção no sistema de valores. Esta intervenção em nada se compara às hegemonias mágica, filosófica ou religiosa do passado, uma vez que estas buscavam uma permanência ao passo que a intervenção moderna, de caráter lógico-operativo, está ancorada em mudanças constantes e contraditórias.
Na atualidade, por artes da denominada globalização, há pelos quatro cantos da terra um processo de franca e inequívoca degradação da credibilidade. Um unânime manto de suspeição reveste quaisquer enunciados - objetivos ou subjetivos - que porventura possam ser elaborados. Perplexas as pessoas comuns e mesmo os estudiosos (e suas teorias) buscam uma apreensão lógica, na tentativa de captura racional para estes rumos tecnológicos e mesmo um entendimento dos efeitos de todo esse processo sobre a humanidade. Tal problema, de tamanha magnitude e complexidade, desafia a capacidade de síntese e a possibilidade de discernimento abrangente.



CONCLUSÃO
Por suas especificidades, as ciências sociais desenvolveram um pensamento marcado por fortes reacções contra interpretações biologistas. De qualquer forma, acreditamos que seria incorrecto ver suas teorias como um retrocesso em relação às anteriores. Pelo contrário, os clássicos, sempre que correctamente contextualizados historicamente, representam um avanço sobre as teorias sociais de sua época. A preocupação com a classe na teoria e na análise dos movimentos sociais parece suscitar antigas questões que foram ultrapassadas pela evolução da sociedade moderna. A classe não cumpre mais um papel nos discursos diagnósticos sobre as sociedades modernas avançadas. Tornou-se até elegante fazer diagnósticos críticos das sociedades modernas além e contra o discurso em termos de classe. A queda dos regimes comunistas e a ascensão do nacionalismo deram um ímpeto adicional a argumentos em favor da obsolescência da análise de classe para as sociedades modernas. A classe tem a ver com a sociedade industrial e suas ideologias, e como essas sociedades e suas ideologias não mais existem, deveríamos nos livrar das velhas concepções e ferramentas analíticas usadas para entender a sociedade moderna.




BIBLIOGRAFIA
_______________AS CIÊNCIAS SOCIAIS NO MUNDO CONTEMPORÂNEO E O ENIGMA DA ESFINGE. Disponível em em: http://www.achegas.net/numero/dezoito/m_cavalcante_18.htm. Acessado aos 18 de Novembro de 2014 
ALBUQUERQUE, J.A.G. “Classes Sociais e Produção Intelectual”. In, Classes Sociais e Trabalho Produtivo. Rio de Janeiro: CEDEC/Paz e Terra, 1978.
ALVES FILHO, Aluizio. “O ‘fato social’ como objeto de estudo da sociologia – a revolução teórica de Emile Durheim”. In, Contemporânea – Revista de Estudos e Debates das Faculdades Integradas Bennett, vol. 6, no. 1. Rio de Janeiro: Bennett, 2002.
WEBER,  Max. Sobre a teoria das ciências sociais. Lisboa: Editorial Presença, 1977.



terça-feira, 9 de setembro de 2014

letra inuvé cage one

LETRA DO INUVÉ-----
yeah
yeah
yeah ok
SKINNY GANG
eu disse que tava a chegar a minha hora / 2x
its time
lets gooooooo
´brahhhhh´´
CORO
INUVÉ
INUVÉ INUVÉ INUVÉ
INUVÉ
INUVÉ INUVÉ INUVÉ
AQUI NUNHUM RAPPER ME BONDA
AQUI NUNHUM RAPPER ME BONDA '' hah''
AQUI NUNHUM RAPPER ME BONDA
AQUI NUNHUM RAPPER ME BONDA ---- 2 VEZES
1-VERSO
Aqui nunhum rapper me bonda
juro so temo a minha sombra
o resto abato,massacro to tipo
ultima linha dos COMBAS
o rappers q achas fod#‪#‎dos‬
estao a ser comidos
isso é um canibalismo
ao vivo em directo da sombra do diabo do rap
avisem q o boy ta de volta
tenho na boca um fuzil
diz a esses niggaz pra tchill
senao i will
por esses niggaz a mil
voces ja sabem o trill
to a ser real
nao veem q to a vos dormir
porque q duvidam dmim
por ser o melhor e q
tenho o teu amor e o teu odio a rezarem por mim
nigga
isso é pro moºs niggaz YES
meus fãs do angolan dream boy ,fenix
vosso boy ta back ,back
rappers nao estao ao meu nivel
swaggers nao estao ao meu nivel
se tentam ,ficam inreconheciveis
disseram q muitos querem ver a minha morte
obrigado
q Deus vos pague
porque eu to sem trocos pra pobres
mas ,saibam q os meus fãs sao tipo os 300
onde chegamos ,matamos solos e grupos não importa o elenco
''CORO''
SEGUNDO VERSO
oh lord
juro to farto de ouvir esses rappers
que não vivem o q cantam
sao todos dj's ainda estão com soneca
a minha garra ,a mnha ira,a minha fome ate o diabo respeita
porq entro pro inferno e mato o teu rapper,teu rei favorito do game
e lhe arranco a cabeça niggah
e trago d novo a cabeça pro' stage
nao se metam comigo nem eu com voçes
senão faço teu 4 de abril ser de fevereiro
eu cresci a lutar palavra dum wi rosqueiro
perguntem meus niggaz no block
comò é no block
la nao ha big so ha pac
guerra pra nos e constante
don't give a fuck
se o niggaz q axas mais quentes
sao os q andam no top
eu so vou stop
quando esses fãs entenderem
que os idolos
sao fas desses craque
rest in peace my nigga ACTION NIGGA
tu eras vidente,disseste q tavah a chegar o meu dia
e sinto na pele q chegou a minha hora
e se es dos meus ,pegas a tuas coisas e vamos embora
ja
''CORO''
SKINNY GANG

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

periodo pré - homérico


INTRODUÇÃO

Durante o período de formação da civilização grega observamos a chegada de diferentes povos à região da Península Balcânica, do Mar Egeu e no litoral da Ásia Menor. Contando com uma geografia acidentada e poucas terras férteis disponíveis, os povos que habitavam essa região dedicavam-se principalmente ao comércio e à colonização de outras regiões próximas do Mar Tirreno e Adriático. A civilização cretense foi a primeira a se fixar na região insular do mundo grego. Fixados na Ilha de Creta, essa civilização construiu várias cidades ao longo da ilha e de outras partes da Grécia Continental. Desenvolvendo intensa atividade comercial, os cretenses alcançaram o apogeu de sua civilização. Cerâmica, tecidos, vinhos, mármores e metais eram os principais itens negociados entre as cidades cretenses. Um peculiar ponto da cultura cretense refere-se à existência de uma estrutura familiar onde a mulher ocupava papel de destaque. No campo religioso essa mesma valorização da figura feminina percebe-se no culto à Deusa-Mãe, representante da fertilidade e da terra. Tal ponto característico da cultura cretense pode ser observado dentro da futura Cidade-estado de Esparta, onde as mulheres exerciam importantes papéis.



PERÍODO HOMÉRICO


O termo período homérico ou Idade das Trevas (c. 1200 a.C.-800 a.C.) refere-se ao período da história da Grécia Antiga cujo início tem lugar a partir da suposta invasão dórica e do final da Civilização Micênica no século XI a.C. e cujo fim é marcado pela ascensão das primeiras cidades-estados gregas no século IX a.C., pela literatura épica de Homero e pelos primeiros registros escritos a utilizarem o alfabeto grego, no século VIII a.C..
A arqueologia mostra que houve um colapso da civilização que habitava o mundo Mediterrâneo ocidental durante esse período. Os grandes palácios e cidades dos micênicos foram destruídos ou abandonados. A civilização hitita entrou em colapso. Cidades inteiras foram destruídas, desde Troia até Gaza. A língua grega deixou de ser escrita. A arte cerâmica do período homérico grega consistia em desenhos geométricos simplistas, a decoração figurativa da produção micênica anterior sendo inexistente. Os gregos do período homérico viviam em habitações menores e mais esparsas, o que sugere a fome, escassez de alimentos e uma queda populacional. Não foram encontrados em sítios arqueológicos nenhum artigo importado, mostrando que o comércio internacional era mínimo. O contato entre poderes do mundo exterior também foi perdido durante essa época, resultando num progresso cultural vagaroso, bem como uma atrofia em qualquer tipo de crescimento.
Os reis desse período mantiveram sua forma de governo até que foram substituídos por uma aristocracia. Mais tarde, nalgumas áreas, essa aristocracia foi substituída por um setor aristocrático dentro de si próprio - a elite da elite. As técnicas militares de guerra tiveram seu foco mudado da cavalaria para a infantaria, e devido ao barato custo de produção e de sua disponibilização local, o ferro substituiu o bronze como metal, sendo usado na manufatura de ferramentas e armas. Lentamente a igualdade cresceu entre os diferentes estratos sociais, resultando na usurpação de vários reis e na ascensão da famíliaένος , genos).
As famílias (γένοι, génoi) começaram a reconstruir seu passado, na tentativa de traçar suas linhagens a heróis da Guerra de Troia, e ainda mais além - principalmente a Hércules. Enquanto a maior parte daquelas histórias eram apenas lendas, algumas foram separadas por poetas da escola de Hesíodo. Alguns desses "contadores de histórias", como eram chamados, incluíam Hecateu de Mileto e Acusilau de Argos, mas a maioria desses poemas foram perdidos.
Acredita-se que os poemas épicos de Homero contêm um certo montante de tradição preservada oralmente durante o período da período homérico. A validade histórica dos escritos de Homero têm sido disputada vigorosamente (cf. a "questão homérica"). Ao fim desse período de estagnação (uma das principais características da período homérico) a civilização grega foi engolida por um renascença que espalhou-se pelo mundo grego chegando até ao Mar Negro e à Espanha.


O SURGIMENTO DE UM NOVO SISTEMA DE ESCRITA

O uso do sistema silábico dos minoicos, as tão chamadas escritas lineares, caíram em nítido desuso uma vez que o novo sistema alfabético de escrita semítico, criado pelos fenícios mas tomado e, depois, modificado - pelos gregos começou a ser empregado - para grafar não só a língua grega, mas também outras línguas no mediterrâneo ocidental da época. Antes desse turbulento período, os micênicos escreviam sua língua utilizando o Linear B, mas após o período homérico, quando a história começava novamente a ser registrada, encontramos este novo alfabeto, o habitual alfa-beta-gama. Também os etruscos mais antigos provavelmente se beneficiaram com a nova forma de escrita. Uma vez que esse povo alcançou a Itália ocidental nos séculos posteriores a 1.200 a.C., esse mesmo sistema de escrita espalhou-se rapidamente pela Itália - servindo de grande valia ao latim - e chegando a ser adotado pelas tribos germânicas nortistas na forma de runas. Os lêmnios, de posse dum idioma falado na ilha egeia de Lemnos, similar à língua etrusca, usavam um alfabeto idêntico aos dos etruscos numa inscrição chamada Estela de Lemnos. As escritas lineares anteriores, contudo, não foram abandonadas inteiramente, uma vez que algumas inscrições pertencentes a séculos posteriores foram encontradas mostrando tais sistemas de escrita, como as inscrições D eteocipriotas.

CONFLITOS NO MEDITERRÂNEO E OS POVOS DO MAR

É por volta dessa época que revoltas em larga escala tomaram lugar, além de tentativas de usurpação dos reinos existentes por parte de povos vizinhos vítimas da praga, inanição e penúria. O reino hitita tombou devido à invasão dos chamados "povos do mar", um conjunto de populações originárias das áreas circunvizinhas em volta do Mediterrâneo. Um outro conjunto de povos tentou tomar o Egito duas vezes: uma durante o reino de Merneptá, e novamente durante o reino de Ramsés III. As defesas egípcias, contudo, ao contrário das hititas, tiveram sucesso em ambas as vezes devido ao Egito estar bem melhor protegido pela distancia e geografia que a Anatólia(excessivamente próxima da terra de origem dos povos do mar).
Embora a civilização cretense tenha ficado conhecida em parte por meio de relatos míticos, como a lenda do Minotauro, disseminados posteriormente ao período pré-homérico, a arqueologia revelou características de uma cultura primordial extremamente original e sedutora, onde a mulher possuía um papel importante e que muito provavelmente rejeitava a escravidão. Já a civilização civilização micênica ou ‘aquéia’, era formada pelos aqueus, povo do norte da Península Balcânica, e tinha seu centro na cidade de Micenas, situada na região da Argólida, região beneficiada por planícies férteis e por suas relações marítimas com Creta e as demais ilhas do Egeu. Os aqueus ficaram mais caracterizados pela belicosidade e pela austeridade de uma vida cotidiana mais dura em contraste com o refinamento artístico dos cretenses e seu apego ao bem viver. Nesse período, os grandes centros urbanos e a intensa atividade comercial antes observada deram lugar ao predomínio das atividades agrícolas. Fugindo da dominação dórica e criando novas áreas de ocupação delimitamos o advento da Primeira Diáspora Grega, que encerra o período homérico. A partir de então, a população grega organizou-se por meio das comunidades coletivas atreladas ao trabalho agrícola.

CONCLUSÃO

O período pré-homérico, ou Idade do Bronze, ficou marcado pela superação da civilização cretense pela civilização micênica. O declínio de Creta e o progesso de Micenas se acentuou com a invasão de ordas de aqueus que saquearam a ilha, colocando fim a civilização cretense, embora os aqueus acabassem usurpando da herança cultural dos cretenses, sofrendo grande influência no âmbito artístico e religioso da civilização que haviam subjugado. Posteriormente, por volta do século XII a.C, dórios, um povo guerreiro oriundo do norte da Grécia, promoveu invasões que impuseram termo também à civilização micênica, compelindo aqueus, eólios e jônios a se deslocarem da Grécia Continental para as ilhas do Mar Egeu e litoral da Ásia Menor num processo conhecido como primeira diáspora grega. Para um compreensão geral do período pré-homérico, é interessante observar a existência dessa dupla civilização formada por cretenses e micênicos, suas diferenças e características no plano social, político, econômico e cultural. Deve-se analisar o declínio de uma e o progresso de outra, e o ocaso de ambas através das invasões dóricas que promovem a primeira diáspora grega.

BIBLIOGRAFIA

·         Sammer, Jan. New Light on the Dark Age of Greece Varchive (Immanuel Velikovsky Archive)
·         Snodgrass, Anthony M. (c2000). The dark age of Greece: an archaeological survey of the eleventh to the eighth centuries BC, New York: Routledge.