Schopenhauer (1788-1860)




VIDA E OBRA: A prosa de Schopenhauer está entre as mais magníficas na língua alemã, mas sua filosofia é conhecida pelo pessimismo, que ele contrapôs ao otimismo de Hegel, seu contemporâneo. A vida é um processo de contínuo sofrimento para o qual a arte pode ser uma trégua temporária.
Na infância, Schopenhauer passou períodos em Hamburgo, Paris e num internato inglês. Em 1806, após a morte do pai, possivelmente por suicídio, mudou-se com a mãe para Weimar. Ela era uma romancista de sucesso e promovia saraus literários na casa da família. O jovem Schopenhauer teve uma educação liberal. Doutourou-se na Universidade de Iena e iniciou uma carreira acadêmica, assumindo um cargo na Universidade de Berlim. Ensinou ali ao mesmo tempo que Hegel, a quem desprezava, rotulando-o como charlatão. Schopenhauer acabou deixando a universidade. Viveu o resto de seus dias de sua herança, uma figura solitária e irascível que alcançou certa fama mais tarde na vida.
Schopenhauer chegou ao seu sistema filosófico relativamente cedo em sua carreira, como exposto em Sobre a raiz quadrupla do princípio da razão suficiente e O Mundo como vontade e como representação. Suas obras posteriores são essencialmente defesas e refinamentos desse sistema. Produziu também dois ensaios importantes, Sobre a liberdade da vontade Sobre a base da moralidade.

PRINCIPAIS IDEIAS: Schopenhauer segue Kant, tratando o mundo do fenômeno (o mundo em que vivemos) como sujeito à determinação causal. Mas enquanto para Kant o mundo numênico (o mundo como ele é em si mesmo) estava além do nosso conhecimento. Schopenhauer afirmava que podemos ter acesso a ele "a partir de dentro", através da "vontade". Ele identifica a vontade como uma força impessoal que controla todas as coisas, inclusive nós. Enquanto que no mundo em que vivemos, as coisas nos aparecem de forma diversa, há uma pluralidade, a vontade é a força única que está por trás de tudo o que vemos e ela nos rege. O Universo é, portanto, um grande impulso cósmico para a existência manifestada em seres conscientes particulares, isto é, nós somos manifestação da vontade inconsciente que rege todo o Universo.
Influenciado pelo pensamento hindu, Schopenhauer chama o reino fenômenico de "o véu de Maia", caracterizado como um ciclo interminável de luta e sofrimento. A vontade produz desejos nunca totalmente saciáveis, e como estamos sujeitos ao seu controle, não temos domínio sobre nossas próprias vidas - daí o famoso pessimismo de Schopenhauer.
Existe uma forma de escapar desse ciclo interminável do desejo e Schopenhauer encontrará nas artes, uma forma de entrar em contato com essa totalidade que permeia tudo, mas, essa forma de transcendência dura o tempo que dura a fruição de uma obra de arte.
Porém, existe outra via para escapar do sofrimento e pode ser encontrada na superação da luta produzida pela vontade, que podemos alcançar seguindo um estilo de vida ascético.

Bibliografia:
CHAUI, Marilena – Iniciação à Filosofia; Ed. Ática, 2009
LAW, Stephen – Guia Ilustrado Zahar de Filosofia; Ed. Zahar, 2008